Castidade: opção por amor
Durante a minha adolescência e início da minha juventude tive momentos bem turbulentos na vivência da minha sexualidade. Não conseguia viver a castidade! Hoje, olhando para trás, sei que tudo foi conseqüência de várias situações, até mesmo dolorosas, como por exemplo, a grande dificuldade no relacionamento com a minha mãe, o medo que eu tinha de falar com ela a respeito de todas as descobertas da minha sexualidade, de falar sobre as pessoas com quem eu “ficava”, de falar sobre abusos que sofri e tantas outras realidades.Como existia um vazio dentro de mim devido à carência materna, eu tentava preenchê-lo através dos meus relacionamentos que aconteciam de maneira totalmente desregrada.
Fico pensando o quanto devo ter ferido o coração de Deus com essas coisas nojentas. Digo assim, porque não era o tempo, pela maneira que acontecia e também por todas as marcas que isso deixou na minha vida.E o pior, é que numa determinada fase onde estava mergulhada no pecado, cega pelos prazeres mundanos, já tinha certo conhecimento das coisas de Deus, sabia que era errado, só que ainda não havia tido aquela trombada radical com o amor Dele e nem descoberto que somente esse amor poderia preencher os vazios da minha história.
Pelo contrário, enquanto vivia esses prazeres de maneira errada, no momento era bom, só que ao deitar e colocar a cabeça no travesseiro tinha uma angústia profunda e o vazio só aumentava. O que minha alma tinha era sede de Deus, por isso ela chorava nessas horas, mas eu não sabia. Infelizmente precisei chegar à beira de uma tragédia. Cansei de bater a cabeça, de ser usada nos relacionamentos e vi que viver a vida daquele jeito só me levaria mais e mais para o fundo do poço. E na dor, aconteceu o grande encontro com o amor do Senhor. A trombada foi tão forte que fui assumindo uma postura radical de mudança de vida, de hábitos e de tentar me libertar dos vícios da sexualidade. O remédio foi, é e sempre será para mim a vivência da castidade.
Só consegui e até hoje consigo vivê-la porque luto diariamente contra os desejos da carne. Sim, nossa carne é fraca e não podemos dar mole. Não é porque sou consagrada a Deus que não vou ser tentada. Sou bem jovem e tudo em mim funciona normalmente. O grande segredo é estar vigiando, orando e não vivendo no egoísmo. Muitas pessoas que vivem hoje o vício da masturbação, ou que têm relacionamento sexual antes do matrimônio, é porque se fecham em si mesmas, não vivem com equilíbrio os seus relacionamentos afetivos ou com seus pais, ou com seus amigos, ou no namoro, ou até mesmo no relacionamento de marido e mulher e tentam preencher seus vazios com essas práticas.
No início tive bastante dificuldade para viver a castidade, mas as mortificações, os jejuns e as penitências me ajudaram muito. Fazia esses pequenos sacrifícios e oferecia a Deus pela minha libertação. Porque mesmo não vivendo mais namoros desregrados, o vício tinha ficado. Então, com muita oração e fazendo essas renúncias de coisas que eu gostava, como doces, refrigerantes, etc., fui sendo purificada; fui submetendo a vontade de minha carne à vontade do Espírito Santo.
Posso dizer que sou uma pessoa que ama profundamente a vivência de castidade, que colhe os frutos que ela proporciona. Sinto-me extremamente livre em Deus, antes era escrava do sexo. Foi uma opção por amor; por entender que nasci para a santidade e não para a impureza como diz
em I Tessalonicenses 4,7. Por entender que sou morada do Espírito Santo e por isso, o pecado não poderia mais reinar em mim, nem me escravizar, me dominar. “Onde abundou o pecado superabundou a graça de Deus” (Romanos 5,20). Esse é um dos versículos que mais me tocam na bíblia. Diz do que eu vivi no passado e do que vivo hoje. De fato, onde reinou o pecado, reina agora a graça do Senhor. Castidade é um compromisso de amor, é um desafio a ser enfrentado a cada dia.
Sempre rezo por todas as pessoas que vivem na depravação, na dependência do sexo, por aquelas que mentem quanto a vivência da castidade. Fico triste quando atendo alguém que diz: “tenho um namoro avançado, mas sou virgem”, ou “sou virgem porque não faço sexo com penetração, faço somente sexo oral”, etc. É horrível ouvir isso, mas era exatamente o que eu vivia. Praticamente me prostituía, só não havia a penetração. Virgindade, meus amigos, não significa somente ter o hímem rompido ou ter penetrado o pênis numa mulher. Mesmo eu não tendo vivido esse “romper”, não posso mentir dizendo que vivia a castidade. De maneira alguma! Eu vivia sim, totalmente na impureza e na depravação. E se eu tivesse permitido, mesmo assim, hoje eu poderia dizer sou casta, sou virgem, vivo a pureza, pois Deus refez a minha vida, a minha sexualidade e tudo o que passou foi lavado com a misericórdia infinita de Jesus.
Não sei o que você já viveu na sua história em relação a sua sexualidade, mas Deus te chama a uma nova mentalidade. Deus te chama a viver na verdade, na pureza. Vale a pena viver a castidade, vale a pena nadar contra a correnteza, a ser diferente e a não viver como a grande maioria tem vivido, achando que pode tudo, que tudo é normal e que a igreja é careta. Não nos conformemos com esse mundo, irmãos. Não sejamos escravos, vivamos na liberdade dos filhos de Deus, cada qual no estado de vida em que foi chamado. A castidade é um desafio e uma linda opção de amor para nós todos. Tudo nos é permitido, mas nem tudo nos convém. Pense nisso! Você sabe o que é certo e o que é errado.Se fizermos a opção por aquilo que é errado, colheremos frutos não agradáveis, mas se vivermos de acordo com a vontade de Deus, mesmo sofrendo as suas demoras, colherá todas as bênçãos nas nossas vidas conseqüentes da nossa busca de pureza, de castidade, de santidade. Deixo a você o convite. Valeu a pena!Sou muito feliz vivendo assim!
Ana Néri - Comunidade Canção Nova