Novo Ministro do STF é católico convicto

Filed under: Noticias da Igreja — Prof. Felipe Aquino at 11:09 pm on Wednesday, September 26, 2007

Com grande satisfação publico o artigo do Padre Crispim Guimarães, cooordenador de Pastoral da Diocese de Dourados, sobre a feliz nomeação do Dr. Carlos Alberto Direito para o Supremo Tribunal Federal; um jurista católico convicto que defende a posição moral a Igreja diante do aborto, células tronco embrionárias, etc. Segue a matéria e muito agradecemos ao Padre Crispim por sua valiosa colaboração. É de homens como o Dr. Carlos Alberto que o Brasil precisa ter no Judiciário, no Legislativo e no Executivo, a fim de levantar esse país.

 

Conservador e carola 26.09.2007
 Foi assim que a grande imprensa batizou o novo Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Jurista respeitado pelos colegas do Poder Judiciário, o paraense Carlos Alberto Direito foi escolhido pelo Presidente Lula, ocupando a vaga deixada por Sepúlveda Pertence. Sendo católico, logo foi acusado de ser uma estratégia do governo e da Igreja Católica.
Para o Supremo tribunal e Justiça (STJ), Carlos Alberto foi indicado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1996, o que lhe garantiu sobrevivência no meio político habitado por tucanos e peemedebistas, propensos a rápidas adesões governistas.
Ao ser sabatinado no Senado Federal, logo foi interrogado do seu ser católico como se isto não o qualificasse para o cargo, mas conseguiu estabelecer uma trégua entre oposicionistas e governistas, ambos interessados na indicação do nome do ministro do STJ, não pelas mesmas razões.
Na sabatina, Carlos Alberto chorou ao falar de aborto e células-tronco, dois temas dos quais não fugiu ao ser questionado, mesmo porque aqueles que não são católicos ou cristãos dizem o que querem, por discordar devia ficar calado, segundo a imprensa. A platéia de senadores, escolada nesse tipo de cena, assentiu sem constrangimento.

Foi assim que os jornais noticiaram a sua nomeação: ao nomear um ministro com dotes de beato, Lula pretende trazer um pouco dos ares do Paraíso para o Planalto. O alvo do presidente é a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), antiga aliada do PT nas causas sociais, mas convertida, desde 2003, em crítica permanente ao governo federal?. É assim, levianamente se noticiam os fatos ligados à Igreja. Isto se fala porque de forma irresponsável muita gente procede e acredita que todos são farinha do mesmo saco?.
E continua a imprensa sobre a Igreja que segunda ela está decepcionado: em parte, por se sentir decepcionada com a lentidão das reformas sociais, mas muito por conta das posições liberais do governo petista com relação a temas como aborto, células-tronco, união civil de homossexuais, uso da camisinha e distribuição gratuita de pílulas anticoncepcionais. Nesse aspecto, a nomeação de Direito é quase uma concessão em troca de um armistício a ser conferido num futuro próximo. Bispos e arcebispos aplaudiram efusivamente a nomeação. Movimentos sociais ligados às causas feministas protestaram?.
Referência
em Direito Civil, o novo ministro é conhecido pelo saber enciclopédico, pela retórica impecável e por possuir uma memória prodigiosa. É extremamente cuidadoso com as decisões tomadas
em plenário. Faz questão, inclusive, de redigir pessoalmente cada um dos votos proferidos no tribunal. Direito também é reconhecido como homem de cultura sofisticada. É um apreciador de música clássica e um leitor voraz: possui, em casa, uma biblioteca com mais de 10 mil títulos, sobretudo biografias e obras sobre História do Brasil e do mundo.
No STJ ficou conhecido por ter grande capacidade de expressão e convencimento. No tribunal, mostrou-se doutrinador nas questões de processo civil, direito de família e indenização. Apesar de discutir a dinâmica do Direito, o ministro gosta de respeitar as jurisprudências (conjunto das decisões e interpretações das leis feitas pelos tribunais superiores). Casado, pai de três filhos, é, desde 1967, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Autor de várias obras, lançou, no ano passado, o livro Estudo de Direito Público e Privado.
De sua competência e honestidade nada se fala. É impressionante, ao que parece é um homem de vida ilibada, mas isto não é primordial para um juízo, segundo os Meios de Comunicação Social. O que realmente importa? Se fosse um esquerdista liberal, que comungasse com as práticas sugeridas por muitos movimentos contrários à vida, estaria perfeito para o cargo. O Resto, honestidade, é só um acréscimo e desnecessários…
Há muito alertamos sobre o momento histórico que a nossa sociedade está imersa. Um fascismo crescente vem se apoderando da sociedade, se não tomamos consciência, logo poderá ser tarde demais para lutarmos contra certas propostas que atentam conta à vida e a família.  

Pe. Crispim Guimarães
Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados. 

Caminhada Arquidiocesana pelo SIM À VIDA

Filed under: Eventos — Prof. Felipe Aquino at 3:52 pm on Wednesday, September 26, 2007

No próximo dia 07/10 (domingo) será realizada a CAMINHADA ARQUIDIOCESANA PELO SIM À VIDA.

Será ocasião da Igreja de Olinda e Recife mostrar que é contra a legalização do aborto no Brasil. Precisamos concentrar o maior número de pessoas possível (no mínimo 100.000) para chamar a atenção da imprensa para a causa da defesa da vida humana, portanto vá e chame outras pessoas.

Teremos trio elétrico com bandas católicas e grande show no 2º Jardim.

Forme seu grupo! Não deixe de vir! Divulgue ao máximo!


Coordenação do Evento

evento

Sentido da Vida

Filed under: Meditação — Prof. Felipe Aquino at 11:02 pm on Tuesday, September 25, 2007
NÃO SEI

Cora Coralina

 

Não sei se a vida é curta / ou longa demais para nós

Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,

Se não tocarmos o coração das pessoas.

 

Muitas vezes, basta ser: Colo que acolhe

Braço que envolve, Palavra que conforta

Silêncio que respeita, Alegria que contagia,

Lágrima que corre, Olhar que acaricia

Desejo que sacia, Amor que promove,

E isso não é coisa de outro mundo.

 

È o que dá sentido à vida

É o que faz com que ela não seja,

Nem curta nem longa demais,

Mas que seja intensa, verdadeira, pura.

Enquanto durar.

 

“Feliz aquele que transfere o que sabe,

E aprende o que ensina”.

Reflexão sobre a Missa em latim

Filed under: Liturgia — Prof. Felipe Aquino at 8:17 pm on Monday, September 24, 2007

D. José Policarpo, Cardeal de Lisboa,  escreve aos padres sobre o Motu Próprio do Papa Bento XVI

 O sacerdote não deve pôr o acento no seu possível gosto pessoal pela
Liturgia anterior à Reforma Litúrgica

 

Carta a todos os Presbíteros que exercem o seu ministério no Patriarcado de Lisboa Caros Padres,

1. Dirijo-me a vós num momento da vida da Igreja, em que se exige particular discernimento pastoral: a publicação por Sua Santidade o Papa Bento XVI da Carta Apostólica, dada sob a forma de “Motu Proprio”, “SummorumPontificum Cura”. O “Motu Proprio” regula o uso, na Liturgia, do “Missale Romanum”, na sua última edição de 1962, promulgada pelo Papa João XXIII,como forma extraordinária de celebração da Liturgia católica segundo o RitoRomano.>> Ao apresentar este “Motu Proprio”, o Santo Padre escreveu uma Carta aos Bispos de todo o mundo, cujo texto é indispensável para a interpretação eaplicação pastoral do referido “Motu Proprio”. Ambos os textos serão publicados no “Vida Católica”. O Santo Padre reconhece que a notícia da publicação destas Normas provocou duas reações: uma entusiasta aceitação e uma férrea oposição. Espero que,entre nós, nenhuma destas atitudes extremas prevaleça. Considero que as pessoas que desejam celebrar a Liturgia do Missal de 1962 são, entre nós,uma minoria, embora permeáveis ao que se passa noutras Igrejas. É mais plausível a reação daqueles que sentem desgosto, pensando que se pôs em questão o Concílio Vaticano II e o seu “ex libris” que é a Reforma Litúrgica. De fato, muitos de nós vivemos com grande entusiasmo a Reforma Litúrgica e o espírito de “aggiornamento” proposto pelo Concílio, e isso modelou a nossa forma de ser cristão e imprimiu o rosto às comunidades cristãs, que aprenderam a viver a Liturgia, não apenas como manifestação da fé pessoal, mas como expressão viva de um Povo que se reconhece como comunidade quando celebra a Sagrada Liturgia. Em espírito de comunhão com o Santo Padre, escutando-o e obedecendo-lhe, queremos pôr pastoralmente em prática, com o discernimento que a sua aplicação a uma situação concreta exige, a sua orientação para toda a Igreja, percebendo as motivações que o moveram e os objetivos que pretende alcançar. Apesar de o “Motu Proprio” dar uma grande autonomia de decisão aos Párocos e, em certos casos, a todos os Sacerdotes, o Bispo não deixa de ser, como o Santo Padre reconhece, citando a “Sacrossanctum Concilium”, nº 22, o moderador da Liturgia na própria Diocese: “O governo da Liturgia depende unicamente da autoridade da Igreja: pertence à Sé Apostólica e, nas regras do direito, ao Bispo” (S.C., nº22). Na construção da unidade da Igreja diocesana, a aplicação deste “Motu Proprio”, no respeito pela autoridade do Santo Padre, expressamente manifestada, será definida pelo Bispo diocesano,com a colaboração do Departamento de Liturgia da Diocese. Os motivos e objectivos do Santo Padre.

 

 2. Antes de mais, o bem dos fiéis, daqueles que desejam a celebração segundo o Missal de 1962, porque procuram aí a dimensão sagrada do mistério da Eucaristia, que também podem encontrar na celebração segundo o Missal de Paulo VI, que devem em qualquer hipótese aceitar, porque continua a ser, para toda a Igreja, a forma normal de celebrar a Liturgia. O Santo Padre afirma mesmo que, vencidos os exageros de uma criatividade litúrgica mal concebida, é ocasião de imprimir nesta forma normal de celebrar a Missa toda a sua dimensão sagrada. Diz Bento XVI na Carta aos Bispos: “Na celebração da Missa segundo o Missal de Paulo VI, poder-se-á manifestar, de maneira mais intensa do que frequentemente tem acontecido até agora, aquela sacralidade que atrai muitos para o uso antigo.” celebrando “com grande reverência, em conformidade com as rubricas; isto torna visível a riqueza espiritual e a profundidade teológica deste Missal”.- O “bem dos fiéis” é, pois, o único motivo que pode levar os Párocos a usar o Missal de 1962, pelo que um Pároco não pode impor à Paróquia o Missal de 1962 apenas motivado pela sua perspectiva pessoal. - O “bem dos fiéis” supõe discernimento: quantos são os fiéis, quais os motivos que os levam a pedir essa Liturgia; que formação cristã e litúrgica possuem. De fato o Santo Padre afirma: “O uso do Missal antigo pressupõe um certo grau de formação litúrgica e o conhecimento da língua latina; e quer uma quer outro não é muito freqüente encontrá-los”. Que ninguém se precipite nem facilite, na certeza de que encontraremos de modo justo, uma resposta para os fiéis que o pedirem, obedecendo aos critérios enunciados pelo Santo Padre, que não contemplam motivos como o simples gosto pelo antigo, o ser diferente, ou a forma de reagir a imperfeições na forma atual de celebrar a Liturgia.

 

 3. Um outro objetivo do Santo Padre é salvaguardar a unidade da Igreja.”Trata-se de chegar a uma reconciliação interna no seio da Igreja”[1]. Na história da Igreja, mais do que uma vez, as grandes reformas originaram divisões com grupos de cristãos que não as aceitaram. Foi o caso dos “velhos católicos”, a seguir ao Concílio Vaticano I, e o do cisma de Mons. Lefebvre, a seguir ao Concílio Vaticano II. Bento XVI confessa que a primeira abertura ao uso do Missal de 1962, feita por João Paulo II no “Motu Proprio” Ecclesia Dei, foi motivada pela crise lefebriana e dirigia-se à Fraternidade S. PioX. O seu “Motu Proprio” dirige-se não apenas aos seguidores de Mons.Lefebvre, mas a outros cristãos, mesmo jovens que, pensa o Santo Padre, se sentem atraídos por essa Liturgia. O horizonte de análise do Santo Padre é a Igreja toda. Mas esta preocupação por salvaguardar a unidade da Igreja tem, nos dois documentos do Papa, outras concretizações a que devemos dar grande relevo pastoral: antes de mais, o Missal de Paulo VI é a forma normal, para toda a Igreja, de celebrar a Liturgia. Diz o Santo Padre que, “obviamente, para viver em plena comunhão, também os sacerdotes das Comunidades aderentes ao uso antigo não podem, em linha de princípio, excluir a celebração segundo os novos livros. De fato, não seria coerente com o reconhecimento do valor e da santidade do novo rito a exclusão total do mesmo”; por outro lado, quando o Pároco acha que deve acolher o desejo de um grupo de fiéis da sua Paróquia de celebrar pelo Missal de 1962, “tenha em conta que o bem destes fiéis seja harmonicamente coordenado com o bem pastoral de toda a Paróquia, sob orientação do Bispo nos termos do c. 392, evitando divisões e promovendo a unidade de toda a Igreja” (art.º 5 §1 do Motu Proprio). Isto quer dizer que tem de se avaliar o significado dessa abertura na harmonia de toda a comunidade. Papel dos Sacerdotes na aplicação destas Normas.

 

 4. Porque é o sacerdote quem preside à Eucaristia e aos Sacramentos, o bom discernimento pastoral dos sacerdotes é muito importante para uma aplicação positiva e equilibrada destas Normas. Como já ficou dito, o sacerdote não deve pôr o acento no seu possível gosto pessoal pela Liturgia anterior à Reforma Litúrgica, mas no bem dosfiéis e de toda a comunidade a que preside. O seu gosto pessoal só poderá ter lugar na missa privada, “sine populo” (art.º 2º). Estas celebrações não podem ser aquelas que são anunciadas ao Povo de Deus, como programa normal da Paróquia. Essas “missas privadas” não devem ser anunciadas. A possibilidade de outros fiéis assistirem a elas, como está previsto no art.º4º do “Motu Proprio”, não pode entender-se como divulgação pública das mesmas. Quanto às celebrações públicas para os fiéis que as pedirem, dada a não premência do fenômeno entre nós, que ninguém se precipite a conceder essas celebrações, sem um discernimento prévio, de preferência feito em presbitério e em diálogo com o Bispo. Estejam os Párocos particularmente atentos para se certificarem que os sacerdotes que se apresentam para celebrar segundo o rito antigo, mesmo na missa “sine populo”, são idôneos e não impedidos pelo Direito (cf. Art.º 5º§4).

 

 5. Os Párocos devem cuidar, particularmente, da qualidade e profundidade litúrgica dessas celebrações. O rito antigo, já muito distante da prática da Igreja, se não é celebrado com dignidade litúrgica, pode transformar-se em elemento desagregador do crescimento das comunidades. Neste aspecto tenham-se em conta, sobretudo os seguintes pontos:

 

 5.1. O uso da língua latina. É claro na Carta do Santo Padre aos Bispos que o seu uso supõe o conhecimento da língua latina. Infelizmente muitos sacerdotes da nossa Diocese já não sabem o latim. Esses sacerdotes devem considerar-se não idôneos para presidir à Missa segundo o Missal de 1962. Se as circunstâncias pastorais o aconselharem, devem procurar-se sacerdotes que o possam fazer dignamente.

 

 5.2. A música. Os textos do Missal de 1962 estão musicados
em gregoriano. A possibilidade de os cantar, com o mínimo de qualidade, deve ser condição para permitir missas comunitárias nesse rito.

 

 5.3. O vernáculo. As leituras em português supõem traduções aprovadas pela Santa Sé (cf. Art.º 6º).

 

 5.4. Os espaços sagrados. Os nossos templos estão orientados para a celebração da Missa segundo o Missal de Paulo VI. Fica proibida qualquer tentativa de alterações dos espaços, sobretudo do altar e do presbitério,por causa da possibilidade de celebrar o ritual de 1962, que aliás já previa a celebração “versus populum”. Princípios basilares a ter em conta.

 

 6. Os textos litúrgicos emanados da Reforma Litúrgica constituem a Liturgia normal da Igreja para todos. O uso de textos de antes da Reforma Litúrgica, é excepcional, motivado pelo “bem dos fiéis”, a discernir e analisar ponderadamente.

 

 7. As celebrações, segundo esse rito, devem ser durante a semana. Nos Domingos e dias festivos, celebra-se a Liturgia normal. O Santo Padre abre a hipótese, no caso dum grupo significativo de fiéis o aconselhar, de uma das celebrações paroquiais nos Domingos e dias festivos seguir o Missal de 1962. Na nossa Diocese, peço aos Párocos que, por enquanto, não permitam essas celebrações dominicais, antes de uma análise profunda da situação. Se chegarmos à conclusão que o “bem dos fiéis” o exige, encontraremos, em conjunto, formas de lhes garantir, ao Domingo e dias festivos, celebrações de grande qualidade segundo a Liturgia antiga.

 

 8. Estejamos vigilantes para que esta abertura concedida pelo Santo Padre,tendo em conta o bem de toda a Igreja, não se transforme numa campanha em favor da Liturgia antiga. Isso seria contra a Reforma Litúrgica e todo o espírito do Concílio Vaticano II, e ignoraria o caráter extraordinário,claramente afirmado pelo Santo Padre, do uso do Missal de 1962.

 

9. Procuremos todos celebrar a Liturgia com qualidade, unção e sentido do Sagrado. Estas qualidades que aparecem a justificar os que procuram a Liturgia antiga, são aliás valores da Reforma Litúrgica, pois toda ela é expressão, em assembléia orante, da fé da Igreja.

 

 Conclusão 10. Assino esta carta com data de 14 de Setembro, no dia em que entra emvigor a Carta Apostólica do Santo Padre “Summorum Pontificum Cura”. Ela é a expressão da nossa comunhão obediente com o Santo Padre, mas também oassumir das nossas responsabilidades pastorais, como Pastor desta Igreja de Lisboa.

 

 Lisboa, 14 de Setembro de 2007, Festa da Exaltação da Santa Cruz -  D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca

 

 [http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=50703&seccaoid=9&tipoid=1

 

SOMOS CIDADÃOS DO CÉU

Filed under: Meditação — Prof. Felipe Aquino at 7:32 pm on Monday, September 24, 2007

 

Com essas palavras, São Paulo indicou aos filipenses e a todos nós, cristãos, qual é a nossa vocação última. E o apóstolo acrescentou: “É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso” (Fl 3,20b-21a).

Essa é a razão da nossa esperança, aquela que São Pedro pediu que manifestássemos aos outros (cf. I Pd 3,15).

O cristão vive com os pés na terra e com o coração no céu Toda a pregação da Igreja é baseada na esperança da ressurreição. “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (1 Cor 15,14), disse São Paulo. E o apóstolo afirmou: “Se é só para esta vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima” (I Cor 15,19).

Muitos cristãos põem a esperança em Cristo apenas nesta vida, buscando nEle segurança, saúde, paz, conforto, dinheiro, até prestígio e prazer, só para esta vida, esquecendo-se de que são cidadãos dos céus. “Esses”, disse São Paulo, “de todos os homens, são os mais dignos de lástima” (citação livre de I Cor 15,19).

Cristo não veio para ser um libertador social (não redentor), descompromissado com aquele que disse: “O meu reino não é deste mundo” (Jo 18,36a).

Cristo nos quer a todos no céu, vivendo definitivamente com Ele. Para isso, devemos sacrificar toda a nossa vida aqui nesta terra. Foi o próprio Senhor quem nos disse claramente: “Pois, que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?” (Mc 8,36). Em outro lugar disse: “Não ajunteis para vós tesouros na terra (…). Ajuntai para vós tesouros no céu (…). Porque, onde está o teu tesouro, lá também está teu coração” (Mt 6,19a.20a.21). Nosso tesouro e nosso coração devem estar no céu e não na terra.

O Senhor se fez homem e passou pela amarga paixão, morte e ressurreição exatamente para nos conquistar uma morada no céu. Momentos antes de beber o cálice da paixão, Ele disse aos discípulos: “Na cada de meu Pai há muitas moradas. Não fora, assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais” (Jo 14, 2-3). Alegremo-nos, irmãos, pois somos cidadãos do céu.

Toda a nossa vida aqui nesta bela terra deve ser apenas uma diligente preparação para vivermos eternamente com Deus que é amor (cf. I Jo 4,8). São Paulo nos assegurou que “temos no céu uma casa feita por Deus e não por mãos humanas” (cf. II Cor 5,1). Para o apóstolo a vida terrena era um exílio: “Todo o tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor” (II Cor 5,6b). E ansiava pelo céu, dizendo: “Suspiramos e anelamos ser sobrevestidos da nossa habitação celeste (…). Pois, enquanto permanecemos nesta tenda, gememos oprimidos (…). Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo, para ir habitar junto do Senhor” (II Cor 5,2.4a.8) e “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1,21).

Todo cristão tem de ansiar pelo céu, pois ali é o seu destino. Pelos merecimentos de Jesus Cristo, somos filhos de Deus e participantes da natureza divina (cf. II Pd. 1,4); logo, somos herdeiros do céu: “Se somos filhos, também somos herdeiros”, disse São Paulo (citação livre de Rm 8,17).

Desejar o paraíso, disse Santo Afonso de Ligório, é o mesmo quer desejar a Deus, nosso último, pois lá O amaremos perfeitamente. Ali cumpriremos perfeitamente o mandamento do Senhor: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento” (Lc 10,27). Disse Santo Afonso que a nossa meta, aspirações e desejos devem ser isto: “Ir gozar de Deus no paraíso, para amá-lO com todas as nossas forças e gozar do gozo de Deus!” E afirmou que a maior felicidade da alma no céu é conhecer a felicidade infinita de Deus. “Entra no gozo do teu Senhor” (citação livre de Mt 25,21). A alma entra na felicidade de Deus; a felicidade de Deus é a sua felicidade.

Afirmou o santo que “no céu a alma fica toda presa e consumida pelo amor de Deus. Ela fica perdida e mergulhada no mar infinito da bondade divina. Esquece-se de si mesma e só deseja amar ao seu Deus. Possui a Deus plenamente sem o medo de poder perdê-lO. A todo o momento se entrega, sem reservas, a Deus. Deus a abraça com amor, e, assim abraçada, a tem e terá por toda a eternidade. Ela nada mais deseja. Deus está unido a ela com a Sua própria essência, saciando-se na medida da capacidade dela e dos seus méritos”.

Alegremo-nos, irmãos, somos cidadãos do céu! 

Prof. Felipe Aquino - www.cleofas.com.br

 

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