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Author: acção
• quinta-feira, julho 31st, 2008

  A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) lançou o blogue “Dar voz aos pobres”, em www.darvozaospobres.blogspot.comA iniciativa visa divulgar a Audição Pública organizada pela CNJP, que terá lugar a 8 de Novembro de 2008 no Centro Cultural Franciscano (Largo da Luz), subordinada ao tema “Dar voz aos pobres para erradicar a pobreza”.

Existe cada vez mais a convicção de que a pobreza deve ser tida como uma violação de direitos humanos fundamentais, designadamente o direito à vida ou o direito à liberdade. Nas actuais condições de desenvolvimento económico, conhecimento científico e progresso tecnológico, é intolerável, do ponto de vista ético e de critérios de cidadania e vida democrática, que continue a verificar-se a persistência de elevado número de cidadãos e cidadãs do nosso País a viver em situação de pobreza severa ou sofrendo privações graves em relação ao estilo de vida corrente.

A CNJP tem estado empenhada em contribuir para a erradicação da pobreza, através das mediações ao seu alcance. A Conferência realizada em Maio 2007 e cujos trabalhos estão agora publicados em livro (Pobreza, direitos humanos e cidadania, ed. Cidade Nova, 2007) constitui um marco neste empenhamento tendo terminado com a publicação de um Manifesto. Na sequência desta acção, foi lançada a subscrição de uma petição pública a qual foi entregue na Assembleia da República, em 17 de Outubro último, com cerca de 23 mil assinaturas. A 3 de Julho, o conteúdo dessa petição foi discutido em plenário e assumido integralmente pela Assembleia da República como base para o projecto de resolução 348/X, aprovado por unanimidade, que reconhece a pobreza como uma violação dos direitos humanos e se propõe definir «um limar de pobreza» que «sirva de referência obrigatória à definição e à avaliação das políticas públicas» para combater o fenómeno em Portugal.

A reflexão que vimos fazendo leva-nos a pensar que, para além da mobilização dos necessários recursos no sentido do reforço das políticas sociais, necessário se torna inscrever a erradicação da pobreza em todas as políticas públicas, a começar pela política macroeconómica, as políticas de emprego e de formação profissional, transportes e demais serviços de utilidade social, habitação e urbanismo, saúde, educação ou cultura. Ainda assim, ficará a descoberto uma área da maior importância, a saber: vencer a barreira do desconhecimento e do preconceito entre pobres e não-pobres, sendo certo que estes condicionam o êxito dessas políticas.

Persistem na nossa sociedade alguns estereótipos que entravam uma acção mais decisiva na superação da pobreza e das suas causas que só uma melhor escuta dos pobres poderá ajudar a dissipar. Por outro lado, da parte dos pobres têm faltado oportunidades para poderem expressar as suas vivências, dificuldades, aspirações e potencialidades e ganharem visibilidade como sujeitos de direitos e deveres de cidadania.

Ao promover esta audição pública, a CNJP pretende convocar pobres e não-pobres para uma reflexão conjunta com vista à desconstrução dos preconceitos acerca da pobreza e, por essa via, contribuir para fomentar uma cultura de justiça, de solidariedade e de coesão social. É nossa intenção reunir na mesma mesa as pessoas que vivem ou viveram situações de pobreza e os responsáveis pelas políticas públicas e pelas organizações de solidariedade social, investigadores, e gente da cultura e da comunicação social.

Author: acção
• quarta-feira, julho 30th, 2008

A Santa Sé manifestou-se em favor das populações indígenas e dos camponeses da América Latina durante a recentemente reunião do conselho de administração da Fundação Populorum Progressio. O conselho de administração da Fundação destinou 1,3 milhões de euros em favor de 200 projectos de desenvolvimento na região.”O rápido processo de urbanização do continente e a imposição da cultura pós-moderna isolaram estes povos do contexto social e do desenvolvimento ao qual outros puderam ter acesso. Eles têm sofrido de tal modo uma vasta marginalização e a falta de protecção, perdendo injustamente muitas vezes a propriedade das suas terras”, refere um comunicado do Conselho Pontifício Cor Unum, divulgado esta segunda-feira pela sala de imprensa da Santa Sé.

Na nota são lembrados “os esforços da comunidade eclesial em defesa e na ajuda destas populações, largamente sustentados pelos últimos Pontífices, de Paulo VI a João Paulo II e Bento XVI”.

A Fundação do Papa para a América Latina, “Populorum Progressio”, tem a sua sede no Conselho Pontifício Cor Unum, na Cidade do Vaticano, cujo presidente, o Arcebispo Paul Cordes, é também presidente da Fundação e seu representante legal.

Desde o início oficial do seu trabalho, a 13 de Fevereiro de 1992, mais de 2000 projectos foram financiados por esta Fundação, num valor total de quase 25 milhões de dólares.

A prioridade da educação para o desenvolvimento é o elemento mais significativo do compromisso da Igreja nos países latino-americanos. A Fundação “Populorum Progressio” foi criada pelo Papa João Paulo II em 1992 para ser “um gesto de amor solidário da Igreja para com os mais abandonados e necessitados da América Latina”.

Cada projecto apresentado é sempre acompanhado de uma carta do Bispo local que garante que a necessidade é real, que a realização terá lugar no tempo assinalado e que conta com a sua aprovação e com os serviços diocesanos. Desta forma, a estrutura organizativa da Igreja possibilita, sem gastos adicionais, que se chegue a todos os recantos, mesmo nas localidades de floresta mais escondidas.