Amar a Igreja também hoje

Filed under: Igreja — Prof. Felipe Aquino at 7:03 pm on Monday, April 2, 2007

João Paulo II: amar Igreja também hoje
Por Rodrigo Guerra López, diretor do «Observatório social» do CELAMMÉXICO, segunda-feira, 2 de abril de 2007 (ZENIT.org-El Observador)

É possível manter fidelidade a Cristo e não ser fiel à Igreja? É possível ser fiel à Igreja e não ser fiel aos sucessores dos Apóstolos? É possível ser fiel ao Papa e não ser fiel aos bispos? Todas estas perguntas têm uma resposta complexa que envolve muitos elementos fundamentais da fé e da constituição da Igreja como Mistério. Contudo, toda esta complexidade possui um ponto de resolução e esclarecimento: o método que Deus escolheu para salvar os homens. Com efeito, o método de Deus é a Encarnação: assumir todo o humano de cada ser humano dentro de si.

É fácil não perceber o que significa esse método: a Encarnação não é a mera assunção genérica do «humano» em Deus, mas a assunção concreta de sua vida e da minha, com todas suas particularidades e fragilidades,
em Cristo. João Paulo II,
em Redemptor Hominis, nos dizia a este respeito: «Neste caminho pelo qual Cristo se une a todo homem, a Igreja não pode ser detida por ninguém» (RH 13). De fato, «o cometido fundamental da Igreja em todas as épocas, e particularmente na nossa, é dirigir o olhar do homem, orientar a consciência e a experiência de toda a humanidade para o mistério de Cristo» (RH 10), ou seja, recuperar cotidianamente a consciência de que toda alegria e toda limitação em nossa história pessoal e coletiva se encontra acompanhada e abraçada por um Acontecimento de comunhão que não claudica.

Os sucessores dos Apóstolos não escapam dessa mesma situação. Basta olhar as referências a Pedro nos Evangelhos de Marcos e Mateus para ver que a fragilidade permanece naqueles que foram escolhidos como Pastores e particularmente naquele que é custódio da unidade da Igreja. Se Jesus não tivesse pensado realmente
em uma Igreja, como sustentam alguns, todo o discurso que encontramos sobre o significado de Pedro nos Evangelhos seria uma reconstrução de justificação tardia e, portanto, não deveria ser levada a sério. Se, ao contrário, Jesus pensou
em sua Ecclesia, assim como aparece com este mesmo termo, por exemplo em Mateus (capítulos 16 e 18), o cenário é outro: os sucessores dos Apóstolos, e Pedro em particular, possuem uma «potestas» que existe como realidade objetiva. A santidade pessoal (subjetiva) do bispo afetará, sem dúvidas, o exercício da «potestas», mas já não a realidade que o sacramento da ordem operou nele. O poder dos bispos existe por decisão de Jesus até o ponto que o fato de possuí-lo foge da vontade de quem o recebe, ou seja, não pode fazê-lo desaparecer: é «inadmissível». A missão desse «poder» não é de ordem política, mas consiste em fazer presente na história a salvação que Cristo trouxe. Por sua natureza sacramental, o «poder» dos bispos é condição para a existência plena da «communio» que é a Igreja.
Sendo assim, a fidelidade a Cristo é inseparável da união ao bispo e ao Papa. Mais ainda, a Igreja não é verdadeira comunhão em Jesus, se a maneira como Jesus mesmo assume nossa fragilidade não é respeitada e cuidada com zelo. Esta maneira de assumir «nossa» fragilidade implica precisamente a assunção da fragilidade dos bispos em Cristo e o mistério que ainda assim Ele lhes confia. João Paulo II, particularmente consciente desse ponto, escreveu no ano 2003 a Exortação Pós-Sinodal Pastores gregis. Nela, com grande clareza, recorda aos bispos a urgência de corresponder à santidade objetiva conferida na ordenação com verdadeira santidade subjetiva. Para isso, o Papa lhes recorda amplamente que devem ser radicalmente castos, obedientes e pobres. Isso quer dizer que não é admissível que um sucessor dos Apóstolos viva de maneira mundana, assumindo critérios e estilos de vida diferentes dos que caracterizam Jesus. O povo de Deus sempre percebe quando um bispo vive com coerência seu ministério. A santidade pessoal não se pode fingir ou substituir por nada.

Pois bem, a fidelidade à Igreja, aos bispos e ao Papa descansa em sua santidade subjetiva? Só quando existe coerência perfeita nos Pastores da Igreja estes merecem ser amados com fidelidade? Ao longo da história, muitas pessoas e movimentos creram que a verdadeira Igreja de Jesus Cristo é aquela na qual a pureza e a perfeição resplandecem ao máximo suas possibilidades. Quase todas as heresias têm em comum precisamente esta proposta. Se prestarmos atenção, esta tese põe em questão a Encarnação, ou seja, a certeza sobre a radicalidade da imersão de Deus ao interior da condição humana. A verdadeira Igreja de Jesus não é uma seita de «puros», de «perfeitos», mas o lugar privilegiado onde os pecadores podem encontrar uma Amizade que os reconstrua com seu perdão. A Igreja é a experiência empírica de que existe um Amor maior que nossa fragilidade que nos espera sempre (particularmente no sacramento da reconciliação).O que significa isso para o tema que nos ocupa? Quando dizemos ao Papa «Sua Santidade» ou reconhecemos no bispo uma especial autoridade, nós o fazemos primeiramente pelo Mistério que se opera neles através de sua limitação. Por isso, a fidelidade ao papado é fidelidade a «este Papa em concreto»; a fidelidade «aos bispos» é fidelidade a «este bispo em concreto». A fidelidade mencionada, em uma palavra, é sempre fidelidade a Cristo, que com eficácia atua no meio da história através de instrumentos limitados — ou limitadíssimos.

Quando um Papa, como João Paulo II, também viveu de maneira extraordinária a docilidade à graça, toda esta questão se torna especialmente transparente. A santidade subjetiva de Karol Wojtyla é uma ajuda pedagógica para entender que o amor ao Papa não pode esgotar-se em «um Papa», mas que deve ser estendida ao atual Pontífice. A vida santa de João Paulo II mostra as razões pelas quais é preciso acompanhar com o pensamento e com o coração, também hoje, Bento XVI e os bispos em geral: Cristo é sempre maior que nós, Cristo não abandona a sua Igreja.

A fidelidade à Igreja, ao Papa e aos bispos é a própria fidelidade a Cristo.
Ter um Papa santo é um convite a perseverar neste caminho. Não é válido, portanto, pretender ser fiel a Cristo deixando a Igreja de lado, ser fiel ao Papa ignorando em concreto o colégio episcopal, valorizar a colegialidade sem Pedro. Tampouco é válido supor que nisso basta um tipo de fidelidade intelectual genérica ao Magistério. A fidelidade intelectual a um certo conteúdo é apenas o começo da fidelidade real, que deve passar pelo coração e por gestos concretos que expressem de maneira igualmente concreta que não fragmentamos o Mistério da Igreja de acordo a nossos gostos particulares, mas que o aceitamos integralmente como dom imerecido, ainda quando isso comporte momentos de sofrimento, de incompreensão, de solidão.

Alguns pensam que a fidelidade é um ripo de submissão da liberdade à lógica do poder — neste caso, eclesiástico. Desde esta atitude, emerge um «complexo anti-romano», «anti-eclesial» aparentemente justificado. Dado que existem jogos de poder entre alguns prelados, se justificaria o distanciamento existencial do Papa e dos bispos. Mais ainda, se justificaria o distanciamento da Igreja como instituição. É evidente que quando a Igreja é interpretada como Instituição de poder, não pode mais que gerar uma repugnância desse tipo. Contudo, são precisamente os santos que nos mostram que o principal critério hermenêutico para aproximar-se da Igreja não é o poder político.No segundo aniversário da morte do Papa João Paulo II, é preciso que todos nós vejamos em sua pessoa uma ocasião para reaprender a amar a Igreja real — com todas as suas peculiaridades — também hoje. Isso não significa ser cegos frente às deficiências humanas que sempre existem. Ao contrário, significa ter o olhar dirigido àquilo que prevalece ainda sobre a morte e o pecado, e que
em João Paulo II encontrou uma especial ocasião de verificação.

Presidente do Episcopado francês: Defesa da vida e a família são desafios urgentes

Filed under: Familia — Prof. Felipe Aquino at 11:33 am on Monday, April 2, 2007

PARIS, 2007-03-29 (ACI).- O Arcebispo de Bordeaux e Presidente da Conferência Episcopal Francesa (CEF), Cardeal Jean Pierre Ricard, assinalou alguns dos principais desafios de cara às próximas eleições no país, entre os quais se encontram a defesa da vida e a família e o assunto da imigração, ao inaugurar a Assembléia Plenária dos bispos franceses que se celebra em Lourdes de 27 a 30 de março.O Cardeal afirmou em seu discurso que “os católicos, quando tomam uma decisão política, têm que ser consistentes com suas crenças cristãs“, entre as quais mencionou à família, “a célula básica da comunidade humana, que no presente afirma ser custodiada mais que nunca”. “Estamos a favor da família apoiada no matrimônio de um homem e uma mulher, abertos à procriação, e ao direito das crianças a ter um pai e uma mãe“, afirmou o Cardeal.Deste modo rechaçou “o pretendido direito à morte, que significaria a legalização da eutanásia. A dignidade da vida tem que ser reforçada em todo momento e por isso, não pode admitir de maneira nenhuma a prática da eutanásia“.Ao referir-se ao aborto, o Cardeal Ricard foi enfático na necessidade de defender a vida do não nascido e alertou sobre os perigos da investigação bioética quando não se respeitam os direitos do homem.O Presidente da CEF também ressaltou a importância de tudo o que conduz a uma maior partilha do trabalho e as riquezas para lutar contra as desigualdades crescentes no mundo e no país. “Europa não pode nem deve desinteressar do resto do mundo; ou melhor, deve ter plena consciência que outros países e outros continentes esperam dela iniciativas audazes para oferecer aos povos mais pobres, os meios para seu desenvolvimento e organização social e para edificar um mundo mais justo e fraterno”, disse. 

Sobre a homofobia (rejeição do homossexualismo)

Filed under: Homossexualidade — Prof. Felipe Aquino at 8:44 am on Monday, April 2, 2007

 

Autor: Jonathan I. Katz - professor de Física da Universidade de Washington, demonstra que a chamada “homofobia” (rejeição ao homossexualismo) é uma postura perfeitamente legítima.  

Homofobia é a opinião moral de que a conduta homossexual (a maior parte desse artigo se refere especificamente à conduta homossexual masculina) é errada. Homofobia não é como preconceito étnico, racial ou religioso, que negam o valor e direitos morais intrínsecos de outras pessoas. Em vez disso, é uma opinião moral acerca de atos que indivíduos praticam por escolha. 

Se você é religioso, provavelmente você concorda com a posição homofóbica, pois a maioria das religiões tem essa opinião moral. A Bíblia judaica e cristã descreve a atividade homossexual, na maior parte das traduções, como “abominação”. Dá para encontrar essa condenação no Livro de Levítico, junto com condenações ao incesto e ao sexo entre seres humanos e animais. Diferente da homossexualidade, não há nenhuma campanha organizada para ganhar a aprovação desses pecados sexuais, que quase todos condenam. A mesma palavra é usada para condenar o ato ilegal de mudar os marcadores de limites, um pecado grave numa sociedade agrícola. 

Se você confia só na sua própria razão e raciocínio, você vai querer uma explicação lógica, além da Palavra de Deus, e além do nojo que a maioria das pessoas sente. Por que grande parte das culturas adotou essa atitude? O sujeito que só confia na inteligência humana não aceita nenhum livro como Palavra de Deus, mas considera esses livros como a personificação da sabedoria tradicional. Contudo, ele não devia rejeitá-los totalmente. Ele deveria perguntar o motivo por que a sabedoria tradicional chegou a essa conclusão.  

A história médica recente oferece um argumento convincente. O HIV, o vírus que causa a AIDS, esteve presente, e ocasionalmente foi encontrado na população humana, por aproximadamente meio século (alguns casos esporádicos foram identificados em 1950, ou mesmo antes). No entanto, esses casos eram raríssimos. A moderna epidemia de AIDS começou de repente em 1980. Suas primeiras vítimas eram homens envolvidos na imoralidade homossexual. No começo, era chamada de “Deficiência Imunológica Ligada aos Gays”.Nos Estados Unidos, as atitudes para com o homossexualismo mudaram na década de 1970. Antes, era um vício praticado secretamente na privacidade. Depois, passou a ser um grupo aceito e a céu aberto. Em muitos lugares, “sodomita” deixou de ser um insulto. Essa aceitação levou à tolerância, e prática ampla, da nojenta prostituição homossexual. O HIV, caindo no solo fértil da prostituição masculina, transformou a AIDS
em epidemia. Mesmo antes de se conhecer a AIDS, os homens envolvidos em práticas homossexuais eram famosos por terem um elevado índice de doenças venéreas.
 

O crente religioso consegue ver a mão de Deus na proibição que a religião faz do homossexualismo, mas tanto ele quanto aquele que confia na própria razão precisam ver um fato da natureza. O corpo humano não foi planejado para receber agulhas hipodérmicas que outros usaram, não foi planejado para a prostituição e não foi planejado para se envolver em atos homossexuais. Envolver-se em tais condutas é como dirigir moto, sem capacete, numa estrada coberta de gelo. Por algum tempo, pode ser possível escapar, e alguns podem até se sentir eletrizados com tal risco, mas mais cedo ou mais tarde (provavelmente mais cedo) as conseqüências serão catastróficas. As doenças letais se espalham rapidamente entre pessoas que fazem essas coisas. 

Infelizmente, as vítimas não são só os indivíduos cuja conduta sem juízo trouxe morte para si mesmos. Há muitas vítimas completamente inocentes também: hemofílicos (uma boa parte morreu como conseqüência de fator de coagulação contaminado), pessoas que receberam transfusões contaminadas e seus cônjuges e filhos, pois a AIDS pode ser transmitida de forma heterossexual (nos Estados Unidos, a transmissão heterossexual não é freqüente) e de nascença. A estrada coberta de gelo está marcada por um rastro de vítimas inocentes caídas, que jamais escolheram andar de moto. Os culpados dessas mortes são os homossexuais e usuários de drogas intravenosas que envenenaram seu fornecimento de sangue. Essas pessoas morreram de modo que os sodomitas pudessem se sentir bem acerca de si mesmos. 

Atualmente, o teste do HIV reduziu o risco de infecção pela transfusão quase (mas não completamente) a zero. Contudo, se surgir um novo vírus mortal transmitido pelo sangue, milhares de pessoas serão infectadas até que se possa detectá-lo e se desenvolver um teste. A experiência com o HIV mostra que os ambientes da promiscuidade homossexual e uso de drogas intravenosas podem prontamente transformar uma simples infecção numa epidemia.O que rejeita o homossexualismo não se envolve em violência contra os homossexuais. Enojado, ele se mantém longe deles. Os  que são contra o homossexualismo se dividem em opiniões com relação à necessidade de leis contra os atos homossexuais. Alguns crêem que as leis são um bom jeito de se reduzir a freqüência desses atos e suas conseqüências prejudiciais. Outros, provavelmente a maioria, crêem que criminalizar esses atos é inútil, exatamente como pode ser inútil criminalizar o uso de drogas, e que as leis podem levar a perseguições destrutivas. Esses homófobos crêem que o melhor método de lidar com o homossexualismo é condená-lo moralmente. Nossa sociedade já aplica esse método para lidar com muitas outras práticas destrutivas, como adultério, álcool, uso de cigarro e suicídio. A condenação moral não eliminará completamente essas práticas. Nem a lei consegue eliminar todas as práticas erradas. Mas um clima de desaprovação pode reduzir sua freqüência e seus danos. 

E com relação àqueles que vivem atormentados por desejos sexuais contra a natureza? Será que eles deverão eternamente suprimir esses desejos? Sim, mas esse não é o único destino desse tipo. A maioria dos homens e mulheres tem pensamentos adúlteros quase que regularmente, e se acham atraídos por pessoas do sexo oposto, pessoas com quem eles não estão casados. A moralidade exige que eles suprimam esses desejos, e a maioria não comete adultério, embora alguns sintam desejo lascivo no coração. Quase todo mundo, numa ocasião ou outra, cobiça a propriedade dos outros. Mas eles não roubam. Muitos sentem grande raiva e ódio intenso em algum momento de suas vidas. Mas eles não matam.Sinto orgulho de ser homófobo. 

Fonte: http://www.physics.wustl.edu/~katz/defense.html 

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com.br;