A Igreja Católica e os Patriarcados

 

E já que estamos falando da raiz da Igreja, sinto que agora preciso falar para você das diferenças entre a Igreja Católica Apostólica Romana e as Igrejas Ortodoxas. É importante falar sobre isso agora, porque o Cisma entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente é a grande ferida entre os Católicos. Eu tive uma experiência marcante com a Igreja Ortodoxa e hoje sou mais um dos tantos católicos que reza pela plena comunhão entre essas duas Igrejas. Graças a Deus não sou o único.

A Igreja de Cristo recebe seu oxigênio de dois pulmões: oriental e ocidental. Duas tradições, dois modos complementares de viver o único evangelho.
(Papa João Paulo II – Séc XX)

Embora haja divergências entre católicos e ortodoxos, é preciso que se diga que ambas possuem a mesma raiz. Ambas são católicas. Ambas tem a Eucarista. Ambas tem sacramentos. Ambas veneram a Santíssima Mãe de Deus, Maria Santíssima. E os ortodoxos até antes de 1054, eram católicos, como eu e como você.

Nesse tempo, a Igreja era dividida em Patriarcados. Isso porque os Apóstolos sairam evangelizando outras terras. Do mesmo jeito que São Pedro e São Paulo foram para Roma, outros apóstolos foram para outros lugares: Grécia, Constantinopla, Antioquia, além de Jerusalém. Nesses lugares, do mesmo jeito que São Pedro deixou sucessores, os demais apóstolos também deixaram seus sucessores. Com o tempo, foram estabelecidos os grandes patricarcados. Nesse período, o Patriarcado Romano tinha, como era de ser, a primazia sobre os demais Patriarcados. Mas dai um dia tudo isso mudou.

A história do Cisma começou quando Miguel Cerulário se tornou patriarca de Constantinopla, no ano de 1043. Ele deu início a uma campanha contra as Igrejas latinas na cidade de Constantinopla. Essa foi uma atitude não muito feliz da parte deste Patriarca. Além disso, Cerulário começou a se envolver em uma discussão teologica sobre o Espírito Santo (Ele afirmava que o Espírito Santo procedia apenas do Pai, enquanto os teólogos latinos afirmavam que o Espírito Santo procedia do Pai e do Filho).

Para resolver essa questão, Roma enviou o Cardeal Humberto a Constantinopla em 1054 para tentar resolver este problema. No entanto, o diálogo foi ineficaz. O Cardeal Humberto no fervor da discussão, acabou excomungando o patriarca Cerulário. Esse ato foi entendido como um ato de excomunhão para toda a Igreja Bizantina.

Por isso as Igrejas Orientais da época (que eram os demais patriarcados), convocaram um sínodo, e nesse sínodo, a Igreja Bizantina acabou excomungando o Papa Leão IX. Ou seja, houve ai, uma excomunhão pelas duas partes.

Houveram várias tentativas de reunificação. Nos Concílios Ecumênicos de Lyon (1274) e Florença (1439) foi tentada uma reconciliação, mas as reuniões mostraram-se efêmeras. As mútuas excomunhões só foram “levantadas” em Dezembro de 1965, pelo Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I, por forma a aproximar as duas Igrejas, afastadas havia séculos.

 

Abraço histórico entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I

Aliás, essa história de Atenágoras e Paulo VI, merecia um filme, um livro e todas as homenagens que se pudessem prestar a dois homens. Uma história de perdão, amizade, respeito e amor a Igreja de Cristo. As excomunhões, entretanto, foram retiradas pelas duas Igrejas em 1966. Somente recentemente o diálogo entre elas foi efetivamente retomado, a fim de sanar o cisma.

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A Transmissão Oral e a Sagrada Tradição

 

Outro aspecto importante que devemos salientar é que no Evangelho de São João ele narra que Jesus fez muitas outras coisas que não constam nesses escritos e que seria impossível escrever tudo.

Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever.
(Jo 21,25)

Deus quis usar de duas formas de transmissão da sua palavra, que até hoje caminham juntas: A escrita e a oral.

A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus, que fora redigida sob a moção do Espírito. Precisamos ter consciência que naquele tempo, diversos livros e escritos narravam coisas do povo de Deus (Antigo Testamento) e do próprio Cristo e dos seus Apóstolos (Novo Testamento). Coube a Igreja discernir quais desses livros foram de fato escritos sob a moção do Espírito. Assim surgiu a Bíblia.

A Sagrada Tradição Apostólica é tudo aquilo que nos foi transmitido desde o início pelos Apóstolos e seus Sucessores. Como vimos acima, nem tudo que Jesus e os primeiros apóstolos fizeram constam na Bíblia, mas muitas coisas nos foram passadas pela Tradição. Essas coisas são dignas de fé. Os primeiros cristãos não tinham um Novo Testamento. Mas eram assistidos pelo Espírito Santo e essas experiências também eram passadas para o povo.

A Igreja Católica é guiada pela Sagrada Escritura e pela Sagrada Tradição Apostólica, devidamente discernida pelo Magistério da Igreja. Não somos sacis. Não caminhamos com um pé só.

Existem irmãos que baseiam sua fé unicamente na palavra de Deus. Esquecem-se da Tradição. Renunciam o Magistério. Apostam sua fé unicamente na Palavra, que segundo eles, Deus dará o total entendimento como se fosse um passe de mágica. Isso é um erro. Não existe nenhum versículo na própria bíblia dizendo que os cristãos deveriam basear sua fé unicamente na palavra. Ao contrário disso, vemos que ainda no início, o Cristo falava da sua Igreja. 

 

Porém ai surge uma outra questão: Os apóstolos não iriam durar para sempre. Não seriam imortais. Então, quando eles morressem, a quem deveriam confiar a missão que o próprio Jesus os confiara? Quem seria responsável, depois da morte dos primeiros apóstolos por manter intacta a Fé Católica que é baseada na Escritura e na Tradição?

“Para que o Evangelho sempre se conservasse inalterado e vivo na Igreja, os apóstolos deixaram como sucessores os bispos, a eles ‘transmitindo seu próprio encargo de Magistério.” Com efeito, “a pregação apostólica, que é expressa de modo especial nos livros inspirados, devia conservar-se por uma sucessão contínua até a consumação dos tempos”.
(CIC§77)

Por isso caríssimos precisamos sim de uma religião, mas não de qualquer religião. Precisamos do caminho que o próprio Cristo nos deu: A Religião Católica. A Igreja é o caminho seguro para a salvação dos povos. Se você andou afastado da Igreja por algum motivo, retorne.

Ela é caminho seguro.

Pax Domini

Igreja Católica Apostólica Romana: Designio de Deus para os homens

 

A Igreja não é uma invenção humana. A Igreja é designio Divino. Deus pensou e quis a Igreja. E pensou em cada detalhe, cada pormenor. Deixou a Igreja para dar continuidade ao seu plano de Salvação. A Igreja é um abrigo seguro onde os que seguem Jesus podem estar diante dos turbilhões do mundo.

A Igreja é o navio que navega bem neste mundo, ao sopro do Espírito Santo com as velas da Cruz do Senhor plenamente afastadas.
(Santo Ambrósio – Séc IV)

Pode alguém não desejar estar dentro de um confortável avião, quando está caindo em queda livre há 20.000 pés de altura sem nenhum paraquedas? Pode alguém desprezar um barco, estando jogado em alto mar durante dias, meses ou ano? Claro que não! A Igreja é esse avião e essa barca. A Igreja é o transporte, se podemos assim dizer, que nos leva a Cristo. O próprio Jesus quis assim.

Essa “Igreja” começou inicialmente transmitindo a Boa Nova de forma oral. Os Apóstolos anunciavam nas praças, ou até mesmo a pessoas distintas, a Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo. Falavam daquilo que tinham visto e ouvido. Falavam dos ensinamentos do Mestre. Sobre eles vinha o Espírito Santo e os inspirava a pregar. Portanto a primeira forma de anunciar a Boa Nova de Cristo foi a forma Oral.

Observe que a história do povo de Deus para com Ele, tem séculos e séculos de história. E ao longo dessa história, muitas pessoas, adoradoras do Deus Vivo, nasceram e morreram sem conhecer propriamente a Bíblia. Para você ter uma noção, a Carta Pascal de Santo Atanásio datada do ano 367 d.C. fala dos 27 livros do Novo Testamento. Essa é a informação mais antiga que encontrei sobre o formato oficial do Novo Testamento. Agora pense: Até então, veja quantos cristãos passaram pelo mundo sem conhecer a palavra de Deus? Mas essas pessoas mesmo sem terem lido a palavra, ouviram os ensinamentos de forma oral, e assim abraçaram a fé e viveram dessa forma, a verdade do Evangelho.

É preciso entender também, que a ordem de Jesus Cristo era:

Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
(Mt 28,19)

A ordem de Jesus Cristo nunca foi para que se escrevesse os ensinamentos de Cristo. Isso acabou sendo uma consequência, fruto da inspiração do Espírito Santo. É preciso que entendamos isso para que possamos entender do porque que a nossa fé não se baseia unicamente na palavra. Quando formos estudar a Bíblia, entraremos em detalhes.

O fato é que depois com o tempo, esses mesmos Apóstolos, e (ou) alguns dos que os acompanhavam (como é o caso de São Lucas que não era um dos doze), inspirados pelo espírito Santo, resolveram escrever, colocar por escrito, alguns dos fatos que haviam vivido com o Mestre, ou no seu Apostolado. Esses escritos, seguiram o estilo do Antigo Testamento, ou seja, não eram livros e nem cartas com descrições detalhadas, estatísticas ou jornalísticas. Esses escritos eram e são escritos de fé. É claro que desses textos, podemos extrair detalhes históricos. Mas não é esse o objetivo dos evangelhos ou das cartas. O objetivo é outro: Anunciar o Cristo, a verdade definitiva.

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Leia Também: Como Deus revelou sua vontade aos homens? Como ela chegou até nós?

Como Deus revelou sua vontade aos homens? Como ela chegou até nós?

Filed under: 001.007 - Ecclesia Mater et Magister, 001.004 Fundamentos da Fé Católica, 003. Catecismo, 002. Em defesa da Fé — caducn at 12:34 pm on Wednesday, September 24, 2008

 

Recordando - Nos estudos anteriores vimos que o que diferencia as Religiões Judaico Cristãs das demais é o fato de Deus ter revelado o verdadeiro caminho ao homem. Vimos que Jesus Cristo, o Messias anunciado e prometido veio ao mundo para anunciar a verdade definitiva. Isso separou os judeus dos cristãos. Vimos também que Deus foi revelando aos poucos vontade. Falou a Noé, a Moisés, aos profetas… E enviou seu Filho ao mundo para anunciar a verdade definitiva. 

Agora antes de estudarmos propriamente a Igreja Católica em si, vale a pena entender que a Revelação dada por Deus aos homens, é para todos os homens e não para alguns dos homens. O próprio Deus quis que essa revelação fosse anunciada. É comum ouvirmos pessoas acusando a Igreja de querer esconder a verdade. Mas se tem alguém que deseja a verdade é a própria Igreja Católica. Ela tem buscado a verdade, pois Jesus é o Caminho, a verdade e a Vida.

Porém a Igreja é séria na busca da verdade. Ela não é, e nunca será leviana. Ser sério na busca da verdade exige prudência, estudo, paciência e análise de todos os lados. As pessoas exigem respostas fáceis para problemas difíceis. É como se para curar um câncer fosse necessário apenas tomar um comprimido. A verdade exige seriedade. Nunca se esqueça disso. A Igreja não é insana como tantas outras “ditas igrejas” que saem por ai dando respostas insensatas como verdades absolutas. A Igreja é comprometida com a verdade. Pode levar tempo para se pronunciar, mas quando o faz, traz consigo a certeza que mergulhou a fundo no problema para achar uma solução.

Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem que se entregou como resgate por todos.
(1 Tm 2, 3-6a)

O grande desejo de Deus é conheçamos a verdade, pois a verdade tem nome, Jesus Cristo, e a verdade liberta. Como diz Santo Agostinho, onde está a verdade, está Deus. Uma vez que toda a verdade já fora revelada por Jesus Cristo, Ele precisava confiar essa verdade a alguém, para que ela fosse transmitida para os povos. E Jesus, sendo Filho de Deus e portanto Deus, confiou essa missão a seus discípulos. E desses Cristo fez Apóstolos. A eles confiou-lhes a missão de de propagar a boa nova do Evangelho a todas as criaturas e todos os povos, raças e nações. Confiou-lhes também a missão de levar aos irmãos na fé, seu Santísimo Corpo e seu Santíssimo Sangue. Nascia então a Igreja: A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Bispos – São os sucessores dos Apóstolos. A eles é confiada a Missão que o próprio Cristo confiara aos seus discípulos/apóstolos. É missão do Bispo, cuidar para que o Evangelho chegue aos fiéis de forma inalterada.

“Só a Igreja Católica é que conserva o verdadeiro culto. Esta é a fonte da Verdade, o domicílio da fé, o Templo de Deus”.
(Lactânio – Séc IV)

As diferenças entre judaísmo e cristianismo - Parte 1

Filed under: 001.004 Fundamentos da Fé Católica, 001.003 Todas as religiões levam ao céu?, 002. Em defesa da Fé — caducn at 9:39 am on Tuesday, September 23, 2008

 

Não se se você observou, mas muitas das vezes que falei da fé em Deus, usei o termo “Fé Judaico-Cristã”. Isso por que o Antigo Testamento diz, tanto da fé judaica, como da Fé cristã. Porém a vinda de Cristo separa essas duas grandes religiões. A religião Cristã, crê que o Messias esperado no Antigo Testamento já veio e é Jesus de Nazaré. Já os judeus ainda aguardam o Messias. Tem Jesus como um Rabi, um profeta, um homem sábio. Mas não como o Filho de Deus que se fez homem.

“Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o Anticristo, que nega o Pai e o Filho. Todo aquele que nega o Filho não tem o Pai. Todo aquele que proclama o Filho tem também o Pai.”
(1 Jo 2,22-23)

Essa é a grande diferença entre o Judaísmo e o Cristianismo: Jesus Cristo. Porém devemos sempre ter em mente que nós católicos e os judeus, partem da mesma raiz. Jesus era um judeu. Nasceu judeu. Veio para os judeus. Mas os judeus não o acolheram. Eu sinceramente falando, não sei que consequências esse “não acolher” trará aos judeus. Porém a Igreja nos ensina que o Nosso Deus é misericordioso e bom. Penso que um dia, também os judeus, haverão de reconhecer o Cristo como Filho de Deus. Certa vez através do meu irmão Matteo Calisi, tive conhecimento dos chamados judeus messiânicos. Esses são judeus, mas que acreditam que Jesus é o Messias. Não tenho conhecimento total da sua fé, mas creio firmemente que esse é um passo importante. Segundo Matteo, eles crescem a olhos vistos…

Pax Domini

Como se deu a revelação de Deus aos homens?

Filed under: 001.004 Fundamentos da Fé Católica, 003. Catecismo, 002. Em defesa da Fé — caducn at 8:30 pm on Sunday, September 21, 2008

 

A Tábuas da Lei: Quadro de Rembrand

Nos últimos textos em que tratamos das religiões, vimos que as diversas religiões são caminhos que o homem criou para se aproximar de Deus, enquanto que a crença judaico-cristã, se baseia no fato de que Deus se revelou aos homens. Agora surge ai mais uma pergunta: Como se deu essa revelação?

Essa revelação de Deus para o homem, levou centenas de anos. Séculos. Não foi de uma hora para outra. Deus foi e tem sido paciente com o homem. Ele nos criou. Ele sabe como somos. Sabe que se Ele se revelasse por inteiro nós não aguentaríamos. Somos limitados. Somos humanos. Foi se revelando e revelando as suas verdades com extrema delicadeza.

Depois do pecado, o homem precisou reacosturmar-se com a presença de Deus. Repito aqui a frase do grande Santo Irineu de Lyon – Santo do primeiro século.

“O Verbo de Deus habitou no homem e fez-se Filho do homem para acostumar o homem a apreender a Deus e acostumar Deus a habitar no homem, segundo o beneplácito do Pai ”
(Santo Irineu de Lyon – Séc I)

A Arca de Noé: A primeira reveleção divina

Deus primeiramente quis que o homem se acostumasse com Ele. Falou a Noé. E Noé falou ao povo. Veio a arca. Veio a primeira aliança, que é simbolizada pelo Arco Íris.

 

A Vocação de Abraão

Falou com Abrão (que depois viria a se chamar Abraão). Assim Deus formou um povo. Precisou retirar aquele povo da terra a qual estava acostumado. Quis um novo para esse povo. Abrão saiu de Ur, para viver um novo. Deus amou profundamente esse povo desde todo sempre. Deus abençoou esse povo. Deus falou a esse povo. Quando foi preciso, Deus corrigiu esse povo. Permitiu que eles experimentassem a escravidão para que percebessem no dia a dia o que o pecado faz com nossas almas. Mas Deus nunca abandonou esse povo. Perdoou os seus pecados, suas blasfêmias. Libertou esse povo das garras dos seus inimigos. Permitiu que esse povo saísse da escravidão. Deu-lhes uma terra, a terra prometida. Falou com Moisés. Falou com os profetas. Deus trouxe-lhes regras, leis, ensinamentos. Mostrou como aquele povo deveria viver. Isso levou tempo. Porém Deus ainda queria mais.

Com o tempo, Deus quis revelar seu Filho.

Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
(Jo 3,16)

Para mim esse é o mais belo dos versículos da Bíblia. Cristo, Filho de Deus e portanto Deus, se fez homem, para nos revelar toda a verdade. No momento em que Deus achou apropriado, Ele nos revelou a segunda pessoa da Santíssima Trindade. E mais do que revelar, deu-nos seu Filho, para que ele pudesse nos redimir de todo o pecado. Esse Filho já fora anunciado pelos profetas. E agora se fez real. Jesus é a verdadeira e mais forte expressão do amor de Deus por nós. A Revelação de Cristo ao mundo, foi o acontecimento mais importante da história. Hoje Jesus Cristo é (e sempre será), o nome mais falado e mais respeitado da história. Jesus Cristo é (e sempre será) o maior líder da história da humanidade. Mas isso não é a toa. Isso acontece, porque Jesus Cristo, é de fato o do Deus Vivo.

Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas.
(Hb 1,1-2)

 Inaugura-se ai uma nova etapa da revelação Divina. Agora o próprio Cristo que se fez homem, passou a nos ensinar toda a verdade. Deus quis que o próprio Filho nos ensinasse as coisas do céu. E Ele nos ensinou sim. Sobre isso São João da Cruz ensina:

Porque em dar-nos, como nos deu, seu Filho, que é sua Palavra única (e outra não há), tudo nos falou de uma só vez nessa única Palavra, e nada mais tem a falar, (…) pois o que antes falava por partes aos profetas agora nos revelou inteiramente, dando-nos o Tudo que é seu Filho. Se atualmente, portanto, alguém quisesse interrogar a Deus, pedindo-lhe alguma visão ou revelação, não só cairia numa insensatez, mas ofenderia muito a Deus por não dirigir os olhares unicamente para Cristo sem querer outra coisa ou novidade alguma.
(São João da Cruz – Séc XVI)

A Igreja nos ensina, que aquilo que Deus ainda não havia revelado ao homem, foi revelado em Cristo Jesus. Esse Cristo nos revelou toda a verdade. E como diz o meu Pai Fundador, tudo é tudo! Não existe mais nada a ser revelado. Hoje existe um movimento de relativizar a verdade. Como se pudesse existir diversas verdades. Mas isso não existe. A verdade é uma só e tem nome: Jesus Cristo.

“A Economia cristã, portanto, como aliança nova e definitiva, jamais passará, e já não há que esperar nenhuma nova revelação pública antes da gloriosa manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
(Dei Verbum)

Por isso para nós cristãos cremos e professamos que Jesus Cristo, a palavra definitiva do Pai trouxe-nos a verdade e estabeleceu a sua aliança para sempre. Sabe irmãos, a Igreja se preocupa muito com essa história de revelações inclusive dentro da própria Igreja. Qualquer revelação que contradiga as escrituras não ensina a verdade. Lembre-se sempre disso: Toda a verdade foi revelada em Jesus.

Leia também:
Precisamos de uma religião? | O que é religião? | Por causa do pecado, perdemos nossa ligação com Deus | Como Saciar a sede do Eterno? | A religião é algo ruim por si mesmo? | Escolher um caminho diferente é pecado?

Escolher um caminho diferente é um pecado?

 

Recordando - Nos textos anteriores, vimos que o homem tinha uma ligação com Deus, que se perdera com o pecado. Falei também sobre o vazio que muitos sentem, e tentam saciar com coisas… Não conseguem. Vimos também que muitos homens tentaram de alguma forma estabelecer essa ligação para com Deus. Surgiram ali diversas religiões e formas de culto. No último texto, vimos que a diferença entre a Religião Judaico-Cristã e as demais é a seguinte: As outras religiões são tentativas humanas de chegr a |Deus, enquanto o judaismo e o cristianismo crêem que Deus veio ao homem para revelar um caminho. E agora surge uma outra pergunta: Escolher um caminho diferente é um pecado?

Essa resposta já não é tão simples. Isso depende de uma série de fatores. Voltemos ao exemplo anterior, dado no último texto: Você precisa chegar a casa de alguém e você nunca foi a essa casa. Bom, no exemplo citado existem duas possibilidades.

Opção 1 - Você nunca ter conhecido o caminho certo, não ter indicações do mesmo e ter que chegar lá;

Opção 2 - Você saber o caminho, ou ter alguém que indique o caminho certo e deliberadamente optar por outro caminho

 

Se você não conhece o caminho certo, mesmo que dê algumas cabeçadas, isso não se constitui propriamente um erro, pois você não sabia o caminho correto e é até natural você ir pelo errado. Enquanto não houver quem te ensine o caminho correto você vai continuar errando, mas sem culpa. Porém se você sabia qual era o verdadeiro caminho e resolveu ir por outro, você precisa assumir a sua escolha e as consequências de sua escolha.

Se você nasceu em um ambiente não católico, ou em um país não católico e nunca ouviu a palavra de Deus, você não é culpado escolher uma outra religião. Não há pecado na sua escolha até porque você não sabia da verdade. Isso não quer dizer que ao descobrir a verdade, você possa permanecer longe do erro. Ai você terá que fazer uma outra opção. Tem muita gente hoje, não só no Brasil mas no mundo todo revendo sua fé, depois de estudar com coerência a Fé Católica. Isso é uma decisão que você terá que tomar. A isso chamamos conversão. Porém se você recebeu na sua casa a doutrina católica e abriu mão disso, ai pode acontecer o pecado. Por que foi uma escolha sua. Uma decisão sua. Tudo bem que existem casos onde a pessoa nasceu católica e a sua formação católica não foi bem feita. Infelizmente hoje isso é uma realidade. Infelizmente nossas catequeses e formações tem dado espaço a outros temas. Deixamos de falar de Deus e da Doutrina da Santa Igreja e passamos a falar de outros assuntos. Não sei até que ponto você que viveu essa realidade, é culpado ou inocente. Mas mesmo assim, existem livros, textos, documentos… Retome! Leia… E volte!

 

“O Verbo de Deus habitou no homem e fez-se Filho do homem para acostumar o homem a apreender a Deus e acostumar Deus a habitar no homem, segundo o beneplácito do Pai ”
(Santo Irineu de Lyon – séc I)

Rejeitar por livre iniciativa a ação de Deus de revelar-se, é rejeitar o amor do próprio Deus por você. É como alguém que pega algo muito especial e dá de presente a outro, e este outro o rejeita. Deus ama tanto o homem, que quer o homem perto Dele tal qual era antes. Por isso Ele se revelou.

A religião que seguimos (mais adiante falaremos específicamente da Religião Católica) é uma expressão de Amor de Deus por nós. Cristo é a cabeça e a Igreja é o corpo.  Se você deseja amar a Deus e ser amado por Ele, precisa trazer a Igreja para si como um presente: Um presente de amor de Deus para você. Eu acolho e professo como a minha religião, a Igreja Católica Apostólica Romana. Acredito que Deus revelou essa verdade a humanidade.

Creio no sol,
Mesmo quando ele não brilha,
Creio no amor,
Mesmo quando não o sinto,
Creio em Deus,
Mesmo quando Ele se cala…
(Escrito encontrado em refúgio de cristãos)

Leia também:
Precisamos de uma religião? | O que é religião? | Por causa do pecado, perdemos nossa ligação com Deus | Como Saciar a sede do Eterno? | A religião é algo ruim por si mesmo?

Então… a religião é algo ruim por si mesmo?

Recordando - Nos textos anteriores, vimos que o homem tinha uma ligação com Deus, que se perdera com o pecado. Falei também sobre o vazio que muitos sentem, e tentam saciar com coisas… Não conseguem. Vimos também que muitos homens tentaram de alguma forma estabelecer essa ligação para com Deus. Surgiram ali diversas religiões e formas de culto. Então ficou a pergunta para ser respondida: Então a religião é algo ruim?

A resposta é simples, basica e seca. Não. A religião não é ruim. Muito pelo contrário, ela é importante, portanto boa. Porém se olharmos para a religião como uma tentativa dos homens de chegar a Deus, podemos chegar a uma conclusão errada. Podemos pensar que as religiões são todas iguais, ou como tentativas do homem para alcançar a Deus, são todas inválidas ou insuficientes. Corremos esse risco.

Porém quero que você analise o desenho que apresento logo abaixo:

Na minha opinião (e talvez na opinião de muitas outras pessoas), todas as religiões não judaico-cristãs são tentativas humanas para alcançar a Deus. Apenas tentativas. Tais religiões são caminhos encontrados por homens para chegar a Deus. Mas esses caminhos tem o aval humano apenas, ou seja, em nenhum desses caminhos, vimos, ou ouvimos Deus dizer que esses tais caminhos são válidos. Não estou julgando o mérito de cada uma. E sinceramente falando, acredito que cada pessoa que criou uma religião (estou me referindo a religiões não judaico-cristãs) não o fez pensando em fazer algo mau. As iniciativas em si eram boas. Alguém que queria “religar-se” com Deus, achou que havia descoberto algo que achava ser um caminho, e passou a ensinar esse tal “Caminho” a outros.

Porém as religiões judaico-cristãs tem um outro gráfico. Um outro desenho. Mas por que?

Pelo fato de que o cristianismo, ou melhor, a crença judaico-cristã, acreditar que o próprio Deus se voltou ao homem e ensinou a verdadeira forma de retomar essa intimidade com Deus.

Certa vez, Deus se revelou a Noé. Falou-lhe e mandou que construisse uma Arca. Esse foi o primeiro contato de Deus para com a humanidade. É certo que esse trecho bíblico também é tido por alguns dos estudiosos como um conto, uma parábola. Porém depois disso, Deus falou a Abrão. E ai a fé judaico-cristã já fala de algo real. Esse foi o ponto de partida para a criação de um novo povo: O povo hebreu.

O Senhor disse a Abrão: “Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar. Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem; todas as famílias da terra serão benditas em ti.” Abrão partiu como o Senhor lhe tinha dito, e Lot foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos, quando partiu de Harã.
(Gn 12, 1-4)

Diz o catecismo:

“Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e tomar conhecido o mistério de sua vontade, pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tomam participantes da natureza divina”.
(CIC§51)

Essa é a grande diferença da fé judaico-cristã. Não foram homens que criaram um caminho para Deus. Mas foi Deus que veio e revelou o caminho aos homens. Enquanto nas outras religiões, os homens diziam achar um caminho, Deus veio ao homem e disse: É por aqui meu filho! Venha…

Se por sua vez, as outras religiões geram caminhos no mínimo duvidosos, a fé judaico-cristã se mostra no mínimo uma fé digna de credibilidade não pelo mérito dos seus membros. Foi o próprio Deus que se revelou e revelou um caminho. Agora pense comigo: Suponhamos que você precise chegar a casa de alguém a qual você nunca foi, ou já foi a há muito tempo atrás e não sabe mais o caminho. Qual caminho você vai tomar? O caminho que essa pessoa te indicou ou o caminho que você acredita ser mais perto? Qual o mais seguro? A indicação de quem sabe o caminho, ou o caminho que você inventou da sua prórpia cabeça?

 Talvez você resolva inventar um caminho e dê voltas e voltas até perceber que só vai chegar a casa daquela pessoa se tomar o caminho que ela escolheu e ensinou. Talvez existam pessoas que por causa do caminho errado que escolheram, nunca mais consigam nem ver a indicação do caminho correto.

Assim somos nós. A religião que seguimos é o caminho que escolhemos para chegar ao Pai. Porém de todos os caminhos que existem, apenas um foi dado pelo próprio Deus. Cabe a você escolher.

Quanto mais um ser se afasta de Deus, mais ele se aproxima do nada. Mas quanto mais ele se aproxima de Deus, tanto mais se distancia do nada…
(São Tomás de Aquino – Séc XIII)

Continua….

Cadu - Comunidade Canção Nova

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Precisamos de uma religião? | O que é religião? | Por causa do pecado, perdemos nossa ligação com Deus | Como Saciar a sede do Eterno?

Como saciar a sede do Eterno?

 

Recordando - Nos textos anteriores, vimos que o homem tinha uma ligação com Deus, que se perdera com o pecado. Falei também sobre o vazio que muitos sentem, e tentam saciar com coisas… Não conseguem.

Mas hoje, que falar que existe ainda outros homens que tem essa sede, e buscam saciar essa sede do eterno. Tentaram e tentam até hoje reestabelecer essa intimidade com Deus, criando fórmulas, ritos, cultos, sacrifícios… Para isso basta olhar a história da humanidade. Ao longo do tempo, o homem sendo religioso, ou seja, tendo em si o desejo do eterno, via nas criaçoes e criaturas retratos do criador. Como nasce o fogo? De onde vem a luz? Depois da vida, o que acontece? O homem sempre fez e sempre vai fazer perguntas assim. Porém o grande problema, não são as perguntas. São as respostas…

 

Imagem de um africano, reverenciado seu deus tribal. Talvez na sua aldeia, durante séculos seus ancestrais fizeram a mesma coisa… 

Como o homem não encontrava respostas, passou a inventar respostas. Começou a dizer que aquilo que era criado, era um Deus. Por exemplo, muitas civilizações adoravam o Deus Sol. Sabiam da importância e da força do sol. Mas não sabiam o que era o sol. Passaram a adorá-lo como Deus. Outros viam animais como por exemplo a vaca, o lobo, o tigre… Queria reverenciar tais criaturas. Tinham a noção de que existia alguem maior. Ele via o sol ou o fogo, e se perguntava quem criou aquilo. Via a lua, as estrelas e se perguntava qual a origem de tudo… de onde vinha aquele poder. Percebia, ainda que sem a clareza total dos fatos que havia um ser maior que ele. Ninguém ensinou issoa eles. Isso era instintivo. Assim como comer ou beber…

Elementos da religião asteca na América do Sul. Quem ensinou aos Astecas a importância da religião?

Alguns inocentemente, vamos dizer assim, inventar deuses. A dar características humanas, e sentimentos humanos aos deuses. Outros se fizeram deuses. Outros ainda mantiveram a adoração ao sol, a lua, as estrelas, os animais… Criaram crenças e comportamentos religiosos como orações, cultos, sacrifícios, etc… Isso você pode ver numa tribo africana, numa tribo indígena aqui no Brasil, ou em qualquer povo primitivo. Cada crença tem um rito, um culto, uma forma de proceder…

 

Deus grego poseidon, o Senhor dos Mares. Em outro período histórico, e em outro lugar, os gregos acreditavam que alguém regia os mares…

Por exemplo, na imagem acima, vemos o deus Poseidon. Ele era tido como senhor dos mares. Por isso, todo homem que fosse enfrentar qualquer espécie de viagem marítima, precisava pedir proteção a Poseidon. Os Romanos tinham um deus parecido. Chamava-se Neptuno. Ninguem queria enfrentar sua ira. Olhando a história vemos diversos exemplos disso. E foram essas buscas pessoais que ao longo da história fizeram surgir religiões e doutrinas das mais diversas.

Parece-me salutar fazer estas recomendações aos jovens estudiosos, inteligentes e tementes a Deus, que procuram uma vida bem-aventurada: Que não se arrisquem sob o pretexto à tender uma vida feliz e que não se dediquem temerariamente a seguir doutrina alguma das que se praticam fira da Igreja de Cristo.
(Santo Agostinho – Séc IV)

Mas então a religião é algo ruim? Bom, essa pergunta eu responderei amanhã! Pax Domini!

Cadú - Comunidade Canção Nova

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Filed under: 001.008.c O pecado e a Queda do Homem, 001.004 Fundamentos da Fé Católica, 003. Catecismo, 002. Em defesa da Fé — caducn at 10:31 am on Wednesday, September 17, 2008

 

No texto anterior, falamos que Religião significa “ligar novamente o homem com Deus”. Vale a pena salientar e repetir, que esse contato, essa intimidade do homem para com Deus, se perdeu com o pecado. Isso vemos no livro do Gênesis. Nele, vemos que o homem desobedece a Deus e deseja ser igual a Deus. De criatura, deseja ser criador. Deseja ter todas as respostas, ainda que precise inventar tais respostas. Apresenta-se ai o primeiro e maior problema do homem: O pecado.

Mas o que é o pecado? Bom para tentar explicar a você o que é o pecado, vamos dar um exemplo. Vimos que o homem foi criado para estar em sintonia com Deus. Agora imagine um rádio. Quando você sintoniza uma estação de rádio você pode ouvir tudo que essa rádio diz ou toca. Você ouve o radialista, você escuta as notícias, você escuta as músicas…

 

O que ela mandar para você, enquanto você estiver “sintonizado” naquela rádio, você escutará. Assim era a relação de Deus para com o homem. Neste exemplo, podemos chamar a Deus de Dono da Rádio, e o homem de ouvinte. No início o homem era “sintonizado” 24 horas na rádio de Deus. Ouvia tudo que Deus lhe mandava. E o homem vivia feliz, sintonizado nessa rádio. Mas um dia, alguém disse aos homens que havia outras rádios. E que o homem poderia trocar de rádios quando e como quisesse. Disse que era possível até que se desligasse o aparelho, e o homem não escutasse mais rádio nenhuma. Alguém deu ao homem uma espécie de controle remoto e o homem passou a zapear outras rádios. Dai o problema passou a seguinte: O homem deixou de estar sintonizado com Deus. Com isso, o homem deixou de ser feliz.

Perceba que a intimidade foi rompida, mas o desejo de Deus, do eterno, do Divino, permaneceu em nós. A vocação a Deus permaneceu em nós. Podemos rejeitá-la, negá-la ou até ignorá-la. Mas ela está em nós. Está em mim e em você. Está no homem. Por isso muitas vezes tentamos encontrar formas de saciar isso em nós. Lembro da minha história…

É uma loucura confiar em Deus! … dizem. – E não é maior loucura confiar em si mesmo ou nos demais homens?
(São José Maria Escrivá – Séc XX)

Eu fui criado pela minha mãe e pela minha avó, tendo a obrigação de sempre ir a igreja. Fiz primeira comunhão, aos treze anos conheci a RCC, depois fiz a crisma e depois de um tempo abandonei a Igreja. Caminhei na Igreja, mas não tinha base catequética. Comecei a me deixar levar pelas idéias da faculdade. Fui deixando Deus de lado. Mas mesmo nesse período de afastamento, não posso negar, sentia um vazio de Deus. Negava esse sentimento, ignorava isso… Tentava preencher com festas, com bebedeiras, com sexo, com prazeres… Mas nada disso preenchia o vazio que só Deus pode preencher. Lembro-me de muitas vezes que ao chegar de uma noitada daquelas, deitava e pensava que quando acordasse, tudo voltaria a ser como antes. Tudo voltaria a ser vazio de novo. Muitas vezes dormi chorando.

Igual a mim, muita gente hoje traz esse sentimento de vazio. Conheci muitos jovens que chegam na segunda feira, rezando para a sexta feira chegar. Passam a semana inteira desejando a hora da festa, a hora da farra. E durante esse tempo, a fome de Deus permanece. Não estou falando de jovens inconsequentes. Falo também dos jovens “normais”. Conheço muitos jovens que trabalham, estudam, convivem bem com seus familiares, não usam drogas, mas tem em si essa mesma fome, esse mesmo desejo. O fato é que cada um tenta usar uma válvula de escape para compensar essa fome de Deus, esse desejo do Eterno.

Amanhã continuaremos falando sobre a importância de se ter ou não uma religião.

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