POSIÇÃO INCOERENTE DO GOVERNADOR DO RIO DE JANEIRO

Filed under: Aborto — Prof. Felipe Aquino at 2:45 pm on Sunday, October 28, 2007

Depois de apoiar abertamente o aborto  em um entrevista à Folha de São Paulo (25 out 07), o Governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, tentou se retratar do bárbaro erro, mas infelizmente complicou-se ainda mais. Suas declarações ao G1 provocaram uma série de repercussões. A CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) reafirmou sua posição contrária ao aborto.

Em entrevista à TV Globo (26 out 07), o Governador diz que é “covardia” não discutir o tema. Cabral e declarou “que ninguém é a favor do aborto”, mas disse ser uma ”covardia” que o tema não seja debatido pela sociedade. “Eu não sou favorável ao aborto, ninguém é favorável, obviamente. Agora, nós temos que ser favoráveis ao direito da mulher, se ela optar por isso, interromper a gravidez.”

O presidente da Associação de Moradores da Rocinha, William de Oliveira, se disse “favorável à vida”. A favela foi uma das citadas pelo governador na entrevista ao G1. Segundo Oliveira, educação seria mais eficaz que a prática do aborto no combate à violência.

Também  a embaixada do Gabão, país africano também citado por Cabral, repudiou as declarações do governador ao comparar a favela da Rocinha com Gabão e Zâmbia.

É esdrúxula a posição do Governador do Rio, e aliás também  a do Presidente da Republica, que se dizem pessoalmente contra o aborto, mas que, por outro lado o querem ver aprovado para o bem da “saúde do pública”.

Ora Governador, ora Presidente, se algo não presta pra mim, então  deve ser rejeitado e jogado fora; não se pode por exemplo pegar a comida estragada em minha geladeira e dá-la ao pobre com  a justificativa de que ele esteja necessitado. Há que se dar a ele parte da comida boa e saudável que está na minha geladeira e não o que está podre. O pobre e a sociedade não podem ser lata de lixo também no nível do humanismo.

Nesta lógica maquiavélica e pragmatista, vamos destruir as bases da civilização cristã ocidental que afirma que “o bem não pode ser feito por um meio mal”, e que “os fins não justificam os meios”. Nesta linha alguém poderia justificar o uso do dinheiro do narcotráfico para amenizar a miséria das favelas…

Na verdade, os que defendem o aborto “para o povo”, o aprovam também pessoalmente, apenas tentam camuflar a sua posição para amenizar diante do povo as críticas que vai receber. É hipocrisia; seria mais lógico dizer que aprova o aborto em qualquer condição.

A última pesquisa do “Data Folha” mostrou que o povo brasileiro é esmagadoramente contra o aborto (87%); e especialmente os católicos devemos cerrar fileiras com os nossos Bispos e dizermos alto e bom som que somos contra o assassinato covarde das criancinhas ainda não nascidas. É hora e sairmos do esconderijo, de deixarmos o “silêncio dos bons”, que é terrível e pecaminosa omissão,  e dizermos a todos que somos contra o aborto, em qualquer caso, porque Jesus Cristo o condena.

A Campanha da Fraternidade de 2008 será pela defesa da vida; será um ano de luta pela vida e contra o aborto e outras formas de ofensa à vida.  

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

   

AS IMAGENS NA TRADIÇÃO DA IGREJA

Filed under: Imagens — Prof. Felipe Aquino at 2:01 pm on Sunday, October 28, 2007

 

Na Encarnação do Verbo, Jesus Cristo mostrou aos homens uma face visível de Deus, que quis se servir de numerosos elementos sensíveis (imagens, palavras, cenas históricas…) para nos comunicar a Boa-Nova.  

Os cristãos foram, então, compreendendo que segundo a pedagogia divina, deveriam passar da contemplação do visível ao invisível. As imagens, principalmente os que reproduziam personagens e cenas da história sagrada, tornaram-se “a Bíblia dos iletrados” ou analfabetos. 

As imagens sempre foram usadas por Jesus e pelos Apóstolos como instrumentos eficazes e reveladores da realidade invisível: para anunciar o Reino de Deus usaram imagens de lírios, pássaros, sal, luz, etc., coisas que estimulavam a compreensão do abstrato através de imagens retiradas do mundo concreto. São Paulo também ensina que o Deus invisível tornou-se visível
em Jesus Cristo (cf. Cl 1,15).  

A controvérsia iconoclasta, inspirada por correntes judaizantes e heréticas nos séculos VIII e IX, que condenava o uso das imagens,  terminou com a reafirmação do culto dessas no Concílio de Nicéia II, em 787.   

Os Reformadores protestantes rejeitaram as imagens por causa dos abusos do fim da Idade Média; Lutero, porém, se mostrou bastante liberal com as imagens; não as proibia. Ultimamente entre os luteranos a atitude diante das imagens tem sido submetida a revisão. Lutero disse em 1528:“Tenho como algo deixado à livre escolha as imagens, os sinos, as vestes litúrgicas… e coisas semelhantes. Quem não os quer, deixe-os de lado, embora as imagens inspiradas pela Escritura e por histórias edificantes me pareçam muito úteis… Nada tenho em comum com os Iconoclastas (quebradores de imagens)” (Da Ceia de Cristo). 

S. Clemente de Alexandria († antes de 215) dizia que: “O próprio homem é a imagem viva de Deus”, eis o argumento que repete, acrescentando ainda um adágio freqüente na Igreja antiga: “Viste teu irmão, viste teu Deus” (Stromateis I 19 e II 15, PG 8,812 e 1009). 

Os cristãos foram percebendo que a proibição de fazer imagens no Antigo Testamento era apenas uma questão pedagógica de Deus com o povo de Israel.  As gerações cristãs foram compreendendo que a realidade da Encarnação do Verbo como homem, visível, indicava que eles deveriam subir ao Invisível passando pelo visível que Cristo apresentou aos homens. Assim, começaram a representar e meditar as fases da vida de Jesus e a representação artística das mesmas começaram a surgir como um meio valioso para que o povo fiel se aproximasse do Filho de Deus. 

É relevante notar que já nas antigas Catacumbas de Roma, os antigos cemitérios cristãos, encontram-se diversos afrescos geralmente inspirados pelo texto bíblico:  Noé salvo das águas do dilúvio, os três jovens cantando na fornalha, Daniel na cova dos leões, os pães e os peixes restantes da multiplicação efetuada por Jesus, o Peixe (Ichthys), que simbolizava o Cristo … 

Note que esses cristãos dos primeiros séculos ainda estão debaixo da perseguição dos romanos. E eles faziam imagens e pintavam figuras. Será que eram idólatras por isso? É lógico que não, eles morriam às vezes mártires exatamente para não praticarem a idolatria, reconhecendo César como Deus e lhe queimando incenso. Ora, se os nossos mártires usavam figuras pintadas,  é claro que elas são legítimas. 

Nas Igrejas as imagens tornaram-se a “Bíblia dos iletrados”, dos simples e das crianças, exercendo grande função catequética.  Alguns escritores cristãos nos contam isso. S. Gregório de Nissa (†394) escreveu: “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente” (Panegírico de S. Teodoro, PG 94, 1248c). 

S.João Damasceno, doutor da Igreja, grande defensor das imagens no Concilio de Nicéia II, disse:“O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados” (De imaginibus I 17 PG, 1248c).“Antigamente Deus, que não tem corpo nem face, não poderia ser absolutamente representado através duma imagem. Mas agora que Ele se fez ver na carne e que Ele viveu com os homens, eu posso fazer uma imagem do que vi de Deus.”“A beleza e a cor das imagens estimula minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo dos campos estimula o meu coração para dar glória a Deus”  (CIC, 1162). “Como fazer a imagem do invisível? … Na medida
em que Deus é invisível, não o represento por imagens; mas, desde que viste o incorpóreo feito homem, fazes a imagem da forma humana: já que o inviável se tornou visível na carne, pinta a semelhança do invisível”  (I 8 PG 94, 1237-1240).
“Outrora Deus, o Incorpóreo e invisível, nunca era representado. Mas agora que Deus se manifestou na carne e habitou entre os homens, eu represento o “visível” de Deus.  Não adoro a matéria, mas o Criador da matéria” (Ibid. I 16 PG 94, 1245s). 

O Papa São Gregório Magno († 604), doutor da Igreja,  escreveu a Sereno, bispo de Marselha, que ordenou quebrar as imagens:“Tu não devias quebrar o que foi colocado nas Igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado.  Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces.  O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os ignorantes; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir.  A imagem é o livro daqueles que não sabem ler”  (epist. XI 13 PL 77, 1128c). 

O Concílio de Nicéia II (787), com base nos sólidos argumentos de grandes teólogos como São João Damasceno, doutor da Igreja,  reafirmou a validade do culto de veneração (não adoração) das imagens.  O Concílio distinguiu entre Iatréia (em grego adoração), devida somente a Deus, e proskynesis (veneração), tributável aos santos e também às imagens sagradas na medida em que estas representam os santos ou o próprio Senhor; o culto às imagens é, portanto, relativo, só se explica na medida em que é tributado indiretamente àqueles que as imagens representam.  Assim se pronunciaram os padres conciliares: 

“Definimos … que, como as representações da Cruz …, assim também as veneráveis e santas imagens, em pintura, em mosaico ou de qualquer outra matéria adequada, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus (sobre os santos utensílios e os paramentos, sobre as paredes e de quadros), nas casas e nas entradas.  O mesmo se faça com a imagem de Deus Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, com as da … santa Mãe de Deus, com as dos santos Anjos e as de todos os santos e justos.  Quanto mais os fiéis contemplarem essas representações, mais serão levados a recordar-se dos modelos originais, a se voltar para eles, e lhes testemunhar … uma veneração respeitosa, sem que isto seja adoração, pois esta só convém, segundo a nossa fé, a Deus” (sessão 7, 13 de outubro de 787; Denzinger-Schönmetzer, Enchridion Symbolorum nº 600s). 

Note, então, que muito antes da Reforma Protestante, a Igreja já tinha estudado o uso das imagens; isto foi há cerca de 750 anos antes da Reforma.  

A sagrada Tradição da Igreja, sempre assistida pelo Espírito Santo (cf. Jo14,15.25; 16,12-13) sempre reconheceu o valor pedagógico e psicológico das imagens como um auxílio para a vida de oração.  

Todos os santos da Igreja, em todas as épocas, valorizaram as imagens. Santa Teresa de Ávila († 1582), ao ensinar as vias da oração às suas Religiosas, dizia :“Eis um meio que vos poderá ajudar… Cuidai de ter uma imagem ou uma pintura de Nosso Senhor que esteja de acordo com o vosso gosto. Não vos contenteis com trazê-las sobre o vosso coração sem jamais a olhar, mas servi-vos da mesma para vos entreterdes muitas vezes com Ele” (Caminho de Perfeição, cap. 43,1). 

Enfim, Deus não proibiu imagens de maneira absoluta; mas proibiu imagens de ídolos para serem adorados. Sabemos que uma meia verdade é pior do que uma mentira. Não se pode interpretar a Bíblia lendo apenas alguns versículos sobre um determinado assunto; é preciso ler todos os versículos da Bíblia que falam do mesmo assunto  para que a interpretação seja correta. O perigo da interpretação fundamentalista é este: fixar os olhos em um único versículo e querer tirar daí uma interpretação definitiva de uma verdade religiosa. Cai-se no erro.  

Igreja obscurantista e reacionária?

Filed under: Igreja — Prof. Felipe Aquino at 8:45 pm on Friday, October 26, 2007

Este artigo de Dom Fernando Mason, Bispo diocesano de Piracicaba - SP, é muito oportuno e esclarecedor; explica um pouco mais o que o Papa Bento XVI tem condenado: ” a ditadura do relativismo”; por  isso o publicamos aqui.

   ’Há pessoas que gostam de definir as posições defendidas pela Igreja Católica (e, conseqüentemente, a própria Igreja) como reacionárias, obscurantistas, medievais, atrasadas, fora do tempo. Dizem que, defendendo estas posições, a Igreja se aliena à opinião pública, perde fiéis ou pelo menos sua simpatia, caminha contra a história. Dizem ainda que a Igreja deveria se modernizar, caminhar com o nosso tempo. Trata-se de uma “técnica” barata que, antes de atacar alguém, busca desmoralizá-lo. 

Para nós católicos, ouvir isso com tanta insistência não traz nenhuma alegria. Pode até acontecer que alguém recue, sinta-se inferior ou que paire a dúvida de que de fato sejamos conservadores, reacionários, do passado. E fique bem claro que se nós fôssemos de fato reacionários, obscurantistas e do passado, deveríamos admiti-lo, deveríamos dar-nos uma sacudida e tomar um “banho de modernidade”.  

O problema é que, decididamente, nós não o somos! Nós, Igreja, somos os únicos que defendem certos valores substanciais da existência humana; que assumem o desafio de um matrimônio indissolúvel; o respeito radical à vida desde a sua concepção; a família fundada sobre o amor de homem e mulher; a sexualidade humanizada e responsável; o direito de cada criança de ter pai e mãe; a grata conservação da vida até seu desfecho natural; o amor com que devem ser acolhidos e amparados os portadores de deficiências, os anciãos e os doentes. Por que isso seria obscurantista, reacionário, do passado? E por que separação e divórcio; aborto e experiências com embriões; uniões homossexuais; pansexualismo; adoções por casais homossexuais; eutanásia e eugenia seriam progressistas, iluminados, “modernos”? Não se trata de desconhecer ou negar dramas vividos em situações limite no relacionamento esponsal, na identidade sexual, na doença terminal, etc, casos singulares que merecem e têm da Igreja o maior respeito, mas entre profundo respeito e a imposição de ter que achar normais certas soluções propostas há muita diferença. 

O dicionário etimológico diz que a palavra “moderno” vem do latim tardio “modus hodiernos”, que pode ser traduzido como “modo de hoje” ou “modismo, onda de hoje”. O “modo de hoje” é o vir à tona e o manifestar-se de vigores, tendências, posturas, gostos, articulações que caracterizam uma época. É o que chamamos de “cultura”. Este “modo de hoje” é espontâneo, isto é, vem à tona por impulso próprio.  

É necessário que o ser humano, individual e socialmente, analise criticamente seu “modo de hoje”, seu ser moderno e se posicione responsavelmente. A onda de hoje, o modismo impregnam nossa cultura. A utilidade como utilitarismo e a funcionalidade como funcionalismo do sujeito, seja ele uma pessoa, um grupo ou uma idéia são as forças dominadoras, exasperadas e dogmatizadas de nossa época, do nosso “modo de hoje”; são elas que estão por trás do processo de desumanização e desertificação do nosso viver.  

É uma bela notícia que, em nome da utilidade e da ciência, alguns cientistas ingleses tenham pedido autorização para realizar implantes de embriões humanos em animais! Nós “modernos”, que nos consideramos iluminados e críticos com o passado, não podemos falhar na urgente e decisiva tarefa de sermos responsavelmente críticos diante de nossa própria época.  

Desta tarefa, a Igreja dá conta com muita competência e iluminação, a partir da grande herança recebida de Jesus Cristo. A Igreja precisa se modernizar se entende-se que ela, a partir do Evangelho, para ser fiel ao ser humano e para participar sadiamente deste nosso tempo, deve crescer sempre mais no seu vigor crítico de nossa modernidade. Mas, longe de modernizar-se no sentido de pura e simplesmente se alinhar àquilo que todo mundo diz e faz para participar da onda acrítica do utilitarismo e funcionalismo de hoje.” 

 Fonte: Diocese de Piracicaba-SP  

O PURGATÓRIO NA BIBLIA

Filed under: Purgatório — Prof. Felipe Aquino at 5:41 pm on Friday, October 26, 2007

Muitos me perguntam onde está na Bíblia o Purgatório? Ele é uma exigência da razão e mesmo da caridade de Deus por nós. A palavra “Purgatório” não existe na Bíblia, foi criada pela Igreja, mas a realidade, o “conceito doutrinário” deste estado de purificação existe amplamente na Sagrada Escritura como vamos ver. A Igreja não tem dúvida desta realidade por isso, desde o primeiro século reza pelo sufrágio das almas do Purgatório.

1 - São Gregório Magno (†604), Papa e doutor da Igreja, explicava o Purgatório a partir de uma palavra de Jesus: “No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado nem no presente século nem no século futuro (Mt 12,31). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro” (Dial. 41,3). O pecado contra o Espírito Santo, ou seja a pessoa que recusa de todas as maneiras os caminhos da salvação, não será perdoado nem neste mundo, nem no mundo futuro. Mostra o Senhor Jesus, então, neste trecho, implicitamente, que há pecados que serão perdoados no mundo futuro, após a morte.

2 - O ensinamento sobre o Purgatório tem raízes já na crença dos próprios judeus do Antigo Testamento; cerca de 200 anos antes de Cristo, quando ocorreu o episódio de Judas Macabeus. Narra-se aí que alguns soldados judeus foram encontrados mortos num campo de batalha, tendo debaixo de suas roupas alguns objetos consagrados aos ídolos, o que era proibido pela Lei de Moisés. Então Judas Macabeus mandou fazer uma coleta para que fosse oferecido em Jerusalém um sacrifício pelos pecados desses soldados. “Então encontraram debaixo da túnica de cada um dos mortos objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia, coisas proibidas pela Lei dos judeus. Ficou assim evidente a todos que haviam tombado por aquele motivos… puseram-me em oração, implorando que o pecado cometido encontrasse completo perdão… Depois [Judas] ajuntou, numa coleta individual, cerca de duas mil dracmas de prata, que enviou a Jerusalém para que se oferecesse um sacrifício propiciatório. Com ação tão bela e nobre ele tinha em consideração a ressurreição, porque, se não cresse na ressurreição dos mortos, teria sido coisa supérflua e vã orar pelos defuntos. Além disso, considerava a magnífica recompensa que está reservada àqueles que adormecem com sentimentos de piedade. Santo e pio pensamento! Por isso, mandou oferecer o sacrifício expiatório, para que os mortos fossem absolvidos do pecado” (2Mc 12,39-45).

O autor sagrado, inspirado pelo Espírito Santo, louva a ação de Judas: “Se ele não esperasse que os mortos que haviam sucumbido iriam ressuscitar, seria supérfluo e tolo rezar pelos mortos. Mas, se considerasse que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormeceram piedosamente, então era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis porque ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, afim de que fossem absolvidos do seu pecado”. (2 Mac 12,44s) .Neste caso, vemos pessoas que morreram na amizade de Deus, mas com uma incoerência, que não foi a negação da fé, já que estavam combatendo no exército do povo de Deus contra os inimigos da fé. Cometeram uma falta que não foi mortal.

Fica claro no texto de Macabeus que os judeus oravam pelos seus mortos e por eles ofereciam sacrifícios, e que os sacerdotes hebreus já naquele tempo aceitavam e ofereciam sacrifícios em expiação dos pecados dos falecidos e que esta prática estava apoiada sobre a crença na ressurreição dos mortos. E como o livro dos Macabeus pertence ao cânon dos livros inspirados, aqui também está uma base bíblica para a crença no Purgatório e para a oração em favor dos mortos.

3 - Com base nos ensinamentos de São Paulo, a Igreja entendeu também a realidade do Purgatório. Em 1Cor 3,10, ele fala de pessoas que construíram sobre o fundamento que é Jesus Cristo, utilizando uns, material precioso, resistente ao fogo (ouro, prata, pedras preciosas) e, outros, materiais que não resistem ao fogo (palha, madeira). São todos fiéis a Cristo, mas uns com muito zelo e fervor, e outros com tibieza e relutância. E S. Paulo apresenta o juízo de Deus sob a imagem do fogo a provar as obras de cada um. Se a obra resistir, o seu autor “receberá uma recompensa”; mas, se não resistir, o seu autor “sofrerá detrimento”, isto é, uma pena; que não será a condenação; pois o texto diz explicitamente que o trabalhador “se salvará, mas como que através do fogo”, isto é, com sofrimentos.

4 - Na passagem de Mc 3,29, também há uma imagem nítida do Purgatório:”Mas, se o tal administrador imaginar consigo: ‘Meu senhor tardará a vir’. E começar a espancar os servos e as servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo virá no dia em que não o esperar (…) e o mandará ao destino dos infiéis. O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes.” (Lc 12,45-48). É uma referência clara ao que a Igreja chama de Purgatório. Após a morte, portanto, há um “estado” onde os “pouco fiéis” haverão de ser purificados.

5 - Outra passagem bíblica que dá margem a pensar no Purgatório é a de (Lc 12,58-59): “Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, faze o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele não te arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão. Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo.”

O Senhor Jesus ensina que devemos sempre entrar “em acordo” com o próximo, pois caso contrário, ao fim da vida seremos entregues ao juiz (Deus), nos colocará na “prisão” (Purgatório); dali não sairemos até termos pago à justiça divina toda nossa dívida, “até o último centavo”. Mas um dia haveremos de sair. A condenação neste caso não é eterna. A mesma parábola está´ em Mt 5, 22-26: “Assume logo uma atitude reconciliadora com o teu adversário, enquanto estás a caminho, para não acontecer que o adversário te entregue ao juiz e o juiz ao oficial de justiça e, assim, sejas lançado na prisão. Em verdade te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo” . A chave deste ensinamento se encontra na conclusão deste discurso de Jesus: “serás lançado na prisão”, e dali não se sai “enquanto não pagar o último centavo”.

6 - A Passagem de São Pedro 1Pe 3,18-19; 4,6, indica-nos também a realidade do Purgatório:”Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados (…) padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos na prisão, aqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes (…).” Nesta “prisão” ou “limbo” dos antepassados, onde os espíritos dos antigos estavam presos, e onde Jesus Cristo foi pregar durante o Sábado Santo, a Igreja viu uma figura do Purgatório. O texto indica que Cristo foi pregar “àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes”. Temos, portanto, um “estado” onde as almas dos antepassados aguardavam a salvação. Não é um lugar de tormento eterno, mas também não é um lugar de alegria eterna na presença de Deus, não é o céu. È um “lugar” onde os espíritos aguardavam a salvação e purificação comunicada pelo próprio Cristo.

Do livro: Purgatório. O que a Igreja ensina.

Prof. Felipe Aquino - www.cleofas.comb.br

Capa O Purgatório

Uma resposta ao governador do Rio de Janeiro

Filed under: Aborto — Prof. Felipe Aquino at 12:50 am on Friday, October 26, 2007

“O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), pai de cinco filhos, defendeu a legalização do aborto como forma de conter a violência no Estado e afirmou que as taxas de fertilidade de mães faveladas são uma “fábrica de produzir marginal”.’ (Folha de São Paulo – 25 out 2007 - cotidiano). Lamentavelmente outros governadores e políticos pensam da mesma forma. 

De acordo com o Governador, parte das mães moradoras de áreas carentes “estão produzindo crianças, sem estrutura, sem conforto familiar e material”.

Recebi vários emails pedindo que desse uma resposta a esta proposta do Governador.

O mais lamentável de tudo na palavra do Governador é que ele diz: “Sou cristão, católico, mas que visão é essa? Esses atrasos são muito graves.” Isto foi o que mais me doeu.

É preciso dizer ao Governador que ele pode até ser católico, porque foi batizado na Igreja Católica, mas não está em comunhão com a Igreja. É um filho rebelde que precisa voltar ao seio da Igreja. Quem não obedece a Igreja não é católico de verdade. Jesus disse aos Apóstolos: “Quem vos ouve a Mim ouve; quem vos rejeita a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita Aquele que me enviou.” (Lc 10,26). Rejeitar a doutrina da Igreja é rejeitar Jesus Cristo e Deus Pai. 

É lamentável de todo a visão cega e pagã do Governador que não enxergar que o aborto é um crime. Se os seus cinco filhos, que hoje já nasceram, fossem abortados quando eram fetos, ele não os teria hoje. Se ele, graças a Deus não os abortou, por que agora convida os pobres favelados a abortarem os seus filhos? Então, a vida do pobre vale menos?   

Atraso Governador, é matar o próprio filho no ventre da mãe! Todos os que defendem o aborto já nasceram.

 Muitos infelizmente querem justificar o aborto como necessário para evitar ou solucionar problemas de ordem econômica ou social: fome, desemprego, baixo salário, moradia; motivos subjetivos da gestante (por exemplo: solteira ou, sendo casada, ter engravidado em um adultério; gravidez indesejada, estupro, etc.), e muitos outros motivos.      

Mas em qualquer situação é absurdo pretender solucionar os problemas mediante o aborto. Será que a morte pode ser solução para os problemas da vida? É um fracasso humano aceitar essa ótica desumana. Nem os animais fazem isto.  

Sabemos que não há solução fácil para um problema difícil. Propor o aborto para solucionar o problema social, é uma barbaridade; é uma “solução fácil” e irresponsável. Como podemos resolver os problemas da vida eliminando a vida? Que lógica é esta Governador? 

 Matar o ser humano no ventre da mãe jamais será uma solução correta e digna para resolver os problemas da humanidade. Os meios não justificam os fins; não se pode fazer o bem através do mal.  

As soluções para os difíceis problemas sociais ou pessoais, especialmente o combate ao crime, devem ser encontradas em providências governamentais, forte ação social, educação de base,  aliadas à participação privada, e muito mais.

Sr. Governador, propor o aborto para vencer o crime no Rio de Janeiro, ou em qualquer outro lugar, é dar um atestado de fracasso humano, de covardia diante da vida indefesa, de desrespeito ao ser humano em gestação; é falta gravíssima contra Deus, seu Criador.  

O crime se vence com educação dos jovens, emprego, promoção social, fortes programas de apoio à família, educação moral, cívica e religiosa,  polícia preparada, justiça rápida, etc., e não propor o aborto. Se Herodes tivesse conseguido matar Jesus, o que seria da humanidade? Conheço famílias numerosas, que criaram 10, 11 filhos  no campo, em situação de trabalho difícil, mas que não geraram marginais e não deixaram os filhos perecerem. Esses pais têm formação moral; amam seus filhos.  

O que precisamos é ensinar às adolescentes e jovens a viver o sexo somente no casamento, para que cada criança que vier a este mundo tenha um pai e uma mãe que o ame e o proteja para que amanhã ele não se torne um marginal. O nosso Brasil geme sob essas dores porque deixou quebrar a moral familiar, deixou que a instituição sagrada da família fosse destruída pelo divórcio, pelo “sexo livre” e tantas imoralidades. Há provas contundentes, inclusive dos Relatórios da ONU, que não é verdade que a fome seja devida à superpopulação. Os países ricos, porém, ao invés de partilhar seus benefícios  com os países pobres, e oferecer-lhes ajuda solidária, preferem impor-lhes controle da natalidade mediante contraceptivos, alguns dos quais abortivos, e mediante, também, esterilização.  

Na América Latina muitos governos sempre estiveram sob forte pressão para reduzir o crescimento populacional, como condição para receber empréstimos do exterior.  

A nossa sociedade tem sido, nos últimos tempos, atravessada por manifestações de grande contradição. De um lado, anuncia-se com júbilo o resgate de sobreviventes, depois de vários dias soterrados nos escombros de uma tragédia e noticia-se, com alegria, a descoberta de um bebê abandonado. A ciência genética abre novas esperanças à qualidade de vida e há já pais que congelam as células estaminais do cordão umbilical dos seus bebês. Mas simultaneamente ressuscita-se uma campanha violenta a favor da legalização do aborto. É uma enorme contradição; salvam-se as baleias e matam-se as crianças.   

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

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