Setembro - Mês da Bíblia

Filed under: Lectio Divina — Vera Lúcia at 7:27 pm on Monday, September 8, 2008

 

A «Lectio divina» poderia trazer uma nova primavera espiritual, sugere Bento XVI. Pede impulsioná-la inclusive com «novos métodos» CASTEL GANDOLFO, sexta-feira, 16 de setembro de 2005 (ZENIT.org).- Bento XVI considera que a recuperação da prática da «Lectio Divina», meditação orante da Sagrada Escritura, trará uma «nova primavera espiritual» para a Igreja. Ao encontrar-se com os mais de 400 especialistas que participam em Roma de um congresso sobre «A Sagrada Escritura na vida da Igreja», o Santo Padre recomendou esta antiga prática que literalmente quer dizer «leitura de Deus».

«A leitura assídua da Sagrada Escritura acompanhada pela oração permite este íntimo diálogo no qual, através da leitura, escuta-se Deus que fala, e através da oração, responde-se com uma confiada abertura do coração», afirmou o Papa. Esta proposta recebeu nos últimos quarenta anos um novo impulso em toda a Igreja após a publicação da constituição dogmática «Dei Verbum», do Concílio Vaticano II (18 de novembro de 1965).

«Se se promove esta prática com eficácia, estou convencido de que produziria uma nova primavera espiritual na Igreja», assegurou o Papa. Para dar um novo impulso à «Lectio divina», não duvidou em sugerir «novos métodos, atentamente ponderados, adaptados aos tempos». «Não há que esquecer que a Palavra de Deus é lâmpada para nossos passos e luz em nosso caminho», concluiu.

Ainda que a leitura orante da Bíblia se remonta aos primeiros cristãos, o primeiro a utilizar a expressão «Lectio divina» foi Orígenes (aproximadamente 185-254), teólogo, que afirmava que para ler a Bíblia com proveito é necessário fazê-lo com atenção, constância e oração. Mais adiante, a «Lectio divina» converteu-se na coluna vertebral da vida religiosa. As regras monásticas de Pacomio, Agostinho, Basílio e Bento fariam dessa prática, junto ao trabalho manual e a liturgia, a tripla base da vida monástica.

A sistematização da «Lectio divina» em quatro escalas provém do século XII. Ao redor do ano 1150, Guido, um monge, escreveu um livrinho titulado «A escada dos monges», onde expunha a teoria dos quatro degraus: a leitura, a meditação, a oração e a contemplação». «Essa é a escada pela qual os monges sobem desde a terra até o céu», afirmava.

Fonte: Zenit

Contemplar o rosto de Cristo na Palavra

Filed under: Lectio Divina, Espiritualidade — Vera Lúcia at 3:31 pm on Monday, August 18, 2008

 

 

“A contemplação do rosto de Cristo não pode inspirar-se senão àquilo que se diz d’Ele na Sagrada Escritura, que está, do princípio ao fim, permeada pelo seu mistério; este aparece obscuramente esboçado no Antigo Testamento e revelado plenamente no Novo, de tal maneira que S. Jerônimo afirma sem hesitar: « A ignorância das Escrituras é ignorância do próprio Cristo ».Permanecendo ancorados na Sagrada Escritura, abrimo-nos à ação do Espírito (cf. Jo 15,26), que está na origem dos seus livros, e simultaneamente ao testemunho dos Apóstolos (cf. Jo 15,27), que fizeram a experiência viva de Cristo, o Verbo da vida: viram-No com os seus olhos, escutaram-No com os seus ouvidos, tocaram-No com as suas mãos (cf. 1 Jo 1,1). Por seu intermédio, chega-nos uma visão de fé, sustentada por um testemunho histórico concreto: um testemunho verdadeiro que os Evangelhos, apesar da sua redação complexa e finalidade primariamente catequética, nos oferecem de forma plenamente atendível.9

De fato, os Evangelhos não pretendem ser uma biografia completa de Jesus, neles aparece com fundamento histórico seguro, o rosto do Nazareno, visto que foi preocupação dos Evangelistas delineá-lo, recolhendo testemunhos fidedignos (cf. Lc 1,3) e trabalhando sobre documentos sujeitos a cuidadoso discernimento eclesial. Foi com base nestes testemunhos da primeira hora que eles, sob a acção iluminadora do Espírito Santo, souberam do fato — humanamente desconcertante — de Jesus ter nascido virginalmente de Maria, esposa de José. Daqueles que O tinham conhecido durante os trinta anos aproximadamente que vivera em Nazaré (cf. Lc 3,23), recolheram os dados sobre a sua vida de « filho do carpinteiro » (Mt 13,55) e d’Ele mesmo « carpinteiro », com o quadro da sua parentela bem especificado (cf. Mc 6,3). E registraram a sua grande religiosidade que O levava a ir em peregrinação anual, juntamente com os seus, ao templo de Jerusalém (cf. Lc 2,41) e sobretudo fazia d’Ele um freqüentador habitual da sinagoga da sua cidade (cf. Lc 4,16).

As notícias tornam-se mais abundantes, embora não cheguem a ser um relato orgânico e detalhado, no período do ministério público, a começar do momento em que o jovem Galileu Se fez batizar por João Baptista no Jordão; animado pelo testemunho do Alto e com a consciência de ser o « Filho predileto » (Lc 3,22), dá início à sua pregação anunciando a chegada do Reino de Deus, ilustrando as suas exigências e a sua força através de palavras e sinais de graça e misericórdia. Os Evangelhos apresentam - no-lo caminhando por cidades e aldeias, acompanhado por doze Apóstolos que Ele escolhera (cf. Mc 3,13-19), por um grupo de mulheres que O servem com os seus bens (cf. Lc 8,2-3), por multidões que O procuram e seguem por doentes que esperam no seu poder de cura, por interlocutores que ouvem, com variado proveito, as suas palavras.

A narração dos Evangelhos concorda também no fato de mostrar a tensão que foi crescendo entre Jesus e os grupos dominantes da sociedade religiosa de então até à crise final, que teve o seu epílogo dramático no Gólgota. É a hora das trevas, à qual se segue uma aurora nova, radiante e definitiva. De fato, os relatos evangélicos terminam mostrando o Nazareno vitorioso sobre a morte: assinalam o seu túmulo vazio e acompanham-No no ciclo das aparições, durante as quais os discípulos, primeiro perplexos e atônitos e depois cheios de inefável alegria, O experimentam vivo e glorioso, tendo recebido d’Ele o dom do Espírito (cf. Jo 20,22) e o mandato de anunciar o Evangelho a « todas as nações » (Mt 28,19)” (João Paulo II Novo Milênio Ineunte).

“Senhor Tu tens palavras de vida eterna”

Filed under: Lectio Divina — Vera Lúcia at 7:48 pm on Tuesday, April 1, 2008

“Jesus não nos deu palavras mortas

Para quardarmos em pequenas latas de conserva(ou grandes)

Para as conservar em óleo rançoso.

Jesus Cristo, minha pequena,

Não nos deu palavras-pickles

Para fazer conserva.

Não, ele nos deu palavras vivas

Para alimentar…

As palavras de vida,

As vivas palavras só podem ser mantidas com vida….

De nos, fracas criaturas de carne, depende

Manter essas palavras pronunciadas com vida

Em tempo vivo,

Alimentá-las e mantê-las com vida no tempo.

Mistério dos mistérios,

Recebemos esse privilegio,

Esse excessivo, inacreditável privilegio

De expressar as palavras de vida com vida…

Somos chamados a alimentar

A palavra do Filho de Deus

Oh penuria, Oh calamidade,

Caia sobre a nossa sorte,

É nosso dever, depende de nós,

Fazê-la ouvida para sempre e eternamente

Fazê-la ecoar…”

Charles Peguy, “Lê porche du mystere de la deuxème vertu”

Dicas para rezar com os salmos

Filed under: Lectio Divina, Espiritualidade — Vera Lúcia at 4:36 pm on Friday, October 19, 2007

 

O Cardeal Carlo Martini nos oferece algumas dicas preciosas para a leitura e a oração através dos salmos. Rezar com os salmos e seguir o exemplo de Jesus: os salmos eram a oração de Jesus. Os salmos “são palavras humanas dirigidas a Deus, mas também palavras de Deus dirigidas aos homens” (Dom Zevini).

Quero partilhar com você as dicas do Cardeal Martini. Tenho feito a experiência de rezar os salmos com a liturgia das horas e vejo que eles tem contribuido neste caminho da vida de oração:

“Leia atentamente o Salmo, com calma, num ambiente de silêncio. Depois tome uma imagem, alguma palavra ou versículo do Salmo que tenha chamado atenção, e fique um pouco mais de tempo sobre isso. É um método de oração fácil, que experimentei em toda parte, também nas prisões. Tenho visto como facilmente as pessoas começam a rezar assim” (Cardeal Martini). Gostria de receber sua partilha com esta experiência.

Verinha

 

Orar antes de iniciar a leitura bíblica

Filed under: Lectio Divina — Vera Lúcia at 4:08 pm on Thursday, October 18, 2007

 

Ó Deus,
torna meu espírito digno
de encontrar sua alegria
na compreensão do Mistério de Cristo,
teu Filho bem-amado,
revelado nas Escrituras.
Acende tua Santa Luz, no meu coração,
a fim de que meu espírito penetre
para além das palavras escritas com tinta…
Que eu veja, com os olhos iluminados,
os sagrados mistérios escondidos
na tua Boa Nova.
Concede, ó meu Senhor, por tua graça,
e tua misericórdia, que tua lembrança
nunca desapareça do meu coração,
nem de dia nem de noite.
Amém.
(Filoxênio de Mabbong)

“Nadar contra a corretenza”

Filed under: Lectio Divina — Vera Lúcia at 4:21 pm on Tuesday, September 25, 2007

 

Meditando a passagem de Lucas 1,57-80 - nascimento de João Batista e o cântico de Zacarias fui interpelada pela palavra e agora partilho com você esta leitura orante da palavra. João Bastista já no ventre de sua mãe e logo ao nascer é um sinal de contradição. O povo diz que ele deveria ter  nome do Pai. Izabel e Zacarias rompem com uma cultura por causa da vontade de Deus, por causa da certeza da escolha que deveriam realizar. Ambos estavam unânimes e concordes, ele deveria chamar-se João e não Zacarias. Diante da atitude deles o povo fica pasmado, mas se rende.

Sou interpelada na minha postura de consagrada: tenho mantido-me íntegra no meu projeto de vida de uma mulher consagrada a Deus na Canção Nova? Tenho mantido-me fiel diante do compromisso que assumi com Deus na Canção Nova? Mesmo que as situações sejam contrárias? Em que eu preciso mudar? Percebo claramente que eu não posso deixar que o respeito humano me faça negar a verdade. Sou chamada a proclamar o Evangelho vivendo o carisma que abracei na sua integridade, é preciso nadar contra a correnteza.

Não dá pra viver meias verdades. Esta fidelidade faz brotar o canto novo como aconteceu com Zacarias. O canto novo é um canto profético. O canto novo se canta com a vida no meio dos irmãos e da assembléia. Isso implica uma atitude concreta: retomar pra valer a intimidade com o Senhor, não perder a sintonia com ele hoje.

Senhor ensina me a ser  fiel hoje. Ensina-me a praticar a tua vontade do momento presente. Faz-me fiel hoje.

Verinha

Quando confiamos nada nos atormenta!

Filed under: Lectio Divina — Vera Lúcia at 2:58 pm on Monday, September 24, 2007

 

Fui muito tocada com a passagem do livro de Mt 6,25-34 onde o evangelista nos apresenta a passagem da Divina Providência: olhai os lírios dos campos. Partilho com você o fruto desta leitura orante da Palavra.

Jesus apresenta aos seus discípulos um jeito novo de viver: os homens buscam segurança nas coisas materiais, investem seus esforços para que todas as suas necessidades sejam supridas. Isso é ruim? Claro que não. Jesus~apresenta que esse não é uma forma errada de viver, proém, existe uma forma de vida que é superior. Ele vem aprsentar que o Pai do céu verdadeiramente cuida dos seus, que ele não deixa aqueles que são seus passarem necessidades: é preciso colocar a segurança naquilo que não passa. Essa é a lei do Reino.

Chamou-me à atenção a palavra de ordem “não vos preocupeis”. Ela diz daquilo que vem acontecendo  comigo: vivo preocupada. Preocupada com o que devo fazer, com o que devo dizer, com aquilo que dizem de mim, com aquilo que pensam de mim. Isso desgasta e cansa.

Jesus vem me dizer por esta palavra: “Verinha não vos preocupeis. Deixa tudo isso. Confia em mim. Acredita-me: eu cuido de você. Já lhe dei provas do meu amor por disso”. É verdade, o Senhor já me deu sinais de que Ele cuida de mim e do seu amor por mim. O que me falta? Nada me falta… Nada!

Perdoa-me Senhor por todos os momentos que eu não acreditei e por todas as vezes que eu achei que o Senhor havia me abandonado. Perdoa-me por todas as vezes que eu não confiei que o Senhor estava cuidando de mim. Perdoa-me Senhor!

Verinha

Por que se desesperar?

Filed under: Lectio Divina — Vera Lúcia at 2:56 pm on Friday, September 21, 2007

Quero partilhar com você hoje a leitura orante que eu pude realizar da passagem que está em Mc 6,45-52 que fala do episódio onde Jesus anda sobre as águas: “Jesus manda que os discípulos entrassem no barco (Igreja) e fosse para o outro lado da margem, enquanto ele mesmo despedia a multidão (ele fica com ela até o fim). Subiu para rezar… o barco estava no meio do mar ( lugar da vida, lugar do bem e do mal) e Jesus sozinho em terra… vendo-os com dificuldades foi até eles, andando sobre as águas, e queria passar adiante… começaram a gritar… Ele logo falou: Coragem! Sou eu. Não tenhais medo… ele subiu no barco juntando-se a eles e o vento cessou mas… o coração deles continuou se entender”.

Jesus caminha com o homem em toda a sua história. Ele vê o que cada um de nós vive. Ele está conosco também nas dificuldades. Os homens é que não são capazes de vê-lo quando se encontram diante das dificuldades. Quantas vezes eu não o vi passar do meu lado porque meu olhar estava somente nos problemas. Nosso olhar se volta para o “vento que se agita” e não para Jesus que passa na nossa história e na nossa vida. Muitas vezes o homem se desespera. Por que se desesperar? Jesus, porém, nos diz: “Coragem”. Ele nos dá a sua força.

O texto de Marcos vem me interpelar: onde eu me encontro neste texto? Será que eu sou como a multidão que Jesus precisa despedir porque elas só buscam os milagres? Sou como Jesus que sobe a montanha para rezar e ficar com o Pai? Sou capaz d eperceber as dificuldades dos outros? Estou como os discípulos desesperados diante das dificuldades? Para mim hoje Jesus precisa dizer “Coragem”? Ou ainda estou como os discípulos que mesmo vendo a manifestação do poder de Jesus continuam pertubados sem entender nada? Onde estou? Como estou?

Sinto que hoje estou como Jesus que quer despedir a multidão e ficar com o Pai. Ali intuo que Jesus queria voltar para o lugar do seu repouso. Quero voltar para o lugar do meu repouso, mas há um povo com dificuldades precisando de ajuda e como Jesus sou impulsionada a sair de mim mesma mais uma vez. Jesus me garente, mais uma vez, a sua força, a força do seu coração. Ele está comigo. Ele está com você. Ele vai junto comigo. Ele acolhe meu coração e meu desejo interior de ficar bem quietinha, mas me diz: “vai por mim”. Ele me diz “vai”, garantindo que estará comigo. Obrigada, Senhor.

Verinha

Por que não se abrir ao amor das pessoas?

Filed under: Lectio Divina — Vera Lúcia at 3:07 pm on Friday, September 14, 2007

 

Outro dia estava meditando a passagem de Lc 1,26-38 que fala do anúncio do nascimento de Jesus. Algumas palavras saltaram diante dos meus olhos. Quero partilhar com você minha experiência com a leitura orante desta palavra. “Ela pertubou-se (no sentido de ficar perplexa) diante da saudação… No fim ela diz: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. Fiquei me questionando onde eu me encontrava nesta palavra. Descobri que eu sou Maria que se pertuba diante do afeto, carinho e amor que me oferecem. Sou desconfiada, demoro para acolher e fico-me interrogando sobre o por que daquela atitude de tal pessoa para comigo. Tenho dificuldade em me deixar ser amada.

Percebi nesta passagem que foi quando Maria acolheu  favor divino foi que o anjo lhe fez a revelação plena; “você será a Mãe do Salvador”. Para que a revelação pudesse se atualizar foi necessário esta atitude de acolhida do favor e da iniciativa divina. Sinto que a minha cura e libertação vem doa colhimento e da abertura para receber os gestos, as palavras de amor e o afeto das pessoas para comigo. Preciso me abrir às iniciativas de Deus que se manifestam através das pessoas.

Hoje esta palavra me ensina: Onde fui amada por Jesus no dia de hoje? Não posso dixar passar em branco essas iniciativas para que, como Maria, eu possa dizer: “Eis aqui  a tua serva”. Sinto-me convidada a ser possuida de tal forma pela Palavra a ponto de me tornar sua morada.

Ouça essa canção de Ziza Fernandes: deus-me-ama.mp3

Verinha

Ruminação da Palavra - o que é isso?

Filed under: Lectio Divina — Vera Lúcia at 8:49 pm on Monday, September 3, 2007

“Com o passar dos anos, nós da Canção Nova avançamos na maneira de trabalhar com a Bíblia e de fazer o Diário Espiritual. Desenvolvemos a chamada Ruminação da Palavra. Trata-se de um bom método para quem já fez uma boa caminhada na seara da Palavra de Deus, especialmente para os que já seguiram o método básico de uso do Diário. Esse passo à frente é bom, é saudável, leva-nos a crescer e a nos aprofundar na Palavra. É mais uma opção de trabalho. Você pode recorrer a outras formas como e quando quiser. A palavra Ruminação se adapta bem a esse método. Tal como os bovinos, comemos a Palavra de Deus e, em seguida, paramos e começamos a ruminar o conteúdo engolindo. Esse é um momento vital; é a condição necessária à boa digestão e assimilação.

Deixo aqui para você como podemos fazer o método. Setembro é o mês da Palavra de Deus. Vamos meditá-la com carinho. O método tem cinco etapas ou movimentos: ler, saborear, orar, contemplar e escrever.

1- LER: Escutamos a palavra de Deus. É a hora de engolir. É uma leitura bem ativa: lemos com lápis ou caneta na mão, sublinhando e destacando elementos essenciais: verbos, sujeitos ativos, ações, atitudes, pensamentos, a situação, os motivos das ações. Mais do que ler, na verdade relemos várias vezes, fazendo com a caneta todas essas anotações. Podemos recorrer a outras traduções que ajudem a esclarecer; lançar mão de introduções, explicações e notas de rodapé, hoje abundantes em nossas Bíblias; podemos também comparar com as passagens paralelas, em geral indicadas nas margens das páginas da Bíblia, logo de pois dos títulos etc. Esse é o primeiro estágio do mastigar e engolir. Vamos prestando atenção aos vários pontos indicados e nos deixando levar de uns para os outros a partir do seu próprio movimento interior; isso leva de modo natural a um surpreendente entendimento. É a luz que se faz interior. Esse imperativo interior nos conduz de maneira deveras natural à Segunda etapa, que é quando se inicia de fato a ruminação.

2- SABOREAR: Poderíamos chamar essa etapa de meditar, pois na verdade é uma meditação da Palavra mastigada. Não o fazemos, contudo, para não dar a impressão errônea de que se trata de um trabalho puramente intelectual, preferindo denominá-la saborear. Tive um professor de ciências que dizia que na hora de a vaca e o boi ruminarem o capim, este fica, por causa da saliva, doce. Brincávamos com ele, perguntando-lhe como ele sabia disso… Na verdade, é chegado o momento de “sentir” a Palavra. O intelecto também participa dele, mas não está sozinho. Entram também os sentimentos, a nossa liberdade movida pelo Espírito, os vários movimentos da vontade. Eis o principal momento em que devemos nos deixar impregnar pelos sentimentos que o Espírito Santo faz surgir em nós por meio da Palavra: alegria, medo, confiança, generosidade, arrependimento, esperança, entusiasmo etc. Os vários sentimentos, os vários impulsos que se misturam uns aos outros…

3- ORAR: Como é de esperar, esses sentimentos nos levam a dar uma resposta. Não é tanto responder à Palavra quanto ao Senhor que, pela Palavra, infundiu em nós esses impulsos. Brotam naturalmente o louvor, o arrependimento, a súplica, a gratidão, o pedido de perdão, a oferta, a adoração e assim por diante. Mais do que uma oração por palavras, essa vai ser uma oração de sentimentos e de atitudes interiores. Umas poucas palavras nos prestarão simplesmente ajuda para nos exprimirmos e nos referir ora ao Pai, ora a Jesus, ora ao próprio Espírito Santo. É uma oração já bem simples e sobremodo interiorizada.

4- CONTEMPLAR: Pouco a pouco, todos aqueles sentimentos que se misturavam e se multiplicavam em nós, os vários movimentos de oração por eles provocados vão se simplificando e se unificando em nosso íntimo. É a hora da tranqüilidade, da harmonia, do repouso em Deus. Eis o que significa contemplação: entrarmos, mediante a Palavra, no Templo de Deus que existe em todos nós e aí nos deixamos ficar repousando no Senhor. Vem aqui a simplicidade de todos os nossos movimentos interiores. Trata-se de um movimento privilegiado, um instante de graça. Todos podem chegar a vivenciá-lo; Deus deseja vê-lo em todas as pessoas, sem distinção. Os mais simples podem chegar com mais facilidade a esse ponto; os que mais penam são os intelectuais. É lamentável que se tenha criado tanto mistério, tanta complicação, acerca de algo tão simples como a contemplação, a ponto de parecer que só tem acesso a ela uma minoria, quando Deus sempre quis vê-la ao alcance de todos. Graças ao Pai isso nos é devolvido hoje, e gratuitamente.

Não receie, a contemplação nada tem de controle mental nem filosofias orientais, não é nada de Nova Era. De forma nenhuma. Estamos alcançando outra vez o que há de mais autêntico e genuíno na espiritualidade cristã. A contemplação é o modo de rezar de Jesus. Ela nos é ensinada pelos místicos, pelos monges e pelos contemplativos… Pelos homens e mulheres de Deus do passado e do presente. Não tema entrar nesse caminho e se deixar levar pela contemplação. Esse caminho é natural como a digestão. Essa graça se destina a você. Assim como disse que “A Bíblia foi escrita para você”, digo: “A contemplação foi escrita para você”. Acredite, acolha, experimente os frutos da contemplação. Tendo entrado no repouso contemplativo, deixe-se ficar aí. Não estrague tudo nessa hora, como fazem alguns. Não queira voltar e insistir em orações, em palavras, em sentimentos… e muito menos em raciocínios e esquemas de ação.Não fique elaborando esquemas de ação, de trabalho com o Senhor. Isso virá como conseqüência. O ciclo completo da digestão não falha; ele redunda naturalmente na vida e na saúde. Por que duvidar do ciclo completo de oração a partir da Palavra do Deus Vivo? A nossa pressa, a nossa mania de sempre agir e trabalhar, a nossa precipitação põem tudo a perder, fazendo-nos interromper o ciclo antes de ele chegar ao fim. Se nos comportamos assim, verdadeira eficácia não tem mesmo como se manifestar. Isso não é intimismo; é antes interiorização. É uma oração que atinge o seu alvo, que fecunda a ação, que gera a eficácia em Deus.

5- ESCREVER: O ponto de chegada é a contemplação. Contudo, depois que a rede está repleta de peixes, não se pode deixar que escapem e se vão. Apesar do gozo espiritual que a contemplação lhe traz, ponha-se a escrever: é seu Diário Espiritual, feito agora de maneira distinta e certamente muito proveitosa. Não é questão de escrever muito, nem é o momento de narrar ou descrever o que se passou. Agora, temos somente de registrar: O que Deus me falou? O que Ele realizou em mim? O que deixou depositado em meu interior? Isso tudo é muito precioso; é algo que não se pode perder. Você também pode registrar: O que, a partir dessa Palavra, Deus diz hoje de mim? O que Ele diz para mim? Você recolhe o conteúdo depositado em seu ser dos dois lados: “O que diz de mim” e “o que diz para mim”. Não estou fazendo um simples jogo de palavras, são duas maneiras de focalizar a questão. E não é difícil diferenciar. Veja 1º O que Deus diz de mim? Do que sou, de quem Ele me fez, das qualidades que Ele mesmo me deu e quer que eu assuma e cultive. Da minha vocação e missão, do trabalho específico a mim confiado e para o qual me capacitou com os dons naturais que me deu, com os carismas do Espírito Santo de que me dotou por graça. 2º O que Ele diz para mim? O que Ele quer de mim, que eu seja que eu realize. Que atitudes quer que eu tome o que quer que eu cultive. Por que caminhos Ele quer que eu vá, que rumos me indica, que mudanças quer que eu assuma, o que quer transformar em mim. Convenhamos: não é nada complicado. Apresentei tudo isso apenas para você perceber a diferença e medir a amplitude daquilo que Deus possa estar dizendo a você”.

Do livro a Bíblia foi escrita para você 

Comunidade Canção Nova

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