Violência contra Crianças e Adolescentes.
Nos últimos dias os noticiários foram inundados com palpites sobre o que levou a empresária Silva Calabresi cometer atrocidades com aquela menina de 12 anos.
Como sempre todos ficamos indignados. Claro, eu também fiquei, e como todo mundo fiquei me perguntado o que se passa na cabeça de uma pessoa que age assim.
De repente, num telejornal, fiquei sabendo que a tal torturadora também foi vítima de violência na infância e que viveu de abrigo em abrigo durante sua adolescência.
Claro que isto não justifica as atrocidades que cometeu, mas talvez nos dê uma longínqua idéia dos frutos de uma infância roubada pela tortura e pela violência.
Enquanto digitava este artigo, lembrei-me de um outro personagem que ocupou por alguns dias os noticiários do Brasil inteiro: Sandro do Nascimento.
Você se lembra?
Ele atraiu sobre si toda ira do mundo! Todos queriam vê-lo morto, afinal de contas ele estava ameaçando a vida de pessoas inocentes dentro de um ônibus, o ônibus 174. No final desta história, quer dizer, depois que ele foi morto, descobriu-se que ele era um das crianças sobreviventes da chacina da candelária. Lembra?
Quer dizer, depois de sofrer com a violência doméstica durante boa parte de sua infância, decidir morar nas escadarias frias e desprotegidas da Igreja da Candelária e ainda sobreviver a uma chacina, lá estava ele, Sandro, gerando um fruto amargo chamado VIOLÊNCIA. Claro! As sementes que ele recebeu a vida toda foi esta.
Digo mais uma vez, ser vítima não justifica fazer violência, mas talvez ajude a explicar.
Explicar não presume em perdão. A Sra. Silvia Calabresi deve responder aos seus atos com todo o rigor da lei. Mas digo, prestemos mais atenção às sementes que estamos colocando no coração de nossas crianças e adolescentes, para que num futuro não tão longe, não sejamos nós a degustar o fruto amargo resultante do nosso investimento.
Luciano Betiate
Consultor dos Direitos da Criança e do Adolescente
Para saber mais acesse: www.portaldoconselhotutelar.com.br