CNBB é contra o uso de celulas-tronco embrionárias

Filed under: Bioética — Prof. Felipe Aquino at 2:44 pm on Saturday, March 1, 2008

  

Em seu comunicado de 29 fev 2008, a CNBB reafirma a posição da Igreja Católica radicalmente contra o uso de células tronco embrionárias para pesquisas científicas. O motivo principal é que o embrião humano já é um ser humano dotado de uma alma imortal, imagem e semelhança de Deus, e que por isso não pode ser destruído.  

Por outro lado, inúmeras pesquisas mostram a enorme vantagem de se trabalhar com células tronco adultas, não embrionárias, retiradas de varias partes do corpo. Neste caso não se trata de embriões. 

 Na próxima quarta-feira, 5 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgará a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), proposta pelo Procurador Geral da República, impugnando a constitucionalidade do artigo 5º e seus respectivos parágrafos da Lei de Biossegurança.  

Disse o Presidente da CNBB, D. Geraldo Lyrio Rocha: “A Igreja volta mais uma vez a dirigir sua palavra em defesa da vida. Esta é a posição básica e fundamental da Igreja. Não significa ser contra a ciência, contra o progresso, mas ser em primeiro lugar a favor da vida”

D. Geraldo Lyrio e os bispos do Conselho Permanente decidiram enviar uma carta aos ministros do STF para expressar a posição da Igreja. “Não queremos fazer pressão sobre o STF, mas expor, inclusive como integrantes da própria sociedade brasileira, o nosso ponto de vista, pois a Igreja não pretende impor o seu ponto de vista, mas defender seu direito de propor e de anunciar, sobretudo, quando se trata de uma questão como esta que extrapola os diferentes credos, posições filosóficas, ideologias, partidos políticos, dado ser uma questão que diz respeito a todos”. 

O secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, lembrou que a Campanha da Fraternidade deste ano, abordando o tema Fraternidade e Defesa da Vida, quer “abarcar todo o conjunto da vida humana, da concepção à morte natural”. O secretário afirmou, ainda, que a partir do momento que a vida começa, deve ser protegida, inclusive pelas instituições da sociedade civil e do próprio Estado. Para ele, a Lei de Biossegurança, quando aprovada, trouxe erros graves ao misturar temas completamente díspares num único projeto de lei. “A Lei de Biossegurança abre caminho para a legalização progressiva do aborto e o desrespeito da vida humana”, declarou. 

D. Dimas disse que a “transigência nesse momento seria abrir as portas para outras formas progressivas de manipulação da vida humana nascente”.  

Sobre o uso de células-tronco embrionárias na cura de algumas doenças, dom Geraldo Lyrio afirmou: “Salvar um e matar outro não é resposta”. “A Igreja é sensível ao sofrimento de tantas pessoas que desejam a cura e estimula os cientistas para que possam progredir nas pesquisas para que doenças incuráveis possam ter cura. A Igreja não concorda é com a manipulação dos sentimentos das pessoas e o seu desejo de viver, a sua esperança de encontrar uma cura, com informações falsificadas. É não só reprovável, é desumano. Vamos passar informações corretas, seguras e não alimentar expectativas falsas”.  

 Podemos atuar junto ao STF assinando o abaixo assinado em defesa da vida e contra ou uso de embriões humanos.

Veja em http://www.petitiononline.com/vidasim/petition.html

Como católicos não podemos nos omitir nesta hora tão grave para a vida humana, ameaçada de morte. A minoria ma´ impõe sua vontade à maioria boa quando essa se cala. 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

23 Comments »

Comment by César

1/03/2008 @ 15:36

Qual é a orientação da Igreja sobre o que fazer com os embriões congelados há mais de três anos, que, segundo os especialistas em reprodução humana, não são mais viáveis para a implantação no útero, pois inevitavelmente seriam abortados?

Comment by Edem de Almeida

2/03/2008 @ 17:07

Prezado amigo César,

Uma atitude errada dificilmente resulta em algo bom.

A existência de embriões congelados é o resultado de uma atitude errada. A falta de ética na manipulação das potencialidades da reprodução humana determinou seres humanos aprisionados em geladeiras.

O que fazer com geladeiras repletas de crianças?

Crianças congeladas impõem um problema de dimensões amplas. Estão envolvidos aspectos legais ainda não de todo regularizados; questões médicas, desenvolvimentos técnicos ainda inconclusos, transferências econômicos, sem contar nos inimagináveis conflitos sociais e psicológicos que todos processo de solução demandará.

Só para citar um enrosco judicial, basta lembrar que a existência de uma criança determina litígios familiares de sucessão empresarial e heranças. Milhares de congelados estão citados em processos de todos os tipos em todos os fóruns dos países que mantém seres humanos nessa situação.

Um aspecto médico e técnico a lembrar são as possibilidades reais de descongelamento, de definição exata da “validade” daquela criança congelada. Sabe-se que em ciência não existem as palavras “nunca” e “sempre”. Que estudo garante que é após três anos que o embrião não mais se desenvolverá? O que se quer dizer com “se desenvolver”?
Depois de três anos o embrião pode ser descongelado e não se desenvolverá de tal forma que não será capaz de disputar uma Olimpíada, mas seu desenvolvimento permitirá que seja um mecânico de compressores?

Aspectos econômicos: fica mais caro descongelar ou manter as crianças em forma de sorvete? O Estado dará os recursos? Quanto as clínicas de reprodução assistida cobrarão para implantar as crianças em úteros de mulheres generosas mas sem recursos para pagar o implante?

Os aspectos sociais vão desde a criação de estruturas educacionais adequadas para integrar um ser humano já marcado por uma sociedade desumana, até mesmo criar condições de empregabilidade sem discriminações para homens e mulheres que sofreram seqüelas pelo congelamento, mas que estão aptos a contribuir para o bem da humanidade..

Quanto aos aspectos psicológicos e emocionais das próprias crianças e de seus familiares quem os tratará e como?

Há um filme de 1978, bem antigo, portanto, chamado “Coma”, baseado na novela de Robin Cook e dirigido por Michel Crichton, onde jovens que eram hospitalizados com enfermidades simples morriam. O suspense policial se inicia com a suspeita de que algo estranho estava se passando. Na metade do filme parte da trama se aclara. Havia um lugar que se deixavam os jovens em estado de coma, para retirar deles órgãos a serem vendidos.

O que o filme nos conscientiza é de uma verdade tenebrosa e que não já não é mais ficção. O dramático da existência de embriões congelados é que as dificuldades não estão no uso da inteligência, mas na adesão da vontade ao bem e ao amor. Há um grande interesse de que não se resolva esse problema das crianças transformadas em cubinhos de gelo. Os mesmos gananciosos que já tiraram dinheiro de mulheres e homens para que congelassem seus filhos, esperam que as leis e a dureza dos corações humanos se tornem favoráveis à manutenção de gente que sirva de estoque, para que seus pedaços possam ser vendidos para prolongar a vida daqueles outros homens e mulheres que, por sorte ou crueldade, consigam sair vivos da civilização da morte.

Cito um poeta materialista e ateu chamado Geraldo Vandré em sua famosa “Disparada”, pois até os que não crêem no Deus Vivo observam as obviedades:

…PORQUE GADO A GENTE MARCA TANGE, FERRA, ENGORDA E MATA, MAS COM GENTE É DIFERENTE.
SE VOCÊ NÃO CONCORDAR, NÃO POSSO ME DESCULPAR. NÃO CANTO PRÁ ENGANAR, VOU PEGAR MINHA VIOLA VOU DEIXAR VOCÊ DE LADO, VOU CANTAR NOUTRO LUGAR..

Comment by Marina

2/03/2008 @ 19:46

Tb tenho uma pergunta:

Todos sabemos que não são todos os embriões que formarão uma vida, portanto usar akeles que não seriam fecundado não há problema nenhum, pois eles não poderiam gerar vida certo? E a partir do uso deleas, podemos salvar vidas…

Sem mais
Marina

Comment by Edem de Almeida

2/03/2008 @ 23:32

É preciso decidir se o zigoto humano é vida ou não é vida? Sabemos que intocado poderá tornar-se brilhante Juíza do Supremo Tribunal Federal, violado o irrepetível participante da espécie humana não poderá jamais receber as boas-vindas à existência.

É preciso trazer tamanha carga sobre os ombros de nossos magistrados do Supremo Tribunal? Chama-los a definir quando começa a vida da criatura mais singular; não seria uma tarefa pesada demais? Tal circunstância quase uma injustiça para com aqueles que fazem a Justiça no Brasil?

Decidir interromper um processo de gestação é sempre uma escolha árdua, mas é uma tarefa sobre-humana ter que indicar para todos os brasileiros quando tal atitude não será um assassinato.

Não seria omissão, mas delegação, marcar a concepção como o dia do início do humano, simplesmente se estaria indicando que a decisão de iniciar a vida está com o homem e sua amada. É cada casal brasileiro, com um ato prazeroso e livre, o iniciador de uma vida.

Quando falham os contraceptivos - e todos sabem que falham - algo do masculino e algo do feminino se encontram, mantidas aquelas naturais condições jamais determinadas por qualquer tribunal, inexoravelmente se verá surgir um ser humano completamente distinto de todos os demais.

Comment by Edem de Almeida

4/03/2008 @ 02:10

Prezada Marina,

Creio que você quis dizer que não são todos os zigotos (óvulos humanos fecundados pelo espermatozóide) que completarão o processo de desenvolvimento no útero materno.

Isso é verdade. A medicina ainda não tem todas as explicações do porquê um bom número de zigotos não completa a nidação, ou seja, não se fixam ao útero.

Primeiro ponto. O fato da natureza descartar óvulos fecundados não nos autoriza a tomar a iniciativa de também fazê-lo.

Se a natureza os lança fora é porque deve ter um bom motivo. Todos nós reconhecemos que a natureza segue a Sabedoria de seu Criador. Nós, humanos, não somos Deus, e portanto, não temos o direito de fazer por conta própria o que as leis da natureza o fazem por determinação de seu Idealizador.

Segundo Ponto. Só interessa para os manipuladores de embriões humanos aqueles bons, justamente os que se desenvolvem bem, os que produzem vida saudável. Embriões que a natureza descartaria também seriam descartados pelos sombrios cientistas. Tanto é assim, que no processo de fecundação “in vitro” (no tubo de ensaio) a maioria dos embriões são jogados na lata do lixo porque não foram em frente em seu desenvolvimento. São justamente os mais fortes e perfeitos que serão escolhidos para fornecerem a própria pele para que outros seres humanos se curem de suas doenças.

Irmã Marina, último ponto. Só quem não crê em Deus pode aceitar que Ele não nos daria outros caminhos muito mais humanos pra se chegar à cura da mesmas doenças. Quem crê no amor, na atençao, na misericórdia de Deus para com seus filhos sabe que jamais estaria em seus planos dar a vida de inocentes para curar outros seres humanos. Onde no Evangelho de Jesus se testemunha uma atitude semelhante da parte do Senhor? Ele chega a dar a própria vida, mas jamais desampara um para ajudar a outro.

O Diretor Igmar Bergman no seu clássico filme o “Ovo da serpente” mostra como os cientistas nazistas utilizavam seres humanos como cobaias. Tinham como objetivo justamente descobrir remédios para os demais. Sabe-se de experimentos terríveis, como o de quebrar várias vezes os ossos de crianças de diferentes idades para se estudar a capacidade do organismo de voltar a reconstituir o osso frturado. O objetivo era descobrir meios de acelerar a recuperação de soldados feridos em campos de batalha.

Se corcordarmos em usar pessoas para curar pessoas só vamos nos tornar menos gente.

Comment by Francisco

4/03/2008 @ 13:16

Sobre a extração e a pesquisa de células-tronco embrionários

Por Silvio L. Medeiros e Karen A. Mortean

Tenho acompanhado com grande atenção nos últimos meses o assunto que não quer sair da boca da mídia brasileira: a pesquisa celular com embriões humanos para fins terapêuticos. Por se tratar de um assunto tão delicado quanto profundo, mais uma vez me constrange o fato de que os nossos formadores de opinião, não todos, sejam tão irresponsáveis e tendenciosos ao mostrarem para a sociedade através de informações truncadas e imagens no melhor estilo melodramático, a possível fonte milagrosa que deriva de tais pesquisas científicas.

Ao tratarem do assunto, duas frentes são sempre apontadas pela mídia: uma plenamente a favor, formada por pessoas que sofrem de doenças que poderiam ser curadas se as pesquisas com embriões humanos fossem completamente liberadas, e alguns médicos, e uma outra frente que se mostra contra as pesquisas em embriões humanos, posta sutilmente como retrógradas, contra a vida e a favor do sofrimento humano. E é claro, aproveitando para caricaturizar alguns católicos (ser anti-católico agora é sinal de intelecto).

O que me deixa com uma pulga atrás da orelha é o fato de nunca mostrarem as razões desta segunda frente, mas de deixarem apenas essa impressão pouco simpática daqueles poucos que ainda tem coragem de se impor contra a opinião pública. Pretendo aqui colocar alguns dos motivos que levam essas pessoas corajosas e silenciadas a se posicionarem contra as pesquisas em embriões humanos para fins terapêuticos.

É de pleno conhecimento do mundo científico (mas não do mundo restante) que para se obter Células-Tronco de Embriões Humanos (CTEH), primeiro é preciso destruir o próprio embrião. E é aqui que toda a polêmica reside. É preciso então tomar em conta o que significa um embrião humano, ou um zigoto. O zigoto é o resultado da união dos 23 cromossomos do óvulo feminino, com os outros 23 do espermatozóide masculino, formando então um novo DNA.

Este zigoto que contém parte do código genético do pai e parte do código da mãe torna-se uma mensagem genética completamente nova, única, irrepetível que nunca existiu e nem nunca mais existirá na história. E como diz o próprio Prof. Jérôme Lejeune, geneticista, descobridor da síndrome de Down: “No princípio do ser há uma mensagem, essa mensagem contém a vida e essa mensagem é a vida. E se essa mensagem é uma mensagem humana, essa vida é uma vida humana”1.

Ou seja, não existe um momento mágico do desenvolvimento do embrião a partir do qual existiria um ser humano e antes do qual não existiria senão uma nada, como alguns defendem para legitimar suas pesquisas. Desde a fecundação existe uma nova vida, como a nossa própria Constituição defende (art.5o), como também o Pacto de São José da Costa Rica, tratado internacional assinado pelo Brasil, que declara o início da vida desde a sua concepção (art 4o). A partir da fecundação, estamos de fato diante de uma vida, de um novo ser, tão humano que assim como cada um de nós, este embrião só precisa de três coisas para se desenvolver: nutrição, oxigênio e tempo.

O embrião humano não é portanto um ?projeto? de uma criança. Como diz Pedro Juan Viladrich, fundador do Instituto de Ciências para a Família: ?A rigor, um zigoto é tão ser humano como um velho, porque é ele mesmo ao longo das suas diversas fases de crescimento: fase embrionária, fetal, infantil, púbere, juvenil, adulta e idosa. O desenvolvimento de um humano é o desenvolvimento do zigoto, de tal maneira que se suprime o zigoto, se suprime as fases sucessivas para aquele humano?2. Quer dizer, referências de fase de crescimento, como jovem ou adulto não questionam a existência do ser. Podemos afirmar sem inseguranças que o zigoto e o ser adulto estão ligados invariavelmente pela mesma vida. Como o já citado estudioso diz, zigoto e idoso são ?uma mesmidade única e irrepetível?. Isso quer dizer que se eu ou você tivéssemos passados por uma retirada de célula-tronco enquanto éramos zigotos, não estaríamos hoje lendo esse texto. Por que? Porque teriam impedido que existíssimos.

Agora que já temos uma pequena noção do que é um embrião humano, podemos entender em parte a responsabilidade que a ciência tem em suas mãos ao pesquisar a retirada de células-tronco de embriões humanos: a própria vida humana. Agora fica a questão: quem tem o direito de impedir que uma vida humana se desenvolva para fazer dela um remédio para outra? Estamos diante uma contradição, matar para salvar. Aqui não há diferença entre os defensores da destruição de embriões para fins terapêuticos daqueles que defendem o tráfico de orgãos entre crianças. É a mesma coisa. Neste momento o homem deixou de ser um fim para ser um meio, para ser como um objeto de consumo utilitário.

Nesta ótica também defende a especialista em Biomédica, Alice Teixeira, médica formada na Escola Paulista de Medicina, pesquisadora na área há 40 anos e livre-docente de Biofísica da UNIFESP/EPM: ?É preciso preservar a dignidade do ser humano. O ser humano não pode ser utilizado como meio de pesquisa? 3. Ela tem a razão. Toda ciência existe para o homem. Entre a ciência e o homem existe uma ponte, e ela se chama ética. Essa ponte garante o correto uso da ciência e orienta a sua finalidade. O que vemos neste momento é um ignorar da ponte que liga esses dois pólos, vemos uma ciência que caminha para sí mesma, que não quer mais conceitos de verdade objetiva. Estamos diante de uma ciência pragmática e utilitária, financiada pela econômia de mercado, uma econômia que já deixou de ligar para o homem faz tempo. O grande problema disto é que corremos o grave risco de ?entrar em uma nova forma de escravidão, com o espectro da criação de embriões humanos para a pesquisa e interesses dos mais ricos?, como diz a revista A Science (18 jun 2004 vol.304, 1742, Diane Schaub).

Mas então o que fazer? Não podemos pesquisar as possibilidades imensas que as células-tronco embrionárias nos oferece? Se a dignidade humana for preservada e colocada como bem-supremo absoluto, a resposta é definitivamente não. Porém não há motivos para desesperos: existem células-tronco também em cordões umbilicais e células adultas que não põem em cheque uma vida humana. O problema com elas, dizem o que são a favor da destruição embrionária, é de que são de mais difíceis resultados. Verdade ou não, isso não pode ser usado com pretexto para a destruição de vidas humanas. Essas pesquisas com células-tronco adultas tem gerado ótimos resultado ao redor do mundo e mostrado que deste terreno ainda se tem muito a explorar, além de impedir os incovenientes de uma rejeição celular (aspecto negativo importante dentro dos CTEH) e de respeitar toda a vida humana, e não apenas uma parte, como deseja os interesses financeiros e a cultura da morte.

Referências consultadas:

1 - http://providafamilia.org/noticias/detalhe.php?detail=n1091306577.news

J. Lejeune, Discurso de recepción como Doctor honoris causa por la Universidad de Navarra.

2 - Viladrich, Pedro-Juan. O Aborto e a sociedade Permissiva. Ed. Quadrante; São Paulo, 1995. 100p.

3 - http://www.zenit.org/portuguese/visualizza.phtml?sid=60510

Entrevista da professora Alice Teixeira concedida em 13.10.2004, por e-mail à revista ?medico reporter?

http://www.terra.com.br/istoe/1828/medicina

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Para citar este artigo:

MEDEIROS, Silvio L; MORTEAN, Karen A. Apostolado Veritatis Splendor: Sobre a extração e a pesquisa de células-tronco embrionários. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/3448. Desde 4/3/2008

Comment by Francisco

4/03/2008 @ 13:17

Histórico da pesquisa com células embrionárias humanas

Por Dra. Alice Teixeira Ferreira *

James Thomson relata que, frente aos resultados que obteve com células embrionárias (CE) de macaco, procurou reproduzi-los com CE humanas, que obteve de embriões humanos de clínicas de reprodução assistida. Como havia necessidade de matar embriões humanos para obter estas células e isto causaria má impressão no meio acadêmico e no público em geral, ele consultou um bioeticista. Queria saber o que fazer para conseguir publicar seu trabalho. O “bioeticista” utilitarista sugeriu que Thomson desse uma utilidade a tal experimento. Thomson propôs um objetivo “humanitário”: curar dibetes, doença de Parkinson e Alzheimer. Tratava-se de salvar vidas com o transplante das CE humanas. Fato que não ocorreu até hoje, pois as CE humanas transplantadas são rejeitadas por incompatibilidade imunológica ou dão tumores, os teratomas.

Quando começaram a sair os bons resultados com o autotransplante de células tronco adultas(CTAs) obtidas da medula óssea(MO) do próprio paciente, como foi o caso dos 14 pacientes enfartados, tirados da fila de transplante, tratados com CTAs extraídas de suas MO pelo Dr. Radovan Borojevic e Dr. Hans Doham, dos quais estão vivos 13 até hoje, começou-se a dizer que as CE eram melhores porque eram pluripotentes. As CEs poderiam se transformar em qualquer tecido, mas de acordo com McGuckin tal fato não foi demonstrado até hoje por problema metodológico: não existe uma tecnologia que permita distinguir todos os tipos de células do organismo humano.

No entanto, a possibilidade de curar doenças degenerativas com CE humanas foi aceita com entusiasmo, pois “parece que se gosta de estórias da carochinha”, de acordo com Dr. Weiss. Desta maneira se propagou entre médicos, alguns pesquisadores e entre não cientistas: os jornalistas e os políticos, a ideologia da cura com CE humanas.

As conseqüências da fé em tão falso paradigma foram:

1) Thomson e sua Universidade de Wiscosin(UW) conseguiram a patente da cultura das CEs humanas. Quando foi aproada a verba de 3 bilhões de dólares na Califórnia para se pesquisar as CEs humanas a UW exigiu que lhe fosse dado 25% deste valor.

2) Algumas firmas de biotecnologia resolveram apostar nas CEs humanas. Por exemplo a Geron Corpoaration que vendeu milhares de ações à comunidade judia de Nova York. Atualmente a StemGen e a Advanced Cell Technology estão tentando sobreviver, clonando animais e mesmo seres humanos.

3) Como se trata de eliminar embriões humanos as fundações abortistas como Rockfeller, Ford, McArthur vem financiando estes projetos de pesquisa que envolve a morte de embriões. Investe nas revistas Nature, Science e New England Journal of Medicine (NEJM), que continuamente publicam noticias e artigos falsos da Advanced Cell Technology e outras. Por exemplo, o caso escandaloso do coreano Hwang onde a NEJM não se retratou até hoje dos elogios que fez a estes trabalhos falsos.

4) A mídia anuncia os sucessos das pesquisas com CTAs referindo como CTs simplesmente, querendo que seja assumido que são CEs. Interessante que tem um deputado candidato a reeleição que afirma categoricamente a favor das pesquisas com CTs. Afinal também somos, mas não com as CEs humanas!

A mídia brasileira atualmente está muda relativo aos resultados com CTAs. Não divulgou que Jaenish conseguiu curar anemia falciforme em camundongos, com células iPSC, das quais retirou o oncogene c-Myc. Não deu noticia da visita de Dr. Paul Sanberg, autoridade mundial em CTAs. Tem 25 patentes de tratamento de doença de Parkinson e Alzheimer com autotransplante de CTAs de MO e com CTAs de sangue de cordão umbilical.

A falácia das CEs humanas terminou com os resultados do Dr. Shynia Yamanaka que conseguiu transformar células adultas da pele humana em células com características embrionárias, as iPSC. Os pesquisadores que estavam envolvidos com CEs humanas já mudaram para CTAs e iPSC. É o caso do próprio Thomson, de Wilmut e Jaenisch.

5) Com as pesquisas com CEs humanas, que para serem obtidas é necessário matar embriões humanos, foi retirado o status moral do embrião humano. Com isto a Igreja se viu na obrigação de defender esta pessoa humana no seu estado desenvolvimento em que se encontra mais vulnerável, mais indefesa. Esta posição firme levou os defensores de tais pesquisas com CEs humanas a questionarem fatos como o inicio da vida humana, com propostas absurdas e inverdades. Em resumo, desumanizaram o embrião humano. Passaram a atacar a Igreja com argumentos já usados pelos abortistas. Atacam a religião de um modo geral, pois agora não é só a Igreja que defende a dignidade do embrião humano, mas a religião e afirmam que existe um confronto entre ciência versus religião. O que não é verdade, mas é uma tentativa de desqualificar a defesa do embrião humano por qualquer credo.Usam de chavões, todos importados dos EUA, onde todo embate se iniciou:

1) Queremos salvar vidas.

2) Só com CEs humanas poderemos ter cura de doenças incuráveis.

3) Vamos ter de pagar royalties(quem não entende do assunto até acredita).

4) O SUS vai ter de pagar tratamento no exterior.

5) A Igreja é retrógrada, quer atrasar o desenvolvimento científico.

Tenho dito,

ROMA 20 de fevereiro de 2008 DOMUS AURELIA

*Formada em Medicina, pela Escola Paulista de Medicina, em 1967.

Doutora em Biologia Molecular pela Escola Paulista de Medicina em 1971.

Pós-Doutorado na Research Division of Cleveland Clinic Foundation, Cleveland, Ohio, Estados Unidos em 1972.

Livre Docente em Biofísica, pela Universidade Federal de São Paulo-EPM em1996.

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Para citar este artigo:

*, a Alice Teixeira Ferreira. Apostolado Veritatis Splendor: Histórico da pesquisa com células embrionárias humanas. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4884. Desde 4/3/2008.

Comment by Lidiane santos de lima

4/03/2008 @ 15:31

Ouvi num debate da TV Senado que a preocupação da Igreja católica é não só com a Vida, mas tambem com o que o tráfico que uma decisao favoravel pode gerar, um incentivo às mulheres pobres venderem seus embrioes e o governo nao teria como controlar isso. Mesmo assim, acho que vale aquela frase de Cristo. ” Eu vim para que todos tenham vida e Vida em abundância!”

Comment by Daniel

6/03/2008 @ 19:08

É um absurdo destruir uma vida para salvar outra.A ciência deve
ter como objetivo principal a vida e não descobertas científicas.

Comment by Fernanda

8/03/2008 @ 20:02

A minha dúvida é referente a pergunta do César(01/03/2008), porque para mim a resposta não ficou muito clara, eu não entendi.Existem muitos questionamentos ao longo da resposta.
Qual seria a atitude mais pertinente ou a solução a ser tomada a respeito dos embriões congelados? Implantá-los em mulheres? Se não, o que se deve fazer?

Comment by Jão Sori

9/03/2008 @ 14:07

bom, os estudos com células embrionárias devem ser liberados sim pois, a vida só é vida quando tem célebro
e na faze em que vão ser realizados os estudos o embrião ainda não tem sistema nervoso.

—–

Caro, o senhor não esta certo, veja estes artigos:

http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=ENTREVISTA&id=ent0053
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2007/05/16/o-embriao-ja-e-uma-vida-humana/

Comment by Nice

21/03/2008 @ 04:56

bom, os estudos com células embrionárias devem ser liberados sim pois, a vida só é vida quando tem célebro
e na faze em que vão ser realizados os estudos o embrião ainda não tem sistema nervoso.

estude mais, se diz “cérebro”. e além de gramática, estude tambem a palavra de Deus, faça esse favor a voce!

—-
Cara Nice,

Sua resposta é a defendida por “cientistas” pró-pesquisas, mas este argumento é jurídico e não científico, o embrião, neste caso não tem cérebro pois o seu ciclo de desenvolvimento foi ou será interrompido, pois o embrião não será outra coisa que não seja ser humano.

Veja estes links:
http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=ENTREVISTA&id=ent0053
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2007/05/16/o-embriao-ja-e-uma-vida-humana/

Comment by Zulma

21/03/2008 @ 10:34

Acompanho a Imunologia há 35 anos, e às vezes paro para reflexão:
será que os cientistas esqueceram (ou não sabem) que qualquer célula nucleada, seja ela de embrião, de feto ou de indivíduo adulto, expressa aloantígenos HLA em sua superfície, e que, quando não é própria do paciente/deficiente físico, será rejeitada (eliminada) pelo seu sistema imunológico?
A Imunologia é que dita a regra da terapia com células, tecidos e órgãos!
Assim, já que as células-tronco embrionárias humanas NÃO têm aplicação terapêutica devido à dominante reação imunológica de rejeição, penso que as cientistas requerentes do uso de embriões humanos façam suas pesquisas em embrião de animais.
Evitemos mais conflitos e falsas expectativas.

Comment by Priscila

22/03/2008 @ 20:41

Não concordo com seu ponto de vista. Acho sim que a igreja católica está corretíssima em defender a vida…sei que esse é um assunto que atinge vários aspectos, mas Deus criou cada pessoa com um objetivo, não é só porque um embrião foi fecundado “in vitro” não seje vivo.
Não é justo matar um ser vivo para salvar outro.

Comment by Priscila

22/03/2008 @ 20:41

Acho sim que a igreja católica está corretíssima em defender a vida…sei que esse é um assunto que atinge vários aspectos, mas Deus criou cada pessoa com um objetivo, não é só porque um embrião foi fecundado “in vitro” não seje vivo.
Não é justo matar um ser vivo para salvar outro.

Comment by Priscila

22/03/2008 @ 20:43

Estou visitando esse site para fazer uma pesquisa escolar, pelo que estou pesquisando acho sim que a igreja católica está corretíssima em defender a vida…sei que esse é um assunto que atinge vários aspectos, mas Deus criou cada pessoa com um objetivo, não é só porque um embrião foi fecundado “in vitro” não seje vivo.
Não é justo matar um ser vivo para salvar outro.

Comment by ana luisa

25/03/2008 @ 20:58

mas ja que vcs são a favor da vida então deixe a ciência usa os embrioes para salvar vidas

——
Cara Ana Luisa,
“Os embriões são vidas; não se pode matar vidas para melhorar vidas; não se pode fazer o bem através do mal. E a terapia com células-tronco embrionárias não [provaram] cura nada.” - Prof. Felipe Aquino

Veja artigos da Dra. Alice Ferreira no Blog e no site www.cleofas.com.br

Comment by marcelo mota lemos

27/03/2008 @ 04:24

A verdade é que se a voz de DEUS é a santa igrela católica apostolica romana,as pessoas devem ter o respeito ao que DEUS,como pai,aprova ou não que nós,filhos do altícimo.saibamos cumprir e conformar-mos com que ELE diz.Essa istória de matar um embrião,propriamente dito,é astucia do maligino,para confundir e afastar os filhos bentitos do PAI.Não podemos,nós cristão,deixar abrir nossas bocas paras protestar contra esse ato sujo e desumano pois é bem capaz que daqui uns anos nei falar talvez poderemos.Do jeito que a sociedade anda influênciada pelos maus pensamentos,maus custumes,más atitudes até chegar o martírio explícito…Bom e seguro que essa guerra ja´foi vencida pelo rei dos reis e senhor,o filho de Davi,verdadeiro DEUS e verdadeiro homem…obrigado canção nova pelo espaço em que escrevo essas palavras.Estou com vocês na missão de evangelizar,sou sócio e com muito orgulho.GLÓRIA!!!ALELUIA!!!PAZ!!!!

Comment by Dra. Zulma Peixinho

29/03/2008 @ 05:37

A celeuma do tratamento com células-tronco embrionárias humanas poderia ter sido precocemente solucionada, particularmente no âmbito científico.
A eventual terapia (tratamento) com células-tronco embrionárias humanas tem sido tratada com a mesma abordagem aplicada a transplantes de córnea e de órgãos sólidos, haja vista a ampla e irrestrita mobilização nacional que tem causado comoção e revolta infundadas.
Sabe-se que para tratamento com células-tronco embrionárias humanas é necessário seguir as mesmas leis de transplantação adotadas para transplante de medula óssea (células-tronco adultas), ou seja, compartilhamento do RG biológico (HLA) pelo doador das células (embrião) e receptor das mesmas (paciente/deficiente físico). A obrigatoriedade em seguir esta norma propiciaria que as células pudessem exercer seu efeito biológico in vivo, sem serem rapidamente rejeitadas pelo sistema imunológico do paciente/deficiente físico.
O inusitado é que tal regra imunológica, que parece ser desconhecida, ou é omitida (?), pelos pesquisadores requerentes do uso de embriões humanos para pesquisa, está vastamente documentada e ilustrada na literatura científica mundial atual (ex: http://www.sciencedaily.com/releases/2007/12/071220123837.htm), e afirma:
1 - existe uma barreira imunológica intransponível (barreira alogênica) que NÃO permite a transferência aleatória de células-tronco em humanos, sejam elas células-tronco adultas ou não.
2 - as células-tronco embrionárias humanas NÃO podem ser utilizadas para tratamento (terapia) porque a reação imunológica de rejeição (resposta alogênica) é potente, rápida e dominante.
Até que ponto, então, seria recomendável a liberação de pesquisas com células-tronco embrionárias humanas?

Comment by Dra. Zulma Peixinho

5/04/2008 @ 23:20

Estão chegando as Células Humanas iPS:
http://www.isscr.org/public/briefings/breakthrough.html

As células humanas iPS são similares às células-tronco embrionárias, porém são derivadas de células (ex: da pele) do próprio indivíduo (paciente/deficiente físico) e portanto não terão que enfrentar a barreira alogênica ao serem utilizadas como tratamento/terapia.

Comment by Dra. Zulma Peixinho

10/04/2008 @ 22:31

As células-tronco “reprogramadas” iPS não precisam mais ser obtidas com a introdução de genes ou com a utilização de retrovírus como vetor. Segundo a Profa. Dra. Alice Teixeira Ferreira, a PrimeGen já está apresentando um método mais rápido e 1000 vezes mais eficiente: as proteínas necessárias para induzir a pluripotência nas células adultas são levadas por partículas de carbono que são rapidamente incorporadas pelas células adultas (usaram células da pele, de rim e da retina). Afirma também que não tem de se preocupar com a manipulação genética que na verdade não ocorre, pois o que se faz é ativar genes que estavam silenciados. Por outro lado, prossegue, a reprogramação foi estudada primeiramente em camundongos e podemos continuar usando estes animais para estudar o comportamento de células embrionárias, pois afinal existe uma homologia de 95% entre o genoma destes animais e o humano.

Comment by Ronize Lizziani Ronchi

23/04/2008 @ 19:43

Sou absolutamente contra o uso de células tronco embrionárias, pois Deus foi quem nos criou e só ele tem o poder d tirala!!

Comment by Reinaldo carlos da Silva

6/06/2008 @ 23:50

o que vimos foi uma decisão totalmente errada do STF,
consta no estatuto da criança e do adolescente o direito ao nascimento.
o que fizeram com esse direito?
é de lamentar essa decisão logo da instancia que deve acima de tudo cuidar do que é direito.

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