A “CARTA DA TERRA”

Arquivado em: Política — Prof. Felipe Aquino at 8:27 am on Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Todos nós queremos e devemos preservar a Terra da destruição; impedindo o envenenamento da água, do ar e do solo; pois Deus colocou o homem na Terra como o seu jardineiro para “guardá-la e cultivá-la” (Gn 2,15); e ele terá de prestar contas a seu Senhor.Então, há uma saudável ecologia, amparada na teologia, que obriga o homem a cuidar da natureza, em nome de Deus. Mas há também uma doentia ecologia, na verdade um “ecologismo” desvirtuado, que coloca a Terra (Gaia), como se fosse uma deusa, em nome de quem tudo deve ser sacrificado, como se o homem fosse feito para Terra, e não a Terra para o homem. Os cristãos precisam urgentemente saber fazer esta distinção para não serem enganados por muitos que estão contra Deus. Onde está hoje este desvirtuamento? Em muitos pontos: em primeiro lugar uma “mentalidade contraceptiva” que acha que para “salvar” a Terra, é preciso reduzir drasticamente a natalidade (impedir a vida de existir!). Ora, todo mundo sabe que hoje sobra alimento em muitos lugares do mundo; na Europa e nos EUA os fazendeiros são pagos pelo governo para não produzir. E até no Brasil se jogam as vezes toneladas de batata no lixo porque não há compradores. No Japão há 300 pessoas por kilômetro quadrado (e não há fome nem analfabetismo); na Europa, em média, 120; enquanto na América do Sul e Central há apenas 20!. E ainda querem nos fazer engolir “goela abaixo”, que é preciso limitar a natalidade na América Latina. Nosso continente é vazio de gente; apenas temos grande população nas grandes cidades.Vamos resolver os nossos problemas de maneira correta, “não há solução fácil para problema difícil” (Paulo VI), o problema social não pode ser resolvido com uma pobre ideologia que consiste em “impedir a vida de existir”. Isto é uma miséria humana e moral. É um pragmatismo simplista, comodista, egoísta e depauperado, que quer impedir o pobre de existir. A Igreja acredita que Deus deu ao homem meios e inteligência para resolver todos os seus problemas. Quando não os resolve é porque o pecado impede: ganância, orgulho, ateísmo, hedonismo, guerras, etc, e não porque faltam meios. Nunca o homem teve tanta tecnologia e nunca ele praticou tanto o controle da natalidade. Há algo muito errado nisso. A Carta da Terra é um manifesto materialista, pagão, panteísta (tudo é Deus), que busca enganosamente dar uma base “ética” a um férreo controle da natalidade no mundo. Este manifesto cresce na América Latina, especialmente impulsionado por governos e instituições socialistas de esquerda. Em nome da “Mãe Gaia”, se impõe um drástico controle da natalidade; assim, o que teremos será um planeta cheios de armazéns de matérias primas que assegurem a manutenção de hábitos opulentos de consumo de uns poucos privilegiados, com o sacrifício da vida dos outros. Eis a razão da linguagem anti-natalista da ONU e de muitas ONG.Neste contexto, logo será imposto quotas de povoação em certas áreas do planeta para se conservar os recursos naturais.É atrás dessa mentalidade que a Carta da Terra enfatiza os conceitos que a ONU utiliza para disfarçar sua política de drástico controle da natalidade e seus projetos de reengenharia social, como a “perspectiva de gênero” e a “saúde reprodutiva e sexual” (apologia do aborto), como algo fundamental para o desenvolvimento sustentado. A Carta da Terra traz no seu bojo um novo e perverso “humanismo”, que valoriza muito mais as focas, as baleias, os gorilas, os elefantes, as mariposas, os ovos de tartaruga, etc, do que a criança no ventre da mãe. Os animais devem ser protegidos a todo custo, mas o feto no ventre da mãe pode e até deve ser eliminado. Que humanismo é este? O pior de tudo é que fala de aborto “em nome dos direitos humanos”, da paz, da igualdade, da harmonia universal. Será que há atentado maior contra os direitos humanos e a paz, do que o atentado contra a vida no ventre da mãe? Será que as pedras, as plantas e os animais têm os mesmos direitos dos homens? Será que o Criador não colocou o homem como o seu jardineiro da terra? Será que os animais, vegetais e minerais têm uma alma imortal criada à imagem do Criador? A mentalidade da Carta da Terra nega tudo isso; e cultiva uma ideologia materialista, mas pseudo-religiosa para enganar os despreparados; algo próprio das mitologias orientais, do indigenismo latino americano e dos esoterismos, todos contrários ao cristianismo. Nesta linha, procura-se reconhecer e cultivar intactos a cultura e a religião dos povos primitivos e se reconhece o direito deles voltarem às suas práticas religiosas de origem, consequentemente impedindo a evangelização. É aqui que a mentalidade da Carta da Terra tromba com a Igreja. Pois sua missão é levar o cristianismo a todos os povos, inclusive os nativos. Se a Igreja não evangelizar ela se esvazia, perde o seu sentido e a sua identidade, disse Paulo VI, na “Evangelii Nuntiandi”.Jesus mandou evangelizar a “todos os povos” e a “todas as nações”, batizando-as e ensinando-as a observar tudo o que Ele ensinou (cf. Mt 28,19-20). Deixar de evangelizar os povos indígenas, tentando preservá-los “intactos” da mesma maneira que se preserva uma espécie animal, é trair Jesus Cristo e o Evangelho em muitos pontos essenciais. João Paulo II disse certa vez que a aculturação significa o “Evangelho penetrar nas culturas e purificá-las de tudo que for contra o que Cristo ensinou”. (Fonte: Hugo L. Pereyra,
La Carta de
la Tierra. Juicio Crítico, Gladius, nº 43, 25-12-98, Buenos Aires; Juan C. Sanahuja, El Desarrollo Sustentable.
La Nueva Ética Internacional, Vortice, Buenos Aires, 2003).