Dra. Zilda Arns fala do aborto

Filed under: Aborto — Prof. Felipe Aquino at 2:05 am on Thursday, May 24, 2007

Zilda Arns: “Sou absolutamente contra o aborto”

Para Zilda Arns, médica pediatra e sanitarista, “tentar solucionar os milhares de abortos clandestinos realizados a cada ano no País com a legalização do aborto é uma ação paliativa, que apontaria o fracasso da sociedade nas áreas da saúde, da educação e da cidadania e, em especial, daqueles que são responsáveis pela legislação no país”. Ela vê o embrião como um ser humano completo em fase de crescimento “tanto quanto um bebê, uma criança ou um adolescente”. Irmã do cardeal D. Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, Zilda é também fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
 
IHU On-Line – Em que a senhora fundamenta sua posição radicalmente contrária ao aborto?
 
Zilda Arns - Sou absolutamente contra o aborto. Em primeiro lugar, sou a favor da vida, e fundamento meu ponto de vista não somente na fé cristã, mas também na ciência e em aspectos éticos e jurídicos. Já está comprovado cientificamente que o feto é um ser humano completo, desde a sua concepção e, por isso, tem direito à vida, como defende o artigo quinto da Constituição Brasileira e o artigo segundo do Código Civil. Cabe ao Estado o dever de tutelar e proteger a vida do embrião ou do feto de qualquer ameaça, sob pena de violação dos direitos humanos.
 
Sou médica pediatra e sanitarista, com mais de 47 anos de experiência em saúde pública. Além disso, estou nos últimos 24 anos à frente da Pastoral da Criança (instituição que acompanha 1,9 milhão de crianças com menos de seis anos, em 42 mil comunidades pobres do país). Por isso, tenho a convicção de que medidas educativas e preventivas são as únicas soluções para o problema das gestações não desejadas. Tentar solucionar problemas, como a gravidez indesejada na adolescência, ou atos violentos, como estupros e os milhares de abortos clandestinos realizados a cada ano no País, com a legalização do aborto, é uma ação paliativa, que apontaria o fracasso da sociedade nas áreas da saúde, da educação e da cidadania e, em especial, daqueles que são responsáveis pela legislação no país. Não se pode consertar um crime com outro ainda maior, tirando a vida de um ser humano indefeso. É preciso investir na educação de qualidade, nas famílias e nas escolas.
 
É preciso, antes de tudo, refletir. Será que nos países em que esse e outros abortos são permitidos, os jovens e as mulheres estão mais conscientes e têm menos problemas?  Esta e outras questões estão relacionadas na carta que enviei, no final de 1997, ao Congresso Nacional como apelo da Pastoral da Criança em defesa da Vida, e artigos publicados em revistas e jornais nos últimos anos. Antes de qualquer coisa, é preciso diminuir a desigualdade social e dar mais oportunidades, principalmente às mulheres mais pobres.
fonte: amaivos.uol.com.br

Pe. Zezinho fala do Papa

Filed under: Palavras do Papa — Prof. Felipe Aquino at 3:37 pm on Wednesday, May 23, 2007

21/05/2007
Pe. Zezinho, SCJ - O SERENO BENTO XVI

Tímido, ou sereno?  Sua autobiografia de 1997 “La mia vita” não está nas livrarias do Brasil. Seu site www.ratzinger.it é pouco conhecido dos brasileiros. Pouca gente o lê ou sabe o que ele diz, porque Bento XVI quando ainda era o Cardeal Joseph Ratzinger era pouco divulgado no Brasil. Agora que é o papa continua pouco lido e pouco conhecido. O que a maioria sabe vem das reportagens  ou de entrevistas com teólogos a favor ou contra. Mas Bento XVI, que segundo seus amigos é mais sereno do que tímido, tem falado e, em muitas biografias algumas já publicadas em português, pode-se saber o que ele pensa, de onde tira as suas convicções e porque age como age.

São mais de 50 anos de teologia e Bento XVI é, reconhecidamente, um dos maiores teólogos do nosso tempo. Chamado de inquisidor, Panzerkardinal, conservador ou guardião da fé, na vida real, para quem o conheceu e com ele conviveu ele é um interlocutor sereno que se importa com as pessoas e sabe muito bem o que a Igreja lhe pediu e pede. Não se ofereceu para o cargo que ocupava na Congregação para a Doutrina da Fé: foi escolhido.  Não se nomeou papa, foi escolhido. Uma vez escolhido, obedeceu. Está cuidando da fé católica do jeito que seus 50 anos de teólogo lhe ensinaram e do jeito que seu ofício exige.

Teólogos e pensadores católicos e outros podem expressar a sua opinião em artigos, entrevistas  e livros e o fazem o tempo todo.  O que não podem é querer que o papa concorde em tudo com eles, qualquer que seja a linha que adotem ou as doutrinas que enfoquem. Por tradição dos católicos, o papa tem, sim,  o direito de intervir e sua opinião deve, sim,  pesar mais do que a dos pensadores ou escritores católicos que têm também a sua importância. Mas, na hora de decidir, vale o que diz o papa. Temos um papa e entre nós, o papa pode e deve agir.

Sua visita ao Brasil mostrou que milhões de  católicos amam o papa, embora alguns discordem dele ou nem sempre sigam a sua orientação. Nem tudo o que dizem que ele disse, ele realmente falou e muito do que ele realmente falou a maioria nunca leu. Os colunistas e jornalistas e entrevistados têm o direito de falar. Bento XVI, mais do que direito, tem o dever. E ele  tem falado com serenidade. Somos 130 milhões de católicos, ao menos de nome. Quem sabe, depois dele um grande número decida ser um pouco mais do que isso. Ele não estudou teologia por mais de 50 anos para ficar calado. Foi eleito para falar e agir! É o que Bento XVI tem feito!

Bento XVI – Serenidade e Firmeza

Filed under: Papa Bento XVI — Prof. Felipe Aquino at 11:55 pm on Monday, May 21, 2007

Dr. Carlos Alberto Di Franco - diretor do Master em Jornalismo, professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, Espanha; é diretor da Di Franco – Consultoria em Estratégia de Mídia. E-mail: difranco@ceu.org.br - 21 de maio de 2007

A cobertura da imprensa à recente visita do papa ao Brasil, completa e profissional, marca um capítulo na historia do jornalismo de qualidade. Emissoras de TV, rádios, jornais, revistas e sites deram um espetáculo de competência técnica e informativa. O estereótipo de um Papa frio e duro desabou na sua primeira aparição na sacada do Mosteiro de São Bento. Bento XVI transmitiu uma simplicidade que comoveu e cativou.

No encontro com milhares de jovens no Estádio do Pacaembu, o Papa defendeu a pureza antes do casamento, condenou a infidelidade no matrimônio e não deixou de pedir por mais vocações sacerdotais. Ele também reafirmou que a Igreja não precisa de católicos nominais, mas de católicos capazes de seguir o exemplo de Cristo. O discurso, que durou 40 minutos, foi interrompido várias vezes pelos aplausos do público.

O papa não deixou de falar dos desafios que os jovens enfrentam no mundo moderno, marcado por “um enorme déficit de esperança”, pelo “medo de morrer” e o “medo de sobrar”. A alternativa a isso, sublinhou, é uma plena adesão, de forma convicta e rigorosa, aos mandamentos da Igreja. A resposta dos jovens, surpreendente para alguns, foi uma impressionante ovação.

No momento mais informal e descontraído de sua viagem ao Brasil, o papa encontrou-se com 2.500 dependentes de drogas. Emocionado, chamou-os de “prediletos de Deus” e deixou-se tocar, abraçar e beijar. Mas foi duríssimo ao se referir aos traficantes. “Deus vai lhes exigir satisfações”, disse com energia. “A dignidade humana não pode ser espezinhada dessa maneira.” E completou: “O mal provocado recebe a mesma reprovação dada por Jesus aos que escandalizavam os ‘pequeninos’, os preferidos de Deus.” As 7 mil pessoas presentes ao evento interromperam o discurso para o aplauso mais entusiasta do dia.

Os impressionantes aplausos ao papa Bento XVI, considerado por alguns um solitário na contramão da história, não podem ser explicados por critérios sociológicos. O ímã do pontificado - do carismático João Paulo II, do racional Bento XVI e todos - reside numa reiterada percepção secular: a consciência de que o Papa é o único homem no qual milhões de pessoas vêem um vínculo direto com Deus. O Papa, além disso, galvaniza a nostalgia de Deus que floresce sobre os cacos que sobraram das tentativas de liberação do transcendente.

Alguns, equivocadamente, imaginam que o influxo cristão sobre os assuntos temporais deveria não existir. Gostariam de ver o papa reduzido à liderança de uma ONG da boa vontade. Querem ver a religião reduzida ao culto, sobretudo privado. Entrincheirada no ambiente rarefeito das sacristias, estaria desprovida de qualquer possível projeção social. A história, no entanto, demonstra que o sucessor de Pedro, depositário da fé e da coerência doutrinal da Igreja, sempre será “sinal de contradição”. E os seus seguidores, embora iguais aos demais, são, ao mesmo tempo, fermento, sal, levedura.

O crescimento da Igreja, como bem salientou o Papa, se dá “muito mais por atração”, nunca por imposição. Entre uma pessoa de fé e um fanático existe uma fronteira nítida: o apreço pela liberdade. O fanático impõe. Empenha-se
em aliciar. A pessoa de fé, ao contrário, assenta serenamente em seus valores. Por isso, a sua convicção não a move a impor, mas a estimula a propor, a expor à livre aceitação dos outros as idéias que acredita dignas de ser compartilhadas. Nos cinco dias da visita do papa,
em São Paulo e Aparecida, multidões foram confirmadas na fé, cresceram em segurança, sepultaram respeitos humanos e, sobretudo, abriram um grande espaço de liberdade.

A Intercessão e o Culto dos Santos - imagens e relíquias

Filed under: Livros do Prof. Felipe — Prof. Felipe Aquino at 11:04 pm on Friday, May 18, 2007

Capa A Intercessão

A Intercessão e o Culto dos Santos - imagens e relíquias

A IGREJA É SANTA; esta santidade se manifesta sobretudo nos seus Santos. No céu, diz a liturgia, “eles intercedem por nós sem cessar”.

Desde a sua origem, há dois mil anos, a Igreja cultua os Santos e invoca a sua intercessão. É uma prática confirmada e aprovada pela Sagrada Escritura, pela Sagrada Tradição e pelo Sagrado Magistério, em todos os tempos.

Da mesma forma as Imagens e as Relíquias dos Santos têm um grande valor nem sempre conhecido pelos católicos.

Por não conhecer a profundidade desse mistério muitos cristãos deixam de ser beneficiados pelos “moradores do céu”.

Formato: 14×21cm
144 páginas

[+ Ver sumário e introdução]

PAPA JOÃO PAULO II - A VERDADEIRA LIBERTAÇÃO

Filed under: Teologia — Prof. Felipe Aquino at 3:26 pm on Friday, May 18, 2007

Quando se discute mais uma vez em Aparecida, na V Conferência do CELAM, também o tema “libertação”, vale a pena colocar aqui um trecho da alocução proferida pelo S. Padre João Paulo II na audiência geral de 21/02/79, em alusão ao tema “libertação”. Ele salientava índole clássica e perene deste vocábulo, que sempre esteve presente nos escritos da teologia e, por conseguinte, não é algo de novo nem de específico em nossos dias ou na América Latina. A libertação tem a sua fonte na verdade ensinada por Cristo. As palavras do Papa João Paulo II, enfatizando a libertação como conversão interior de todo homem, apresentam a autêntica maneira de se abordar o tão controvertido tema da “libertação”. 

Prof. Felipe Aquino – 18 de maio de 2007 

Palavras do Papa 

“Foi para que ficássemos livres que Cristo nos libertou (Gl 5,11). Assim a libertação é certamente uma realidade de fé, um dos fundamentais temas bíblicos, inscritos profundamente na missão salvífica de Cristo, na obra da Redenção e no seu ensinamento. Este tema nunca deixou de constituir o conteúdo da vida espiritual dos cristãos. A conferência do Episcopado Latino-Americano [Puebla, 1978] testemunha que este tema volta em novo contexto histórico; por isto deve ele retomar-se na sua profundidade própria e na sua autenticidade evangélica… 

A “teologia da libertação” é freqüentemente relacionada (algumas vezes demasiado exclusivamente) com a América Latina; é necessário, porém, dar razão a um dos grandes teólogos contemporâneos (Hans Urs von Balthasar), que justamente exige uma teologia da libertação de dimensão universal. Só são diversos os contextos, mas a realidade mesma da liberdade para a qual nos libertou Cristo, é universal. A missão da teologia é encontrar o seu verdadeiro significado nos diversos e concretos contextos históricos contemporâneos. 

O próprio Cristo relaciona, de modo especial, a libertação com a consciência da verdade: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32). Esta frase garante sobretudo o significado íntimo da liberdade para a qual nos liberta Cristo. Libertação significa transformação interior do homem, que é conseqüência do conhecimento da verdade. A transformação é, portanto, processo espiritual, em que o homem se aperfeiçoa na justiça e na santidade verdadeira (cf. Ef 4,24). O homem, assim amadurecido internamente, torna-se representante e porta-voz dessa justiça e santidade verdadeira nos diversos meios da vida social. A verdade tem importância não só para o crescimento da consciência humana, aprofundando deste modo a vida interior do homem; a verdade tem ainda significado e força profética. Constitui o conteúdo do testemunho e requer um testemunho. Encontramos esta força profética da verdade no ensinamento de Cristo. Como Profeta, como testemunha da Verdade, Cristo opõe-se repetidamente à não-verdade; fá-lo com grande força e decisão e muitas vezes não hesita em deplorar o que é falso. Tornemos a ler cuidadosamente o Evangelho; nele encontraremos não poucas expressões severas, como, por exemplo, sepulcros caiados, guias cegos, hipócritas, expressões que pronuncia Cristo, consciente das conseqüências que O esperam” (L’Osservatore Romano, ed. Portuguesa, 25/02/1979, p. 12). 

 

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