Duas asas

“A Fé e a Razão são como as duas asas que nos levam a contemplar a verdade” (João Paulo II)

Posted by Daniel on julho 15, 2009

Continuando a apresentação dos principais pensadores cristãos, queremos hoje apresentar Santo Anselmo, considerado o pai da escolástica.

Nascido aos pés dos Alpes, em Aosta, em 1033, de família nobre, e educado pelos beneditinos, santo Anselmo manifestou desde muito jovem um forte desejo de dedicar-se à vida contemplativa. Seu pai, Gandulfo, permanecia irremovível: o filho primogênito não devia tornar-se monge, mas seguir os seus passos. Anselmo sofreu tanto que chegou a ficar gravemente enfermo, mas o pai não se dobrou. Restabelecido, o jovem pareceu ouvir o desejo paterno, porque se adaptou à vida mundana, mais que isso: pareceu bem disposto às ocasiões fáceis de prazeres que o seu dinheiro lhe permitia, mas em seu coração conservava intacta a antiga chama. De fato abandonou bem logo a casa paterna, ultrapassou Moncenísio e após ter vagado pela França parou em Bec, na Normandia, em cuja famosa abadia lecionava um grande mestre de teologia, o monge Lanfranco.

Anselmo mergulhou nos estudos seguindo fielmente os rastros do mestre, ao qual sucedeu como abade, ainda muito jovem, na direção do mosteiro e como professor. Foi pregador e reformador da vida monástica e sobretudo teólogo. Representa o início da teologia escolástica. Seu rigor ascético criou-lhe fortes oposições da parte de alguns, mas a sua grande amabilidade acabava por conquistar o amor e a estima até dos mais refratários. Era um gênio metafísico de coração piedoso: com o coração e a inteligência se aproximou dos mistérios cristãos: “Fazei, Senhor, que eu sinta com o coração o que toco com a inteligência” - escrevia ele.

As suas duas obras mais conhecidas são o Monológio, ou modo de meditar sobre as razões da fé, e o Proslógio, ou a fé que procura a inteligência. É preciso, segundo ele, impregnar sempre mais a nossa fé de inteligência, aguardando a visão beatífica. Suas obras filosóficas, como suas meditações sobre a Redenção, provinham de um vivo entusiasmo do coração e da inteligência. Nisso o pai da Escolástica estava bem perto de santo Agostinho. Elevado à dignidade de arcebispo primaz da Inglaterra, com sede em Canterbury, o manso monge de Bec teve de lutar contra a hostilidade de Guilherme, o Vermelho, e Henrique I. Os contrastes, primeiro velados, explodiram em luta aberta e por duas vezes o arcebispo Anselmo teve de reatravessar a Mancha e aguardar no exílio até que as águas se acalmassem.

Foi a Roma não só para pedir o reconhecimento dos seus próprios direitos, mas também para que fossem amenizadas as penas decretadas contra seus adversários, afastando assim o perigo de um cisma. Esta sua moderação acabou por desarmar todos os seus inimigos. Morreu em Canterbury a 21 de abril de 1109. Em 1720 o papa Clemente Xi declarou-o doutor da Igreja.

Posted by Daniel on julho 13, 2009

Blaise Pascal Nascido em Clermont-Ferrand, a 19 de junho de 1623, Blaise Pascal era filho de Étienne Pascal, presidente da Corte de Apelação, e de Antoinette Bégon. Segundo sua irmã e biógrafa, Gilberte Périer, Pascal revelou desde cedo um espírito extraordinário, não só pelas respostas que dava a certas questões, mas sobretudo pelas questões que ele próprio levantava a respeito da natureza das coisas. Perdeu a mãe aos três anos de idade; era o único filho do sexo masculino. Assim, o pai apegou-se muito a ele e encarregou-se de sua instrução, nunca o enviando a colégios. Mesmo quando, em 1631, a família Pascal mudou-se para Paris, a educação de Blaise permaneceu ao encargo do pai. A irmã Gilberte escreverá mais tarde: “A máxima dessa educação consistia em manter a criança acima das tarefas que lhe eram impostas; por esse motivo só deixou que aprendesse latim aos doze anos, para que aprendesse com maior facilidade. Durante esse intervalo não o deixou ocioso, pois o ocupava com todas as coisas de que o julgava capaz. Mostrava-lhe de um modo geral o que eram as línguas; ensinou-lhe como haviam sido reduzidas as gramáticas sob certas regras, que tais regras tinham exceções assinaladas com cuidado, e que por esses meios todas as línguas haviam podido ser comunicadas de um país para outro.”

Blaise Pascal viveu um tempo de militância religiosa quando apoiava o Jansenismo, doutrina que teve início com com um bispo holandês que protestava contra o racionalismo supostamente exagerado da teologia escolástica e que entrava em contraste ao ensino jesuíta de que a graça é eficaz quando o recebedor consente e coopera com Deus através do livre-arbítrio. Jansênio ensinava que a graça é totalmente imerecida e por isso concedida ao recipiente por Deus através da predestinação. Assim, as idéias propostas por Jansênio seguiam a tradição do pensamento agostiniano, e não diferente dos pensamentos de Calvino.

É no mosteiro de Port Royal, que Pascal escreve as Cartas Provinciais, que fez circular anônimas, nas quais a dialéctica habilíssima e com uma ironia ora subtil, ora dura, abordava os aspectos discutíveis da Companhia de Jesus. A doutrina de Jansênio foi dada como herética pelo Papa Alexandre VI e as cartas de Pascal censuradas pela Igreja

Apesar de Blaise Pascal ter apoiado Jansênio, esta época foi de muita valia espiritual para o Filósofo. Se buscarmos também o contexto em que Pascal se une aos jansênios, entenderemos que o que o atraiu a essa doutrina foi a caridade com que trataram seus pais os jansenistas, pois foi em janeiro de 1646 quando o pai de Blaise Pascal teve a perna seriamente lesionada, que dois homens profundamente religiosos vieram cuidar do adoentado Etienne - assim, Blaise ficaria profundamente impressionado pelo grau de caridade cristã e espiritualidade que estes dois homens evocavam. Desde que estes dois homens eram jansenistas, pareceu natural a Pascal ser atraído pela escola de pensamento jansenista. Quando o Papa Alexandre VI declarou herética a doutrina de Jansênio, Blaise Pascal foi obediente ao Papa, apartir daí retomou as pesquisas científicas e matemáticas.