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Visita do Papa USA

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Discurso do Papa na ONU

Senhor presidente, senhoras e senhores;

Ao dar início ao meu discurso nesta Assembléia, desejo antes de tudo exprimir ao senhor presidente, a minha sincera gratidão pelas palavras à mim dirigidas. Igual sentimento direciono também ao secretário-geral, o senhor Ban Ki-moon, por ter me convidado a visitar os departamentos centrais da Organização e pelas boas vindas que me deram. Saúdo os embaixadores e diplomatas dos estados membros e todos o que estão aqui presentes: através de vocês saúdo os povos aqui representados. Eles esperam desta Instituição que leve a diante a inspiração que guiou a sua fundação, um “centro de harmonização dos atos das nações na perseguição dos bens comuns”, a paz e o desenvolvimento (carta das Nações Unidas, art. 1.2-1.4). Como o papa João Paulo II disse em 1995 a Organização deveria ser “centro moral no qual todas as nações do mundo se sintam em casa, desenvolvendo a comum consciência de ser uma espécie de família das nações” (mensagem à Ass. Geral da ONU no 50º aniversário de fundação, Nova Iorque, 5 de outubro de 1995).

Mediante as Nações Unidas, os países deram vida a objetivos universais mesmo não coincidindo com um bem comum total da família humana, sem dúvida representam uma parte fundamental deste próprio bem. Os princípios fundadores da Organização, o desejo da paz, a busca da justiça, o respeito pela dignidade da pessoas, a cooperação humanitária e a assistência, exprimem as jutas inspirações do espírito humano e constituem os ideais que deveriam basear as relações internacionais. Como os meus predecessores, Paulo VI e João Paulo II já observaram, neste mesmo lugar, se tratam de argumentos que a Igreja Católica e a Santa Sé seguem com atenção e com interesse, porque veêm na vossa atividade a maneira de regulamentar os conflitos que dizem respeito à comunidade mundial. As Nações Unidas encarnam a aspiração “um grau superior de orientação internacional” (JPII Sollicitudo rei socialis, 43), inspirado e governado pelo princípio auxílio, e portanto capaz de responder as perguntas da família humana mediante regras internacionais comuns e através de estruturas capazes de harmonizar o cotidiano dos povos.

Isso é ainda mais necessário em um tempo no qual experimentamos o óbvio paradoxo de um consenso multilateral que continua em crise por causa da subordinação à decisão de uma minoria, enquanto os problemas do mundo exigem intervenções na forma de ação coletiva da parte da comunidade internacional.

Questões de segurança, objetivos de desenvolvimento, redução das desigualdades locais e globais, proteção do meio ambiente, os recursos e o clima, pedem que todos os responsáveis internacionais ajam conjuntamente e demonstrem uma prontidão em trabalhar de boa fé no respeito da lei e na promoção da solidariedade diante das regiões mais necessitadas do planeta. Penso em particular nos países da África em outras partes do mundo que permanecem à margens de um autêntico desenvolvimento integral e correm o risco de experimentar sozinhos os efeitos negativos da globalização. No contexto das relações internacionais é necessário reconhecer o papel que as estruturas têm em promover o bem comum e em defender a liberdade humana. Tais regras não limitam a liberdade, pelo contrário a promovem quando proíbem comportamentos e atos que operam contra o bem comum, tornando-se um obstáculo, comprometendo assim a dignidade de cada pessoa humana.

Em nome da liberdade deve existir uma correlação entre direitos e deveres com os quais cada pessoa é chamada a assumir as realidades das próprias escolhas feitas em conseqüência da relação com os outros. Deste modo o nosso pensamento se dirige ao modo como os resultados das descobertas da pesquisa científica e tecnológica foram aplicados. Não obstante aos grandes benefícios que a humanidade pode tirar deles, alguns aspectos de tais aplicações representam uma clara violação da ordem da criação a ponto de não contradizer somente o caráter sagrado da vida humana mas a própria violação da pessoa e da família em sua identidade natural. Do mesmo modo, a ação internacional, na busca de preservar o ambiente, e proteger as várias formas de vida sobre a terra não deve garantir somente um uso racional da tecnologia e da ciência, mas deve redescobrir a autêntica imagem da criação. Isto não exige nunca uma escolha entre ciência e ética, mas se trata de adotar um método científico que respeite verdadeiramente os imperativos da ética.

O reconhecimento da unidade da família humana e a atenção pela dignidade de cada homem e mulher encontram hoje uma acentuação renovada no princípio da responsabilidade de proteção. Este princípio só foi definido recentemente, mas era implicitamente presente nas origens das Nações Unidas e agora torna-se sempre mais uma característica das atividades da organização. Cada país tem um dever primário de proteger a própria população das violações graves e contínuas dos Direitos Humanos e também das conseqüências das crises humanitárias provocadas, seja pela natureza, seja pelos homens. Se os países não são capazes de garantir tal proteção, a comunidade internacional deve intervir com os meios jurídicos previstos na Carta das Nações Unidas e com outros instrumentos internacionais. As ações da comunidade internacional e de suas instituições, quando baseadas no respeito dos próprios princípios, nunca devem ser interpretadas como uma imposição indesejada e um limite da soberania do país auxiliado. Ao contrário, é a indiferença ou a falta de intervenção que ocasionam um dano real. O que é necessário é a busca sempre mais profunda de modos de prevenir e controlar os conflitos explorando cada possibilidade através do diálogo diplomático prestando atenção e encorajando cada pequeno sinal de diálogo e desejo de reconciliação.

O princípio da “responsabilidade de proteção” era considerado pelo antigo ius gentium como um fundamento de cada ação realizada pelos governantes ao confrontar outros governantes: no tempo em que o conceito de estados nacionais soberanos estava sendo desenvolvido, o frei dominicano Francisco de Vitória, considerado “precursor” do ideal das Nações Unidas, descreveu tal responsabilidade como um aspecto da razão natural comum entre todas as nações e como resultado de uma ordem internacional na qual o dever é organizar o relacionamento entre os povos. Assim como naquela época tal princípio deve remeter a idéia da pessoa como imagem do Criador e do desejo de uma absoluta e essencial liberdade. A fundação das Nações Unidas, como sabemos, coincide com um profundo desprezo experimentado pela humanidade quando foi abandonado o significado da transcendência e da razão natural e, por conseqüência, foram gravemente violadas a liberdade e a dignidade do homem. Quando isso acontece, são ameaçados os fundamentos dos valores que inspiram e governam a ordem internacional e são minados na base dos princípios invioláveis formulados e consolidados pelas Nações Unidas. Quando estamos diante de novos e insistentes desafios é um erro retornar a um comportamento pragmático limitado a determinar “um terreno comum”, minimizando seus efeitos e conteúdos.

A referência à dignidade humana, que é o fundamento e objetivo a ser protegido, nos leva ao tema sobre o qual somos convidados a nos concentrar neste ano que marca o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O documento foi resultado de uma convergência de tradições religiosas e culturais, todas motivadas pelo comum desejo de colocar a pessoa humana no centro das instituições, leis e atos da sociedade. Considerando a pessoa humana essencial para o mundo da cultura da religião e da ciência. Os direitos humanos são, cada vez, mais apresentados como linguagem comum e base ética para as relações internacionais. Ao mesmo tempo a universalidade, a indivisibilidade e a interdependência dos Direitos Humanos, servem como garantia para salvaguardar a dignidade humana. É evidente, todavia, que os direitos reconhecidos e delineados na Declaração se aplicam a cada um em virtude da comum origem da pessoa pois ela permanece sendo o ponto mais alto do desígnio criador de Deus para o mundo e para a história. Tais direitos estão baseados sobre a lei natural escrita no coração do homem e presente nas diversas culturas e civilizações, remover os direitos humanos deste contexto significaria restringir o seu espaço e ceder a uma concessão relativista, segundo a qual, os direitos poderiam ser negados em nome de contextos culturais, políticos, sociais e, por fim, religiosos. Não se deve, todavia, permitir que esta variedade de pontos de vista obscureça o fato de que não somente os direitos são universais, mas, também, a pessoa humana sujeita a estes direitos.

A vida da comunidade, seja em nível interno ou internacional, mostra claramente como o respeito dos direitos e as garantias que os sustentam sejam medidas em comum e servem para avaliar o relacionamento entre justiça e injustiça, desenvolvimento e pobreza, segurança e conflito. A promoção dos Direitos Humamos permanece sendo a estratégia mais eficaz para eliminar as desigualdades entre países e grupos sociais, bem como, para um aumento. As vítimas do desespero de quem a dignidade humana é violada impunemente se tornam fáceis presas da insinuação da violência e podem se tornar instrumentos de violação da paz. Todavia, o bem comum que os direitos humanos ajudam a alcançar simplesmente com aplicações de procedimentos corretos e, nem mesmo, mediante um simples equilíbrio entre direitos contrastantes. O mérito da Declaração Universal é ter permitido, a diferentes culturas, expressões jurídicas e modelos institucionais, convergir em torno de um núcleo fundamental de valores e, portanto, de direitos. Mas hoje é necessário redobrar os esforços para manter os fundamentos da declaração e dificultar a proteção da dignidade humana somente por próprios interesses.

A Declaração foi adotada como “comum concessão a ser perseguida” e não pode ser aplicada por facções, sendo, segundo tendência, ou escolhas seletivas que corram o risco de contradizer a unidade da pessoa humana e por isso a indivisibilidade dos Direitos Humanos.

A experiência nos ensina que, freqüentemente, a legalidade prevalece sobre a justiça quando a insistência sobre os Direitos Humanos faz parecer como exclusivo resultado de providências legislativas ou de decisões tomadas por grupos que estão no poder. Quando são apresentadas, simplesmente, em termos de legalidade, os Direitos correm o risco de tornarem-se fracas proposições destacadas na dimensão ética e racional que é o seu real fundamento. A Declaração Universal destacou a convicção de que o respeito dos Direitos Humanos, que não mudam, tem sua raiz na justiça, sobre a qual se baseia a força comum das proclamações internacionais. Tal aspecto é freqüentemente violado quando se tenta privar os direitos de sua verdadeira função em nome de uma minoria utilitarista. Dado que os direitos e, conseqüentes deveres, seguem naturalmente a interação humana é fácil esquecer que tais direitos são frutos de um comum sentido de justiça baseado primariamente na solidariedade entre os membros da sociedade e, por isso, válidos para todos os povos. Esta intuição foi expressa desde o quinto século por Agostinho de Hipona, um dos mestres da nossa herança intelectual, que afirmou “não fazer aos outros aquilo que não gostaria que fosse feito a você”. Tal máxima “não pode, de modo algum, variar segundo as diversas compreensões presentes no mundo” (De doctrina christiana III). Por isso, os Direitos Humanos devem ser respeitados como expressão de justiça e não, simplesmente, por vontade dos legisladores.

Senhoras e senhores,

Enquanto a história procede, surgem novas situações e se tenta uni-las aos novos direitos. O discernimento, isso é a capacidade de distinguir o bem do mal, torna-se ainda mais essencial no contexto de exigências que dizem respeito às vidas e comportamentos das pessoas, das comunidades e dos povos. Afrontando tema dos direitos, uma vez que estão envolvidas situações importantes e realidades profundas o discernimento é uma virtude indispensável e frutuosa.

O discernimento mostra que confiar, de maneira exclusiva, aos países com suas leis e instituições, a responsabilidade de atender as aspirações das pessoas, comunidades e povos inteiros, pode ter como conseqüência a exclusão de uma real ordem social que respeite a dignidade e os direitos da pessoa humana. Por outro lado, uma visão da vida sadiamente ancorada na dimensão religiosa pode ajudar a conseguir tais fins, dado que o reconhecimento do valor transcendente de cada homem e de cada mulher favorece a conversão do coração, que tem como conseqüência o empenho de resistir à violência, ao terrorismo e à guerra, promovendo a justiça e a paz. Isso fornece, ainda, um ambiente próprio para o diálogo inter-religioso que as Nações Unidas são chamadas a sustentar do mesmo modo que sustentam o diálogo entre outros campos da atividade humana. O diálogo deveria ser reconhecido como meio em que vários componentes da sociedade podem articular o próprio ponto de vista e construir um consenso em torno da verdade que diz respeito aos valores e objetivos particulares. É próprio na natureza das religiões livremente praticadas, o fato que pode, de maneira autônoma, conduzir a um diálogo de pensamento de vida. Se, também neste nível, a esfera religiosa é deixada separada da ação política, grandes benefícios para indivíduos e comunidades. Do outro lado, as Nações Unidas podem contar com o diálogo entre as religiões e tirar “proveito” da disponibilidade dos crentes em pôr as próprias experiências a serviço do bem comum. O seu dever é o de propor um visão da fé, não em termos de intolerância, de discriminação e conflitos, mas em termos de respeito total da verdade, da coexistência,dos direitos e da reconciliação.

Obviamente os Direitos Humanos devem incluir os direitos à liberdade religiosa compreendido como expressão de uma dimensão ao mesmo tempo individual e comunitária, uma visão que manifesta a unidade da pessoa mesmo distinguindo claramente a dimensão de cidadão e de crente. As atividades das Nações Unidas nos últimos anos asseguraram que a opinião pública oferecesse espaço aos pontos de vista inspirados em uma visão religiosa em todas as suas dimensões, incluindo a ritual, culto, educação, difusão de informações, assim como a liberdade de expressar ou escolher uma religião. Por isso é inconcebível que os crentes devam suprimir uma parte de si mesmo – a sua fé – para serem cidadãos ativos; não deveria nunca ser necessário renegar Deus para gozar dos próprios direitos. Os direitos unidos com a religião devem ser protegidos quando considerados um conflito com a ideologia secular, e também com posições de uma maioria religiosa de natureza exclusiva. Não se pode limitar a plena garantia da liberdade religiosa ao livre exercício de culto; ao contrário, deve ser considerada a dimensão pública da religião e, portanto, a possibilidade dos crentes em fazerem parte da construção da ordem social. Na verdade, isto já está acontecendo, por exemplo, através do envolvimento dos crentes em uma rede de iniciativas que levam universidades, instituições científicas, escolas, hospitais e organizações caritativas ao serviço dos mais pobres e dos marginalizados. A recusa de reconhecer a contribuição a sociedade baseada na dimensão religiosa e na busca do absoluto – por sua natureza, expressão da comunhão entre pessoas - privilegiaria, sem dúvida, um comportamento individualista e fragmentaria a unidade da pessoa.

A minha presença nesta Assembléia é um sinal de estima para as Nações Unidas e entendida como expressão de esperança que a Organização possa servir sempre mais como unidade entre os países e como instrumento para toda a família humana. Isso mostra também a vontade da Igreja Católica em oferecer uma contribuição, que lhe é própria, ao construir relações internacionais que permitam a cada pessoa e a cada povo a consciência de “fazer a diferença”. A Igreja trabalha ainda para a realização de tais objetivos através das atividades internacionais da Santa Sé, de modo coerente com a própria atividade d]na esfera ética e moral e com a livre atividade dos próprios fiéis. Sem dúvida, a Santa Sé sempre teve um lugar nas assembléias das Nações Unidas, manifestando assim, o próprio caráter específico no âmbito internacional. Como as Nações Unidas reafirmaram, recentemente, a Santa Sé oferece deste modo a contribuição segundo às disposições da Lei Internacional ajuda a defini-la e a ela faz referência.

As Nações Unidas permanecem sendo um lugar privilegiado no qual a Igreja se empenha a levar a própria experiência “em humanidade”, desenvolvida ao longo dos séculos entre os povos de várias raças e culturas, colocando-a à disposição de todos os membros da comunidade internacional. Essa experiência e atividade dirigidas a obter a liberdade para cada fiel buscam ainda aumentar a proteção oferecida aos direitos da pessoa. Tais direitos são baseados e modelados sobre a natureza transcendente da pessoa, que permite a homens e mulheres percorrer seu caminho de fé e sua busca de Deus neste mundo. O reconhecimento desta dimensão pode ser reforçado se desejarmos sustentar a esperança desta humanidade de modo mais eficaz se desejarmos criar as condições para a paz, para o desenvolvimento, para a cooperação e para a garantia dos direitos das gerações futuras.

Na minha recente encíclica Spe Salvi, sublinhei “que a sempre nova, cansativa busca de retas orientações é um dever de cada geração”(n. 25). Para os cristãos tal dever é motivado pela esperança que nasce da obra salvífica de Jesus Cristo. É por isso que a Igreja é feliz de ser associada às atividades desta ilustre Organização a qual é confiada a responsabilidade promover a paz e a boa vontade em todo o mundo. Caros amigos, eu os agradeço por esta oportunidade de me dirigir a vocês e prometo o sustento das minhas orações para prosseguimento do vosso nobre dever.

Paz e prosperidade com a ajuda de Deus!

Promover matrimônio para garantir a paz, segundo Bento XVI

O Papa relaciona a família a temas globais, constata um estudo

MANASSAS, quarta-feira, 16 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Uma nova análise mostra o giro incomum que Bento XVI deu ao falar de como acabar com os conflitos globais: a promoção do matrimônio, afirma, é essencial se o mundo deseja alcançar a paz.

«O Papa Bento XVI sobre o Matrimônio: Um Compêndio» foi publicado em inglês pelo Instituto para o Matrimônio e a Política Pública, com sede em Virginia, coincidindo com a visita do Santo Padre aos Estados Unidos.

O estudo revela que nestes três anos de pontificado, em 111 ocasiões o Papa pôs publicamente em relação o matrimônio com temas como os direitos humanos, a paz mundial e o diálogo entre fé e razão.

Maggie Gallagher, presidenta do Instituto para o Matrimônio e a Política Pública, disse: «Várias vezes ele deixou claro que o debate sobre o matrimônio e a família é central, não periférico, para a compreensão da pessoa humana e a defesa de nossa dignidade humana».

A análise sublinha os comentários do Papa em certas ocasiões, como ao receber as credenciais do novo embaixador dos EUA ante a Santa Sé e sua mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano.

Refere-se ao discurso papal de 21 de setembro de 2007, quando Bento XVI disse: «Há quem diga que a razão humana é incapaz de captar a verdade, e portanto de buscar o bem que corresponde à dignidade humana. Há quem acredite que é legítimo destruir a vida humana em seus primeiros ou últimos estágios. Igualmente inquietante é a crescente crise da família, que é o núcleo fundamental da sociedade baseada no vínculo indissolúvel do matrimônio entre um homem e uma mulher».

«A experiência mostrou que quando a verdade sobre o homem é subvertida ou os fundamentos da família destruídos, a própria paz está ameaçada e o império da lei comprometido, conduzindo inevitavelmente a formas de injustiça e violência.»

O instituto reconheceu que incluir o matrimônio como um requisito para a paz mundial «choca os ouvidos americanos como algo estranho». Mas, afirmou, «se é assim, Bento XVI deixou claro que não é algo involuntário».

Gallagher sublinha: «a classe de pontificado de Bento XVI já é uma firme admoestação àquelas vozes de nosso tempo que buscam que nos envergonhemos ou sintamos incômodos por cuidar do matrimônio e de temas sexuais, que tentam que vejamos o debate sobre o matrimônio contemporâneo meramente como uma distração de temas mais importantes».
Afirmou que o Papa «claramente conecta a vida e o matrimônio, a pessoa humana e a família humana, com os temas internacionais mais fundamentais da paz e dos direitos humanos, que nosso tempo enfrenta».

Liberdade: dom e responsabilidade, diz Papa

Bento XVI diz que a liberdade deve ser apoiada para a causa do bem

WASHINGTON, D.C., quarta-feira, 16 de abril de 2008 (ZENIT.org).- A liberdade é um desafio para cada nova geração e deve ser constantemente apoiada para a causa do bem, disse Bento XVI.

O Papa afirmou isso hoje, na Casa Branca, no primeiro dia de sua viagem aos Estados Unidos. Ele foi recebido pelo presidente George W. Bush e sua esposa, Laura, e aproximadamente 9.000 convidados, para uma cerimônia oficial de recepção.

O Santo Padre disse, «estou feliz por estar aqui como um convidado de todos os americanos. E venho como amigo, um pregador do Evangelho e com grande respeito por esta vasta sociedade pluralista. Os católicos americanos fizeram, e continuam a fazer, uma excelente contribuição para a vida em seu país. Como eu comecei minha visita, eu acredito que minha presença será uma fonte de renovação e esperança para a Igreja nos Estados Unidos, e reforço na resolução dos católicos a contribuírem sempre mais responsavelmente para a vida desta nação, da qual eles são orgulhosos de ser cidadãos».

Como era esperado, durante uma visita a um país conhecido como «terra da liberdade», o pontífice focou grande parte de seu pronunciamento público sobre o tema da liberdade.

«Desde o alvorecer da República, a busca da América por liberdade foi guiada pela convicção de que os princípios que governam a política e a vida social são intimamente ligados à ordem moral baseada no domínio de Deus Criador», disse. «O curso da história americana demonstra as dificuldades, as lutas e a grande resolução moral e intelectual que foi demandada para delinear uma sociedade fielmente plasmada nesses nobres princípios».

«Neste processo, que forjou a alma da nação, crenças religiosas são uma inspiração constante e força motora, como, por exemplo, na luta contra a escravidão e no movimento pelos direitos civis».

De acordo com a consciência

Bento XVI louvou o fato de que, nos Estados Unidos, fiéis de uma variedade de religiões têm a liberdade de culto «de acordo com os ditames de suas consciências, enquanto ao mesmo tempo são aceitos como parte de uma comunidade na qual cada indivíduo e grupo pode fazer sua voz ser ouvida».

Ainda, o Santo Padre alertou, a liberdade não é somente um dom; também «clama para a responsabilidade pessoal».

«A preservação da liberdade clama pelo cultivo da virtude, auto-disciplina, sacrifício para o bem comum e um senso de responsabilidade em relação aos menos afortunados», afirma. Também demanda a coragem para entrar na vida pública para trazer a fé e os valores mais profundos de cada um para o razoável debate público.

«Em uma palavra, a liberdade é sempre nova. É um desafio manter para cada geração, e muito constantemente ser apoiada para a causa do bem».

Democracia sem alma

Relembrando o ensinamento do Papa João Paulo II, Bento XVI afirmou que «‘em um mundo sem verdade, a liberdade perde seu fundamento’, e a democracia sem valores pode perder sua alma». O Papa disse que George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos, disse algo similar quando sustentou que «religião e moralidade representam ‘apoios indispensáveis’ da prosperidade política».

O Santo Padre insistiu em que a Igreja quer contribuir na construção de um mundo melhor, «bem mais digno para a pessoa humana».

A Igreja, ele disse, acredita que a fé «emite nova luz sobre todas as coisas».

«A fé também nos dá a força para responder a nosso chamado, e a esperança que nos inspira a trabalhar para uma sociedade mais justa e fraterna», acrescentou o pontífice. «A democracia pode somente florescer, como seus pais fundadores sonharam, quando os líderes políticos e aqueles que eles representam forem guiados pela verdade e trouxerem a sabedoria vinda de princípios morais firmes para decisões que afetam a vida e o futuro da nação».

Direitos

O Santo Padre voltou sua atenção para seu pronunciamento de sexta-feira às Nações Unidas.

«Nele, o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, a necessidade da solidariedade global é mais urgente do que nunca, se todas as pessoas estão a viver em um caminho coerente com sua dignidade – como irmãos e irmãs morando numa mesma casa e em volta da mesa na qual a recompensa de Deus é dada para todos seus filhos», disse.

«A América tem tradicionalmente se mostrado generosa em ir ao encontro das necessidades humanas imediatas, fomentando o desenvolvimento e oferecendo alívio às vítimas de catástrofes naturais», continuou o Papa. «Estou confiante que isto que se refere à grande família humana continuará a encontrar expressão em ajuda para os esforços de diplomacia internacional para resolver conflitos e promover progresso.

«Nessa linha, as futuras gerações estarão hábeis a viver em um mundo onde a verdade, a liberdade e a justiça poderão florescer – um mundo onde a dignidade dada por Deus e os direitos de cada homem, mulher e criança sejam respeitados, protegidos e efetivamente avançados».

Discurso do Papa na Universidade Católica da América

Encontro com o mundo universitário católico

WASHINGTON, D.C., sexta-feira, 18 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o discurso que Bento XVI proferiu na tarde dessa quinta-feira, durante o encontro com o mundo universitário católico, na Universidade Católica da América. A tradução à língua portuguesa é de Rádio Vaticano.

Queridos Cardeais,

Queridos Irmãos Bispos,
Ilustres Professores, Mestres e Educadores,

“Como são belos os pés daqueles que anunciam boas notícias!” (Rm 10, 15-17). Com estas palavras de Isaías, citadas por São Paulo, saúdo calorosamente cada um de vocês – portadores de sabedoria – e, através de vocês, todo os funcionários, estudantes e famílias das mais diversas instituições formativas que os senhores representam. Para mim, é um verdadeiro prazer encontrá-los e compartilhar com os senhores algumas reflexões sobre a natureza e a identidade da educação católica. Desejo agradecer, em especial, ao Pe. Davide O’Connell, presidente e reitor da Catholic University of America. Apreciei muito, caro Presidente, as Suas gentis palavras de boas-vindas. Por favor, estenda a expressão da minha cordial gratidão a toda a comunidade – faculdade, funcionários e alunos – desta Universidade.

A tarefa educativa é parte integrante da missão que a Igreja tem de proclamar a Boa Nova. Em primeiro lugar e, sobretudo, toda instituição educativa católica é um local no qual encontrar o Deus vivo, que revela em Jesus Cristo a força transformadora de seu amor e de sua verdade (cfr Spe salvi, 4). Esta relação suscita o desejo de crescer no conhecimento e na compreensão de Cristo e de seu ensinamento. Deste modo, aqueles que o encontram são levados pela força do Evangelho a conduzir uma nova vida, caracterizada por tudo o que é belo, bom e verdadeiro. Uma vida de testemunho cristão nutrido e reforçado em meio à comunidade dos discípulos de Nosso Senhor, a Igreja.

A dinâmica entre encontro pessoal, conhecimento e testemunho cristão é parte integrante da diakonia da verdade que a Igreja exerce em meio à humanidade. A revelação de Deus oferece a todas as gerações a possibilidade de descobrir a verdade última sobre a própria vida e sobre o fim da história. Este dever não é nada fácil: envolve toda a comunidade cristã e motiva toda geração de educadores cristãos a garantir que o poder da verdade de Deus forje toda dimensão das instituições. Desta forma, a Boa Nova de Cristo é colocada em condição de agir, orientando seja o mestre, seja o aluno para a verdade objetiva que, transcendendo do particular e do subjetivo, conduz ao universal e ao absoluto que nos habilita a proclamar com confiança a esperança que não decepciona (cfr Rm 5,5). Contra os conflitos pessoais, a confusão moral e a fragmentação do conhecimento, os nobres objetivos da formação acadêmica e da educação, fundados na unidade da verdade e no serviço à pessoa e à comunidade, se tornam um instrumento especial e poderoso de esperança.

Queridos amigos, a história desta Nação oferece numerosos exemplos do compromisso da Igreja neste campo. De fato, a comunidade católica neste País fez da educação uma de suas mais importantes prioridades. Este feito não se realizou sem grandes sacrifícios. Figuras eminentes, como Santa Elizabeth Ann Seton e outros fundadores e fundadoras, com grande tenacidade e visão, promoveram a criação daquilo que é hoje uma significativa rede de escolas paroquiais, que contribuem ao bem-estar da Igreja e da Nação. Alguns, como Santa Katharine Drexel, dedicaram suas vidas à educação daqueles que foram abandonados por outros – em seu caso, afro-americanos e americanos nativos. Diversos Irmãos e Irmãs e Sacerdotes de Congregações religiosas, ao lado de pais altruístas, ajudaram, através das escolas católicas, gerações de imigrantes a sair da miséria e a assumir um papel na sociedade de hoje.

Este sacrifício continua ainda hoje. Encarregar-se das necessidades materiais, intelectuais e espirituais de mais de três milhões de jovens e estudantes é um excelente apostolado da esperança. Isto oferece também a toda a comunidade católica uma oportunidade altamente louvável para contribuir generosamente com as exigências financeiras de nossas instituições. É preciso assegurar-lhes a possibilidade de se manterem a longo prazo. Efetivamente, deve ser feito todo o possível, em colaboração com a grande comunidade, para garantir seu acesso a pessoas de todos os níveis sociais e econômicos. A nenhum menino ou menina deve ser negado o direito da educação na fé, que, por conseguinte, nutre o espírito da Nação.

Algumas pessoas colocam em dúvida hoje o empenho da Igreja na educação, questionando se os recursos não poderiam ser melhor utilizados em outras iniciativas. Certamente, em uma nação como esta, o Estado oferece amplas oportunidades para a educação e convida mulheres e homens dedicados e generosos para esta honrada profissão. Assim sendo, é oportuno refletir sobre o específico de nossas instituições católicas. Como elas podem contribuir para o bem da sociedade através da missão primária da Igreja que é evangelizar?

Todas as atividades da Igreja nascem de sua consciência de ser portadoras de uma mensagem que tem sua origem no próprio Deus: em sua bondade e sabedoria, Deus escolheu revelar a si mesmo e difundir os desígnios ocultos de sua vontade (cfr Ef 1,9; Dei Verbum, 2). O desígnio de Deus de fazer-se conhecer e o desejo inato de todo ser humano de conhecer a verdade oferecem o contexto da busca humana sobre o significado da vida. Este encontro único é defendido em meio à nossa comunidade cristã: quem procura a verdade se torna alguém que vive da fé (cfr Fides et ratio, 31). Isto pode ser descrito como um movimento do ‘eu’ para o ‘nós’, que leva as pessoas a serem inseridas entre o povo de Deus.

A mesma dinâmica de identidade comunitária – a quem pertenço? – vivifica o ethos de nossas instituições católicas. A identidade de uma Universidade ou de uma Escola católica não é simplesmente uma questão de números de alunos católicos. É uma questão de convicção – acreditamos realmente que somente no mistério do Verbo encarnado se torna verdadeiramente claro o mistério do homem (cfr Gaudium et spes, 22)? Estamos realmente prontos a confiar o nosso ‘eu’, por inteiro – intelecto e vontade, mente e coração – a Deus? Aceitamos a verdade que Cristo revela? Em nossas universidades e escolas, a fé é tangível? Atribuímos a ela fervorosas expressões na liturgia, nos sacramentos, mediante a oração, os gestos de caridade, a solicitude pela justiça e o respeito pela criação de Deus? Somente deste modo nós damos realmente testemunho do sentido de quem somos e do que defendemos.

Desta perspectiva, pode-se reconhecer que a ‘crise de verdade’ contemporânea tem raízes na ‘crise de fé’. Somente mediante a fé nós podemos dar livremente nosso consenso ao testemunho de Deus e reconhecê-Lo como garante transcendente da verdade que Ele revela. Mais uma vez, nós vemos a razão para promover a intimidade pessoal com Jesus Cristo e o testemunho comunitário à sua verdade, que é amor, é indispensável nas instituições formativas católicas.

De fato, todos nós vemos e observamos com preocupação a dificuldade ou a resistência que muitas pessoas têm hoje em entregar-se a Deus. É um fenômeno complexo, sobre o qual reflito continuamente. Enquanto nós tentamos com devoção envolver a inteligência de nossos jovens, pode ser que subestimemos seus desejos. Conseqüentemente, observamos com ansiedade que a noção de liberdade é desviada. A liberdade não é ter o direito de se desvincular de algo. É o direito de se empenhar por alguma coisa, é a participação no próprio Ser. Assim sendo, a autêntica liberdade não pode jamais ser alcançada no afastamento de Deus. Uma escolha semelhante significaria, em conclusão, subestimar a genuína verdade de que precisamos para entender nós mesmos. Por isso, suscitar entre seus jovens o desejo de um ato de fé, encorajando-os a engajar-se na vida eclesial que deriva deste ato de fé, é uma responsabilidade especial de cada um de vocês e de seus colegas. Aqui, a liberdade alcança a certeza da verdade. Na escolha de viver segundo esta verdade, nós abraçamos a plenitude da vida de fé que nos é dada na Igreja.

Claramente, portanto, a identidade católica não depende das estatísticas. Nem pode ser simplesmente equiparada com a ortodoxia do conteúdo dos cursos. Isto requer e inspira muito mais: ou seja, que todos os aspectos de suas comunidades de estudo se reflitam na vida eclesial de fé. Somente na fé a verdade pode ser encarnada e a razão realmente humana, capaz de dirigir a vontade rumo ao caminho da liberdade (cfr Spe salvi, 23). Deste modo, nossas instituições oferecem uma contribuição vital para a missão da Igreja e servem eficazmente a sociedade. Elas se tornam locais nos quais a ativa presença de Deus nos assuntos humanos é reconhecida e todos os jovens descobrem a alegria de entrar no ‘ser para os outros’ de Cristo (cfr ibid., 28).

A missão, primária na Igreja, de evangelizar, na qual as instituições educativas desempenham um papel crucial, está em sintonia com a aspiração fundamental da nação de desenvolver uma sociedade realmente digna da dignidade da pessoa humana. Todavia, por vezes, o valor da contribuição da Igreja ao forum público é colocado em questão. Por isso, é importante recordar que a verdade da fé e a verdade da razão nunca se contradizem entre si (cfr Concílio Ecumênico Vaticano I, Constituição dogmática sobre a Fede católica Dei Filius, IV: DS 3017; S. Agostino, Contra Academicos, III, 20,43). A missão da Igreja, de fato, a envolve na luta que a humanidade empreende para alcançar a verdade. Ao expressar a verdade revelada, ela serve todos os membros da sociedade purificando a razão, garantindo que ela permaneça aberta à consideração das verdades últimas. Nutrindo-se da divina sabedoria, esta esclarece a fundação da moralidade e da ética humana e recorda a todos os grupos na sociedade que não é a práxis a criar a verdade, mas é a verdade que deve servir como base da práxis. Longe do ameaçar a tolerância da legítima diversidade, semelhante contribuição ilumina a própria verdade, que torna alcançável o consenso e ajuda a manter razoável, honesto e confiável o debate público. Do mesmo modo, a Igreja nunca se cansa de sustentar as categorias morais essenciais do justo e do injusto, sem as quais a esperança pode somente murchar, abrindo o caminho a frios cálculos pragmáticos utilitarísticos, que subtraem a identidade da pessoa, fazendo com que se reduza a apenas um número.

Em relação ao forum educativo, a diakonia da verdade assume um elevado significado nas sociedades em que a ideologia do secularismo põe uma divisória entre verdade e fé. Esta divisão levou à tendência de igualar verdade e conhecimento e de adotar uma mentalidade positivistica que, rejeitando a metafísica, nega os fundamentos da fé e rejeita a necessidade de uma visão moral. Verdade significa mais do que conhecimento: conhecer a verdade nos leva a descobrir o bem. A verdade fala ao indivíduo na sua inteireza, convidando-nos a responder com todo o nosso ser. Esta visão otimista é fundada na nossa fé cristã, porque em tal fé é doada a visão do Logos, a Razão criadora de Deus, que na Encarnação se revelou ela mesma como Divindade. A verdade de amor do Evangelho não é somente uma comunicação de dados factuais – “informativa” –, mas é criativa e capaz de mudar a vida – é “performativa” (cfr Spe salvi, 2). Com confiança, os educadores cristãos podem libertar os jovens dos limites do positivismo e despertar neles a receptividade quanto à verdade, a Deus e à sua bondade. Deste modo, os senhores ajudarão também a formar a consciência deles que, enriquecida pela fé, abre um seguro caminho rumo à paz interior e ao respeito pelos outros.

Todavia, não constitui uma surpresa se a sociedade em geral, nem tanto as nossas próprias comunidades eclesiais, espera muito dos educadores católicos. Isso representa para os senhores uma responsabilidade e lhes oferece uma oportunidade. Um número sempre maior de pessoas – em especial de pais – reconhece a necessidade de excelência na formação humana de seus filhos. Como Mater et Magistra, a Igreja compartilha suas preocupações. Quando nada além do indivíduo é reconhecido como definitivo, o critério último de juízo se torna o ‘eu’ e a satisfação dos desejos imediatos do indivíduo. A objetividade e a perspectiva que derivam somente do reconhecimento da essencial dimensão transcendente da pessoa humana podem se perder. Dentro de semelhante horizonte relativístico, os fins da educação são inevitavelmente reduzidos. Lentamente, se afirma um rebaixamento dos níveis. Observamos hoje certa timidez diante da categoria do bem e uma imprudente caça de novidades em evidência como realização da liberdade. Somos testemunhas da convicção de que toda esperança tenha o mesmo valor e da relutância em admitir imperfeições e erros. E particularmente inquietante é a redução da preciosa e delicada área da educação sexual à gestão do “risco”, privo de qualquer referência à beleza do amor conjugal.

Como podem responder os educadores cristãos? Essas perigosas evoluções põem em evidência a particular urgência daquilo que poderíamos chamar de “caridade intelectual”. Esse aspecto da caridade pede ao educador que reconheça que a profunda responsabilidade de conduzir os jovens à verdade é um ato de amor. Na verdade, a dignidade da educação reside na promoção da verdadeira perfeição e da alegria daqueles que devem ser guiados. Na prática, a “caridade intelectual” sustenta a essencial unidade do conhecimento contra a fragmentação que resulta quando a razão é separada da busca da verdade. Isso guia os jovens rumo a uma profunda satisfação de exercitar a liberdade em relação à verdade, e isso leva a formular a relação entre a fé e os vários aspectos da vida familiar e civil. Uma vez que a paixão pela plenitude e pela unidade da verdade foi despertada, os jovens certamente vão saborear a descoberta que a questão sobre aquilo que eles podem conhecer os abre para a vasta aventura daquilo que eles deveriam fazer. Aqui eles experimentarão “em quem” e “em quê” é possível esperar e serão inspirados a oferecer sua contribuição à sociedade de um modo que gere esperança nos outros.

Caros amigos, desejo concluir chamando a atenção especificamente sobre a eminente importância da competência e do testemunho dos senhores dentro de nossas Universidades e Escolas católicas. Primeiramente, permitam-me agradecer-lhes por sua dedicação e generosidade. Conheço desde os tempos em que era professor e depois ouvi de seus Bispos e Oficiais da Congregação para a Educação Católica que a reputação das Instituições educativas neste país é amplamente devida aos senhores e aos seus predecessores. As desinteressadas contribuições dos senhores – da pesquisa externa à dedicação daqueles que trabalham dentro dos Institutos escolares – servem seja este país, seja a Igreja. Por isso, lhes expresso a minha profunda gratidão.

A propósito dos membros das Faculdades nos Colégios universitários católicos, desejo reafirmar o grande valor da liberdade acadêmica. Em virtude desta liberdade, os senhores são chamados a buscar a verdade aonde a atenta análise da evidência os conduz. Todavia, é também o caso de recordar que todo apelo ao princípio da liberdade acadêmica para justificar posições que contradizem a fé e o ensinamento da Igreja podem obstaculizar ou até mesmo trair a identidade e a missão da Universidade, uma missão imprescindível para o munus docendi da Igreja e não é de alguma maneira autônoma ou independente desta.

Professores e administradores de Universidades e Escolas, vocês têm o dever e o privilégio de assegurar que os estudantes recebam uma educação na doutrina e na prática católica. Isso requer que o testemunho público do modo de ser de Cristo, como consta no Evangelho e é proposto pelo Magistério da Igreja, forje todos os aspectos da vida institucional, seja dentro, seja fora das salas de aula. Distanciar-se desta visão enfraquece a identidade católica e, além de não fazer avançar a liberdade, inevitavelmente conduz à confusão seja moral, seja intelectual e espiritual.

Desejo também expressar uma palavra especial de encorajamento aos catequistas, leigos e religiosos que se empenham em assegurar que os jovens se tornem, a cada dia, mais capazes de apreciar o dom da fé. A educação religiosa é um apostolado estimulante e existem muitos sinais em meio aos jovens de desejo de conhecer mais a fé e de praticá-la com determinação. Se quisermos que este despertar aumente, é necessário que os mestres tenham uma clara e precisa compreensão da especifica natureza e do papel da educação católica. Eles devem também estar prontos para orientar o compromisso de toda a comunidade escolar em assistir os nossos jovens e suas famílias a experimentar a harmonia entre fé, vida e cultura.

Agora desejo dirigir um apelo especial aos religiosos, religiosas e sacerdotes: não abandonem o apostolado escolar; aliás, renovem sua dedicação às escolas, especialmente àquelas que estão em áreas mais pobres. Em locais nos quais há muitas falsas promessas que atraem os jovens para longe do caminho da verdade e da liberdade genuína, o testemunho dos conselhos evangélicos oferecidos pela pessoa consagrada é um dom insubstituível. Encorajo os religiosos presentes a investirem um novo entusiasmo na promoção das vocações. Saibam que seu testemunho em favor do ideal da consagração e da missão em meio aos jovens é uma fonte de grande inspiração na fé, para eles e para suas famílias.

A vocês todos digo: sejam testemunhas da esperança! Alimentem o seu testemunho com a oração. Demonstrem a esperança que caracteriza suas vidas (cfr 1 Pt 3,15) vivendo a verdade que vocês propõem a seus alunos. Ajudem-os a conhecer e amar aquele Um que vocês encontraram, cuja verdade e bondade vocês experimentaram com prazer. Com Santo Agostinho dizemos: “Nós que falamos e vocês que ouvem, reconheçamo-nos como fiéis discípulos de um único Mestre” (Serm., 23,2). Com estes sentimentos de comunhão, concedo, de bom grado, a vocês, seus colegas e alunos e a suas famílias a Benção Apostólica.

[Tradução ao português difundida por Rádio Vaticano]

Mensagem de Bento XVI à comunidade judaica

Com motivo da festa de Pesah (Páscoa)

WASHINGTON, D.C., quinta-feira, 17 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos a mensagem que Bento XVI entregou esta quinta-feira durante seu encontro com representantes da comunidade judaica com ocasião da festa de Pesah (Páscoa).

À Comunidade Judaica na Festa de Pesah

A minha vista aos Estados Unidos proporciona-me a ocasião de enviar uma ardente e cordial saudação aos meus irmãos e irmãs judeus desta Nação e do mundo inteiro. Uma saudação que se reveste de maior intensidade espiritual porque está próxima a grande festa de Pesah. «Conservareis a recordação deste dia, comemorando-o com uma solenidade em honra do Senhor: celebrá-la-eis como uma instituição perpétua, de geração em geração» (Êxodo 12, 14). Embora a celebração cristã da Páscoa seja diferente em vários aspectos da vossa celebração de Pesah, nós compreendemo-la e sentimo-la em continuidade com a narração bíblica das grandes obras que o Senhor cumpriu em favor do seu povo.

Por ocasião da vossa celebração mais solene, sinto-me particularmente unido convosco, precisamente por aquilo que os cristãos são convidados pela declaração conciliar “Nostra Ætate” a terem sempre presente, ou seja, que «foi por meio desse povo, com o qual Deus Se dignou, na sua inefável misericórdia, estabelecer a antiga Aliança, que [a Igreja] recebeu a revelação do Antigo Testamento e se alimenta da raiz da oliveira mansa, na qual foram enxertados os ramos da oliveira

brava, os gentios» (n. 4). Ao dirigir-me a vós, desejo reafirmar a doutrina do Concílio Vaticano II sobre as relações católicojudaicas e reiterar o empenho da Igreja no diálogo que, nos quarenta anos passados, mudou fundamentalmente e melhorou o nosso relacionamento.

Em virtude deste crescimento na confiança e na amizade, cristãos e judeus podem, juntos, experimentar o carácter profundamente espiritual da Páscoa, um memorial (zikkarôn) de liberdade e redenção. Quando anualmente ouvimos a narração da Páscoa, voltamos à noite bendita da libertação. Este tempo santo do ano deveria ser um apelo para ambas as nossas comunidades perseguirem a justiça, a misericórdia, a solidariedade para com o estrangeiro, a viúva e o órfão, como Moisés ordenou: «Recorda-te de que foste escravo no Egipto e que o Senhor, teu Deus, te libertou. É por isso que te deu esta ordem» (Deuteronómio 24, 18).

No Sèder da Páscoa, recordais os santos patriarcas Abraão, Isaac e Jacob, e as santas mulheres de Israel, Sara, Rebeca, Raquel e Lia, o início da longa geração de filhos e filhas da Aliança. Com o passar do tempo, a Aliança assume um valor cada vez mais universal, ganhando forma a promessa feita a Abraão: «Abençoar-te-ei, engrandecerei o teu nome e serás uma fonte de bênçãos… Todas as famílias da terra serão em ti abençoadas» (Génesis 12, 2-3). De facto, segundo o profeta Isaías, a esperança da redenção estende-se à humanidade inteira: «Virão muitos povos e dirão: “Vinde, subamos à Montanha do Senhor, à Casa do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos, e nós andaremos pelas suas veredas”» (Isaías 2, 3). Neste horizonte escatológico, é oferecida uma real perspectiva de fraternidade universal pela vereda da justiça e da paz, preparando o caminho do Senhor (cf. Isaías 62, 10).

Cristãos e judeus compartilham esta esperança; de facto, como dizem os profetas, nós somos «prisioneiros da esperança» (Zacarias 9, 12). Este vínculo permite-nos, a nós cristãos, celebrar ao vosso lado, embora a modo nosso, a Páscoa da morte e da ressurreição de Cristo, que vemos como que inseparável de vós mesmos, pois o próprio Jesus afirmou: «A salvação vem dos judeus» (João 4, 22). A nossa Páscoa e a vossa Pesah, apesar de distintas e diferentes, unem-nos na esperança comum que está centrada em Deus e na sua misericórdia. Isto incita-nos a cooperar uns com os outros e com todos os homens e mulheres de boa vontade, a fim de fazermos melhor este mundo para todos, à espera do cumprimento das promessas de Deus.

Com respeito e amizade, peço, pois, à Comunidade Judaica que aceite os meus votos de Pesah num espírito de abertura às reais possibilidades de cooperação que se abrem diante de nós, enquanto contemplamos as urgentes necessidades do nosso mundo e olhamos com compaixão para os sofrimentos de milhões de irmãs e irmãos nossos em toda a terra. Naturalmente, a nossa compartilhada esperança de paz no mundo abraça o Médio Oriente e, de modo particular, a Terra

Santa. Possa a recordação das misericórdias do Senhor, que judeus e cristãos celebram neste tempo de festa, inspirar a todos os responsáveis pelo futuro daquela região – onde tiveram realmente lugar os acontecimentos ligados à revelação de Deus – renovados esforços e, especialmente, novas atitudes e uma nova purificação dos corações!

No meu coração, repito convosco o salmo do Hallel pascal, invocando abundantes bênçãos divinas sobre vós:

«Louvai o Senhor porque Ele é bom, porque é eterno o seu amor.

Diga-o a Casa de Israel: “É eterno o seu amor” (…).

Digam-nos os fiéis do Senhor: “É eterno o seu amor” (Salmo 118, 1-4).

Do Vaticano, 14 de Abril de 2008.

BENEDICTUS PP. XVI

Bento XVI recebe grupo de vítimas de abusos sexuais

«Nenhuma palavra minha poderá descrever a dor e o dano produzido»

WASHINGTON, quinta-feira, 17 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI recebeu nesta quinta-feira um grupo de vítimas de abusos sexuais cometidos por sacerdotes. O pontífice reconheceu não haver palavras para expressar a dor que produziram.

Segundo revelou um comunicado emitido pela Santa Sé, às 4h15 da tarde, «o Santo Padre encontrou na capela da nunciatura apostólica em Washington um pequeno grupo de pessoas que sofreram abusos sexuais da parte de membros do clero».

«O arcebispo de Boston, o cardeal Sean O’Malley, acompanhou ao grupo», pois essa arquidiocese foi uma das mais afetadas pelos escândalos.

«Rezaram com o Santo Padre, que depois escutou seus relatos pessoais e lhes ofereceu palavras de alento e de esperança», explica a nota.

«Sua Santidade lhes assegurou suas orações por suas intenções, por suas famílias e por todas as vítimas dos abusos sexuais», conclui o comunicado.

Na manhã, durante a homilia que presidiu no estádio do «Nationals Park» de Washington, o Santo Padre reconheceu «a dor que sofreu a Igreja na América como conseqüência do abuso sexual de menores».

Era a terceira vez desde que tomou o avião para viajar para Washington que falava sobre o tema com termos muito emotivos.

«Nenhuma palavra minha poderá descrever a dor e o dano produzido por tal abuso», reconheceu na homilia, sublinhando que «e importante que se preste uma cordial atenção pastoral aos que sofreram».

«Tampouco posso expressar adequadamente o dano que se fez dentro da comunidade da Igreja – assegurou –. Já se fizeram grandes esforços para enfrentar de maneira honesta e justa esta trágica situação e para assegurar que as crianças – às que nosso Senhor ama entranhavelmente, e que são nosso tesouro maior – possam crescer em um ambiente seguro».

«Estes esforços para proteger às crianças hão de continuar. Ontem falei disto com vossos bispos. Hoje animo a cada um de vocês a fazer tudo que lhes for possível para promover a recuperação e a reconciliação, e para ajudar aos que foram feridos», indicou.

Por último o Papa pediu aos fiéis que «estimem a seus sacerdotes e os reafirmem no excelente trabalho que fazem. E, sobretudo, orem para que o Espírito Santo derrame seus dons sobre a Igreja, os dons que levam à conversão, ao perdão e o crescimento na santidade».

Homilia de Bento XVI na missa celebrada no «Nacionals Stadium» de Washington

WASHINGTON, quinta-feira, 17 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos a homilia da missa que Bento XVI presidiu no «Nationals Stadium» de Washington, na manhã desta quinta-feira.

Queridos irmãos e irmãs em Cristo:

«A paz esteja convosco» (Jo 20, 19). Com estas palavras, as primeiras que o Senhor ressuscitado dirigiu aos seus discípulos, eu vos saúdo no júbilo deste tempo pascal. Antes de tudo, dou graças a Deus pela graça de estar entre vós. Agradeço em particular ao arcebispo Wuerl por suas amáveis palavras de boas-vindas.

Nossa Missa de hoje leva a Igreja dos Estados Unidos às suas raízes no próximo Maryland e recorda o 200º aniversário do primeiro capítulo do seu considerável crescimento: a divisão que meu predecessor Pio VII fez da diocese originária de Baltimore e a instauração das dioceses de Boston, Bardstown, atualmente Louisville, Nova York e Filadélfia. Duzentos anos depois, a Igreja na América tem bons motivos para elogiar a capacidade das gerações passadas de aglutinar grupos de imigrantes muito diferentes na unidade da fé católica e no esforço comum por difundir o Evangelho. Ao mesmo tempo, a comunidade católica neste país, consciente de sua rica multiplicidade, valorizou cada vez mais plenamente a importância de que cada indivíduo e grupo ofereçam seu próprio dom particular ao conjunto. Agora a Igreja nos Estados Unidos está chamada a dirigir seu olhar ao futuro, firmemente arraigada na fé transmitida pelas gerações anteriores e disposta a enfrentar novos desafios – não menos exigentes que os que vossos antepassados enfrentaram – com a esperança que nasce do amor de Deus, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5, 5).

No exercício do meu ministério de sucessor de Pedro, eu vim à América para confirmar-vos, queridos irmãos e irmãs, na fé dos Apóstolos (cf. Lc 22, 32). Eu vim para proclamar novamente, com São Pedro fez no dia de Pentecostes, que Jesus Cristo é Senhor e Messias, ressuscitado da morte, sentado à direita do Pai na glória e constituído juiz de vivos e mortos (cf. Atos 2, 14ss). Eu vim para reiterar o apelo urgente dos Apóstolos à conversão par ao perdão dos pecados e para implorar ao Senhor uma nova efusão do Espírito Santo sobre a Igreja neste país. Como ouvimos neste tempo pascal, a Igreja nasceu dos dons do Espírito Santo: o arrependimento e a fé no Senhor ressuscitado. Ela se vê impulsionada pelo próprio Espírito em cada época a levar a boa nova da nossa reconciliação com Deus em Cristo a homens e mulheres de toda etnia, língua e nação. (cf Ap 5, 9).

As leituras da Missa de hoje nos convidam a considerar o crescimento da Igreja na América como um capítulo na maior história da expansão da Igreja depois da vinda do Espírito Santo em Pentecostes. Nestas leituras, vemos a união inseparável entre o Senhor ressuscitado e o dom do Espírito para o perdão dos pecados e o mistério da Igreja. Cristo constituiu sua Igreja sobre o fundamento dos Apóstolos (cf. Ap 21, 14), como comunidade estruturada visível, que é ao mesmo tempo comunhão espiritual, corpo místico animado pelos múltiplos dons do Espírito e sacramento de salvação para toda a humanidade (cf. Lumen gentium, 8). A Igreja está chamada, em todo tempo e lugar, a crescer na unidade mediante uma constante conversão a Cristo, cuja obra redentora é proclamada pelos sucessores dos Apóstolos e celebrada nos sacramentos. Por outro lado, esta unidade comporta uma «expansão contínua», porque o Espírito incita os crentes a proclamar «as grandes obras de Deus» e a convidar todas as pessoas a entrar na comunidade dos salvos mediante o sangue de Cristo, e que receberam a vida nova no seu Espírito.

Peço também para que este aniversário significativo na vida da Igreja nos Estados Unidos e a presença do sucessor de Pedro entre vós sejam para todos os católicos uma oportunidade de reafirmar sua unidade na fé apostólica, para oferecer aos seus contemporâneos uma razão convincente da esperança que os inspira (cf. 1 Ped 3, 15) e para renovar seu zelo missionário ao serviço da difusão do Reino de Deus.

O mundo precisa do testemunho. Quem pode negar que o momento atual é decisivo, não somente para a Igreja na América, mas também para a sociedade em seu conjunto? É um tempo repleto de grandes promessas, pois vemos como a família humana se torna comum de diversas formas, tornando-se cada vez mais interdependente. Ao mesmo tempo, no entanto, percebemos sinais evidentes de um rompimento preocupante dos próprios fundamentos da sociedade: sinais de alienação, ira e contraposição em muitos contemporâneos nossos; aumento da violência, enfraquecimento do senso moral, vulgaridade nas relações sociais e crescente esquecimento de Deus. Também a Igreja vê sinais de grandes promessas em suas numerosas paróquias sólidas e nos movimentos vivazes, no entusiasmo pela fé, demonstrado por muitos jovens, e no número dos que cada ano abraçam a fé católica e em um interesse cada vez maior pela oração e pela catequese. Mas ao mesmo tempo, percebe freqüentemente com dor que existe divisão e contrastes em seu seio, descobrindo também o fato desconcertante de que tantos batizados, ao invés de atuar como fermento espiritual no mundo, inclinam-se a adotar atitudes contrárias à verdade do Evangelho.

«Senhor, enviai o vosso Espírito e renovai a face da terra» (cf. Salmo 104, 30). As palavras do salmo responsorial de hoje são uma oração que, sempre e em todo lugar, brota do coração da Igreja. Elas nos lembram que o Espírito Santo foi infundido como primícias de uma nova criação, de «novos céus e nova terra» (cf. 2 P 3,13; Ap 21, 1) nos quais reinará a paz de Deus e a família humana será reconciliada na justiça e no amor. Ouvimos São Paulo dizer que toda a criação «geme» até hoje, em espera da verdadeira liberdade, que nos torna capazes de viver conforme sua vontade. Oremos hoje insistentemente para que a Igreja na América seja renovada nesse mesmo Espírito e ajudada em sua missão de anunciar o Evangelho a um mundo que tem nostalgia de uma genuína liberdade (cf Jo 8, 32), de uma felicidade autêntica e do cumprimento das suas aspirações mais profundas.

Desejo neste momento dirigir uma palavra particular de gratidão e estímulo a todos os que acolheram o desafio do Concílio Vaticano II, tantas vezes repetido pelo Papa João Paulo II, e dedicaram sua vida à nova evangelização. Agradeço meus irmãos bispos, aos sacerdotes e diáconos, aos religiosos e religiosas, aos pais, professores e catequistas. A fidelidade e o valor com que a Igreja neste país conseguirá enfrentar os desafios de uma cultura cada vez mais secularizada e materialista dependerão em grande parte da vossa fidelidade pessoal ao transmitir o tesouro da nossa fé católica. Os jovens precisam ser ajudados para discernir o caminho que conduz à verdadeira liberdade: o caminho de uma sincera e generosa imitação de Cristo, o caminho da entrega à justiça e à paz. Houve muito progresso no desenvolvimento de programas sólidos para a catequese, mas ainda resta muito a fazer para formar os corações e as mentes dos jovens no conhecimento e no amor de Deus. Os desafios que nos são apresentados exigem ums instrução ampla e sadia na verdade da fé. Mas requerem cultivar também uma forma de pensar, uma «cultura» intelectual que seja autenticamente católica, que confie na harmonia profunda entre fé e razão, e disposta a transmitir a riqueza da visão da fé em contato com as questões urgentes que concernem ao futuro da sociedade americana.

Queridos amigos, minha visita aos Estados Unidos quer ser um testemunho de «Cristo, nossa esperança». Os americanos foram sempre um povo de esperança: vossos antepassados vieram a este país com a expectativa de encontrar uma nova liberdade e novas oportunidades, e a extensão de territórios inexplorados os inspirou a esperança de poder começar completamente de novo, criando uma nova nação sobre novos fundamentos. Certamente, esta não foi a experiência de todos os habitantes deste país; basta pensar nas injustiças sofridas pelas populações americanas nativas e dos que foram trazidos da África à força, como escravos. Mas a esperança, a esperança no futuro, faz parte profundamente do caráter americano. E a virtude cristã da esperança – a esperança derramada em nosso coração pelo Espírito Santo, a esperança que purifica e endireita de forma sobrenatural nossas aspirações, orientando-as ao Senhor e ao seu plano de salvação –, esta esperança caracterizou também, e continua caracterizando, a vida da comunidade católica neste país.

No contexto desta esperança nascida do amor e da fidelidade de Deus, reconheço a dor que a Igreja na América sofreu como conseqüência do abuso sexual de menores. Nenhuma palavra minha poderia descrever a dor e o dano produzido por tal abuso. É importante que se preste uma cordial atenção pastoral aos que sofreram. Tampouco posso expressar adequadamente o dano que se fez dentro da comunidade da Igreja. Já foram feitos grandes esforços para enfrentar de maneira honesta e justa esta trágica situação e para assegurar que as crianças – às quais nosso Senhor ama profundamente (cf Mc 10, 14), e que são nosso maior tesouro – possam crescer em um ambiente seguro. Estes esforços para proteger as crianças devem continuar. Ontem falei disso com vossos bispos. Hoje animo cada um de vós a fazer o que vos for possível para promover a recuperação e a reconciliação, e para ajudar os que foram afetados. Peço-vos também que estimem seus sacerdotes e os reafirmem no excelente trabalho que realizam. E, sobretudo, orem para que o Espírito Santo derrame seus dons sobre a Igreja, os dons que levam à conversão, ao perdão dos pecados e ao crescimento na santidade.

São Paulo, como escutamos na segunda leitura, fala de uma espécie de oração que brota das profundezas dos nossos corações com suspiros que são profundos demais para serem expressos com palavras, com «gemidos» (cf. Rm 8, 26) inspirados pelo Espírito. Esta é uma oração que almeja, em meio à tribulação, o cumprimento das promessas de Deus. É uma súplica de esperança inesgotável, mas também de paciente perseverança e, às vezes, acompanhada pelo sofrimento pela verdade. Através desta oração, participamos do mistério da própria fraqueza e sofrimento de Cristo, enquanto confiamos firmemente na vitória da sua cruz. Que a Igreja na América, com esta oração, empreenda cada vez mais o caminho da conversão e da fidelidade ao Evangelho. E que todos os católicos experimentem o consolo da esperança e os dons da alegria e da força, infundidos pelo Espírito.

No relato evangélico de hoje, o Senhor ressuscitado outorga aos Apóstolos o dom do Espírito Santo e lhes concede a autoridade para perdoar os pecados. Mediante o poder invencível da graça de Cristo, confiado a frágeis ministros humanos, a Igreja renasce continuamente e a cada um de nós é dada a esperança de um novo começo. Confiemos no poder do Espírito de inspirar conversão, curar cada ferida, superar toda divisão e suscitar vida e liberdades novas. Quanta necessidade nós temos desses dons! E quão próximos eles estão de nós, particularmente no sacramento da penitência! A força libertadora desse sacramento, no qual nossa sincera confissão do pecado encontra a palavra misericordiosa de perdão e paz da parte de Deus, precisa ser redescoberta por cada católico. A renovação da Igreja na América depende em grande parte da renovação da regra da penitência e do crescimento na santidade: os dois são inspirados e realizados por esse sacramento.

«É na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24). Enquanto a Igreja nos Estados Unidos dá graças pelas bênçãos dos 200 anos passados, eu convido a vós, vossas famílias e cada paróquia e comunidade religiosa a confiar no poder da graça para criar um futuro prometedor para o povo de Deus neste país. Em nome do Senhor Jesus, eu vos peço que evitem toda divisão e que trabalhem com alegria para preparar um caminho para Ele, fiéis à sua palavra e em constante conversão à sua vontade. Eu vos exorto, sobretudo, a continuar sendo fermento de esperança evangélica na sociedade americana, com o fim de levar a luz e a verdade do Evangelho na tarefa de criar um mundo cada vez mais justo e livre para as gerações futuras.

Quem tem esperança vive de outra forma (cf. Spe Salvi, 2). Que vós, mediante vossas orações, vosso testemunho de fé e a fecundidade da vossa caridade, indiqueis o caminho rumo a esse horizonte imenso de esperança que Deus está abrindo também hoje à sua Igreja, mais ainda, a toda a humanidade: a visão de um mundo reconciliado e renovado em Jesus Cristo, nosso Salvador. A Ele honra e glória, agora e sempre. Amém.

[Tradução: Aline Banchieri.

© Copyright 2008 -- Libreria Editrice Vaticana]

Religião não é mero assunto privado, alerta Papa

Alenta bispos a promoverem encontro dos americanos com Deus

WASHINGTON, quinta-feira, 17 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI fez um alerta sobre a tentação de tratar a religião como um assunto meramente privado, assegurando que a fé constitui uma contribuição positiva para os diferentes aspectos da vida.

O pontífice abordou o tema no discurso que dirigiu na tarde dessa quarta-feira aos bispos dos Estados Unidos, no Santuário Nacional da Imaculada Conceição. Em sua intervenção, enfrentou questões candentes para a Igreja neste país: desde a imigração até a formação dos sacerdotes. Quando concluiu o encontro, os cardeais e bispos lhe cantaram «Happy Birthday», no dia em que completava 81 anos.

O Santo Padre sublinhou o papel central dos bispos, perguntando-se: «como, no século XXI, pode um bispo cumprir da melhor forma possível o chamado a “renovar-se todo em Cristo, nossa esperança”? Como pode guiar seu povo ao “encontro com o Deus vivo”».

«Talvez precise derrubar antes de tudo algumas barreiras que impedem este encontro», continuou propondo. «Ainda que seja verdade que este país está marcado por um autêntico espírito religioso, a sutil influência do laicismo pode indicar contudo o modo no qual as pessoas permitem que a fé influa em seus próprios comportamentos».

«É acaso coerente professar nossa fé no domingo no templo e logo, durante a semana, dedicar-se a negócios ou promover intervenções médicas contrárias a esta fé?», perguntou o Papa.

«Seria talvez coerente para católicos praticantes ignorar ou explorar os pobres e marginalizados, promover comportamentos sexuais contrários ao ensinamento moral católico, ou adotar posições que contradizem o direito à vida de cada ser humano desde sua concepção até sua morte natural?», seguiu perguntando.

«É necessário resistir a toda tendência que considere a religião como um fato privado. Só quando a fé impregna cada aspecto da vida, os cristãos se abrem verdadeiramente à força transformadora do Evangelho», afirmou.

Materialismo

Bento XVI seguiu apresentando outro obstáculo «a um encontro com o Deus vivo» vivido pelos americanos: «a sutil influência do materialismo».

«As pessoas precisam hoje ser chamadas de novo ao objetivo último de sua existência. Precisam reconhecer que em seu interior há uma profunda sede de Deus. Precisam ter a oportunidade de enriquecer-se do poço de seu amor infinito».

«É fácil ser atraídos pelas possibilidades quase ilimitadas que a ciência e a técnica nos oferecem; é fácil cometer o erro de crer que se pode conseguir com nossos próprios esforços saciar as necessidades mais profundas. Esta é uma ilusão. Sem Deus, que nos dá o que nós por si só não podemos alcançar, nossas vidas estão realmente vazias».

Liberdade sem limites

Outro obstáculo, segundo o Papa, é a ênfase exagerada na liberdade e na autonomia de cada pessoa, fazendo que seja «fácil perder de vista nossa dependência dos demais, assim como a responsabilidade que temos nas relações com eles».

«Esta acentuação do individualismo influenciou inclusive a Igreja, dando origem a uma forma de piedade que às vezes sublinha nossa relação privada com Deus em detrimento do chamado a ser membros de uma comunidade redimida», denunciou.

«Se queremos ter verdadeiramente fixo o olhar para com Ele, fonte de nossa alegria, temos de fazê-lo como membros do Povo de Deus. Se parecesse que isto vai contra a cultura atual, seria simplesmente uma nova prova da urgente necessidade de uma renovada evangelização da cultura».

Verdade e vida pública

O pontífice alentou, por isso, os bispos a darem prioridade à educação e a participar no debate público.

«Nos Estados Unidos, como em outras partes, há atualmente muitas leis já em vigor ou em discussão que suscitam preocupação desde o ponto de vista da moralidade, e a comunidade católica, sob vossa guia, deve oferecer um testemunho claro e unitário sobre estas matérias».

«Não obstante, é mais importante ainda a abertura gradual das mentes e dos corações da comunidade mais ampla à verdade moral: aqui há ainda muito por fazer. Neste âmbito é crucial o papel dos fiéis leigos para atuarem como “fermento” na sociedade».

«Contudo, não se deve dar por pressuposto que todos os cidadãos católicos pensem de acordo com o ensinamento da Igreja sobre as questões éticas fundamentais de hoje. Uma vez mais é vosso dever procurar que a formação moral oferecida a cada nível da vida eclesial reflita o autêntico ensinamento do Evangelho da vida».

O papel da família

Neste contexto, o bispo de Roma alentou a formação das famílias: «Como não se sentir desconcertados ao observar a rápida decadência da família como elemento básico da Igreja e da sociedade? O divórcio e a infidelidade estão aumentando, e muitos jovens homens e mulheres decidem adiar o casamento ou inclusive evitá-lo completamente».

E acrescentou: «Alguns jovens católicos consideram o vínculo sacramental do matrimônio pouco distinto de uma união civil ou o entendem inclusive como um simples acordo para viver com outra pessoa de modo informal e sem estabilidade. Como conseqüência, percebe-se uma alarmante diminuição de casamentos católicos nos Estados Unidos, junto com um aumento de convivências nas quais está simplesmente ausente a recíproca autodoação dos noivos à maneira de Cristo, mediante o selo de uma promessa pública de viver as exigências de um compromisso indissolúvel para toda a existência».

«É vosso dever», disse ao concluir seu discurso aos bispos, «proclamar com força os argumentos de fé e de razão que falam da instituição do matrimônio, entendido como compromisso para a vida entre um homem e uma mulher, aberto à transmissão da vida».

«Esta mensagem deverá ressoar diante das pessoas de hoje, já que é essencialmente um “sim” incondicional e sem reservas à vida, um “sim” ao amor e um “sim” às aspirações do coração de nossa comum humanidade, uma vez que nos esforçamos para realizar nosso profundo desejo de intimidade com os demais e com o Senhor», assinalou.

Papa: Esperança cristã é necessária para o mundo

45.000 pessoas reunidas para ouvir Bento XVI no Nationals Stadium

WASHINGTON, D.C., quinta-feira, 17 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI disse que o mundo se encontra em uma encruzilhada entre grandes promessas para o futuro e a ruína dos fundamentos da sociedade, e os cristãos são chamados a dar testemunho de sua esperança nesse contexto.

O Papa afirmou isso hoje para uma multidão de 45.000 pessoas reunidas no National Stadium para uma Missa na capital americana.

«Primeiramente, agradeço a Deus pela bênção de estar em vosso meio», disse o Santo Padre no início de sua homilia.

Lembrando do 200º aniversário da primeira diocese americana, de Baltimore, o pontífice acrescentou, «a Igreja na América pode certamente elogiar a conquista das gerações passadas em reunir diferentes grupos de imigrantes na unidade da fé católica e em uma comunhão compromissada com a extensão do Evangelho».

«A Igreja nos Estados Unidos é agora chamada a olhar para o futuro», disse ele, «firmemente solidificada na fé passada adiante por gerações prévias, e estar pronta para encontrar novos desafios – desafios não menos exigentes que aqueles encarados por seus antepassados – com a esperança advinda do amor de Deus, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo».

Bento XVI encorajou a fé em um «incessante alcance missionário», dizendo que ele reza para que «este significante aniversário na vida da Igreja nos Estados Unidos, e a presença do Sucessor de Pedro em vosso meio, seja uma ocasião para todos os Católicos reafirmarem sua unidade na fé apostólica, para oferecer a seus contemporâneos um testemunho convincente de esperança que os inspira a ser renovados no zelo missionário para a extensão do Reino de Deus».

Ele continua: «O mundo precisa desse testemunho! Quem pode negar que o momento presente é uma encruzilhada, não somente para a Igreja na América mas também para toda a sociedade? É um tempo de grandes promessas, como nós vemos a família humana em muitos caminhos se aproximando e tornando-se mais interdependente. Já ao mesmo tempo vemos claros sinais de uma perturbadora ruína em muitos fundamentos da sociedade: sinais de alienação, de ódio e polarização em parte de muitos de nossos contemporâneos; violência crescente; um enfraquecimento do senso moral; um endurecimento das relações sociais; e um crescimento do esquecimento de Deus.

«A Igreja, também, vê sinais de imensa promessa em suas muitas paróquias fortes e movimentos vitais, no entusiasmo para a fé mostrado por muitos jovens, no número daqueles que a cada ano abraçam a fé Católica, e no grande interesse em orações e catequeses. Ao mesmo tempo ela sente, sempre com dor, a presença de divisão e polarização em seu meio, como também a percepção problemática de que muitos dos batizados, antes de agir como fermento no mundo, são inclinados a abraçar atitudes contrárias à verdade do Evangelho».

Esperança

Bento XVI caracterizou os americanos como um «povo de esperança». Nesse contexto, ele novamente mencionou os escândalos de abusos sexuais que abalaram a Igreja nos Estados Unidos há alguns anos atrás.

«É no contexto desta esperança advinda do amor de Deus e fidelidade que reconheço a dor com a qual a Igreja na América experimentou como resultado do abuso sexual de menores», disse. «Nenhuma palavra minha poderia descrever a dor e o dano causado por tais abusos. É importante que àqueles que sofreram seja dada uma amável atenção pastoral. Nem posso eu adequadamente descrever o dano que ocorreu entre a comunidade eclesial».

«Hoje encorajo cada um de vós a fazer o que puder para fomentar cura e reconciliação, e para assistir aqueles que sofreram. Também peço a vós para amar vossos sacerdotes, e confirmar-lhes no excelente trabalho que fazem. E, acima de tudo, peço ao Espírito Santa para derramar seus dons sobre a Igreja, os dons que levam à conversão, perdão e crescimento na esperança».

Comentando o Evangelho da Missa de hoje, o Santo Padre também encorajou uma renovação no sacramento da confissão.

«Vamos confiar no poder do Espírito de inspirar conversão, para curar toda ferida, para terminar com toda divisão, e para inspirar nova vida e liberdade», disse. «Quanto precisamos desses dons! E quão próximo eles estão, particularmente no sacramento da penitência! O poder libertador desse sacramento, no qual nossa honesta confissão dos pecados encontra-se com misericordiosa palavra de perdão e paz de Deus, precisa ser redescoberto e retomado por cada católico.

«Para uma grande extensão, a renovação da Igreja na América depende da renovação da prática da penitência e o crescimento na santidade que esse sacramento inspira e alcança».

O pontífice concluiu a homilia com algumas palavras em espanhol.

«A Igreja nos Estados Unidos, acolhendo em seu seio tantos de seus filhos imigrantes, cresceu graças também à vitalidade do testemunho de fé dos fiéis de língua espanhola», disse o Papa. «Por isso, o Senhor os chama a seguir contribuindo para o futuro da Igreja neste país e para a difusão do Evangelho. Só se estiverem unidos a Cristo e entre vocês, seu testemunho evangelizador será fiel e florescerá em copiosos frutos de paz e reconciliação em meio de um mundo muitas vezes marcado por divisões e confrontos».

[Traduzido do inglês por José Caetano]

Discurso do Papa aos bispos dos Estados Unidos

WASHINGTON, D.C., quinta-feira, 17 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o discurso que Bento XVI dirigiu na tarde desta quarta-feira aos bispos dos Estados Unidos no Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington. A tradução ao português é de Rádio Vaticano.

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Venerados irmãos no Episcopado,

É grande a minha alegria ao saudá-los hoje, no início de minha visita a este país, e agradeço o cardeal George pelas palavras gentis que me dirigiu em seu nome. Desejo agradecer cada um de vocês, especialmente os Oficiais da Conferência Episcopal, pelo difícil trabalho que enfrentaram na preparação desta viagem. Expresso meu grato apreço também à equipe de voluntários do Santuário nacional, que nos acolheram aqui, esta noite. Os católicos dos EUA são conhecidos por sua leal devoção à Sé de Pedro. Minha visita pastoral é uma ocasião para reforçar ainda mais os vínculos de comunhão que nos unem. Iniciamos com a celebração da Oração da Noite, nessa Basílica dedicada à Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria, santuário de significado especial para os católicos americanos, bem no coração de sua Capital. Unidos em oração com Maria, Mãe de Jesus, confiamos com amor, ao nosso Pai celeste, o Povo de Deus de todas as partes dos EUA.

Para as comunidades católicas de Boston, Nova York, Filadélfia e Louisville, este é um ano de celebrações especiais, pois marca o bicentenário da ereção destas Igrejas locais em dioceses. Uno-me a vocês ao agradecer os dons celestes concedidos às Igrejas nestes lugares, nos últimos dois séculos. Este ano assinala também o bicentenário da sede fundadora, Baltimore, a arquidiocese, e isto me oferece a oportunidade para recordar com admiração e gratidão a vida e o ministério de John Carrol, primeiro bispo de Baltimore e digno Pastor da comunidade católica em sua Nação, independente havia pouco tempo. Seus incansáveis esforços para difundir o Evangelho no grande território a ele confiado depuseram as bases da vida eclesial em seu País e permitiram à Igreja nos EUA crescer rumo ao amadurecimento. Hoje, a comunidade católica que servem é uma das maiores do mundo, e uma das mais influentes. Como é importante, portanto, fazer com que a sua luz brilhe diante de seus cidadãos e do mundo, ‘para que vejam as suas boas obras e glorifiquem seu Pai, que está no céu’.

Muitas das pessoas com as quais John Carrol e seus irmãos Bispos exerceram o ministério, dois séculos atrás, vieram de terras distantes. A diversidade de sua proveniência se reflete na rica variedade da vida eclesial da América de hoje. Queridos Irmãos Bispos, desejo encorajar vocês e suas comunidades a continuarem a acolher os imigrantes que se unem hoje a suas comunidades, a compartilhar suas alegrias e esperanças, a sustentá-los em seus sofrimentos e provações, e a ajudá-los a prosperar em sua nova casa. Por outro lado, isto é o que seus compatriotas fizeram, por tantas gerações. Desde os inícios, eles abriram as portas aos mais provados, aos pobres, às “massas que se acalcavam tentando respirar na liberdade (cfr Soneto inciso na Estátua da Liberdade). Eram pessoas que a América fez suas.

Entre aqueles que aqui vieram para construir uma vida nova, muitos foram capazes de utilizar bem os recursos e oportunidades que aqui encontraram, e alcançar um elevado nível de prosperidade. Na verdade, os cidadãos deste País são conhecidos por sua grande vitalidade e criatividade. São conhecidos também por sua generosidade. Depois do ataque às Torres Gêmeas, em setembro de 2001, e ainda, depois do furacão Katrina, em 2005, os americanos mostraram sua prontidão em ajudar seus irmãos e irmãs que estavam em necessidade. Em nível internacional, a contribuição oferecida pelo povo da América às operações de socorro e salvamento depois do tsunami, em dezembro de 2004, foi mais uma demonstração desta compaixão. Permitam-me expressar especial apreço pelas inúmeras formas de assistência humanitária oferecida pelos católicos americanos através das Caritas católicas e outras agências. Sua generosidade deu frutos na atenção aos pobres e carentes, assim como na energia manifestada na construção da rede nacional de paróquias católicas, hospitais, escolas e universidades. Tudo isso oferece um sólido motivo de agradecimento.

A América é também terra de grande fé. Seu povo é bem conhecido pelo fervor religioso e é orgulhoso de pertencer a uma comunidade fiel. Tem confiança em Deus e não hesita em introduzir nos temas públicos razões morais enraizadas na fé bíblica. O respeito pela liberdade de religião é profundamente arraigado na consciência americana, um dado concreto que contribuiu a fazer com este país atraísse gerações de imigrantes, em busca de uma casa na qual professar seu culto a Deus livremente, segundo as próprias convicções religiosas.

Neste contexto, constato, com prazer, a presença, em meio de vocês, de Bispos de todas as veneráveis Igrejas orientais em comunhão com o Sucessor de Pedro: saúdo-os com alegria especial. Queridos irmãos, peço-lhes que assegurem às suas comunidades meu carinho profundo e orações incessantes, seja por elas como para os muitos irmãos e irmãs que permaneceram em suas terras de origem. Sua presença neste País é memória do testemunho corajoso por Cristo de tantos membros de suas comunidades, freqüentemente em meio a sofrimentos, nas próprias Pátrias. Isto é também um grande enriquecimento para a vida eclesial na América, pois oferece uma viva expressão da catolicidade da Igreja e da variedade de suas tradições litúrgicas e espirituais.

É neste fértil solo, nutrido por tão numerosas e diferentes fontes que vocês, Irmãos no Episcopado, são chamados hoje a espalhar a semente do Evangelho. Isto me leva a perguntar-me como, no século XXI, um Bispo possa cumprir melhor o seu chamado “a fazer novas todas as coisas em Cristo, nossa esperança?” Como ele pode conduzir seu povo “ao encontro de Deus vivo”, fonte de esperança que transforma a vida, de que fala o Evangelho? (cfr Spe salvi, 4).

Talvez ele precise abater, antes de tudo, algumas barreiras que impedem este encontro. Embora seja verdade que este País se distingue por um genuíno espírito religioso, a sutil influência do secularismo pode, todavia, marcar o modo com o qual as pessoas permitem que a fé influencie seus comportamentos. É, talvez, coerente, professar a nossa fé aos domingos, e depois, durante a semana, promover práticas de negócios ou procedimentos médicos contrários a esta fé? É talvez coerente que os católicos praticantes ignorem ou explorem os pobres e marginalizados, promovam comportamentos sexuais contrários ao ensinamento moral católico, ou adotem posições que contradigam o direito à vida de todo ser humano, desde a concepção até a morte natural? É preciso resistir a todas as tendências a considerar a religião como um fato privado. Somente quando a fé permeia todo aspecto da vida, os cristãos se tornam realmente abertos ao poder transformador do Evangelho.

Para uma sociedade rica, outro obstáculo ao encontro com Deus vivo é a sutil influência do materialismo, que, infelizmente, pode facilmente concentrar a atenção no “cem vezes isso”, prometido por Deus nesta vida, à custa da vida eterna que ele promete para o tempo que virá. As pessoas precisam hoje ser recordadas sobre o objetivo final da existência. Precisam reconhecer que dentro delas, existe uma sede profunda de Deus. Precisam ter a oportunidade de se nutrir no poço de seu amor infinito. É fácil se seduzir pelas possibilidades quase ilimitadas que a ciência e a técnica nos oferecem. É fácil cometer o erro de pensar em poder obter, com os nossos próprios esforços, a realização de nossas necessidades mais profundas. Isto é uma ilusão. Sem Deus, que nos doa aquilo que não podemos obter sozinhos, (cfr Spe salvi, 31), nossas vidas ficam definitivamente vazias. As pessoas precisam ser continuamente convidadas a cultivar uma relação com Ele, que veio para que tenhamos vida em abundância. O objetivo de todas as nossas atividades pastorais e catequéticas, o alvo de nossa pregação, o próprio centro de nosso ministério sacramental deve ser ajudar as pessoas a estabelecer e alimentar uma relação semelhante, vital, com “Jesus Cristo, nossa esperança”.

Em uma sociedade que dá muito valor à liberdade pessoal e à autonomia, é fácil perder de vista a nossa dependência dos outros, assim como a responsabilidade que temos para com eles. Esta acentuação do individualismo influenciou até mesmo a Igreja (cfr Spe salvi, 13-15), dando origem a uma forma de piedade que por vezes ressalta a nossa relação pessoal com Deus, em detrimento do chamado a sermos membros de uma comunidade redimida. Desde o início, Deus viu que “não é um bem que o homem seja só”. Fomos criados como seres sociais, que s realizam somente no amor a Deus e ao próximo. Se quisermos manter fixo nosso olhar a Ele, fonte de nossa alegria, devemos fazê-lo como membros do Povo de Deus (cfr Spe salvi, 14). Se isso parecesse ir contra a cultura atual, seria simplesmente mais uma prova da necessidade urgente de uma nova evangelização da cultura.

Aqui nos EUA, vocês são abençoados com um laicato católico de variedade cultural notável, que coloca seus múltiplos dons a serviço da Igreja e da sociedade, em geral. Ele olha a vocês para receber encorajamento, orientações e rumos. Em uma época saturada de informações, a importância de oferecer uma sólida formação de fé não deve ser subestimada. Os católicos americanos reservaram por tradição um grande valor à educação religiosa, seja nas escolas, seja nos programas de formação para os adultos: é preciso mantê-los e expandi-los.

Os numerosos homens e mulheres que se dedicam generosamente às obras de caridade devem ser ajudados a renovar seu empenho mediante a “formação do coração”: um “encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra sua alma aos outros” (Deus caritas est, 31). Em uma época em que os progressos das ciências médicas trazem novas esperanças a muitos, podem surgir desafios éticos antes inimagináveis. Isto torna mais importante do que nunca assegurar uma sólida formação dos ensinamentos morais da Igreja aos católicos empenhados na esfera da saúde. Um guia sábio é necessário em todos esses campos de apostolado, para que possam oferecer frutos abundantes. Se eles querem realmente promover o bem integral da pessoa, devem eles mesmos se tornar novos em Cristo nossa esperança.

Como anunciadores do Evangelho e guias da comunidade católica, vocês são chamados também a participar do intercâmbio de idéias na pública arena, para ajudar a modelar comportamentos culturais adequados. Em um contexto em que a liberdade de palavra é apreciada e um debate robusto e honesto é encorajado, a voz de vocês é respeitada, e muito pode oferecer à discussão sobre questões sociais e morais da atualidade. Ao fazer de modo que o Evangelho seja ouvido claramente, vocês não só formam as pessoas de sua comunidade, mas, no âmbito da mais vasta platéia da comunicação de massa, ajudam a difundir a mensagem da esperança cristã em todo o mundo.

A influência da Igreja no debate público, é claro, se efetua em muitos níveis diferentes. Nos Estados Unidos, como em outros lugares, existem atualmente muitas leis já em vigor ou em discussão que suscitam preocupação do ponto de vista da moralidade e a comunidade católica, sob seu guia, deve oferecer um testemunho claro e unitário sobre tais matérias. Ainda mais importante, todavia, é a abertura gradual das mentes e dos corações da comunidade mais ampla à verdade moral: aqui ainda há muito por fazer. Neste âmbito, é crucial o papel dos fiéis leigos em agir como “fermento” na sociedade. Todavia, não se deve dar como óbvio que todos os cidadãos católicos pensem segundo o ensinamento da Igreja acerca das questões éticas fundamentais de hoje. Mais uma vez, é dever de vocês fazer de modo que a formação moral oferecida em todos os níveis da vida eclesial reflita o autêntico ensinamento do Evangelho da vida.

A propósito, um argumento de profunda preocupação para todos nós é a situação da família dentro da sociedade. É verdade: o Cardeal George primeiramente recordou como vocês colocaram o fortalecimento do matrimônio e da vida familiar entre as prioridades de sua atenção nos próximos anos. Na mensagem deste ano para o Dia Mundial da Paz, falei da contribuição essencial que uma vida familiar saudável oferece à paz dentro e entre as nações. Na casa da família experimentamos “algumas componentes fundamentais da paz: a justiça e o amor entre irmãos e irmãs, a função da autoridade manifestada pelos pais, o serviço carinhoso aos membros mais débeis porque pequenos, doentes ou idosos, a mútua ajuda nas necessidades da vida, a disponibilidade para acolher o outro e, se necessário, perdoar-lhe” (n.3). Além disso, a família é local primário da evangelização, na transmissão da fé, no ajudar os jovens a apreciar a importância da prática religiosa e do respeito do domingo. Como não permanecer desconcertados ao observar o rápido declínio da família como elemento basilar da Igreja e da sociedade? O divórcio e a infidelidade estão aumentando, e muitos jovens homens e mulheres escolhem adiar o matrimônio ou até mesmo ignorá-lo completamente. Para alguns jovens católicos, o vínculo sacramental do matrimônio aparece escassamente distinguível de um laço civil, ou é visto até mesmo como um simples acordo para viver com outra pessoa de modo informal e sem estabilidade. Como conseqüência, se vê um alarmante decréscimo de matrimônios católicos nos Estados Unidos junto a um aumento de coabitações, nas quais o recíproco doar-se dos esposos à maneira de Cristo, mediante o sigilo de uma promessa pública de viver as exigências de um compromisso indissolúvel para toda a existência, está simplesmente ausente. Em tais circunstâncias, é negado aos filhos o ambiente seguro do qual necessitam para crescer como seres humanos, e são também negados à sociedade aqueles estáveis pilares que são necessários se se deseja manter a coesão e o centro moral da comunidade.

Como o meu predecessor o Papa João Paulo II ensinava, “o primeiro responsável da pastoral familiar na Diocese é o Bispo… ele deve aliar interesse, solicitude, tempo, pessoas, recursos; sobretudo, porém, apoio pessoas às famílias e àqueles…. que o ajudam na pastoral da família” (Familiaris consortio, 73). É tarefa de vocês proclamar com força os argumentos de fé e razão que falam da instituição do matrimônio, entendido como compromisso para a vida entre um homem e uma mulher, aberto à transmissão da vida. Tal mensagem deveria ressoar diante das pessoas de hoje, porque é essencialmente um “sim” incondicionado e sem reservas à vida, um “sim” ao amor e um “sim” às aspirações do coração da nossa comum humanidade, enquanto nos esforçamos de realizar o nosso profundo desejo de intimidade com os outros e com o Senhor.

Entre os sinais contrários ao Evangelho da vida que se podem encontrar na América, mas também em outros lugares, há um que causa profunda vergonha: o abuso sexual dos menores. Muitos de vocês me falaram da enorme dor que suas comunidades sofreram quando homens da Igreja traíram suas obrigações e tarefas sacerdotais com semelhante comportamento gravemente imoral. Enquanto vocês buscam eliminar este mal onde quer aconteça, estejam certos do apoio de oração do Povo de Deus em todo o mundo. Justamente, vocês dão prioridade à manifestação de compaixão e suporte às vítimas: é responsabilidade que vem de Deus, como Pastores, curar as feridas causadas a cada violação da confiança. De favorecer a cura, de promover a reconciliação e de se aproximar com tenra preocupação de quem foi assim seriamente prejudicado.

Responder a uma situação assim não foi fácil, e, como indicado pelo Presidente de sua Conferência Episcopal, “algumas vezes foi administrada de modo péssimo”. Agora, que a dimensão e a gravidade do problema estão mais claros, vocês puderam adotar medidas de remédio e disciplinares mais adequadas, e promover um ambiente seguro, que oferece mais proteção aos jovens. Enquanto devemos recordar que a grande maioria dos sacerdotes e dos religiosos na América desempenham uma excelente obra, ao levar a mensagem libertadora do Evangelho às pessoas confiadas a seu cuidado e atenção pastoral, é de importância vital que os sujeitos vulneráveis sejam sempre protegidos daqueles que podem causar feridas. A este respeito, os seus esforços para aliviar e proteger estão produzindo grandes frutos, não apenas naqueles que estão diretamente sob seus cuidados pastorais, mas em toda a sociedade.

Se quisermos que alcancem seu pleno objetivo, todavia, é preciso que as medidas e estratégias adotadas pelos senhores sejam inseridas em um contexto mais amplo. As crianças têm o direito de crescer com uma saudável compreensão da sexualidade e o papel que lhes cabe nos relacionamentos humanos. A eles devem ser poupadas manifestações degradantes e a vulgar manipulação da sexualidade, tão comum hoje em dia. Elas têm o direito de ser educadas nos autênticos valores morais enraizados na pessoa humana. Isto nos propõe uma consideração sobre a centralidade da família e a necessidade de promover o Evangelho da vida. O que significa falar de proteção das crianças quando a pornografia e a violência podem ser vistas em tantas casas através dos meios de comunicação, amplamente disponíveis hoje? Devemos reafirmar, com urgência, os valores que sustentam a sociedade, a fim de oferecer aos jovens e aos adultos uma sólida formação moral. Todos têm um papel a desempenhar nesta tarefa, não apenas os pais, os orientadores religiosos, os professores e os catequistas, mas também a informação e a indústria do entretenimento. Sim, todo membro da sociedade pode contribuir nesta renovação moral e receber benefícios dela. Cuidar realmente dos jovens e do futuro de nossa civilização significa reconhecer nossa responsabilidade de promover e viver os únicos valores morais autênticos que tornam a pessoa humana capaz de prosperar. É sua tarefa de pastores que têm como modelo Cristo, Bom pastor, proclamar, de modo forte e claro esta mensagem e enfrentar, portanto, o pecado do abuso no contexto mais amplo dos comportamentos sexuais. Além disso, ao reconhecer o problema e enfrentá-lo, quando se verifica num contexto eclesial, vocês podem oferecer uma orientação aos outros, pois esta chaga não se encontra somente em suas Dioceses, mas em todos os setores da sociedade. Ela exige uma resposta determinada e coletiva.

Os sacerdotes também precisam de sua orientação e sua proximidade durante este tempo difícil. Eles experimentaram a vergonha por aquilo que aconteceu e muitos deles sentem ter perdido parte da confiança que recebiam antes. Não poucos deles se sentem ainda mais próximos de Cristo em sua Paixão, enquanto se esforçam em enfrentar as conseqüências da atual crise. O Bispo, como pai, irmão e amigo de seus sacerdotes, pode lhes ajudar a ter proveitos espirituais desta união com Cristo, conscientizando-os da consoladora presença do Senhor em meio a seus sofrimentos, e encorajando-os a caminhar com o Senhor no caminho da esperança. (cfr Spe salvi, 39). Como observou o Papa João Paulo II seis anos atrás, “devemos ter confiança de que este tempo de provações levará a uma purificação de toda a comunidade católica”, que conduzirá a “um sacerdócio mais santo, a um episcopado mais santo e a uma Igreja mais santa” (Mensagem aos Cardeais dos Estados Unidos, 23 de abril de 2002, 4). Existem muitos sinais de que, na fase sucessiva, tal purificação existiu realmente. A constante presença de Cristo em meio a nossos sofrimentos está gradualmente transformando nossas trevas em luz: todas as coisas são renovadas realmente em Cristo Jesus, nossa esperança.

Neste momento, parte vital de nossa tarefa é reforçar o relacionamento com seus sacerdotes, especialmente nos casos em que houve tensões entre padres e Bispos, em conseqüência da crise. É importante que continuem a demonstrar-lhes sua preocupação, seu apoio e sua orientação, com o exemplo. Assim, certamente ajudarão a encontrar Deus vivo, e os orientarão rumo àquela esperança que transforma a existência de que o Evangelho fala. Se vocês mesmos viverem em um modo estritamente conforme a Cristo, Bom Pastor, que deu a vida por seus cordeiros, os senhores inspirarão seus irmãos sacerdotes a dedicarem-se novamente ao serviço do rebanho com a generosidade que caracterizou Cristo. Na verdade, se quisermos seguir adiante, é preciso concentrar-se mais claramente na imitação de Cristo na santidade de vida. Devemos redescobrir a alegria de viver uma existência centralizada em Cristo, cultivando as virtudes e imergindo-se na oração. Quando os fiéis sabem que seu pastor é um homem que reza e dedica a própria vida a seu serviço, respondem com o calor e com o afeto que nutre e sustenta a vida de toda a comunidade.

O tempo passado na oração nunca é jogado fora, por mais importantes que sejam os outros deveres. A adoração de Cristo nosso Senhor no Santíssimo Sacramento prolonga e intensifica aquela união a Ele que se constitui mediante a Celebração eucarística (cfr Sacramentum caritatis, 66). A contemplação dos mistérios do Terço emite toda a sua força salvífica conformando-nos, unindo-nos e consagrando-nos a Jesus Cristo (cfr Rosarium Virginis Mariae, 11.15). A fidelidade à Liturgia das Horas assegura que todo o nosso dia seja santificado, recordando-nos continuamente a necessidade de nos concentrarmos na realização da obra de Deus, não obstante todas as urgências e as eventuais distrações em relação aos deveres a cumprir. Desta forma, a devoção nos ajuda a falar e a agir in persona Christi, a ensinar, governar e santificar os fiéis em nome de Jesus, levando a sua reconciliação, a sua cura e o seu amor a todos os seus amados irmãos e irmãs. Esta configuração radical a Cristo Bom Pastor está no centro de nosso ministério pastoral e se abrirmos nós mesmos, mediante a oração, à força do Espírito, Ele nos concederá os dons de que precisamos para realizar o nosso formidável dever, tanto que não devemos jamais nos preocupar “sobre como e do que falar” (Mt 10,19).

Ao concluir este meu discurso a vocês, esta noite, confio de modo especial a Igreja que está em seu País à materna solicitude e à intercessão de Maria Imaculada, Padroeira dos Estados Unidos. Que ela, que levou em seu próprio ventre a esperança de todas as Nações, possa interceder pelo povo desta Nação, a fim de que todos se renovem em Cristo Jesus, seu Filho. Queridos irmãos Bispos, asseguro a cada um dos senhores, aqui presentes, a minha profunda amizade e participação em suas preocupações pastorais. A vocês todos, ao clero, aos religiosos e aos fiéis leigos, concedo cordialmente a Benção Apostólica, repleto de alegria e de paz em Cristo Ressuscitado.

Washington, 16 abril de 2008

[Tradução ao português difundida por Rádio Vaticano]

Respostas do Papa às perguntas dos bispos norte-americanos

Após discurso no Santuário Nacional da Imaculada Conceição em Washington

WASHINGTON, D.C., quinta-feira, 17 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos as respostas de Bento XVI às perguntas dos bispos norte-americanos, quando do final do encontro que o pontífice manteve no Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington, na tarde dessa quarta-feira. A tradução ao português é de Rádio Vaticano.

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Foi pedido ao Santo Padre para dar a sua opinião sobre o desafio do secularismo, em aumento na vida pública, e sobre o relativismo na vida intelectual, como também Suas sugestões sobre como enfrentar tais desafios do ponto de vista pastoral, para realizar uma obra de evangelização mais eficaz.

Abordei brevemente este tema em meu discurso. Acho significativo o fato de que aqui nos Estados Unidos, ao contrário de muitos países europeus, a mentalidade secular não foi colocada como intrinsecamente oposta à religião. Dentro do contexto da separação entre Igreja e Estado, a sociedade estadunidense sempre foi marcada por um respeito fundamental pela religião e de seu papel público e, se quisermos acreditar nas sondagens, o povo estadunidense é profundamente religioso. Mas não é suficiente contar com essa religiosidade tradicional e comportar-se como se tudo fosse normal, enquanto suas bases estão lentamente se corroendo. Um sério compromisso no campo da evangelização não pode prescindir de um diagnóstico profundo dos desafios reais que o Evangelho encontra diante da cultura contemporânea estadunidense.

Naturalmente, é fundamental uma correta compreensão da justa autonomia da ordem secular, uma autonomia que não pode ser separada de Deus Criador e de seu plano de salvação (cfr. Gaudium et Spes, 36). Talvez o tipo de secularismo dos Estados Unidos apresente um problema particular: enquanto permite crer em Deus e respeita o papel público da religião e das Igrejas, sutilmente reduz a crença religiosa ao mínimo denominador comum. A fé se torna aceitação passiva de que certas coisas “lá fora” são verdadeiras, mas sem alguma relevância prática na vida cotidiana. O resultado é uma separação crescente entre fé e vida: viver “como se Deus não existisse”. Isso se agrava por causa de uma visão individualista e eclética da fé e da religião, distante da visão católica, do modo de pensar da Igreja, toda pessoa acredita ter o direito de identificar e escolher, mantendo os vínculos sociais, mas sem uma conversão integral, interior à lei de Cristo. Conseqüentemente, ao invés de ser transformados e renovados no ânimo, os cristãos são facilmente tentados em se conformar ao espírito do século (cfr. Rm 12, 3). É o que constatamos no escândalo dos católicos que promovem o presumível direito ao aborto.

Em nível mais profundo, o secularismo desafia a Igreja a se reafirmar e prosseguir com determinação em sua missão no e para o mundo. Como esclarecido no Concílio Vaticano II, os leigos têm, a esse respeito, uma responsabilidade particular. Tenho a convicção de que é necessário um maior significado da relação intrínseca entre o Evangelho e a lei natural de um lado, de outro, da busca do autêntico bem humano, conforme encarnado na lei civil e nas decisões morais pessoais. Uma sociedade que tem grande consideração pela liberdade pessoal, a Igreja deve promover os seus ensinamentos em todos os níveis - na catequese, na pregação, na educação nos seminários e na universidade - uma apologética que afirme a verdade da revelação cristã, a harmonia entre fé e razão, e uma saudável compreensão da liberdade, vista em termos positivos, como libertação tanto das limitações do pecado como por uma vida autêntica e plena. Enfim, o Evangelho deve ser pregado e ensinado como uma maneira de vida integral, que oferece uma resposta atraente e verdadeira, intelectual e prática, aos problemas reais. A “ditadura do relativismo”, em poucas palavras, è simplesmente uma ameaça à liberdade humana, que amadurece somente na generosidade e na fidelidade à verdade.

Pode-se dizer muito mais, naturalmente, sobre este tema: mas deixem-me concluir, todavia, dizendo que eu acredito que a Igreja, na América, neste preciso momento de sua história, tem diante de si o desafio de reencontrar a visão católica da realidade, e de apresentá-la de modo envolvente, e com criatividade, a uma sociedade que oferece todo tipo de receitas para a auto-realização humana. Penso de modo particular em nossa necessidade de falar ao coração dos jovens, os quais, apesar da constante exposição a mensagens contrárias ao Evangelho, continuam a ter sede de autenticidade, de bondade, de verdade. Ainda resta muito a fazer em nível de pregação e de catequese ns paróquias e nas escolas, se quisermos que a evangelização produza frutos para a renovação da vida eclesial na América.

O Santo Padre foi questionado sobre “um certo silencioso processo” mediante o qual os católicos abandonam a prática da fé, por vezes mediante uma decisão explícita, mas muitas vezes quieta e gradualmente afastando-se da participação na Missa e da identificação com a Igreja.

Certamente muito disso tudo depende da redução progressiva da cultura religiosa, por vezes comparada, de modo pejorativo, a um “gueto”, que pode reforçar a participação e a identificação com a Igreja. Como acabo de dizer, um dos maiores desafios que a Igreja tem diante de si neste País è cultivar a identidade católica baseada não apenas em elementos externos, mas também em um modo de pensar e de agir radicado no Evangelho e enriquecido em base na tradição viva da Igreja.

O tema envolve claramente fatores como o individualismo religioso e o escândalo. Mas vamos ao centro da questão: a fé não pode sobreviver se não for nutrida, se não “atuar por meio da caridade”. As pessoas hoje têm dificuldade em encontrar Deus em nossas igrejas? Nossa pregação talvez perdeu o próprio sal? Isso não pode se dever ao fato de que muitos se esqueceram, ou nunca aprenderam, a rezar na e com a Igreja?

Não falo de pessoas que deixam a Igreja na busca de “experiências” religiosas subjetivas; este é um tema pastoral a ser enfrentado em termos próprios. Acho que estamos falando de pessoas que caíram fora da estrada sem ter conscientemente rejeitado a fé em Cristo, mas que, por uma certa razão, não receberam a força vital da liturgia, dos Sacramentos, da pregação. E a fé cristã, como sabemos, è essencialmente eclesial, e sem um vínculo vivo com comunidade, a fé do indivíduo não pode amadurecer. Para voltar ao ponto que acabamos de abordar: o resultado pode ser uma apostasia silenciosa.

Deixem-me agora fazer duas observações sobre o problema do “processo de abandono”, que espero que possam estimular novas reflexões.

Em primeiro lugar, como os senhores sabem, torna-se sempre mais difícil, nas sociedades ocidentais, falar de modo sensato de ’salvação’. E a salvação – a libertação da realidade do mal e o dom de uma vida nova e livre em Cristo – está no próprio coração do Evangelho. Devemos redescobrir, como já disse, modos novos e fascinantes para proclamar esta mensagem e despertar a sede de plenitude que somente Cristo pode dar. É na liturgia da Igreja, e sobretudo, no sacramento da Eucaristia, que estas realidades se manifestam de modo mais forte e são vividas na existência dos fiéis. Talvez tenhamos ainda muito o que fazer para realizar a visão do Concílio sobre a liturgia, como exercício do sacerdócio comum e como impulso para um apostolado frutífero no mundo.

Em segundo lugar, temos que reconhecer com preocupação a quase completa eclipse do sentido escatológico em muitas de nossas sociedades tradicionalmente cristãs. Como sabem, levantei este problema na encíclica Spe salvi. Basta dizer que a fé e a esperança não se limitam a este mundo: como virtudes teologais, elas nos unem ao Senhor e nos levam à realização não apenas de nosso destino, mas ao destino de toda a criação. A fé e a esperança são a inspiração e a base de nossos esforços para nos preparar à vinda do Reino de Deus. No cristianismo, não pode existir lugar para uma religião puramente pessoal: Cristo è o Salvador do mundo, e, como membros de seu Corpo e partícipes de seu múnus (função) profética, sacerdotal e real, não podemos separar o nosso amor por Ele do compromisso da edificação da Igreja e da ampliação do Reino. Na medida em que a religião se torna um assunto puramente pessoal, ela perde a sua própria alma.

Deixem-me concluir afirmando o óbvio. Os campos estão prontos para a semeadura. Deus continua a fazer crescer a messe. Podemos e devemos acreditar, juntos com o Papa João Paulo II, que Deus está preparando uma nova primavera para o cristianismo (cfr Redemptoris missio, 86). O que mais precisamos, neste específico tempo da história da Igreja na América, è a renovação daquele zelo apostólico que inspire seus pastores de modo ativo a procurar os dispersos, a curar as feridas e restabelecer os doentes; (cfr Ez 34,16). E isto, como disse, exige novos métodos de pensar, baseados num sadio diagnóstico dos desafios de hoje e num compromisso pela unidade no serviço à missão da Igreja para com as gerações presentes.

Foi pedido ao Santo Padre para expressar sua opinião em relação à diminuição das vocações, não obstante o aumento da população católica, e sobre as razões da esperança oferecidas pelas qualidades pessoais e pela sede de santidade que caracterizam os candidatos que decidem prosseguir.

Sejamos sinceros: a capacidade de cultivar as vocações ao sacerdócio e à vida religiosa é um sinal da saúde de uma Igreja local. Não há espaço para alguma complacência a este respeito. Deus continua chamando os jovens, mas cabe a nós encorajar uma resposta generosa e livre a esse chamado. Por outro lado, nenhum de nós é capaz de dar esta graça por certa.

No Evangelho, Jesus nos diz para rezar a fim de que o Senhor da messe envie novos operários; Ele diz também que os operários são poucos em relação à messe que é grande (cfr Mt 9,37-38).

Pode parecer estranho, mas eu penso muitas vezes que a oração - l’unum necessarium – é o único aspecto das vocações que é eficaz e nós muitas vezes o esquecemos ou o desvalorizamos!

Não falo somente de oração pelas vocações. A própria oração, que nasce nas famílias católicas, nutrida pelos programas de formação cristã, reforçada pela graça dos Sacramentos, é o meio principal mediante o qual conhecemos a vontade de Deus para a nossa vida. Na medida em que ensinamos os jovens a rezar, e a rezar bem, nós cooperamos ao chamado de Deus. Os programas, os planos e os projetos têm o seu lugar, mas o discernimento de uma vocação é, sobretudo, o fruto do diálogo íntimo entre o Senhor e os seus discípulos. Se souberem rezar, os jovens saberão o que fazer da vontade de Deus.

Foi constatado que existe hoje uma grande sede de santidade em muitos jovens e embora em número menor, os que vão em frente demonstram um grande ideal e oferecem muitas promessas. É importante ouvi-los, compreender as suas esperanças e encorajá-los a ajudar seus coetâneos a verem a necessidade de sacerdotes e religiosos empenhados, como também a ver a beleza de uma vida de sacrifício e de serviço ao Senhor e à Igreja.

A meu ver, muito se deve pedir aos diretores e formadores das vocações: aos candidatos, hoje, é preciso oferecer uma saudável formação intelectual e humana que os faça capazes não somente de responder às questões reais e às necessidades dos coetâneos, mas também de amadurecer em sua conversão e perseverar na vocação através de um compromisso que dure por toda a vida. Como Bispos, estejam conscientes do sacrifício que lhes é pedido quando solicitados a aliviar dos compromissos um de seus melhores sacerdotes para trabalhar no seminário. Peço a vocês que respondam com generosidade pelo bem de toda a Igreja.

Enfim, acredito que saibam por experiência que muitos de seus irmãos sacerdotes são felizes por sua vocação. Aquilo que disse em meu discurso sobre a importância da unidade e da colaboração com o presbitério se aplica também neste campo. Existe a necessidade para todos nós de deixar as divisões estéreis, os desacordos e os preconceitos e de escutarmos juntos a voz do Espírito que orienta a Igreja rumo a um futuro de esperança. Cada um de nós sabe como é importante a fraternidade sacerdotal na própria vida; ela não è apenas um dom precioso, mas também um recurso imenso para a renovação do sacerdócio e o aumento de novas vocações. Desejo concluir encorajando-os a gerar oportunidades de diálogo ainda maiores e de encontros fraternos entre seus sacerdotes, especialmente os jovens. Estou convencido de que isto produzirá frutos para seu enriquecimento, para o aumento de seu amor ao sacerdócio e à Igreja, assim como na eficácia de seu apostolado. Com estas poucas observações, os encorajo ainda mais uma vez em seu ministério junto aos fiéis confiados a seus cuidados pastorais e lhes confio à intercessão amorosa de Maria Imaculada, Mãe da Igreja.

[Traduzido ao português por Rádio Vaticano]

Oração do Papa no Ground Zero

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 17 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Um dos momentos mais intensos da visita de Bento XVI aos Estados Unidos será vivido no último dia, no domingo 20 de abril, com sua visita ao Ground Zero, no local onde se localizavam as Torres Gêmeas.

Publicamos a oração que o Papa elevará em recordação às vítimas dos atentados de 11 de setembro:

Oh, Deus de amor, compaixão e cura,

olhai para nós, pessoas de muitos credos e de diferentes tradições,

que se reúnem hoje neste lugar,

cenário de incrível violência e dor.

Te pedimos em tua bondade

que conceda luz eterna e paz

a todos os que morreram aqui,

começando pelos que o fizeram heroicamente:

nossos bombeiros, policiais,

trabalhadores dos serviços de emergência,

junto com todos os homens e mulheres inocentes

que foram vítimas desta tragédia,

simplesmente porque seu trabalho ou serviço

os conduziu aqui a 11 de setembro de 2001.

Te pedimos, em tua compaixão,

que outorgue a cura àqueles que, devido a sua presença aqui, naquele dia,

sofrem feridas e enfermidade.

Cura, também, a dor das famílias que ainda estão na dor

e todos aqueles que perderam entes queridos nesta tragédia.

Concede-lhes força para continuar suas vidas

com valor e esperança

Recordamos também aqueles que sofreram morte, feridas e perdas

no mesmo dia no Pentágono e em Shanksville, Pennsylvania,

enquanto nossa oração abraça sua dor e sofrimento.

Deus de paz, concede tua paz a nosso mundo violento:

paz aos corações de todos os homens e mulheres

e paz entre as nações da terra.

Orienta para teu caminho de amor

aqueles cujos corações e mentes

estão consumidos pelo ódio.

Deus de compreensão,

Constrangido pela magnitude desta tragédia,

buscamos tua luz e guia

para enfrentar tão terríveis eventos.

Concede que aqueles cujas vidas se perderam

possam viver de maneira que as vidas perdidas aqui

não se tenham perdido em vão.

Conforta-nos e consola-nos,

fortalece-nos na esperança,

e dai-nos a sabedoria e valor

para trabalhar sem descanso por um mundo

onde a verdadeira paz e amor reinem

entre as nações e nos corações de todos.

Papa convida o abuso sexual escândalo “assinar” ao Evangelho da vida

Por Julie Asher
Católica serviço noticioso

Washington (CNS) - Um dos “countersigns ao Evangelho da vida” nos Estados Unidos é o abuso sexual de menores, uma situação “, que provoca grande vergonha”, o Papa Bento XVI disse E.U. cerca de 300 bispos reunidos no 16 de Abril Cripta da igreja na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington.

Ele é chamado de um “mal” e disse os E.U. bispos têm “justamente movida” para resolver isso. Os programas de terem posto em prática a disciplina padres e outras pessoas da Igreja, que são toxicodependentes, para criar ambientes seguros proteger os jovens, para promover a cicatrização e para “vincular-se as feridas” causadas por “cada quebra de confiança” estão a dar frutos, ele Disse.

Mas o papa também disse que o problema do abuso sexual devem ser colocados num contexto mais amplo, quando pornografia, violência e “à bruta manipulação da sexualidade” são tão prevalentes na sociedade de hoje.

O papa chegou ao santuário em seu popemobile, sorrindo e acenando para a multidão entusiasta alinhada e as ruas adjacentes à frente da basílica. Ele parecia relaxado e em boa forma no segundo dia de sua visita abril 15-20, que também irá levá-lo para Nova York.

No interior do santuário, na parte superior da igreja, o papa foi saudado pelo pessoal do santuário, a Arquidiocese Washington e os bispos “conferência e suas famílias, que cantou” Happy Birthday “para ele. Ele rezou silenciosamente ao Santíssimo Sacramento e, em seguida, na Capela de Nossa Senhora O Oratório de Altotting, a patrona da Baviera, em sua terra natal alemão.

Em seguida veio o vespers serviço com os E.U. bispos e do papa para o endereço deles na cripta da igreja. Bispos vestindo sua preto cassocks e zucchettos encheu o pews. Eles se levantou e aplaudiu o pontiff como ele entrou na igreja, onde arcos e colunas recordar as catacumbas, em Roma, onde os primeiros cristãos adoravam.

Após a oração da noite serviço, Chicago Cardeal Francis E. George, os E.U. presidente da Conferência dos Bispos Católicos, disse em uma palestra que os bispos saudaram o papa não como um visitante estrangeiro, mas como “um pai e um amigo em Cristo”.

Cardeal George brevemente traça a história da igreja nos Estados Unidos, incluindo alguns momentos de apuros.

“Em nosso próprio dia, as consequências do terrível pecado de abuso sexual de menores por parte de alguns dos seus sacerdotes e por vezes a ser muito mal tratados pelos bispos fazer tanto a fé pessoal de alguns católicos e da vida pública, da própria igreja mais problemáticas”, O Cardeal disse.

Em sua palestra, o papa disse próprios sacerdotes “sofreram vergonha” sobre abuso realizado por bolseiro clero e outros e que precisam os bispos “orientação e proximidade durante este momento difícil”. Ele também disse que as pessoas devem lembrar a “esmagadora maioria” dos sacerdotes e religiosos em fazer os E.U. “excelente trabalho”.

O papa também abordado o efeito do secularismo e do materialismo sobre como católicos e outros viver a sua fé no dia-a-dia mundo, o estado da família no seio da sociedade “, uma certa calma atrito” dos católicos abandonam a fé ea necessidade Pelas vocações.

Seus comentários sobre o secularismo, a questão de alguns católicos abandonam a fé e vocações foram elaborados em resposta às perguntas dos bispos.

Ele falou sobre o papel dos bispos na resolução das questões do dia, especialmente durante um ano eleitoral, quando os líderes da Igreja não pode assumir que “todos os cidadãos católicos pensar em harmonia com o ensinamento da Igreja sobre as principais questões éticas.”

“Cabe a você a garantir que a formação moral prestado a todos os níveis da vida eclesial reflete o autêntico ensinamento do Evangelho da vida”, disse Bento, salientando que actualmente em outro lugar e os E.U. existe “legislação proposta que dá motivo de Preocupação do ponto de moralidade “.

Ele não mencionou problemas particulares, mas disse que a comunidade católica no âmbito dos bispos “orientação” tem de oferecer uma clara e unida testemunha sobre estes assuntos “, e as mentes e corações de a comunidade em geral devem ser abertos” a verdade moral “. Leigos católicos “pode funcionar como um” fermento “na sociedade”, a este respeito, ele disse.

No início de seu discurso, salientou que os E.U. Igreja é “abençoado com uma grande diversidade de leigos católicos, que colocam sua ampla gama de dons ao serviço da Igreja”.

No que diz respeito ao abuso sexual escândalo, ele disse, “Muitos dos senhores deputados falaram-me da enorme dor que seu comunidades sofreram quando clérigos ter traído as suas obrigações e deveres sacerdotais por tal comportamento gravemente imoral”.

Ele disse que os bispos têm razão mudou-se para mostrar compaixão e cuidados para com as vítimas, para promover a cicatrização e promover a reconciliação no rescaldo do “cada quebra de confiança.”

Dizer que os bispos tenham reconhecido que o abuso casos foram “às vezes muito mal tratado”, disse a bispos “medidas para resolver o escândalo, a todos os níveis” estão tendo grande fruto “.

No entanto, ele disse que, se essas políticas são para alcançar “seu pleno efeito”, eles devem ser colocados “em um contexto mais amplo”, de maneiras sexual e crianças devem crescer “, com uma boa compreensão da sexualidade e do seu bom lugar nas relações humanas. “

Ele disse que os valores “subjacente a sociedade” precisam ser urgentemente reavaliados para proporcionar uma sólida base moral para as crianças e os jovens.

Crianças “têm o direito de ser educado em autênticos valores morais enraizados na dignidade da pessoa humana”, afirmou o papa.

“Ao reconhecer e enfrentar o problema quando ele ocorre em um cenário eclesial, você pode dar a liderança para os outros, uma vez que este flagelo é encontrada, não só dentro de sua diocese, mas em todos os sectores da sociedade. Apela a uma determinada resposta colectiva”, Ele disse.

As crianças devem “ser poupada a degradante e as manifestações da sexualidade de forma bruta manipulação prevalece hoje”, disse ele.

Oferecendo uma sólida base moral para crianças é a responsabilidade não só dos pais, mas de líderes religiosos, professores e catequistas, e “a mídia e entretenimento.”

Relativamente a outros assuntos, Bento elogiou americanos por ter “um verdadeiro espírito religioso”, mas disse secularismo eo materialismo subtilmente pode influenciar a forma como as pessoas vivem a sua fé. Ele questionou por que razão os membros dos fiéis que adoram na igreja no domingo acto contrário às suas convicções e da Igreja ensino durante o resto da semana.

Um sentimento de individualismo pode influenciar o modo como as pessoas abordagem sua fé, levando-os de escolher o que eles acreditam, ele disse. “Vimos este emerge de uma forma aguda no escândalo dada por católicos, que promova um suposto direito ao aborto”, disse ele.

Ele chamou a atenção para as pessoas ignorando ou explorando os pobres, ou promover práticas empresariais, comportamento sexual ou posições sobre o direito-a-vida questões que são contrários à moral católica ensino.

Ele também falou sobre a situação da família, dizendo que uma saudável vida familiar contribui para “a paz e no seio das nações.” Na casa da família, disse ele, as pessoas aprendem sobre justiça e do amor, o papel da autoridade ea preocupação de um ou outro.

Mas aumentar as taxas de divórcio ea infidelidade, atrasou casamento, mais coabitação e de um crescente desprezo para o vínculo sacramental do matrimônio estão sofrendo a instituição do casamento e minar a família como um alicerce fundamental da sociedade, ele disse.

Ele também disse que a família é o principal local para a evangelização e passando sobre a fé católica.

Ele disse que a Igreja precisa para descobrir “novas e interessantes formas de proclamar” a mensagem. Ele também disse que, muitas vezes torna-se hoje a religião muito de um assunto privado, e, como tal, “perde a sua própria alma.”

No que diz respeito aos vocações, ele disse: “Vamos ser muito franco: A capacidade de cultivar vocações ao sacerdócio e à vida religiosa é um sinal de garantir a saúde de uma igreja local.”

Ele exortou os fiéis a rezar pelas vocações, mas acrescentou que a oração é importante não só pelas vocações. Ele encorajou os bispos de criar oportunidades para os jovens que entram para a frente para explorar uma vocação também para conversar com os seus pares sobre a possibilidade, e para incentivar todos os seus padres para se unirem ao diálogo e encontro fraterno.

Ele exortou todos os padres para superar quaisquer divisões que têm entre eles, para se deslocar para além discordâncias e ouvir um ao outro e “o Espírito, que é guiar a Igreja em um futuro de esperança”.

Como ele abriu seu discurso, o papa revistos os primórdios da igreja em os E.U. chamando o povo do primeiro bispo, Dom John Carroll, “um digno líder da comunidade católica no seu recém-nação independente.”

Bispo Carroll e seus colegas bispos, o Papa disse, lançou as bases para “uma rica variedade de vida eclesial na América nos dias de hoje.”

Ele disse que as pessoas nos os E.U. “é notável por seu fervor religioso e orgulho em pertencer a um culto da comunidade.” Ele ressaltou que os americanos são “conhecido pela sua generosidade”, disse o outpouring e de ajuda às vítimas do 11 de Setembro de 2001, ataques terroristas, o tsunami na Indonésia em 2004, o furacão Katrina, em 2005 foi uma prova dessa.

Papa exorta E.U. católicos a renovarem os seus missionários energia

Por John Thavis
Católica serviço noticioso

Washington (CNS) - Celebrando missa em um estádio Washington beisebol, o Papa Bento XVI exortou E.U. católicos a renovarem os seus missionários energia numa altura em que a sociedade americana encontra-se numa encruzilhada moral.

O papa advertiu de “sinais de degradação preocupante nas próprias bases da sociedade” e disse que as pessoas precisam da igreja mensagem de esperança e de fidelidade às exigências do Evangelho.

Ele também confronta a questão clerical de abuso sexual de menores, reconhecendo o dano feito à igreja e pedir a todos os católicos para auxiliar aqueles que foram feridos.

A Missa 17 de Abril numa embalados Nationals Park foi o papa do primeiro grande encontro com os fiéis católicos sobre a sua visita de seis dias a Washington e Nova Iorque.

A liturgia, celebrada em um altar plataforma em profundidade center campo, foi uma Missa do Espírito Santo e mostrava multiétnica coros cantando em quatro idiomas.

A oração dos fiéis foi lido em Inglês, tagalo, coreano, vietnamita, ibo e espanhol. Incluiu petições para Bento e todos os bispos, para a paz no mundo, para a segurança de todos aqueles que procuram atingir a paz, para as crianças em todos os lugares, para aqueles que sofrem, para aqueles que estão doentes, e para todos os que já morreram. A assembléia respondeu a cada missa intenção com um trilingue resposta cantado em Inglês, espanhol e latim.

Durante o ofertório procissão, quatro grupos de dom-portadores aproximou ao altar com pão e cruets. Um grupo, a partir de Medley’s Neck, Md., incluiu quatro gerações de uma família. Alunos de colégio campus ministérios e área colégios, religiosos e religiosas, e quatro pessoas com deficiência e seus acompanhantes também procedeu brindes.

O espírito foi evidente entre a multidão entusiasta de cerca de 45000 pessoas, que cheered a 81-year-old papa como ele rode através do estádio no seu popemobile.

O papa sorriu, acena e parecia satisfeita com o panorama das faces e fluttering bandeiras amarelas, como os corais cantaram em Inglês e Alemão versões de “Santo Deus, nós Louvado Teu Nome”.

Anne Murphy, que é membro do Santíssimo Sacramento Paróquia em Alexandria, Va., comentou sobre o “espírito de união” a presença do Papa tinha interposto.

“Eu acho que é muito excitante oportunidade para as pessoas em todo o país, para testemunhar o tipo de poder espiritual que (o Papa) Benedict traz ao mundo”, disse ela.

“É o tipo de coisa que faz com que orgulho de ser um membro da comunidade católica e para estar aqui hoje”, disse ela.

Após o papa processados ao altar, ele foi saudado por Washington Arcebispo Donald W. Wuerl, que disse a ele E.U. católicos olhou para ele por “renovada inspiração para continuar o desafio de fazer tudo novo em Cristo nossa esperança”.

O papa, vestido de vestes vermelhas, abriu os braços em grande apreço.

Na homilia, o Papa disse que tinha chegado a incentivar a Igreja na América para consolidar a sua realizações e responder aos novos desafios através de um “incessante missionário evangelismo”.

Ele invocou um novo capítulo da descida do Espírito Santo no Pentecostes, dizendo E.U. católicos necessidade de dotar os seus contemporâneos “uma convincente conta da esperança que anima-los.”

“O mundo precisa deste testemunho. Quem pode negar que o momento presente é uma encruzilhada, não apenas para a Igreja na América, mas também para a sociedade como um todo?” Ele disse.

O Papa disse que era uma coisa positiva que conexões globais foram chamando as pessoas hoje em dia.

“No entanto, ao mesmo tempo, vemos sinais claros de um perturbador na repartição as próprias bases da sociedade: sinais de alienação, raiva e polarização da parte de muitos dos nossos contemporâneos; aumentou violência; um enfraquecimento do senso moral, um dos coarsening Relações sociais, e uma crescente esquecimento de Deus “, disse ele.

Essa encruzilhada também se reflecte no interior da igreja, ele disse. Ele citou a vitalidade dos movimentos e paróquia vida e maior interesse em oração e educação católica.

No entanto, a Igreja enfrenta o “realization preocupante”, que muitos de seus membros “, em vez de agir como um fermento espiritual no mundo, estão inclinados a adotar atitudes contrárias à verdade do Evangelho”.

Today’s desafios exigem som instrução na fé, especialmente entre os jovens, ele disse. Mas eles também chamada de “cultivar uma atitude, uma cultura intelectual, o que é verdadeiramente católica” e pode levar o Evangelho a suportar as questões urgentes sobre a sociedade americana enfrenta, ele disse.

O papa falou sobre o abuso sexual por padres, pela terceira vez em três dias. A noite anterior, ele abordou os bispos, desta vez, ele destinadas seus comentários em toda a comunidade católica E.U.. Ele também falou sobre o assunto aos jornalistas no avião papal de Roma Abril 15.

“Nenhuma das minhas palavras possam descrever a dor e danos infligidos por tais abusos. É importante que aqueles que sofreram ser dada atenção amorosa pastoral”, disse.

Ele elogiou os esforços para lidar “honesta e justamente com esta dramática situação, e para garantir que as crianças - que Nosso Senhor ama tão profundamente e que são o nosso maior tesouro - pode crescer num ambiente seguro.”

“Eu encorajo cada um de vós para fazer o que pudermos para promover a cicatrização e reconciliação, para auxiliar aqueles que foram feridos. Além disso, peço-lhe que o seu amor e sacerdotes para afirmar-los no excelente trabalho que eles fazem”, disse ele.

O Papa disse que a Igreja tem ou não capacidade de curar feridas e superar divisões depende, em parte, a redescoberta da “força libertadora” do sacramento da penitência.

Isso vai ajudar a igreja nos Estados Unidos tornar-se um “fermento de esperança” na sociedade, e tomar o seu lugar na longa história da Igreja da expansão, afirmou.

O papa falou sobre o passado injustiças durou por nativos americanos e pelos africanos trazidos à força do país como escravos. Mas, essencialmente, disse ele, os americanos foram sempre um povo de esperança e aberto à mensagem cristã.

No final da homilia, o Papa falou em espanhol, agradecendo o crescente número de hispânicos católicos para acrescentar vitalidade à igreja nos Estados Unidos.

Como ele estava deixando a missa, Bento ficava sobre os passos do primeiro-base dugout para uma última onda antes de prosseguir para o túnel sob a actual.

Papa exorta E.U. Católica educadores para levar os alunos a mais profunda fé

Por Carol Zimmermann
Católica serviço noticioso

Washington (CNS) -, o Papa Bento XVI exortou E.U. Católica educadores abril 17 não basta para transmitir conhecimento a seus alunos, mas para trazê-los para um entendimento mais profundo da fé “, que por sua vez alimenta a alma de um povo.”

“A responsabilidade especial … para cada um de vós, e seus colegas, é para evocar entre os jovens o desejo de o acto de fé, encorajando-os a empenharem-se a vida eclesial que decorre esta crença”, disse ele mais de 400 colégio católico presidentes e representantes diocesanos educação em A Universidade Católica da América.

O papa foi cheered por várias centenas de estudantes que se reuniram no gramado do campus, e ele foi calorosamente aplaudido quando entrou na Edward J. Pryzbyla Centro Universitário. Ele emitiu o seu endereço, enquanto sentado num trono de madeira desenhado por Universidade Católica estudantes.

Semanas antes do endereço havia muitos especularam que o papa poderia ter palavras duras de repreensão colégio para dirigentes, mas sim o Papa falou calorosamente ao grupo, chamando-os de “portadores de sabedoria” e informando-os da sua “profunda gratidão” para os seus ” Altruísta contribuições “e dedicação.

Ele fez uma referência específica ao colégio católico presidentes, perto do final do seu discurso, dizendo-lhes que ele quis “reafirmar o grande valor da liberdade académica”. Ele também observou que qualquer recurso a liberdade académica “para justificar posições que contradizem a fé eo ensinamento da Igreja iria dificultar ou até mesmo trair a universidade da identidade e missão”.

O pontiff também fez um apelo aos sacerdotes, religiosos irmãos e irmãs a “não abandonar a escola apostolado”.

“Renovar seu compromisso de escolas, principalmente aqueles que vivem em áreas mais pobres”, disse. Seu comentário chamou fortes aplausos dos educadores.

“Sei do meu próprio dia como um professor, e eu tenho ouvido de seus bispos e funcionários da Congregação para a Educação Católica, que a reputação da Católica institutos de aprendizagem neste país é, em grande parte devido a vós e seus antecessores”, disse ele .

Isto não quer dizer o papa não impugnou o grupo representando infância através da faculdade os estudantes licenciados. Várias vezes durante a hourlong endereço ele exortou-os a viver de acordo com as suas responsabilidades de imparting verdade aos seus alunos que lhes permita viver a sua fé no mundo moderno.

“Não só as nossas próprias comunidades eclesiais, mas da sociedade em geral tem grandes expectativas para educadores católicos”, disse ele, acrescentando que esta lhes confere “uma responsabilidade e uma oportunidade”.

Ele observou que o papel dos educadores é particularmente crucial no mundo moderno, onde muitas vezes causa o papel da Igreja no fórum público. O principal papel da Igreja, disse ele, é “defender a moral essencial categorias de certo e errado”, porque sem sentido, disse: “Esperamos só poderia wither, dando lugar ao frio pragmática cálculos de utilidade que tornam a pessoa pouco mais de Um peão em alguns ideológica tabuleiro xadrez “.

A igreja, e aquelas encarregadas de um papel pedagógico, também precisamos de falar sobre o papel da verdade, sublinhando que “a verdade ea razão nunca contradizem-se mutuamente.”

Como pode ter sido esperado, o papa destacou a importância da identidade católica - uma questão-chave para católica faculdades, escolas e programas da educação religiosa - por notar que não é.

“Identidade católica não é simplesmente uma questão do número de estudantes católicos”, disse. Também não é “dependente de estatísticas” nem se pode “equiparar simplesmente com a ortodoxia do curso conteúdo”.

Ao invés disso, ele salientou que a identidade católica de uma escola ou ensino religioso programa “demandas e inspira muito mais: saber que cada um e todos os aspectos da sua aprendizagem comunidades reverbera dentro da vida eclesial de fé”.

O papa ligados a actual “crise da verdade” para uma “crise de confiança” e disse educadores têm de fazer mais do que simplesmente “envolver o intelecto dos nossos jovens”, mas deve ajudar em vez dos jovens de hoje para viver plenamente a sua fé. “A dificuldade ou relutância muitas pessoas têm hoje em confiando-se a Deus” é um “fenómeno complexo”, disse ele, acrescentando que é aquela que “eu pondere continuamente”.

Salientou que os professores e administradores de universidades e escolas têm um “dever e privilégio para garantir que os alunos recebem instrução na doutrina católica e prática”. Para não fazer isso, disse ele, iria enfraquecer identidade católica e causar “moral, intelectual e espiritual” confusão.

Como o papa deixou o campus, os alunos novamente deu-lhe uma rousing enviar-off, solicitando a pontiff para rolar para baixo da janela do seu popemobile e vaga como seu motorcade passou para o próximo evento.

Papa reúne líderes Inter, diz diálogo descobre verdade
Por Regina Linskey Católica News Service

Washington (CNS) -, o Papa Bento XVI encorajou inter líderes para trabalhar, não só para a paz, mas também para a descoberta da verdade. O Papa disse cerca de 200 representantes do Islão, Jainismo, Budismo, Hinduísmo, Judaísmo reunidos no Papa João Paulo II Cultural Center, em Washington abril 17 “a perseverar na sua colaboração” para servir a sociedade e enriquecer a vida pública.

“Tenho notado um interesse crescente entre os governos para patrocinar programas destinados a promover o diálogo intercultural e inter diálogo. Estes são louváveis iniciativas”, disse Bento. “Ao mesmo tempo, a liberdade religiosa, o diálogo inter-fé e com base em educação visam a algo mais do que um consenso sobre as formas de implementar estratégias concretas para avançar a paz.

“O objetivo mais amplo do diálogo é para descobrir a verdade”, disse ele.

Em uma cerimônia nos dois andares no átrio principal do centro cultural, Milwaukee Bispo Auxiliar Richard J. Sklba, presidente de os E.U. bispos “Comissão dos Assuntos Ecumênico e Inter, introduziu o papa ao inter dirigentes, que usavam roupas tradicionais para identificar Os seus credos. Para o papa da direita foram os cinco símbolos de paz apresentado a ele no final da cerimónia.

A partir motorcade A Universidade Católica da América para o Papa João Paulo II Centro Cultural, não por muito tempo, as duas instituições estão do outro lado da rua uns com os outros, embora o papa da reunião com educadores na Universidade Católica foi sobre o outro lado do seu campus.

Após a chegada do Papa no centro cultural, o Cardeal J. Adam Maida de Detroit, uma força motriz sua construção, got down em um joelho e beijou o anel do papa. O Papa disse que, em sua tentativa de descobrir comuns, os líderes religiosos talvez “tenha esquivaram da responsabilidade de discutir as nossas diferenças com calma e clareza”. Mas, continuando a busca de respostas para questões como o que constitui o bem eo mal eo que é destino da humanidade, o diálogo “não irá parar na identificação de um conjunto comum de valores, mas ir a sonda em sua derradeira fundação”, disse. “Não temos motivos para temer, a verdade revela essencial para nós a relação entre o mundo e Deus”. Papa Bento XVI disse que “só por abordar estas questões mais profunda é que podemos construir uma base sólida” para a paz ea segurança.

Quando as pessoas encontrar a verdade “, eles procuram naturalmente o caminho da paz”, disse ele, citando a sua mensagem para o Dia Mundial da Paz 2006.

Hoje, Bento disse, os líderes religiosos têm o dever de colocar estas questões verdade-buscando “na vanguarda da consciência humana” e “para criar espaço num mundo frenético de reflexão e oração”.

O Papa convidou também as pessoas religiosas para ver o diálogo como meio para servir a sociedade em geral.

“Por serem testemunhas aquelas verdades morais que são titulares em comum com todos os homens e mulheres de boa vontade, grupos religiosos irá exercer uma influência positiva sobre a cultura mais vasta e inspirar vizinhos, colegas de trabalho e concidadãos para participar na tarefa de fortalecer Os laços de solidariedade “, afirmou o papa.

Ele destacou o impacto positivo que as comunidades religiosas fazem na sociedade. Por exemplo, ele disse que, com base na fé escolas ajudar “os jovens aprendem a respeitar as crenças e práticas dos outros”, o que aumenta a vida cívica.

Entretanto, o papa enfatizou a defesa da liberdade religiosa.

“Proteger a liberdade religiosa no interior do Estado de direito não garante que os povos - particularmente as minorias - será poupado de injusta formas de discriminação e preconceito”, disse o papa. “Isto requer esforço constante da parte de todos os membros da sociedade para garantir que os cidadãos têm proporcionado a oportunidade de culto e de passar tranquilamente na sua herança religiosa para os seus filhos.”

Passando sobre as tradições religiosas para a próxima geração preservar o seu património e “nutre a cultura circundante” Hoje, disse ele.

“O mesmo vale para o diálogo entre as religiões e, tanto os participantes ea sociedade são enriquecidos”, afirmou. “O mundo suscita comum para testemunhar” a partilha valores éticos. Bento discutiu a liberdade religiosa na América, observando a sua tradição de valorizar “a capacidade de culto livremente”.

“Em áreas urbanas, é comum que os indivíduos de diferentes origens culturais e religiões empenhar-se uns com os outros diários em comerciais, sociais e educacionais configurações”, disse o papa.

“Hoje em dia, nas salas de aula em todo o país, jovens cristãos, judeus, muçulmanos, hindus, budistas e até mesmo crianças de todas as religiões se sentam lado a lado, aprendendo uns com os outros e de uma outra”, disse o papa. “Esta diversidade dá origem a novos desafios que a faísca um aprofundamento da reflexão sobre os princípios fundamentais de uma sociedade democrática. Maio outros tomar coração de sua experiência, percebendo que uma sociedade unida pode efectivamente resultar de uma pluralidade de pessoas.”

Após seu discurso, cinco jovens adultos apresentou Bento com símbolos representando a paz, enquanto uma harpist jogou-16o e 17o século italiano e alemão música. Os manuscritos originais de algumas das músicas estão no Arquivo Secreto do Vaticano.

David Michaels, diretor de assuntos intercommunal em B’nai B’rith Internacional, a mais antiga organização humanitária judaica, apresentou o papa com um menorah prata, simbolizando a validade de Deus do pacto de paz.

Saman Hussain, um muçulmano Paquistão-nascidos e líder estudantil, o papa deu uma de prata-vinculado edição do Corão, o livro sagrado do Islã que os muçulmanos ensinar proclama a mensagem do Deus da paz. O jovem representante do Jainismo, Aditya Vora, Bento deu um cubo metálico. O cubo representa o Jain princípios do respeito pela diversidade de pontos de vista como o caminho para a paz através da auto-disciplina e diálogo.

Hindu representante Ravi Gupta, um professor assistente de religião no Centro College, Danville, Ky., o papa deu um bronze dourado incenso queimador com a sagrada sílaba om. Masako Fukata, um líder budista juventude, Bento deu um coreano monástica sino. Em várias culturas budista, o som da campainha convida meditação, o que leva a crer que eles paz interior.

Bispo Sklba então introduzidos 10 judeus, muçulmanos, budistas, hindus e Jain líderes ao papa. “Eles são verdadeiramente os nossos parceiros e amigos acarinhados no trabalho de construção de uma civilização baseada em verdadeiros valores humanos”, disse Bispo Sklba. Cada interconfessional representante recebeu um pequeno presente do papa.

Após a cerimônia, o judeu representantes reuniu separadamente com o Papa Bento XVI em polonês Património Quarto para uma saudação especial Páscoa Judaica e endereço. Enquanto o papa foi de encontro com os representantes judaicos, que se reuniu com o papa tomou o microfone e começou a dizer a restante multidão que tinha dito quando se reuniram com o papa.

Hassan al-Qazwini, religiosos diretor do Centro Islâmico da América, disse que pediu ao Papa “para liderar os esforços para estabelecer o diálogo permanente entre muçulmanos e católicos”. “Eles estão em necessidade desesperada de ter diálogo”, disse.

Discurso do Papa aos jovens e seminaristas em Nova Iorque
Arquivado em: CN EUA, Visita Papal USA — New Evangelization at 3:48 pm on Domingo, Abril 20, 2008
Cardeais,
Queridos Irmãos no Episcopado,
Queridos jovens amigos,

Proclamem o Cristo Senhor, “sempre prontos a dar a razão de sua esperança a todo aquele que a pede a vocês” (1 Pd 3, 15). Com estas palavras, da Primeira Carta de Pedro saúdo cada um de vocês com cordial afeto. Agradeço o Cardeal Egan por suas cordiais palavras de boas-vindas e agradeço também os representantes escolhidos por vocês por seus gestos e esta calorosa acolhida. Ao Bispo Walsh, Reitor do Seminário São José, ao pessoal e aos seminaristas, dirijo minhas saudações especiais e expresso minha gratidão

Jovens amigos, estou muito feliz pela ocasião de falar com vocês. Levem, por favor, minhas cordiais saudações aos membros de suas famílias e seus parentes, assim como aos professores e ao pessoal de todas as várias escolas, colégios e universidades das quais pertencem. Sei que muitos trabalharam intensamente para garantir a realização deste nosso encontro, e a eles, estou reconhecido. Desejo também expressar o meu apreço pelo canto de ‘Feliz Aniversário’. Obrigado por este gesto comovente. Dou a todos um “10” por sua pronúncia alemã! Hoje à tarde, gostaria de compartilhar com vocês algumas reflexões sobre o ser discípulos de Jesus Cristo - em caminho nas pegadas do Senhor, nossas vidas se tornam uma viagem da esperança.

Aqui na frente, vemos imagens de seis homens e mulheres crescidos para conduzir vidas extraordinárias. A Igreja os honra como Veneráveis, Bem-aventurados ou Santos: cada um deles respondeu ao chamado de Deus por uma vida de caridade e cada um deles O serviu aqui nas ruelas, estradas e subúrbios de Nova Iorque. Estou surpreso com a heterogeneidade de seu grupo: pobres e ricos, homens e mulheres, sacerdotes e religiosas, imigrantes que vêm de longe, a filha de um guerreiro Mohawk e uma mãe Algonquin, um escravo haitiano e um intelectual cubano.

Santa Elizabeth Anna Seton, santa Francisca Xavier Cabrini, São João Neumann, a bem-aventurada Kateri Tekakwitha, o venerável Pierre Toussaint e o Padre Felix Varela: cada um de nós pode ser incluído entre eles, porque não existe um estereótipo para este grupo; nenhum modelo uniforme. Mas um olhar mais de perto revela que existem elementos comuns. Inflamadas pelo amor de Deus, suas vidas se tornaram extraordinários trajetos de esperança. Para alguns, isto significou deixar sei país e embarcar em uma peregrinação de milhares de quilômetros. Para cada um, foi um ato de abandono em Deus na confiança que Ele é o destino final de todo peregrino. Todos estendiam ‘uma mão’ de esperança às pessoas que encontravam nas ruas, muitas vezes despertando nelas uma vida de fé. Através de orfanatos, escolas e hospitais, assistindo os pobres, os doentes e os marginalizados, e mediante o testemunho convincente que deriva do caminhar humildemente seguindo o exemplo de Jesus, estas seis pessoas abriram o caminho da fé, da esperança e da caridade a inúmeras pessoas, incluindo seus próprios ancestrais.

E hoje? Quem leva o testemunho da Boa Nova de Jesus às ruas de Nova Iorque, nos subúrbios inquietos às margens das grandes cidades, aos lugares nos quais os jovens se reúnem em busca de alguém em quem confiar? Deus é nossa origem e nosso destino, e Jesus é o caminho. O percurso desta viagem se articula – como o dos nossos santos – entre alegrias e provações da normal vida cotidiana: em suas famílias, nas escolas e nos colégios, durante suas atividades no tempo livre e em suas comunidades paroquiais. Todos estes lugares são marcados pela cultura na qual crescem. Como jovens americanos, lhes são oferecidas muitas possibilidades para seu desenvolvimento pessoal, e vocês foram educados com um espírito de generosidade, serviço e imparcialidade. Mas não precisam que eu lhes diga que existem também dificuldades: comportamentos e modos de pensar que sufocam a esperança caminhos que conduzem à felicidade e à satisfação, mas que conduzem somente à confusão e angústia.

Meus anos de adolescência foram estragados por um regime infausto que acreditava possuir todas as respostas; sua influência cresceu – penetrando inclusive nas escolas e organismos civis, assim como na política e até mesmo na religião – antes de ser plenamente reconhecido como um verdadeiro monstro. Ele colocou Deus de fora, e assim, o tornou inacessível a todas as coisas verdadeiras e boas. Muitos de seus pais e avós lhes contaram da destruição que houve, a seguir. Alguns deles, de fato, vieram aos Estados Unidos justamente para fugir daquele terror.

Agradecemos a Deus porque hoje, muitos de sua geração podem gozar das liberdades surgidas graças à difusão da democracia e do respeito dos direitos humanos. Agradecemos a Deus por todos os que lutam para garantir que vocês possam crescer em um ambiente que cultiva coisas bonitas, boas e verdadeiras. Seus pais e avós, seus professores e sacerdotes, as autoridades civis que buscam coisas corretas e justas.

O poder destruidor, todavia, persiste. Afirmar o contrário seria enganar a si mesmos. Mas ele não triunfará jamais; ele foi derrotado. É esta a essência da esperança que nos distingue, como cristãos; a Igreja o recorda de modo muito dramático durante o tríduo pascal e o celebra com grande alegria no tempo pascal! Aquele que nos indica o caminho após a morte é aquele que nos mostra como superar destruição e angústia. Assim, é Jesus o grande Mestre de vida (cfr Spe salvi, 6). Sua morte e ressurreição significam que podemos dizer ao Pai celeste: “O Senhor renovou o mundo” (6ª feira Santa, Oração depois da comunhão). Assim, apenas algumas semanas atrás, durante a belíssima liturgia da Vigília Pascal, não foi por desespero ou angústia, mas com uma confiança repleta de esperança, que gritamos a Deus em favor de nosso mundo: Dispersai as trevas de nosso coração! Dispersai as trevas de nosso espírito! (cfr Oração durante a ascensão do círio pascal).

O que podem ser estas trevas? O que acontece quando as pessoas, sobretudo as mais vulneráveis, encontram o pulso forte da repressão ou da manipulação, ao invés da mão estendida, da esperança? O primeiro grupo de exemplos pertence ao coração, onde os sonhos e desejos que os jovens perseguem podem ser tão facilmente rompidos ou destruídos. Penso naqueles que são vítimas do abuso da droga e dos estupefacientes, da falta de uma moradia, da pobreza, do racismo, da violência e do degrado – especialmente moças e mulheres. Enquanto as causas destas situações problemáticas são complexas, todas têm em comum uma atitude mental envenenada, que se manifesta ao tratar as pessoas como meros objetos. Assim, afirma-se uma insensibilidade de coração que inicialmente ignora e enfim, denigre a dignidade dada por Deus a toda pessoa humana. Tragédias semelhantes demonstram também o que poderia ter acontecido e o que pode acontece agora, se outras mãos – as suas mãos – tivessem sido estendidas ou se estendem a eles. Encorajo-os a convidar outras pessoas, sobretudo vulneráveis e inocentes, a associarem-se a vocês no caminho da bondade e da esperança.

A segunda área de trevas – que atinge o espírito – muitas vezes não se sente, e por isso, é particularmente funesta. A manipulação da verdade distorce a nossa percepção da realidade e obscurece nossas aspirações. Já mencionei as várias liberdades de que os senhores podem usufruir. A importância fundamental da liberdade deve ser rigorosamente salvaguardada. Assim, não surpreende que numerosos indivíduos e grupos reivindiquem em voz alta, em público, suas liberdades. Mas a liberdade é um valor delicado. Pode ser mal-entendida ou mal utilizada, de modo que não conduz à felicidade que todos esperamos dela, mas a um cenário escuro de manipulação, no qual a nossa compreensão de nós mesmos e do mundo se faz confusa ou é até mesmo distorcida por quem tem um projeto escondido.

Vocês notaram quantas vezes a reivindicação da liberdade é feita, sem jamais referir-se à verdade da pessoa humana? Existem pessoas que defendem que o respeito da liberdade do cidadão torne injusta a busca da verdade, incluindo a verdade sobre o que é o bem. Em alguns lugares, falar da verdade é considerado como fonte de discussão ou de divisões, e portanto, deve ser reservado à esfera pessoal. E no lugar da verdade – ou melhor, da ausência da verdade – difundiu-se a idéia de que, dando valor indiscriminadamente a tudo, assegura-se a liberdade e se liberta a consciência. É o que definimos relativismo. Mas qual é o objetivo da ‘liberdade’ que, ignorando a verdade, persegue o que é falso ou injusto? A quantos jovens foi oferecida uma mão que, em nome da liberdade ou da experiência, os guiou ao vício das drogas, à confusão moral ou intelectual, à violência, à perda de respeito por si mesmos, ao desespero, e até, tragicamente, ao suicídio? Queridos amigos, a verdade não é uma imposição. Nem é simplesmente um conjunto de regras. É a descoberta de Um, que nunca nos trai; de Um no qual podemos sempre confiar. Ao procurar a verdade, chegamos a viver com base na fé porque, definitivamente, a verdade é uma pessoa; Jesus Cristo. É esta a razão pela qual a autêntica liberdade não é uma escolha de se ‘desvincular’ de algo. É uma decisão pelo ‘empenho por’; nada mais do que sair de si mesmos e deixar-se envolver no ‘ser pelos outros’ de Cristo (cfr Spe salvi, 28).

Como podemos então, como fiéis, ajudar os outros a caminhar no caminho da liberdade que leva à satisfação plena e à felicidade duradoura? Mas voltamos agora aos santos. De que forma seu testemunho libertou realmente das trevas do coração e do espírito? A resposta se encontra no fulcro de sua fé – de nossa fé. A encarnação, o nascimento de Jesus nos diz que Deus procura, realmente, um lugar entre nós. O hotel está cheio, mas apesar disso, Ele entra na manjedoura, e algumas pessoas vêem a sua luz. Reconhecem o mundo escuro e fechado de Herodes e seguem, ao contrário, o brilho da estrela que os guia no céu escuro. O que irradia? A este ponto, podem se lembrar da oração pronunciada na santíssima noite de Páscoa: “Oh Pai, que por meio de teu Filho, luz do mundo, nos comunicou a luz da tua glória, acende em nós a chama viva de tua esperança!” (cfr Benção do fogo). E assim, em uma procissão solene com as nossas velas acesas, passamos de um ao outro a luz de Cristo. É a luz que “derrota o mal, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos, dissipa o ódio, nos traz a paz e humilha a soberba do mundo” (Exsultet). É esta a luz de Cristo, à obra. É este o caminho dos santos. É a magnífica visão da esperança – a luz de Cristo lhes convida a ser estrela-guia para os outros, caminhando no caminho de Cristo que é caminho de perdão, de reconciliação, humildade, alegria e paz.
Por vezes, porém, somos tentados em fechar-nos em nós mesmos, duvidar da força do esplendor de Cristo, limitar o horizonte da esperança. Tomem coragem! Fixem o olhar em nossos santos! A diversidade de suas experiências da presença de Deus nos sugere para descobrir novamente a amplidão e a profundidade do cristianismo. Deixem que a sua fantasia se expanda livremente ao longo do discipulado cristão. Por vezes, somos consideradas pessoas que falam apenas de proibições. Nada pode ser mais distante da verdade! Um autêntico discipulado cristão é caracterizado pela sensação de surpresa. Estamos diante daquele Deus que conhecemos e amamos como um amigo, diante da vastidão de sua criação e da beleza de nossa fé cristã.

Queridos amigos, o exemplos dos santos nos convida também a considerar quatro aspectos essenciais do tesouro de nossa fé: oração pessoal e silêncio, oração litúrgica, caridade praticada e vocações.

A coisa mais importante é que desenvolva uma relação pessoal com Deus. Esta relação se expressa na oração. Em virtude de sua natureza, Deus fala, escuta, e responde. Com efeito, São Paulo nos recorda que nós podemos e devemos “rezar incessantemente” (cfr 1 Ts 5, 17). Longe de fechar-nos em nós mesmos ou de fugir dos altos e baixos da vida, por meio da oração nos dirigimos a Deus, e através d’Ele, nos dirigimos a todos, inclusive aos marginalizados e àqueles que seguem caminhos diversos dos de Deus (cfr Spe salvi, 33). Como os santos nos ensinam de modo tão vivo, a oração se torna esperança concreta. Cristo era seu companheiro constante, com o qual conversavam em seu caminho a serviço dos outros.

Há outro aspecto da oração que nós devemos recordar: a contemplação no silêncio. São João, por exemplo, nos diz que para colher a revelação de Deus, é preciso antes de tudo ouvir, e depois responder, anunciando aquilo que ouvimos e vimos (cfr 1 Gv 1, 2-3; Cost. Dei Verbum, 1). Por acaso perdemos um pouco a arte do ouvir? Deixem algum espaço para ouvir o sussurro de Deus que lhes chama rumo à bondade? Amigos, não tenham medo do silêncio e da quietude, ouçam Deus, adorem-no na Eucaristia! Deixem que sua palavra forje o seu caminho como desenvolvimento da santidade.

Na liturgia, encontramos toda a Igreja na oração. A palavra “liturgia” significa a participação do Povo de Deus na obra de Cristo sacerdote e de seu Corpo, que é a Igreja (Sacrosanctum Concilium, 7). Em que consiste esta obra? Antes de tudo, se refere à Paixão de Cristo, à sua morte e ressurreição e à sua ascensão - aquilo que chamamos ‘Mistério Pascal’. Refere-se também à própria celebração da liturgia. De fato, os dois significados são inseparavelmente relacionados, porque esta ‘obra de Jesus’ é o verdadeiro conteúdo da liturgia. Mediante a liturgia, a ‘obra de Jesus’ é continuamente em contato com a história; com a nossa vida, para forjá-la. Aqui, captamos mais uma idéia da grandeza de nossa fé cristã. Cada vez que vocês se reúnem para a Santa Missa, quando se confessam, cada vez que celebram um dos Sacramentos, Jesus está em ação. Através do Espírito Santo, os atrai a si, dentro de seu amor sacrifical pelo Pai, que se torna amor para todos. Assim, vemos que a liturgia da Igreja é um ministério de esperança para a humanidade. A sua participação plena de fé é uma esperança ativa que ajuda a manter o mundo – santos e pecadores – abertos a Deus; é esta a verdadeira esperança humana, que nós oferecemos a todos (cfr Spe salvi, 34).

Sua oração pessoal, seus tempos de contemplação silenciosa e sua participação na liturgia da Igreja lhes aproxima de Deus e os prepara também a servir os outros. Os santos que nos acompanham esta tarde nos mostram que a vida de fé e de esperança é também uma vida de caridade. Contemplando Jesus na Cruz, vemos o amor em sua forma mais radical. Podemos começar a imaginar o caminho do amor que devemos percorrer. (cfr Deus caritas est, 12). As ocasiões para fazer este caminho são muitas. Olhem a seu redor com os olhos de Cristo, ouçam com seus ouvidos, intuam com o seu coração e seu espírito. Os senhores estão prontos a dar tudo pela verdade e a justiça, como Ele fez? Muitos exemplos de sofrimento aos quais nossos santos responderam com compaixão encontram-se ainda hoje nesta cidade e arredores. E emergiram novas injustiças: algumas são complicadas e derivam da manipulação do espírito. Até o nosso meio-ambiente de vida, a própria terra, geme sob o peso da avidez de consumo e da exploração irresponsável dos recursos. Devemos escutar profundamente. Devemos responder com uma ação social renovada, que nasça do amor universal, que não conhece limites. Desta forma, estamos certos de que nossas obras de misericórdia e justiça se tornem esperança concretas para os outros.

Queridos jovens, enfim… gostaria ainda de dizer algo sobre as vocações. Antes de tudo, meu pensamento se dirige a seus pais, avós, padrinhos, que foram seus primeiros educadores na fé. Apresentando-os ao batismo, eles lhes deram a chance de receber o maior dom de suas vidas. Naquele dia, entraram na santidade do próprio Deus. Tornaram-se filhas e filhos adotivos do Pai. Foram incorporados em Cristo. Se transformaram em moradia de seu Espírito. Rezamos pelas mães e pais em todo o mundo, especialmente por aqueles que estão lutando, de todas as formas, socialmente, materialmente, espiritualmente. Honremos a vocação do matrimônio e da vida familiar. Queremos sempre reconhecer que o local onde nascem as vocações são as famílias.

Reunidos aqui, no Seminário São José, saúdo os seminaristas presente, e encorajo, de fato, todos os seminaristas em todos os lugares dos EUA. Estou feliz em saber que seu número está aumentando! O povo de Deus espera que vocês sejam sacerdotes santos, num caminho cotidiano de conversão, inspirando nos outros o desejo de entrar na vida eclesial dos fiéis com profundidade. Exorto-os a aprofundar a sua amizade com Jesus, Bom Pastor. Falem com Ele de coração para coração. Rejeitem toda tentação de ostentação, carreirismo e vaidade. Tendam a um estilo de vida caracterizado pela caridade, castidade e humildade, imitando Cristo, eterno Sumo Sacerdote, de quem devem se tornar imagem viva (cfr Pastores dabo vobis, 33). Queridos seminaristas, rezo por vocês todos os dias. Recordem-se de que aquilo que conta para o Senhor é habitar em seu amor e irradiar seu amor pelos outros.
Irmãs, irmãos e sacerdotes das Congregações religiosas contribuem amplamente à missão da Igreja. O seu testemunho profético é caracterizado por uma profunda convicção da primazia com a qual o Evangelho plasma a vida cristã e transforma a sociedade. Hoje gostaria de chamar a atenção de vocês para a positiva renovação espiritual que as Congregações estão realizando em relação a seu carisma. A palavra “carisma” significa um dom oferecido livremente e gratuitamente.
Os carismas são concedidos pelo Espírito Santo que inspira fundadores e fundadoras e forma as Congregações com um patrimônio espiritual. A maravilhosa série de carismas de cada Instituto Religioso é um tesouro espiritual extraordinário. A história da Igreja, de fato, é talvez ilustrada na maneira mais sublime através da história de suas escolas de espiritualidade, a maioria das quais procedem de vidas santas de fundadores e fundadoras. Acredito que, mediante a descoberta dos carismas que produzem uma vastidão de sabedoria espiritual, alguns de vocês jovens serão atraídos para uma vida de serviço apostólico e contemplativo. Não sejam tímidos em conversar com os freis, religiosas ou sacerdotes religiosos sobre o carisma e sobre a espiritualidade de sua Congregação. Não existe comunidade perfeita, mas o discernimento de fidelidade a um carisma fundador, não a uma pessoa em particular, que o Senhor pede a vocês. Tenham coragem! Vocês podem fazer de suas vidas uma auto-doação por amor ao Senhor Jesus e, n’Ele, por todo membro da família humana (cfr Vita consecrata, 3).
Amigos, pergunto novamente a vocês: o que dizer do momento presente? O que vocês procuram? O que Deus sugere a vocês? A esperança que não decepciona é Jesus Cristo. Os santos nos mostram o amor desinteressado de seu caminho. Como discípulos de Cristo, seus percursos extraordinários se desenvolveram dentro de uma comunidade de esperança que é a Igreja. É dentro da Igreja que também vocês encontrarão a coragem e o amparo para caminhar na estrada do Senhor. Nutridos pela oração pessoal, preparados no silêncio, plasmados pela liturgia da Igreja, vocês descobrirão a vocação particular que o Senhor reserva para vocês. Abracem-na com alegria. Hoje os discípulos de Cristo são vocês. Irradiem a sua luz sobre esta grande cidade e além dela. Mostrem ao mundo a razão da esperança a todo aquele que a pedir a vocês. Falem com os outros da verdade que lhes torna livres. Com estes sentimentos de grande esperança, que deposito em vocês, saúdo cada um com um “até breve” na expectativa de encontrá-los novamente em Sydney, em julho, para o Dia Mundial da Juventude! E como garantia de meu afeto por vocês e por suas famílias, concedo a todos, com alegria, a minha Benção Apostólica.

Papa mostra erro do nazismo aos jovens: separar verdade da liberdade

A liberdade deve estar fundada sobre a verdade, diz a mais de 20 mil rapazes e moças em Nova York

NOVA YORK, segunda-feira, 21 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI explicou neste sábado aos jovens americanos que a liberdade deve basear-se na verdade para não repetir experiências como as que arruinaram sua juventude sob o nazismo.

Os jovens, reunidos no campo de esportes do seminário de São José, de Nova York, felicitaram o Papa por seu aniversário, celebrado dois dias antes, cantando o tradicional «Happy Birthday», no idioma materno de Joseph Ratzinger.

«Obrigado por este detalhe comovedor; dou-vos ‘nota 10’ pela pronúncia do alemão», respondeu-lhes o Papa.

O pontífice começou recordando seus anos de juventude que, como reconheceu, «foram arruinados por um regime funesto que pensava ter todas as respostas; sua influência cresceu – infiltrando-se nas escolas e nos organismos civis, assim como na política e inclusive na religião – antes que se pudesse perceber claramente que era um monstro».

«Declarou Deus como proscrito, e assim se fez cego a tudo que é bom e verdadeiro – continuou dizendo em seu discurso pronunciado em inglês e espanhol. Muitos dos vossos pais e avós devem ter vos contado sobre o horror da destruição que aconteceu depois. Alguns deles, de fato, vieram para a América precisamente para escapar desse horror.»

O bispo de Roma agradeceu a Deus, porque hoje muitos «podem gozar das liberdades que surgiram graças à expansão da democracia e do respeito dos direitos humanos».

«Demos graças a Deus por todos os que lutaram para assegurar que possam crescer em um ambiente que cultiva o belo, bom e verdadeiro: vossos pais e avós, professores e sacerdotes, as autoridades civis que buscam o que é reto e justo.»

«Contudo, o poder destrutivo permanece. Dizer o contrário seria enganar a si mesmos. Mas este jamais triunfará; foi derrotado. Esta é a essência da esperança que nos distingue como cristãos.»

O Papa perguntou aos jovens: «Vós notastes que, com freqüência, se reivindica a liberdade sem jamais fazer referência à verdade da pessoa humana?».

«Há quem afirme hoje que o respeito à liberdade do indivíduo faz que seja errôneo buscar a verdade, inclusive a verdade sobre o que é o bem. Em alguns ambientes, falar da verdade se considera como uma fonte de discussões ou de divisões e, portanto, é melhor relegar este tema ao âmbito privado.»

«Ao invés da verdade – ou melhor, de sua ausência –, difundiu-se a idéia de que, dando um valor indiscriminado a tudo, se assegura a liberdade e se liberta a consciência.»

«Nós chamamos isso de relativismo», declarou, tratando de um dos temas centrais de seu pontificado.

Mas, «que objeto tem uma ‘liberdade’ que, ignorando a verdade, persegue o que é falso ou injusto? A quantos jovens se estendeu uma mão que, em nome da liberdade ou de uma experiência, os levou ao consumo habitual de entorpecentes, à confusão moral ou intelectual, à violência, à perda do respeito por si mesmos, ao desespero inclusive e, deste modo, tragicamente, ao suicídio?», perguntou-se.

«A verdade não é uma imposição – disse por último. Tampouco é um mero conjunto de regras. É a descoberta de Alguém que jamais nos trai; de Alguém de quem sempre podemos nos fiar. Buscando a verdade, chegamos a viver baseados na fé porque, em definitivo, a verdade é uma pessoa: Jesus Cristo.»

«Esta é a razão pela qual a autêntica liberdade não é optar por ‘desfazer-se de’. É decidir ‘comprometer-se com’; nada menos que sair de si mesmo e ser incorporados no ‘ser para os outros’ de Cristo», afirmou.

Crise da verdade e da fé estão ligadas, diz Papa

Em discurso a representantes do ensino católico

WASHINGTON, D.C., sexta-feira, 18 de abril de 2008 (ZENIT.org).- A moderna crise da verdade funda-se na crise da fé, disse Bento XVI a um grupo de líderes e representantes do ensino católico.

O Papa afirmou isso na tarde dessa quinta-feira, na Universidade Católica da América, na capital norte-americana. Ele foi recebido no campus pelo presidente da Universidade, Pe. David O’Connell, e carinhosamente saudado pelos estudantes, que cantavam: «Nós amamos o Papa».

«A educação faz parte da missão da Igreja de proclamar a Boa Nova», afirmou o Santo Padre.

Segundo o pontífice, é preciso refletir sobre o específico de nossas instituições católicas» e sobre como elas podem «contribuir para o bem da sociedade por meio da missão primeira da Igreja que é evangelizar».

«Todas as atividades da Igreja nascem de sua consciência de ser portadoras de uma mensagem que tem sua origem no próprio Deus», explicou o Santo Padre. Ele acrescentou que «aquele que procura a verdade torna-se alguém que vive da fé».

Bento XVI considera que a identidade da escola católica é «uma questão de convicção — acreditamos realmente que somente no mistério do Verbo encarnado se torna verdadeiramente claro o mistério do homem? Estamos realmente prontos a confiar o nosso ‘eu’, por inteiro – intelecto e vontade, mente e coração – a Deus?»

«Aceitamos a verdade que Cristo revela? Em nossas universidades e escolas, a fé é tangível? Atribuímos a ela fervorosas expressões na liturgia, nos sacramentos, mediante a oração, os gestos de caridade, a solicitude pela justiça e o respeito pela criação de Deus? Somente deste modo nós damos realmente testemunho do sentido de quem somos e do que defendemos.»

«Partindo desta perspectiva, pode-se reconhecer que a atual crise da verdade funda-se na crise da fé», prosseguiu o Papa. «Somente mediante a fé nós podemos dar livremente nosso consenso ao testemunho de Deus e reconhecê-Lo como garante transcendente da verdade que Ele revela».

Ao destacar que toda instituição católica deve ser testemunho da verdade de Cristo, Bento XVI afirmou que se observa uma relutância por parte das pessoas de confiar em Deus.

«É um fenômeno complexo sobre o qual tenho refletido constantemente», confessou. «Enquanto nós tentamos com devoção envolver a inteligência de nossos jovens, pode ser que subestimemos seus desejos. Conseqüentemente, observamos com preocupação que a noção de liberdade é desviada».

«A liberdade não é ter o direito de se desvincular de algo. É o direito de se empenhar por alguma coisa, é a participação no próprio Ser. Assim sendo, a autêntica liberdade não pode jamais ser alcançada no afastamento de Deus.»

Identidade católica

O Santo Padre afirmou que a identidade católica exige e inspira muito mais do que a ortodoxia dos conteúdos dos cursos,  pois «cada aspecto dos estudos deve reverberar na vida eclesial de fé».

«Somente na fé a verdade pode ser encarnada e a razão realmente humana, capaz de dirigir a vontade rumo ao caminho da liberdade», disse.

Nesse contexto, o pontífice destacou que «nossas instituições oferecem uma contribuição vital para a missão da Igreja e servem eficazmente a sociedade. Elas se tornam locais nos quais a ativa presença de Deus nos assuntos humanos é reconhecida e todos os jovens descobrem a alegria de entrar no ‘ser para os outros’ de Cristo».

No seu serviço à verdade, Bento XVI considerou que a Igreja às vezes é questionada em sua contribuição à discussão pública.

«É importante recorda que a verdade da fé e a verdade da razão nunca se contradizem entre si», explicou.

«Ao expressar a verdade revelada, ela serve todos os membros da sociedade purificando a razão, garantindo que ela permaneça aberta à consideração das verdades últimas […] Longe do ameaçar a tolerância da legítima diversidade, semelhante contribuição ilumina a própria verdade, que torna alcançável o consenso e ajuda a manter razoável, honesto e confiável o debate público.»

O Papa agradeceu os representantes católicos da educação por eles serem testemunhos de profissionalismo – momento em que ganhou um grande aplauso da multidão.

O bispo de Roma louvou o valor da liberdade acadêmica. «A propósito dos membros das Faculdades nos Colégios universitários católicos», ele disse, «desejo reafirmar o grande valor da liberdade acadêmica».

«Em virtude desta liberdade, os senhores são chamados a buscar a verdade aonde a atenta análise da evidência os conduz. Todavia, é também o caso de recordar que todo apelo ao princípio da liberdade acadêmica para justificar posições que contradizem a fé e o ensinamento da Igreja podem obstaculizar ou até mesmo trair a identidade e a missão da Universidade, uma missão imprescindível para o munus docendi da Igreja e não é de alguma maneira autônoma ou independente desta.»

O Papa recebeu outra grande salva de palmas quando dirigiu «uma palavra especial» aos religiosos, religiosas e sacerdotes.

«Não abandonem o apostolado escolar; aliás, renovem sua dedicação às escolas, especialmente àquelas que estão em áreas mais pobres», encorajou.

«Em locais nos quais há muitas falsas promessas que atraem os jovens para longe do caminho da verdade e da liberdade genuína, o testemunho dos conselhos evangélicos oferecidos pela pessoa consagrada é um dom insubstituível.»

«Encorajo os religiosos presentes a investirem um novo entusiasmo na promoção das vocações. Saibam que seu testemunho em favor do ideal da consagração e da missão em meio aos jovens é uma fonte de grande inspiração na fé, para eles e para suas famílias», disse.

Após seu discurso, o Santo Padre saudou alguns presentes e em seguida passeou entre os estudantes em seu papamóvel.

Papa diz que o diálogo tem uma proposta: buscar a verdade

Saúda os judeus pela Festa da Páscoa

WASHINGTON, D.C., 18 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI disse que o diálogo inter-religioso tem uma proposta além de estabelecer uma sociedade mais pacífica: o ponto principal do diálogo é buscar a verdade.

O Papa afirmou esta quinta-feira em um encontro com líderes religiosos na capital americana. O tema do encontro foi «Peace Our Hope» (Paz, nossa esperança), e aconteceu no Centro Cultural Papa João Paulo II.

O Santo Padre falou para os líderes sobre liberdade religiosa, louvando os Estados Unidos pelo fato de que pessoas de muitas religiões possam coexistir aí pacificamente.

«É de desejar que vossa experiência anime outros, sendo conscientes de que uma sociedade unida pode proceder de uma pluralidade de povos - E pluribus unum, de muitos, um -, com a condição de que todos reconheçam a liberdade religiosa como um direito civil fundamental», disse o Papa.

O Pontífice também enfatizou o valor da educação baseada na fé: «Estas instituições enriquecem as crianças tanto intelectual como espiritualmente», afirmou.

Bento XVI também expressou sua aprovação para um «interesse crescente entre os governos para patrocinar programas destinados a promover o diálogo inter-religioso e intercultural. Trata-se de iniciativas louváveis. Ao mesmo tempo, a liberdade religiosa, o diálogo inter-religioso e a educação baseada na fé tendem a algo mais que alcançar um consenso encaminhado a encontrar caminhos para formular estratégias práticas para o progresso da paz».

E ele continuou: «O objetivo mais amplo do diálogo é descobrir a verdade».

O Papa ainda quis mencionar as questões que o diálogo religioso deve embarcar: «Qual é a origem e o destino do gênero humano? Que é o bem e o mal? Que nos espera ao final de nossa existência terrena?»

«Apenas enfrentando estas questões mais profundas poderemos construir uma base sólida para a paz e a segurança da família humana: ‘onde e quando o homem se deixa iluminar pelo esplendor da verdade, empreende de modo quase natural o caminho da paz’», ele disse.

A proposta cristã

O bispo de Roma descreve o que a Igreja Católica oferece ao diálogo inter-religioso.

«Perante estes questionamentos mais profundos sobre a origem e o destino do gênero humano, os cristãos propõem Jesus de Nazaré» – disse o Papa –. «Ele é, assim acreditamos, o Logos eterno, que se fez carne para reconciliar o homem com Deus e revelar a razão que está no fundo de todas as coisas. É Ele quem levamos ao debate do diálogo inter-religioso. O desejo ardente de seguir seus passos impulsiona os cristãos a abrirem suas mentes e seus corações para o diálogo».

Ainda acrescenta: «Queridos amigos, em nosso intento de descobrir os pontos de comunhão, temos evitado talvez a responsabilidade de discutir nossas diferenças com calma e clareza. Enquanto unimos sempre nossos corações e mentes na busca da paz, devemos também escutar com atenção a voz da verdade».

«Deste modo, nosso diálogo não se deterá apenas em reconhecer um conjunto comum de valores, mas que avançará para indagar seu fundamento último. Não temos nada a temer, porque a verdade nos revela a relação essencial entre o mundo e Deus».

«Queridos amigos» – concluiu o Santo Padre –, «deixemos que nosso diálogo sincero e nossa cooperação impulsionem todos a meditar as perguntas mais profundas sobre sua origem e destino. Que os membros de todas as religiões estejam unidos na defesa e promoção da vida e a liberdade religiosa em todo o mundo. E que, dedicando-se generosamente a este sagrado dever – através do diálogo e de tantos pequenos atos de amor, de compreensão e de comunhão – sejamos instrumentos de paz para toda a família humana».

Páscoa Judaica

Depois de seu encontro com os líderes inter-religiosos, Bento XVI dirigiu um discurso especial para o povo Judeu pela sua festa da Páscoa, que inicia sábado.

«Cristãos e judeus» – disse o Papa – «compartilham esta esperança; de facto, como dizem os profetas, nós somos ‘prisioneiros da esperança’. Este vínculo permite-nos, a nós cristãos, celebrar ao vosso lado, embora a modo nosso, a Páscoa da morte e da ressurreição de Cristo, que vemos como que inseparável de vós mesmos, pois o próprio Jesus afirmou: ‘A salvação vem dos judeus’.»

«A nossa Páscoa e a vossa Pesah, apesar de distintas e diferentes, unem-nos na esperança comum que está centrada em Deus e na sua misericórdia. Isto incita-nos a cooperar uns com os outros e com todos os homens e mulheres de boa vontade, a fim de fazermos melhor este mundo para todos, à espera do cumprimento das promessas de Deus».

O Santo Padre ainda continuou: «Com respeito e amizade, peço, pois, à Comunidade Judaica que aceite os meus votos de Pesah num espírito de abertura às reais possibilidades de cooperação que se abrem diante de nós, enquanto contemplamos as urgentes necessidades do nosso mundo e olhamos com compaixão para os sofrimentos de milhões de irmãs e irmãos nossos em toda a terra».

«Naturalmente, a nossa compartilhada esperança de paz no mundo abraça o Médio Oriente e, de modo particular, a Terra Santa. Possa a recordação das misericórdias do Senhor, que judeus e cristãos celebram neste tempo de festa, inspirar a todos os responsáveis pelo futuro daquela região – onde tiveram realmente lugar os acontecimentos ligados à revelação de Deus – renovados esforços e, especialmente, novas atitudes e uma nova purificação dos corações!»

Porta-voz vaticano: depois dos abusos, Papa convida a passar da vergonha à esperança

Revela detalhes do encontro do Santo padre com as vítimas

WASHINGTON, sexta-feira, 18 de abril de 2008 (ZENIT.org).- O porta-voz da Santa Sé considera que o encontro que o Papa teve ontem com vítimas de abusos sexuais, assim como as palavras que pronunciou nos Estados Unidos sobre o tema, ajudam a passar da página da «vergonha» às páginas da «esperança» e da «purificação».

O Pe. Federico Lombardi, S.J., diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé e da «Rádio Vaticano», ofereceu detalhes sobre a audiência que o Papa concedeu na nunciatura apostólica (embaixada da Santa Sé) nos Estados Unidos a cerca de 6 vítimas de abusos da arquidiocese de Boston, acompanhados por seu arcebispo, o cardeal Sean P. O’Malley.

«Foi um encontro muito simples, vivido com grande discrição», explica o Pe. Lombardi. De fato, não fazia parte do programa oficial e não havia sido anunciado à mídia, que não esteve presente no mesmo.

«O encontro aconteceu na capela da nunciatura e foi essencialmente um encontro de oração, que se desenvolveu em um ambiente de grande comoção», continua descrevendo.

«Primeiro o arcebispo pronunciou umas palavras de introdução e depois o Santo padre dirigiu umas palavras muito sinceras e comovedoras. Palavras muito coerentes com o que ele já havia dito nos discursos, mas dirigidas a essas pessoas concretas, que estavam diante dele.»

Desde que ele empreendeu a viagem aos Estados Unidos, o Papa expressou publicamente, em três momentos diferentes, a «vergonha» que esses atos constituem e pediu ajuda às vítimas por parte dos pastores da Igreja e da comunidade em geral.

«Cada um dos presentes passou na frente do Papa, colocou as mãos nas suas, e o Papa as apertava. Cada um deles pôde expressar, quando tinha a força, superando a emoção, algo da sua história pessoal, e sobretudo da sua esperança de poder viver serenamente, de poder voltar a encontrar a serenidade, a própria vida de fé na Igreja», revela o Pe. Lombardi.

Da mesma forma, diz o sacerdote, dirigiram «palavras de gratidão ao Santo padre, por sua atenção e oração».

«Foi um encontro que durou cerca de 20 minutos, mas que certamente deixou uma marca profunda em todos os presentes. O Papa assegurou sua oração agora e no futuro, e não somente pelos presentes no encontro, mas por todas as vítimas dos abusos sexuais.»

«O cardeal O’Malley entregou ao Papa um livro no qual estão escritos os nomes – só os nomes, não os sobrenomes – de um elevado número de vítimas de abusos sexuais na sua arquidiocese, para que o Santo Padre possa rezar por elas.» A lista dessas vítimas era de aproximadamente mil pessoas, segundo foi informado.

«Acho que, ainda que tenha sido um ato breve e simples, um longo caminho foi percorrido, e da página da vergonha e da dor da Igreja americana, pode-se passar às páginas da esperança, da purificação, da reconciliação. Esperança é precisamente o tema com o qual o Papa está vivendo esses dias, ‘Cristo é nossa esperança’», conclui o porta-voz.

Papa: liberdade não está restrita pelo bem comum

Comenta sobre relações internacionais na ONU

NOVA YORK, sexta-feira, 18 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Regras e estruturas que promovem o bem comum não limitam a liberdade humana, disse Bento XVI à Assembléia Geral das Nações Unidas nesta sexta-feira.

Esta foi a mensagem que o Papa deixou hoje quando se dirigiu ao corpo internacional durante sua viagem apostólico aos Estados Unidos, que termina Domingo. Sua fala, feita parte em francês e parte em inglês, tocou nos princípios das relações internacionais e na defesa da dignidade, direitos e liberdade humana.

«No contexto das relações internacionais», disse o Pontífice, «é necessário reconhecer o grande papel desempenhado pelas regras e estruturas que estão intrinsecamente ordenadas a promover o bem comum, e, portanto, para salvaguardar a liberdade humana».

«Esses regulamentos não limitam a liberdade. Ao contrário, eles a promovem quando proíbem comportamentos e ações que agem contra o bem comum, contém seu efetivo exercício e, portanto, comprometem a dignidade de cada pessoa humana».

Bento XVI reconhece que os Estados têm «o dever primário de proteger sua própria população de graves e sustentadas violações dos direitos humanos, bem como das conseqüências de crises humanitárias, sejam naturais ou feitas pelo homem», mas se um governo não pode proteger seu povo, a comunidade internacional deve intervir.

Esta intervenção, entretanto, deve ser diplomática, ele afirma: «O que é necessário é uma profunda busca por caminhos de resolução dos conflitos pela exploração de toda via diplomática possível, e dando atenção e encorajamento mesmo ao mais fraco sinal de diálogo ou desejo de reconciliação».

Transcendência

Comentando a instituição das Nações Unidas, o Pontífice disse que o estabelecimento «coincide com a profunda agitação que a humanidade experimentou quando referências ao sentido de transcendência e razão natural foi abandonadas, e em conseqüência, a liberdade e dignidade humanas foram extremamente violadas».

«Quando isso acontece», disse o Santo Padre, «ameaça o fundamento objetivo dos valores que inspiram e governam a ordem internacional e mina os convincentes e invioláveis princípios formulados e consolidados pelas Nações Unidas».

Bento XVI acrescentou que é um erro «voltar em uma aproximação pragmática, limitada a determinar o ‘bem comum’, mínimo em conteúdo e fraco em efeito».

O Pontífice apontou para um retorno aos princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que foi assinada há 60 anos. «Este documento foi o resultado para uma convergência de diferentes tradições culturais e religiosas, todas elas motivadas pelo comum desejo de colocar a pessoa humana no coração das instituições, leis e ações da sociedade, a considerar a pessoa humana essencial para o mundo da cultura, religião e ciência».

«Os direitos reconhecidos e expostos na declaração aplicada a todos pela virtude da origem comum da pessoa, que permanece o ponto alto do projeto criativo de Deus para o mundo e para a história», acrescentou. «Eles são baseados na lei natural inscrita nos corações humanos e presente em diferentes culturas e civilizações».

«Remover os direitos humanos de seu contexto significaria restringir seu alcance e ceder a concepções relativistas, de acordo com o significado e interpretação dos direitos pode variar e sua universalidade seria negada em nome de diferentes pontos de vista culturais, políticos, sociais e mesmo religiosos».

«Esta grande variedade de pontos de vista não deve ser permitida por obscurecer o fato que não somente os direitos são universais, mas também o é a pessoa humana, o sujeito desses direitos».

Segurança

Continuando em inglês, o Papa disse que «a promoção dos direitos humanos permanece a estratégia mais efetiva para eliminar desigualdades entre países e grupos sociais, e para aumentar a segurança».

Sem mencionar situações específicas, o Pontífice disse que estas pessoas que tiveram sua dignidade humana violada, «tornam-se presas fáceis para o chamado da violência, e elas podem se tornar violadores da paz».

O Santo Padre alertou que «o bem comum que os direitos humanos ajudam a promover não podem, entretanto, ser alcançado meramente pela aplicação de procedimentos corretos, nem menos por realizar um balanço entre direitos que competem».

«O mérito da Declaração Universal é que tem permitido a diversas culturas, expressões jurídicas e modelos institucionais a converger um fundamental núcleo de valores, e, portanto, de direitos».

Bento XVI pediu resistência a «pressões para reinterpretar os fundamentos da declaração e comprometer sua unidade interior tanto quanto a facilitar uma mudança da proteção da dignidade humana para a satisfação de simples interesses, freqüentemente interesses particulares».

Ele disse que a declaração foi adotada como um «padrão comum de realização», e que ela «não pode ser aplicada parcialmente, seguindo tendências ou escolhas seletivas que meramente correm o risco de contradizer a unidade da pessoa humana e desta maneira a indivisibilidade dos direitos humanos».

Justiça

O Papa continuou dizendo que a «experiência mostra que a legalidade freqüentemente prevalece sobre a justiça quando a insistência sobre direitos os faz então aparecer como resultado exclusivo de atos legislativos ou decisões normativas tomadas pelas várias agências no poder».

«Quando apresentados puramente em termos de legalidade, os direitos correm o risco de se tornar fracas proposições divorciadas da dimensão ética e racional que está em seu fundamento e seu objetivo».

A Declaração Universal, então, reforçou a convicção que o respeito pelos direitos humanos é principalmente enraizado em uma justiça imutável, na qual a força vinculante da proclamação internacional está também baseada.

«Este aspecto é freqüentemente desprezado quando a tentativa é feita para privar os direitos de sua verdadeira função em nome de uma perspectiva um pouco utilitarista».

«Os Direitos Humanos», acrescentou o Santo Padre, «devem ser respeitados como uma expressão de justiça, e não meramente porque eles são executáveis através da vontade do legislador».

Palavras do Papa a diretores e funcionários das Nações Unidas

NOVA YORK, sexta-feira, 18 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos as palavras que Bento XVI dirigiu aos diretores e funcionários das Nações Unidas na sala da assembléia geral.

Senhoras e senhores:

Aqui, neste pequeno lugar no meio da movimentada cidade de Nova York, encontra-se situada uma Organização que tem uma missão tão vasta como o mundo: a promoção da paz e da justiça. Isso me lembra um contraste parecido, no referente à magnitude, entre o Estado da Cidade do Vaticano e o mundo, no qual a Igreja realiza sua missão universal e seu apostolado. Os artistas que no século XVI pintaram os mapas geográficos nas paredes do Palácio Apostólico recordaram aos Papas a enorme extensão do mundo conhecido. Nestes frescos se apresentava aos Sucessores de Pedro um sinal palpável do imenso raio de ação da missão da Igreja, em um tempo no qual o descobrimento do Novo Mundo abria horizontes inesperados. Aqui, neste Palácio de Cristal, a arte que se mostra tem sua própria maneira de recordar as responsabilidades da Organização das Nações Unidas. Vemos imagens dos efeitos da guerra e da pobreza, lembramos do dever de comprometer-nos por um mundo melhor e experimentarmos alegria pela genuína variedade e exuberância da cultura humana, como se manifesta no amplo leque de povos e nações reunidos sob a proteção da Comunidade Internacional.

Por ocasião de minha visita, desejo prestar homenagem à incalculável contribuição do pessoal administrativo e dos funcionários das Nações Unidas, que desempenham suas tarefas cada dia com grande dedicação e profissionalismo, seja aqui, em Nova York, como em outros centros da ONU ou em missões particulares por todo o mundo. Quero expressar a vós e a todos que vos precederam meu agradecimento pessoal e o de toda a Igreja. Recordamos de maneira especial tantos civis e custódios da paz – 42 só em 2007 – que sacrificaram suas vidas pelo bem dos povos aos que servem. Recordamos também a grande multidão dos que dedicam sua vida a trabalhos nem sempre suficientemente reconhecidos e realizados com freqüência em condições difíceis. A todos vós, tradutores, secretários, pessoal administrativo de toda classe, equipes de manutenção e de segurança, trabalhadores para o desenvolvimento, custódios da paz e a tantos outros, dirijo meus mais sinceros agradecimentos. O trabalho que levais a cabo permite à Organização buscar continuamente novas vias para alcançar os objetivos para os quais foi fundada.

Fala-se freqüentemente das Nações Unidas como da «família das nações». Da mesma maneira, poderá falar-se da sede central, aqui em Nova York, como de um lar doméstico, um lugar de boas vindas e de preocupação pelo bem dos membros da família em todas as partes. É um lugar excepcional para promover o aumento da compreensão mútua e da colaboração entre os povos. É por isso que os funcionários das Nações Unidas são escolhidos entre um amplo leque de culturas e nacionalidades. As pessoas aqui forma um microcosmos do mundo inteiro, no qual cada um dá uma contribuição indispensável dede o ponto de vista de seu próprio patrimônio cultural e religioso. Os ideais que inspiraram os fundadores desta instituição devem expressar-se, aqui e em cada uma das missões da Organização, no respeito e na aceitação recíproca, que são características de uma família prospera.

Nos debates internos das Nações Unidas se está dando uma importância crescente à «responsabilidade de proteger». De fato, esta começa a ser reconhecida como a base moral do direito de um governo a exercer a autoridade. É também uma característica que pertence por natureza à família, na qual os membros mais fortes cuidam dos mais fracos. Esta Organização, supervisionando de que maneira os governos cumprem com sua responsabilidade de proteger seus cidadãos, presta um serviço importante em nome da comunidade internacional. No âmbito do dia a dia, sois vós quem, mediante a atenção que mostrais uns pelos outros no lugar de trabalho e vossa preocupação pelos numerosos povos aos quais servis em suas necessidades e aspirações com sua atividade, pondes os fundamentos para realizar este cometido.

A Igreja Católica, através da atividade internacional da Santa Sé e mediante as inumeráveis iniciativas dos leigos católicos, Igrejas locais e comunidades religiosas, oferece-vos seu apoio em sua tarefa. Eu vos asseguro uma lembrança especial em minhas orações por vós e vossos familiares. Que Deus todo-poderoso vos abençoe sempre e vos conforte com sua graça e sua paz para que, mediante vossa atenção a toda a família humana, possais continuar servindo-O.

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri
© Copyright 2008 -- Libreria Editrice Vaticana]

Reação vaticana à moratória da Pena de Morte aprovada na ONU

A Santa Sé se manifesta satisfeita, mas reitera a preocupação pelo nascituro

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 20 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- A aprovação, com uma maioria bem definida, em 18 de dezembro passado, na Assembléia Geral das Nações Unidas, que acontece em Nova York, de uma moratória universal da pena de morte, deixa um sabor agridoce nas esferas vaticanas.

Por um lado, a resolução de moratória certamente tem um valor moral e decisões desse tipo fizeram avançar o mapa da vida ao diminuir os países que aplicam de fato a pena capital, ainda que a conservem em suas legislações.

Mas, por outro, resta outra matéria pendente nas decisões da ONU: preservar com a mesma força de convicção a vida do nascituro. Assim sublinhou o arcebispo Celestino Migliore, observador vaticano ante as Nações Unidas, a partir da histórica resolução.

Esta resolução foi aprovada com 104 votos a favor, 54 contra e 29 abstenções na assembléia geral. Quando foi aprovada em comissão, recebeu 99 votos favoráveis, 52 contrários e 33 abstenções.

A moratória, contudo, tem mais peso político e simbólico que força vinculante, já que é um convite da ONU àqueles países, dentre os 192, que a integram e que conservam em seu ordenamento jurídico a pena capital, ao respeitar algumas convenções internacionais e a suspender as execuções.

Liderando o grupo dos países contrários à moratória nos debates no Palácio de Cristal, sede da ONU em Nova York, estava o Egito, Singapura, Barbados e países caribenhos. A eles se unem os Estados Unidos, China, Índia, Japão, Líbia e Irã, ainda que nos últimos dez anos nada menos que 50 países renunciaram ao uso da pena de morte como instrumento de justiça.

Os países decididos a conservar a pena capital estão em clara minoria e entre eles destacam-se pelo número de execuções: China, Irã, Paquistão, Iraque, Sudão e Estados Unidos.

Em declarações retomadas pelo diário vaticano «L’Osservatore Romano» hoje, o arcebispo Celestino Migliore considerou a decisão da assembléia geral como «um prêmio à paciente obra diplomática da Itália, que desempenhou um papel importante, com uma opção inteligente, porque conseguiu envolver o mundo inteiro, não só a Europa».

O arcebispo Migliore sublinhou a satisfação da Santa Sé e seu elogio à Itália, «país exitoso em seu empenho em escala global, fundado em um trabalho em equipe e na busca de um consenso ampliado, que permitiu acertar no alvo o resultado esperado, e também com um número de votos confortador, positivo».

Agora se pode falar de «um amadurecimento no sentido da importância do valor da vida», acrescenta Migliore, e recorda o repetido esforço da Santa Sé «na tentativa de abrir um debate mais amplo» sobre o tema da vida.

«Insistimos muito e continuamos fazendo isso para que o tema da pena de morte se inscreva em um marco mais amplo, de promoção e defesa da vida em todas suas fases, em todos seus momentos, desde a concepção até seu término natural», acrescenta.

«Creio – conclui o observador vaticano – que este amadurecimento deve progredir ainda e dar passos importantes em uma visão do homem que contemple todos os seus aspectos e todas as suas etapas.»

Por outra parte, segundo o cardeal Martino, presidente dos pontifícios conselhos Justiça e Paz e para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, é «um momento certamente significativo, mas não conclui o que é de qualquer forma uma luta pela civilização».

Martino, que representou a Santa Sé ante a ONU durante dezesseis anos, acrescenta que «temos que ver se quem votou contra a aplicação da pena de morte se absterá de praticá-la. Sobre isso, tenho muitos temores».

«Também – observa – abstiveram-se 29 países, por considerações a meu entender mais de geopolítica e de alianças que centradas na questão.»

«Não só, portanto, não há um consenso geral, mas, como acontece com freqüência, interesses específicos e contingentes ameaçam prevalecer sobre visões ideais, políticas de curto alcance se impõem sobre políticas ‘elevadas’, no sentido próprio e nobre do termo política», acrescenta.

O purpurado sublinha o empenho da Igreja nesta direção e a obra de sensibilização no âmbito internacional da Comunidade de Sant’Egidio, assim como a «constante ação educativa, de apoio e de testemunho» de muitas outras iniciativas católicas que procuram continuamente «servir ao homem» e «tutelar os direitos humanos, a partir do primeiro deles, o direito à vida».

Neste sentido, disse que no mundo há ainda «muitos países que se definem como estados de direito» mas que «depois, em suas legislações, descriminam fortemente o mais fraco e sem defesa: o nascituro».

«Deve-se sublinhar que há uma espécie de esquizofrenia em quem reconhece ao nascituro direitos específicos – em matéria hereditária e outros – e depois lhe nega o direito principal, o de viver», conclui.

Nos próximos meses, corresponde ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, redigir um informe sobre o respeito à moratória, para ser apresentado em 2008 à Assembléia Geral.

Ao ser perguntado se este poderia ser o primeiro passo para a abolição definitiva da pena de morte, o arcebispo Migliore respondeu aos microfones da «Rádio Vaticano» que «obviamente estas são decisões que serão depois amadurecidas nos diversos contextos nacionais que, por cultura, divergem».

«Certamente, esta resolução lança um sinal muito importante e será um ponto de referência no debates nacionais, nos parlamentos e entre os legisladores que, cada vez mais, quando se trata de legislar, seguem as indicações e orientações das Nações Unidas», conclui.

Santa Sé deseja mundo onde crianças possam viver

Intervenção do observador vaticano na ONU

Por Roberta Sciamplicotti

NOVA YORK/ROMA, terça-feira, 18 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- A Santa Sé pediu nas Nações Unidas um mundo no qual as crianças possam ser crianças.

O arcebispo Celestino Migliore, observador do Vaticano na ONU, interveio na sessão da Assembléia Geral, em Nova York, em 13 de dezembro para analisar os progressos no «compromisso de criar um mundo adequado para as crianças», aprovado na sessão especial dedicada à infância pela ONU em 2002.

«A Convenção de Direitos da Infância continua sendo o padrão na defesa dos direitos das crianças», observou o arcebispo, recordando o texto aprovado na Assembléia Geral de 1989, que inclui princípios fundamentais, como os direitos antes e depois do nascimento, a família como ambiente natural para o crescimento e a educação, assim como o direito da criança a uma melhor atenção à saúde e educação possíveis.

A sessão especial de 2002 também afirmou que a família é unidade fundamental da sociedade e lugar idôneo no qual as crianças «adquirem conhecimento, cultivam as boas qualidades e desenvolvem atitudes positivas para chegar a ser cidadãos responsáveis», observou o prelado.

É portanto, acrescentou, «interesse de todos motivar os pais para que assumam uma responsabilidade pessoal na educação das crianças e reforcem a família».

O arcebispo recordou que a Igreja Católica, certa de que a educação é a base do desenvolvimento da criança, mantém atualmente mais de 250.000 escolas em todos os continentes, com 42 milhões de estudantes e 3 milhões e meio de professores.

«Para ajudar cada criança a exercer seu direito à instrução, muitas destas escolas estão em algumas das áreas mais difíceis – onde, sem a sua presença, as crianças permaneceriam completamente desatendidas –, como aldeias remotas, cidades do interior em desvantagem, áreas em conflito ou campos de refugiados.»

«Reconhecendo que a pobreza crônica continua sendo o maior obstáculo para responder às necessidades das crianças, ajudar os que trabalham através da instrução é fundamental para conseguir que possam acabar com o ciclo de extrema pobreza e chegar a ser conscientes de seu valor e de sua dignidade», indicou.

Por este motivo, considera necessário «encontrar formas de oferecer-lhes uma instrução e práticas básicas gratuitas e integrais no sistema educativo formal de todas as maneiras possíveis».

O compromisso da Santa Sé a favor das crianças, acrescentou o observador permanente, reflete-se também na grande quantidade de atividades que sustenta no setor de saúde.

A defesa das crianças e de suas famílias do impacto do HIV, por parte da Igreja, fica patente «nas milhares de instituições empenhadas na assistência e na educação dos órfãos, nas campanhas de prevenção e conscientização, na distribuição de antibióticos, na assistência à saúde e na alimentação básica, na prevenção da transmissão viral mãe-filho, na luta contra a estigmatização e no fazer que as pessoas portadoras do HIV sejam protagonistas na batalha contra a epidemia.»

Ainda tendo especialmente presente o flagelo do HIV, o prelado convida a não esquecer que as políticas de saúde devem enfrentar também as «doenças mortais mais comuns, como a malária e a tuberculose».

Um desafio «ainda mais importante», denunciou, é «a falta de acesso das crianças e das mães à assistência a saúde básica e aos serviços higiênicos», que são «uma das necessidades humanas fundamentais mais descuidadas».

Os esforços internacionais neste campo, declarou o arcebispo, foram pouco enérgicos, e as crianças são «as primeiras vítimas desta situação inaceitável».

«Esta negligência ou falta de atenção à saúde básica sai muito cara – denunciou –, visto que a prevenção médica é com freqüência um dos modos mais eficazes e de êxito para melhorar a saúde e a estabilidade da sociedade.»

Frente a esta situação, concluiu o arcebispo Migliore, a delegação vaticana espera que os compromissos renovados ou assumidos nesta Assembléia Plenária da ONU «não sejam meras declarações de boas intenções ou objetivos aos quais aspirar, mas empenhos a sustentar para que possa chegar a ser realidade um mundo no qual as crianças possam viver».

Congresso Eucarístico - Québec

Cartas de um ex-prisioneiro no Vietnã revelam força da Eucaristia

Irmã do cardeal Van Thuân no encontro de Québec

Muitos conhecem os escritos sobre a Eucaristia do cardeal Francis Xavier Nguyen Van Thuân (1928-2002), que passou longos anos nas prisões vietnamitas; mas os participantes do Congresso Eucarístico Internacional de Québec contaram com outra perspectiva.

Elizabeth Nguyen Thi Thu Hong, a irmã mais jovem do falecido cardeal, interveio no evento, que se encerra no domingo, para apresentar textos desconhecidos escritos na prisão.

Ela se dedicou a traduzir para o inglês e francês os escritos de seu irmão, em causa de beatificação, e as cartas que escreveu à sua família durante 13 anos nos presídios do Vietnã. Ele foi preso em 15 de agosto de 1975; nove de seus anos na prisão foram em regime de isolamento.

João Paulo II o nomearia depois presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz.

«Através de seus escritos, e especialmente através de sua correspondência desde a prisão, emerge um fato claro: a vida de Francis Xavier estava firmemente arraigada em uma extraordinária união com Deus vivo através da Eucaristia, sua única força – disse Elizabeth. Também foi para ele a mais bela oração, e o melhor modo de dar graças e cantar a glória de Deus.»

A irmã do cardeal afirmou que «a inquebrantável fé na eucaristia foi sempre a força e a guia de sua vida, a fortaleza e o alimento para seu longo trajeto no cativeiro».
«Sempre acabava suas cartas clandestinas a nossos pais com estas palavras: ‘Queridos papai e mamãe, não pesai vossos corações com a tristeza. Vivo cada dia unido à Igreja universal e ao sacrifício de Jesus. Rezai para que tenha o valor e a fortaleza de manter sempre minha fé na Igreja e no Evangelho, e de fazer a vontade de Deus’.»
Elizabeth disse que o testemunho de um irmão «mostrou a todos nós que Cristo ofereceu seu sacrifício com imenso fervor, na hora de sua paixão e crucifixão, quando obedeceu ao Pai; e isso, inclusive até o ponto de sua morte humilhante na cruz para devolver ao Pai uma humanidade redimida e uma criação purificada».
«Na prisão, com o Jesus Eucarístico no meio deles – acrescentou –, prisioneiros cristãos e não-cristãos lentamente receberam a graça de compreender que cada momento presente de suas vidas, nas mais inumanas condições, podia unir-se ao supremo sacrifício de Jesus e elevar-se como ato de solene adoração a Deus Pai.»
«Francis Xavier devia recordar para si mesmo e animar cada um a rezar: ‘Senhor, concedei-nos que possamos oferecer o sacrifício Eucarístico com amor, que aceitemos carregar a cruz, e pregados nela proclamemos vossa glória, para servir nossos irmãos e irmã’.

Elizabeth concluiu suas reflexões com pensamentos escritos por seu irmão na festa do Santo Rosário, em 7 de outubro de 1976, na prisão de Phu-Khanh, durante seu confinamento solitário.
«Estou feliz aqui, nesta cela, onde os fungos crescem em meu estrado de dormir, porque vós estais comigo, porque desejais que eu viva aqui convosco. Falei muito em minha vida: agora não falarei mais. É vossa vez de falar-me, Jesus: eu vos escuto», escrevia o futuro cardeal.
«Cada vez que leio isso, posso imaginar meu irmão, sentado em sua cela escura, frente ao vazio completo, mas sorrindo amavelmente como sempre fazia, inclusive durante seus últimos dias, e apertando amorosamente o bolso de sua jaqueta. onde o Senhor do céu habitava.»
«Que este antigo prisioneiro que experimentou a harmonia do céu, o amor e a vida em plenitude na desolação de sua cela, continue guiando-nos para que possamos ser como os discípulos de Emaús, que rogaram ‘Senhor, ficai conosco e alimentai-nos com vosso corpo’.»

Congresso Eucarístico de Québec renova identidade católica

Entrevista com Jacques Gauthier, teólogo, leigo e escritor
Por Gisèle Plantec

O Congresso Eucarístico Internacional que acontece nesta semana em Québec está permitindo à Igreja em geral, e particularmente no Canadá, redescobrir a identidade católica, explica Jacques Gauthier, teólogo, leigo e escritor.
E no centro da identidade católica está «a Eucaristia, ‘dom de Deus para a vida do mundo’», declara a Zenit o autor do livro publicado na França e no Canadá, «A Eucaristia, fonte da oração cristã» («L’Eucharistie, source de la prière chrétienne», Presses de la Renaissence et Novalis, 2008).
Poeta, ensaísta, Gauthier publicou mais de 40 livros e dirige o programa «Testemunhas» na «Rádio Ville-Marie» de Montreal todas as quartas-feiras.

-O Congresso Eucarístico é um acontecimento importante para o Canadá, como o foi a Jornada Mundial da Juventude de Toronto, em 2002, ou a visita de João Paulo II a este país em 1984. O impacto desses acontecimentos, permitem já compreender quais serão as conseqüências deste Congresso para a vida da Igreja local?
–J. Gauthier: O Congresso Eucarístico Internacional de Québec se marca efetivamente dentro destas grandes concentrações. Apesar do êxito desses «festivais» da fé, não se deu um regresso à prática dominical, mas que muitos experimentaram a alegria de ver que não são os únicos que crêem em Cristo ressuscitado. Esta esperança não pode contabilizar-se em números, mas é preciosa para o coração dos crentes.
-Então como este Congresso pode renovar a Igreja?
–J. Gauthier: Alguns religiosos e teólogos daqui reprovaram o Congresso de Québec por uma visão muito clerical da Igreja, ancorada no passado, sem porvir.

O documento teológico de base do Congresso revaloriza questões que haviam sido discutidas nos anos 60: a Eucaristia dominical, a confissão, o sacerdote, o celibato, o matrimônio. Poderia ser de outra maneira? Não é um congresso teológico sobre o futuro da Igreja em Québec, mas um Congresso Eucarístico Internacional que, por natureza, é uma manifestação gozosa de fé ao redor do que constitui a identidade católica: a Eucaristia, «dom de Deus para a vida do mundo». A Igreja local e universal se regenera em seu manancial. «A Eucaristia faz a Igreja, a Igreja faz a Eucaristia», dizia o teólogo Henri de Lubac.
Outros experimentam mal-estar ao ver que se dá muito espaço à adoração do Santíssimo Sacramento. É verdade que por impulso de João Paulo II e de Bento XVI muitos descobriram, sobretudo os mais jovens e os novos movimentos, esta forma de devoção que, se bem entendida, não afasta da missa nem da solidariedade com os pobres.
Quando vejo grandes testemunhas como Frédéric Ozanam, Dom Oscar A. Romero, Madre Teresa, o abbé Pierre…, dou-me conta do que encontraram na adoração eucarística para amar e lutar pela vida. A experiência dos santos mostra que a adoração leva à solidariedade com o mundo, pois a instituição da Eucaristia não pode separar-se do lava-pés, assim como são inseparáveis estas palavras de Jesus: «Este é meu corpo que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim» (Lucas 22, 19). «Em verdade vos digo que tudo que fizestes a um destes irmãos meus pequeninos, a mim o fizestes» (Mateus 25, 40).
Se por várias razões nem todos podem comungar na missa, todos podem adorar. Um Congresso Eucarístico é o melhor lugar para tomar consciência disso. O mesmo acontece com a procissão eucarística nas ruas de Québec.

–O que propõe um eterno debate sobre a manifestação pública da fé….
-J. Gauthier: Basta recordar a magnífica Via-Sacra pelas ruas de Toronto durante a Jornada Mundial da Juventude de 2002. Ainda que foi criticado no início, esta iniciativa foi retomada no resto do mundo. Não se deve ter vergonha de manifestar a fé, com total simplicidade, e sem medo pelo regresso de uma Igreja fastuosa, pois se precisa de uma certa humildade para apresentar-se desta maneira no espaço público da cidade. A tempos novos, costumes novos.
Um Congresso Eucarístico é um «happening» da fé católica. Deste modo, a Expo-Québec se converteu, por uma semana, em uma cidade eucarística. Este tipo de congresso testemunha que a fé não é só cerebral, mas também «celebrante», com suas catequeses, concertos, lojas, liturgias, orações, procissões, encontros, testemunhos, tempos de silêncio e de adoração. Não há uma fé sábia para os intelectuais e uma fé popular para as pessoas normais. A única coisa que muda são as expressões na manifestação da fé cristã. O encontro é acolher-nos mutuamente em nossas diferenças.

Cardeal Tomko: se compreenderem a missa, não a perderão

Abertura do Congresso Eucarístico Internacional em Québec

Se os católicos realmente compreenderem o significado da missa dominical, não a perderão, disse o cardeal Josef Tomko na abertura do 49º Congresso Eucarístico Internacional.

O cardeal Tomko, enviado especial do Papa para o evento, presidiu no domingo a missa de abertura do congresso de uma semana de duração em Québec, Canadá. Também presidirá a missa de encerramento em 22 de junho, durante a qual Bento XVI se dirigirá aos participantes ao vivo via satélite.
Aproximadamente 11 mil peregrinos, 50 cardeais e mais de 100 bispos se reuniram para a missa inaugural do congresso intitulado «A Eucaristia, dom de Deus para a vida do mundo».
«A Eucaristia é um dom de Deus - disse o cardeal Tomko. Não é um objeto, como os outros dons de Deus, mas um muito especial, porque é o dom do próprio Deus.»
«A Eucaristia é o próprio Cristo, uma pessoa com sua natureza divina e humana, dada a nós. É o corpo e sangue do Cristo Ressuscitado, presente entre nós sob os sinais sacramentais do pão e do vinho.»
O cardeal explicou: «Antes de deixar este mundo, Jesus desejava deixar à sua Igreja e a toda a humanidade o dom de sua presença. Escolheu a forma do pão e do vinho. Desde o princípio de sua vida pública, em Cafarnaum, prometeu o pão da vida: ‘O pão que eu vos darei é minha carne para a vida do mundo’».
«Na véspera de sua paixão, no Cenáculo, tomou o pão e declarou solenemente: “Este é o meu corpo, que será entregue por vós’. E disse sobre o vinho: ‘Tomai todos e bebei, este é meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados.»
«Ele cumpriu sozinho, poucas horas antes, sem sangue, de uma maneira sacramental, o sacrifício oferecido de modo sangrento na cruz e no calvário. Jesus, portanto, instituiu a Eucaristia como seu sacrifício redentor. A Eucaristia é uma forma sacramental do sacrifício de Jesus na cruz; cenáculo e calvário são um sacrifício ‘pela vida do mundo’.»
«Este sacrifício aconteceu só uma vez - acrescentou o legado papal -, mas Jesus quis aplicá-lo e perpetuá-lo através dos séculos. Portanto, deu um mandato a seus apóstolos: ‘Fazei isto em memória de mim’.»

«É um memorial e um mandato: não só para recordá-lo com discursos e palavras, mas para fazer o que Ele fez.»
«Desde aquele tempo - disse o cardeal Tomko -, os sacerdotes de sua Igreja cumprem este sublime mandato realizando a mesma ação e pronunciando as mesmas palavras. Através de dois mil anos ressoam as mesmas palavras de Jesus consagrando o pão e o vinho.»
«Em cada celebração da Missa - disse -, Jesus Cristo mesmo está presente entre nós no lugar do sacrifício como o cordeiro de Deus que tira os pecados de nosso mundo, de nossa comunidade, nossos pecados.»
«Não é um espetáculo, não é uma pura comemoração ou recordação - sublinhou -; é a representação sacramental desse evento salvífico, um memorial que continua oferecendo seus frutos aos fiéis.»
O cardeal acrescentou: «Se compreendermos em profundidade o significado de nossa Eucaristia semanal, revisaremos nossa assistência a ela. Será claro para nós por que os mártires de Abitine, na África do Norte, declararam ao juiz pagão: ‘Não podemos viver sem o Domingo (Eucaristia)’ – ‘Sine Dominico non possumus vivere’ - e por que eles ofereceram suas vidas por esta convicção».

«Esta é a hora da Eucaristia»: Pe. Nicolas Buttet em Québec (I)

No marco de sua participação no Congresso Eucarístico Internacional

«Esta é a hora da Eucaristia… É a hora de Cristo… Penso que podemos empreender a ‘revolução profunda’, a dos corações e da sociedade». Esta é a mensagem que o Pe. Nicolas Buttet, fundador da Fraternidade «Eucharistein», deseja transmitir ao Congresso Eucarístico Internacional, em Québec, Canadá, do qual participa desde o domingo.

Ele confiou suas primeiras impressões sobre o congresso à Zenit. Nesta entrevista, explica também como descobriu o sentido profundo da Eucaristia e o que está em jogo neste sacramento para o mundo de hoje.

«É maravilhoso o que acontece aqui - declara. É um tempo de graça, um kairós! Mais de 10 mil participantes, já chegaram 12 cardeais, 130 bispos, centenas de sacerdotes. E Jesus. Tudo para Jesus Hóstia.»

O Pe. Buttet, antes de fundar a Fraternidade «Eucharistein», foi ordenado sacerdote após vários anos de vida eremítica. Antes de entrar no seminário, estava vivendo uma carreira bem sucedida na política entre os democratas cristãos na Suíça.

-A Igreja no Canadá espera muito deste congresso eucarístico. O senhor acredita que ele pode renovar a Igreja? Concretamente, o que pode mudar?

-Pe. Nicolas Buttet: Estando no aeroporto de Montreal, um jovem empregado do controle de vestimentas me interroga sobre minha vestimenta (eu vestia um hábito marrom e uma cruz) dizendo-me com seu bom acento canadense: «O que é isso?». Eu respondo: «É um hábito religioso, sou religioso e sacerdote». Ele me responde: «Ah, existe ainda gente com isso?» Começamos uma amena conversa; ele tinha curiosidade por algo do que parecia ignorar por completo.

Há seis meses, eu me encontrava em Montreal para uma sessão de três dias com chefes de empresas. O tema era o discernimento e devíamos intervir duas pessoas: um filósofo e «o monge». Estando na sessão, um homem me disse com entusiasmo: «Você é o monge?» Respondi: «Sim, de alguma maneira». «Monge budista?», disse com curiosidade dissimulada. Eu respondi: «Não, católico!». «Católico…, como o Papa?», rebateu com ar um pouco inquieto e suspeitoso. «Sim!» respondi eu entusiasta. E ouço que me diz com grande decepção: «Ah, não!». A sessão se desenvolveu muito bem. Depois pudemos discutir francamente sobre este contato… tudo menos frio!

Estes dois exemplos testemunham a conseqüência pesada disso que se chamou aqui de «revolução tranqüila» dos anos 60. Produziu-se um tsunami lento, mas um tsunami ao mesmo tempo eclesial, religioso, cultural.

A Jornada Mundial da Juventude de Toronto (2002) veio para eliminar este torpor que pesa sobre a sociedade canadense e especialmente sobre esta parte francófona (que festeja este ano os 400 anos de Québec, chamada inicialmente «Cidade Maria»! Este foi o primeiro acontecimento eclesial visível desde que a Igreja havia sido relegada para fora do campo público. O Congresso Eucarístico é uma etapa determinante neste caminho de proposição da fé. E é pela visibilidade do acontecimento, pela amplitude da organização de proposição da fé. E pela audácia de algumas iniciativas do cardeal Ouellet e sua equipe. Penso sobretudo no efeito espiritual, na mobilização de tantas boas vontades, de tantas paróquias. Nestas adorações perpétuas situadas em diferentes lugares, nesta oração comprometida há vários meses por este congresso. Deus escuta uma Igreja em oração. Deus multiplica suas obras nos corações que se abrem à graça.

-O que dirá ao congresso?

-Pe. Nicolas Buttet: O cardeal Ouellet me pediu que contribua sobretudo com um testemunho pessoal sobre a Eucaristia. Portanto, vou falar de meu encontro com Jesus Hóstia, mas também da maneira comovedora com a qual minhas experiências no mundo me conduziram a levar Jesus a tantas pessoas.

Lembro-me de uma missa na China, celebrada no fundo de um estábulo, para que o governo não viesse buscar-nos… Mas também pedi a vários jovens que acolhemos em nossa comunidade, jovens que vêm da rua, do meio da droga ou tendo vivido uma depressão, que me descrevessem em algumas palavras sua relação com Jesus presente no Santíssimo Sacramento e o que a missa e a adoração lhes oferece. Portanto, compartilharei isso.

Minha conclusão será muito clara: é a hora da Eucaristia! É o kairós , pois é a hora de Cristo; e na Eucaristia temos Jesus e todo o mistério de salvação. João Paulo II disse que não há nenhum risco de exagero no culto dado a este mistério, pois é o próprio Jesus a quem se dirige. Penso que podemos empreender a «revolução profunda», a dos corações e da sociedade.

Bento XVI viu como um sinal e uma missão o fato de ter subido à sede de Pedro em pleno ano eucarístico. Era para ele uma ocasião de fazer do desenvolvimento do culto eucarístico o centro de seu ministério petrino. E sabemos como ele levou isso a sério. É ele quem pediu aos bispos que introduzissem em todas as dioceses ao menos um lugar de adoração perpétua do Santo Sacramento. Deixou exemplo instituindo cinco em Roma. A Eucaristia é uma escola de liberdade e uma escola de caridade. Mas é sobretudo a fonte da vida sobrenatural do batizado, sem a qual não resta nada mais que o humano, e inclusive «demasiadamente humano», diria Nietzsche!

-Para os católicos, inclusive praticantes, às vezes custa entrar no mistério da Eucaristia. Comunicam sua convicção por costume. E, contudo, a Eucaristia é vital na fé de um católico. Como se pode ajudar os fiéis a compreenderem o significado profundo da Eucaristia?

-Pe. Nicolas Buttet: A beata de Québec, Dina Bélanger, beatificada em 1993 por João Paulo II, escreveu um dia em seu diário: «Se as almas compreendessem o tesouro que possuem na divina Eucaristia, teriam de proteger os sacrários com muros inexpugnáveis, já que, no delírio de uma fome santa e devoradora, iriam elas mesmas alimentar-se do Pão dos Anjos. As igrejas transbordariam de adoradores consumidos de amor pelo divino prisioneiro, tanto de dia como de noite». Não chegamos a isso! É verdade que o mistério é tão grande, a brecha tão enorme entre o que nossos sentidos percebem - o pão - e o que nossa fé crê - Jesus -, que não é fácil entrar no mistério. Penso que há três coisas a desenvolver: uma catequese eucarística que passa pelas palavras e os exemplos. «Entremos na escola dos santos, grandes intérpretes da piedade eucarística autêntica», disse João Paulo II ao final de sua encíclica sobre a Eucaristia.

Em segundo lugar, é preciso destacar a consagração na missa, e o sacrário nas igrejas. Sempre me impressiona a pouca devoção durante a celebração eucarística na consagração. É um momento que é um pouco descuidado. Pode-se crer com as palavras, mas com os gestos que se fazem nestes momentos, a pessoa nunca se equivoca.

Eu estava um dia na casa de alguns amigos. Os pais tinham uma filha de três anos; eles a haviam batizado e, portanto, por tradição e por dever, iam à missa com ela todos os domingos. A tia dessa menina é católica comprometida. Era, então, a hora de ir à missa e a mãe perguntou à sua filhinha de três anos: «Com quem você quer ir à missa, com mamãe ou com a titia?»; e a menina respondeu sem duvidar: «Com a tia». «E por quê?», perguntou a mãe. «Porque ela acredita!» replicou ainda com menos vacilo a pequena. Penso que há gestos, atitudes que são uma catequese em si mesmos.

Uma vez eu estava na China. Um velho catequista, Zacarias, que arriscou sua vida por anunciar Jesus e que chegava aos seus 100 anos, havia conservado, em um local escondido de sua casa, um sacrário com o Santo Sacramento. Feliz, ele me fez descobrir seu tesouro detrás de uma porta secreta… Logo depois de entrar nesse pequeno local, Zacarias se ajoelhou, prostrou-se com o rosto no chão e começou algumas orações. Eu compreendi que era Jesus quem estava lá! Não havia nenhuma dúvida!

Em terceiro lugar, é preciso redescobrir a adoração eucarística e a devoção eucarística fora da missa. Este mistério é tão grande que a liturgia sozinha não nos permitirá jamais aprofundar suficientemente. Só uma exposição prolongada ao mistério da presença real de Jesus no Santo Sacramento permite entrar progressivamente no estupor eucarístico. Penso neste testemunho de Maxime, de 21 anos: «Para mim, a Eucaristia é o centro de minha vida. Jesus Eucaristia me tirou do inferno das drogas. Graças à Eucaristia, minha vida foi transformada e estou agora feliz de viver para servir a Cristo. A Eucaristia é minha força para amar, para seguir e servir a Cristo através de alegrias e penas. Deus nos ama infinitamente e não nos abandonará jamais».

O mesmo Cristo dos pobres está na Eucaristia, explica Pe. Nicolas Buttet (II)

Congresso Eucarístico Internacional em Québec

Por Gisèle Plantec

O mesmo Cristo que está presente nos pobres e enfermos é o que está presente na Eucaristia, explica na segunda parte desta entrevista concedida à Zenit o Pe. Nicolas Buttet, fundador da Fraternidade «Eucharistein», que interveio nesta terça-feira no Congresso Eucarístico Internacional, em Québec, Canadá.

O Pe. Buttet, antes de fundar a Fraternidade «Eucharistein», foi ordenado sacerdote após vários anos de vida eremítica. Antes de entrar no seminário, estava vivendo uma carreira bem sucedida entre os democratas cristãos na Suíça.

A primeira parte desta entrevista foi publicada por Zenit na terça-feira, 17 de junho de 2008.

-O senhor poderia relatar-nos como descobriu a importância da Eucaristia?

–Pe. Nicolas Buttet: Há uns 20 anos, eu estava fazendo um estágio como advogado e estava empenhado nas múltiplas atividades políticas como deputado em um parlamento na Suíça e como secretário de um grupo parlamentar nacional. Estava, pois, enfrentando mais as grandes questões da sociedade que os problemas pessoais, familiares e sociais. Eu me ocupava especialmente, no marco de minha atividade no grupo de advogados, de um jovem que havia estuprado e queimado 7 crianças. Este contato entre esta realidade dolorosa e minha fé suscitava em meu coração um grito: «Se já não há amor, o mundo não poderá continuar!». Decidi então experimentar este amor mais de perto, passando minhas férias de Natal no Cotolengo, em Turim, uma instituição que acolhe pessoas afetadas por deficiências físicas e mentais muito graves.

Lembro-me de minha chegada à casa: eu havia saído do apartamento suíço e desembarcado – ignorante e pobre – no mundo – novo para mim – de nossos irmãos e irmãs deficientes. Mergulhei diretamente na realidade do lugar porque, pouco depois de minha chegada, com um irmão religioso, passamos duas horas lavando 18 enfermos que haviam se sujado da cabeça aos pés. Após as primeiras reações aos odores e… às cores, eu me senti colhido por esta palavra de Cristo que se fazia carne e… que carne! Essa noite: «tudo o que fizeste ao menor dos meus, a mim o fizeste» (Mt 25). Após ter terminado de lavar esses irmãos deficientes, por volta da meia-noite, desci à capela onde o Santíssimo Sacramento estava exposto dia e noite. Para mim, este foi o choque, a certeza de sua presença real, corporal. Descobria ao mesmo tempo a presença de Jesus acima, nas camas, na pessoa de meus irmãos enfermos e esta presença radiante de Jesus sobre o altar, no Santíssimo Sacramento. Jesus estava ali tanto sob a aparência do irmão como sob a aparência do pão. O mesmo e único Jesus.

Esta certeza não me abandonou desde aquele dia, apesar de ter um coração semeado por incoerências no exercício do amor, e contrito por isso. Consolo-me citando São Cláudio da Colombière, que dizia: «E dizer que cheguei a tão pouco, depois de mais de 10 mil comunhões!».

-O senhor poderia nos dizer algumas palavras sobre a Fraternidade «Eucharistein», que o senhor fundou? Qual é seu principal carisma?

-Pe. Nicolas Buttet: Nossa pequena comunidade é de inspiração franciscana por seu estilo de vida pobre e próximo da natureza: construímos ou reformamos as casas, nós mesmos, desenvolvemos a agricultura e a silvicultura. Estamos certamente arraigados na vida eucarística. É o coração de nossa vida e de nossa vocação. Temos em nossas casas a adoração diária das 5 da manhã até as 22h, e duas ou três noites por semana. Também lançamos, com leigos e com a autorização do bispo, a adoração perpétua em Friburgo, Suíça: nas 24 horas, nos 7 dias da semana.

O inspirador de nossa vida eucarística é São Pedro Julian Eymard, um grande profeta da eucaristia do século XIX. Ele dizia: «Refleti com freqüência sobre os remédios para essa indiferença universal que se apodera de uma maneira terrível de tantos católicos e só encontro um: a Eucaristia, o amor de Jesus eucarístico. A perda de fé vem da perda do amor». Em outra ocasião, ele afirmava: «Agora, mãos à obra; é preciso salvar as almas pela divina Eucaristia e despertar a França e a Europa adormecidas em um sonho de indiferença porque já não conhecem o dom de Deus, Jesus, o Emanuel eucarístico. Esta é a tocha de amor que deve ser levada às almas mornas, que se consideram piedosas e não o são porque não situaram seu centro e sua vida em Jesus eucarístico».

Acolhemos também jovens em dificuldade. Nós nos inspiramos para isso na beata Teresa de Calcutá, nesta relação entre o sacramento do altar e o sacramento do irmão. Aí experimentamos quase clinicamente, eu diria, a força e a potência de reconstrução e de graça de Jesus em seu Sacramento de amor.

Por último, temos missões particulares, paróquias, homens políticos e homens de negócios, animação espiritual do instituto Philanthropos… E certamente nosso inspirador nessa missão de ser tudo para todos é São Francisco de Sales.

JMJ DE SYDNEY


1 bilhão de pessoas acompanharam JMJ pela televisão

Os números da Jornada

SYDNEY, segunda-feira, 21 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos as estatísticas que os organizadores da Jornada Mundial da Juventude distribuíram hoje:

- Mais de 400 mil pessoas na missa conclusiva, a mais numerosa da história da Austrália.
- 223 mil registrados nas atividades da JMJ.
- 500 mil pessoas deram as boas-vindas a Bento XVI na tarde da quinta-feira, 17 de julho, quando ele chegou de barco à baía de Sydney.
- Mais de 170 nações foram representadas na Jornada.
- Os eventos foram acompanhados por 500 milhões de pessoas pela televisão, com uma audiência internacional de mais de 1 bilhão de espectadores.
- 2 mil comunicadores se cadastraram para fazer a cobertura do evento.
- Foram realizados 450 festivais juvenis entre os dias 15 e 19 de julho, em 100 lugares de Sydney.
- Do dia 15 ao dia 18 de julho, toda manhã, bispos do mundo inteiro ofereceram catequeses aos jovens em 235 lugares diferentes, em 29 idiomas.
- Mil sacerdotes ofereceram o sacramento da confissão durante a semana.
- 100 mil peregrinos dormiram em 400 escolas e paróquias.
- Mais de 12 mil peregrinos permaneceram no Parque Olímpico de Sydney durante a semana.
- 40 mil peregrinos foram acolhidos pelas famílias.
- 8 mil voluntários prestaram seus serviços nos diferentes eventos.
- Participaram do evento: 4 mil sacerdotes e diáconos, 420 bispos e 26 cardeais.
- Prepararam 1,1 milhão de hóstias para a comunhão nas missas.
- Distribuíram 25 milhões de refeições.
- Consumiram 100 mil litros de leite e 360 mil lamingtons, sobremesa típica australiana.
- Utilizaram 232 mil velas durante a Jornada.
- 100 atores participaram da Via-Sacra da sexta-feira, 18 de julho.
- A Cruz dos Jovens e o ícone de Nossa Senhora visitaram 400 cidades e povoados da Austrália, em uma peregrinação de 12 meses pelo país. Cerca de 400 mil pessoas tocaram a cruz.

Palavras de Bento XVI em sua despedida de Sydney

SYDNEY, segunda-feira, 21 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos as palavras que Bento XVI proferiu esta segunda-feira, no aeroporto internacional de Sydney, na cerimônia de despedida junto das autoridades australianas.

Queridos amigos,
Antes de me despedir de vós, desejo dizer àqueles que me hospedaram que gostei imenso da visita e sinto-me muito reconhecido pela hospitalidade recebida. Agradeço ao Primeiro-Ministro, Senhor Kevin Rudd, a gentileza que demonstrou para comigo e para com todos os participantes na Jornada Mundial da Juventude. Agradeço também ao Governador Geral, Major General Michael Jeffery, a sua presença aqui e a gentil recepção que me fez no Almirantado Geral ao início dos meus compromissos públicos. O Governo Federal e o Governo do Estado de Novo Gales do Sul, bem como os habitantes e a comunidade empresarial de Sidney colaboraram generosamente no apoio à Jornada Mundial da Juventude. Um acontecimento deste género requer um trabalho imenso de preparação e organização, e estou certo de falar em nome de muitos milhares de jovens quando exprimo o meu apreço e a minha gratidão a todos vós. Como é característico do estilo australiano, destes-me calorosas boas-vindas a mim e aos inumeráveis jovens peregrinos que chegaram aqui de todas as partes do mundo. Sinto-me especialmente reconhecido às famílias hospitaleiras da Austrália e da Nova Zelândia que ofereceram aos jovens um lugar nas suas casas. Abristes as vossas portas e os vossos corações à juventude do mundo, e, em nome destes jovens, eu vos agradeço.

Nos dias passados, os actores principais no palco foram obviamente os próprios jovens. A Jornada Mundial da Juventude pertence-lhes. Foram eles que fizeram desta Jornada um acontecimento eclesial de carácter global, uma grande celebração da juventude, uma grande celebração daquilo que significa ser Igreja, Povo de Deus no meio do mundo, unido na fé e no amor e habilitado pelo Espírito a levar o testemunho de Cristo ressuscitado até aos confins da terra. Agradeço-lhes por terem vindo, agradeço-lhes pela sua participação e peço a Deus que tenham uma viagem segura de regresso. Sei que os jovens, as suas famílias e as pessoas amigas, em muitos casos, fizeram grandes sacrifícios para lhes permitir chegar à Austrália. Por tudo isso, a Igreja inteira está-lhes reconhecida.

Repassando com o olhar estes dias impressionantes, afloram-me à mente cenas significativas. Tocou-me muito a visita ao Túmulo de Mary MacKillop, e agradeço às Irmãs de São José a oportunidade que tive de rezar no Santuário da sua Confundadora. As estações da Via-Sacra pelas estradas de Sidney recordaram-nos eficazmente que Cristo nos amou «até ao fim» e compartilhou os nossos sofrimentos para que nós pudéssemos partilhar da sua glória. O encontro com os jovens em Darlinghurst foi um momento de alegria e de grande esperança, um sinal de que Cristo pode levantar-nos das situações mais difíceis, restituindo-nos a nossa dignidade e permitindo-nos olhar em frente para um futuro melhor. O encontro com os responsáveis ecuménicos e inter-religiosos foi marcado por um espírito de genuína fraternidade e um profundo desejo de maior colaboração no empenho de construir um mundo mais justo e pacífico. Mas, sem dúvida, os encontros de Barangaroo e do Cruzeiro do Sul foram os pontos culminantes da minha visita. Aquelas experiências de oração, a nossa jubilosa celebração da Eucaristia foram um testemunho eloquente da obra vivificante do Espírito Santo, presente e activo no coração dos nossos jovens. A Jornada Mundial da Juventude mostrou-nos que a Igreja pode alegrar-se com os jovens de hoje e sentir-se repleta de esperança quanto ao mundo de amanhã.

Queridos amigos, neste momento da minha despedida de Sidney, peço a Deus que pouse o seu amoroso olhar sobre esta cidade, sobre este país e os seus habitantes. Peço que muitos deles possam sentir-se inspirados pelo exemplo de compaixão e serviço da Beata Mary MacKillop. E ao despedir-me de vós, levando no coração sentimentos de profunda gratidão, digo uma vez mais: Deus abençoe o povo da Austrália!

Tradução ao português difundida pela Santa Sé
© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana

JMJ revela segredo australiano
Uma nação mais espiritual do que dizem

Por Anthony Barich
SYDNEY, segunda-feira, 20 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Os australianos são mais espirituais do que dizem, afirma o bispo que foi responsável pela organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

O bispo auxiliar de Sydney, Anthony Fisher, falou a ZENIT que o evento com os jovens, que terminou no domingo com uma missa que contou com a participação de mais de 400 mil pessoas, transformou cidadão normais em peregrinos.
Ainda que o bispo tenha admitido que os australianos sejam muito «confortáveis» com sua «boa vida», relatou que houve uma positiva resposta aos eventos chave, incluindo os 250 mil que aclamaram Bento XVI através das ruas de Sydney depois de ter estado presente a uma multidão de 150 mil no cais de Barangaroo.
Isto prova, sugere Fisher, que os Australianos são menos apáticos e mais entusiasmados do que eles costumam afirmar de si mesmos.
«Nós normalmente ouvimos falar que a Austrália está se tornando um país secular, e se a visão de que a religião for privatizada ou abolida é uma conquista», disse o prelado. «Mas no dia em que o Papa achegou eu estava maravilhado. Realmente todo o povo foi a Barangaroo para recebê-lo; não pode haver mais. Mas havia mais e mais delianeando as ruas de Sydney para vê-lo no papa-móvel.

«Sabemos, de fato, que muitas pessoas ainda dizem, quando perguntadas, que acreditam em Deus e rezam algumas vezes e dizem que são cristãos. Então a Austrália não é tão agnóstica quanto representa».
«isto foi demonstrado na forma que as pessoas responderam ao evento espiritual – não com hostilidade».
Dom Fisher diz acreditar que a juventude australiana que irá revigorar a vida social e espiritual da Austrália, com a ação do Espírito Santo, é claro. Ele comenta que o Papa delineou um plano para a renovação social e espiritual da nação.
«Nós vimos uma nova geração que tem suas próprias paixões e ideais, que ressoam com as coisas que ouvimos o Papa dizer sobre o que eles podem fazer e o que eles podem fazer com a graça de Deus para o mundo», disse Fisher. «[O Papa] deu-nos um programa para a renovação espiritual e social de nosso país e ofereceu aos jovens a coragem e inspiração para saírem e fazerem isso.»

«Teremos 125 mil australianos voltando para suas casas, para suas paróquias, escolas, universidades e empregos, que foram peregrinos ou voluntários da Jornada Mundial da Juventude. Esperamos que haja uma nova vida e energia em cada canto da Igreja, especialmente os ministérios jovens, que obviamente serão maiores e melhores como resultado da Jornada Mundial da Juventude».
«Existem muitas pessoas recém comprometidas em trabalhar com os jovens, que estarão liderando e servindo à Igreja, algo desse tipo é imprevisível».
«Anfitriões anteriores revelaram coisas que surgiram em seus países sem nenhuma proposta de plano pastoral. Foi a confiança e inspiração dadas aos jovens quando voltaram para casa».
Grande parte dos cidadãos de Sydney foram transformados em peregrinos, levados pelo espírito positivo dos Australianos e convidados internacionais, notou o prelado.
«Maquinistas e motoristas de ônibus pediram para fazer hora extra porque amaram ser parte disso; um policial me disse que eles foram agradecidos pelas pessoas nas ruas pela primeira vez em suas vidas», revelou o bispo. «Querendo ou não, de maquinistas, seguranças ou pessoal da saúde, eles se tornaram peregrinos também, partilhando a experiência».

Bento XVI lança vários desafios aos jovens em Sydney

Chama-os a serem testemunhas de Cristo

Por José Caetano
SYDNEY, segunda-feira, 21 de julho de 2008 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI deixou inúmeros desafios aos jovens peregrinos que se reuniram em Sydney para a XXIII Jornada Mundial da Juventude, que se encerrou nesse domingo, com o tema: «Recebereis a força do Espírito Santo, que virá sobre vós, e sereis minhas testemunhas».

No início das atividades públicas na Austrália, durante seu discurso na Government House de Sydney, na cerimônia oficial de boas-vindas, que aconteceu na quinta-feira, 17 de julho, o Santo Padre realizou já seu primeiro apelo: «Através da ação do Espírito, possam os jovens aqui reunidos para a Jornada Mundial da Juventude ter a coragem de se tornarem santos! Mais do que qualquer outra coisa, o mundo precisa disto».
Depois, no mesmo dia, ao acolher os jovens no cais de Barangaroo, quis primeiramente lançar um chamado aos jovens não-católicos, para que se aproximem «do abraço amoroso de Cristo» e reconheçam a Igreja como sua casa». No mesmo discurso, voltando-se aos jovens cristãos, o Papa os chama a serem testemunhas da esperança oferecida pelo Evangelho de Jesus Cristo, «uma visão da vida onde reine o amor, onde os dons sejam partilhados, onde se construa a unidade, onde a liberdade encontre o seu próprio significado na verdade, e onde a identidade seja encontrada numa comunhão respeitosa».

No dia seguinte, o Papa encontrou-se com jovens da comunidade de recuperação da Universidade Notre Dame de Sydney. Os jovens, apesar da pouca idade, já atravesaram duras experiências marcadas pelo álcool, as drogas ou pela tentação do suicídio. A eles, o pontífice lançou o encargo de serem «embaixadores de esperança para quantos se encontram em idênticas situações».
«Com a força do Espírito Santo, escolhei a vida, escolhei o amor e sede diante do mundo testemunhas da alegria que daí jorra», falou ao final do encontro.
Na manhã do sábado, dia 19, o Papa celebrou uma missa junto aos bispos, seminaristas, religiosos e religiosas australianos, e dirigindo-se especialmente aos jovens seminaristas e noviços, desafia-os a que «não tenhais medo! Acreditai na luz. Tomai a peito a verdade que ouvimos hoje na segunda leitura: ‘Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre’. A luz da Páscoa continua a afugentar as trevas.»

Já nesse mesmo dia, à noite, no hipódromo de Randwick, ao encontrar-se com 235 mil peregrinos reunidos para a Vigília de Oração da JMJ, o Santo Padre explica que «estar verdadeiramente vivos é ser transformados a partir de dentro, permanecer abertos à força do amor de Deus. Acolhendo a força do Espírito Santo, podereis também vós transformar as vossas famílias, as comunidades, as nações». E conclui lançando o desafio: «Libertai estes dons. Fazei com que a sabedoria, o entendimento, a fortaleza, a ciência e a piedade sejam os sinais da vossa grandeza».
No último dia do evento que reuniu peregrinos do mundo todo, durante a Celebração Eucarística de encerramento da JMJ, o Santo Padre, em sua homilia, perguntou às mais de 400 mil pessoas ali presentes sobre «o que deixariam à próxima geração», e desafiou-as a serem «profetas desta nova era, mensageiros do seu amor, capazes de atrair as pessoas para o Pai e construir um futuro de esperança para toda a humanidade».
Ainda na homilia, o bispo de Roma lançou um desafio especial àqueles que sentem um chamado de Deus a se dedicarem à vida sacerdotal: «Não tenhais medo de dizer o vosso ‘sim’ a Jesus, de encontrar a vossa alegria na realização da sua vontade, entregando-vos completamente para chegardes à santidade e pondo os vossos talentos a render para o serviço dos outros».

Por fim, logo após a oração mariana do Ângelus, na qual lembrou a proposta que Deus fez a Maria através do anúnio do Anjo, e para o qual ela disse sim, o Papa fez um apelo aos jovens, desejando que se encontrem na próxima Jornada Mundial da Juventude, que será em Madri, em 2011: «prestemos a Cristo o nosso jubiloso testemunho diante do mundo».

Palavras de Bento XVI em sua despedida de Sydney

SYDNEY, segunda-feira, 21 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos as palavras que Bento XVI proferiu esta segunda-feira, no aeroporto internacional de Sydney, na cerimônia de despedida junto das autoridades australianas.

Queridos amigos,

Antes de me despedir de vós, desejo dizer àqueles que me hospedaram que gostei imenso da visita e sinto-me muito reconhecido pela hospitalidade recebida. Agradeço ao Primeiro-Ministro, Senhor Kevin Rudd, a gentileza que demonstrou para comigo e para com todos os participantes na Jornada Mundial da Juventude. Agradeço também ao Governador Geral, Major General Michael Jeffery, a sua presença aqui e a gentil recepção que me fez no Almirantado Geral ao início dos meus compromissos públicos. O Governo Federal e o Governo do Estado de Novo Gales do Sul, bem como os habitantes e a comunidade empresarial de Sidney colaboraram generosamente no apoio à Jornada Mundial da Juventude. Um acontecimento deste género requer um trabalho imenso de preparação e organização, e estou certo de falar em nome de muitos milhares de jovens quando exprimo o meu apreço e a minha gratidão a todos vós. Como é característico do estilo australiano, destes-me calorosas boas-vindas a mim e aos inumeráveis jovens peregrinos que chegaram aqui de todas as partes do mundo. Sinto-me especialmente reconhecido às famílias hospitaleiras da Austrália e da Nova Zelândia que ofereceram aos jovens um lugar nas suas casas. Abristes as vossas portas e os vossos corações à juventude do mundo, e, em nome destes jovens, eu vos agradeço.

Nos dias passados, os actores principais no palco foram obviamente os próprios jovens. A Jornada Mundial da Juventude pertence-lhes. Foram eles que fizeram desta Jornada um acontecimento eclesial de carácter global, uma grande celebração da juventude, uma grande celebração daquilo que significa ser Igreja, Povo de Deus no meio do mundo, unido na fé e no amor e habilitado pelo Espírito a levar o testemunho de Cristo ressuscitado até aos confins da terra. Agradeço-lhes por terem vindo, agradeço-lhes pela sua participação e peço a Deus que tenham uma viagem segura de regresso. Sei que os jovens, as suas famílias e as pessoas amigas, em muitos casos, fizeram grandes sacrifícios para lhes permitir chegar à Austrália. Por tudo isso, a Igreja inteira está-lhes reconhecida.

Repassando com o olhar estes dias impressionantes, afloram-me à mente cenas significativas. Tocou-me muito a visita ao Túmulo de Mary MacKillop, e agradeço às Irmãs de São José a oportunidade que tive de rezar no Santuário da sua Confundadora. As estações da Via-Sacra pelas estradas de Sidney recordaram-nos eficazmente que Cristo nos amou «até ao fim» e compartilhou os nossos sofrimentos para que nós pudéssemos partilhar da sua glória. O encontro com os jovens em Darlinghurst foi um momento de alegria e de grande esperança, um sinal de que Cristo pode levantar-nos das situações mais difíceis, restituindo-nos a nossa dignidade e permitindo-nos olhar em frente para um futuro melhor. O encontro com os responsáveis ecuménicos e inter-religiosos foi marcado por um espírito de genuína fraternidade e um profundo desejo de maior colaboração no empenho de construir um mundo mais justo e pacífico. Mas, sem dúvida, os encontros de Barangaroo e do Cruzeiro do Sul foram os pontos culminantes da minha visita. Aquelas experiências de oração, a nossa jubilosa celebração da Eucaristia foram um testemunho eloquente da obra vivificante do Espírito Santo, presente e activo no coração dos nossos jovens. A Jornada Mundial da Juventude mostrou-nos que a Igreja pode alegrar-se com os jovens de hoje e sentir-se repleta de esperança quanto ao mundo de amanhã.

Queridos amigos, neste momento da minha despedida de Sidney, peço a Deus que pouse o seu amoroso olhar sobre esta cidade, sobre este país e os seus habitantes. Peço que muitos deles possam sentir-se inspirados pelo exemplo de compaixão e serviço da Beata Mary MacKillop. E ao despedir-me de vós, levando no coração sentimentos de profunda gratidão, digo uma vez mais: Deus abençoe o povo da Austrália!

Tradução ao português difundida pela Santa Sé
© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana

Papa cita Santo Agostinho para explicar Espírito Santo
Oferece uma explanação teológica da Trindade

SYDNEY, domingo, 20 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Com a ajuda de S. Agostinho, Bento XVI dá uma breve aula de teologia sobre a terceira pessoa da Santíssima Trindade na vigília de sábado da Jornada Mundial da Juventude, no hipódromo de Randwick, em Sydney.

O Espírito Santo «tem sido, de variadas maneiras, a Pessoa esquecida da Santíssima Trindade», disse o Papa aos jovens. «Uma clara noção d’Ele parece estar quase fora do nosso alcance».
O Pontífice relembrou que era criança quando ouviu falar do Espírito Santo, mas nunca conseguiu entender a terceira pessoa da Trindade até se tornar um sacerdote e começar a estudar os escritos de S. Agostinho.
Ele disse que o entendimento de Agostinho sobre o Espírito Santo também se «desenvolveu gradualmente», e «foi uma luta».
O Santo Padre falou que o teólogo teve «três intuições particulares relativas ao Espírito Santo enquanto vínculo de unidade no seio da Santíssima Trindade: unidade como comunhão, unidade como amor duradouro, unidade como doador e dom.
«Estas três intuições – disse o Papa –  não são meramente teóricas; ajudam a explicar como age o Espírito».
«Num mundo em que tanto os indivíduos como as comunidades sofrem muitas vezes por falta de unidade e coesão, tais intuições ajudam-nos a permanecer sintonizados com o Espírito e a alargar e esclarecer o âmbito do nosso testemunho».

Unidade
Bento XVI explicou que a primeira intuição de Santo Agostinho vem da reflexão sobre as palavras «Santo» e «Espírito», que «dizem respeito àquilo que pertence à natureza divina».
«Em outras palavras», ele acrescenta, «àquilo que é compartilhado pelo Pai e pelo Filho na sua comunhão».
«De facto, só na vida de comunhão é que a unidade subsiste e a identidade humana se realiza plenamente: reconhecemos a necessidade comum de Deus, correspondemos à presença unificadora do Espírito Santo e damo-nos reciprocamente servindo uns aos outros».

Amor
Bento XVI ainda falou sobre a segunda intuição do santo de Hipona, o Espírito Santo como amor que permanece.
Na primeira carta de João, capítulo 1, versículo 16 está escrito que «Deus é amor», acrescentou o Papa. «Agostinho sugere que estas palavras, embora referindo-se à Trindade no seu todo, também se devem entender como expressão duma característica particular do Espírito Santo».
O pontífice explica: «Reflectindo sobre a natureza permanente do amor – quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele’  – Agostinho interroga-se: é o amor ou o Espírito que garante o dom duradouro?»
Citando a obra do santo «De Trinitate», o Santo Padre reflete na conclusão do teólogo:  «O Espírito Santo faz-nos habitar em Deus e Deus em nós; mas é o amor que causa tudo isto. Portanto, o Espírito é Deus enquanto amor».
«É uma explicação magnífica», exclama o bispo de Roma. «Deus compartilha-Se como amor no Espírito Santo».

Bento XVI reflete ainda: «O amor é o sinal da presença do Espírito Santo. As ideias ou as palavras que carecem de amor – ainda que se apresentem sofisticadas ou sagazes – não podem ser ‘do Espírito’.»
«Além disso, o amor apresenta um traço particular: longe de ser permissivo ou volúvel, tem uma missão ou um objectivo a realizar que é o de permanecer. Por sua natureza, o amor é duradouro.»
«Mais uma vez, queridos amigos», diz o Papa, «podemos dar uma vista de olhos àquilo que o Espírito Santo oferece ao mundo: amor que dissolve a incerteza; amor que supera o medo da traição; amor que traz em si a eternidade; o verdadeiro amor que nos introduz numa unidade que permanece!»

Dom
Bento XVI disse que a terceira intuição de Santo Agostinho – o Espírito Santo como dom – deriva do relato evangélico da conversa de Cristo com a mulher samaritana junto ao poço.
«Aqui Jesus revela-Se como o dador de água viva, que em seguida será especificada como sendo o Espírito», explica.
Citando o Evangelho de João o bispo de Roma diz que «O Espírito é ‘o dom de Deus’ – a fonte interior – que sacia verdadeiramente a nossa sede mais profunda e nos conduz ao Pai».
Com base ainda na obra «De Trinitate», o Santo Padre explica que «Agostinho conclui que o Deus que Se concede a nós como dom é o Espírito Santo».
O Pontífice continua: «Amigos, uma vez mais lancemos um olhar sobre a Trindade em acção: o Espírito Santo é Deus que eternamente Se dá; como uma nascente perene, Ele oferece-Se precisamente a Si mesmo».

«Observando este dom incessante, chegamos a ver os limites de tudo o que perece, a loucura duma mentalidade consumista. De forma particular, começamos a compreender por que motivo a busca de novidade nos deixa insatisfeitos e desejosos de algo diferente.»
«Porventura não andamos nós à procura de um dom eterno? À procura da fonte que jamais se exaurirá? Com a samaritana exclamemos: Dá-me desta água, para que eu não sinta mais sede!»
«Jovens caríssimos» – continua o Papa –, «vimos que é o Espírito Santo quem realiza a maravilhosa comunhão dos crentes em Cristo Jesus. Fiel à sua natureza de dador e simultaneamente de dom, agora Ele está a actuar por meio de vós. Inspirados pelas intuições de Santo Agostinho, fazei com que o amor unificante seja a vossa medida; o amor duradouro seja o vosso desafio; o amor que se dá a vossa missão».

Realidade
Bento XVI disse aos jovens que «há momentos, porém, em que nos podemos sentir tentados a procurar certas satisfações fora de Deus», e fez a mesma pergunta que Cristo fez aos doze Apóstolos: «Também vós quereis retirar-vos?»
«Talvez um tal afastamento ofereça a ilusão da liberdade. Mas onde nos leva? Para quem havemos nós de ir? De facto, em nossos corações, sabemos que só o Senhor tem ‘palavras de vida eterna’.»
Citando Agostinho, Bento XVI diz que «o afastamento d’Ele é só uma tentativa vã de fugirmos de nós mesmos».

«Deus está connosco, não na fantasia, mas na realidade da vida», disse o Papa. «O que temos de procurar é enfrentar a realidade, não fugir dela. Por isso, o Espírito Santo atrai-nos delicada mas resolutamente para aquilo que é real, duradouro, verdadeiro. É o Espírito que nos reconduz à comunhão com a Trindade Santíssima!»

Espírito Santo é guia silencioso para a grandeza e a unidade, diz Papa

“A vida não é simplesmente acumular, e é muito mais do que ter sucesso”

SYDNEY, domingo, 20 de julho de 2008 (Zenit.org).- Apesar de não ser fácil entender o papel do Espírito Santo na vida de cada um, Bento XVI disse que se pode ter certeza de que o Espírito é um guia silencioso no caminho da unidade e da reconciliação.

As palavras do pontífice ecoaram no hipódromo de Randwick, na noite desse sábado, durante a vigília com os jovens.
O pontífice disse que as palavras de Cristo tomadas como tema da JMJ2008 — “Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas” — “foram precisamente as últimas que Jesus pronunciou antes da sua ascensão ao céu”.

“O que é que sentiram os Apóstolos ao ouvi-las, podemos apenas imaginá-lo”, disse Bento XVI. “Mas sabemos que o seu amor profundo a Jesus e a confiança que tinham na sua palavra os impeliu a reunirem-se e a aguardarem; não a aguardar sem um objetivo, mas juntos, unidos na oração, com as mulheres e com Maria na sala de cima”.
“Nesta noite, nós fazemos o mesmo. Reunidos diante da nossa Cruz que muito peregrinou e do ícone de Maria, sob o esplendor celeste da constelação do Cruzeiro do Sul, rezamos.”
O pontífice disse que reza pelos jovens de todos os cantos do mundo. “Deixai-vos inspirar pelo exemplo dos vossos Santos Patronos. Acolhei no vosso coração e na vossa mente os sete dons do Espírito Santo. Reconhecei e acreditai na força do Espírito Santo em vossa vida”.
O Papa destacou que não é fácil “conhecer a pessoa do Espírito Santo e a sua presença vivificante na nossa vida”.
Com efeito –prosseguiu–, “a variedade de imagens que encontramos na Escritura relativas ao Espírito Santo – vento, fogo, sopro – são sinal da nossa dificuldade em exprimir uma noção articulada sobre Ele”.

“E todavia sabemos que é o Espírito Santo, silencioso e invisível, quem proporciona orientação e definição ao nosso testemunho sobre Jesus Cristo.”
O mundo, disse Bento XVI, “sob muitos aspectos, é frágil”. “A unidade da criação de Deus está enfraquecida por feridas que se tornam profundas quando se quebram as relações sociais ou o espírito humano acaba quase totalmente esmagado pela exploração e o abuso das pessoas”.
Ele prosseguiu: “a sociedade contemporânea está a sofrer um processo de fragmentação por causa dum modo de pensar que é, por sua natureza, de visão curta, porque transcura o horizonte inteiro da verdade – da verdade referente a Deus e relativa a nós”.

“Por sua natureza, o relativismo não consegue ver o quadro inteiro. Ignora aqueles mesmos princípios que nos tornam capazes de viver e crescer na unidade, na ordem e na harmonia.”
A resposta a esta fragmentação é a unidade, mas o Papa recordou aos peregrinos que “a unidade e a reconciliação não se podem alcançar apenas com os nossos esforços. [...] Somente em Deus e na sua Igreja, podemos encontrar aquela unidade que procuramos”.
E todavia, apesar de vermos as imperfeições e desilusões a nível individual e institucional, às vezes somos tentados a construir artificialmente uma comunidade «perfeita». Não se trata de uma tentação nova. A história da Igreja contém muitos exemplos de tentativas para contornar ou saltar por cima das fraquezas e falimentos humanos a fim de se criar uma unidade perfeita, uma utopia espiritual.

“É o Espírito que guia a Igreja pelo caminho da verdade total e a unifica na comunhão e nos atos do ministério”, disse o Santo Padre. “Infelizmente persiste a tentação de «seguir em frente sozinho»”.
“Alguns falam da sua comunidade local como de algo separado da chamada Igreja institucional, descrevendo a primeira como flexível e aberta ao Espírito e a segunda como rígida e privada do Espírito.”
“Permanecei vigilantes. Procurai saber ouvir”, exortou. “Conseguis vós ouvir, através das dissonâncias e divisões do mundo, a voz concorde da humanidade? Desde a criança abandonada de um campo no Darfur, a um adolescente confuso, a um pai em ânsias numa periferia qualquer, ou talvez neste preciso momento das profundezas do vosso coração eleva-se o mesmo grito humano que anela por um reconhecimento, por uma integração, pela unidade”.

O pontífice recordou aos jovens peregrinos que é Espírito Santo “quem poderá satisfazer este desejo humano essencial de ser alguém, viver imerso na comunhão, ser edificado, ser guiado para a verdade”.
“Esta é a sua função”, prosseguiu, “levar a termo a obra de Cristo. Enriquecidos pelos dons do Espírito, vós tendes a força de ultrapassar as visões parciais, a utopia vã, a precariedade fugaz e oferecer a coerência e a certeza do testemunho cristão”.
“Nesta noite, reunidos aqui sob a beleza deste céu noturno, os nossos corações e as nossas mentes estão repletas de gratidão a Deus pelo grande dom da nossa fé na Trindade”, disse Bento XVI. “Recordamos os nossos pais e avós que caminharam ao nosso lado quando – éramos nós crianças – sustentaram os primeiros passos do nosso caminho de fé”.

“Agora, passados muitos anos, eis-vos aqui reunidos como jovens adultos ao redor do Sucessor de Pedro. Inunda-me uma profunda alegria por estar convosco. Invoquemos o Espírito Santo: é Ele o artífice das obras de Deus. Deixai que os seus dons vos plasmem.”
O Santo Padre afirmou que os peregrinos são “chamados a exercitar os dons do Espírito nos altos e baixos da vida diária. Fazei com que a vossa fé amadureça através dos vossos estudos, trabalho, desporto, música, arte”.

“Procurai que seja sustentada por meio da oração e alimentada através dos sacramentos, para deste modo se tornar fonte de inspiração e de ajuda para quantos vivem ao vosso redor”, comentou o Papa. “No fim de contas, a vida não é simplesmente acumular, e é muito mais do que ter sucesso”.
“Estar verdadeiramente vivos é ser transformados a partir de dentro, permanecer abertos à força do amor de Deus. Acolhendo a força do Espírito Santo, podereis também vós transformar as vossas famílias, as comunidades, as nações. Libertai estes dons. Fazei com que a sabedoria, o entendimento, a fortaleza, a ciência e a piedade sejam os sinais da vossa grandeza.”

Solicitude do Papa com vítimas de abusos

SYDNEY, segunda-feira, 20 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Pouco antes de deixar Sydney, Bento XVI celebrou a missa e teve um encontro com vítimas de abusos sexuais por parte de clérigos.
De acordo com um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, a missa foi uma “expressão da solicitude pastoral” do Papa “com aqueles que sofreram abusos por parte do clero”.
Informações de imprensa dizem que havia quatro vítimas, além de seus familiares e acompanhantes. Após a missa, o Santo Padre encontrou-se com o grupo por cerca de meia hora.
“O Papa escutou suas histórias e lhes ofereceu sua atenção. Assegurando-lhes sua proximidade espiritual, ele prometeu continuar a rezar por eles, suas famílias e todas as vítimas”, afirma a nota.
O cardeal George Pell destacou depois à imprensa que foi um momento de reconciliação e cura, que expressa o sincero pesar do Papa e dos bispos australianos.

Convite de Deus a Maria

Angelus na Jornada Mundial da Juventude

SYDNEY, domingo, 20 de julho de 2008 ao meio-dia deste domingo, no hipódromo de Randwick, em Sydney, após a missa de encerramento da JMJ.

ANGELUS

Hipódromo de Randwick Domingo, 20 de Julho de 2008

Prezados jovens amigos,

Preparamo-nos agora para rezar juntos a oração encantadora do Angelus. Nela reflectiremos sobre Maria, jovem mulher em diálogo com o Anjo que, em nome de Deus, A convida a uma particular doação de Si mesma, da sua vida, do seu próprio futuro de mulher e mãe. Podemos imaginar como deveria sentir-Se Maria naquele momento: cheia de trepidação, totalmente baralhada com a perspectiva que Lhe foi apresentada.

O Anjo compreendeu a sua ansiedade e logo procurou tranquilizá-La: «Não tenhas receio, Maria (…). O Espírito Santo virá sobre Ti e a força do Altíssimo estenderá sobre Ti a sua sombra» (Lc 1, 30.35). Foi o Espírito que Lhe deu a força e a coragem para responder ao chamamento do Senhor. Foi o Espírito que A ajudou a compreender o grande mistério que estava para se realizar por meio d’Ela. Foi o Espírito que A envolveu com o seu amor, tornando-A capaz de conceber no seu ventre o Filho de Deus.

Esta cena constitui talvez o momento cardinal na história do relacionamento de Deus com o seu povo. Ao longo do Antigo Testamento, Deus fora-Se revelando de forma parcial mas gradual, como todos fazemos nas nossas relações pessoais. Foi preciso tempo para que o povo eleito aprofundasse a sua relação com Deus. A Aliança com Israel foi uma espécie de período de galanteio, um longo namoro. Chegou depois o momento definitivo, o momento do matrimónio, a realização duma nova e eterna aliança. Naquele momento, Maria, diante do Senhor, representava toda a humanidade: na mensagem do Anjo, era Deus que fazia uma proposta de matrimónio à humanidade; e Maria, em nosso nome, disse sim.

Nas fábulas, a narração termina aqui: e todos, «desde então, viveram felizes e contentes». Na vida real, não é tão fácil… Foram muitas as dificuldades com que Maria Se debateu ao enfrentar as consequências daquele «sim» dito ao Senhor. Simeão profetizou que uma espada haveria de trespassar-Lhe o coração. Quando Jesus tinha doze anos, Ela experimentou os piores íncubos que um progenitor pode viver: durante três dias, teve de aguentar o extravio do Filho. E, depois da actividade pública de Jesus, Ela sofreu a agonia de presenciar a sua crucifixão e morte. Através das várias provações, manteve-Se sempre fiel à sua promessa, sustentada pelo Espírito de fortaleza. E foi por isso mesmo recompensada com a glória.

Queridos jovens, também nós devemos permanecer fiéis ao «sim» com que acolhemos a oferta de amizade feita pelo Senhor. Sabemos que Ele nunca nos abandonará. Sabemos que sempre nos apoiará com os dons do Espírito. A «proposta » do Senhor, Maria acolheu-a em nosso nome. E agora, voltemo-nos para Ela e peçamos-Lhe que nos guie no meio das dificuldades para permanecermos fiéis àquele relacionamento vital que Deus estabeleceu com cada um de nós. Maria é o nosso exemplo e a nossa inspiração. Que Ela interceda por nós junto do seu Filho e, com amor materno, nos proteja dos perigos!

Depois do Angelus

Queridos amigos,
Chegou agora o momento de dizermos «Adeus», ou melhor, «Até à próxima». A todos vos agradeço por terdes participado na Jornada Mundial da Juventude 2008, aqui em Sidney, e espero voltar a ver-vos daqui a três anos. A Jornada Mundial da Juventude de 2011 terá lugar em Madrid, Espanha. Até lá, rezemos uns pelos outros, e prestemos a Cristo o nosso jubiloso testemunho diante do mundo. Que Deus vos abençoe a todos!

Tradução ao português difundida pela Santa Sé
© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana

Saudação do Papa aos voluntários da JMJ

SYDNEY, segunda-feira, 21 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos a saudação que Bento XVI dirigiu esta segunda-feira em Sydney aos voluntários da Jornada Mundial da Juventude.

Queridos amigos em Cristo,

Agradeço ao Bispo Fisher e ao Cardeal Pell as suas amáveis palavras e alegro-me por esta oportunidade de poder despedir-me de todos vós e dizer-vos que a experiência desta semana foi esplêndida. Nestes dias, fomos testemunhas directas da alegria que encontram na própria fé tantos milhares de jovens, e pudemos exprimir o nosso louvor e gratidão a Deus pela sua bondade para connosco. Pudemos saborear o calor e a generosidade da hospitalidade australiana e simultaneamente dar um olhar à estupenda paisagem deste belo continente. Foi uma semana verdadeiramente memorável.
De tudo isto, porém, nada teria sido possível sem um grande esforço de preparação e solícito trabalho durante o período que precedeu a Jornada Mundial da Juventude. Desejo agradecer-vos a todos pelo generoso empenho de tempo e de energia, gastos para permitir a realização sem percalços de cada um dos acontecimentos que celebrámos juntos. Tais acontecimentos necessitaram de cuidadosa coordenação, uma vez que envolveram as autoridades civis, a polícia e os serviços de emergência, e também pessoal eclesiástico e um vasto conjunto de voluntários, responsáveis e auxiliares. Os vossos esforços prepararam o terreno para que o Espírito descesse impetuosamente, plasmando vínculos de unidade e amizade entre jovens originários de ambientes culturais profundamente diversos e revigorando o seu amor a Cristo e à sua Igreja. Nas multidões que se juntaram aqui em Sidney vimos uma expressão concreta da unidade na diversidade da Igreja universal, vimos uma perspectiva em miniatura daquela família humana unida por que anelamos. Na força do Espírito, possam estes jovens tornar realidade no mundo de amanhã uma tal visão.

No aeroporto, terei ocasião de agradecer aos representantes das autoridades civis. Aqui quero exprimir a minha profunda gratidão a todos os bispos, aos sacerdotes, aos consagrados e consagradas, aos capelães, aos professores, às associações laicais, aos movimentos eclesiais, às famílias que ofereceram hospedagem, às escolas e às comunidades paroquiais que contribuíram com grande eficácia para o êxito da Jornada Mundial da Juventude. Lemos nos Actos dos Apóstolos que «a felicidade está mais em dar do que em receber» (20, 35), mas eu estou certo de que vós também recebestes muito daqueles que tão generosamente servistes ao longo das nossas celebrações. A todos vós, um sincero e sentido «obrigado»!
Aproxima-se o momento de regressar a Roma, mas levo comigo, como se fosse um tesouro, a recordação dos numerosos eventos cheios de graça que juntos experimentámos: desde o meu primeiro encontro com os jovens em Barangaroo, passando pelos sucessivos encontros emDarlinghurst e na Catedral de Santa Maria, até à Vigília da Juventude no Recinto do Cruzeiro do Sul e depois na Missa conclusiva de ontem. Rezo para que também vós leveis impressas no espírito muitas recordações preciosas e intuições espirituais, voltando às vossas casas e famílias com novo ardor para difundir o Evangelho de Jesus Cristo. Na força do Espírito Santo, ide agora renovar a face da terra!
Neste momento cordial em que me despeço de todos vós, entrego-vos à amorosa intercessão de Nossa Senhora do Cruzeiro do Sul, Auxílio dos Cristãos, invoco sobre vós os sete dons do Espírito Santo e asseguro uma recordação vossa na minha constante oração. Deus abençoe os jovens do mundo e abençoe o povo da Austrália!
Tradução ao português difundida pela Santa Sé

© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana

Cavaleiro supremo: juventude precisa de comprometimento

Catequese no Love and Life Site na Universidade de Notre-Dame

SYDNEY, quarta-feira, 16 de julho de 2008 (ZENIT.org).- A Igreja precisa de jovens comprometidos e que não abandonem seus ideais, de acordo com o líder dos Cavaleiros de Colombo.

O cavaleiro supremo Carl Anderson disse nesta quarta-feira em Sydney, enquanto participava do painel de discussão «Sob a Cruz do sul» no Love and Life Site, das Irmãs da Vida (Sisters of Life).

As Irmãs da Vida, com o Conselho da Faculdade dos Cavaleiros de Colombo e os Institutos João Paulo II de todo o mundo, estão co-hospedando o Love and Life Site, com o objetivo catequético e de evangelização da vida e do amor humano.

No primeiro dos três dias de programa catequético para a JMJ, centenas de jovens visitaram o Love and Life Site, localizado na Universidade de Notre-Dame de Sydney.

«A Igreja é jovem, e o que a Igreja precisa é de compromisso – disse o cavaleiro supremo aos jovens peregrinos. Precisa de pessoas que não abandonem seus ideais, pessoas que têm ideais e vontade de agir a partir desses ideais. A Igreja precisa do seu testemunho.»

«Seja quem você é e esforce-se por ser o que Deus está lhe chamando a ser. Ele está lhe chamando para a grandeza.»

O bispo Joseph Pepe, de Las Vegas, relembrou aos peregrinos, na missa da quarta-feira na Igreja de São Bento, sobre a grande dignidade e responsabilidade que vem com o batismo, dizendo que os jovens devem ser presença de Cristo no mundo.

«Alguns tentaram trazer a paz para o mundo sem Jesus, mas isso é impossível – disse o bispo Pepe em sua homilia. Cristo deve ser o centro de suas vidas.»

Churrasco

A faculdade dos Cavaleiros de Colombo promoveu um churrasco de centenas de salsichas para um número estimado de 1.500 jovens que lotaram o jardim doLove and Life Site depois da conclusão da missa.

Mais peregrinos chegaram para ouvir o músico católico Matt Maher.

Durante o dia todo, os peregrinos foram convidados a visitar a capela para participar da adoração eucarística, e o sacramento da reconciliação estava à disposição. Outras oportunidades para oração incluíam a liturgia das horas e um terço internacional, liderado pelo colégio dos cavaleiros, em cinco línguas.

À tarde e à noite, palestrantes falaram em várias audiências nas salas da universidade e no auditório sobre a teologia do corpo e outros tópicos relacionados à dignidade da vida e do amor humano.

Homilia na missa inaugural da JMJ

Presidida pelo cardeal George Pell, arcebispo de Sydney

SYDNEY, terça-feira, 15 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos a homilia que o cardeal George Pell, arcebispo de Sydney, pronunciou durante a celebração eucarística de inauguração da Jornada Mundial da Juventude, que ele presidiu essa terça-feira.

Todos nós sabemos que Cristo Nosso Senhor é freqüentemente descrito como O Bom Pastor do salmo responsorial de hoje.  Nós dizemos que Ele nos leva a águas refrescantes, reanima nossos espíritos cansados, e nos leva a descansar em paz. Ao descrever esta imagem, em certa ocasião, Jesus explicou que um pastor estava preparado a abandonar as 99 ovelhas para buscar uma que estava perdida.

Poucos países hoje possuem pastores que cuidam de apenas 20 ou 30 ovelhas, e na Austrália, com grandes fazendas e enormes rebanhos, Nosso Senhor nos adverte que isto não é nada prático.  Jesus dizia que tanto Ele quanto Seu Pai não são assim, porque Ele conhece cada uma de Suas ovelhas e como um bom pai Ele vai em busca daqueles que Ele ama, particularmente se este filho estiver doente, com problemas, ou incapaz de ajudar a si mesmo.

Mais cedo, nesta Missa, nós os acolhemos nesta semana da JMJ, e eu repito que todos são bem vindos. Mas eu não inicio com 99 boas ovelhas, que se encontrão preparadas para se abrir ao Espírito Santo, talvez já estejam prontas para testemunhar o amor e a fé. Eu inicio acolhendo e encorajando a cada um, onde quer que ele ou ela se encontre perdido, em profunda aflição, com a esperança diminuída ou mesmo esgotada.

Jovem ou velho, mulher ou homem, Cristo ainda chama aqueles que sofrem para repousarem Nele, como tem feito há dois mil anos. As causas de seu sofrimento se tornam secundárias, sejam elas as drogas ou o álcool, rompimentos familiares, luxúrias da carne, solidão ou a morte. Talvez até mesmo o vazio do sucesso.

O chamado de Cristo é para todos os que sofrem, não só para os católicos ou os outros cristãos, mas especialmente para aqueles que não possuem religião. Cristo te chama de volta a casa, ao amor, à cura e a vida em comunidade.

A nossa primeira leitura de hoje é a do Livro de Ezequiel, que com Isaías e Jeremias, é um dos três maiores profetas judeus. Muitos lugares da Austrália ainda estão na seca, logo todos os australianos entendem o que é uma planície coberta de ossos secos e esqueletos. Mas esta visão deprimente é ofertada antes de tudo, para todos aqueles que ainda se sentem tentados a dizer “nossa esperança acabou, nós valemos tanto quanto estes mortos”.

Esta visão da planície coberta de ossos, a mais espetacular em toda a Bíblia, foi dada quando a mão de Deus se estendeu até Ezequiel enquanto os judeus estavam em cativeiro da Babilônia, provavelmente bem antes do século VI a. C. Por aproximadamente 150 Anos, o poder político do povo judeu entrou em declínio, antes de tudo, nas mãos dos assírios. Mais tarde, no ano de 587 a.C., veio a catastrófica derrota final e sua migração para o exílio. O povo judeu estava em desespero, incapaz de mudar esta situação.

Este é o contexto histórico da dramática visão de Ezequiel onde os mortos estavam verdadeiramente mortos, ossos dessecados pelos pássaros que havia terminado seu tenebroso trabalho de devorar toda a carne. Este foi um imenso campo de batalha dos que não foram enterrados.

Um hesitante e relutante Ezequiel foi convencido por Deus a profetizar sobres estes ossos e como Ele fez então com que os ossos se reunissem sob barulho ensurdecedor, seguido de um tremor de terra. Outra etapa se fez necessária e o sopro do Espírito veio dos quatro cantos do mundo e penetrou sobre os corpos: “Retornando à vida, eles se levantaram sobre seus pés: um grande, um imenso exército.”

Enquanto nós enxergamos esta visão como uma prefiguração da ressurreição dos mortos, os judeus da época de Ezequiel não acreditaram em uma concepção de vida eterna. Para eles, o imenso exército ressuscitado representava todo o povo judeu, aqueles vindos do reino do norte que tomaram a Assíria, os de sua terra e os da Babilônia. Eles teriam sido reconstituídos como um povo em sua própria terra e eles sabiam que somente um único e verdadeiro Deus poderia realizar isto. E que todos vieram de passagem.

Através dos séculos, nós Cristãos temos usado liturgicamente esta passagem na Páscoa, especialmente para o batismo dos catecúmenos na noite do Sábado de Aleluia e isto é, obviamente, o poder regenerativo de um Deus único e verdadeiro para esta vida e a eternidade. A sabedoria secular diz que os leopardos não mudam de pele, mas nós Cristãos acreditamos que no Poder do Espírito que converte e modifica as pessoas do mal para o bem, do medo e incerteza para a fé e esperança. Confiantes e tocados pela visão de Ezequiel, porque conhecemos o poder do perdão de Deus, a capacidade de Cristo e da tradição católica de causar o florescer de uma nova vida mesmo nas piores circunstâncias. O mesmo poder vislumbrado na visão de Ezequiel é ofertado a nós hoje, a todos nós, sem exceção. Vocês, jovens peregrinos, podem olhar para o futuro estendido diante de vocês, tão rico em promessas. A Parábola do Semeador e o que foi visto nos recorda a grande oportunidade de abraçar a sua vocação e produzir uma abundante colheita, com frutos a cem por um.

Matheus, Marcos e Lucas, todos colocaram a história do semeador em suas coletâneas das Parábolas de Jesus. Ela explica algumas verdades fundamentais sobre os desafios dos discípulos de Cristo e lista as alternativas para uma frutífera vida em Cristo. A fidelidade não é automática e nem inevitável.

Um detalhe torna a parábola mais plausível, porque parece que os judeus no tempo de Nosso Senhor lançaram a semente ao solo e depois o araram, explicando um pouco melhor a semente sendo lançada tanto em terras infrutíferas quanto em terras boas.

Estaremos nós entre aqueles cuja fé foi tomada pelo demônio, como Nosso Senhor explica na imagem dos pássaros do céu comendo a semente? Nenhum daqueles estaria nesta missa. Alguns podem estar como a semente no pedregulho que não puderam criar raízes. Aqui nesta segunda categoria, estão aqueles que se esforçam para retomar a vida espiritual, ou estão ao menos analisando a possibilidade de fazê-lo. Mas, muitos dentre

nós estamos na terceira ou quarta categorias, onde a semente foi lançada em solos férteis e está crescendo e florescendo; ou estamos correndo o risco de sermos desviados pelas preocupações da vida. Todos nós, incluindo aqueles que não são tão jovens, temos que rezar por sabedoria e perseverança.

Eu não tenho nenhum problema em acreditar que Nosso Senhor explicou o significado desta parábola para os seus seguidores mais próximos e que Ele tenha pedido a eles que também a explicassem regularmente. Mas os questionamentos dos discípulos provocaram uma desconcertante resposta, quando Nosso Senhor divide seus ouvintes em dois grupos; aqueles para os quais os mistérios do reino são revelados e outros entre aqueles para os quais as parábolas significam somente parábolas. Este segundo grupo é descrito pelo profeta Isaías como aqueles que “que têm olhos para ver e não vêem nada, ouvidos para escutar, a nada ouvem”. Provavelmente o espanto dos discípulos de Nosso Senhor se dá pelo grande número daqueles que não aceitam este ensinamento.

Por que isto ainda acontece? O que devemos fazer para estar entre aqueles para os quais os mistérios do Reino são revelados? O chamado do Deus único e verdadeiro parece misterioso, especialmente nos dias de hoje em que muitas pessoas boas acham difícil acreditar. Mesmo nos tempos dos profetas, muitos dos seus ouvintes pareciam surdos e cegos, enquanto algumas eras admiraram a beleza da doutrina de Cristo, mas nunca se mobilizaram a responder a este chamado. Nossa tarefa é estarmos abertos ao Poder do Espírito, e permitirmos que o Deus do inesperado aja através de nós. A motivação humana é complexa e misteriosa, porque algumas vezes os muito católicos, e outros muito cristãos, podem estar sempre em oração e praticando o bem, mas ainda que muito determinados não conseguem dar um passo adiante. Por outro lado, muitos seguidores de Cristo podem ser menos zelosos e crentes, mas abertos ao desenvolvimento, a mudar para melhor porque reconhecem seu desmerecimento e sua ignorância. Onde vocês se encaixam? Qualquer que seja nossa situação devemos rezar por uma abertura de coração, por estarmos dispostos a dar o próximo passo, ainda que tenhamos medo de nos arriscar demais. Se tomarmos a mãos de Deus, Ele fará o resto. Confiança é a chave. Deus não falhará conosco.  Como devemos agir para evitar escorregar da última e melhor categoria dos que frutificam a semente para a daqueles que “sufocados pelos cuidados, pelas riquezas e pelos prazeres da vida, não dão frutos”?

A segunda leitura, da Carta de São Paulo aos Gálatas, nos aponta a direção certa, nos mostrando a todos nós que cada pessoa deve se posicionar na velha batalha entre o bem e o mal, entre o que Paulo chama de Carne e Espírito. Não é suficiente estar apenas de passagem, tentando viver “em cima do muro” entre os dois lados. A vida nos força a escolher, e eventualmente destrói qualquer possibilidade de neutralidade.  Colheremos bons frutos ao aprender a mensagem da Cruz e gravá-la em nossos corações.  A mensagem da Cruz nos traz os frutos do Espírito listados por Paulo, nos habilita a viver a paz e a alegria, a sermos sempre gentis e generosos com os outros. Seguir Jesus não tem custo zero, e nem sempre é fácil, porque requer resistir contra o que Paulo chama de “Carne”, o nosso contínuo ego inflamado, o velho egoísmo. Esta é sempre uma batalha, até mesmo para pessoas velhas como eu!

Não desperdicem suas vidas sentados no muro, mantendo suas opções em aberto, porque só o comprometimento leva à satisfação. A felicidade vem do cumprimento de nossas obrigações, de fazer a nossa parte, especialmente em pequenas e cotidianas questões, e então nos ergueremos para enfrentar maiores desafios. Muitos encontraram seu chamado para a vida nas Jornadas Mundiais da Juventude.  Ser um discípulo de Jesus requer disciplina, principalmente autodisciplina; o que Paulo chama de autocontrole. A prática do autocontrole não o tornará perfeito, mas o autocontrole é necessário para desenvolver e proteger o amor em nossos corações e preservar os outros, especialmente nossas famílias e amigos, de serem magoados por nossos lapsos de maus tratos ou preguiça. Eu rezo para que através do poder do Espírito todos vocês possam integrar o imenso exército de santos, curados e renascidos, que foram revelados a Ezequiel, que enriqueceram a história humana por incontáveis gerações e que foram compensados com a vida eterna nos céus. Deixem-me concluir adaptando um dos mais poderosos sermões de Santo Agostinho, o melhor teólogo do primeiro milênio e bispo na pequena cidade Norte Africana de Hippo a cerca de 1600 anos atrás. Eu espero que nos próximos 5 dias de oração e celebração em que seus espíritos se elevarão, como o meu sempre faz, na empolgação desta Jornada Mundial da Juventude, permita Deus que estejamos todos contentes por participar, apesar do custo, da trabalheira e das distâncias percorridas. Durante esta semana temos tudo para nos regozijar e celebrar a libertação de nossos arrependimentos, e revigorar a nossa fé. Somos chamados a abrir nossos corações ao poder do Espírito. E aos mais jovens, eu os advirto para que em seu entusiasmo e excitação não se esqueçam de escutar a Palavra e rezar!

Muitos de vocês viajaram por um caminho tão longo que de fato acreditam ter chegado aos confins do mundo! Que bom então, porque Nosso Senhor disse aos primeiros apóstolos que eles seriam Suas testemunhas em Jerusalém e nos confins do mundo! Esta profecia foi cumprida no testemunho de muitos missionários deste vasto continente do sul, e é cumprida novamente em nossa presença aqui.

Mas estes dias passarão muito rapidamente e na próxima semana devemos retornar a terra. Por um tempo, alguns de vocês irão encontrar o mundo real de casa e paróquia, trabalho e estudo, apertos e decepções.  Breve, muito em breve, todos vocês estarão indo embora. Por um breve período, nós agora estamos aqui em Sidnei no centro do mundo Católico, mas na próxima semana, o Santo Papa retornará a Roma, nós cidadãos de Sidney retornaremos às nossas paróquias, enquanto vocês peregrinos visitantes, retornarão às suas casas, em lugares próximos ou distantes. Em outras palavras, durante a próxima semana, nós nos separaremos. Mas após participar destes dias felizes, permitam que nunca nos separemos de nosso amor por Deus e Seu Filho Jesus Cristo. E que, Maria, Mãe de Deus, a quem invocamos nesta JMJ como a Nossa Senhora da Cruz do Sul possa nos orientar nesta decisão.

Então eu rezo. Venha, venha ó Sopro de Deus, dos quatro ventos, de todas as nações e povos da terra e abençoe nossa Grande Terra do Sul do Espírito Santo. Fortaleça-nos para que possamos ser outro grande e imenso exército de humildes servos e fiéis testemunhas.

E rezamos a Deus Nosso Pai, em nome de Cristo Vosso Filho. Amém.

Cardeal George Pell

Arcebispo de Sidney

Momentos de catequese apresentam Jesus próximo

Um diácono convida os jovens a não esquecerem que são peregrinos

SYDNEY, quarta-feira, 16 de julho de 2008 (ZENIT.org).- A Jornada Mundial da Juventude oferece tanta festividade, que é fácil deixar-se capturar pelo glamour e esquecer que é uma peregrinação, explica um diácono que dirigiu um momento de catequese nesta quarta-feira.

As sessões de catequese fazem parte da experiência deste encontro juvenil. Geralmente consistem em ensinamentos de pastores, diálogo e celebração da missa. A primeira das sessões de catequese começou ontem, em vários lugares de Sydney. O diácono Daniel Strickland participou de uma das sessões mais vivas, que aconteceu no Hyde Park.

Os Missionários do Amor de Deus guiaram os peregrinos na oração e na adoração. O diácono Strickland convidou os reunidos a responderem com profundidade, não só emoção.

Jennifer Abel (17 anos) de Perth, disse que a experiência de oração e adoração esteve cheia de força: «É maravilhoso fazer parte de tal multidão. Experimentar Jesus através da adoração com tanta gente me faz sentir realmente perto d’Ele».

Os Missionários do Amor de Deus estão reunindo seguidores na Austrália, com sua presença na Jornada Mundial da Juventude, que atrai grandes multidões. Animam uma das associações religiosas com o mais rápido crescimento na Austrália.

O grupo começou em 1986, quando alguns homens da Comunidade carismática de Discípulos de Jesus sentiu o chamado ao sacerdócio, ainda que quisessem continuar fazendo parte da comunidade.

Combinaram de rezar semanalmente diante do Santíssimo Sacramento durante um ano para descobrir a guia de Deus; no final do ano, começaram uma vida em comum, dedicada a viver o Evangelho radicalmente, imitando Jesus em sua pobreza, edificando uma vida de oração em comum.

Seu trabalho apostólico se centra nos marginalizados das sociedades. Tem uma conexão especial com a população indígena da Austrália, com missões em Darwin e no Território do Norte, e também com jovens, mediante visitas escolares, grupos juvenis e acampamentos de verão.

O Pe. Ken Barker, o fundador, explica que seus votos os ajudam a dedicar-se «à pregação da boa notícia de Jesus para a salvação de todos os homens e mulheres».

«Nós desejamos levar as pessoas a uma relação pessoal com Cristo, e a experimentar uma nova efusão do Espírito Santo em suas vidas – acrescenta. A chave da Jornada Mundial da Juventude pode ser encontrada no tema da semana, nestas palavras dos Atos dos Apóstolos (1,8), ‘Recebei a força’, pois sabemos que o Espírito Santo transformará o coração de quem participa destes dias.»

Para mais informação sobre os Missionários do Amor de Deus: www.mglvocation.org/index.php

Igreja atesta para os jovens a força do Espírito de Deus

Destaca arcebispo brasileiro no contexto da JMJ

JUIZ DE FORA, terça-feira, 16 de julho de 2008 (ZENIT.org).- O arcebispo de Juiz de Fora (Brasil), Dom Eurico dos Santos Veloso, considera que, com a Jornada Mundial da Juventude de Sydney, a Igreja atesta para os jovens a força do Espírito de Deus.

Em mensagem remetida a Zenit no contexto da JMJ, o arcebispo recorda que Bento XVI traçou como fio condutor do evento a reflexão sobre o Espírito Santo e a missão.

«A juventude é, por natureza, a idade da expansão. É quando a consciência desperta para a potencialidade do homem e da mulher para transformar o mundo», afirma.

De acordo com Dom Eurico, o jovem «não se conforma com a mediocridade e com o “status quo”, com uma situação estática, parada, que lhe é apresentada como imutável. Tem ânsia de crescer, de transformar».

«A evangelização dos jovens assume, portanto, importância fundamental na busca de uma sociedade mais justa, na verdade e no amor», considera.

«Eles projetam a mensagem evangélica para o futuro. Têm coragem de enfrentar os obstáculos. São dispostos ao heroísmo.»

Dom Eurico destaca que, quando o navegador português Fernando Quiros, em nome da Espanha, aportou em 1606 na Austrália, denominou-a Terra Austral do Espírito Santo.

«No texto preparado para a liturgia da missa para a Jornada, o Santo Padre faz menção do acontecimento e ainda de que, antes, nas brumas do paganismo, os aborígenes tinham em estima os valores espirituais da vida: a terra e as águas eram sagradas, formada pelo Poder do Grande Espírito.»

«Realizando naquelas regiões o XXIII Encontro da Jornada da Juventude, a Igreja atesta para os jovens a força do Espírito de Deus, que no princípio pairava sobre as águas e no Dia de Pentecostes renovou a face da terra», afirma

De acordo com o arcebispo de Juiz de Fora, ainda na acolhida da missa que será rezada na Jornada, o Santo Padre, lembrando o passado da evangelização, diante da secularização moderna, «conclama a juventude a ser transformadora do mundo».

«A modernização, a tecnologia e o desenvolvimento são valores que não podem se divorciar da fé, sob pena de conduzir a humanidade à desgraça.»

«São valores reais que não podem perder sua conotação com o Evangelho, onde encontram suas raízes», afirma.

Segundo Dom Eurico, ao cristão, «sobretudo aos jovens, cabe mostrar a riqueza do Espírito que neles se contém».

BENTO XVI: ENCONTRO COM JOVENS EM SYDNEY, «UM NOVO PENTECOSTES»

Pede aos católicos de todo o mundo que se unam «espiritualmente» à JMJ

CASTEL GANDOLFO, domingo, 6 de julho de 2008 (ZENIT.org).- A próxima Jornada Mundial da Juventude será para toda a Igreja «como um renovado Pentecostes», afirmou hoje o Papa Bento XVI, em sua alocução anterior à oração do Angelus, com os peregrinos reunidos no Pátio interior do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo.
O Papa insistiu em várias ocasiões, antes e depois do Angelus, na importância de que os católicos de todo o mundo se «unam espiritualmente» à JMJ.
«Convido toda a Igreja a sentir-se participante desta nova etapa da grande peregrinação dos jovens através do mundo, iniciada em 1985 pelo Servo de Deus João Paulo II», exortou.
«Estou seguro de que desde todos os extremos da terra os católicos se unirão a mim e aos jovens reunidos, como em um Cenáculo, em Sydney, invocando intensamente o Espírito Santo, para que inunde os corações de luz interior, de amor a Deus e aos irmãos, de valente iniciativa para introduzir a eterna mensagem de Jesus na diversidade de línguas e culturas», acrescentou em outro momento.
Inclusive, nas saudações em diferentes línguas, ao final do encontro, voltou a insistir aos peregrinos na importância desta «participação espiritual» de toda a Igreja em Sydney.
O Papa se referiu ao lema do encontro, «Recebereis a força do Espírito Santo que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas», sobre o que «já há um ano as comunidades cristãs se preparam» para o grande encontro na Austrália.
«É a promessa que Jesus fez a seus discípulos depois da ressurreição, e que permanece sempre válida e atual na Igreja: o Espírito Santo, esperado e acolhido na oração, infunde nos fiéis a capacidade de ser testemunhas de Jesus e de seu Evangelho».
«Soprando na vela da Igreja, o Espírito divino impulsiona a «remar mar adentro» sempre de novo, de geração em geração, para levar a todos a boa notícia do amor de Deus, revelado plenamente em Cristo Jesus, morto e ressuscitado por nós», acrescentou o Papa.
Bento XVI assegurou que seu pensamento «já está na Austrália», e aproveitou o momento para agradecer a todos os que estão contribuindo nos preparativos, especialmente à Conferência Episcopal australiana e às autoridades civis.
Por último, o Papa fez uma breve reflexão sobre dois dos sinais das Jornadas Mundiais, que sempre estão presentes nestas celebrações: a Cruz dos jovens e o ícone da Virgem.
«Nos meses passados, a “Cruz dos jovens” atravessou toda Oceania, e em Sydney uma vez mais será testemunha silenciosa do pacto de aliança entre o Senhor Jesus Cristo e as novas gerações».
Junto à Cruz, acrescentou o Papa, o «ícone da Virgem Maria acompanha as Jornadas Mundiais da Juventude. A sua maternal proteção confiamos esta viagem à Austrália e o encontro dos jovens em Sydney».

Por Inmaculada Álvarez

PAPA CONVIDA IGREJA A «SENTIR-SE PARTICIPANTE» DA JMJ DE SYDNEY

Durante a oração do Angelus

CASTEL GANDOLFO, domingo, 6 de julho de 2008 (ZENIT.org).- Oferecemos a seguir o discurso que o Papa dirigiu hoje aos peregrinos congregados no Pátio interior do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo para a oração do Angelus:
Queridos irmãos e irmãs,
Quero antes de tudo dirigir uma afetuosa e grata saudação às autoridades e à inteira comunidade civil e eclesial de Castel Gandolfo, que me reservam sempre durante minha estadia, uma cordial e atenta acolhida. Meu pensamento vai já à Austrália para onde, se Deus quiser, viajarei no próximo sábado, 12 de julho. Em Sydney, de fato, no sudeste deste país acontecerá a XXIII Jornada Mundial da Juventude. Nos meses passados, a «Cruz dos jovens» atravessou toda Oceania, e em Sydney uma vez mais será testemunha silenciosa do pacto de aliança entre o Senhor Jesus Cristo e as novas gerações. Em 15 de julho está prevista a festa de acolhida dos jovens, no sábado 19 acontecerá a grande vigília e no domingo 20 a Celebração eucarística, momento culminante e conclusivo do acontecimento. A Conferência Episcopal Australiana predispôs com cuidado cada coisa, em todo momento sustentada pela colaboração das autoridades civis. Os primeiros grupos de rapazes e moças já estão partindo desde outros continentes para a Austrália. Convido toda a Igreja a sentir-se participante desta nova etapa da grande peregrinação dos jovens através do mundo, iniciada em 1985 pelo Servo de Deus João Paulo II.
A próxima Jornada Mundial da Juventude se anuncia como um renovado Pentecostes: com efeito, já há um ano as comunidades cristãs se preparam seguindo o caminho que indiquei na Mensagem com o lema «Recebereis a força do Espírito Santo que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas» (Atos 1, 8). É a promessa que Jesus fez a seus discípulos depois da ressurreição, e que permanece sempre válida e atual na Igreja: o Espírito Santo, esperado e acolhido na oração, infunde nos crentes a capacidade de ser testemunhas de Jesus e de seu Evangelho. Soprando na vela da Igreja, o Espírito divino impulsiona a boa notícia do amor de Deus, revelado plenamente em Cristo Jesus, morto e ressuscitado por nós. Estou seguro de que desde todos os extremos da terra os católicos se unirão a mim e aos jovens reunidos, como em um Cenáculo, em Sydney invocando intensamente o Espírito Santo, para que inunde os corações de luz interior, de amor a Deus e aos irmãos, de valente iniciativa para introduzir a eterna mensagem de Jesus na diversidade de línguas e culturas.
Junto à Cruz, o ícone da Virgem Maria acompanha as Jornadas Mundiais da Juventude. A sua maternal proteção confiamos esta viagem à Austrália e o encontro dos jovens em Sydney. Também neste primeiro domingo de julho desejo invocar a intercessão de Maria, a fim de que o período veraneio possa oferecer para todos ocasião de um tempo de repouso e de recarga física e espiritual.
(Depois do Angelus)
Amanhã, 7 de julho, os Chefes de Estado dos países membros do G8, junto com outros líderes do mundo, se reunirão no Japão para sua reunião anual. Nestes dias se elevaram numerosas vozes – entre elas as dos presidentes das Conferências Episcopais das nações citadas – para pedir que se realizem as tarefas assumidas nas precedentes reuniões do G8 e se adotem valentemente todas as medidas necessárias para vencer o flagelo da pobreza extrema, da fome, das enfermidades, do analfabetismo, que aflige ainda grande parte da humanidade. Uno-me também a este grave apelo à solidariedade! Me dirijo portanto aos participantes no encontro de Hokkaiado-Toyako, para que no centro de suas deliberações ponham as necessidades das populações mais frágeis e mais pobres, cuja vulnerabilidade cresceu por causa das especulações e das turbulências financeiras e de seus efeitos perversos sobre os preços dos alimentos e da energia. Auguro que a generosidade e a longanimidade ajudem a tomar decisões de face a relançar um processo eqüitativo de desenvolvimento integral, para salvaguardar a dignidade humana.
Saúdo com afeto as crianças e seus acompanhantes que participam do «Festival Internacional das Crianças Artistas 2008», organizado pela «Soong Ching Ling Foundation of Italy». Amor, concórdia, harmonia e solidariedade são os valores que vós quereis promover na China e nos demais países do mundo. A arte e a cultura podem unir os povos: as crianças representam o futuro da família humana e são, portanto, chamadas a construir um mundo mais belo e mais humno. Vossa presença me permite enviar um desejo de paz e alegria a todos vossos irmãos na China e no mundo.

Cardeal Pell dá início à JMJ 2008

Bento XVI envia mensagem de texto aos peregrinos

Por Anthony Barich / Catherine Smibert

SYDNEY, terça-feira, 15 de julho de 2008 (ZENIT.org).- O cardeal George Pell deu uma mensagem de boas-vindas e de esperança a uma multidão cheia de energia, unida para a missa de abertura da JMJ.

Antes do início da missa hoje, os 150 mil jovens foram acolhidos pelo clima quente de Sydney. E receberam uma mensagem de texto de ninguém menos que Bento XVI.

A mensagem do Papa dizia: «Jovens amigos, Deus e seu povo esperam muito de vocês, porque vocês têm o dom supremo do Pai: o Espírito de Jesus - BXVI».

Depois de uma procissão de 168 bandeiras e a entrada da cruz e do ícone da JMJ, o cardeal Pell deu as boas-vindas aos peregrinos em quatro línguas.

Sua saudação foi recíproca, com um grande aplauso, e acompanhada por cantos e coreografias semelhantes àquelas usadas para as recepções papais. O cardeal Pell estava acompanhado por 26 cardeais, 400 bispos, um coro de 300 jovens e uma orquestra de 80 integrantes. Ele disse aos membros da imprensa no início desta semana que esperava ansiosamente por celebrar a maior missa de sua vida.

Durante o entardecer na bela paisagem de Sydney, o cardeal Pell usou a primeira leitura de Ezequiel sobre o vale dos ossos secos para ilustrar a promessa de esperança.

De um palco construído com madeira australiana, o arcebispo de Sydney falou aos jovens sobre a imagem da morte apresentada por Ezequiel: os pássaros que devoram os corpos em um «imenso campo de batalha de pessoas sem enterrar».

Ezequiel, explicou, foi chamado por Deus para profetizar sobre esses ossos. Assim que o fez, «um barulho se fez ouvir, em seguida um ruído ensurdecedor, enquanto os ossos vinham se unir aos outros. Prestando atenção, viu que se formavam sobre eles músculos, que nascia neles carne e que uma pele os recobria». Então Deus soprou-lhes a vida e «um grande, um imenso exército» se levantou.

As surpresas de Deus

O cardeal Pell reconheceu que sua mensagem não se dirigia propriamente àqueles que já estão firmes na fé, mas que buscava «dar as boas-vindas e alentar todos, a quem se considera perdido, submergido no desespero, ou esgotado».

«As causas das feridas são secundárias: drogas, álcool, crises familiares, luxúria da carne, solidão ou morte. E talvez até o vazio do êxito», assegurou.

«O chamado de Cristo é para todos os que sofrem, não só para os católicos ou pessoas de outras religiões, mas especialmente para os que não pertencem a nenhuma religião.»

«Cristo lhes está chamando para regressar a casa, a viver o amor, a reconciliação e a comunhão», assegurou.

«Nós, cristãos, cremos no poder do Espírito para converter e mudar as pessoas do mal ao bem, do medo e da incerteza à fé e à esperança», acrescentou.

«Nossa tarefa consiste em estar abertos ao poder do Espírito para permitir que o Deus das surpresas possa atuar através de nós», assegurou.

«Independentemente de qual for a nossa situação, temos de rezar para ter um coração aberto, para ter a vontade de dar o seguinte passo, ainda que tenhamos medo de ir longe demais.»

«Se seguramos a mão de Deus, Ele fará o resto. A confiança é o segredo. Deus não falhará.»

Depois, comentando a segunda leitura, tomada da Carta de São Paulo aos Gálatas, o cardeal Pell convidou os jovens «a não ficarem sentados detrás da barreira, a deixar suas opções abertas, pois só o compromisso traz a realização».

Ser discípulo de Jesus exige disciplina, acrescentou, reconhecendo que ainda que «o autocontrole não o tornará perfeito – pelo menos não é meu caso –, é necessário para desenvolver e proteger o amor em nossos corações e para prevenir que outras pessoas, em especial nossa família e amigos, fiquem feridas por nossas quedas na sujeira e na acídia».

Novo espírito

O bispo auxiliar do cardeal Pell, Dom Anthony Fisher, encarregado pela organização da Jornada Mundial da Juventude, considera que esta homilia é particularmente forte para a Austrália.

O bispo reconheceu que uma interpretação literária de Ezequiel se aplica muito bem a um país que sofre seca há dez anos, como a Austrália. Mas a mensagem fala mais de um «povo em decadência».

«A promessa que Cristo faz de vida nova é para nossa cultura, nosso país, para os países dos quais os peregrinos procedem, para todos os que estão sofrendo e para os jovens que experimentam as drogas», afirma o prelado.

Esta é a mensagem que a Jornada Mundial da Juventude deixa: Cristo é a autêntica esperança.

«Quando alguém se sente como ossos secos, deve sentir a esperança de um novo Espírito, de uma nova vida», conclui.

Papa na França - 2008

Coletiva de imprensa de Bento XVI no avião rumo a Paris
Quatro perguntas e quatro respostas aos jornalistas

PARIS, sexta-feira, 12 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos as 4 perguntas que os jornalistas apresentaram e as respostas de Bento XVI durante a coletiva de imprensa que Bento XVI concedeu no avião que o conduzia a Paris. O encontro durou cerca de 10 minutos.
– «França, és fiel às promessas do teu batismo?», perguntou João Paulo II em 1980, durante sua primeira viagem ao país. Hoje, qual será sua mensagem aos franceses? O senhor acha que, por causa da laicidade, a França está perdendo sua identidade cristã?

– Bento XVI: Parece-me evidente hoje que a laicidade não está em contradição com a fé. Eu diria inclusive que é um fruto da fé, pois a fé cristã era, desde o início, uma religião universal, portanto, não se identificava com um Estado e estava presente em todos os Estados. Para os cristãos, sempre estava claro que a religião e a fé não eram políticas, mas que faziam parte de outra esfera da vida humana… A política, o Estado, não eram uma religião, mas uma realidade profana com uma missão específica e as duas deviam estar abertas mutuamente. Neste sentido, eu diria hoje que para os franceses, e não só para os franceses, mas também para nós, cristãos de hoje neste mundo secularizado, é importante viver com alegria a liberdade de nossa fé, viver a beleza da fé, e mostrar ao mundo de hoje que é belo ser crente, que é belo conhecer Deus, Deus com um rosto humano em Jesus Cristo, mostrar a possibilidade de ser crente hoje, e inclusive que é necessário para a sociedade de hoje que haja homens que conhecem Deus e que, portanto, possam viver segundo os grandes valores que Ele nos deu e contribuir com a presença de valores que são fundamentais para a construção e sobrevivência de nossos Estados e sociedades.
– O senhor ama a França. O que o une mais particularmente à França? Seus autores?

– Bento XVI: Eu não me atreveria a dizer que conheço bem a França. Eu a conheço um pouco, mas amo a França, a grande cultura francesa, sobretudo, claro está, as grandes catedrais, e também a grande arte francesa, a grande teologia que começa com Santo Irineu de Lyon até o século XIII – e eu estudei a universidade de Paris no século XIII: São Boaventura, Santo Tomás de Aquino. Esta teologia foi decisiva para o desenvolvimento da teologia no Ocidente. E, naturalmente, a teologia do século do Concílio Vaticano II. Tive a grande honra e a alegria de ser amigo do Pe. de Lubac, uma das maiores figuras do século passado, mas também tive bons contatos de trabalho com o Pe. Congar, Jean Daniélou e outros. Tive relações pessoais muito boas com Etienne Gilson, Henri-Irénée Maroux. Portanto, tive realmente um contato muito profundo, muito pessoal e enriquecedor com a grande cultura teológica e filosófica da França. Foi realmente decisivo para o desenvolvimento de meu pensamento. Mas também a descoberta do gregoriano original com Solesmes, a grande cultura monástica e, naturalmente, a grande poesia. Sendo um homem barroco, gosto muito de Paul Claudel, com sua alegria de viver, assim como Bernanos e os grandes poetas da França do século passado. É, portanto, uma cultura que determinou realmente, de maneira profunda, meu desenvolvimento pessoal, teológico, filosófico e humano.
– O que o senhor diz àqueles que, na França, têm medo de que o motu proprio Summorum Pontificum constitua um retrocesso com relação às grandes intuições do Concílio Vaticano II?

– Bento XVI: É um medo infundado, pois este «motu proprio» é simplesmente um ato de tolerância, com um objetivo pastoral, para pessoas que foram formadas nesta liturgia, que a amam, que a conhecem e querem viver com esta liturgia. É um pequeno grupo, pois supõe uma formação em latim, uma formação em certa cultura. Mas me parece uma exigência normal da fé e da pastoral para um bispo de nossa Igreja ter amor e tolerância por estas pessoas e permitir-lhes viver com esta liturgia. Não há oposição alguma entre a liturgia renovada pelo Concílio Vaticano II e esta liturgia. Cada dia, os padres conciliares celebraram a missa segundo o rito antigo e, ao mesmo tempo, conceberam um desenvolvimento natural para a liturgia em todo este século, pois a liturgia é uma realidade viva, que se desenvolve e que conserva em seu desenvolvimento sua identidade. Portanto, há certamente acentos diferentes, mas uma identidade fundamental que exclui uma contradição, uma oposição entre a liturgia renovada e a liturgia precedente. Creio que existe uma possibilidade de enriquecimento pelas duas partes. Por um lado, os amigos da liturgia antiga podem e devem conhecer os novos santos, os novos prefácios da liturgia, etc. Por outra parte, a liturgia nova sublinha mais a participação comum, mas não é só a assembléia de uma comunidade particular, e sim, sempre, um ato da Igreja universal, em comunhão com todos os crentes de todos os tempos, um ato de adoração. Neste sentido, parece-me que se dá um enriquecimento recíproco, e está claro que a liturgia renovada é a liturgia cotidiana do nosso tempo.

– O senhor fará uma peregrinação em Lourdes. O que isso representa para o senhor? Já esteve lá antes?
– Bento XVI: Estive em Lourdes por ocasião do congresso eucarístico, em 1981, após o atentado contra o Santo Padre (João Paulo II, N.doT.). E o cardeal Gantin era o delegado do Santo Padre. Para mim, é uma recordação belíssima.

O dia da festa de Santa Bernadete é também o dia de meu nascimento. Por este motivo, eu me sinto muito próximo dessa pequena santa, dessa pequena jovem, pura, humilde, que falou com Nossa Senhora.
Encontrar esta realidade, esta presença de Nossa Senhora em nossa época, ver os passos dessa pequena jovem que era amiga de Nossa Senhora e, por outro lado, encontrar Maria, sua mãe, é por outro lado um acontecimento muito importante para mim. Naturalmente, não vamos para encontrar milagres. Vou para encontrar o amor da Mãe, que é a verdadeira cura para todas as dores e para ser solidário com todos os que sofrem, no amor da Mãe. Este me parece um sinal muito importante para a nossa época.

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri

© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana]

Bento XVI colocará paz no mundo aos pés de Maria em Lourdes
Envia uma mensagem aos franceses antes de sua peregrinação apostólica

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 10 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI confiará a Nossa Senhora de Lourdes as intenções da Igreja, a paz no mundo e a situação dos doentes, na viagem que realizará de 12 a 15 de setembro à França, segundo anunciou hoje.
Ao final da audiência geral desta quarta-feira, o pontífice dirigiu uma mensagem em francês, transmitida por canais de televisão desse país, que ele visitará pela primeira vez como Papa por ocasião do 150º aniversário das aparições de Maria na pequena localidade dos Pirineus.

«Vou como mensageiro de paz e fraternidade», assegurou o Santo Padre, falando em francês, um dos idiomas que ele melhor fala.
Reconheceu que «vosso país não me é desconhecido. Em várias ocasiões tive a alegria de visitá-lo e de apreciar sua generosa tradição de acolhida e de tolerância, assim como a solidez de sua fé cristã e sua elevada cultura humana e espiritual».
O cardeal Joseph Ratzinger é, desde 1992, membro associado estrangeiro da Academia de Ciências Morais e Políticas do Instituto da França.
O Papa estará em 12 e 13 de setembro em Paris, onde será recebido pelo presidente Nicolas Sarkozy, pronunciará dois esperados discursos ao mundo político e da cultura, manterá encontros com representantes religiosos judeus, muçulmanos e de outras confissões, se encontrará com os jovens e presidirá uma missa na Esplanada dos Inválidos.
Depois, como ele mesmo anunciou em sua mensagem, «terei a grande alegria de unir-me à multidão de peregrinos que percorrerão as etapas do caminho do Jubileu, acompanhando Santa Bernadete até a gruta de Massabielle».
Como peregrino, o Papa percorrerá as quatro etapas do «caminho do jubileu», ligadas à vida de Bernadete, testemunha das aparições de Maria, e se unirá à procissão das tochas, típica do santuário.
«Minha oração se intensificará aos pés de Nossa Senhora pelas intenções de toda a Igreja, em particular pelos doentes, pelas pessoas abandonadas, assim como pela paz no mundo», anunciou.

Bento XVI pediu as orações dos crentes para que «esta viagem dê frutos abundantes».

Discurso do Papa às autoridades de Estado no Eliseu
Cerimônia de boas-vindas concedida pelo presidente Sarkozy

PARIS, sexta-feira, 12 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o discurso que Bento XVI pronunciou durante o encontro que teve com as autoridades do Estado no palácio do Eliseu, na manhã de hoje, pouco depois de ter aterrissado em Paris. O Papa tomou a palavra após o discurso de boas-vindas que o presidente Nicolas Sarkozy lhe dirigiu.

Senhoras e senhores, queridos amigos:

Ao pisar o solo francês pela primeira vez desde que a providência me chamou à Sé de Pedro, fiquei emocionado e honrado pela calorosa acolhida que me deram. Estou muito agradecido, Senhor Presidente, pelo cordial convite que me fez para visitar seu país, assim como pelas amáveis palavras de boas-vindas que acaba de dirigir-me.
Como não recordar a visita que Vossa Excelência me fez no Vaticano há 9 meses? Por seu intermédio, saúdo todos os habitantes deste país, com uma história milenar, um presente repleto de acontecimentos e um porvir promissor. Saibam que a França está sempre no coração da oração do Papa, que não pode esquecer o que ela ofereceu à Igreja ao longo dos 20 séculos passados. A primeira razão da minha viagem é a celebração do 150º aniversário das aparições de Nossa Senhora em Lourdes. Desejo unir-me à incontável multidão de peregrinos do mundo inteiro que chegam ao longo deste ano ao santuário mariano, animados pela fé e pelo amor. É uma fé e um amor que desejo celebrar em seu país, durante os quatro dias de graça que poderei passar aqui.

Minha peregrinação a Lourdes devia passar por Paris. Sua capital me é familiar e a conheço bastante. Com freqüência estive aqui, ao longo dos anos, por causa de meus estudos e responsabilidades anteriores, fiz boas amizades humanas e intelectuais. Volto com alegria, feliz pela oportunidade que me é apresentada de homenagear o imponente patrimônio de cultura e de fé que seu país forjou de maneira esplêndida durante séculos e que deu ao mundo grandes figuras de servidores da Nação e da Igreja, cujo magistério e exemplo transpassaram vossas fronteiras geográficas e nacionais para deixar sua marca no mundo. Durante sua visita a Roma, Senhor Presidente, o senhor recordou que as raízes da França, como as da Europa, são cristãs. Basta a história para demonstrá-lo: desde suas origens, seu país recebeu a mensagem do Evangelho. Ainda que às vezes careçamos de documentação, consta fidedignamente a existência de comunidades cristãs nas Gálias desde uma data muito distante: como não recordar que a cidade de Lyon já tinha bispo em meados do século II e que Santo Irineu, autor de Adversus haereses, deu um testemunho eloqüente do robusto pensamento cristão! Pois bem, Santo Irineu veio de Esmirna para pregar a fé em Cristo ressuscitado. Lyon tinha um bispo cuja língua materna era o grego: que sinal tão maravilhoso da natureza e destino universais da mensagem cristã! Implantada em época antiga em vosso país, a Igreja desempenhou um papel civilizador que me é grato ressaltar neste lugar. O senhor mesmo fez alusão a ele em seu discurso no Palácio de Latrão, no mês de dezembro passado. Transmissão da cultura antiga através de monges, professores e amanuenses, formação do coração e do espírito no amor ao pobre, ajuda aos mais desamparados mediante a fundação de numerosas congregações religiosas, a contribuição dos cristãos à organização de instituições das Gálias, posteriormente da França, é sabida mais que de sobra para não ter de recordá-lo.

As milhares de capelas, igrejas, abadias e catedrais que adornam o coração de vossas cidades ou a solidão de vossas terras são sinal eloqüente de como vossos pais na fé quiseram honrar Aquele que lhes havia dado a vida e que nos mantém na existência.
Numerosas pessoas, também aqui na França, pararam para refletir acerca das relações da Igreja com o Estado. Certamente, em torno das relações entre o campo político e o campo religioso, Cristo já ofereceu o critério para encontrar uma justa solução a este problema ao responder a uma pergunta que lhe fizeram afirmando: «Dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus» (Mc 12, 17). A Igreja na França goza atualmente de um regime de liberdade. A desconfiança do passado se transformou paulatinamente em um diálogo sereno e positivo, que se consolida cada vez mais. Um instrumento novo de diálogo existe desde 2002, e tenho grande confiança em seu trabalho porque a boa vontade é recíproca.

Sabemos que ainda restam certos temas de diálogo que é necessário enfrentar e afinar pouco a pouco, com determinação e paciência. Por outro lado, o senhor utilizou a expressão «laicidade positiva» para designar esta compreensão mais aberta. Neste momento histórico no qual as culturas se entrecruzam cada vez mais, estou profundamente convencido de que uma nova reflexão sobre o significado autêntico e sobre a importância da laicidade é cada vez mais necessária. Com efeito, é fundamental, por uma parte, insistir na distinção entre o âmbito político e o religioso para tutelar tanto a liberdade religiosa dos cidadãos como a responsabilidade do Estado para com eles e, por outra parte, adquirir uma mais clara consciência das funções insubstituíveis da religião para a formação das consciências e da contribuição que ela pode oferecer, junto a outras instâncias, para a criação de um consenso ético de fundo na sociedade.
O Papa, testemunha de um Deus que ama e salva, esforça-se por ser semeador de caridade e esperança. Toda sociedade humana tem necessidade de esperança, e esta necessidade é ainda mais forte no mundo de hoje, que oferece poucas aspirações espirituais e poucas certezas materiais.

Os jovens são minha maior preocupação. Alguns deles têm dificuldade em encontrar uma orientação que lhes convenha ou sofrem uma perda de referência em sua vida familiar. Outros experimentam ainda os limites de um pluralismo religioso que os condiciona. Às vezes marginalizados e com freqüência abandonados a si mesmos, são frágeis e têm de enfrentar sozinhos uma realidade que os supera. É preciso, então, oferecer-lhes um bom marco educativo e animá-los a respeitar e ajudar os outros, para que cheguem serenamente à idade da responsabilidade. A Igreja pode oferecer neste campo uma contribuição específica. A situação social do ocidente, infelizmente marcada por um avanço da distância entre ricos e pobres, também me preocupa. Estou certo de que é possível encontrar soluções justas que, ultrapassando a imediata ajuda necessária, vão ao encontro dos problemas, para proteger os frágeis e fomentar sua dignidade. Através de numerosas instituições e atividades, a Igreja, como numerosas associações em vosso país, procura com freqüência remediar o imediato, mas é ao Estado que compete legislar para erradicar as injustiças. Em um contexto muito mais amplo, Senhor Presidente, preocupa-me igualmente o estado de nosso planeta. Com grande generosidade, Deus nos confiou o mundo que Ele criou. Deve-se aprender a respeitá-lo e protegê-lo ainda mais. Parece-me que chegou o momento de fazer propostas mais construtivas para garantir o bem das gerações futuras.

O exercício da presidência da União Européia é a ocasião para vosso país de dar testemunho do compromisso da França, de acordo com a sua nobre tradição, com os direitos humanos e sua promoção para o bem da pessoa e da sociedade. Quando o europeu chegar a experimentar pessoalmente que os direitos inalienáveis do ser humano, desde sua concepção até sua morte natural, assim como os concernentes à sua educação livre, sua vida familiar, seu trabalho, sem esquecer naturalmente seus direitos religiosos, quando este europeu, portanto, entender que estes direitos, que constituem uma unidade indissociável, estão sendo promovidos e respeitados, então compreenderá plenamente a grandeza da construção da União e chegará a ser seu artífice ativo. Senhor Presidente, a tarefa que vos foi incumbida não é fácil. Os tempos são incertos e é uma tarefa árdua vislumbrar a justa via entre os meandros da cotidianidade social e econômica, nacional e internacional. Em particular, frente ao perigo do ressurgir de velhos receios, tensões e contraposições entre as Nações, das quais hoje somos testemunhas com preocupação, a França, historicamente sensível à reconciliação entre os povos, está chamada a ajudar a Europa a construir a paz dentro de suas fronteiras e no mundo inteiro.

A este respeito, é importante promover uma unidade que não pode nem quer transformar-se em uniformidade, mas que seja capaz de garantir o respeito das diferenças nacionais e das tradições culturais, que constituem uma riqueza na sinfonia européia, recordando, por outra parte, que «a própria identidade nacional não se realiza senão em abertura aos demais povos e pela solidariedade com eles» (exortação apostólica Ecclesia in Europa, n. 112). Confio que vosso país cooperará cada vez mais para que este século progrida rumo à serenidade, à harmonia e à paz.
Senhor Presidente, queridos amigos, desejo mais uma vez manifestar meu agradecimento por este encontro. Podeis contar com minha oração fervorosa por vossa bela Nação, para que Deus lhe conceda paz e prosperidade, liberdade e unidade, igualdade e fraternidade. Encomendo estes desejos à intercessão maternal da Virgem Maria, principal padroeira da França. Que Deus abençoe a França e todos os franceses!

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri

© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana]

Papa em Paris: Injeção de esperança para Igreja na França
Missa na Esplanada dos Inválidos

PARIS, sábado, 13 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- A visita de Bento XVI à capital francesa, entre esta sexta-feira e sábado, e converteu em uma injeção de esperança para a Igreja neste país, em pleno debate social sobre o futuro do cristianismo.
«A esperança continuará sendo sempre a mais forte. A Igreja, construída sobre a rocha de Cristo, tem as promessas da vida eterna, não porque seus membros sejam mais santos que os demais, mas porque Cristo fez a promessa a Pedro: ‘Tu es Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e o poder do inferno não a derrotará’», afirmou na homilia da missa que presidiu na Esplanada dos Inválidos.
Nos dias anteriores à visita do Papa, jornais, canais de televisão e sites publicaram pesquisas de opinião e estatísticas que denotavam o declive numérico da prática religiosa e da própria fé entre os franceses.

Neste contexto, o bispo de Roma se dirigiu aos corações das mais de 260 mil pessoas que participaram na eucaristia: «Com a inquebrantável esperança da presença eterna de Deus em cada uma de nossas almas, com a alegria de saber que Cristo está conosco até o final dos tempos, com a força que o Espírito Santo oferece a todos aqueles e aquelas que se deixam alcançar por ele, queridos cristãos de Paris e da França, entrego-vos à ação poderosa do Deus de amor que morreu por nós na Cruz e ressuscitou vitoriosamente na manhã de Páscoa».
Entre aqueles que o escutavam se encontrava o primeiro ministro da França, François Fillon. Participaram na celebração eucarística 90 cardeais e bispos, e aproximadamente 1,5 mil sacerdotes. Um coro de 1,2 mil vozes animou os cantos.
Membros da «Aux captifs la libération» (Aos cativos a liberdade), associação que se dedica a atender pessoas que vivem na rua, levaram os oferendas na missa.
Bento XVI deixou para os presentes uma mensagem exigente: «Não tenhais medo! Não tenhais medo de dar a vida a Cristo!», afirmou fazendo, em particular, um chamado à vida sacerdotal e religiosa.
«Nada poderá substituir o ministério dos sacerdotes no coração da Igreja. Nada suprirá uma Missa pela salvação do mundo», assegurou.

O pontífice concluiu a homilia com uma mensagem de esperança: «Que Deus nosso Pai vos acolha e faça brilhar sobre vós o esplendor de sua glória. Que o Filho Único de Deus, Mestre e Irmão nosso, revele-vos a beleza de seu rosto ressuscitado. Que o Espírito Santo vos encha de seus dons e vos dê a alegria de conhecer a paz e a luz da Santíssima Trindade, agora e por sempre. Amém».

Busca de Deus, fundamento de toda cultura; explica Papa
Discurso ao mundo da cultura no Collège des Bernardins

PARIS, sábado, 13 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- A busca de Deus é o fundamento de toda cultura, afirmou Bento XVI em seu esperado discurso ao mundo da cultura francês e europeu.

O pontífice inaugurou na tarde dessa sexta-feira o restaurado Collège des Bernardins, novo espaço de encontro entre fé e cultura na capital francesa, com uma intervenção na qual mostrou como o cristianismo, e, mais em concreto, o monaquismo, moldaram os fundamentos da cultura européia.
Como o Papa afirmou ao concluir sua fala, a situação atual é muito análoga à do Império Romano, em que evangelizou São Paulo.
“Nossas cidades já não estão cheias de altares e imagens de múltiplas divindades. Para muitos, Deus se converteu realmente no grande Desconhecido”, reconheceu o pontífice, em um discurso que havia preparado com esmero originalmente em alemão.
“Mas como então, detrás das numerosas imagens dos deuses, estava escondida e presente a pergunta acerca do Deus desconhecido, também hoje a atual ausência de Deus está tacitamente inquieta pela pergunta sobre Ele”, afirmou.
“Buscar a Deus e deixar-se encontrar por Ele: isso hoje não é menos necessário que em tempos passados”, constatou diante de um auditório de cerca de setecentos expoentes do pensamento, da ciência e das artes deste país, assim como representantes da UNESCO e da União Européia.

Segundo o Papa, “uma cultura meramente positivista que circunscrevesse ao campo subjetivo, como não científica, a pergunta sobre Deus, seria a capitulação da razão, a renúncia a suas possibilidades mais elevadas e, consequentemente, uma ruína do humanismo, cujas consequências não poderiam ser mais graves”.
“O que é a base da cultura da Europa, a busca de Deus e a disponibilidade para escutá-lo, continua sendo hoje o fundamento de toda verdadeira cultura”, concluiu.
Giovanni Maria Vian, diretor do “L’Osservatore Romano”, explica que Bento XVI, ao apresentar esta aliança entre razão e fé, particularmente na compreensão das Sagradas Escrituras, supera as “interpretações de caráter fundamentalista”, assim como “os subjetivismos arbitrários”.
Por sua parte, o padre Federico Lombardi S.J., diretor do Departamento de Informação da Santa Sé, considera que “a nova contribuição deste grande discurso está na análise do papel da busca de Deus na formação da grande cultura unificadora de nosso continente nos séculos da Idade Média”.

Pode-se ler o discurso de Bento XVI ao mundo da cultura em francês e em alemão no site de Zenit, assim como sua tradução oficial ao inglês, ao espanhol e ao italiano.

Homilia do Papa na Missa por ocasião dos 150 anos das aparições de Lourdes
«A mensagem de Maria é uma mensagem de esperança»

LOURDES, domingo, 14 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos a homilia que Bento XVI pronunciou na manhã deste domingo, durante a missa por ocasião do 150º aniversário das aparições de Lourdes, presidida no Prado do Santuário.

Senhores cardeais, querido Dom Perrier,

queridos irmãos no episcopado e no sacerdócio,

queridos peregrinos,

«Ide e dizei aos sacerdotes que venham em procissão e que se construa aqui uma capela.»: esta é a mensagem que Bernadete recebeu da «Bela Senhora» nas aparições de 2 de março de 1858. Há 150 anos, os peregrinos nunca deixaram de vir à gruta de Massabielle para escutar a mensagem de conversão e esperança. E também nós estamos aqui nesta manhã aos pés de Maria, a Virgem Imaculada, para recorrer à sua escola com a pequena Bernadete.

Agradeço muito especialmente a Dom Jacques Perrier, bispo de Tarbes e Lourdes, pela calorosa acolhida que me deu e pelas amáveis palavras que me dirigiu. Saúdo os cardeais, bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, assim como todos vós, queridos peregrinos de Lourdes, especialmente os doentes. Viestes aqui em um grande número para realizar esta peregrinação jubilar comigo e confiar a Nossa Senhora vossas famílias, vossos parentes e amigos e todas as vossas intenções. Minha gratidão se dirige também às autoridades civis e militares, presentes nesta celebração eucarística.

«Que felicidade é ter a Cruz! Quem possui a Cruz, possui um tesouro» (Santo André de Creta, Sermão 10, sobre a Exaltação da Santa Cruz: 97, 1020). Neste dia em que a liturgia da Igreja celebra a festa da Exaltação da Santa Cruz, o Evangelho que acabamos de escutar nos recorda o significado deste grande mistério: Deus amou tanto o mundo, que entregou seu Filho único para salvar os homens (cf. Jo 3, 16). O Filho de Deus se fez vulnerável, assumindo a condição de servo, obediente até a morte, e morte de cruz (cf. Flp 2, 8). Por sua Cruz fomos salvos. O instrumento de suplício que mostrou, na Sexta-Feira Santa, o juízo de Deus sobre o mundo, transformou-se em fonte de vida, de perdão, de misericórdia, sinal de reconciliação e de paz. «Para ser curados do pecado, olhemos para Cristo crucificado», dizia Santo Agostinho (Tratado sobre o Evangelho de São João 13, 11). Ao dirigir os olhos para o Crucificado, adoramos Aquele que veio para tirar o pecado do mundo e dar-nos a vida eterna. A Igreja nos convida a levantar com orgulho a Cruz gloriosa, para que o mundo veja até onde chegou o amor do Crucificado pelos homens, por nós. E nos convida a agradecer a Deus porque de uma árvore portadora de morte surgiu de novo a vida. Sobre esta árvore, Jesus nos revela sua majestade soberana, revela-nos que Ele é o exaltado na glória. Sim, «vinde para adorá-lo». Em meio a nós se encontra Aquele nos amou até dar sua vida por nós, Aquele que convida todo ser humano a aproximar-se d’Ele com confiança.

É o grande mistério que Maria nos confia também nesta manhã, convidando-nos a dirigir-nos ao seu Filho. Com efeito, é significativo que, na primeira aparição a Bernadete, Maria começasse seu encontro com o sinal da Cruz. Mais que um simples sinal, Bernadete recebe de Maria uma iniciação aos mistérios da fé. O sinal da Cruz é de alguma forma o compêndio da nossa fé, porque nos diz o quanto Deus nos amou; e nos diz que, no mundo, há um amor mais forte que a morte, mais forte que nossas fraquezas e pecados. O poder do amor é mais forte que o mal que nos ameaça. Este mistério da universalidade do amor de Deus pelos homens é o que Maria revelou aqui, em Lourdes. Ela convida todos os homens de boa vontade, todos os que sofrem em seu coração ou em seu corpo, a levantarem os olhos para a Cruz de Jesus para encontrar nela a fonte da vida, a fonte da salvação.

A Igreja recebeu a missão de mostrar a todos o rosto amoroso de Deus, manifestado em Jesus Cristo. Saberemos compreender que no Crucificado do Gólgota está nossa dignidade de filhos de Deus que, ofuscada pelo pecado, nos foi devolvida. Dirijamos nossos olhares para Cristo. Ele nos fará livres para amar como Ele nos ama e para construir um mundo reconciliado. Porque, com esta Cruz, Jesus carregou o peso de todos os sofrimentos e injustiças da nossa humanidade. Ele carregou as humilhações e discriminações, as torturas sofridas em numerosas regiões do mundo por muitos irmãos e irmãs nossos, por amor a Cristo. Nos os confiamos a Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa, presente aos pés da Cruz.

Para acolher a Cruz gloriosa em nossas vidas, a celebração do jubileu das aparições de Nossa Senhora em Lourdes nos permitiu entrar em um caminho de fé e conversão. Hoje, Maria vem a nosso encontro para indicar-nos os caminhos da renovação da vida de nossas comunidades e de cada um de nós. Ao acolher seu Filho, que Ela nos mostra, nós nos submergimos em uma fonte viva na qual a fé pode encontrar um renovado vigor, na qual a Igreja pode fortalecer-se para proclamar cada vez com mais audácia o mistério de Cristo. Jesus, nascido de Maria, é o Filho de Deus, o único Salvador de todos os homens, vivo e operante em sua Igreja e no mundo. A Igreja foi enviada a todo o mundo para proclamar esta única mensagem e convidar os homens a acolhê-la mediante uma conversão autêntica do coração. Esta missão, que foi confiada por Jesus aos seus discípulos, recebe aqui, por ocasião deste jubileu, um novo impulso. Que seguindo os grandes evangelizadores de vosso país, o espírito missionário que animou tantos homens e mulheres da França ao longo dos séculos, seja ainda vosso orgulho e compromisso.

Seguindo o percurso jubilar através dos passos de Bernadete, é-nos recordado o que há de essencial na mensagem de Lourdes. Bernadete era a primogênita de uma família muito pobre, sem sabedoria nem poder, de saúde frágil. Maria a escolheu para transmitir sua mensagem de conversão, de oração e penitência, em total sintonia com a palavra de Jesus: «Porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste às pessoas simples» (Mt 11, 25). Em seu caminho espiritual, também os cristãos estão chamados a desenvolver a graça do seu Batismo, a alimentar-se da Eucaristia, a extrair da oração a força para o testemunho e a solidariedade para com todos seus irmãos na humanidade (cf. Homenagem à Imaculada Conceição, Praça da Espanha, 8 de dezembro de 2007). É, pois, uma autêntica catequese essa que também é proposta a nós, sob o olhar de Maria. Deixemo-nos instruir e guiar no caminho que conduz ao Reino do seu Filho.

Continuando sua catequese, a «Bela Senhora» revela seu nome a Bernadete: «Eu sou a Imaculada Conceição». Maria lhe revela deste modo a graça extraordinária que Ela recebeu de Deus, a de ser concebida sem pecado, porque «olhou para a humildade de sua serva» (cf. Lc 1, 48). Maria é a mulher de nossa terra que se entregou por completo a Deus e que recebeu d’Ele o privilégio de dar a vida humana a seu eterno Filho. «Aqui está a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Ela é a beleza transfigurada, a imagem da nova humanidade. Dessa forma, ao apresentar-se em uma dependência total de Deus, Maria expressa na verdade uma atitude de plena liberdade, fundamentada no completo reconhecimento de sua genuína dignidade. Este privilégio concerne também a nós, porque nos revela nossa própria dignidade de homens e mulheres, marcados certamente pelo pecado, mas salvos na esperança, uma esperança que nos permite enfrentar nossa vida cotidiana. É o caminho que Maria abre também ao homem. Colocar-se completamente nas mãos de Deus é encontrar o caminho da verdadeira liberdade. Porque, dirigindo-se Deus, o homem chega a ser ele mesmo; encontra sua vocação original de pessoa criada à sua imagem e semelhança.

Queridos irmãos e irmãs, a primeira vocação do santuário de Lourdes é ser um lugar de encontro com Deus na oração e um lugar de serviço fraterno, especialmente pela acolhida dos doentes, as pobres e de todos os que sofrem. Neste lugar, Maria vem a nosso encontro como a Mãe sempre disponível diante das necessidades de seus filhos. Mediante a luz que brota de seu rosto transparece a misericórdia de Deus. Deixemos que seu olhar nos acaricie e nos diga que Deus nos ama e nunca nos abandona. Maria nos recorda aqui que a oração, intensa e humilde, confiada e perseverante, deve ter um lugar central em nossa vida cristã. A oração é indispensável para acolher a força de Cristo. «Quem reza não desperdiça seu tempo, ainda que tudo faça pensar em uma situação de emergência e pareça impulsionar só à ação» (Deus caritas est, 36). Deixar-se absorver pelas atividades comporta o risco de eliminar da oração sua especificidade cristã e sua verdadeira eficácia. No rosário, tão querido por Bernadete e pelos peregrinos em Lourdes, concentra-se a profundidade da mensagem evangélica; ele nos introduz na contemplação do rosto de Cristo. Dessa oração dos humildes podemos receber copiosas graças.

A presença dos jovens em Lourdes também é uma realidade importante. Queridos amigos aqui presentes esta manhã ao redor da Cruz da JMJ: quando Maria recebeu a visita do anjo, era uma mocinha em Nazaré, que levava a vida simples e animada das mulheres de seu povo. E se o olhar de Deus descansou especialmente n’Ela, fiando-se, Maria quer dizer-nos também que ninguém é indiferente para Deus. Ele olha com amor para cada um de vós e vos chama a uma vida feliz e cheia de sentido. Não deixeis que as dificuldades vos desanimem. Maria se emocionou quando o anjo lhe anunciou que seria a Mãe do Salvador. Ela conhecia sua fraqueza diante da onipotência de Deus. Contudo, disse «sim» sem vacilar. E graças ao seu sim, a salvação entrou no mundo, mudando assim a história da humanidade. Queridos jovens, por vossa parte, não tenhais medo de dizer «sim» aos chamados do Senhor quando Ele vos convida a segui-lo. Respondei generosamente ao Senhor. Só Ele pode satisfazer os anseios mais profundos do vosso coração. São muitos os que vieram a Lourdes para servir esmerada e generosamente os doentes ou outros peregrinos, imitando assim Cristo servidor. O serviço aos irmãos e irmãs engrandece o coração e o torna disponível. No silêncio da oração, que Maria seja vossa confidente, Ela que soube falar a Bernadete com respeito e confiança. Que Maria ajude os chamados ao matrimônio a descobrirem a beleza de um amor autêntico e profundo, vivido como dom recíproco e fiel. Àqueles, entre vós, que Ele chama a segui-lo na vocação sacerdotal ou religiosa, eu gostaria de falar da felicidade que existe em entregar a própria vida ao serviço de Deus e dos homens. Que as famílias e as comunidades cristãs sejam lugares onde possam nascer e crescer sólidas vocações ao serviço da Igreja e do mundo.

A mensagem de Maria é uma mensagem de esperança para todos os homens e para todas as mulheres do nosso tempo, sejam do país que forem. Gosto de invocar Maria como «Estrela da esperança» (Spe salvi, n. 50). No caminho de nossas vidas, freqüentemente escuro, Ela é uma luz de esperança, que nos ilumina e nos orienta em nosso caminhar. Por seu «sim», pelo dom generoso de si mesma, Ela abriu a Deus as portas do nosso mundo e da nossa história. Ela nos convida a viver como Ela, em uma esperança inquebrantável, rejeitando escutar os que pretendem que nos fechemos no fatalismo. Ela nos acompanha com sua presença maternal em meio às vicissitudes pessoais, familiares e nacionais. Felizes os homens e as mulheres que põem sua confiança n’Aquele que, no momento de oferecer sua vida por nossa salvação, nos deu a sua Mãe para que fosse nossa Mãe.

Queridos irmãos e irmãs: na França, a Mãe do Senhor é venerada em inumeráveis santuários, que manifestam assim a fé transmitida de geração em geração. Celebrada em sua Assunção, Ela é a amada padroeira do vosso país. Que Ela seja sempre venerada com fervor em cada uma de vossas famílias, de vossas comunidades religiosas e paroquiais. Que Maria vele sobre todos os habitantes de vosso belo país e sobre todos os numerosos peregrinos que vieram de outros países para celebrar este jubileu. Que Ela seja para todos a Mãe que acompanha seus filhos tanto em suas alegrias como em suas provas. Santa Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, ensinai-nos a crer, a esperar e a amar convosco. Mostrai-nos o caminho do Reino do vosso Filho Jesus. Estrela do mar, brilhai sobre nós e guiai-nos em nosso caminho (cf. Spe Salvi, 50). Amém.

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri

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Bento XVI sintetiza mensagem de Lourdes: «O amor é mais forte que o mal»
A mensagem que Maria deixou há 150 anos é uma mensagem de esperança

LOURDES, domingo, 14 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI lançou uma mensagem de esperança na missa que presidiu neste domingo nesta localidade dos Pirineus franceses por ocasião dos 150 anos das aparições da Virgem Maria: «O poder do amor é mais forte que o mal que nos ameaça».

Na homilia, o pontífice apresentou «o essencial da mensagem de Lourdes» aos 150 mil peregrinos reunidos sob um céu azul. Concelebraram a Eucaristia com o Papa 230 bispos e mil sacerdotes. Para poder estar presentes, cerca de 5 mil pessoas haviam dormido a noite anterior na basílica subterrânea de São Pio X.

No dia no qual a liturgia da Igreja celebrava a festa da Exaltação da Santa Cruz, o pontífice recordou que «é significativo» que na primeira aparição a Santa Bernadete Soubirous (1844-1879) Maria tenha começado seu encontro com o sinal da Cruz.
«O sinal da Cruz é de alguma forma o compêndio da nossa fé, porque nos diz o quanto Deus nos amou; e nos diz que, no mundo, há um amor mais forte que a morte, mais forte que nossas fraquezas e pecados. O poder do amor é mais forte que o mal que nos ameaça», afirmou.

Segundo Bento XVI, «este mistério da universalidade do amor de Deus pelos homens é o que Maria revelou aqui, em Lourdes. Ela convida todos os homens de boa vontade, todos os que sofrem em seu coração ou em seu corpo, a levantarem os olhos para a Cruz de Jesus para encontrar nela a fonte da vida, a fonte da salvação», assegurou.

Bernadete deu testemunho de 18 aparições da Virgem entre 11 de fevereiro e 18 de julho de 1858, na gruta de Massabielle. Hoje Lourdes reúne cada ano cerca de 6 milhões de peregrinos. Desde então, a Sala Médica dos Santuários reconheceu 67 milagres (curas cientificamente inexplicáveis). Cada ano esta instituição recebe indicações de cerca de 35 casos de possíveis milagres. Na maioria dos casos, a pesquisa não prospera.
Ao aprofundar na mensagem de Lourdes, o sucessor de Pedro recordou que a Virgem se apresentou a Bernadete com este nome: «Eu sou a Imaculada Conceição».

«Maria lhe revela deste modo a graça extraordinária que Ela recebeu de Deus, a de ser concebida sem pecado, porque ‘olhou para a humildade de sua serva’». Desta forma, declarou, «ao apresentar-se em uma dependência total de Deus, Maria expressa na verdade uma atitude de plena liberdade, fundamentada no completo reconhecimento de sua genuína dignidade».
«É o caminho que Maria abre também ao homem. Colocar-se completamente nas mãos de Deus é encontrar o caminho da verdadeira liberdade. Porque, dirigindo-se a Deus, o homem chega a ser ele mesmo; encontra sua vocação original de pessoa criada à sua imagem e semelhança», assegurou.
Em Lourdes, recordou, «Maria vem a nosso encontro como a Mãe sempre disponível diante das necessidades de seus filhos. Mediante a luz que brota de seu rosto transparece a misericórdia de Deus. Deixemos que seu olhar nos acaricie e nos diga que Deus nos ama e nunca nos abandona», exortou.
Por este motivo, concluiu, «a mensagem de Maria é uma mensagem de esperança para todos os homens e para todas as mulheres do nosso tempo, sejam do país que forem».

O Papa confessou que gosta de invocar Maria como «Estrela da esperança», como o faz no número 50 de sua segunda encíclica, Spe salvi.
«No caminho de nossas vidas, freqüentemente escuro, Ela é uma luz de esperança, que nos ilumina e nos orienta em nosso caminhar. Por seu ‘sim’, pelo dom generoso de si mesma, Ela abriu a Deus as portas do nosso mundo e da nossa história», terminou.
Após a homilia, interrompida em vários momentos pelos aplausos, com uma iniciativa pouco comum, o Papa deixou um longo momento de silêncio para deixar espaço à meditação sobre a mensagem de Lourdes.