Catequese de João Paulo segundo sobre os anjos - 2ª Parte
Continuando a reler e analisar os textos que encontrei no site do professor Felipe Aquino, do Jornal Italiano L’Osservatorio Romano, em que o Papa João Paulo II nos fala sobre os anjos. Esse texto é a continuação do texto anterior, onde o Papa vai nos falar sobre a graça da Criação dos Anjos e de como eles atuam para favorecer a Divina Providência.
(Vaticano 13/07/1986)
A referência ao “primado” de Cristo ajuda-nos a compreender que a verdade acerca da existência e da obra dos anjos (bons e maus) não constitui o conteúdo central da palavra de DEUS. Na revelação, DEUS fala antes de tudo “aos homens… e conversa com eles, para os convidar e os receber em comunhão com Ele”, como lemos na Constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II (DV 2). Assim a verdade profunda, tanto a respeito de DEUS como da salvação do homem, é o conteúdo central da revelação que “resplandece” mais plenamente na pessoa de Cristo (cf. DV 2). A verdade acerca dos anjos é em certo sentido “colateral”, mas inseparável da revelação central, que é a existência, a majestade e a glória do Criador que refulgem em toda a criação (visível e invisível) e na ação salvífica de DEUS na história do Homem. Os anjos não são, portanto, criaturas de primeiro plano na realidade da Revelação; contudo, pertence-lhe plenamente, tanto que nalguns momentos os vemos realizar tarefas fundamentais em nome de DEUS mesmo.
Tudo o que pertence à criação reentra, segundo a Revelação, no mistério da divina Providência. Afirma-o de modo exemplarmente conciso o Vaticano I que já citamos mais de uma vez: “Tudo o que DEUS criou, conserva-o e dirige-o com Sua providência, que estende seu vigor de uma extremidade à outra e governa todas as coisas com suavidade” (cf. Sb 8,1). “Todas as coisas estão a nu e a descoberto aos seus olhos” (cf. Hb 4,13) “mesmo o que se realizou por livre iniciativa das criaturas” (DS 3003). A Providência abrange, por conseguinte, também o mundo dos puros espíritos, que ainda mais plenamente do que os homens são seres racionais e livres. Na Sagrada Escritura encontramos preciosas indicações que lhes dizem respeito. Há também a revelação de um drama misterioso, embora real, que tocou estas criaturas angélicas, sem que nada escapasse à eterna Sabedoria, a qual com força (fortiter) e ao mesmo tempo com suavidade (suaviter) tudo leva a cumprimento no reino do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Reconheçamos antes de tudo que a Providência, como amorosa Sabedoria de DEUS, se manifestou precisamente no criar seres puramente espirituais, para que melhor se exprimisse a semelhança de DEUS neles que superam de multo tudo o que foi criado no mundo visível, juntamente com o homem, também ele incancelável imagem de Deus. Deus, que é Espírito absolutamente perfeito, reflete-se sobretudo nos seres espirituais que por natureza, isto é, devido a sua espiritualidade, Lhe estão muito mais próximos do que as criaturas materiais, e que constituem quase o “ambiente” mais próximo ao Criador. A Sagrada Escritura oferece um testemunho bastante explícito desta máxima proximidade a DEUS, dos anjos, dos quais fala, com linguagem figurada, como o “trono” de DEUS, das suas “legiões” do seu “céu”. Ela inspirou a poesia e a arte dos séculos cristãos que nos apresentam os anjos, com a “corte de Deus”.
Ouça “Falando dos Anjos 2” (e outros). Clicando aqui.

No site do
As nossas catequeses sobre DEUS, criador do mundo, não podem terminar sem dedicar adequada atenção a um precioso conteúdo da Revelação divina: a criação dos seres puramente espirituais, que a Sagrada Escritura chama “anjos”. Esta criação aparece claramente nos símbolos da fé, de modo particular no símbolo niceno´constantinopolitano: “Creio em um só DEUS, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas (isto é, entes ou seres) visíveis e invisíveis”. Sabemos que o homem goza, no interior da criação, de uma posição singular: graças ao seu corpo, pertence ao mundo visível, enquanto pela alma espiritual, que vivifica o corpo, se encontra quase no confim entre a criação visível e a invisível. A esta última, segundo o Credo que a Igreja professa a luz da Revelação, pertencem outros seres, puramente espirituais, portanto não próprios do mundo visível, embora estejam presentes e operem neles. Estes constituem um mundo específico.
Hoje a Igreja celebra Santo Agostinho de Hipona. Eu sempre achei esse santo muito interessante. Todos os Padres, seminaristas, pregadores, enfim, gente conhecedora da palavra de Deus constumam citar uma frase aqui ou acolá deste grande homem de Deus. Na medida em que fui me aprofundando nas coisas de Deus, fui conhecendo um pouco mais dos seus escritos. Este ano, peguei emprestado o Confissões e pretendo ler tão logo termine o livro do 
Pax Domini! Estou de volta depois de quatro belíssimos dias de retiro. É que nos estatutos da Canção Nova, todo ano o consagrado tem direito a um retiro dirigido. E neste último final de semana foi a minha vez. Foi tudo muito simples, mais muito profundo. E agora estou de volta, renovado espiritualmente falando e muito feliz também.