A Fragilidade da vida
Ó Deus, fonte e senhor de toda a vida,
como nos custa ver partir certas pessoas!
Num repente e para sempre, fecham os olhos
e deixam de existir sobre a terra.
Tenho presente as mortes súbitas,
diante das quais ficamos sem palavras:
o silêncio abafa-nos como manto pesado!
E que dizer da partida inesperada de jovens
ou de crianças a quem a doença ou o acidente tiram a vida?
Esmagados pela dor, pais e amigos ficam calados,
mas sem proveito, pois não encontram explicação.
Arde-lhes no peito o coração em chama viva,
que a intensidade do sofrimento acendeu.
Então, a sua boca não pode deixar de te gritar:
- Porquê, Senhor, a vida lhes foi retirada
e não lhes foi permitido continuar connosco?
Ó Pai celeste, dá-nos a conhecer o mistério da vida.
Tornam-se curtos os dias do homem sobre a terra;
diante de ti a existência humana é como nada;
o homem não é mais que um sopro;
Ele passa como simples sombra!
Em vão que se agita e amontoa riquezas.
Ele é como um peregrino de passagem,
um hóspede em breve estadia sobre a terra.
É frágil a vida humana, que podemos esperar?
A nossa esperança está em ti: livra-nos do desespero.
Não nos deixes sucumbir sob o peso da dor.
Ilumina as densas trevas de quem perdeu uma pessoa querida
e não permitas que desfaleça sob a amargura;
dá-lhes uma sólida fé na comunhão dos santos.
Senhor, ouve a nossa oração,
escuta este lamento por quem sofre o luto:
não fiques insensível às suas lágrimas.
Deixa-nos respirar por longos dias,
permite-nos apreciar a vida como um dom
que confias à nossa responsabilidade,
para dele usufruirmos, fazermos render no amor e no trabalho,
e, finalmente, to devolvermos,
na confiança de que tu no-lo devolves,
para o vivermos em plenitude, em comunhão eterna.
(Dos escritos do Pe Jorge Guarda)