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Jacinta foi a encarnação plena do sentido do tempo da Quaresma

No último dia 11 de março, foi celebrado no Santuário de Fátima o Centenário do Nascimento da pequena Jacinta Marto, cujo tema principal refletiu sobre o testemunho que a mais nova dos três Pastorinhos, Jacinta Marto, respondeu aos apelos de Nossa Senhora em Fátima.

“Jacinta foi a encarnação plena do sentido do tempo da Quaresma”, este foi o tema que norteou os 100 anos do seu nascimento. Dentro do tempo da Quaresma, o Reitor do Santuário de Fátima indicou a vida de Jacinta como exemplo de se viver o verdadeiro espírito da Quaresma.

“Parece-me que a Jacinta encarnou, dentro de si, na sua vida, apesar dos poucos anos que viveu, tudo isto que foram os apelos de Deus ao seu povo. Encarnou também aquela santidade, pureza e perfeição para a qual chamava a atenção o texto do Evangelho, apartando-se de qualquer tipo de mal”. O texto falava da presença do demônio, de satanás, na vida do mundo”, afirmou durante a homilia da missa celebrada às 11:00 na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, no Santuário em Fátima.

Vemos aqui, que Jacinta compreendeu o verdadeiro sentido de uma vida santa, que passa pela conversão de todo pecado, evitando qualquer tipo de mal, seja ele o mal da concupiscência, ou seja o mal que vem do mundo ou das influências do demônio.

“A Jacinta foi também a encarnação plena deste sentido do tempo da quaresma que nós estamos a viver, pela sua prática da oração, pela penitência, pelo sacrifício, pela esmola, pela caridade, tudo orientado para o bem e para a salvação dos seus irmãos e por um grande amor a Nossa Senhora e a Deus, ao Coração Imaculado de Maria e ao Sagrado Coração de Jesus”, acrescentou o Padre Virgílio Antunes.

Há uma comunhão profunda deste momento da Quaresma proposto pela Igreja de viver nossos sacrifícios apoiado na caridade ao testemunho da Jacinta. Nenhum sacrifico sem amor tem sentido, por tanto, Jacinta torna um luz, uma referência de como devemos e podemos viver um tempo de conversão, oração e penitência.

“Todos nós recordamos, das ‘Memórias da Irmã Lúcia’, o relato da primeira aparição, em que Nossa Senhora dirigiu aos pastorinhos uma pergunta, muito séria: ‘Quereis oferecer-vos a Deus?’. Na simplicidade, aquelas crianças responderam imediatamente ‘Sim queremos’ e responderam assim porque naquela pergunta, difícil de compreender em todo o seu alcance, elas percebem que a Palavra tem a sua origem no próprio Deus, uma vez que aceitam desde o princípio que aquela Senhora brilhante como o sol, de olhos meigos, era uma mensageira de Deus”, disse ainda o Reitor que exortou os presentes na celebração a estar, como Jacinta Marto, sempre disponíveis“ para fazer tudo no sentido de entrar na comunhão de oração e de vida com os outros, uma espécie de comunhão eclesial, comunhão de todos os santos, de solidariedade, para que ninguém viesse a perder-se”.

Peçamos a Nossa Senhora que nos ensine também a oferecermos a Deus em comunhão com a sua Palavra, em comunhão com a Igreja, mas ao mesmo tempo refletidos pela luz que emana do testemunho da pequena Jacinta.

Marcelo Pereira


Pensar o sofrimento não em abstrato

Durante este ano em que se comemora o centenário da vidente Jacinta Marto, muitas iniciativas estão sendo tomadas para nos ajudar a contemplar de forma consciente a mística que se esconde por de trás da espiritualidade e do testemunho da pequena Jacinta.

Nos dias 4 a 6 de julho, irá acontecer um Congresso Nacional sobre a Jacinta Marto, sob o aspecto do sofrimento da pequena menina. Jacinta é considerada a vidente entre os três Pastorinhos que mais sofreu.

Este congresso terá como título “Jacinta Marto: Do encontro à compaixão” e pretende ser uma boa oportunidade para abordar a mensagem de Fátima a partir da espiritualidade da Jacinta e uma forma de procurar conhecer melhor a personalidade da vidente.

“Pensar o sofrimento não em abstrato”.

Há tempos que temos meditado sobre o sofrimento, pautados na espiritualidade dos Pastorinhos aqui no blog fatimahoje. Mais do que nunca este ano queremos mergulhar mais a fundo sobre este tema, já que contemplamos um grande número de pessoas vivendo aos escombros de um tempo de grande tribulação, sofrimentos e uma série de conseqüências dolorosas devido ao não saber lhe dar com o sofrimento.

Falar, meditar sobre o sofrimento, é um caminho que fazemos em direção à maturidade cristã. Não é algo abstrato ou subjetivo, mas sim essencial uma vez que o sofrimento faz parte do ciclo humano após o pecado original.

Peçamos a Maria que neste tempo de quaresma sejamos conduzidos pelo Espírito Santo de Deus ao verdadeiro sentido dos sacrifícios e dos sofrimentos que batem em nossa porta.

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

Marcelo Pereira


Contigo caminhamos na esperança - Bento XVI em Fátima

Uma visita tão significativa não nos deixará indiferentes, segundo D. Carlos Azevedo, coordenador da Comissão Organizadora da Visita na apresentação da Imagem Oficial

Quando um papa visita um país dirige-se com uma proposta humilde e sólida a todos os habitantes, sabendo de antemão que alguns estarão mais receptivos à sua mensagem e outros mais de pé atrás ou desinteressados. É natural numa sociedade pluralista. Mas há mais de meio século a figura do sucessor de Pedro tem assumido na humanidade uma dimensão nunca antes vista antes. Tornou-se uma referência ética, uma reserva moral, com fidelidade aos princípios e orientação firme nos apelos à paz e à justiça, na defesa plena de todos os direitos humanos, na atenção aos ventos da história sem perder a liberdade do anúncio da salvação, como alegria de viver no tempo e renovada compaixão para com todas as dores e sofrimentos, em qualquer lugar.

É a todos os portugueses - e aos que aqui encontraram espaço para viver, sem aqui terem nascido - , que Sua Santidade Bento XVI visita. A mensagem que deixará será de sabedoria e de missão. Tem surpreendido este Papa pelo essencial cristão das suas insistências, pela alta capacidade intelectual e clareza de pensamento, pelos desafios que lança às comunidades e seus pastores. Nós respondemos a esta voz de sabedoria: “contigo caminhamos na esperança”. Ao mesmo tempo, dirigimo-nos a quem ler o cartaz: “contigo caminhamos na esperança”. Pode a tua esperança andar por baixo, podes ter outras raízes, diferentes da nossa fé - , mas é contigo que também queremos caminhar, porque só teremos esperança quando encontrarmos caminhos verdadeiros e livres para o bem comum, a percorrer com ousadia e coragem, sem medo do futuro, porque decididos a mudar critérios e estilos de vida.

A Igreja em Portugal quer preparar com cuidado uma recepção fecunda a Bento XVI, com consequências nos próximos anos. Uma mensagem de tanta sabedoria, não nos passará ao lado. Uma visita tão significativa não nos deixará indiferentes.  Queremos encontrar força missionária para desinstalar católicos adormecidos ou parados em pietismos sem espiritualidade e que por isso não renovam a face da terra.

Muito queremos que Portugal se revista nas janelas das casas e no corpo das pessoas para acolher o Papa com alegria. Isso significará disponibilidade interior para receber a sua mensagem de esperança.

D. Carlos Azevedo
Bispo Auxiliar de Lisboa
Coordenador da Comissão Organizadora da Visita de Bento XVI a Portugal


O Pai Nosso e a Eucaristia

Santa Teresa Benedita da Cruz “Edith Stein” (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
A oração da Igreja (a partir da (trad. Source cachée, Cerf 1999, p. 60)

Meditação sobre o Evangelho de hoje.

Tudo aquilo de que precisamos para sermos recebidos na comunhão dos espíritos bem-aventurados está resumido nas sete petições do Pai Nosso, que o Senhor rezou, não em Seu nome, mas para nos servir de exemplo. Recitamo-lo antes da sagrada comunhão e, sempre que o rezamos com toda a sinceridade e de todo o coração, e que recebemos a sagrada comunhão com as disposições de uma alma reta, obtemos a realização de todos os nossos pedidos.

Esta comunhão livra-nos do mal porque nos purifica de todas as ofensas cometidas, e nos dá aquela paz do coração que suprime o aguilhão de todos os outros males. Traz-nos o perdão dos pecados cometidos e torna-nos firmes na resistência à tentação. É em si mesma o pão da vida, de que precisamos diariamente para crescer, até à nossa entrada na vida eterna. Faz da nossa vontade um instrumento dócil da vontade de Deus. E, desse modo, coloca em nós os fundamentos do Reino de Deus e purifica os nossos lábios e o nosso coração, para que possamos glorificar o santo Nome de Deus.

fonte: Evangelho Quotidiano


Jesus escondido

Depois das aparições do Anjo em 1916, os Pastorinhos, e de maneira especial Francisco Marto, parece ter adotado um “lema” que o identificou como o “Consolador de Jesus”. Desde então, o ideal de Francisco foi Consolar o Coração de Jesus, enquanto o ideal de Jacinta era converter os pecadores.
Karol Wojtyla, o nosso tão saudoso Papa João Paulo II, entre tantos títulos que lhe foi atribuído pelas inúmeras virtudes que alcançou na sua espiritualidade, destaco um título que marcou sua personalidade na sua relação com Deus, como também, na sua relação com a Igreja,  que é o “Papa Eucarístico”. Sua firmeza em preservar os valores deste sacramento e colocá-lo no centro do coração da Igreja como um banquete que alimenta e nutre a fé de todo cristão, acabou lhe atribuindo também, o título do Papa mais Eucarístico da história.

“A Igreja vive da Eucaristia”. É com estas palavras que João Paulo II começa introduzindo sua carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia em busca de uma melhor relação da Igreja com a Eucaristia, assim declara o Papa: “Depois de Pentecostes, a Igreja nasce deste mistério pascal, que é o sacramento por excelência”.

O Concilio Vaticano II afirma que, o “Sacrifício Eucarístico é fonte e centro de toda a vida cristã, onde está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é o próprio Cristo”.
Vemos aqui, uma comunhão profunda entre a Igreja e a Mensagem de Fátima. O Anjo que aparece com um Cálice nas mãos entregando o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo aos Pastorinhos na terceira aparição em 1916 está em plena comunhão com o Evangelho e com a Doutrina da Igreja, e que nos leva a uma comunhão bem mais profunda e participativa neste Mistério Eucarístico. A Igreja é como uma mãe que, todos os dias, dá a seus filhos este alimento sólido e permanente, que nutre a fé e fecunda o amor no coração de todo homem.
Vamos pedir a Nossa Senhora que nos ensine a amar Jesus escondido, de buscá-lo de forma mais especial nesta Quaresma, já que a Eucaristia nasce sempre de um sacrifício no altar, peçamos a Deus que nosso coração esteja em sintonia com a Igreja que vive e sobrevive deste mistério, e é a Eucaristia que sustenta está Igreja a dois milênios.
Salve Maria
Marcelo Pereira


Site oficial da visita do Papa em Fátima-Portugal


Bento XVI visitará os túmulos dos videntes de Fátima

O Santo Padre Bento XVI, na sua peregrinação a Fátima, pretende visitar, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, as capelas onde estão tumulados os videntes Jacinta Marto e Lúcia de Jesus (capela do lado poente) e Francisco Marto (capela lado nascente).

A visita decorrerá após as celebrações de 13 de Maio, que o próprio Papa presidirá.
Terão nesse dia passado dez anos da beatificação dos videntes Francisco e Jacinta, pelo Papa João Paulo II, em celebração realizada em Fátima.

“«Eu Te bendigo, ó Pai, porque revelaste estas verdades aos pequeninos». O louvor de Jesus toma hoje a forma solene da beatificação dos pastorinhos Francisco e Jacinta. A Igreja quer, com este rito, colocar sobre o candelabro estas duas candeias que Deus acendeu para alumiar a humanidade nas suas horas sombrias e inquietas. Brilhem elas sobre o caminho desta multidão imensa de peregrinos e quantos mais nos acompanham pela rádio e televisão. Sejam uma luz amiga a iluminar Portugal inteiro e, de modo especial, esta diocese de Leiria-Fátima”, afirmou João Paulo II na homilia desse dia 13 de Maio de 2000.

Concretamente sobre as aparições em Fátima, o falecido Papa, que visitou este Santuário por três vezes (1982, 1991 e em 2000) disse:

“Na sua solicitude materna, a Santíssima Virgem veio aqui, a Fátima, pedir aos homens para «não ofenderem mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido». É a dor de mãe que A faz falar; está em jogo a sorte de seus filhos. Por isso, dizia aos pastorinhos: «Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas».”
A todas as crianças, o Papa João Paulo II exortou, na mesma homilia, “pedi aos vossos pais e educadores que vos metam na «escola» de Nossa Senhora, para que Ela vos ensine a ser como os pastorinhos, que procuravam fazer tudo o que lhes pedia.”

fonte: Santuário de Fátima


Igreja portuguesa anuncia site e tema para a visita papal ao país

 

“Contigo, caminhamos na esperança”

No final de mais um encontro do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), realizado esta terça-feira na Casa de Nossa Senhora das Dores, no Santuário de Fátima, foi anunciada oficialmente a criação de uma página na internet relativa à visita de Bento XVI ao país.

O site www.bentoxviportugal.pt, on line a partir de hoje, pretende, nas palavras do porta-voz da CEP, dar “informação do programa (da visita papal), notícias na linha da preparação, fotografias e a possibilidade de interatividade”; informa o departamento de imprensa do Santuário de Fátima.

Definido está também o tema geral da visita de Bento XVI a Portugal: “Contigo, caminhamos na esperança”, ao qual se associa o subtítulo “Cristianismo, sabedoria e missão”.

Bento XVI estará em Portugal em peregrinação e visita oficial, a convite da Conferência Episcopal Portuguesa e da Presidência da República de Portugal, entre 11 e 14 de maio de 2010, com celebrações e encontros nas cidades de Lisboa, Fátima e Porto.

fonte: Zenit


Você deseja ser feliz?

O sentido que damos aos nossos sofrimentos é que o determina se seremos felizes ou não, porém constatamos que infelizmente a nossa tendendência é estarmos sempre nos desviando da felicidade quando não aceitamos os nossos sofrimentos. Quando fugimos dos nossos sofrimentos estamos fugindo da nossa própria cruz a que Jesus nos disse que sem ela não é possível ser seu discípulo, pois esta atitude de repulsa contra tudo que nos faz sofrer é próprio do demônio, ele é que foge da cruz desde o princípio, porém nós somos convidados a utilizar de todos os nossos sofrimentos para sermos santos, para nos tornarmos inabaláveis na fé e fortes na provação. Aí está o segredo da felicidade e a coroa da via eterna.

São Paulo chega dizer que a sua maior alegria é poder compartilhas dos sofrimentos de Cristo, completando nele o que faltou em no sofrimento de Cristo. É desta felicidade que estamos falando.

Você quer esta coroa? Você deseja ser feliz? Eu te digo; é uma aventura exigente, mas acima de tudo, é um grande desafio. É preciso de uma força interior que venha do coração para dizer; “… os sofrimentos do tempo presente não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada” (cf. Rom 8,18).

Além disso, “Após tais sofrimentos, a alma fica numa grande pureza de espírito e muito próximo de Deus” (Lv. Diário, A Misericórdia Divina na minha alma - Ir. Faustina).

Está aproximação de Deus requer um sim da nossa parte, não é um sim sem sacrifício e nem mesmo inconsciente, mas um sim profundamente enraizado na oração e na generosidade do nosso coração. O Espírito de Deus espera de nós apenas uma abertura dócil e humilde, e que aceitemos as nossas misérias e fraquezas. O professor Felipe Aquino diz em um dos seus livros que, “A humildade é o altar sobre o qual devemos realizar nossos trabalhos e oferecer os nossos sacrifícios”.

Deus nos pede apenas que tenhamos um coração simples, humilde e puro, a exemplo dos pequenos Pastorinhos de Fátima que em tudo, souberam dizer sim à vontade de Deus através da oração e dos sacrifícios. “Resisti-lhe, firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão reservados a vossos irmãos, pelo mundo. (…) ele vos restabelecerá depois que tiverdes sofrido por um pouco de tempo; ele vos firmará, vos fortalecerá e vos há de tornar inabaláveis”. (I Pedro 5,9-11)

Salve Maria!

Marcelo Pereira


Dia do Consagrado celebrado em Fátima

Jacinta Marto apresentada aos consagrados como modelo de vida

No ano em que o Santuário de Fátima vive a celebração do centenário do nascimento da beata Jacinta Marto, que se cumpre a 11 de Março, na celebração do Dia do Consagrado, o exemplo e o testemunho da pastorinha vidente foram apresentados aos consagrados como modelo de vida, pela entrega total a Nossa Senhora e, através dela, a Deus.

No momento final da homilia da Eucaristia desta tarde, o Reitor do Santuário, que presidiu às celebrações, apresentou de modo concreto a vida da Jacinta como modelo a seguir.

“Os olhos da Jacinta tinham contemplado em Maria o rosto de Deus misericordioso e, de fato, o seu testemunho de heroicidade, de generosidade e de alegria marcam-nos e invadem-nos a todos”, disse o Padre Virgílio Antunes a uma assembleia que encheu por completo a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, nesta celebração da Festa da Apresentação do Senhor, que juntou em família alguns dos sacerdotes, religiosos e religiosas e alguns dos leigos consagrados residentes na Diocese de Leiria-Fátima; momento de renovação de votos, com um firme “SIM” em uníssono, e de acção de graças a Deus por aque les que este ano celebram algum jubileu.

Numa celebração diferente, em que a luz tem a força simbólica da presença de Deus em cada um e para o mundo, representada nas velas distribuídas momentos antes na Capelinha das Aparições, o Reitor pediu aos consagrados que mostrem também ao mundo de hoje, de forma “convicta, alegre e transparente”, o seu testemunho de uma vida no Senhor e para o Senhor.

“O mundo precisa de pessoas orantes, de pessoas contemplativas, que vivam unidas a Cristo todas as suas vidas e não apenas nos momentos de oração”, disse o Padre Virgílio Antunes, acrescentando que “o consagrado deve ser o rosto misericordioso de Deus, deve viver na fidelidade à vontade de Deus, nosso Pai. Os consagrados devem dar testemunhos de alegria, capazes de convencer o mundo em que vivemos da alegria de termos encontrado Cristo”.

fonte: Santuário de Fátima


Coragem!

A coragem não é uma atitude que depende da força que tenho, se sou forte ou não. Pois o jovem Davi, sendo tão pequeno e desprovido de qualquer força física, venceu o gigante Golias com uma coragem do tamanho de um grande exército.

Gosto muito de citar uma explicação que o Bispo Emérito de Leiria-Fátima em Portugal, Dom Serafim de Souza F. e Silva, faz a respeito da palavra “coragem”.

Ele diz que, a palavra coragem é uma junção da palavra coração com a palavra agir, (cora+agem) que vem do coração que age. É um verbo, portanto é uma ação. É uma ação da força que vem de dentro e não de fora. Em suma, a coragem é uma atitude que depende da força que tenho dentro de mim para vencer qualquer grande problema.

Talvez, alguém pense que Deus espera de nós um terrível sofrimento como cena compilada da flagelação de Cristo, para oferecer a Deus como reparação e consolo. Não! Deus não quer dar-nos um fardo maior que suportamos, nem mesmo inventaria sofrimentos como forma de castigo, pois, não é do feitio de Deus nos dar coisas ruins. “Pois Deus não pode ser tentado a fazer o mal e a ninguém tenta” (Tiago 1, 13). Porém, Ele, que sabe tirar um bem maior das coisas más que nos acontece, permite cultivar sofrimentos no jardim de nossa vida para nos fazer ser melhor, para servir de adubo nos tempos de secas e enxurradas, a fim de nos ensinar a colher lindas flores após um intenso inverno.

Todo nosso sofrimento, seja ele pequeno ou grande que, trazemos inseparavelmente em nossa história de vida, pode-se tornar um santo remédio de consolo aos corações de Jesus e de Maria, como também pode ter um sentido redentor para os pecados dos outros. (Cf. Cat. 1502). Pio XII escreveu que, “A salvação de muitos depende dos sofrimentos, orações e sacrifícios voluntariamente aceitos, pelos outros membros do corpo de Cristo”.

Caríssimo leitor, não desperdice o seu sofrimento, não rejeite esta via que nas mãos de Deus pode ser útil, pois para Deus nada é perdido, nada é impossível.

Confiemos a Virgem Maria nossa dificuldade de lidar com o sofrimento, com os problemas do dia a dia. Ela é mãe e cuida de cada um de nós.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós.

Marcelo Pereira


Quando sou fraco é que sou forte

É muito importante dar uma meta aos nossos sofrimentos, em outras palavras, dar sentido aos nossos sofrimentos. É uma via de santificação, mas é também uma forma de superá-los de forma mais leve e sóbria.

Por outro lado, é uma via exigente, que não combina com os fraqueza de espírito, com medos, embora seja para os fracos no sentido de nos reconhecer pequenos, dependentes de Deus, da sua força e da sua graça.

Existe uma mística por de traz da nossa fraqueza. A nossa força está intimamente ocultada na nossa fraqueza, é a pedagogia do contrário no Reino de Deus. Quando bancamos os heróis e valentões nas aventuras do nosso dia-a-dia, quase sempre nos decepcionamos com os resultados. Mas ao contrário, quando vestimos a roupa da humildade e da verdade e expressamos nossa fraqueza, reconhecendo nossa própria incapacidade de vencer algo por nós mesmos, a não ser que a graça de Deus esteja a nosso favor, então, a nossa arma será bem mais eficaz e superior a força dos heróis de fachada, onde os resultados serão sempre mais surpreendentes. Na primeira epístola de São Pedro capítulo 5 versículo 5 diz que, a humildade é o canal que atrai as graças de Deus sobre nós “revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes”.

João Paulo II, em seu momento de mais fragilidade física nos ensinou a enfrentar o calvário dizendo-nos; “Coragem, tenhais coragem!” A mesma coragem, com que os três Pastorinhos responderam aos atrozes interrogatórios do injusto administrador: “Se nos matarem, como dizem, daqui a pouco estaremos no Céu!”. Deus não abandona aqueles que confiam Nele. “Humilhai-vos pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno. Confia-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós”. (I Ped 5,6)

A nossa fraqueza também pode ser a nossa força se tivermos humildade, se reconhecermos que por nós mesmos não podemos muita coisa. “Quando sou fraco é que sou forte”. (Cf. II Cor 12, 4-10)

Eu não sei exatamente o que você está vivendo hoje, quais são os seus sofrimentos, sua cruz, mas estou certo que você tem capacidades de suportar, enfrentar o calvário, porque por detrás de nós há alguém que nos ampara, nos socorre no momento exato.

Confia no Senhor todas as vossas angustias, todos os seus sofrimentos, pois não somos capazes de resolve-los por nós mesmos, mas Deus é. Ser humilde é reconhecer que somos dependentes de Deus em todas as coisas. Não somos especialistas em resolver problemas, nem mesmo em superá-los sozinhos, sem Deus a cruz fica mais pesada e a nossa auto-suficiência fica mais poderosa.

Que Maria, a Mãe de Jesus, nos ensine a confiar em Deus e na sua Divina Providência.

Salve Maria!

Marcelo Pereira


A salvação das almas como meta para nossos sofrimentos

Vimos nos últimos artigos que os Pastorinhos de Fátima descobriram uma nova via de santificação que na verdade esta via já existia, mas que os Pastorinhos tiveram a graça de perceberem de forma mais intima e mais profunda.

A heroicidade dos Pastorinhos, sem dúvida, é autêntica, simplesmente pelo grande desejo de consolar e reparar os Corações de Jesus e de Maria, mas, sobretudo, no profundo anseio de ver a conversão dos pecadores, e a salvação das pobres almas agonizantes na visão do inferno.

“Nenhum sacrifício é mais agradável a Deus do que o zelo pela salvação dos homens…” E também: “O valor do mundo inteiro não se pode comparar com o valor de uma só alma” (S. Gregório Magno).

Por isso, que cada sacrifício oferecido a Deus, seja ele voluntário ou involuntário, enviado por Deus ou não, tem o seu sentido único na Cruz de Cristo, lugar da redenção de todo homem. As virtudes dos Pastorinhos de Fátima, não tiveram a finalidade de santificar apenas a eles próprios, mas sobre tudo, demonstraram uma profunda preocupação com as pobres almas sofredoras. A missão dos pastorinhos era justamente ajudar “salvar a todos”.

“… ficai sabendo que quem reconduzir um pecador do caminho em que se extraviava lhe salvará a vida e fará desaparecer uma multidão de pecados”. (Tiago 5, 20)

Temos inúmeros exemplos de leigos, homens e mulheres místicos, santos e santas da nossa Igreja, que transformaram seus grandes sofrimentos em uma eficaz via de redenção, uma espécie de porta estreita, porém com garantia de Céu. (cf. Cat. 853) Todos eles tiveram sua recompensa no Senhor, “Filho, se aspiras servir ao Senhor, prepara a tua alma para a provação. Torna reto o coração e sê resoluto, não te perturbes no momento da aflição. (…) Tudo o que te acontecer, aceita-o e no revés da tua humilhação sê paciente; porque é no fogo que se prova o ouro, e no cadinho da humilhação, os que são agradáveis a Deus. Tem confiança em Deus e ele virá em sua ajuda, segue em caminho reto e espera nele”. (Sirácida 2,1-6)

Veja que esta é a essência da nossa missão, e por que não dizer também da nossa existência. Pois a nossa salvação caminha na estrada da voluntariedade do servir a Nosso Senhor Jesus Cristo e de buscar a salvação dos outros. Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á. Marcos 8, 35

Eis o grande segredo da nossa salvação, a busca consciente da salvação dos homens. E esta busca se passa pela Cruz de Cristo, pelo sacrifício, pelo oferecimento de nós próprios a Deus por causa das almas, não apenas da nossa, mas das almas de todos que Deus criou nesta terra.

Uma vez que nos encontramos nesta via, a salvação da nossa alma vem por conseqüência da nossa missão.

Eu rezo para que eu e você estejamos abertos ao oferecimento de nós mesmos a Deus, para a salvação das almas. Das almas que estão já no purgatório, mas também das almas que estão ao nosso lado, o nosso próximo, o nossos irmãos e também os nossos inimigos.

Que Nossa Senhora nos ensine amar e servir a Jesus pela estrada da Cruz.

Salve Maria

Marcelo Pereira


Ides, pois, ter muito que sofrer…

Vimos que na primeira via de santificação dos Pastorinhos de Fátima, eles se anteciparam para se oferecerem a Deus como reparação pelos pecados com que o coração de Deus é ofendido e vimos alguns exemplos. Hoje vamos entrar pela segunda via que diz respeito aqueles sofrimentos que surgem na aurora do dia, sem que esperássemos por eles.

Aos Pastorinhos não lhes faltaram nem mesmo boa vontade diante dos sofrimentos que o próprio Deus lhes permitia que passassem. Tal como Nossa Senhora havia predito. “Ides, pois, ter muito que sofrer…” (Memórias da Ir. Lúcia)

Penso ter sido um dos momentos mais sofridos da vida dos Pastorinhos, o episódio do dia 13 de Agosto, um imprevisto, que tardou a aparição de Nossa Senhora para dia 19. O administrador Artur de Oliveira Santos retém os Pastorinhos presos durante três dias, ora em sua casa, ora na cadeia municipal.

Era dia 13 de Agosto de 1917, estavam os Pastorinhos presos durante todo aquele dia…

“À Jacinta, o que mais lhe custava era o abandono dos pais; e dizia, com as lágrimas a correrem pela face:

- Nem os teus pais nem os meus nos vieram ver. Não se importam mais de nós!

- Não chores, disse-lhe Francisco. Oferecemos a Jesus, pelos pecadores.

E levantando os olhos e as mãozitas para o Céu, fez ele o oferecimento: Ó meu Jesus, é por Vosso amor e pela conversão dos pecadores.

A Jacinta acrescentou: É também pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”.

É impressionante a atitude dos Pastorinhos. Para Francisco o que mais o contristava era o fato da possibilidade de Nossa Senhora nunca mais lhes aparecer. Quanto a Jacinta, chorava com saudades da mãe e da família, porém, Francisco tentava animá-la dizendo: “A mãe, se não tornamos a ver, paciência! Oferecemos pela conversão dos pecadores. O pior é se Nossa Senhora não volta mais! Isso é o que mais me custa! Mas também o ofereço pelos pecadores”. (Memórias da Ir. Lúcia)

Certamente, as pequenas crianças de Fátima não desejaram passar por este sofrimento, e nem mesmo escolheram está via por falta de opção, mas ao contrário, aceitaram de muita boa vontade como um bom soldado de Cristo à todos sofrimentos que lhes bateram a porta, e mesmo em grau de perigo. “Assume o teu quinhão de sofrimento como um bom soldado de Cristo Jesus” (II Timóteo 2,3).

Eles foram capazes de dialogar com o mundo dos sentimentos, e agindo com consciência e maturidade no mundo espiritual, deram uma resposta heróica diante de Deus aos sofrimentos por Ele permitido. Porém, mal sabiam eles que os sofrimentos de que falava Nossa Senhora eram semelhantes com certas torturas que costumamos ver em campos de concentração.

Para arrancar o segredo dos Pastorinhos, o Administrador Artur de Oliveira Santos não poupou esforços. Começou por lhes oferecer presentes e lhes fazer as mais lisonjeiras promessas. Mas os Pastorinhos por sua vez não se amoleceram. Então o administrador mandou seus guardas prepararem uma caldeira de azeite a ferver para os fritarem, caso não quisessem revelar o segredo.

A primeira a ser provada foi Jacinta. Aparece um guarda com voz ameaçadora e grita:

“Ou dizes o segredo, ou morres!

Como a pequena Jacinta responde “não”,

o guarda arrasta-a atrás de si.

Foi imediatamente sem se despedir de nós. Enquanto a interrogavam, o Francisco dizia-me com imensa paz e alegria:

Se nos matarem, como dizem, daqui a pouco estaremos no Céu! Mas que bom! Não me importa nada”.

Depois de alguns segundos, Francisco acrescenta: “Deus queira que a Jacinta não tenha medo. Vou rezar uma Ave-Maria por ela!”.

Como Francisco e a Lúcia responderam com a mesma heróica coragem, são ambos condenados à morte e lá vão corajosos, ao seu encontro.

Mas veja, não passava de uma maldosa façanha, de um cruel julgamento. Depois de ter fracassado com infrutíferas tentativas de lhes tirar o segredo, o Administrador reconduz então a Fátima os três Pastorinhos, na tarde do dia 15 de Agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora, tendo então Maria, voltado a aparecer no dia 19, Domingo.

Há outros sofrimentos que veremos no próximo artigo, mas quis deixar este registrado com mais enfâse justamente por ter sido um dos mais difíceis de superá-lo.

Salve Maria

Marcelo Pereira


Sofrimento com virtude de santidade

Dando continuidade a linha de raciocínio dos sofrimentos com que os Pastorinnhos ofereciam a Deus em ato de reparação aos pecados com que Ele é ofendido.

Certa vez, quando estavam a rezar o Terço na Cova de Iria e Jacinta sofria uma terrível dor de cabeça por causa da sede que sentia. Havia ali perto uma lagoa, onde várias pessoas lavavam roupas sujas e os animais iam beber água e banhar-se. Jacinta inclinou-se para beber daquela água, mas Lúcia interveio dizendo; “Desta não!” e sugeriu andar mais um pouquinho, a pedir sua Tia Maria dos Anjos, mas Jacinta responde: “Não! Dessa água boa não quero. Bebia desta, porque, em vez de oferecer a Nosso Senhor a sede, oferecia-lhe o sacrifício de beber desta água suja”. E acrescentou: “Nosso Senhor deve estar contente com os nossos sacrifícios, porque eu tenho tanta, tanta sede! Mas não quero beber; quero sofrer por seu amor”.“Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia.” Traziam ainda na cintura, uma corda e batiam com urtigas nas pernas. Francisco levou tão a sério, que além de passar o dia com a corda amarrada na cintura, dormia também com ela. Era tão forte este sacrifício que, Nossa Senhora, na aparição de Setembro, pede que Francisco modere este sacrifício. (Memórias da Ir. Lúcia)

Até os cantos dos grilos e das cigarras que atormentavam a pequena Jacinta, debilitada pela sede e pela dor de cabeça, foram oferecidos em sacrifícios pelos pecadores. Lúcia um dia, apanhava severamente de sua mãe, com um cabo de vassoura, pois tinha sido acusada injustamente, de ter escondido um dinheiro que na verdade, ela nem recebera. Sua irmã Carolina, que foi testemunha de que Lúcia era realmente inocente, aliviou-a de maiores sofrimentos, mas que por sua vez não desperdiçou a oportunidade de também oferecer este sofrimento ao bom Deus.

Deixavam os divertimentos mundanos, tais como os bailes só para ter motivos de oferecer algum sacrifício a Deus. Passavam horas seguidas com a cabeça no chão, repetindo as orações que o Anjo havia ensinado. “Havia no nosso lugar uma mulher que nos insultava sempre que nos encontrava - conta Lúcia. Encontrámo-la um dia quando saía duma taberna, e a pobre, como não estava em si, não se contentou dessa vez só com insultar-nos. Jacinta diz-me: - Temos que pedir a Nosso Senhor e oferecer-lhe sacrifícios pela conversão desta mulher. Diz tantos pecados que, se não se confessa, vai para o inferno.

Passados alguns dias corríamos em frente da porta da casa desta mulher. De repente, a Jacinta pára no meio da sua carreira e, voltando-se para trás, pergunta:
- Olha, é amanhã que vamos ver aquela Senhora?
- É, sim.
- Então não brinquemos mais. Fazemos este sacrifício pela conversão dos pecadores.
E sem pensar que alguém a podia ver, levanta as mãozinhas e os olhos ao céu e faz o oferecimento. A mulherzinha espreitava por um postigo (pequena porta) da casa. E depois, dizia ela à minha mãe que a tinha impressionado tanto aquela ação da Jacinta que não necessitava de outra prova para crer na realidade dos fatos. E daí para o futuro não só nos não insultava, mas pedia-nos continuamente para pedirmos por ela a Nossa Senhora que lhe perdoasse os seus pecados. Eis uma conversão devida aos sacrifícios dos Pastorinhos, sobretudo da Jacinta”.

No próximo artigo vamos conhecer a segunda via.

Salve Maria

Marcelo Pereira


Primeira via de sofrimento dos Pastorinhos de Fátima

Existem vários tipos de sofrimento que poderíamos enumerar, porém é possível classificar na espiritualidade dos Pastorinhos duas vias de sofrimentos com virtudes de santidade.A primeira via são os sofrimentos que eu ofereço a Deus, através das práticas de piedade, “sacrifícios e penitências”. E a segunda via, são os sofrimentos que Deus nos envia como um mistério de dor, mas com resultado de graças.

Alguns dos sofrimentos que generosamente os Pastorinhos ofereceram a Deus em ato de reparação pelos pecados com que Deus é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores, foram sofrimentos que partiram da iniciativa deles, através de grandes sacrifícios e com profundo sentimento de consolar o Imaculado Coração de Maria e reparar os pecados com que Deus é ofendido.

Vejamos alguns exemplos que caracterizam a primeira via.

Por vezes, os Pastorinhos não comiam a merenda, que era a sua refeição do meio-dia, para distribuírem primeiro às ovelhas e depois aos pobrezinhos, dizia o Francisco. “… demos a nossa merenda às ovelhas e fazemos o sacrifício de não merendar”. Deixavam muitas vezes de comer os figos e as uvas apetitosas que muitas vezes sua mãe lhes trazia enquanto brincavam. Jacinta, que nunca se esquecia dos pobres pecadores, disse: “Não os comemos – dizia ela – e oferecemos este sacrifício pelos pecadores”. Depois, saíam pela rua a levar as uvas apetitosas para as crianças que brincavam. Os Pastorinhos tinham costume de durante o tempo que cuidavam do rebanho se alimentarem das bolotas de Azinheira, uma árvore muito típica em Portugal. Um certo dia, a pequena Jacinta está a reclamar de muita fome, Francisco logo subiu a arvorezinha para encher os bolsos, mas Jacinta logo se atina que, recordando dos pobres pecadores, sugere a Francisco, trocar as bolotas da Azinheira pelas dos Carvalhos, que são extremamente amargas. Isso, só para oferecer como sacrifício pelos pecadores. Faziam habitualmente este sacrifício. Um dia Lúcia questiona dizendo: “Jacinta, não comas isso, que amarga muito”. E ela responde: “Pois é por ser amarga que eu como, para converter os pecadores”. Tinham também por costume de vez em quando, oferecer a Deus o sacrifício de passar uma novena sem beber água, e fizeram isso uma vez durante um mês inteiro em pleno verão em que o calor é sufocante.

No próximo artigo vamos conhecer mais alguns sofrimentos oferecidos a Deus pelos Pastorinhos.

Salve Maria

Marcelo Pereira


“Jacinta Marto: Do encontro à compaixão”

Em início de novo ano civil, o Santuário de Fátima confirma o propósito da realização de um congresso de âmbito nacional sobre a vida e o testemunho de Jacinta Marto, vidente de Fátima. A iniciativa está agendada para 4 a 6 de Junho de 2010 e os trabalhos decorrerão no Centro Pastoral Paulo VI, no Santuário de Fátima.

Em declarações à Sala de Imprensa da instituição, o P. Vítor Coutinho, presidente da Comissão do Congresso, salienta a pertinência desta realização, no ano em que o Papa Bento XVI visita Portugal.

“Por feliz coincidência, teremos o Santo Padre em Fátima no ano em que se celebra o centenário do nascimento de Jacinta Marto, a pastorinha vidente que mais desenvolveu as expressões de dedicação ao Papa e à Igreja. Dentro do âmbito dos acontecimentos de Fátima, este é um elemento especialmente significativo, dado que corresponde a um dos traços mais relevantes do perfil espiritual da pequena Jacinta. Neste contexto, para assinalar estas comemorações, o Santuário de Fátima vai realizar um congresso sobre Jacinta Marto”, explica o Padre Vítor Coutinho.

Além do programa, já definido e disponível em www.fatima.pt, a Comissão apresenta o título do Congresso: “Jacinta Marto: Do encontro à compaixão”.


O que está por detrás do sofrimento?

No último artigo, tocamos na mística do sofrimento como uma via de salvação e não apenas uma cruz, mas que tudo depende do nosso sim.

Lúcia conta-nos que, os pequenos Pastorinhos respondem com grande generosidade aos apelos do Anjo e de Nossa Senhora, a respeito do sofrimento, onde a Virgem Santíssima não ocultou em nada os desígnios de Deus que os esperavam em breve. “Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto”. (Memórias da Ir. Lúcia)

No dia 13 de Maio de 1981, João Paulo II disse que; “No sofrimento se esconde uma força particular que aproxima interiormente o homem de Cristo, uma graça particular”

A proposta de Cristo é que tenhamos uma vida em abundância, “Eu vim para que os homens tenham a vida e a tenham em abundância” (João 10,10). Porém Ele não excluiu a possibilidade de na vida, termos sofrimentos. “Que a vitória sobre o pecado e sobre a morte alcançada por Cristo com a sua Cruz e a sua Ressurreição, não suprima os sofrimentos temporais” (O sentido cristão dos sofrimentos humano). E Jesus confirma que; “No mundo tereis aflições, mas tende confiança! Eu venci o mundo”. (João 16, 33)

Eu quis escrever isso para que não tenhamos dúvida que o sofrimento faz parte do ciclo da vida do homem depois do pecado original e não é uma forma de castigo, muito menos é um desejo de Deus que soframos. Pois Deus é inacessível ao mau e não tenta a ninguém. Cada um é tentado pela sua própria concupiscência que o seduz. Tiago 1,13

Desta forma, é preciso dizer que não há hipótese de se esquivar do sofrimento, fugir ou fazer de conta que ele não existe. Existe! E está ai a nossa porta todos os dias. Então a solução é encarar a realidade de superar.

A espiritualidade de Fátima nos ajuda a trilhar um caminho maduro de lidar com o sofrimento. A oração, o sacrifício oferecido a Deus de forma livre e dócil corresponde sobrenaturalmente o estigma do sofrimento.

Que Maria Santíssima transpassada pela espada da dor, nos ensine a caminhar de forma madura e consciente neste vale de lagrimas, que é este mundo que vivemos. E não nos esqueçamos que “no sofrimento se esconde uma força particular que aproxima interiormente o homem de Cristo, uma graça particular”

Salve Maria

Marcelo Pereira


Oração e Sacrifício

Em 1916, um ano antes das aparições de Nossa Senhora, na segunda aparição do Anjo, Lúcia pergunta; “Como havemos de nos sacrificar?” E o Anjo responde: “De tudo o que puderdes, oferecei a Deus um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar”. (Memórias da Ir. Lúcia)

A partir deste momento, os Pastorinhos assumiram um propósito de oferecer ao Senhor tudo o que lhes poderia ser causa de sofrimento e mortificação. Assim, a oração e o sacrifício passaram a ser duas vias inseparáveis da vida cotidiana dos três Pastorinhos. Poderíamos até dizer que, não há um sacrifício que chegue ao seu objetivo sem que antes passe pela via da oração, como também, não há oração que não exija de nós qualquer sacrifício.

A grande novidade desta configuração de “Oração e Sacrifício” dentro da espiritualidade de Fátima é observar a profundidade da adesão dos três Pastorinhos aos apelos do Anjo e de Nossa Senhora nas aparições de Fátima, e com que virtudes heróicas eles aplicaram em suas vidas.

Como havemos de nos sacrificar? Questiona Lúcia ao Anjo. Ao que ele responde: “De tudo o que puderdes. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar”.

A espiritualidade dos Pastorinhos corresponde perfeitamente às necessidades do nosso tempo. Quem de nós poderia dizer não ter nenhum sofrimento a oferecer. Poderíamos fazer até uma lista de tudo em nossa vida que tem proporção de cruz, de dor e de sofrimento. Muitos deles nem se quer perguntou se poderia entrar, mas está ai presente em nossa vida e em nossa história justamente porque a vida é uma porta aberta tanto para as boas, como as más noticias.

Agora, precisamos aprender a como receber o sofrimento e que resposta devemos dar a eles.

Sob a luz da espiritualidade de Fátima, podemos encontrar uma via que em primeira mão, os Pastorinhos trilharam e revelaram ao mundo que através dos nossos sofrimentos podemos tirar algo bom. Não é masoquismo, mas é uma mística, uma resposta sabia diante do sofrimento que aflige o mundo.

No próximo artigo vamos nos aprofundar neste tema.

Que a Virgem Santíssima interceda por nós neste dia.

Salve Maria

Marcelo Pereira


Oferecer a “si” próprios a Deus

 

“Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?”

(Memórias da Ir. Lúcia)

Veja bem, até mesmo os nossos sofrimentos não nos é imposto. O Anjo pergunta para os Pastorinhos se eles querem “se” oferecer a Deus para suportar os sofrimentos que Deus lhes quiser enviar em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores.

Perceba que coloquei o “se” entre aspas, justamente porque se trata de oferecer a si próprios. Não é apenas oferecer nosso tempo, nossos sofrimentos, nossos problemas etc, Deus pede justamente a vida deles, e é ai que mora o segredo dos Pastorinhos. Eles de fato ofereceram-se a Deus plenamente, não só as cruzes e sofrimentos, mas ofereceram a si próprios como vítimas de reparação ao coração de Deus e de Nossa Senhora.

A partir de então, os Pastorinhos começaram a trilhar por um caminho de sofrimento, que os acompanharam até o final da vida.

E nós, se Deus nos fizesse esta pergunta hoje, será que estaríamos dispostos ou disponíveis a dizer um sim com a amplitude que os Pastorinhos disseram?

É uma pergunta um tanto difícil de se responder, pois isso decidiria nosso presente e o nosso futuro, principalmente nos dias de hoje que buscamos nos livrar de tudo que nos possa fazer sofrer ou nos incomodar. O mundo de hoje prega uma vida fácil, de conforto, de avanço tecnológico para facilidades sociais e pessoais , com descomprometimento com as questões morais, espirituais e etc. Tudo isso tem nos tornado fracos na fé, pois a fé não caminha nas estradas da certeza, muito menos no conforto espiritual. Nossa fé sempre exigirá de nós renuncias, cruzes, provações, entrega, abandono e por ai vai…

Não fiz esta pergunta exigindo que eu e você responda imediatamente, mas ao contrário, questionar é uma tática que nos aproxima da resposta, da atitude que Deus espera de nós.

Vamos caminhar sobre este tema, pois existe uma mística na espiritualidade dos Pastorinhos que irá nos iluminar para nossa resposta a Deus e a seu plano de amor e salvação.

Salve Maria

Marcelo Pereira


Retiro em Fátima


Nossa Senhora de Fátima dá nome a Maternidade-Escola em Timor-Leste

A Igreja Católica Portuguesa entregou no último dia 8 de Dezembro à Diocese de Díli, em Timor–Leste, a primeira Maternidade-Escola daquele país.

A Maternidade-Escola Nossa Senhora de Fátima é um projecto de solidariedade acalentado e apoiado por um grupo de instituições e entidades da Igreja portuguesa que assumiu a designação “Fundação Mater Timor” (FMT) e que integra no seu Conselho de Fundadores a Conferência Episcopal Portuguesa, o Patriarcado de Lisboa, as Dioceses de Díli e de Baucau (Timor), o Santuário de Fátima, a Rádio Renascença, a Associação dos Médicos Católicos Portugueses e a Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos.

“A Igreja Portuguesa quis oferecer um sinal de esperança e colocar uma semente de vida onde antes campeara a morte, ajudando a Igreja irmã de Timor a prestar ao seu povo um serviço na luta contra a mortalidade e morbilidade materna e infantil. Ao fazê-lo concretizava um desígnio do Papa João Paulo II, que encorajara as Igrejas locais a celebrar o jubileu com gestos de relevante significado social e exprimira o seu apoio especificamente a este mesmo Projecto com um donativo pessoal”, recorda a Fundação que explica que, no acto de entrega da Maternidade-Escola à Igreja timorense, a instituição assumirá a designação “Maternidade-Escola Nossa Senhora de Fátima”.

Em declarações à Sala de Imprensa do Santuário de Fátima, a Fundação Mater-Timor sublinha que “é com grande alegria que a FMT vê chegada a hora de fazer esta entrega em cerimónia devidamente solenizada, confiante de que, com a bênção de Deus, este projecto se concretizará como ajuda efectiva às mães, às crianças e às famílias timorenses”.

Mais de 90 de instituições no mundo da área da Saúde têm a designação “Nossa Senhora de Fátima”

fonte: Santuário de Fátima


O novo CD do Coro do Santuário

“Eu vi a cidade santa…”

Cinco anos após a edição de “Cânticos Marianos do Santuário de Fátima” (12.10.2004), entretanto já reeditado, a instituição apresenta em Dezembro próximo um novo trabalho musical. Dá voz a este CD, intitulado “Eu vi a cidade santa”, o Coro do Santuário de Fátima, reforçado, tal como acontece nas peregrinações aniversárias, com alguns elementos dos grupos corais Paroquial de Alburitel e Nª Srª da Piedade de Ourém. Ao órgão Nicolas Roger, organista titular do Santuário de Fátima.

O Padre Artur Oliveira, capelão responsável pela secção de Música Sacra do Santuário de Fátima, e director deste projecto, explica-o desta forma:

“O Ano litúrgico está ordenado para a vivência dos mistérios mais profundos da nossa fé. Desde o Baptismo à Parusia é longo o caminho que nos leva ao encontro de Deus. A sequência dos tempos litúrgicos é a imagem da Igreja Peregrina que caminha na terra, vivendo as alegrias e as tristezas desta vida, e faz-nos contemplar os mistérios da nossa salvação.

Foi a ideia primária deste CD. De tudo o que o Coro do Santuário realiza ao longo do ano, seguindo a Liturgia, cada canto é grito de esperança. O Ano litúrgico é assim a primeira referência. Uma segunda se junta: os momentos da Eucaristia. Termina com uma referência última, relativa à nossa finalidade como coro: as grandes peregrinações do Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Usamos as palavras sempre actuais, todos os dias cantadas neste Santuário, deixadas pelo lema do saudoso Papa João Paulo II, tão devoto de Fátima: Totus tuus, Maria.

Chamamos-lhe: Eu vi a cidade santa…

Nunca poderemos esquecer a nossa participação na inauguração da Igreja da Santíssima Trindade. O primeiro cântico a ecoar entre aquelas paredes majestosas foi o cântico que o painel sugere: a cidade santa…

Este trabalho, agora tornado dádiva ao povo de Deus que acorre a Fátima, é sinal do esforço individual de cada um dos coralistas que, de longe e de perto, desprendidamente e semana a semana (alguns nas peregrinações maiores) dizem o seu sim generoso às celebrações da fé, que têm no canto a sua expressão máxima e solene. A todos um sincero bem-haja pela constância, boa vontade e abnegação. É o que conseguimos ofertar, na consciência das nossas grandes limitações”.

fonte: Santuário de Fátima


Bento XVI visitará Lisboa, Fátima e Porto

O programa da visita do Santo Padre Bento XVI a Portugal foi anunciado na manhã de Domingo, 7 de Dezembro, à comunicação social, em Lisboa.

D. Carlos Azevedo, Coordenador Geral da Visita Papal, anunciou que o Papa estará em Portugal de 11 a 14 de Maio de 2010, onde visitará três cidades: Lisboa, Fátima e Porto.

Será a primeira visita de Bento XVI como Papa.

veja mais sobre a visita de Bento XVI a Portugal aqui: Bento XVI e Fátima