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Evangelização Infantil na Canção Nova

Os primeiros 15 anos…Como tudo começou…

Por Adelita Rozetti Frulane (Escrito em 2010)

A evangelização das crianças na Canção Nova começou na década de 80, com um programa de rádio chamado Cantinho da Criança, muito querido especialmente pelas crianças da Zona Rural. Foram seus locutores: A saudosa Isabel Cortês; a “Maçãzinha” Lurdinha Nunes; o Palhaço Paulinho, já falecido Pe. Paulo Figueiredo (com ele o programa ganhou o premio Microfone de ouro da CNBB); Eliana Sá; Maria Renata e depois eu. Comigo o programa ganhou com o Prêmio MICROFONE DE PRATA, de Unda-Brasil, como melhor programa das rádios católicas do Brasil no ano de 92. Depois vieram o, hoje adre, tio Odair e outros, como locutores, até que o programa foi perdendo força e acabou.

Em 95, estudado a proposta de iniciarmos um programa infantil para a Rede Vida de Televisão, chegamos a conclusão na TV que devido a nossa falta de recursos diante de um programa que exigiria uma boa produção, isto era praticamente impossível e a possibilidade foi descartada. Eu já estava conformada em desistir da proposta. Nestes dias estava fazendo estudo Bíblico do Livro de Ester e me tocou muito quando Mardoqueu pede a Ester que interceda pelo povo que está condenado a morte por um decreto. Ester teme comparecer na presença do rei sem ser chamada e ser morta por isso, mas Mardoqueu lhe respondeu que se ela não fizesse nada, Deus encontraria uma outra forma de salvar o seu povo, mas que ela e a casa de seu pai pereceriam (Est 4,1-14). Compreendi que a casa de meu pai era a Canção Nova e que tinha que ser eu a começar, pois o Senhor já tinha investido muito na minha formação, no trabalho com crianças, antes de entrar na Canção Nova, trabalhando com teatro Infantil, como professora ou recreadora e na Canção Nova, com o Programa na Rádio. Apesar de todo medo, eu não tinha outra saída a não ser tentar. Eu via o inimigo com tantas horas na TV, fazendo o que bem entende nas cabeças de nossas crianças e sabia que nós seríamos uma gotinha num oceano, mas Deus estava contando conosco. O mais importante aqui, não foi o jejum que eu fiz, mas a confirmação de Deus, de que estava convocando a Canção Nova para retomar esse trabalho de evangelização infantil que já havia parado, pois o programa infantil da rádio não existia mais. Fiz o que Ester pediu a Mardoqueu, só que da forma que o Senhor me inspirou: 1º dia – Jejum de líquidos -Oferta – Buscar a reconciliação, o perdão com todos, especialmente os membros do ministério, não deixando nada, nenhuma sombra de mágoa no coração, por resolver; 2º dia – Jejum da Igreja – Oferta – Fazer uma boa confissão, revendo bem tudo o que foi o nosso desempenho na missão até agora; 3º dia – Jejum a pão e água – Oferta – Participar bem da Santa Missa: Uma Missa Festiva, de alegria, de louvor, celebrando a promessa do Senhor: “Jejuamos, portanto, pedindo este favor a Nosso Deus e Ele nos ouviu.” Esdras 8, 23 Como Ester, reconhecemos na presença do Senhor, que não somos nada e Ele é tudo. Só aí, pedi permissão ao Eto para fazer um programa piloto. Quero partilhar isso, porque faz parte da nossa história: Deus usou o Eto para começar nosso ministério. Mesmo sem gostar de ver aquela criançada invadindo a Canção Nova, subindo em árvores e mexendo em tudo nos Dia de Louvor, foi a pessoa que mais me incentivou, empurrou para frente. Ele colocou as fitas K7s de historinhas pra vender no DAVI em 1992 e lançou o primeiro livrinho infantil da Canção Nova. Mandou fazer o piloto do programa infantil, quando ninguém acreditava que fosse possível (eu não tinha noção do impossível porque não entendia nada de TV, só de teatro infantil e no teatro a gente só trabalhava com sucata). Como o ministério nasceu com esse programa, logo: se hoje somos ministério de evangelização, Deus usou o Eto. Eu sempre serei grata por ter acreditado na minha vocação e na missão da Canção Nova de evangelizar as crianças, pois quando alguém desconfiava de minha capacidade, ou até da minha reta intenção, ele nunca. Até hoje, mesmo sem termos mais contato devido ao crescimento da obra, do trabalho e das preocupações dele, de repente ele manda uma revistinha, uma caneta de desenho, alguma coisa que me sirva de idéia pra algum trabalho. Foi ele que me pediu o DVD do Cantinho, chegou a me mandar alguns DVDs infantis para incentivar. E, graças a Deus, em 2 meses, já vendemos mais de 15 mil DVDs. O Sonho Profético: O Amor, nosso maior atrativo! Poucos dias antes de começarmos as primeiras gravações do Cantinho em 1995, eu tive um sonho: “Estava dentro de uma casa de prostituição, mal iluminada com luzes vermelhas e esta casa pertencia ao demônio. Lá estavam muitas mulheres, crianças e adolescentes, muito felizes, rindo, dançando. E eu angustiada, pois sabia que toda aquela gente seria eliminada pelo demônio, mas eles estavam como que torporizados, completamente alheios ao que lhes aconteceria se permanecessem ali. Uma adolescente de uns 12 anos me disse: Quando crescer eu quero ser como elas, elas são tão felizes… (as prostitutas. E veja que quando sonhei isso, nem sonhava com toda a investida contra a pureza e a alegria das crianças que hoje vemos na TV) Eu, cada vez mais desesperada, puxava um, puxava outro tentando os tirar dali. Até que, mais por compaixão de mim que convencidos pelas minhas palavras, um pequeno grupo me seguiu. Saímos fugidos pelo meio de um mato escuro, a noite, morrendo de medo. Andamos muito e cansados encontramos uma casa abandonada, tipo essas de fazenda antiga. Entramos lá, aliviados. Mas lá dentro, na forma de um menino amargo, triste, sentado numa cadeira perto da mesa, estava o próprio demônio que me disse com uma voz horrível: Devolve! Eles são meus! – E eu respondi: Não! Não devolvo! Não são seus! – ele gritou: São meus, devolva! – E eu fui querer gritar também com ele, mas não consegui, fiquei sem voz, muda de pavor, meus pés presos no chão e acordei nesta agonia… Então senti uma paz grande no meu coração e a presença confortante de Jesus. E ele me falou (no coração): “Você não vai conseguir atrair ninguém para mim se não for pelo amor. Não use as mesmas armas do demônio… (eu quis gritar como ele, medir forças, e fiquei muda) Só pelo amor atrairá as crianças para mim!” Compreendi com isso que… 1º – Nosso trabalho é semear o trigo, não arrancar o joio… Cativá-la para Deus ao ponto da própria criança, sem imposição, optar por deixar as coisas que não agradam a Ele. Jesus disse: Deixai vir a mim as criancinhas…” – Ele não disse: “Tragam elas a força.” – Dá para entender a diferença?! Podemos até orientar, de forma criativa, simples, sem muitos rodeios do que agrada a Deus ou do que não agrada, tirando as respostas das bocas das próprias crianças, mas nunca impor… Foi por acreditarem no meu amor que aquelas pessoas me seguiram para fora da casa de prostituição no sonho, não por que as forcei. Por que digo isso? Por que nestes anos todos de encontros com as crianças em Dias de Louvor, todas as vezes que falamos abertamente contra uma coisa que as crianças daquele lugar gostavam muito, o resultado foi desastroso, por que a criança não age pela razão, se ela gosta de alguma coisa, gosta e não quer saber se faz mal ou não, ela não tem maturidade para compreender isso e as únicas pessoas que tem autoridade para proibir as crianças de alguma coisa são seus pais, que não é o nosso caso, como evangelizadores. Não se arranca um brinquedo da mão de uma criança, o certo é apresentar um outro muito mais legal, ao ponto que ela não resista em abraçá-lo e esquecer o outro para traz, e esse é o nosso papel. 2º – Se eu voltasse toda a minha atenção em “medir forças” com os programas que existiam no momento, a nível de produção, desenhos animados que possuíam e nós não, desanimaria. O nosso público ira se atraído por aquilo que nós temos e os programas do mundo não: Um amor sincero, verdadeiro pelas crianças, nosso público. Quando começamos, não tínhamos nada: Usamos sucata para fazer os cenários, todos os personagens eram pessoas que nunca tinham trabalhado com TV antes, usamos um barracão velho como estúdio… Lembro que o Pe. Antônio Maria veio gravar conosco uma vez e olhando tudo aquilo disse: “_É, a Ir. Dulce começou num galinheiro… “. Mas, apesar de toda a nossa pobreza, o mais bonito para nós é que as crianças desde o começo nos amaram. Talvez seja porque não encenamos o amor que sentimos por elas, as amamos de verdade e é isso que Deus nos pede aqui na Canção Nova e é essa a nossa maior motivação para continuar a trabalhar. 3º – Dom Bosco disse, não basta que ame o jovem, é preciso demonstrar esse amor para cativá-lo. Compreendi que nosso trabalho teria que se destacar pela atenção personalizada a cada criança, seguindo o que ele já era na rádio: A importância às cartas, as fotos das crianças que nos assistem, olhar nos seus olhos, planos mais fechados, usar o singular e não o plural… A Importância da Intercessão Como no começo a TV não tinha estrutura para suportar mais um programa diário eu e o Carlão tínhamos que editar de madrugada. Teve uma em especial, muito importante em que Deus nos falou. Eu e o Carlão estávamos esgotados, irritados, a gente não suportava mais nem olhar um para o outro. Numa madrugada, editando, começamos a chorar de tanto cansaço. Paramos de editar e fomos rezar, Deus nos falou: “É preciso sangue derramado, que haja martírio para que haja eficácia!” Caiu como um raio nas nossas cabeças, compreendemos tudo: Estávamos entrando numa luta sobrenatural! Nós mesmos não éramos muito dados a penitencias, jejuns, sacrifícios, fazíamos isso “na banguela”. Como o programa, num plano espiritual, diante da luta pelos ares, sobrenatural, num espaço tão contaminado, como os programas do mundo para crianças: projetados para roubar a pureza, a inocência, à obediência, a docilidade das crianças… Como poderíamos ter algum resultado, sem martírio, sem sangue derramado oferecido em reparação? Desde os primeiros programas organizei uma equipe de interseção que reunia-se uma vez por semana intercedendo para que o programa atingisse o coração das crianças, pois sabia que estávamos entrando numa luta, aparentemente desigual, onde estaríamos entrando num terreno minado pelo inimigo (este grupo de interseção durou uns 3 anos, composto por amigos da Canção Nova de ministério de Libertação).
Deus nos fez companheiros de Missão Eu comecei o trabalho na TV com o meu irmão Carlão. Fizemos tudo juntos: os cenários (ele martelava, montava e eu costurava, pintava), editávamos, gravávamos… Era muito trabalho e sobrava pra quem chegasse perto, o Júlio que o diga. Nos primeiros anos do Cantinho na TV, eu, o Padre Carlos, o Carlão e a Irmã Maria Eunice nos reuníamos uma vez por semana e estudávamos juntos os temas que gravaríamos na próxima semana, que tirávamos do livro Catequese renovada, por sugestão do Padre Jonas. Depois, por orientação da Luzia, passamos a chamar os noviços para fazer parte do programa como personagens: a Linda, o Aléxon, a Cris, o Emerson. Também outros participaram como personagens: o Vlady, o Padre Jurandir, a Ritinha, a Lurdes Helena. Com o fim do ano, novos noviços: A Rosení (Ratinha), a Bia (bonequinha Tetê). Também tínhamos as crianças da comunidade, todas gravavam, até as mais arteiras, incluindo os meninos. Fazíamos questão. Por trás das câmeras destacou-se a dedicação da Dani, da Fátima e dos câmeras Paulinho (da Edvânia) e do Ronaldo, que subia em escadas, árvores, para fazer parecer que tínhamos grua. As pessoas vinham e iam, mas foi com um pequeno núcleo de 5 que passamos a nos chamar ministério: O padre Carlos, eu, o Carlão, a Bia e a Rosení. Passamos a sair em missão por todo o Brasil atendendo pedidos de encontros para crianças e evangelizadores, conosco nasceu o ministério de evangelização para crianças da Canção Nova. Sobre o trabalho da evangelização das crianças na Canção Nova, o Padre Carlos nos disse: “Hoje precisamos de unidade, precisamos rezar juntos, para criar laços, unidade.” Um palito só quebrasse com facilidade, mas hoje, se juntarmos, já damos um bom feixe, não é mesmo?! Também o Senhor nos falou pelo Padre Carlos a importância de ouvir o Senhor em todas as iniciativas que vamos tomar daqui pra frente: “Empreenderás portanto a guerra calculadamente, pois a vitória depende de estar bem aconselhado.” ( Pro 24, 6 ) Santa Teresa Dávila disse: “Não devemos ter medo de dar passos e realizar boas obras para Deus, pois se derem certo vamos estar fazendo um grande bem e, se não derem em nada, no mínimo estaremos pisando em nosso orgulho, o que é uma boa coisa.” “A confiança que depositamos Nele é esta: Em tudo quanto Lhe pedimos, se for conforme a Sua vontade, Ele nos atenderá. E se sabemos que Ele nos atende em tudo que Lhe pedimos, sabemos daí que já recebemos o que Lhe pedimos” (I Jo 5, 14 – 15)
O Ministério de Evangelização Infantil na visão do Fundador Desde o começo do nosso Programa infantil na TV, o Padre Jonas desejou que fosse um programa essencialmente catequético. Quando eu falei a ele que já tínhamos repassado o conteúdo da Catequese por três vezes, se podíamos trocar os temas do programa, ele respondeu: “Comecem tudo outra vez”. Outra coisa que nos pediu, foi para que pedíssemos o batismo no Espírito Santo para as crianças nos encontros e shows, disse: “…Tudo o que vocês usam de recurso: cenários, colorido, tudo isso é só a cobertura do bolo. O que alimenta, o recheio, é o Batismo no Espírito Santo.” Muitas vezes fui questionada pelos irmãos e por mim mesma quanto trabalhar para crianças na Canção Nova, se seria nossa missão porque tudo começou com os jovens e para eles, se não era um projeto pessoal meu, até se seria aqui meu lugar, por causa de meu ministério. Então, lá por 1997 perguntar isso para o Padre Jonas, ele me respondeu: “A evangelização das crianças também é missão da Canção Nova”! Em 2003, eu estava fazendo pouca coisa para as crianças. Quando fui cumprimentar o Padre Jonas no dia de seu aniversário de sacerdócio, ele me perguntou: “O que você tem feito pela evangelização das crianças”? Eu respondi que não dependia de mim, pois estava na agencia fazendo umas 20 vinhetas por mês. Ele me respondeu: “Com quem você está falando? Com Padre Jonas Abib!” Quando lancei os livros “Os 3 Pastorinhos”, para minha surpresa o Padre Jonas me ligou para dar parabéns e voltou a perguntar o que eu precisava. Eu lhe respondi: Um computador e liberdade. Alguns dias depois ele me ligou e perguntou: Qual computador? Com a ajuda do Protásio, eu passei para a secretária dele as especificações e acabei saindo da agencia e passei a trabalhar com livros na área infanto-juvenil. Quando fui agradecer ao Padre, ele me disse: “Agora é a hora de Deus, é a hora de não mais sonhar como um jovem, mais como um ancião. Transformar o que eram sonhos em metas!” Quando o Padre Jonas Abib, convocou a comunidade a nos organizarmos Oykos (grupos de intercessão por missões específicas dentro da Canção Nova) ele citou justamente a nós no exemplo que deu: “Quem trabalha com evangelização infantil, deve se reunir e rezarem juntos, não pense que vão conseguir alguma coisa se não rezarem, é a partir da oração que as portas vão se abrir.” Por último, foi emocionante ver a alegria dele quando manuseou a nossa Bíblia Infantil no lançamento para a comunidade, providencialmente no dia de são Gerônimo. Quis ler a história de Jonas, fez eu ir até o palco e a colocou sobre o altar. (essa partilha foi escrita em 2010).

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