Crianças e Drogas. O que fazer?
Nada mais me surpreende.
Depois de atuar no Conselho Tutelar por 6 anos tinha eu a impressão que nada mais me surpreenderia.
No Conselho Tutelar acompanhei casos graves de violência e negação de direitos de crianças e adolescentes. Pude verificar o quão sórdido pode ser um pai ou uma mãe no tratamento de seus filhos.
Por isso eu pensava: nada mais me surpreende!
Mas de repente!
Folhando as páginas da Revista da Semana, da editora Abril, pude surpreender-me novamente, veja a notícia apresentada na coluna “Coisas do Brasil”:
Tráfico. Um morador do morro da Mangueira,
no Rio de Janeiro, foi preso por alugar o próprio
filho de 4 anos a um traficante de drogas.
O garoto, que levava tabletes de maconha nos
bolsos, era utilizado para driblar eventuais
abordagens policiais, (…).
O pai recebia do traficante R$ 50 por “viagem”.
(Revista da Semana, Editora Abril, Edição 30, Ano 2, 31/03/2008)
- “Alugar” o filho para traficantes?
- Cinqüenta Reis a viagem?
Imaginemos se esta criança tivesse continuado nesta atividade. Que tipo de adolescente ele seria? Será que iria concluir o ensino fundamental na idade correta e entraria numa faculdade pública e se tornaria um profissional de qualidade?
Claro que não!
Sabe aquele adolescente que invade nossa casa ou nos assalta no trânsito.
Pois é. Preciso explicar?
Para aqueles que querem a redução da maioridade penal digo: quando nossas crianças e adolescentes tiverem seus direitos fundamentais respeitados por todos: Poder Público, Sociedade, e principalmente pelos próprios pais, daí poderemos discutir tal medida.
Por Luciano Betiate
Consultor dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Para saber mais acesse: www.portaldoconselhotutelar.com.br