“Esta virtude produz três disposições que nos põem ao abrigo de muitos perigos: a desconfiança de nós mesmos e a confiança em Deus; a fuga das ocasiões perigosas, a sinceridade na confissão.
Muitas almas caem, efetivamente, na impureza por orgulho e presunção. “Deus não pode sofrer a soberba numa alma, humilha-a até o extremo”, Quem está, pelo contrário, persuadido de que não é capaz de ser casto por si mesmo, repete a Deus esta humilde oração de São Filipe Néri: “Meu Deus, desconfiai de Filipe; aliás ele vos atraiçoaria”.
Esta desconfiança de nós mesmos deve ser universal. Às almas mais santas o demônio suspira mais ardentemente por fazê-las cair a elas do que almas vulgares, e arma-lhes laços mais pérfidos. É observação de são Jerônimo, que dali conclui que ninguém se deve dar por seguro pelos longos anos passados na castidade, pela santidade ou sabedoria. Esta vigilância, contudo, deve ser acompanhada de absoluta confiança
em Deus. Porque Deus não permitirá que sejamos tentados acima das nossas forças, nem nos pede o impossível: umas vezes nos dá imediatamente a graça de resistir às tentações, outras a de orar, para obter graça mais eficaz. Quanto mais uma pessoa é humilde de coração e submissa a Deus, mais possui sabedoria e paz.
A humildade leva-nos a evitar o desejo de agradar. Este desejo vem juntamente da vaidade e da necessidade de afeição, manifesta-se pelo culto exagerado da própria pessoa, pelo apuro minucioso no trajar, hábito de elogiar as pessoas pelas qualidades externas. A humildade dá-nos, enfim, a clareza de consciência tão necessária para evitar os laços do inimigo. “Se souberes conservar uma atitude sempre humilde e modesta de justa medida para dirigir teu espírito, não sucumbirás facilmente ao perigo e ao pecado”.
(Compêndio de Ascética e Mística)