Duas asas

“A Fé e a Razão são como as duas asas que nos levam a contemplar a verdade” (João Paulo II)

Archive for julho, 2009

Posted by Daniel on julho 31, 2009

Mais de uma vez dei o meu testemunho sobre como e onde Deus me chamou. Ao longo do meu caminho fui entendendo que Deus tem seus meios e eles são os mais inusitados possíveis.

Ano de 2001, já tinha me encontrado com o Mestre, mas ainda não havia dado a minha resposta de entrega de vida. Eu já tinha tido o meu encontro pessoal com Jesus, tinha cargos na paróquia, era do grupo de oração, catequista de crisma, tinha um bom e estável emprego, era noivo, estava preparando-me para casar, vendo os móveis, pesquisando apartamentos, uma vida boa e comum. Mas no fundo eu sabia que Deus queria mais, Deus não me queria no “comum” dos homens, e eu confesso que tinha muito medo que Deus viesse a  pedir o que eu já havia muito bem planejado. Não preciso dizer que os meus temores se realizaram…

É certo que muita gente tem na lembrança o lugar onde Deus o chamou. Quando entrei para a Comunidade Canção Nova e ouvia os meus irmãos dizendo que Deus os havia chamado em um retiro, em uma adoração ao Santíssimo, escutando uma palestra, assistindo a Tv Canção Nova, etc, e eu ficava pensando o “que vão pensar do lugar onde Deus me chamou?”.

A cena ainda é tão viva em mim que posso descrevê-la com detalhes. Estava no ponto de ônibus, próximo a minha casa em São Bernardo do Campo (minha cidade de origem), o tempo nublado, numa quinta feira do mês de agosto às 11:15 da manhã, segurando numa mão a sacola com a marmita e na outra um agasalho, duas pessoas desconhecidas ao meu lado também esperavam o ônibus, e a dias, talvez meses, pensando na minha vida e no projeto que tinha para ela. Como disse, estava noivo a dois anos, com um emprego estável, tudo “prontinho” para seguir uma vida “normal”.

Naquela manhã de quinta feira algo diferente aconteceu comigo ali naquele ponto de ônibus. Por um instante, como num flash, passou-se diante de mim toda a minha vida, tudo o que tinha vivido e o que estava fazendo da minha juventude, a minha vida de pecado, de bagunças, farra, mas também o meu encontro com Ele, o meu batismo no Espírito, a vida que eu levava agora de serviço a Deus, etc, e junto a isso aquela inquietude interior que a dias me incomodava e que se transformou em voz de Deus e me pediu TUDO. Ouvi mesmo Deus dizendo “Daniel, eu quero todo o seu tempo, quero todo o seu trabalho, quero toda sua juventude, quero todos os seus projetos, quero toda a sua vida”. Deus me convenceu e eu tomei consciência de que nada do que estava planejando para mim era vontade dele, nenhum dos meus projetos – que não eram ruins – me preenchiam ou me faziam feliz por completo. E ali, naquele ponto de ônibus eu escutei a Deus, eu ouvi a sua voz como Mateus escutou-o dizendo “segue-me”.

Deus não me chamou dentro de uma igreja, ou diante do Santíssimo, ou até mesmo em um retiro vocacional, Deus chama quem, quando, como e onde Ele quer, ele com sua voz foi me inquietar e me chamar num ponto de ônibus, que por sinal demorou muito mais do que o normal para passar naquele local e naquele dia.

Não foi fácil deixar o que estava pronto para construir uma nova vida. Tive que derrubar tudo o que construí para construir com os cálculos d’Ele e não com os meus. Não foi fácil terminar um noivado, deixar a família, deixar o emprego e entrar para a Canção Nova, mas era necessário construir a casa sobre a rocha.

Neste mês de Agosto fazem exatamente oito anos que escutei esta voz, e ela é tão nítida ainda hoje como naquela manha de 2001, ela me conduz e me faz feliz e ela estava certa aquele dia no ponto de ônibus, de que a minha felicidade estaria relacionada à capacidade de doar, em primeiro lugar, doar a vida inteira.

Gosto muito de escrever neste mês de Agosto sobre o meu chamado e de como ele aconteceu. Para mim se torna um mês especial não só porque é o mês vocacional, mas sobretudo porque a ação de Deus foi além do espaço e do tempo na minha vida. Gosto de partilhar porque atualizo a voz de Deus em mim e na história porque se trata também do mesmo Deus que “seduziu” a tantos homens da história, desde Jeremias até Pedro, de Paulo a São Francisco de Assis, de João Paulo II a Monsenhor Jonas Abib, de mim e de você.

A voz de Deus não se calou em meio ao barulho em que vivemos, mesmo que você esteja em meio aos barulhos interiores e exteriores Deus continua te chamando, afine o seu ouvido à voz dele, não resista, porque ele sempre vence. Bendita vitória!

Trago como frase da minha vocação uma máxima de São Bernardo (por providência, santo que deu origem ao nome de minha cidade natal) “Nada falta onde tudo se oferece”

Deus abençoe a sua decisão.

Daniel Machado

Comunidade Canção Nova

Posted by Daniel on julho 31, 2009

A palavra vocação nos nossos tempos tem sido empregada de muitas formas. Ela tem sido usada nas escolas, nas empresas, nos consultórios de psicologia e o emprego desta palavra em realidades seculares está muito ligado à profissão e às realizações pessoais. Etimologicamente dizendo, a palavra vocação vem do latim vocare, que quer dizer chamado, ou seja, alguém chama o homem e este alguém deve ser superior a ele, o que implica uma reposta e uma obediência dentro da sua liberdade.

A vocação primeira do homem é a busca de Deus. O próprio Deus imprimiu na consciência do homem a sede da busca. O homem tem sede de Deus por natureza e a sua vocação é antes de tudo busca e encontro, pois “Deus, de sua parte não cessa de chamar todo homem a procurá-lo, para que viva e encontre a felicidade” (CIC 30) e como dizia Santo Agostinho “Nos fizeste para vós e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em vós”.

Vocação não é projeto pessoal. Deus não chama o homem para realizar-se em si mesmo, mas antes chama o homem para colaborar com ele na sua obra criadora e na implantação do seu Reino na terra. Vocação é sinônimo de serviço, de doação, de entrega e, como o modelo é Cristo Jesus, toda vocação também é pascal.

Vocação é, portanto, muito mais do que uma realização pessoal (como prestar um vestibular ou escolher uma profissão); é principalmente e antes de tudo, um encontro frente a frente com Deus que diz “segue-me” (Mt 9, 9). Por isso, toda vocação precisa ter como coluna de si o encontro pessoal com Deus todos os dias, porque Deus não cessa de chamar o homem. Vocação se torna então resposta cotidiana, escuta atenta a voz do Senhor e, ninguém pode responder sinceramente a uma vocação se não ouvir antes a voz do pastor que chama as suas ovelhas todos os dias.

É interessante notar que os grandes homens de Deus não esperavam um chamado específico por parte de Deus, mas foram surpreendidos no encontro pessoal com o Mestre. Alguns, inclusive, já tinham os seus próprios planos. Pedro, por exemplo, era pescador e de certo continuaria sendo um simples pescador acostumado com a rotina daqueles dias se não tivesse a coragem de deixar a sua barca para seguir Jesus. Com Jesus mudam-se os planos; “de hoje em diante serás pescador de homens” (Lc 5, 10b).

Deus muda os nossos planos porque a iniciativa é dele e o Senhor mesmo nos diz “não fostes vós que me escolheste, mas eu vos escolhi” (Jo 15, 16a). Será que na sua vida Deus não está mudando os planos? Se o Senhor te chamou, ele vai mudar a direção do vento, para que o barco da sua vida, como o de Pedro, tenha o rumo que Ele quer. O Senhor escolhe quem ele quer e quando quer; ele sabe que todo homem traz na sua verdade o medo e a generosidade, a resistência e a aceitação, o erro e o acerto, não escolhe homens prontos, faz de pequenos homens do mundo, grandes homens de Deus. Ele sabe do que somos feitos e por isso nos diz “Não tenhais medo”

Vocação não deve ser algo que eu quero para a minha realização e nem escolhas prontas e pessoais, sem um discernimento e um acompanhamento por parte de um diretor espiritual, por exemplo. Todo vocacionado deve pedir ajuda para saber distinguir os sinais do chamado de Deus.

Seja qual for a sua vocação, ela deve partir do céu. Não existe homem sem vocação, assim como não existe vocação sem Deus.

Se Deus não está na vocação, o caminho será a perdição, pois como poderá o homem se salvar sem Ele? Se até hoje você não deu ouvidos à voz daquele que é maior do que você e que está te chamando, cuidado, o caminho que você trilha neste momento pode ser apenas um projeto seu e não de Deus. Busque o querer de Deus!

“De que vale o homem ganhar o mundo inteiro se vem a perder a própria vida?” (Mt 16, 26)

Daniel Machado

Posted by Daniel on julho 31, 2009

“Sofrer, é só uma vez; vencer, é para a eternidade.”

Soren Kierkegaard

Posted by Daniel on julho 30, 2009

“Vou fazer um slideshow para você. Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes. Quem sabe até já se acostumou com elas. Começa com aquelas crianças famintas da África. Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele. Aquelas com moscas nos olhos.

Os slides se sucedem. Êxodos de populações inteiras. Gente faminta. Gente pobre. Gente sem futuro. Durante décadas, vimos essas imagens. No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto. Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados. São imagens de miséria que comovem. São imagens que criam plataformas de governo. Criam ONGs. Criam entidades. Criam movimentos sociais. A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá, sensibiliza.

Ano após ano, discutiu-se o que fazer. Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta. Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo. Resolver, capicce? Extinguir. Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta. Não sei como calcularam este número. Mas digamos que esteja subestimado. Digamos que seja o dobro. Ou o triplo. Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo. Não houve passeata, discurso político, filosófico ou foto que sensibilizasse.

Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse. Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia. Bancos e investidores.

Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar. Se quiser, repasse, se não, o que importa? O nosso almoço tá garantido mesmo…”

Autor desconhecido

Posted by Daniel on julho 30, 2009

“Onde, porém, se multiplicou o pecado, transbordou a graça .

Paulo de Tarso

Posted by Daniel on julho 29, 2009

“Não te interesses sobre a quantidade, mas sim sobre a qualidade dos vossos amigos.”

Séneca

Posted by Daniel on julho 28, 2009

“As pessoas dividem-se entre aquelas que poupam como se vivessem para sempre e aquelas que gastam como se fossem morrer amanhã.”

Aristóteles

Posted by Daniel on julho 27, 2009

(Aurelius Augustinus) Aurélio Agostinho nasceu em Tagasta, cidade da Numídia, de uma família burguesa, a 13 de novembro do ano 354. Seu pai, Patrício, era pagão, recebido o batismo pouco antes de morrer; sua mãe, Mônica, pelo contrário, era uma cristã fervorosa, e exercia sobre o filho uma notável influência religiosa. Indo para Cartago, a fim de aperfeiçoar seus estudos, começados na pátria, desviou-se moralmente. Caiu em uma profunda sensualidade, que, segundo ele, é uma das maiores conseqüências do pecado original; dominou-o longamente, moral e intelectualmente, fazendo com que aderisse ao maniqueísmo, que atribuía realidade substancial tanto ao bem como ao mal, julgando achar neste dualismo maniqueu a solução do problema do mal e, por conseqüência, uma justificação da sua vida. Tendo terminado os estudos, abriu uma escola em Cartago, donde partiu para Roma e, em seguida, para Milão. Afastou-se definitivamente do ensino em 386, aos trinta e dois anos, por razões de saúde e, mais ainda, por razões de ordem espiritual.

Sua Conversão

Enquanto ele estava em Milão, Agostinho mudou de vida. Ainda em Cartago, começou a abandonar o maniqueísmo, em parte devido a um decepcionante encontro com um chefe expoente da teologia maniqueísta, Fausto.

Em Roma, ele relata ter completamente se afastado do maniqueísmo, e abraçou o movimento cético da Academia Neoplatónica. Sua mãe insistia para que ele se tornasse cristão e também seus próprios estudos sobre o Neoplatonismo também foram levando-o neste sentido, e seu amigo Simplicianus instou-o dessa forma também. Mas foi a oratória do bispo de Milão, Ambrósio, que teve mais influência sobre a conversão de Agostinho.

A mãe de Agostinho havia seguido-o para Milão e insistiu para que abandonasse a relação com a mulher com quem vivia ilegalmente e procurasse outra para casar, conforme as leis do mundo e a doutrina cristã. A amada foi mandada de volta para a África e Agostinho deveria esperar dois anos para contrair casamento legal; mas logo ligou-se a uma concubina.

No Verão de 386, após ter lido um relato da vida de Santo António do Deserto, de Santo Atanásio de Alexandria, que muito inspirou-lhe, Agostinho sofreu uma profunda crise pessoal. Decidiu se converter ao cristianismo católico, abandonar a sua carreira na retórica, encerrar sua posição no ensino em Milão, desistir de qualquer idéia de casamento, e dedicar-se inteiramente a servir a Deus e às práticas do sacerdócio.

A chave para esta transformação foi à voz de uma criança invisível, que ouviu enquanto estava em seu jardim em Milão, que cantava repetidamente, “Tolle, lege”; “tolle, lege” (”toma e ler”; “toma e ler”). Ele tomou o texto da epístola de Paulo aos romanos, e abriu ao acaso em 13:13-14, onde ler-se: Não caminheis em glutonerias e embriaguez, nem em desonestidades e dissoluções, nem em contendas e rixas, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis a satisfação da carne com seus apetites.

Ele narra em detalhes sua jornada espiritual em sua famosa “Confissões” (Confessions), que se tornou um clássico tanto da teologia cristã quanto da literatura mundial. Ambrosio batizou Agostinho, juntamente com seu filho, Adeodato, na Vigília da Páscoa, em 387, em Milão, e logo depois, em 388 ele retornou à África.

Fonte: www.mundodosfilosofos.com; www.consciencia.org

Posted by Daniel on julho 27, 2009

“Os ideais que iluminaram meu caminho e sempre me deram coragem para enfrentar a vida com alegria foram a Verdade, a Bondade e a Beleza.”

(Albert Einstein)

Posted by Daniel on julho 24, 2009

Muitos cristãos conhecem bem Santo Agostinho, mas também conhecem pouco de santo Agostinho. A vida e a obra deste homem vai muito além das bonitas e poéticas frases que escutamos ao longo da nossa caminhada. Santo Agostinho foi um homem de profunda fé e intimidade com Deus, mas também foi um dos grandes – talvez o maior – pensador da Idade Média. Em Santo Agostinho tem-se início a teologia e também a filosofia cristã. Muitos de nós conhecemos a sua vida, a sua conversão, a sua maravilhosa obra “confissões” que nos revela um homem apaixonado por Deus. Ao lermos esta obra, nos “deliciamos” não só da “luta” de Agostinho com Deus, mas vemos nesta obra a luta e o desejo de Deus presente em todo homem. Queremos postar aqui um pouco da vida de Santo Agostinho, mas sobretudo entrarmos em algumas de suas obras que vão além da celebre “confissões”, na verdade queremos apresentar a filosofia e o uso dela para aprofundar questões de fé tão bem elaboradas por Santo Agostinho.

As obras de Agostinho que apresentam interesse filosófico são, sobretudo, os diálogos filosóficos: Contra os acadêmicos, Da vida beata, Os solilóquios, Sobre a imortalidade da alma, Sobre a quantidade da alma, Sobre o mestre, Sobre a música . Interessam também à filosofia os escritos contra os maniqueus: Sobre os costumes, Do livre arbítrio, Sobre as duas almas, Da natureza do bem .

Dada, porém, a mentalidade agostiniana, em que a filosofia e a teologia andam juntas, compreende-se que interessam à filosofia também as obras teológicas e religiosas, especialmente: Da Verdadeira Religião, As Confissões, A Cidade de Deus, Da Trindade, Da Mentira.

Daniel Machado