Cardeal Biffi apresenta anticristo ao Papa e à Cúria

Filed under: Meditação — Prof. Felipe Aquino at 10:18 am on Thursday, March 1, 2007

 

Reduzir o cristianismo a uma ideologia esquecendo o encontro comCristo salvador 

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007(ZENIT.org).- O cardeal Giacomo Biffi apresentou a Bento XVI e à Cúria Romana «a advertência profética de Vladimir S. Soloviev» sobre o anticristo.O pregador dos exercícios espirituais fez referência ao filósofo epoeta russo, que viveu entre 1853 e 1900, para explicar que o anticristo, na verdade, consiste em reduzir o cristianismo a umaideologia, em vez de ser um encontro pessoal com Cristo salvador.Citando a obra de Soloviev, «Três diálogos» (1899), o arcebispoemérito de Bolonha recordou que «o anticristo se apresenta comopacifista, ecologista e ecumenista».«Convocará um Concílio ecumênico e buscará o consenso de todas as confissões cristãs, concedendo algo a cada um. As massas o seguirão, menos alguns pequenos grupos de católicos, ortodoxos e protestantes», disse.Segundo a síntese de sua pregação desta terça-feira pela tarde,oferecida pela «Rádio Vaticano», o cardeal explicou que «o ensinamento que o grande filósofo russo nos deixou é que o cristianismo não pode ser reduzido a um conjunto de valores. No centro do ser cristão está, de fato, o encontro pessoal com Jesus Cristo».«Chegarão dias nos quais na cristandade se tratará de resolver o fato salvífico em uma mera série de valores», escreveu Soloviev nessa obra.Em seu «Relato sobre o anticristo» Soloviev prevê que um pequeno grupo de católicos, ortodoxos e filhos da Reforma, resistirá e responderá ao anticristo: «Tu nos dás tudo, menos o que nos interessa, Jesus Cristo». Para o cardeal Biffi,esta narração é uma advertência. «Hoje, de fato, corremos o risco de ter um cristianismo que põe entre parênteses Jesus com sua Cruz e Ressurreição», lamentou.O arcebispo explicou que, se os cristãos se «limitassem a falar devalores compartilháveis, seriam mais aceitos nos programas detelevisão e nos grupos sociais. Mas desta maneira teriam renunciado a Jesus, à realidade surpreendente da Ressurreição».Para o purpurado italiano, este é «o perigo que os cristãos correm em nossos dias»: «o Filho de Deus não pode ser reduzido a uma série de bons projetos homologáveis com a mentalidade mundana dominante».Contudo, precisou o purpurado, «isso não significa uma condenação dos valores, mas que estes devem ser submetidos a um atento discernimento.Há valores absolutos, como o bem, a verdade, a beleza. Quem os percebe e os ama, ama também Cristo, ainda que não saiba, porque Ele é a verdade, a beleza, a justiça».O pregador dos exercícios precisou na capela «Redemptoris Mater», do Palácio Apostólico do Vaticano, que, por outro lado, «há valores relativos, como a solidariedade, o amor pela paz e o respeito pela natureza. Se estes se convertem em absolutos, desarraigando ou inclusive opondo-se ao anúncio do fato da salvação, então estes valores se convertem em instigação à idolatria e em obstáculos no caminho da salvação».Ao concluir, o cardeal Biffi afirmou que «se o cristão, para abrir-seao mundo e dialogar com todos, dilui o fato salvífico, fecha-se àrelação pessoal com Jesus e se coloca do lado do anticristo».Os exercícios espirituais concluirão na manhã do próximo sábado.Durante esta semana o Papa não está mantendo nem audiências públicas nem privadas. 

A Transitoriedade das coisas criadas

Filed under: Meditações — Prof. Felipe Aquino at 10:02 am on Thursday, March 1, 2007

Uma das reflexões mais profundas que podemos fazer é sobre a efemeridade de todas as coisas que envolvem nossa existência. Deus dispôs tudo de modo que nada fosse sem fim aqui nesta vida. Qual seria o desígnio de Deus nisso? Cada dia de nossa vida temos de renovar uma série de procedimentos:dormir, tomar banho, alimentar-nos, etc Tudo é precário, nada é duradouro, tudo deve ser repetido todos os dias. A própria manutenção da vida depende do bater interminável do cora­ção e do respirar contínuo dos pulmões. Todo o organismo repete sem cessar suas operações para a vida se manter. Tudo é transitório… nada eterno. Toda criança se tornará um dia adulta e, depois, idosa. Toda flor que se abre logo estará murcha, Todo dia que nasce logo se esvai… e assim tudo passa, tudo é transi­tório, Por que será? Qual a razão de nada ser duradouro? Com­pra-se uma camisa nova, e logo já está surrada; compra-se um carro novo, e logo ele estará bastante rodado e vencido por novos modelos.., e assim por diante.

A razão inexorável dessa precariedade das coisas também está nos planos de Deus. Por mais durável que seja um objeto, depois de algum tempo estará velho ou obsoleto, A marca da vida é a renovação. Tudo nasce, cresce, vive, amadurece e morre.A razão profunda dessa realidade tão transitória é a lição cotidiana que Deus nos quer dar de que esta vida é apenas uma passagem, um aperfeiçoamento, em busca de uma vida duradoura, eterna, perene. Em cada flor que murcha e em cada homem que falece, sinto Deus nos dizer: “Não se prendam a esta vida transitória. Preparem-se para aquela que é eterna, quando tudo será duradouro, e nada precisará ser renovado dia a dia.”E isto mostra-nos também que a vida está em nós, mas não é nossa. Quando vemos uma bela rosa murchar, é como se ela estivesse nos dizendo que a beleza está nela, mas não lhe pertence.Certa vez, um sacerdote cansado me dizia que desejava ir logo para Deus, viver uma vida mais estável; então não precisa­ria tomar banho todos os dias nem usar desodorante para não ficar com o corpo malcheiroso. Aquele sacerdote já estava can­sado da transitoriedade da vida e já ansiava pela vida perma­nente.Com a precariedade da vida e de tudo o que nos cerca, Deus nos ensina, diária e constantemente, que tudo passa e que não adianta querermos construir o céu aqui nesta terra. Ainda assim, mesmo com essa lição permanente que Deus nos dá, muitos de nós somos levados a viver como aquele homem rico da parábola narrada por Jesus. Ele abarrotou seus celeiros de víveres e disse à sua alma: “Descansa, come, bebe e regala-te” (Lc 12,19b); ao que Deus lhe disse: “Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma” (Lc 12,20a).A efemeridade das coisas é a maneira mais prática e cons­tante que Deus encontrou para nos dizer a cada momento que aquilo que não passa, que não se esvai, que não morre, é aquilo de bom que fazemos para nós mesmos e, principalmente, para os outros. Os talentos multiplicados no dia-a-dia, a perfei­ção da alma buscada na longa caminhada de uma vida de me­ditação, de oração, de piedade, essas são as coisas que não passam, que o vento do tempo não leva e que, finalmente, nos abrirão as portas da vida eterna e definitiva, quando “Deus será tudo em todos” (cf. I Cor 15,28b).A transitoriedade de tudo o que está sob os nossos olhos deve nos convencer de que só viveremos bem esta vida, se a vivermos para os outros e para Deus. São João Bosco dizia que “Deus nos fez para os outros”. Só o amor; a caridade, o oposto do egoísmo, pode nos levar a compreender a verdadeira di­mensão da vida e a necessidade da efemeridade terrena. Se a vida na terra fosse incorruptível, muitos de nós jamais pensarí­amos em Deus e no céu. Acontece que Ele tem para nós algo mais excelente, aquela vida que levou São Paulo a exclamar: “Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Cor 2,9).A corruptibilidade das coisas da vida deve nos convencer de que Deus quer para nós uma vida muito melhor do que esta - uma vida junto dEle. E, para tal, Ele não quer que nos acostu­memos com esta, mas que busquemos a outra, onde não have­rá mais sol porque o próprio Deus será a luz, e não haverá mais choro nem lágrimas.Aqueles que não crêem na eternidade jamais se confor­marão com a precariedade desta vida terrena, pois sempre so­nharão com a construção do céu nesta terra. Para os que crêem, a efemeridade tem sentido: a vida não será tirada, mas transformada; o “corpo corruptível se revestirá da incorrupti­bilidade” (cf 1Cor 15,54)
em Jesus Cristo.

“A REGRA DE OURO”

Filed under: Meditações — Prof. Felipe Aquino at 9:58 am on Thursday, March 1, 2007

 

 

No sermão da Montanha, que São Mateus narrou nos capítulos 5, 6 e 7, e que São Lucas narrou no capítulo 6, há uma palavra de Jesus que a Igreja chamou de “regra de ouro”. Ela diz: “O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles” (Lc 6,31). Em Mateus, Jesus acrescentou dizendo: “Esta é a Lei e os Profetas” (Mt 7,12b). À primeira vista, pode parecer que não há tanta profundidade nessa máxima de Jesus, mas, se a examinarmos com mais profundidade, veremos que ela encerra todos os preceitos da caridade e do amor que devemos ter para com os outros.“O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles” (Lc 6,31).Muitas vezes queremos receber dos outros um tratamento  que, entretanto, não lhes oferecemos. Não gostamos, por exemplo, que falem de nós em nossa ausência, que nos julguem ou que analisem em nossos atos sem nossa presença… Contudo, fazemos assim com os outros. Tantas vezes julgamos até as intenções dos outros e, na maioria das vezes, de maneira simplista e sem dar-lhes o direito de defesa. E, no entanto, ficamos furiosos quando fazem isso conosco. É por isso que o Senhor nos disse: “Não julgueis para não serdes julgados; porque, com a mesma medida com que julgardes, sereis também julgados” (citação livre de Lc 6,37-38). E ainda mais: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho? […] Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho” (Lc 6,41.42b).A “regra de ouro” nos alerta de que se desejamos não ser julgados pelos outros, então é preciso que não o julguemos também; se quisermos ser respeitados e bem tratados pelos outros, é preciso agirmos da mesma forma para com eles; se queremos ser amados, então precisamos amar se queremos ser compreendidos e perdoados, então precisamos saber compreender os outros, ter paciência com os seus erros e perdoar as suas ofensas, a fim de sermos perdoados por Deus. A única condição que Deus nos impõe para perdoar o nosso pecado, qualquer que ele seja, é que perdoemos os pecados dos outros. A razão disso é que, sendo Pai de todos nós, Deus não pode perdoar a um filho que, por sua vez, não perdoa ao seu irmão. São claras as recomendações de Jesus sobre isso: “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então, vem fazer a tua oferta” (Mt 5,23-24).O pior pecado é sempre o pecado contra a caridade, contra o próximo, porque Deus tem em alta conta cada um dos Seus filhos e não quer que a nenhum deles seja negada a caridade e o perdão. É preciso aprendermos a perdoar, porque também precisaremos ser perdoados. Quem de nós não precisa do perdão do outro? Quem de nós jamais ofendeu a alguém?Na existência da caridade Cristo vai mais longe ainda e exige dos cristãos, isto é dos Seus seguidores, amor até aos inimigos: “Tendes ouvido o que foi dito ‘Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo.’ Eu, porém, vos digo: Amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? (…) Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,43-46.48). Cristo deixa claro que ser “perfeito” como o Pai celeste é amar também os inimigos e saber pagar-lhes o mal com o bem, e não com a vingança e o ódio.Notemos que, ao ser massacrado na Sua paixão cruenta, Cristo orava ao Pai elos Seus algozes e perdoava-lhes o terrível crime: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34a). Assim também fizeram os santos em suas vidas: jamais amaldiçoaram alguém por causa de suas ofensas e jamais pagaram o mal com o mal. Por isso tornaram-se “perfeitos” como o Pai do céu. Até mesmo quando eram martirizados, também eles, à semelhança do Mestre, oravam pelos seus carrascos. O amor supera o mal, e a caridade supera o ódio, fazendo nascer a vida e a paz.É preciso sabermos fazer da “regra de ouro” uma norma de conduta diária, para vivermos bem esta vida.“O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles” (Lc 6,31).