Duas asas

“A Fé e a Razão são como as duas asas que nos levam a contemplar a verdade” (João Paulo II)

Archive for the ‘Santo Agostinho’ Category

Posted by Daniel on agosto 28, 2009

A Verdade

Por que a verdade gera ódio, e o homem que anuncia a verdade em teu nome torna-se inimigo daqueles que amam a felicidade, a qual consiste exatamente na alegria oriunda da verdade? De fato, o amor da verdade é tal que os que amam algo diferente querem que aquilo que amam seja a verdade. Como não admitem ser enganados, detestam ser convencidos do seu erro. Assim, odeiam a verdade porque amam aquilo que supõem ser a verdade. Amam-na quando ela brilha, e a odeiam quando ela os repreende. Não querendo ser enganados e desejando enganar, eles a amam quando se manifesta, e a odeiam quando os denuncia. Mas a verdade sebe retribuir: como eles não querem ser por ela revelados, ela os denunciará contra a vontade deles, e não mais se revelará a eles. Assim é o espírito humano; cego e preguiçoso, torpe e indecente; deseja permanecer escondido, mas não quer que nada lhe seja ocultado. Portanto, ele (o homem) será feliz quando, sem obstáculos nem perturbações, puder gozar daquela única verdade, fonte de tudo o que é verdadeiro”

Santo Agostinho em “Confissões” Par. 34

Por: Daniel Machado

Posted by Daniel on agosto 28, 2009

Quando te procuro, procuro a felicidade

Como devo procurar-te Senhor? Quando te procuro ó meu Deus, procuro a felicidade da vida. Procurar-te-ei, para que minha alma viva. O meu corpo, com efeito, vive da minha alma, e a alma vive de ti. Como então devo procurar a felicidade? Não a possuirei enquanto não puder dizer: ‘Basta, aqui está!’. A felicidade não é justamente aquilo que todos os homens querem, não havendo ninguém que não a queira? Onde a conheceram para assim a desejarem? Onde a viram para amá-la tanto? Há um modo de possuí-la que nos torna felizes, e há os que são felizes pela esperança de possuí-la. […] Há uma alegria que não não é concebida aos ímpios, mas à aqueles que te servem por puro amor: essa alegria és Tu mesmo. É esta a felicidade, e não outra. Quem acredita que exista outra felicidade persegue uma alegria que não é verdadeira. Contudo, a sua vontade não se afasta de certa imagem de alegria”

Santo Agostinho em “confissões” par. 20.22

Por: Daniel Machado

Posted by Daniel on agosto 28, 2009

O orgulho é a fonte de todas as fraquezas, por que é a fonte de todos os vícios.”


Dois homens olharam através das grades da prisão;
um viu a lama, o outro as estrelas.”


A angústia de ter perdido, não supera a alegria de ter um dia possuído”


Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus nela escreva o que quiser.”


Se não podes entender, crê para que entendas. A fé precede, o intelecto segue.”


Todos te consultam sobre o que querem, mas nem todos ouvem sempre o que querem”


Servo fiel é aquele que não espera ouvir de ti o que desejaria ouvir, mas antes deseja aquilo que ouve de ti”


porque se eu não permanecer Nele, tampouco poderei permanecer em mim”


Basta mergulhar nas paixões, isto é, nas trevas, para ficar longe de tua face”


Tão cegos são os homens, que chegam a gloriar-se da própria cegueira”


Sem Ti, o que sou eu para mim, senão um guia a caminho do abismo?”


Pois a amizade só é verdadeira quando une pessoas ligadas a ti pelo ‘amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado’ ”


O mundo é um livro, e quem fica sentado em casa lê somente uma página.”


“A medida do amor é amar sem medida.”


Fizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti.”


Na procura de DEUS é ELE quem se adianta e vem ao nosso encontro.”


O pecado é, amor de si mesmo, até o desprezo de Deus.”


Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos”


Deus é mais íntimo a nós que nós mesmos”


“Deus não será maior se o respeitas, mas tu serás maior se o servires. “

Quereis cantar louvores a Deus? Sede vós mesmos o canto que ides cantar. Vós sereis o seu maior louvor, se viverdes santamente.”

Posted by Daniel on agosto 28, 2009

Tarde demais eu te amei!

Todos te consultam sobre o que querem, mas nem todos ouvem sempre o que querem. Servo fiel é aquele que não espera ouvir de ti o que desejaria ouvir, mas antes deseja ouvir aquilo que ouve de ti.

Tarde te amei, ó beleza antiga e tão nova! Tarde demais eu amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora! Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas de tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava contigo. Tu me chamaste, teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira. Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz”

Santo Agostinho em “Confissões” Par. 26-27

Por: Daniel Machado

Posted by Daniel on agosto 28, 2009

Deixei-me, não sei como, cair debaixo de uma figueira e dei livre curso às lágrimas, que jorravam dos meus olhos aos borbotões, como sacrifício agradável a ti. E muitas coisas eu te disse, não exatamente nestes termos, mas com o seguinte sentido: ‘E Tu, Senhor, até quando? Até quando continuarás irritado? Não te lembres de nossas culpas passadas!’ Sentia-me preso ao passado por isso gritava desesperadamente: ‘Por quanto tempo, por quanto tempo direi ainda: amanhã, amanhã? Por que não agora? Por que não por fim agora à minha indignidade?’ Assim falava e chorava, oprimido pela amarga dor do coração. Eis que, de repente, ouço uma voz vinda da casa vizinha. Parecia de um menino ou uma menina repetindo continuamente uma canção ‘Toma e lê, toma e lê’. Mudei de semblante e comecei com a máxima atenção a observar se se tratava de alguma cantilena que as crianças gostam de repetir em seus jogos. Não me lembrava porém, de tê-la ouvido antes. Reprimi o pranto e levantei-me. A única interpretação possível, para mim, era a ordem divina para abrir o livro e ler as primeiras palavras que encontrasse. Apressado, peguei o livro onde Alípio ficara sentado - havia deixado ali o livro do Apóstolo¹. Peguei-o, abri e li em silêncio o primeiro capítulo sobre qual caiu o meu olhar: ‘Não em orgias e bebedeiras, nem na devassidão e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor jesus Cristo e não procureis satisfazer os desejos da carne’² Não quis ler mais, nem era necessário. […] Sem hesitar e sem se perturbar, juntou-se a mim Alípio. Fomos imediatamente à minha mãe³ lhe contamos o sucedido. […] De tal forma me converteste a ti, que eu já não procurava esposa, nem esperança alguma terrena, mas permanecia firme naquela fé em que tantos anos antes me tinha mostrado em sonho a minha mãe . Transformaste sua tristeza em alegria. Alegria muito maior do que ela havia desejado, e muito mais preciosa e pura do que ela poderia esperar dos netos nascidos da minha carne”

Santo Agostinho em “Confissões” par. 28-30

¹O livro do Apóstolo no qual se refere Agostinho eram as cartas de São Paulo

²A passagem bíblica que saltou aos olhos de Agostinho foi Romanos 13, 13-14

³Santa Mônica que durante trinta anos rezou por este encontro.

Comentário

Agostinho tinha aderido (não se batizado) ao catolicismo graças as pregações de Ambrósio. No entanto ainda não havia se convertido, ou seja, não tinha o encontro pessoal com Deus. Esta foi uma experiência de encontro com Deus que segundo ele “dissiparam-se em mim todas as trevas das dúvidas”. Para entendermos o contexto, nesta época Agostinho ainda era escravo dos prazeres da carne, sempre que Deus lhe pedia mudanças ele dizia “hoje não Senhor, amanhã”. Este encontro dissipou este adiamento de sua conversão, por isso a alegria da mãe que constatou neste episódio o encontro do filho com o Deus a quem ela suplicava com as lágrimas.

Posted by Daniel on agosto 28, 2009

A Luta de Agostinho

Então, em meio à grande luta interior que eu violentamente travava no íntimo do coração contra mim mesmo, e transtornado na alma e na fisionomia, corro para Alípio e exclamo: ‘O que é que nos aflige? Tanto? Que significa isso que tu também acabas de ouvir? [...]Dito isso, ou coisa semelhante, afastei-me agitadíssimo, enquanto ele me olhava atônito, e em silêncio. De fato eu não falava como de costume, e minha fronte, minha face, meus olhos, minha cor, o tom de voz, mais do que as palavras, me denunciavam o estado de espírito. Junto a nossa residência havia um jardim, do qual dispúnhamos, como de toda a casa. Para aí fui levado pelo tumulto do coração, onde ninguém poderia interferir na luta violenta que travava comigo mesmo, e cujo resultado nem eu mesmo conhecia, somente Tu. Retirei-me então para o jardim. Eu tremia de violenta indignação contra mim mesmo, por não ceder à tua vontade e à aliança contigo, meu Deus pelo qual todos os meus ossos clamavam, elevando louvores ao céu. E aí, não se chega de navio, de carro ou a pé. […] Com efeito, ir ou chegar junto a ti não é senão um ato de querer ir, mas com vontade forte e plena, e não titubeante e ferida, numa luta da parte que se ergue contra a parte que fraqueja.

Em meio à tempestade de hesitação, eu fazia gestos que às vezes os homens querem fazer…, eu arrancava os cabelos, batia na testa, apertava os joelhos entre os dedos entrelaçados, e fazia todo isso porque queria. Poderia porém, acontecer querer e não poder fazê-lo, se a flexibilidade dos membros não me obedecesse. E, no entanto, todos os gestos eu o fazia, mas neles o querer não era o mesmo que o poder. Contudo, eu não o fazia, pois mais facilmente o corpo me obedecia ao mínimo aceno da alma para mover os membros segundo suas ordens, do que a alma obedecia a si mesma para realizar, de sua própria vontade, o que constituía sua grande vontade”

Santo Agostinho em “Confissões” Par. 19

Comentário

Neste trecho, é claro a luta interior que Agostinho trava com a vontade de Deus que já o incomoda na sua alma. Aqui Agostinho hesita em se entregar a Deus, o gesto com que ele fala é justamente o gesto de entrega. No fundo de sua alma queria se entregar a Deus mas não conseguia, é de fato uma verdadeira batalha entre Deus e o homem

Daniel Machado

Posted by Daniel on agosto 28, 2009

Escravo do prazer

No entanto, multiplicavam-se os meus pecados. Quando de mim foi arrebatada a mulher com que vivia, considerada impedimento ao meu casamento, meu coração, que lhe era afeiçoadíssimo, ficou profundamente ferido e sangrou por muito tempo. Ela voltou para a África fazendo a ti o voto de jamais pertencer a outro homem e deixando para mim o filho que me havia dado. Mas, eu, infeliz, fui incapaz de imitar a esta mulher! Eu não conseguia suportar a espera de dois anos para receber a esposa que tinha pedido. Na realidade eu não amava o matrimônio; eu era sim, escravo do prazer. E tratei de arranjar outra mulher, não como esposa legítima, para manter e alimentar a intacta ou agravar a doença da minha alma até o casamento, e aí chegar sem haver interrompido meus hábitos.

No entanto, não cicatrizara ainda a ferida aberta pela separação de minha companheira. Mas, após o momento da dor mais pungente, a ferida gangrenava e me fazia sofrer, talvez menos agudamente, porém com maior desesperança de cura”

Santo Agostinho em “Confissões” Par. 15

Posted by Daniel on agosto 28, 2009

Quem teve a oportunidade de ler a obra de Santo Agostinho intitulada “confissões”, sabe do valor imensurável da obra tanto do ponto de vista literário, mas também do ponto de vista espiritual.

A primeira vez que li as confissões, ainda nas primeiras linhas da obra, me perguntei “como tal pessoa consegue colocar em palavras aquilo que não consigo expressar sobre mim mesmo, mas que corresponde à minha mais profunda verdade?”.

Descobri mais tarde que Santo Agostinho usou como matéria prima não só a sua história e a sede de encontrar a Deus, mas talvez o grande segredo de Agostinho, fruto de uma vida de busca, foi a descoberta do Deus que habita no homem interior.

Vemos nas páginas desta obra um homem de intimidade e liberdade. Somente um homem intimo de Deus e com uma profunda liberdade, alguém que de fato experimentou o amor e a misericórdia, poderia nos deixar tamanho presente.

Esta é a principal e mais importante descoberta de Santo Agostinho, o homem interior. Trata-se de um movimento para dentro de si, de intimidade e busca da verdade que, com maestria, ele exterioriza em sua autobiografia, e não apenas como fatos históricos, de alguém que conta a sua história de salvação pessoal, mas como descoberta de uma intimidade com Deus de dentro para fora. Santo Agostinho descobriu que somente na descoberta deste homem interior poderia haver o encontro com Deus e a liberdade que o evangelho nos promete.

Santo Agostinho passou um bom tempo de sua vida preocupado com a origem e o problema do mal, a sua adesão a Maniqueísmo quando ainda pagão foi justamente por achar que tinha encontrado a resposta para tal problema, no entanto na sua descoberta de Deus e deste homem interior, passa a se preocupar com as coisas da alma, Deum et animam scire cupio. Nihil aliud” - quero conhecer a Deus e a alma. Nada mais!

A alma é então intimidade, lugar de encontro, lugar onde Deus está e o homem está

traduzindo para a nossa vida, talvez a maior dificuldade do homem de hoje seja mesmo a viagem a esta dimensão da alma, a procura deste homem interior. Santo Agostinho vai dizer Noli foras ire, in teipsum redi: in interiore homine habitat veritas” - Não procure fora. Entra em ti mesmo: no homem interior habita a verdade.

Veja que para Agostinho a descoberta do homem interior, da capacidade que o homem tem de entrar em si mesmo, faz com que o homem seja livre. Certamente não é fácil entrar neste homem interior e ali descobrir a verdade, o homem moderno sobretudo tem uma dificuldade enorme de se recolher, de penetrar em si mesmo. Santo Agostinho nos dá uma chave para adentrar nesta realidade interior do homem, que é o amor, non intratur in veritatem, nisi per caritatem só se entra na verdade, pela caridade, pelo amor.

A grande descoberta de Santo Agostinho é também um apelo para os dias de hoje. Não precisamos andar muito para descobrir que os homens estão a procura, eles tem sede, querem algo que preencha o interior. A sede de religiosidade, as superstições, a busca de novas doutrinas e filosofias, as literaturas de auto-ajuda, a busca por um prazer momentâneo, enfim, o homem de hoje é um poço de procura e uma carência de encontro.

Vivemos o drama da fragmentação do homem, enxergamos apenas o exterior. Fomos acostumados e educados a procurar fora, nas coisas exteriores a nossa felicidade. A modernidade criou as nossas necessidade, para alguém ser feliz precisa ter, possuir, consumir, aproveitar, e cada vez mais vemos o homem vazio de si mesmo e de Deus.

Para quem quer abandonar a superficialidade da contemporaneidade deve aprender de Santo Agostinho a ser um homem interior em meio aos apelos exteriores que querem nos arrastar para o pecado.

Todos te consultam sobre o que querem. Servo fiel é aquele que não espera ouvir de ti o que desejaria ouvir, mas antes deseja aquilo que ouve de ti.

Tarde te amei, ó beleza antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!”

Este trecho das confissões resume o segredo de Santo Agostinho.

No homem interior habita a verdade”

Daniel Machado

Saiba mais sobre Santo Agostinho

Posted by Daniel on agosto 27, 2009

Santo Agostinho sem dúvida foi um dos maiores santos da Igreja Católica. Quem lê ou escuta frases e pensamentos do grande santo fica admirado com tamanha sabedoria e santidade.

Mas esquecemos que Santo Agostinho não nasceu santo, antes teve que se tornar um. Aurélius Augustinus, assim era seu nome, nasceu em Tagasta, cidade da Numídia, de uma família burguesa, a 13 de novembro do ano 354. Era pagão, filho de pai pagão e mãe cristã fervorosa (Santa Mônica), do qual rezou durante 30 anos, tanto para seu esposo, que recebeu o batismo antes de morrer, quanto para Agostinho que também veio mais tarde a se converter.

A vida de Agostinho pode ser perfeitamente colocada na realidade de muitos de nós jovens. Santo Agostinho como muitos jovens de hoje buscava algo que o preenchesse, e sua busca era intensa. Quando partiu de sua cidade natal para Catargo, onde se aprofundou nos estudos, também se aprofundou numa vida de pecado, sexualidade desregrada, orgias, bebedeiras, se dava ao prazer sem freios, mas no fundo buscava algo, buscava o que as coisas do mundo jamais poderiam oferecer.

Mudando-se para Milão, teve contato com Santo Ambrósio, e a pregação de Ambrósio começara a mexer com Agostinho, a palavra de Deus já o incomodava e revelava a sua vida errante. Em contato com uma obra de Atanásio de Alexandria, entrou em crise pessoal e decidiu se converter ao catolicismo. No entanto foi muito difícil deixar os prazeres da carne. Santo Agostinho tinha aderido ao catolicismo mas ainda era por pura busca de sabedoria, porque tinha encontrado a resposta para a questão do mal, mas o encontro pessoal com Cristo ainda não tinha acontecido. Faltava-lhe uma experiência que o fizesse abandonar a sua vida de pecados, sobretudo os da sexualidade.

Certa vez caminhando por um jardim ouviu a voz de uma criança dizendo “Tolle, lege”; “tolle, lege” (”toma e lê”; “toma e lê”). Ele tomou o texto da epístola de Paulo aos Romanos, e abriu ao acaso no Capítulo 13:13-14, onde ler-se: Não caminheis em glutonerias e embriaguez, nem em desonestidades e dissoluções, nem em contendas e rixas, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis a satisfação da carne com seus apetites. A partir daí, Santo Agostinho descobre Deus e sua conversão passa a ser radical.

Veja que Santo Agostinho viveu uma vida errante, mas no fundo era sede de Deus, ele tinha sede de encontrar Deus, ele mesmo diz na sua obra prima “confissões”: “Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora! Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava contigo”

Bastou Santo Agostinho dar abertura e reconhecer que o que ele procurava estava tão perto dele, estava na verdade dentro dele e não nas coisas de fora, sobretudo nas criaturas, e então descobriu a verdade dentro de si. O jovem de hoje busca, tem sede, quer encontrar algo, mas como Agostinho busca fora aquilo que está dentro.

Na vida de Agostinho constatamos que é possível ser santo mesmo tendo uma história de pecado. A nossa história, talvez marcada pelos vícios e por todo tipo de pecado, não é desculpa ou impedimento para uma vida de santidade, pelo contrário, se torna matéria prima para atingirmos a nossa meta.

Todos nós precisamos descobrir o “Agostinho” interior e aprender que ser santo não é ter um passado santo mas sim viver um presente santo e construir um futuro santo.

Constrói-se um futuro santo vivendo um santo presente e renunciando ao pecado passado.

POR HOJE NÃO POR HOJE NÃO VOU MAIS PECAR!

Santo Agostinho, rogai por nós!

Daniel Machado!

Saiba mais sobre Santo Agostinho

Posted by Daniel on julho 27, 2009

(Aurelius Augustinus) Aurélio Agostinho nasceu em Tagasta, cidade da Numídia, de uma família burguesa, a 13 de novembro do ano 354. Seu pai, Patrício, era pagão, recebido o batismo pouco antes de morrer; sua mãe, Mônica, pelo contrário, era uma cristã fervorosa, e exercia sobre o filho uma notável influência religiosa. Indo para Cartago, a fim de aperfeiçoar seus estudos, começados na pátria, desviou-se moralmente. Caiu em uma profunda sensualidade, que, segundo ele, é uma das maiores conseqüências do pecado original; dominou-o longamente, moral e intelectualmente, fazendo com que aderisse ao maniqueísmo, que atribuía realidade substancial tanto ao bem como ao mal, julgando achar neste dualismo maniqueu a solução do problema do mal e, por conseqüência, uma justificação da sua vida. Tendo terminado os estudos, abriu uma escola em Cartago, donde partiu para Roma e, em seguida, para Milão. Afastou-se definitivamente do ensino em 386, aos trinta e dois anos, por razões de saúde e, mais ainda, por razões de ordem espiritual.

Sua Conversão

Enquanto ele estava em Milão, Agostinho mudou de vida. Ainda em Cartago, começou a abandonar o maniqueísmo, em parte devido a um decepcionante encontro com um chefe expoente da teologia maniqueísta, Fausto.

Em Roma, ele relata ter completamente se afastado do maniqueísmo, e abraçou o movimento cético da Academia Neoplatónica. Sua mãe insistia para que ele se tornasse cristão e também seus próprios estudos sobre o Neoplatonismo também foram levando-o neste sentido, e seu amigo Simplicianus instou-o dessa forma também. Mas foi a oratória do bispo de Milão, Ambrósio, que teve mais influência sobre a conversão de Agostinho.

A mãe de Agostinho havia seguido-o para Milão e insistiu para que abandonasse a relação com a mulher com quem vivia ilegalmente e procurasse outra para casar, conforme as leis do mundo e a doutrina cristã. A amada foi mandada de volta para a África e Agostinho deveria esperar dois anos para contrair casamento legal; mas logo ligou-se a uma concubina.

No Verão de 386, após ter lido um relato da vida de Santo António do Deserto, de Santo Atanásio de Alexandria, que muito inspirou-lhe, Agostinho sofreu uma profunda crise pessoal. Decidiu se converter ao cristianismo católico, abandonar a sua carreira na retórica, encerrar sua posição no ensino em Milão, desistir de qualquer idéia de casamento, e dedicar-se inteiramente a servir a Deus e às práticas do sacerdócio.

A chave para esta transformação foi à voz de uma criança invisível, que ouviu enquanto estava em seu jardim em Milão, que cantava repetidamente, “Tolle, lege”; “tolle, lege” (”toma e ler”; “toma e ler”). Ele tomou o texto da epístola de Paulo aos romanos, e abriu ao acaso em 13:13-14, onde ler-se: Não caminheis em glutonerias e embriaguez, nem em desonestidades e dissoluções, nem em contendas e rixas, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis a satisfação da carne com seus apetites.

Ele narra em detalhes sua jornada espiritual em sua famosa “Confissões” (Confessions), que se tornou um clássico tanto da teologia cristã quanto da literatura mundial. Ambrosio batizou Agostinho, juntamente com seu filho, Adeodato, na Vigília da Páscoa, em 387, em Milão, e logo depois, em 388 ele retornou à África.

Fonte: www.mundodosfilosofos.com; www.consciencia.org