Consequência da mentira

O folclórico dia da mentira tem sua origem na confusão de um calendário. O fato ocorreu por volta do século XV, quando o então rei da França Carlos IX decretou o início do ano corrente como 1º de janeiro, seguindo o calendário gregoriano.

Alguns camponeses e povoados mais distantes do rei não acreditaram no decreto e continuaram a celebrar o início do ano em 1º de abril. Isso fez com que passassem a ser ridicularizados pelo restante da população com brincadeiras de notícias mentirosas. Essas peças passaram a fazer parte da celebração do dia 1º de abril que, ao longo do tempo, tomou conta de toda a França e do mundo, ora com o nome de dia da mentira, ora como o dia dos tolos.dia da mentiraHoje, o dia da mentira é tido como uma brincadeira. Com a globalização, a data ganhou destaque em importantes meios de comunicação e, com o advento da internet, agências de notícias famosas fizeram circular notícias bizarras como forma de celebração desse dia.

Brincadeiras e folclore à parte, a verdade é que mentira pode provocar consequências desastrosas para um país, para uma família, uma empresa, uma pessoa. Como dizia Gandhi: assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida.

No Brasil, por exemplo, sofremos há anos as consequências da falta de transparência de nossos governantes. A mentira está a serviço da corrupção, que é a maior vilã de nossa sociedade. Os princípios que regem a mentira, o juízo falso de valores e o engano proposital são os geradores de grande parte das mazelas sociais que os brasileiros já testemunharam. A impunidade, a violência, principalmente nas cidades de porte médio, antes locais seguros, só têm crescido na última década, ao mesmo tempo em que os investimentos na saúde pública são ainda desproporcionais à demanda, e a educação não é vista como prioridade para o desenvolvimento do país.

A nossa sociedade está sofrendo também as consequências do abandono e do esquecimento da verdade e dos valores cristãos. No dia da mentira, é verdade que não temos mais tempo para nossos filhos, é verdade que não nos reunimos em família, não temos tempo para ir à Igreja, é verdade também que a dignidade e o direito mais básico, o de viver, já não faz tanto sentido. De fato, temos aqui muitos motivos para, neste 1º de abril, lamentar as consequências da mentira em nossa vida.

Mesmo que no dia 1º de abril contemos alguma mentira para não deixar passar em branco essa brincadeira, a verdade é que temos sede de sinceridade, queremos a confiança, queremos reciprocidade, queremos nos manifestar tal como somos, pois não aguentamos por muito tempo a dissimulação, a falsidade e a corrupção. Algo dentro de nós grita pelo verdadeiro e autêntico. No fundo, todo homem anseia viver em comunidade para partilhar a verdade e a justiça.

Jesus disse: E conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará (João 8, 32). Aprendamos que só a verdade nos torna pessoas livres, o bem mais precioso para o homem. É na liberdade que começa e termina todos os nossos caminhos, ela é a pérola do nosso querer.

No dia da mentira, precisamos redescobrir a nossa vocação de testemunhar e comunicar a verdade. Não suportamos mais o que o Papa Bento XVI classificou como a ditadura do relativismo, queremos mesmo é a liberdade que vem pela verdade. Vivemos tempos de desconfiança e opressão pela mentira, ora lá, ora cá, perguntamo-nos se não estamos sendo enganados, pois quem sabe nos acostumamos com o falso…

No dia da mentira só me resta dizer: Brasil, lute pela verdade!

Daniel Machado de Assis – Missionário da Comunidade Canção Nova

Fonte: formacao.cancaonova.com

Se o coração deixasse para trás o que fica para trás ele seria mais inteiro, ele caminharia leve e sem peso de acusações. Existem situações na vida da gente que acabam influenciando profundamente aquilo que somos. Tal influência, por vezes, pode exercer sobre nós o ofício de aprisionar, estacionando nosso olhar em paisagens que não mais compõem nossos dias.

De fato, o coração, –com as razões que o povoam, –vive inconstâncias que, em determinados momentos, o tornam confuso e inquieto; e se ele não for bem nutrido e direcionado, pode desenvolver certa facilidade para se acorrentar àquilo que não mais pode ser nem ter.

Deixar para trás o que fica para trás - 1600x1200A raiz de tal confusão, muitas vezes, consiste no orgulho, que o impede de se aceitar pequeno e limitado, querendo assim sempre “voltar para consertar” e explicar aquilo que em sua vida ficou ausente de perfeição.

Seria tão mais fácil reconhecer: “Errei, nessa circunstância eu não fui capaz de acertar…”. Assim o coração ficaria livre para compreender com propriedade o profundo significado da misericórdia, que se configura como acolhida sem precedentes daquilo que o ser é, e de maneira singular de suas fragilidades e incapacidades. Assim o coração será feliz por ser o que é, sentindo-se acolhido por um amor infinitamente maior que o seu, que não o acusa nem vive a exigir explicações.

Ser amado

Onde o amor é abundante cessam-se as explicações. Quem explica demais se sente acolhido de menos, pois no coração que se compreende conhecido e amado as palavras podem ser dispensadas e as explicações dão lugar à certeza de ser amado como se é.

Se o coração deixasse para trás o que fica para trás ele seria mais inteiro, caminharia leve e sem peso de acusações. Contudo, para isso é necessário deixar passar sem tentar explicar nem consertar; mas um deixar com a serena consciência de que existe um terno abraço sempre pronto a acolhê-lo em cada esquina de sua história.

As justificativas tornam a vida pesada, pois semeiam desconfiança. Quem se justifica demais diante de seus erros e fraquezas ainda não compreendeu que é amado assim como é. Quem se contempla amado não vive explicando suas limitações, mas se permite ser perdoado e acolhido apenas pela força de um simples olhar, mesmo com a ausência de palavras.

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Confiar no amor

Deixar sem buscar justificar e explicar é um concreto sinal de que o coração aprendeu a confiar na força do amor que acolhe sem desprezar. Sem desprezar a essência –que é boa –em virtude dos fragmentos de imperfeição.

Deixar é também uma forma de ser autêntico consigo, assumindo que, em determinada circunstância, não foi possível acertar, mas que é possível aprender com o limite para construir uma posterior vitória. Diante de um Amor que é sempre ‘sim”’, o coração precisa ser educado para abandonar os seus frágeis “’nãos’” nesse imenso abismo de acolhida e compreensão. Dessa forma, a vida se tornará mais livre para tentar, sem ter que fingir ou representar para se aceitar como é. Desprender-se é deixar para trás o que fica para trás!

Padre Adriano Zandoná

Adriano Zandoná é padre e missionário da Comunidade Canção Nova. Graduado em Filosofia e Teologia, exerce atualmente a função Responsável Geral pela Canção Nova em São Paulo (SP).

Expectativa e frustração são frutos de experiências vividas, por isso é preciso aprender com elas. Lidar com a frustração é definitivamente uma tarefa difícil, mas pode trazer benefícios e crescimento emocional, dependendo da forma como a encaramos. Parar no negativo não é a melhor escolha, até porque já está provado que o que alimenta a frustração e aumenta o tamanho da dor são os pensamentos negativos, pois eles alteram o humor e até mesmo o comportamento da pessoa, podendo leva-lá a assumir uma atitude de derrota com frases como: “Nada dá certo para mim” ou “Eu sou um fracasso”. Porém, como nem tudo o que pensamos está de acordo com a realidade, principalmente nessa hora é importante questionar os pensamentos e enfrentar a frustração, por exemplo, com uma releitura do acontecimento, dando importância ao que realmente vale a pena.

No meu caso, já passei e passo por diversas experiências de expectativas frustradas e tenho aprendido a superá-las, acima de tudo, com a graça de Deus e por meio da oração. Posso partilhar, por exemplo, uma situação que até relato no meu livro – ‘Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar’ –, com relação à celebração das bodas de 50 anos de casamento de meus pais.

Como conciliar expectativa e frustração diante da realidade

Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Minha família e eu vínhamos alimentando, há algum tempo, a expectativa de fazermos uma celebração em comemoração às bodas. Porém, antes da data marcada, meu pai faleceu, e tudo o que havíamos planejado perdeu o sentido. É claro que sofri, chorei e senti-me desapontada, mas procurei discernir o que poderia aprender com aquele acontecimento. Fui percebendo, com o tempo, que era mais importante eu ter a lembrança de um bom pai conservada em minha memória do que festejar suas bodas. Esse pensamento deu um novo sentido para o fato, e, aos poucos, a gratidão foi ocupando o lugar da dor. Não se trata simplesmente de pensar de forma positiva ou fugir da realidade. É procurar ver as coisas do ponto de vista de Deus e pedir que Ele mostre como uma circunstância aparentemente negativa pode, na verdade, trazer-nos algo de bom, inclusive uma nova maneira de ver a vida.

Aprendendo a lidar com as expectativas e frustrações

É claro que cada pessoa aprende a lidar com expectativas e frustrações vivendo suas próprias experiências. E é por isso que não existe uma receita pronta, que funcione com todo mundo.

Em geral, acredito que a dificuldade ou não em lidar com a frustração seja um reflexo da maneira como lidamos com a vida. Alguém que foi criado em um ambiente onde seus desejos eram sempre atendidos, e nunca assumia as consequências de suas ações, provavelmente será um adulto que não saberá lidar com um ‘não’, muito menos com as expectativas frustradas. Essa pessoa terá forte tendência a ser intolerante e até a produzir conflitos em seus relacionamentos, exatamente pela necessidade em ser sempre aprovado, ou ainda, passar a vida inteira estressado, tentando evitar a frustração, mas não existe uma forma de evitá-la completamente. As expectativas são realidades inerentes à vida, somente quando aceitarmos conviver com elas, mesmo correndo o risco de nos depararmos com a frustração, é que conseguiremos viver plenamente.

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Já ouvi, por exemplo, alguém dizer: “Não vou criar expectativas para não me frustrar”. Essa atitude é, de certa forma, uma defesa, mas aceitar a possibilidade de frustração não é, na verdade, uma expectativa? E mais: quem procura evitar frustrações limita suas experiências e oportunidades de conquistas, sentindo-se, em todo caso, frustrado no final. É o mesmo que dizer: “não vou amar para não sofrer” e passar a vida sofrendo por causa da solidão.

A meu ver, a grande questão é justamente descobrirmos qual é o verdadeiro sentido da nossa vida. Se já sabemos, por exemplo, que viemos a este mundo para fazer o bem, amar e sermos amados, a primeira providência que tomaremos diante da frustração será confiar no amor de Deus e nos abandonarmos n’Ele, mesmo em meio à dor. Até porque, ao fazermos essa experiência, vamos perceber que nosso passado está na misericórdia de Deus, nosso futuro na Divina Providência. Já o presente está em nossas mãos e podemos escolher vivê-lo com sentido, gratidão e alegria, certos de que Deus vê além e tem sempre o melhor para cada um de nós.

Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação.É colunista desde 2000. Recentemente, a missionária lançou o livro “Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar” pela Editora Canção Nova.

Nós estamos chegando no Natal, um tempo muito bonito de festas onde celebramos o maior acontecimento da história, o nascimento de Jesus.

Neste vídeo do site Cleofas, Prof. Felipe Aquino conta aos seus netos o que é o presépio e outras curiosidades de Natal.

Confira:

É possível que, alguma vez na vida, você tenha se deparado com alguma situação pessoal de pecado e achado que seu valor como pessoa tenha diminuído ou mesmo acabado. Nessa hora, vem a maldita comparação: fulano é tão bom, nunca fez coisa errada! Eu, pelo contrário, pequei muitas vezes gravemente contra minha sexualidade e afetividade. Acho que não tenho o mesmo valor para Deus que meu colega.

Talvez, eu tenha acabado de narrar algo que acontece com você ou com alguém que você conhece. Vou lhe contar uma história para lhe mostrar que seu valor independe do que você fez ou deixou de fazer:

Um famoso palestrante, conhecido internacionalmente, começou a palestra segurando uma nota de cem reais na mão. Tinha aproximadamente cento e cinquenta pessoas no local da palestra. O palestrante perguntou: “Quem quer esta nota que está em minhas mãos?” Praticamente, a sala inteira levantou as mãos. Ele amassou a nota de cem reais que estava em suas mãos e perguntou novamente: “Quem ainda quer esta nota?”. Para sua surpresa, as mesmas mãos permaneceram levantadas. Amassou mais ainda e continuou a perguntar. A sala inteira não mudou de opinião, todos queria aquela nota de cem reais.

O meu pecado pode diminuir meu valor como pessoa

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Não contente, além de amassar a nota, ele a jogou no chão e começou a pisar nela. Depois de pisar várias vezes e a nota ficar toda suja, pegou-a em suas mãos novamente, desamassou-a e falou: “Quem ainda quer esta nota de cem reais, por favor, ponha-se de pé”. Foi unanime: as cento e cinquenta pessoas que estavam na sala puseram-se de pé.

Depois desse momento, o palestrante pediu para que todos se sentassem e começou a dizer: espero que vocês tenham compreendido essa dinâmica. Por mais amassado ou mesmo pisado que o dinheiro foi, ele permaneceu possuindo o valor de cem reais. Na nossa vida, também é assim. Muitas vezes, somos amassados, pisoteados, humilhados, esquecidos, mas nada disso diminui o nosso valor, jamais perdemos nossa dignidade de pessoa humana.

Palavras de São João Paulo II

Sua santidade São João Paulo II, na Encíclica Christifideles Laici, nº 37, diz que a dignidade da pessoa é o bem mais precioso que o homem possui. Esse valor transcende todo e qualquer valor material. Jesus diz: “Que serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se depois perde a sua alma?” (Cf Mc 8,36). Nessa pergunta, está implícita uma afirmação antropológica, de que o homem vale não por aquilo que tem, mesmo possuindo o mundo inteiro, mas por aquilo que ele é. Os bens materiais podem ser importantes, mas não são eles que contam. O que conta é o bem que é a própria pessoa.

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A dignidade humana, sendo ela contemplada do ponto de vista das verdades reveladas, tem uma estima incomparável, pois se trata, com efeito, de pessoas remidas pelo Precioso Sangue de Cristo, as quais, com a graça, tornaram-se filhas e amigas de Deus, herdeiras da glória eterna. Além disso, o homem é chamado a torna-se “filho no Filho”, sendo ele templo vivo do Espírito Santo, tendo por destino a comunhão beatífica com Deus, a vida eterna. Por esse motivo, diz São João Paulo II que toda e qualquer violação da dignidade da pessoa, do ser humano, é um clamor por vingança junto de Deus, o Criador do homem.

Somos filhos de Deus

Somos pessoas e possuímos um valor infinito, somos filhos de Deus. Como filhos, somos herdeiros do Céu. Não deixemos que nada nem ninguém roube de nós ou nos faça esquecer o valor que possuímos. Não é o pecado, a decepção, o desprezo ou qualquer outra situação que diminuirá o nosso valor como ser humano, como pessoa. Podemos até estar amassados, pisoteados, mas isso nada interfere em nossa dignidade, em nosso valor como pessoa.

O fato de nossos pecados não diminuírem nosso valor não significa que devemos permanecer no pecado, não! Pelo contrário, reconhecendo nosso valor diante de Deus, o que mais precisamos fazer é evitar o pecado e, por isso mesmo, termos em nosso horizonte uma vida de santidade.

Elenildo da Silva Pereira
Missionário da Comunidade Canção Nova e candidato às Ordens Sacras. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP)

Estamos chegando ao final do ano litúrgico, que termina com a festa de Cristo Rei do Universo, comemorado neste domingo (20/11). Após esta festa, começa o novo ano litúrgico com o Advento que nos prepara para o Natal do Senhor!

Neste vídeo retirado do site Cléofas, Prof. Felipe Aquino fala sobre esta celebração tão importante de todas as vitórias de Deus.

 

Imagine-se caminhando numa paisagem totalmente seca e, de repente, deparar-se com uma árvore coberta de lindas flores! Isso é possível na Europa, pelo menos em Fátima, Portugal, onde morei como membro da Comunidade Canção Nova. Normalmente é assim: quando o inverno chega, as folhas das árvores caem e a única coisa que aparece são os galhos secos e retorcidos. Parecem mortos, já que não há a beleza trazida pelas cores das folhas nem das flores. É claro que precisamos ver além, pois sabemos que, por dentro, a árvore continua viva. A primavera virá e revelará a vida  que persevera em seu interior.

É essencial encarar as adversidades da vidaFalo, no entanto, de algo mais, falo das amendoeiras. Essas árvores têm o dom de florir justamente em pleno inverno. Quando tudo ao redor delas parece sem vida, elas aparecem exuberantes, cobertas de flores. Contemplar esse fenômeno, no mínimo, faz-nos pensar o que essas árvores têm de diferente.

Florir em meio ao sofrimento

Não sei se você já passou pelo “inverno” em sua vida. Nesse tempo, os acontecimentos nos convidam ao silêncio, à espera. Como é rica essa experiência, mas como nos custa vivê-la! Passei por uns dias de “inverno e conheci a amendoeira com mais propriedade, e interessei-me por ela.

Aprendi que essa planta se adapta a quase todos os tipos de solos, mas apresenta um maior desenvolvimento nos solos arenosos. Crescem em terrenos pedregosos, onde as camadas de pedra são alternadas com camadas de terra, para que as raízes possam penetrar mais profundamente, o que favorece a resistência à secura. Resiste às fortes geadas do período mais frio do ano, às altas temperaturas de verão e às secas prolongadas. Como se não bastasse, costumam florir durante o inverno. Não acha interessante?

Trazendo essas características para nossa vida, que lição o exemplo dessa árvore pode nos ensinar?

Já percebi que preciso encarar as adversidades da vida como a amendoeira, vendo no “terreno pedregoso” o lugar ideal para fixar raiz e buscar na profundidade da fé o alimento necessário, para não só sobreviver, mas também “florir” em pleno “deserto”, provocado pelo inevitável “inverno”.

Para agir assim, além de contar essencialmente com a graça de Deus, preciso ter força de vontade e alimentar constantemente a esperança em meu coração com a Palavra do Senhor, que se cumpre no seu tempo, do seu jeito. “Os céus e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão” (Mt 24, 35). Chorar quando for preciso, sim, mas sem me esquecer dos benefícios trazidos pelo “inverno” e tentar florir na intenção de torná-lo agradável para quem passa ao meu lado ou permanece comigo.

Eu já havia pensado sobre isso, mas hoje, ao participar da Santa Missa e ouvir o padre citar justamente o exemplo da amendoeira, resolvi partilhar isso com você na intenção de fazer o seu “deserto florir”. Desejo semear esperança em seu oração. Se você está passando por um tempo difícil, tenha calma, o “inverno” vai passar.

Tudo vai passar

Recordo-me que, durante minha infância, por um motivo ou outro, muitas vezes, eu caía, machucava-me e corria, em prantos, para buscar o consolo dos meus pais. Lembro-me das vezes em que me disseram: “Tenha calma, vai passar…”

Tinham toda razão. Passou mesmo! Já nem me lembro das quedas daquela época; vieram outras que também passaram. Afinal, nesta vida, tudo passa! Acredito que você também já tenha ouvido essa afirmativa. Para concordar com ela, basta fazer uma breve reflexão sobre seus últimos anos. Quantas coisas já passaram, não é verdade?

As etapas de nossa vida, por mais que queiramos nos apegar a elas, não tem jeito, elas passam. Assim como os tempos de crises e bonança passam e as notícias e as modas também.

Ora, se essa é uma verdade inquestionável, por que nos falta a esperança quando estamos na tribulação? Por que nos faltam a cautela e o zelo quando estamos no cume das alegrias momentâneas? Perguntas como essas passam quase sempre sem respostas em nossa vida.

O que permanece não é humano, pois transcende nossa existência e não se explica pela razão, somente pela fé.

A sede que temos por Deus e por Suas obras, por exemplo, permanece em nossos corações. Que ela seja nossa motivação para hoje “florirmos no deserto” que precisamos atravessar. Aprendamos com a amendoeira: suas flores, em pleno inverno europeu, são lindas, embelezam o “deserto” e nos ensinam a ir além do ordinário nesta vida.

Estamos juntos, rezo por você!

Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, reside na missão de São Paulo. Diariamente, apresenta programa na Rádio América CN. Às terças-feiras, está à frente do programa “De mãos unidas”, que apresenta às 21h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000. Recentemente, a missionária lançou o livro “Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar” pela Editora Canção Nova.

amar sempre

Certamente, você já ouviu falar sobre a fábula “A raposa e as uvas”, atribuída a Esopo, lendário grego. O conto fala de uma raposa faminta que, ao vir pela estrada, encontrou uma parreira carregada de uvas maduras e apetitosas, no entanto, um pouco mais alta do que ela conseguiria alcançar. Então, com muitas tentativas para alcançá-las sem sucesso e já cansada pelo esforço frustrado, a raposa saiu amargurada, afirmando para si mesma que, na verdade, não queria aquelas uvas, porque estavam verdes e não deviam ser boas. Porém, quando já havia dado alguns passos conduzida pelo insucesso, escutou um barulho como se alguma coisa tivesse caído no chão. O coração disparou e ela não pensou duas vezes. Voltou correndo, achando que as uvas tivessem caído, mas, para sua decepção, era apenas uma folha que havia despencado da parreira. A raposa virou as costas e foi-se embora ainda mais chateada e resmungando amargurada.

Agora pense um pouco: será que isso só aconteceu com a raposa ou acontece também conosco? Dizem que chega a ser uma tendência natural da humanidade denegrir uma meta, quando não se consegue alcançá-la, para diminuir o peso do insucesso. No entanto, essa não é uma postura madura e está longe de solucionar o problema, ao menos para quem deseja viver em paz consigo mesmo e com seus semelhantes.

Acredito que ninguém consiga ser autenticamente feliz fugindo da verdade. A mentira escraviza, rouba a liberdade e, sem a verdadeira liberdade, como ser feliz? É claro que a essa altura você pode pensar: “Mas quando a verdade é dura demais para ser assumida, o que fazer?”. Assuma-a mesmo assim! Encare sua dor unida a Jesus Cristo. Ele também sofreu decepções e perdas enquanto esteve neste mundo e jamais fugiu da verdade. Ele está disposto a ajudá-lo a vencer e lhe ensina o caminho: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32).

A raposa sabia que as uvas estavam maduras e apetitosas, mas foi injusta consigo mesma ao afirmar que estavam verdes e que não tinha interesse nelas. Não podemos agir assim! Ao mentirmos para nós mesmos optamos por viver na ilusão, travamos um duelo entre a verdade que está diante dos nossos olhos e a mentira que escolhemos ostentar. É como se criássemos um monstro que irá nos seguir por toda a vida. Deus não deseja isso para nenhum dos Seus filhos! Ele nos criou para sermos livres e felizes.

Portanto, reconciliemo-nos com a verdade e fujamos das máscaras que a dor sugere. Elas até podem ser atrativas, mas são máscaras que um dia perderão sua cor e cairão trazendo à tona a dor da verdade.

A vida nos ensina que nem sempre ganhamos e nem sempre perdemos, mas uma coisa é certa: em cada acontecimento acrescentamos experiência à nossa existência e temos mais chances de acertar numa próxima vez. Portanto, coragem! Se as “uvas” que você deseja hoje estão longe do seu alcance, não se desespere nem se deixe levar pelo orgulho, considerando que elas estão “verdes” e já não lhe interessam. Admita a perda e não tenha medo de passar pelo processo necessário da dor que o fará crescer. Continue caminhando e fazendo o bem. Outras “uvas maduras” aparecerão em sua jornada, talvez bem antes do que você imagina!

O tempo de Deus é diferente do nosso, mas é um grande aliado em matéria de superação. Quem sabe, se a raposa tivesse esperado um pouco mais, não teria visto as uvas caírem aos seus pés? Sua atitude de ir embora apoiada numa mentira foi alicerçada na terrível dor da desilusão, por isso precipitada, imatura e tempestuosa. Não tive mais notícias da “Dona Raposa”, mas duvido que ela esteja feliz caso não tenha se reconciliado com a perda das uvas, assumindo sua verdade.

E você, como tem lidado com a dor das perdas? Sua verdade tem o feito livre ou prisioneiro? Pode ser que a vida esteja lhe pedindo calma. O imediatismo próprio da nossa época nos distancia da sublime arte do saber esperar o tempo certo para cada coisa.

Respirar fundo, contar até dez (ou até mil dependendo do caso), pode nos livrar de grandes catástrofes. Espere mais um pouco, talvez suas “uvas” caiam. Esperar o tempo de Deus. Reconciliado com sua verdade, esse pode ser o caminho para a felicidade que você deseja alcançar.

Lembre-se: com os raios do sol de cada amanhecer, Deus também lhe concede uma nova chance de acertar. Recomeçar, entre perdas e ganhos, faz parte da bonita dinâmica da vida. Não pare na dor! Você nasceu para a felicidade. E esta é uma conquista que se faz todos os dias, a partir da decisão de assumir a verdade.

Coragem! Rezo por você.

Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Djanira reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação. Diariamente, apresenta programas na Rádio América CN. Às terças-feiras, está à frente do programa “De mãos unidas”, que apresenta às 21h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000. Recentemente, a missionária lançou o livro “Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar” pela Editora Canção Nova.

A primavera traz o momento de celebrar a vida que venceu a morte! De repente, os dias ficam mais claros, o sol brilha mais forte e as flores despontam trazendo uma explosão de cores e aromas que contagiam a terra. Então, percebemos que já é primavera! Um bom momento para descobrirmos que a vida também é um constante renovar, entre perdas e ganhos que vão do semear ao florescer.

Aliás, a natureza é sábia, e conhecendo bem a importância de suas estações, procura vivenciá-las sem antecipar nem retardar nenhuma etapa. Como é belo compreender isso! Acredito que, por intermédio da contemplação da natureza, podemos também nos encontrar com o Criador e ser formados por Ele nos detalhes dos acontecimentos cotidianos.

Estação do ano e a vida humana! Se observarmos as estações do ano, por exemplo, é fácil compará-las com a vida humana e com as transformações que esta nos proporciona, na qual perdas e ganhos, frio e calor, vida e morte, escuridão e brilho se entrelaçam dando sentido ao ciclo necessário da existência, que não nos permite parar em nenhuma etapa. Cosmos flower gardenQuando o verão chega, é fácil perceber que o forte brilho do sol dá vida aos nossos sonhos, fazendo-nos ir mais longe do que imaginávamos. Até que, em certo momento, as cores se cansam e as folhas amareladas dão sinais de que as podas são necessárias. É o outono que nos visita, chamando-nos ao desapego. Nessa hora, pode ser que nos sintamos pobres e desprotegidos, então o inverno acena e convida-nos ao recolhimento, à reflexão, ao silêncio e à espera. Assim, o tempo passa e, quando tudo parece imóvel, a semente, que descansava na terra fria, vem para fora com um misto de fragilidade e força e, aos poucos, contagia a terra.

Quando isso acontece, é hora de celebrar, pois a primavera chegou e “a vida venceu a morte!” (cf. I Cor 15,55), e segue seu rumo numa constante passagem. Já que é assim, e sabendo que o momento presente é a única coisa que realmente temos, devemos aproveitá-lo bem, amando e levando alegria e cor à vida das pessoas. A boa notícia é que agir assim custa pouco. Então, que tal aproveitar o clima e partir para gestos concretos? Quem sabe, oferecer uma flor à pessoa que trabalha ou convive com você, até mesmo enviar um sinal de vida àqueles que estão distantes, desejando-lhes uma feliz primavera e falando o quanto eles lhe são caros.

Leia mais:
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.: Você se critica muito?
.: Você reconhece suas qualidades?

Tenho a certeza de que gestos simples como esses podem transformar o dia de muita gente, e você encontrará felicidade ao fazer os outros felizes. Por isso, não perca tempo à espera de que alguém se lembre de você. Dê o primeiro passo. Desperte sua bondade e deixe-se envolver pelo amor divino, que já imprimiu em seu ser qualidades maravilhosas, talentos únicos e, principalmente, a grande capacidade de amar e promover o bem.

Contudo, se seu coração ainda está agarrado ao inverno, e o frio da solidão o faz sofrer, não desanime. Busque no alto a força de que precisa para ir além! A natureza ensina que, no processo de transformação pelo qual todos passamos, nunca estamos sozinhos. Aquele que nos fez e nos enviou ao mundo está conosco, contempla-nos passo a passo e nos dá a graça necessária para vencermos. É por isso que podemos florescer depois do inverno e deixarmos o outono levar o que já não nos pertence sem pararmos na dor.

Na natureza, a vida renasce enquanto ela se doa, conosco não é diferente. Coragem! A primavera está batendo à sua porta, deixe-a entrar e viva-a concretamente, doando o que você tem de melhor. Perdoe, acolha, sorria, abrace, vá ao encontro e ame! É tempo de exalar o perfume e a beleza que o Criador lhe deu.

É primavera, tempo de ser feliz!

Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Às terças-feiras, está à frente do programa “De mãos unidas”, que apresenta às 21h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000. Recentemente, a missionária lançou o livro “Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar” pela Editora Canção Nova.

Seis dicas para tomar gosto pela leitura da Bíblia, por Monsenhor Jonas Abib.

1 – Leia a Bíblia todos os dias. Sem exceção! É como remédio: com ou sem vontade, tomamos, porque é necessário.

2 – Tenha uma hora marcada para a leitura bíblica. Descubra o melhor período para você e faça dele a sua hora marcada com a Bíblia.

3 – Marque a duração da leitura bíblica. É preferível 20 minutos diários do que a empolgação inicial, e depois não ser constante. Disciplina gera envolvimento.

4 – Escolha um bom lugar para o estudo bíblico. Local tranquilo, silencioso, para concentração e oração. O importante é realizá-lo, qualquer que for o lugar.

5 – Leitura ativa. Leia a Bíblia com caneta na mão, sublinhe os trechos importantes. Com o texto bem marcado, será fácil lembrar e encontrar o que procura.

6 – Faça o estudo bíblico em espírito de oração. Trata-se de um diálogo: você escuta, acolhe, sensibiliza-se e responde.

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