Há uma bonita tradição que representa São José “Adormecido”, cuja imagem encontrei há poucos dias. O José do Novo Testamento recorda José do Egito, chamado “homem dos sonhos”. Nenhum dos dois viveu fora da realidade, como pode parecer por uma análise superficial. Antes, foram pessoas atentas aos planos de Deus, na permanente prontidão para realizar a sua vontade. São José, sendo um homem justo, tomou decisões a partir da revelação dos rumos a serem assumidos, dentro da história da salvação. “A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José e, antes de passarem a conviver, ela encontrou-se grávida pela ação do Espírito Santo. José, apareceu-lhe em sonho um anjo do Senhor, que lhe disse: José, Filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa; o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados. Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: “Eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus-conosco. Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor tinha mandado e acolheu sua esposa. E, sem que antes tivessem mantido relações conjugais, ela deu à luz o filho” (Mt 1, 20-24)… “Depois que os magos se retiraram, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. José levantou-se, de noite, com o menino e a mãe, e retirou-se para o Egito” (Mt 2, 13-15)… “Quando Herodes morreu, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e lhe disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e volta para a terra de Israel; pois já morreram aqueles que queriam matar o menino”. Ele levantou-se, com o menino e a mãe, e entrou na terra de Israel. Mas quando soube que Arquelau reinava na Judeia, no lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Depois de receber em sonho um aviso, retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré” (Mt 2, 19-23). À percepção da vontade de Deus, segue-se sempre uma ação, toda voltada para “o menino e sua mãe”.

Em Nazaré, José constituiu e sustentou sua original família, cujas razões e desenvolvimento se encontram no Céu, solidamente ancorada no trabalho. Foi carpinteiro dos bons e Jesus, chamado seu filho, aprendeu a mesma profissão. Maria, aquela que veneramos com tanto apreço, foi imensa em sua pequenez e simplicidade de dona de casa! A José e Maria não faltaram Anjos para lhes revelarem o que Deus queria, nem lhes faltou a responsabilidade para assumir as próprias tarefas, sem fugir da missão que lhes foi entregue, que incluía o direito e o dever do trabalho.

sao-jose-operarioO grande Papa São João Paulo II, na introdução da Encíclica Laborem Exercens, ofereceu um precioso ensinamento, oportuno para o tempo em que vivemos, com os desafios ligados ao trabalho e ao emprego: “É mediante o trabalho que o homem deve procurar-se o pão quotidiano e contribuir para o progresso contínuo das ciências e da técnica, e sobretudo para a incessante elevação cultural e moral da sociedade, na qual vive em comunidade com os próprios irmãos. E com a palavra trabalho é indicada toda a atividade realizada pelo mesmo homem, tanto manual como intelectual, independentemente das suas características e das circunstâncias, quer dizer toda a atividade humana que se pode e deve reconhecer como trabalho, no meio de toda aquela riqueza de atividades para as quais o homem tem capacidade e está predisposto pela própria natureza, em virtude da sua humanidade. Feito à imagem e semelhança do mesmo Deus no universo visível e nele estabelecido para que dominasse a terra, o homem, por isso mesmo, desde o princípio é chamado ao trabalho. O trabalho é uma das características que distinguem o homem do resto das criaturas, cuja atividade, relacionada com a manutenção da própria vida, não se pode chamar trabalho; somente o homem tem capacidade para o trabalho e somente o homem o realiza preenchendo ao mesmo tempo com ele a sua existência sobre a terra. Assim, o trabalho comporta em si uma marca particular do homem e da humanidade, a marca de uma pessoa que opera numa comunidade de pessoas; e uma tal marca determina a qualificação interior do mesmo trabalho e, em certo sentido, constitui a sua própria natureza”.

E o Papa Francisco, com a força de sua palavra e seu testemunho ilumina mas ainda nossa reflexão, ligando família e trabalho: “No início do Salmo 127, o pai é apresentado como um trabalhador que pode, com a obra das suas mãos, manter o bem-estar físico e a serenidade da sua família: “Comerás do fruto do teu próprio trabalho: assim serás feliz e viverás contente” (V. 2). O fato de o trabalho ser uma parte fundamental da dignidade da vida humana deduz-se das primeiras páginas da Bíblia, quando se afirma que Deus “colocou o homem no Jardim do Éden, para o cultivar e, também, para o guardar” (Gn 2, 15). Temos aqui a imagem do trabalhador que transforma a matéria e aproveita as energias da criação, fazendo nascer o “pão de tanta fadiga” (Sl 126, 2), para além de se cultivar a si mesmo. O trabalho torna possível simultaneamente o desenvolvimento da sociedade, o sustento da família e também a sua estabilidade e fecundidade: “Possas contemplar a prosperidade de Jerusalém todos os dias da tua vida e chegues a veros filhos dos teus filhos” (Sl 127, 5-6). No livro dos Provérbios, realça-se também a tarefa da mãe de família, cujo trabalho aparece descrito nas suas múltiplas mansões diárias, merecendo o elogio do marido e dos filhos (Cf. 31, 10-31). O próprio apóstolo Paulo sentia-se orgulhoso por ter vivido sem ser um fardo para os outros, porque trabalhou comas suas mãos, garantindo-se deste modo o sustento (Cf. At 18, 3; 1Cor 4, 12; 9, 12). Estava tão convencido da necessidade do trabalho, que estabeleceu esta férrea norma para as suas comunidades: “Se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2Ts 3,10; Cf. 1Ts 4, 11). Dito isto, compreende-se que o desemprego e a precariedade laboral gerem sofrimento, como atesta o livro de Rute e como lembra Jesus na parábola dos trabalhadores sentados, em ócio forçado, na praça da localidade (Cf. Mt 20, 1-16), ou como pôde verificar pessoalmente vendo-Se muitas vezes rodeado de necessitados e famintos. Isto mesmo vive tragicamente a sociedade atual em muitos países, e esta falta de emprego afeta, de várias maneiras, a serenidade das famílias. Também não podemos esquecera degeneração que o pecado introduz na sociedade, quando o homem se comporta como um tirano com a natureza, devastando-a, utilizando-a de forma egoísta e até brutal. Como consequência, temos, simultaneamente, a desertificação do solo (Cf. Gn 3, 17-19) e os desequilíbrios econômicos e sociais, contra os quais se levanta, abertamente, a voz dos profetas, desde Elias (Cf.1Rs 21) até chegar às palavras que o próprio Jesus pronuncia contra a injustiça (Cf. Lc 12, 13-21; 16,1-31) (Amoris Laetitia 23-26).

Impossível calar, a esta altura dos acontecimentos e da crise do trabalho e do emprego, a voz do Papa Francisco, na recente Exortação Apostólica sobre o Matrimônio e a Família, que soa como um grande apelo, cujo eco esperamos ver acolhida no dia do trabalho. Confiamos a São José Operário o desejo de que não se abafem os legítimos sonhos e aspirações de nosso povo.

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará

fonte: site da CNBB

 

fonte: formacao.cancaonova.com

É importante que possamos captar corretamente o sentido daquilo que o outro diz. Um desafio nos relacionamentos – sejam eles na escola, no trabalho, em casa, com os amigos – é buscar o equilíbrio entre o falar e o escutar, sobre o quanto se fala e o quanto e como se escuta. Ouvir não é apenas colocar seu ouvido em escuta, ou seja, absorvendo o que o outro está falando, mas também perceber o que exatamente o outro diz para conhecê-lo melhor.

Realmente entendo o que o outro diz 1600x1200

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Quando você vai a uma loja onde o vendedor tem uma perfeita compreensão do que deseja, ele geralmente é assertivo e traz exatamente o produto que você busca, não é mesmo? Mas quando ele está distraído com outras coisas, preocupado com outras pessoas ao redor, geralmente você se incomoda, pois sente que ele não se comunica verdadeiramente com você.

Interpretações distorcidas e conclusões precipitadas.

Podemos comparar essa situação com nossos relacionamentos, pois quando não conseguimos “sair de nós mesmos” para perceber o outro, geralmente a comunicação vai mal. Mais complicado ainda quando, nesses relacionamentos, damos a nossa interpretação, muitas vezes cheia de distorções, daquilo que ouvimos, e tiramos conclusões precipitadas. Para que possamos ser melhores ouvintes, é importante captarmos corretamente o sentido daquilo que a pessoa diz, evitando, assim, uma enxurrada de mal-entendidos.

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Ruídos externos e internos.

Mais do que as interferências e os ruídos externos numa mensagem, o que mais atrapalha são os ruídos internos, ou seja, aquilo que fica em nós e como o interpretamos, que nos tira do foco e do real sentido daquela conversa.

A tendência das pessoas é ouvir e olhar apenas o que realmente querem, ou seja, acabam sendo seletivas, dando uma opinião individualizada e até mesmo conveniente a nós naquele momento.

Uma certa expressão diz que escutamos meia parte do que é falado, prestamos atenção na metade dessa metade e lembramos da metade disso tudo. Sendo assim, já pensou como e o quanto retemos do que conversamos? E se desse pouco ainda tirarmos sentidos particulares, os resultados serão complicados.

Quando escutamos atentamente, demonstramos aceitação do outro e, acima de tudo, uma atitude amorosa tão em falta em nossos dias atribulados e cheios de tecnologia e velocidade.

Que tal você começar, aos poucos, a rever a forma como tem se comunicado no dia a dia em seus relacionamentos? Muitas vezes, aquela dificuldade com uma pessoa pode estar na pouca disponibilidade em ouvir, ou ainda, na forma como você interpreta, erroneamente, a mensagem do outro.

Comportamento

A Comunidade Canção Nova em São Paulo realiza no dia 26 de abril de 2016, às 13h30, o tradicional Chá Beneficente no Santuário Nossa Senhora da Salette. O chá reúne pessoas de todas as idades para viverem uma tarde de oração, louvor, encontro com Deus, brindes e promoções. Nesta edição, estará presente a cantora e compositora católica Ana Lúcia e Pe. Adriano Zandoná (missionários da Comunidade Canção Nova). Pe. Adriano estará autografando o seu livro: “Conquistando a Liberdade Interior”, e o CD “Orações e Canções de Cura para as Mães”. Ele também realizará um momento especial de benção e oração pelas famílias. A cantora Ana Lúcia estará autografando o seu CD “Jesus, nome sobre todo nome”.

O Chá Beneficente é uma oportunidade de viver uma tarde agradável de evangelização, animada e descontraída, com degustação de quitutes e guloseimas, em companhia dos missionários da Comunidade Canção Nova. Para participar, basta adquirir o convite por R$ 15,00 (por pessoa), na Casa de Evangelização da Canção Nova, na Loja Canção Nova ou na Secretaria do Santuário.

Informações: (11) 3382-9800

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fonte: formacao.cancaonova.com

Fé e coragem são necessárias para uma grande mudança de vida! A vida oferece sempre oportunidades de mudanças, porque vida é movimento, é novidade; e mesmo quando parece que estamos vivendo uma rotina, a verdade é que muitas coisas estão mudando, acontecendo e, na maioria das vezes, envolvendo-nos o tempo todo. E é bom que seja assim, pois uma vida monótona não tem graça.

Viver sem movimento, sem mudanças e desafios é como caminhar em uma estrada reta sem curvas nem montanhas, sem expectativas para contemplar uma nova paisagem. Todo viajante sabe que estradas retas até que são boas no início, mas logo cansam. É claro que na vida existem mudanças positivas e outras nem tanto, mas a disposição para adaptar-se a elas sem perder o foco é o que realmente dá sentido a todas as coisas.

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Foto: Daniel Mafra

Sei que muitas pessoas, talvez até você, passam, neste momento, por provações que implicam mudanças, seja por motivos de desemprego, doenças, trabalho, estudo ou até mesmo pela perda de alguém querido; mas não conheço outra saída melhor para superar os desafios do que viver cada etapa sem se esquivar, sem antecipar o tempo e, acima de tudo, assumindo a verdade que a mudança implica. Já está provado que a vida nova que almejamos passa, inevitavelmente, pelas provas cotidianas. É como o ouro que, para adquirir o brilho digno de admiração, passa antes pelo fogo que o purifica. E o fogo que nos faz “brilhar” certamente está nos sacrifícios e nas renúncias que precisamos fazer para realmente ter a qualidade de vida que almejamos.

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Deixo aqui algumas dicas para você que deseja passar pelas mudanças de vida com fé e coragem:

Ore

Já está provado que uma oração simples e sincera pode abrir as portas para muitas graças acontecerem. Portanto, seja qual for sua realidade hoje, coloque-se na presença de Deus em oração, confie a Ele sua causa e acredite que Ele pode e quer fazer o melhor para você.

Não se culpe

Não pode voar alto quem carrega muita bagagem, menos ainda quem está preso a sentimentos feridos. Precisamos conservar uma memória grata do que vivemos e foi bom, e também conservar a lição que os erros nos deixaram, mas sem dar espaço para saudosismos nem culpas. Somente um coração livre pode acolher as novidades que a vida oferece a cada amanhecer.

Peça ajuda

Pedir ajuda nem sempre é fácil, mas, às vezes, estamos tão perdidos, que não conseguimos dar passos com nossas próprias forças. Então, é preciso ter a humildade de pedir ajuda às pessoas que nos amam e têm maturidade para nos fazer ver os fatos além dos nossos sentimentos feridos. Para isso, é fundamental vencer o medo, a vergonha e o orgulho.

Viva a verdade

Quem deseja ser verdadeiramente livre já sabe que não há outra saída senão viver a verdade. A Palavra de Deus diz: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará” (Jo 8,32). Portanto, não ignore sua dor nem fuja das lutas que a vida lhe proporciona. Encarar os fatos como eles verdadeiramente são, sem parar nos “porquês” nem nas comparações, só colabora com sua cura interior.

Tenha paciência

Fazemos parte de uma geração imediatista, desejamos que tudo seja resolvido na hora. Ok! Só que, graças a Deus, a natureza não entrou na era digital e a vida pede calma para achar seu lugar na alma. Então, respire fundo e seja paciente com si mesmo. Não cobre de você a perfeição que pertence a Deus.

Fuja do comodismo

Se você deseja uma vida nova, é preciso ter paciência com si mesmo, mas não se acomodar. Por mais que esteja ferido, a vida continua cheia de cores e beleza, convidando-o a viver. Viver é também sair de si e partilhar o que tem. São João Paulo II ensina, com sabedoria: “Ninguém é tão pobre que não tenha nada para dar, e ninguém é tão rico que não tenha nada a receber”.

São apenas dicas, o fundamental, porém, é sua disposição em querer realmente mudar. Então, mãos à obra! A simplicidade pode colaborar muito com suas novas atitudes. Vá, aos poucos, tirando os pesos que colocou nos próprios ombros e dando um passo de cada vez na direção que Deus o impulsiona. Aos poucos, você verá que já está vivendo a vida nova, simples e feliz que Deus já lhe proporciona.

Vida de oração

Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, atualmente reside na missão de São Paulo. Apresentadora do programa Conexão Canção Nova na Rádio América (SP)

Ouça a entrevista de Dijanira Silva com Padre Chrystian Shankar durante o aprofundamento para famílias, que aconteceu na Canção Nova em São Paulo nos últimos dias 9 e 10 de abril.

PRIMEIRA PARTE

SEGUNDA PARTE

Pequenas e grandes corrupções não se limitam a parlamentares e bandidos.

Estamos assistindo, alguns atônitos como eu, ao espetáculo da corrupção em nosso país. Não esqueçamos que a melhor, mais poderosa e pacífica manifestação acontece nas urnas. Mas corrupções políticas à parte, o momento nos impele a refletirmos sobre nossos próprios comportamentos cotidianos.

dez pequenas corrupções que podemos cometer sem perceber - 1600x1200Você pode pensar: “Eu corrupto? Jamais! Isso é para os parlamentares ou bandidos!”. Mesmo assim, leia o texto até o fim e reflita se, pelo menos uma vez, você e eu também já “conjugamos” o verbo corromper em nossa vida repleta de orações e discursos morais.Dez pequenas corrupções que podemos cometer sem perceber

Separei 10 pequenas corrupções que podem acontecer conosco sem que a chamemos assim, mas, antes, vamos ao significado da palavra corrupção: “modificação, adulteração das características originais de algo. Isso é, sair do original, adulterar”. Partindo da ideia que o ser humano deve viver o respeito e as virtudes, como dizia São Tomás Aquino, vejamos se adulteramos as virtudes que deveriam ser inatas em nós:

1 – Um dia, você está atrasado e aquela senhora simpática resolve atravessar a avenida lentamente bem em frente ao seu carro. Então, você diz a si mesmo: “Ah, não! Estou com muita pressa!”. Então, acelera em vez de parar. Pare e pense: isso não seria uma pequena corrupção? O que seria natural? A resposta é toda sua!

2 – Uma pessoa vive algo em seu íntimo e procura, em sua agenda de contatos, alguém em quem ela possa confiar seus segredos. Depois de um bom tempo, escolhe você! Tremendo de medo, ela decide abrir o coração, porque confia. Você escuta, mas, não demora muito, procura em sua agenda de contatos outra pessoa para repartir aquele segredo, com a garantia de “contar um segredo”. Mas este é mesmo seu ou do outro? A quem pertencia essa pérola? E a quem você vendeu? Em quanto tempo?

3 – Você é um evangelizador conhecido por rezar ou cantar com um dom especial. As pessoas o procuram, porque querem Deus. Mas, lá no fundo, no fundo do seu coração, em suas roupas decide colocar alguns brilhos a mais, diminuir as Palavras do Evangelho para colocar mais suas palavras; e quando sobe ao palco, a melhor parte que gosta não é quando alguém, em segredo, fala que mudou de vida, mas quando os aplausos interrompem sua fala. Isso não dá para medir, é tão secreto! Por isso só sua consciência é capaz de dizer se você corrompeu o original de ser apenas reflexos do único sol que dá a vida: Deus. Mas não se esqueça de que seremos julgados pela nossa consciência.

4 – O sinal fecha e, dentro do seu carro, com ar-condicionado ligado, vê uma pessoa necessitando se aproximar. Embora questionemos se a esmola é a melhor forma de ação social, abrir o vidro, estender a mão, oferecer um gole de água, um sorriso e perguntar o nome não seria contra a natureza humana. Qual tem sido sua reação?

5 – O telefone toca e sua filha de cinco anos o atende. Você está começando um cochilo, que há tempos não consegue; então, não tem dúvidas e dispara: “Diz que não estou!”. A criança fica confusa, não sabe se a mãe diz sempre a verdade como deveria dizer. A partir daquele momento, a mãe passa a ser alguém de quem a filha desconfia, porque adulterou o natural: uma relação sempre límpida e incorruptível com todos, inclusive com ela.

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6 – O dia foi bem cheio e você, embora seja um jovem adulto, sente-se exausto! Finalmente, chega o transporte que tanto esperava, e ali está aquele banco livre esperando por você! Serão duas longas horas de trajeto por causa do trânsito, e aquele assento, naquele momento, tornou-se bem caro para você. Mas, para sua “sorte”, o transporte não tem mais nenhum outro assento disponível, e aqueles reservados para os de “melhor idade” estão ocupados por pessoas mais jovens que você. Então, aquela senhora simpática surge do nada e você, justamente naquele momento, resolve tirar um cochilo, fechando os olhos mesmo sem estar dormindo verdadeiramente, como se pudesse enganar sua consciência sobre o que é certo ou errado. O que você pensa? Dar exemplo aos mais jovens ou continuar com os olhos cerrados, tentando sublimar uma consciência que insiste em latejar a favor do que seria natural?

7 – A fila é enorme na hora do supermercado e aquela atendente é nova. Você está com o orçamento contado, saiu de casa e viu que só conseguiu comprar 10% do que realmente sua família está precisando. Por engano, a atendente, que está em fase de experiência no emprego, passa dois produtos a mais sem cobrar. Você segue seu dia dizendo para si mesmo: “O erro foi dela, não meu. Foi Deus quem me deu!” ou “Preciso devolver isso, senão, aquela jovem poderá perder o emprego”?.

8 – Você está participando da Missa, faz o ato penitencial como ninguém, fecha os olhos e, na hora do Glória, suas mãos são as que mais se elevam. Na oração eucarística, faz questão de se ajoelhar antes da hora recomendada e fica até um pouco mais depois da consagração. Um fé exemplar! Mas, na hora de receber o Corpo de Cristo, a fila está enorme e você o quer receber logo, porque não tem paciência de ir para o fim da fila. Sem nenhum constrangimento, passa na frente de todos. Só uma pergunta: “Você quer fazer comunhão com quem mesmo?”.

9 – Seu hobby é assistir a filmes. Você curte isso! Até aí, sem problemas. Mas não tem nenhuma crise de consciência quando se dirige ao mercado paralelo e compra produtos piratas. A sua justificativa é compreensível, pois realmente as mercadorias originais são caras, e são mesmo! Mas isso justifica alimentar o mercado negro, sem lei, o qual não sabemos se é limitado apenas às mercadorias? E quanto a todos os profissionais que dependem da venda de seus produtos?

10 – É fim de ano. Os shoppings estão simplesmente lotados. Você não aguenta mais aguardar uma vaga no estacionamento. Espera meia hora e olha as vagas para idosos desocupadas; então, cansado de esperar, pensa : “Vão ser só cinco minutos. São tantas vagas para eles!”. Só um questionamento: a questão não é se vai chegar um idoso precisando da vaga, mas sim o que é ético ou antiético. O que está previsto em lei precisa ser cumprido. Encurtar caminhos com justificativas rasas, além de não resolver, não faz nosso país melhor.

São apenas pequenos dez exemplos, mas existem muitas outras possibilidades de pequenas corrupções que podemos cometer, em nosso dia a dia, sem perceber. A questão é que precisamos continuar a lutar por um país mais honesto. No entanto, um Brasil melhor começa com atitudes individuais mais éticas e morais. Assim, olhando primeiro para cada um de nós, podemos construir um país que todos nós queremos.

Renata Vasconcelos
Missionária da Comunidade Canção Nova
fonte: formacao.cancaonova.com

Padre Fábio de Melo fala sobre a teologia da misericórdia em nossas vidas

Padre Fábio de Melo\Foto: Daniel Mafra

Padre Fábio de Melo\Foto: Daniel Mafra

Eu pensava que havia me capacitado para ser padre, mas descobri que havia uma Teologia maior do que eu havia estudado, uma que sempre esteve ao meu alcance, uma fé viva, testemunhada.

O primeiro livro que lancei foi na cidade de Formigas e minha mãe foi. Chegando em casa, minha mãe me disse: “meu Deus, como posso ter um filho tão inteligente assim”?! E ali disse a ela que tudo o que eu sabia de Deus havia aprendido com ela. Não há nada que aprendi com Deus que não tenha sido pela senhora, mãe.

A Festa da Misericórdia não pode ser compreendida pelos livros de Teologia, quem nos ensina é a mãe, o pai, não adianta escutar que Deus é amor, é misericórdia, é perdão. É para aqueles que tiveram a experiência, como eu, que tive a minha mãe me sustentando.

Nasci em uma casa simples e bem pobre e um dia quebrei uma xícara em casa, estávamos eu e minha irmã em casa. Minha irmã olhou para mim e disse: “Bem feito! Você vai ver quando minha mãe chegar”. Quando ouvi que minha mãe que estava chegando e minha irmã gritando: “é agora”, eu corri e escondi debaixo da cama.

Minha irmã já mostrou à minha mãe assim que chegou em casa, e minha mãe gritou: “Fabinho! Filho, o que foi”? Eu comecei a chorar. E ela me falou: “meu filho, essa xícara era muito preciosa preciosa para mim, mas não é nada perante o quanto você é precioso em minha vida!” E hoje, com essa experiência, eu lhe digo: essa xícara quebrada em sua vida não é maior que o amor Deus por você.

Nós, às vezes, projetamos no outro nossa mazela e não conseguimos ser para o outro misericórdia. Isso é uma fé viva e não cheia de teorias.

Minha mãe me ensina, porque ela luta para não ter ressentimentos, mágoas. Minha mãe é o lugar onde a misericórdia de Deus acontece. Seja lugar da misericórdia para as pessoas.

Não adianta seus filhos terem a Catequese do que é misericórdia, eles precisam da experiência com a misericórdia. Seja lugar da misericórdia.

A primeira renúncia para conhecer a misericórdia é a das mágoas e ressentimentos.Viver a mágoa é colocar na sala da sua vida, no seu coração, um defunto. É preciso jogar fora o defunto do ódio, senão, ele ocupa o centro da sua vida.

Toda vez que nos aproximamos da misericórdia, ela precisa repercutir na nossa vida. Cada vez que você reza o terço é a oportunidade de lavar suas mazelas. Rezar o terço da misericórdia não é dever, mas é o direito de ser menos egoísta, de ser mais curado.

Ontem fui celebrar um casamento e disse que neste mundo estamos acostumados a receber o que foi feito para todo mundo. Você vai comprar uma blusa tem M, G e GG. Desde a Revolução Industrial passou-se a produzir em série. Às vezes também amamos assim, de forma generalizada.

Quando for escolher alguém, você precisa escolher alguém configurado a Jesus, aquele que te olha na fraqueza e te levanta. Não importa que seja bonito ou não.

A falta de conversão compromete a educação dos nossos filhos. Seu filho precisa olhar para você e aprender sobre o amor de Deus. Misericórdia aprendemos em casa, no colo do pai e da mãe.

Quando um pai negocia obediência com seu filho, é porque sua autoridade afetiva foi embora faz tempo

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Como vou dar testemunho se não sou capaz de renunciar um cargo na igreja, porque sou vaidoso e gosto de mandar em tudo. Como dar testemunho da misericórdia, ou convencer o outro do cristianismo, se sou um cavalo nos meus relacionamentos, dentro da Igreja?

Olha o exemplo de Bento XVI, ele teve a coragem de renunciar. Tenha a coragem de renunciar para ser mais humano, mais misericórdia. O ateísmo cresce com a nossa hipocrisia, a nossa falta de testemunho. Não adianta repetir a devoção da misericórdia, é preciso uma fé viva, uma fé nova.

Agradeça a Deus porque você tem o Papa que é pura misericórdia, ele sabe que o que o salva não é o fato de ser papa, mas o que ele vive. O que nos salva é o que no íntimo do nosso coração está sendo construído.

Não queira ser juiz de ninguém, leve consigo a leveza de quem vive clamando a misericórdia de Deus. O que vai nos salvar no último dia é o quanto nós misericordiosamente amamos quem passou na nossa vida. Olhe para você, olhe para sua vida, tem ódio? Ressentimentos? Renuncie, porque isso lhe pesa e lhe faz mal, mas hoje você tem a oportunidade de tirar isso de você. Fale para Jesus que você confia nele.

Transcrição e adaptação: Elcka Torres – Missa de Encerramento da Festa da Misericórdia 03/04/2016
Fonte: eventos.cancaonova.com

Páscoa é a estação da primavera espiritual! Cristo ressuscitou! Aleluia! Por Sua Paixão e Morte, um novo tempo foi inaugurado na história da humanidade. As coisas antigas passaram e desabrochou, no alvorecer da vida, as alegrias que rompem as trevas da morte!

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O tempo litúrgico da Páscoa é a estação da primavera espiritual, e somos chamados a caminhar pelo jardim da Ressurreição, que é o próprio Cristo presente em nosso meio. Ao longo de cinquenta dias, vamos exalar o suave aroma dessa alegria em nossa alma. O canto de ‘aleluia’ presente em nossas liturgias, mas também aclamado em nosso coração, recorda-nos este tempo novo que Cristo nos oferece por amor e misericórdia.

O Círio Pascal é símbolo dessa presença do Ressuscitado na comunidade que se reúne para celebrar este tempo novo, onde cantamos as glórias do Senhor, que venceu a morte e nos deu a vida eterna.

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É tempo de nos despedirmos do homem velho! “Se, pois, ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (Cl 3,1). É chegado o momento de nos despedirmos do homem velho, pois Cristo rompeu as trevas do pecado e trouxe-nos a certeza definitiva da vida que vence a morte.

Neste tempo pascal, busquemos as “coisas do alto”. Não nos conformemos com as realidades que oprimem a vida, mas transformemo-las por nosso exemplo e misericórdia. Em nossa comunidade, busquemos viver a paz do Cristo Ressuscitado nos pequenos gestos. Se for preciso, que silenciemos nossas palavras mediante uma crítica que pode ferir e causar constrangimento. Coloquemo-nos a serviço, não buscando elogios, mas fazendo de nosso ato voluntário uma oferta de gratidão a Cristo, por tanto amor a nós doado.

Busquemos as coisas do alto em nossos ambientes familiares, orando em meio às situações complexas e que não apresentam soluções imediatas. Levemos a paz do Ressuscitado como dom a ser ofertado em pequenos gestos que desabrocham como lírios perfumados na alma de quem os acolhe.

Com Cristo ressuscitado celebremos a Páscoa na vida cotidiana, antecipando a gloriosa realidade que vislumbramos, hoje, pela fé e, um dia, junto de Deus, na plenitude da graça que esperamos. Aleluia!

Padre Flávio Sobreiro

Bacharel em Filosofia pela PUCCAMP e Teólogo pela Faculdade Católica de Pouso Alegre (MG), vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Santa Rita do Sapucaí (MG), e padre da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Para acompanhar outras reflexões, acesse: www.facebook.com/peflaviosobreiro

scjluz“Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?” (Lucas 24,5b).

Ressuscitou! Está Vivo! Abandonou a morte, superou as trevas. A Ressurreição de Cristo é as primícias para os que morreram, os que vão morrer e sinal de vida eterna para os que vivem na morte.
Mas é preciso compreender para crer e crer para compreender. Pois ao celebrar a Páscoa, a passagem da morte à vida, isto é, crer na Ressurreição. Diz Santo Agostinho: “Não é grande coisa crer que Jesus morreu; também os pagãos o crêem, também os judeus e os condenados; todos o crêem. Mas a coisa realmente grande é crer que ressuscitou. A fé dos cristãos é a ressurreição de Cristo”.

Existem pessoas que só vivem do Cristo morto. No dia em que estamos vivendo a Páscoa do Senhor –, a Ressurreição, que é a base da vida –, muitas delas não conseguem sair da morte para a Ressurreição. São pessoas que ainda estão presas à morte que aconteceu na Sexta-feira da Paixão, sem olhar a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, Aquele que venceu a morte e nos deu a vida eterna.

Por que ainda insistimos em querer aquilo que é morte? O que nos falta para experimentarmos a vida, mas a vida do Ressuscitado, a vida de Cristo no nosso corpo mortal? E quais são as áreas de nossa vida que estão mortas pelo pecado, pelas trevas? O poder da Ressurreição de Cristo quer atingi-lo por inteiro e lhe dar uma vida nova, pois com a Ressurreição somos participantes da vida de Cristo, da vida eterna.

Sim, a morte de Cristo não é prova suficiente da verdade, mas um testemunho supremo da sua caridade. Somente a Ressurreição é a verdade atestada e comprovada. É o selo que o Pai põe entre a morte e a vida.

No entanto, a Ressurreição de Cristo não é somente um fato para fornecer provas garantidas, uma demonstração de poder, uma coisa criada pela Igreja, um ato público para o povo voltar para Deus. Mas, antes de tudo, é um ato de amor infinito do Pai, o ápice da ação de Deus no mundo. Uma prova de amor de Deus não somente pelo seu Filho Jesus, mas também por toda a humanidade que recebeu a Ressurreição de Cristo em suas vidas.

Com a Ressurreição de Cristo quem ganhou foi o homem; pois nós também iremos ressuscitar com Ele. Nosso corpo mortal vai e já pode experimentar a Ressurreição pela ação do Espírito Santo
“Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos também dará a vida aos nossos corpos mortais por meio de seu Espírito que habita em nós” (Rm 8,11).

Essa é a nossa alegria e esperança, porque Jesus não fica com nada para Ele. Ele faz questão de se dar ao homem gratuitamente.

“A Ressurreição de todos realiza-se pelo Espírito Santo. E não entendo só ressurreição dos corpos no fim dos tempos, mas também a regeneração espiritual e a ressurreição das almas mortas, que se efetua todos os dias espiritualmente. Esta ressurreição é outorgada mediante o Espírito Santo por Cristo que, morto uma vez, ressuscitou e ressuscita em todos os que vivem dignamente” (Simeão, o Novo Teólogo).

Não tenhamos medo de nos expor à Ressurreição de Cristo para que saiamos da morte, das trevas e das doenças. Levantemo-nos e gritemos: Cristo Ressuscitou! Aleluia!

Fonte: cancaonova.com

Diante de um mundo carente de esperança, celebrar a Semana Santa é fortalecer a esperança que dá a vida! O maior acontecimento da história da humanidade é a Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus feito Homem. Nada, neste mundo, supera a grandiosidade desse acontecimento. Os grandes homens e as grandes mulheres, – sobretudo os santos e santas, debruçaram-se sobre esse acontecimento e dele tiraram a razão de ser de suas vidas.

Depois da Encarnação e da Morte cruel de Jesus na cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus pela humanidade. Disse o próprio Jesus que o Senhor amou a tal ponto o mundo que deu o Seu Filho Único para que todo aquele que n’Ele crer não morra, mas tenha a vida eterna” (cf João 3,16).

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Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

São Paulo explica a grandeza desse amor de Deus por nós com as seguintes palavras aos romanos: “”Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Se, quando éramos ainda inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida”” (Romanos 5,8-10).

O que podemos exigir do Senhor?

Cristo veio a este mundo para nos salvar, para morrer por nós. Deus, humanizado, morreu por nós. O que mais poderíamos exigir do Senhor para nos demonstrar Seu amor? Sem isso, a humanidade estaria definitivamente longe de Deus por toda a eternidade, vivendo o inferno, a separação do Pai. Por quê? Porque o homem pecou e peca desde os nossos primeiros antepassados; e o pecado é uma ofensa grave a Deus, uma desobediência às Suas santas Leis, a qual rompe nossa comunhão com Ele. Por isso, diante da justiça divina, somente uma reparação de valor infinito poderia sanar essa ofensa da humanidade ao Senhor. E como não havia um homem sequer capaz de reparar, com seu sacrifício, essa ofensa infinita a Deus, então, Ele próprio, na Pessoa do Verbo,– veio realizar essa missão.

Não pense que Deus é malvado e exige o sacrifício cruento de Seu Filho na cruz por mero deleite ou para se vingar da humanidade. Não, não se trata disso. Acontece que o Senhor é amor, mas também é justiça. O amor de Deus é justo. Quem erra deve reparar seu erro. Humanamente exigimos isso, e essa lei só não existe entre os animais. Então, como a humanidade prevaricou contra Deus, ela tinha de reparar essa ofensa não simplesmente a Ele, mas à justiça divina sob a qual este mundo foi erigido. Sabemos que, no Juízo Final, Deus fará toda justiça com cada um; e cada injustiça da qual fomos vítimas também será reparada no dia do juízo.

Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício

Assim, vemos o quanto Deus ama, valoriza e respeita o homem. O Verbo Divino se apresentou diante do Pai e ofereceu-se para salvar a Sua mais bela criatura, gerada “à Sua imagem e semelhança” (cf. Gênesis 1,26).

A Carta aos Hebreus explica bem este fato transcendente: “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: ‘Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’ (Sl 39,7ss). Disse primeiro: Tu não quiseste, tu não recebeste com agrado os sacrifícios nem as ofertas, nem os holocaustos, nem as vítimas pelo pecado (quer dizer, as imolações legais). Em seguida, ajuntou: Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo.Enquanto todo sacerdote se ocupa diariamente com o seu ministério e repete inúmeras vezes os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus” (Hebreus 10,5-10).

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A Semana Santa celebra, todos os anos, esse acontecimento inefável: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo para a salvação da humanidade, para o resgate desta das mãos do demônio e a sua transferência para o mundo da luz, para a liberdade dos filhos de Deus. Estávamos todos cativos do demônio, que no Paraíso tomou posse da humanidade pelo pecado. E com o pecado veio a morte (cf. Rom 6,23).

Mas agora Jesus nos libertou, “pagou o preço do nosso resgate”. Disse São Paulo: “Sepultados com ele no batismo, com ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão da vossa carne, chamou-vos novamente à vida em companhia com ele. É ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente ao encravá-lo na cruz. Espoliou os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz” (Col 2,12-14).

Quando fomos batizados, aplicou-se a cada um de nós os efeitos da Morte e Ressurreição de Cristo; a pia batismal é, portanto, o túmulo do nosso homem velho e o berço do nosso homem novo, que vive para Deus e Sua justiça. É por isso que, na Vigília Pascal do Sábado Santo, renovamos as promessas do batismo.

O cristão que entendeu tudo isso celebra a Semana Santa com grande alegria e recebe muitas graças. Por outro lado, aqueles que fogem para as praias e os passeios, fazendo dela apenas um grande feriado, é porque ainda não entenderam a grandeza dessa data sagrada e não experimentaram ainda suas graças. Ajudemos essas pessoas a conhecerem tão grande mistério de amor!

A espiritualidade dos três dias

O cristão católico, convicto, celebra com alegria cada função litúrgica do Tríduo Pascal e da Páscoa. Toda a Quaresma nos prepara para celebrar com as disposições necessárias a Semana Santa. Ela se inicia com a celebração da entrada de Jesus em Jerusalém (Domingo de Ramos). O povo simples e fervoroso aclama Jesus como Salvador. E grita: “Hosana!”; “Salva-nos!” Ele é o Redentor do homem. Nós também precisamos proclamar que Ele e só Ele – é o nosso Salvador (cf. At 4,12).

Na Missa dos Santos Óleos, a Igreja celebra a Instituição do Sacramento da Ordem e a bênção dos santos óleos do batismo, da crisma e da unção dos enfermos. Na Missa do Lava-pés, na noite da Quinta-Feira Santa, a Igreja celebra a Última Ceia de Jesus com os apóstolos, na qual o Senhor instituiu a Sagrada Eucaristia e lhes deu as últimas orientações.

Na Sexta-Feira Santa, a Igreja guarda o Grande Silêncio diante da celebração da Morte do seu Senhor. Às três horas da tarde, é celebrada a Paixão e Morte do Senhor. Em seguida, há a Procissão do Senhor morto por cada um de nós. Cristo não está morto nem morre outra vez, mas celebrar a Sua Morte é participar dos frutos da Redenção.

Na Vigília Pascal, a Igreja canta o “Exultet”, o canto da Páscoa, a celebração da Ressurreição do Senhor, que venceu a morte, a dor, o inferno e o pecado. É o canto da Vitória. “Ó morte onde está o teu aguilhão?”

A vitória de Cristo é a vitória de cada um de nós que morreu com Ele no batismo e ressuscitou para a vida permanente em Deus; agora e na eternidade.

Celebrar a Semana Santa é celebrar a vida, a vitória para sempre. É recomeçar uma vida nova, longe do pecado e em comunhão mais íntima com Deus. Diante de um mundo carente de esperança, que desanima da vida, porque não conhece a sua beleza, celebrar a Semana Santa é fortalecer a esperança que dá a vida. O Papa Bento XVI disse – em sua Encíclica Spe Salvi – que sem Deus não há esperança, e sem esperança não há vida.

Esta é a Semana Santa que o mundo precisa celebrar para vencer seus males, suas tristezas e desesperanças.

Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

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