Cardeal lança CF 2010

Arquivado em: Comentário — discipulosemissionarios at 5:02 pm on quinta-feira, fevereiro 11, 2010

O CARDEAL DOM ODILO PEDRO SCHERER, arcebispo metropolitano de São Paulo, lança a CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2010 sobre ECONOMIA, nesta QUARTA-FEIRA DE CINZAS, dia 17 de fevereiro, às 14,00 HORAS, com COLETIVA À IMPRENSA, na Sala Monsenhor Silvio, atrás do altar mor, na CATEDRAL DA SÉ, onde presidirá a celebração da Santa Missa às 15,00 horas.

A Campanha da Fraternidade quer ajudar a construir novas relações, apontando princípios de justiça, denunciando ameaças e violações da dignidade e dos direitos, abrindo caminhos de solidariedade. A vida em fraternidade é expressão do Evangelho e testemunha a nossa condição de filhos e filhas de Deus. A fraternidade e a solidariedade suscitam uma sociedade em que todos se sintam como família, em paz, harmonia e segurança.

Este ano, a Campanha da Fraternidade Ecumênica tem como tema “ECONOMIA E VIDA” e como lema “VOCÊS NÃO PODEM SERVIR A DEUS E AO DINHEIRO”.

Nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica, as comunidades cristãs são convocadas a deixar-se interpelar pelas palavras de Jesus: “Não acumuleis para vós tesouros na terra, onde traças e os vermes arruínam tudo, onde ladrões arrombam as paredes para roubar. Mas acumulai para vós tesouros no céu.” (Mt 6,l9-20ª). “Ninguém pode servir a dois senhores: ou odiará a um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro! (Mt 6,24). Toda a vida de Jesus foi um testemunho de simplicidade no uso dos bens materiais, de solidariedade com os pobres, de distribuição gratuita dos dons de Deus.

O objetivo da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010 é estimular a todos a compreender e vivenciar os valores do Reino de Deus, a acreditar que uma nova sociedade, mais justa e solidária, é possível, e a construir um modelo econômico em que a vida esteja em primeiro lugar.

São Paulo, 11 de fevereiro de 2010

Pe. Juarez Pedro de Castro

Secretário Geral do Vicariato da Comunicação da Arquidiocese de São Paulo

E se o Haiti fosse aqui?!

Arquivado em: Comentário — discipulosemissionarios at 11:31 am on quarta-feira, fevereiro 10, 2010

  A um mês do terremoto que arrasou Porto Príncipe, capital do Haiti, ainda não se acabou de contar e de enterrar os mortos, mas a notícia da catástrofe já passou para um plano bem secundário da mídia, se é que já não saiu de uma vez das páginas dos noticiários… Os mais de 150 mil mortos, as centenas de milhares de desabrigados, as crianças órfãs, as casas destruídas, as feridas que ainda não cicatrizaram, tudo isso já vai caindo no esquecimento, porque não tem mais o sabor da novidade.

Será que povo do Haiti vai ser abandonado a si mesmo daqui a um pouco? Certamente, é preciso reconhecer que houve grandes expressões de solidariedade para a prestação de socorros imediatos, como era preciso; e ainda continua havendo uma mobilização internacional para ajudar a reconstruir aquele país; que tudo isso vá além de discursos mas será preciso esperar para ver.

A Arquidiocese de São também lançou imediatamente um apelo para doações espontâneas, através de uma conta da Cáritas, em favor das vítimas do terremoto; e a primeira resposta do povo foi generosa. Agora, porém, decidimos lançar uma coleta especial e geral em toda a nossa arquidiocese em favor das vítimas do terremoto no Haiti: será no dia 17 de fevereiro, quarta-feira de cinzas, dia que marca o início da Quaresma. A coleta deverá ser feita em todas as igrejas católicas, paroquiais ou não, mediante uma explicação para o povo sobre o sentido do gesto e a motivação para a generosidade de todos. Também colégios, escolas católicas, faculdades, comunidades religiosas, associações de fiéis, movimentos, novas comunidades e outros grupos da Igreja são convidados a fazer a coleta. O fruto dessa coleta seja imediatamente encaminhado para a conta da Caritas indicada para receber as doações, conforme já divulgado.

Nós, brasileiros temos muito a agradecer a Deus por não termos terremotos em nosso país; acontecem alguns desastres naturais, como enchentes, deslizamentos de terra nas montanhas mas, nada que se compara com a destruição e a dor causada por um terremoto; ali, de um momento a outro, a casa cai, a igreja desaba, o hospital fica totalmente danificado, a ponto de não poder socorrer nem mesmo as vítimas que estão debaixo dos próprios escombros; mortos por todo lado, sob as casas, escolas e pontes em ruínas, até mesmo pelas ruas, sem que possam ser enterrados; feridos sem atendimento por falta absoluta de meios para fazê-lo… E as multidões de sobreviventes famintos, que logo aparecem, pois a fome espera, não havendo mais alimentos disponíveis, ou onde prepará-los… E das torneiras não sai água, a luz não acende, as estruturas para assegurar a higiene desaparecem, ou não funcionam… Ruas intransitáveis por muitos dias, por não haver meios para a remoção de escombros pesados…

Imaginemos um terremoto desses em São Paulo, como não seria? Nos nossos bairros de periferia, habitações muito precárias… nada ficaria em pé! E no centro, grandes edifícios desabados por toda parte, ou comprometidos em sua estrutura e condenados à demolição…. Dá para imaginar como ficaria São Paulo? Esse conjunto de reflexões não quer ser mero exercício de fantasia de terror; quer levar à conclusão de que somos muito privilegiados por não termos que lamentar terremotos em nosso país; e por isso, temos muito a agradecer a Deus! Esta reflexão nos leve a sermos generosos na ajuda às vítimas do terremoto do Haiti, um dos países mais pobres do mundo!

Nossa coleta, acontecendo logo na abertura da Quaresma, também é uma boa ocasião para um gesto concreto de conversão a Deus, oferecendo para o bem do próximo o fruto do jejum e da abstinência da quaresma. “Misericórdia eu quero, e não vítimas e holocaustos sobre os altares” - assim recordavam os profetas a vontade de Deus ao povo. Na quarta feira de cinzas, a Igreja nos recorda o apelo de Jesus, no início da sua vida pública: “convertei-vos e crede no Evangelho”. Nossa conversão ao Evangelho se traduza no gesto concreto de socorro do próximo aflito e necessitado do Haiti.

A coleta também será um belo modo de iniciar a Campanha da Fraternidade, cujo tema é “economia e vida” e o lema, “vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. A economia, no fundo, é a gestão do trabalho, dos negócios e do dinheiro: ela deve estar a serviço das pessoas e da vida, e não do dinheiro pelo dinheiro; a idolatria pelo dinheiro pode tomar o lugar que é devido só a Deus em nossa vida. Ajudar o próximo é um ótimo jeito de empregar dinheiro! E Deus não deixará de fazer render esse investimento. Já dizia o poeta: “quem dá aos pobres empresta a Deus! Foi Jesus mesmo quem garantiu que, até mesmo um copo d’água, dado a um “pequenino de Deus” em seu nome, não ficará sem a sua recompensa.

Pensemos nisso: se o Haiti fosse aqui, quanta ajuda precisaríamos! E como seríamos agradecidos a quem nos ajudasse!

Card. Dom Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo

9.02.10

Coleta para o Haiti

Arquivado em: Comentário — discipulosemissionarios at 9:55 am on quarta-feira, fevereiro 3, 2010

Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

São Paulo, 02.02.2010

Excelentíssimos Srs. Bispos Auxiliares,

Vigários Episcopais, Vigários Gerais,

Párocos, Administradores e Vigários Paroquiais,

Diretores/as de Colégios Católicos,

Responsáveis de comunidades, grupos e organizações católicas,

da Arquidiocese de São Paulo

Estimados irmãos e irmãs,

O terremoto destruidor que atingiu o Haiti, especialmente a capital, Porto Príncipe, causou muita morte, sofrimento e destruição. Todos lamentamos a morte também de brasileiros, como Dra. Zilda Arns, que estavam a serviço do povo do Haiti e lá foram alcançados pela morte.

Logo após o terremoto, já foi lançado um apelo para doações espontâneas em dinheiro na conta da CARITAS ARQUIDIOCESANA, para o socorro às vítimas. As necessidades imediatas são muitas; pensemos também na necessidade de reconstruir igrejas, casas paroquiais, conventos, escolas, obras sociais, seminários… Pensemos em todas as necessidades da Igreja local do Haiti! Muitas pessoas e organizações já deram sua ajuda.

A Arquidiocese de São Paulo, porém, ficou de promover uma coleta “geral” para o Haiti. Por isso, de acordo com os Bispos Auxiliares, decidimos marcar a coleta para este fim para o dia 17 de fevereiro próximo, Quarta Feira de Cinzas. Peço, portanto uma generosa participação de todas as paróquias, comunidades e outras organizações da Igreja Católica.

O fruto da coleta seja encaminhado na mesma semana pelas próprias paróquias e outras organizações, que a promoverão, para o número da conta da CARITAS ARQUIDIOCESANA indicado abaixo, e com o envio posterior do comprovante de depósito para a Cúria de respectiva Região Episcopal. As paróquias que já fizeram a coleta para o Haiti, ficam livres para fazê-la de novo, ou não.

Depósitos para CARITAS ARQUIDIOCESANA DE SÃO PAULO

Banco Itaú, Agência 0057, conta corrente 17.627-3

Peço que divulguem a iniciativa, avisem o povo no domingo anterior e motivem as pessoas à generosidade no próprio dia da coleta. Quarta Feira de Cinzas é, para a Igreja, dia de jejum e abstinência. A coleta feita nesse dia assumirá o significado especial de ser, também, um gesto de penitência quaresmal: e será uma ótima forma de iniciar a Campanha da Fraternidade deste ano: a economia, os bens e o dinheiro devem estar a serviço da fraternidade e da vida: “não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24).

“Deus ama a quem dá com alegria” e também saberá recompensar a quem socorre o próximo em aflição. Com minha saudação e bênção:

Card. Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo

Muitos leigos bem preparados

Arquivado em: Comentário — discipulosemissionarios at 4:31 pm on segunda-feira, fevereiro 1, 2010

Já iniciamos trabalhos do 1° Congresso Arquidiocesano de Leigos, aberto no dia 25 de janeiro passado. Agora é tempo de conhecer a proposta, de se organizar para participar, sobretudo nas bases, nas paróquias, comunidades, associações, pastorais, movimentos, comunidades novas e outros grupos e organizações dos leigos. É bom estudar bem a Convocação do Congresso e seu Regulamento, que já estão ao alcance de todos.

É desejável que o Congresso envolva amplamente o laicato, mas também o clero e os religiosos, os teólogos, pastoralistas, professores e estudantes de teologia, suscitando em todos uma nova consciência sobre a condição eclesial do leigo, sua dignidade e sua participação na vida e na missão na Igreja, da qual ele é parte ativa e co-responsável, e não apenas “destinatário”. Como fruto do Congresso, com a graça de Deus, esperamos um despertar de muitas iniciativas novas de formação, organização e atuação missionária do laicato na Igreja e na cidade de São Paulo. De fato, para sermos uma “Igreja discípula e missionária de Jesus Cristo na cidade de São Paulo” (10º Plano de Pastoral), a participação generosa e dinâmica do laicato é indispensável.

O Congresso, sobretudo na sua etapa inicial, durante todo o primeiro semestre, será uma ocasião única para retomar a formação dos leigos; trata-se de uma iniciativa da Igreja, através da Arquidiocese de São Paulo, e seria uma pena perder essa ocasião, ou desviar suas finalidades para outras metas, que não sejam as propostas. Na formação dos leigos, é importante ir direto aos grandes textos referenciais do Magistério da Igreja sobre os leigos, como os do Concílio Vaticano II. A Lumen Gentium fala sobre a participação dos leigos na vida e missão da Igreja em vários parágrafos essenciais; a Apostolicam Actuositatem trata mais propriamente da ação apostólica dos leigos. Mas não poderia ficar de lado a extraordinária Exortação Apostólica Christifideles laici, de João Paulo II, após o Sínodo sobre os Leigos; é um texto essencial para a compreensão da vida e da missão dos leigos na Igreja. E não faltam Documentos e estudos da CNBB sobre o mesmo tema.

A Igreja na América Latina e no Caribe, através do Documento de Aparecida, convoca todos os cristãos e seus filhos a serem mais e melhor “discípulos missionários de Jesus Cristo, para que, nele, nossos povos tenham vida em abundância. Ao longo de todo o Documento de Aparecida, os leigos encontrarão material farto para a sua formação e para reavivar as motivações de sua fé, a alegria de serem cristãos e de pertencerem à Igreja Católica. De maneira toda especial, eles são chamados a serem sal da terra, fermento na massa e luz do mundo, para que a riqueza e a força transformadora do Evangelho chegue à vida das pessoas e penetre todos os espaços e expressões da organização da sociedade. O Doc. de Aparecida, citando Puebla (n. 786), de maneira bonita, diz que os leigos são “homens da Igreja no coração do mundo e homens do mundo no coração da Igreja” (DAp. 209). Convido, pois, todos os leigos a retomarem sua formação, para serem homens e mulheres da metrópole paulistana no coração de nossa Igreja, e homens e mulheres da nossa Igreja no coração desta cidade imensa!

É sumamente desejável e necessária uma nova geração de leigos, bem preparados para atuarem em todos os campos da vida social e cultural da sociedade; leigos e leigas com a consciência clara de serem discípulos de Cristo, conhecedores da fé, da moral e da doutrina social da Igreja, capazes de tomarem posição, como cidadãos católicos, sem medo de assumirem sua identidade e sua adesão à Igreja no mundo pluralista, no qual vivemos; este, não deve ser o espaço onde nós calamos nossa voz ou escondemos nosso testemunho, só porque existem vozes e testemunhos diferentes; no espaço plural e democrático, todos podem afirmar e defender suas convicções e colocá-las a serviço da convivência social. E temos a compartilhar com a sociedade coisas boas, construtivas e dignificantes! Fossem coisas ruins, deveríamos calar e envergonhar-nos delas; mas temos “Boas Novas” a compartilhar! Os católicos leigos não deveriam, simplesmente, amoldar-se ao “pensamento corrente”, mas ser capazes de oferecer sua contribuição para enriquecer o horizonte do pensamento, da cultura e das decisões que norteiam a vida social, através de sua postura coerente com o ensinamento da Igreja. Mas, para isso, é preciso conhecer e formar-se na mística da fé e da adesão a Cristo e à Igreja. É preciso, antes de tudo, ser discípulos de Cristo; só isso torna possível também sermos seus missionários no meio do mundo.

Formar bem os leigos é missão pastoral primordial da Igreja. A valente geração dos leigos preparados pela Ação Católica está se extinguindo e sentimos falta de uma nova geração de leigos corajosos e apostólicos. Leigos bem preparados, competentes nas coisas do mundo, mas vibrantes de fé e amor a Deus, com todas as suas capacidades humanas e cristãs, eles serão os grandes missionários do Evangelho no meio do mundo, em todos os âmbitos da convivência e da atuação da sociedade. Faço votos que o Congresso leve a isso. Semeamos na esperança. Os frutos virão no futuro, tenho a certeza!

Card. Odilo P. Scherer

Para O SÃO PAULO, 2.2.2010