Partindo do ensinamento de São Gregório de Nissa, o fim de uma vida virtuosa consiste em se tornar semelhante a Deus, assim o Catecismo da Igreja Católica define virtude como sendo uma disposição habitual e firme de fazer o bem. Desta maneira o exercício das virtudes nos conduz a graça divina, pois elas regulam os nossos atos, orientando e dando equilíbrio em conformidade com a fé e razão (Compêndio do CIC 377, 378).
O Catecismo define as virtudes sobre duas ópticas. A primeira as chamadas virtudes humanas ou cardeais, são aquelas que regulam o cerne de uma vida virtuosa, as principais virtudes cardeais são: prudência, justiça, fortaleza e temperança. A segunda óptica são as chamadas virtudes teologais, estas tem como origem, motivo e objeto o próprio Deus (CIC 1804, 1810-1811, 1805), fazem parte deste grupo ás virtudes: fé, esperança e caridade.
No mundo moderno, é um desafio para todo cristão o exercício destas virtudes, vivemos em uma sociedade no qual é preciso muitas das vezes garimpar as virtudes, ou até mesmo, sinal delas.
Cada individuo é chamado a viver em conformidade com os seus interesses, e assim realizar todas as atividades cernes da sua vida humana, não tendo como centro uma relação direta com Deus, mas uma relação particular, exclusivista com os seus interesses. Desta forma, as manifestações das virtudes se transformam em atos isolados, até mesmo em meio aos cristãos, surgindo o questionamento: Como viver as virtudes em meio a sociedade moderna?
Assim encontramos vários direcionamentos, e apelos do Santo Padre para que a Igreja busque reavivar o dom das virtudes em seu meio, pois o exercício das virtudes diz da própria alma dos cristãos, e esta crise de virtudes, reflete não somente na sociedade, mas também na própria vida humana.
Mas qual é a maneira de vivê-las, qual é a solução? A meu ver, a base para todas as virtudes é reinflamar no coração dos cristãos a primeira experiência com o Amor do Senhor, a Igreja precisa redescobrir o mistério da vida e, sobretudo da paixão oblativa de Jesus, mas não somente
como algo histórico, mas como realmente ela é presente e viva nos dias atuais. Os cristãos precisam viver uma experiência única com o Senhor, no qual esta seja o impulso para uma vida intima com Ele, nos exercícios das virtudes, quer as próprias do Senhor (teologais), quer as humanas.
Como nos ensina o Santo Padre Bento XVI em sua encíclica Deus Caritas Est, o amor do próximo, radicado no amor de Deus, é um dever antes de mais para cada um dos fiéis, mas é-o também para a comunidade eclesial inteira, e isto a todos os seus níveis.
Este amor é a espinha dorsal das virtudes na vida dos cristãos, assim, não somente reinflamar as virtudes, a Igreja necessita reavivar o dom de Deus, como nos ensina São Paulo (2 Tm 6,1), este novo amor é a via no qual os cristão encontraram para viver as virtudes.
Partindo desta afirmação, os evangelizadores precisam não mais se ater apenas nas virtudes, mas muito mais, na propagação do amor salvifico do Pai, revelado em Jesus, os agentes da evangelização anunciando o amor, despertaram nos cristãos um desejo de se assemelhar ao Cristo, passando assim pela via das virtudes, como meio de se configurar a Jesus, não mais como algo impositivo, mas naturalmente pelo amor, que conduzirá a vida em Cristo e por Ele. Assim, em uma sociedade egoísta encontraremos a partilha, a caridade, em meio a pornografia se encontrará a castidade, na desesperança a fé brilhará, enfim no amor as virtudes se manifestaram e terão novo sentido.
Portanto, as virtudes apresentadas no Catecismo da Igreja Católica, serão vividas em nossa sociedade, a partir do momento em que cada cristão realizar sua um experiência com o amor do Senhor, pois assim descobrirá que o centro da sua vida humana estão nas virtudes do próprio Senhor, e assim, impulsionado por este amor procuraram, mesmo em meio as dificuldades, a viver por amor uma busca constante a Jesus, e assim suas vidas serão uma resposta a iniciativa amorosa do Pai, desta maneira o amor será o grande incentivador para a vivencia das virtudes cristas.
Ricardo Gaiotti