Jesus ressuscitou de verdade?

Filed under: Ressurreição — Prof. Felipe Aquino at 3:43 pm on Sunday, March 23, 2008

A Igreja não tem dúvida em afirmar que a Ressurreição de Jesus foi um evento histórico e transcendente. S. Paulo escrevia aos Coríntios pelo ano de 56: “Eu vos transmiti… o que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze” (1Cor 15,3-4). O apóstolo fala aqui da viva tradição da Ressurreição, que ficou conhecendo. 

O primeiro acontecimento da manhã do Domingo de Páscoa foi a descoberta do sepulcro vazio (cf. Mc 16, 1-8). Ele foi a base de toda a ação e pregação dos Apóstolos e foi muito bem registrada por eles. São João afirma: “O que vimos, ouvimos e as nossas mãos apalparam isto atestamos” (1 Jo 1,1-2). Jesus ressuscitado apareceu a Madalena (Jo 20, 19-23); aos discípulos de Emaús (Lc 24,13-25), aos Apóstolos no Cenáculo, com Tomé ausente (Jo 20,19-23); e depois, com Tomé presente (Jo 20,24-29); no Lago de Genezaré (Jo 21,1-24); no Monte na Galiléia (Mt 28,16-20); segundo S. Paulo “apareceu a mais de 500 pessoas” (1 Cor 15,6) e a Tiago (1 Cor 15,7).  

Toda a pregação dos Discípulos estava centrada na Ressurreição de Jesus. Diante do Sinédrio Pedro dá testemunho da Ressurreição de Jesus (At 4,8-12). Em At 5,30-32 repete.  Na casa do centurião romano Cornélio (At 10,34-43), Pedro faz uma síntese do plano de Deus, apresentando a morte e a ressurreição de Jesus como ponto central. S. Paulo em Antioquia da Pisídia faz o mesmo (At 13,17-41). 

 

A primeira experiência dos Apóstolos com Jesus ressuscitado, foi marcante e inesquecível: “Jesus se apresentou no meio dos Apóstolos e disse: “A paz esteja convosco!” Tomados de espanto e temor, imaginavam ver um espírito. Mas ele disse: “Por que estais perturbados e por que  surgem tais dúvidas em vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu! “Apalpai-me e entendei que um espírito não tem carne nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, como, por causa da alegria, não podiam acreditar ainda e permaneciam surpresos, disse-lhes: “Tendes o que comer?” Apresentaram-lhe um pedaço de peixe assado. Tomou-o então e comeu-o diante deles”. (Lc 24, 34ss) 

Os Apóstolos não acreditavam a principio na Ressurreição do Mestre. Amedrontados, julgavam ver um fantasma, Jesus pede que o apalpem e verifiquem que tem carne e ossos. Nada disto foi uma alucinação, nem miragem, nem delírio, nem mentira, e nem fraude dos Apóstolos, pessoas muito realistas que duvidaram a principio da Ressurreição do Mestre. A custo se convenceram. O próprio Cristo teve que falar a Tomé: “Apalpai e vede: os fantasmas não têm carne e osso como me vedes possuir” (Lc 24,39). Os discípulos de Emaús estavam decepcionados porque “nós esperávamos que fosse Ele quem restaurasse Israel” (Lc 24, 21).  

Com  os Apóstolos aconteceu o processo exatamente inverso do que se dá com os visionários. Estes, no começo, ficam muito convencidos e são entusiastas, e pouco a pouco começam a duvidar da visão. Já com os discípulos de Jesus, ao contrário, no princípio duvidam. Não crêem em seguida na Ressurreição. Tomé duvida de tudo e de todos e quer tocar o corpo de Cristo ressuscitado. Assim eram aqueles homens: simples, concretos, realistas. A maioria era pescador, não eram nem visionários nem místicos. Um grupo de pessoas abatidas, aterrorizadas após a morte de Jesus. Nunca chegariam por eles mesmos a um auto-convencimento da Ressurreição de Jesus. Na verdade, renderam-se a uma experiência concreta e inequívoca.          Impressiona também o fato de que os Evangelhos narram que as primeiras pessoas que viram Cristo ressuscitado são as mulheres que correram ao sepulcro. Isto é uma mostra clara da historicidade da Ressurreição de Jesus; pois as mulheres, na sociedade judaica da época, eram consideradas testemunhas sem credibilidade já que não podiam apresentar-se ante um tribunal. Ora, se os Apóstolos, como afirmam alguns, queriam inventar uma nova religião, por que, então, teriam escolhido testemunhas tão pouco confiáveis pelos judeus? Se os evangelistas estivessem preocupados em “provar” ao mundo a Ressurreição de Jesus, jamais teriam colocado mulheres como testemunhas. 

Os chefes dos judeus tomaram consciência do significado da Ressurreição de Jesus, e, por isso,  resolveram apaga-la: deram aos soldados uma vultosa quantia de dinheiro para negá-la (Mt 28, 12-15). A ressurreição corporal de Jesus era professada tranqüilamente pela Igreja nascente, sem que os judeus ou outros adversários a pudessem apontar como fraude ou  alucinação.   

Eles não tinham disposições psicológicas para “inventar” a notícia da ressurreição de Jesus ou para forjar tal evento. Eles ainda estavam impregnados das concepções de um messianismo nacionalista e político, e caíram quando viram o Mestre preso e aparentemente fracassado; fugiram para não ser presos eles mesmos (Cf. Mt 26, 31s); Pedro renegou o Senhor (cf. Mt 26, 33-35). O conceito de um Deus morto e ressuscitado na carne humana era totalmente alheio à mentalidade dos judeus.  

E a pregação dos Apóstolos era severamente controlada pelos judeus, de tal modo que qualquer mentira deles seria imediatamente denunciada pelos membros do Sinédrio (tribunal dos judeus). Se a ressurreição de Jesus, pregada  pelos Apóstolos não fosse real, se fosse fraude, os judeus a teriam desmentido, mas eles nunca puderam fazer isto. 

Jesus morreu de verdade, inclusive com o lado perfurado pela lança do soldado. É ridícula a teoria de que Jesus estivesse apenas adormecido na Cruz. Os vinte longos séculos do Cristianismo, repletos de êxito e de glória, foram baseados na verdade da Ressurreição de Jesus. Afirmar que o Cristianismo nasceu e cresceu em cima de uma mentira e fraude seria supor um milagre ainda maior do que a própria Ressurreição do Senhor.  

Será que em nome de uma fantasia, de um mito, de uma miragem, milhares de fiéis enfrentariam a morte diante da perseguição romana? É claro que não. Será que em nome de um mito, multidões iriam para o deserto para viver uma vida de penitência e oração? Será que em nome de um mito, durante já dois mil anos, multidões de homens e mulheres abdicaram de construir família para servir ao Senhor ressuscitado? Será que uma alucinação poderia transformar o mundo? Será que uma fantasia poderia fazer esta Igreja sobreviver por 2000 anos, vencendo todas as perseguições (Império Romano, heresias, nazismo, comunismo, racionalismo, positivismo, iluminismo, ateísmo, etc.)? Será que uma alucinação poderia ser a base da religião que hoje tem mais adeptos no mundo (2 bilhões de cristãos)? Será que uma alucinação poderia ter salvado e construído a civilização ocidental depois da queda de Roma?  Isto mostra que o testemunho dos Apóstolos sobre a Ressurreição de Jesus era convincente e arrastava, como hoje.  

Na verdade, a grandeza do Cristianismo requer uma base mais sólida do que a fraude ou a debilidade mental. É muito mais lógico crer na Ressurreição de Jesus do que explicar a potência do Cristianismo por uma fantasia de gente desonesta ou alucinada. Como pode uma fantasia atravessar dois mil anos de história, com 266 Papas, 21 Concilios Ecumênicos, e hoje com cerca de 4 mil bispos e 416 mil sacerdotes? E não se trata de gente ignorante ou alienada; muito ao contrário, são universitários, mestres, doutores.          

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

 

 

 

 

8 Comments »

Comment by Vinicius

23/03/2008 @ 16:02

Caro professor; realmente não há como crer que o Cristianismo tenha crescido sobre uma farsa, uma mentira. Pelo contrário, ele tomou proporções gigantescas, infinitas para uma suposta farsa. Não há como negar que Cristo esteve na terra, viveu, morreu e ressucitou.
Parabéns pelo grande trabalho que o senhor faz, de divulgar a Igreja, de defendê-la sempre, de fazê-la ainda maior, cada vez mais.
Feliz Páscoa para o senhor e toda sua família.
Vinícius - Serra - ES

Comment by Simone Teixeira

24/03/2008 @ 02:31

Prof. Felipe,

Se algo é mentira, não precisamos nos preocupar muito porque um dia virá à tona, mas ninguém consegue apagar a verdade. Dois mil anos de história já teriam sido suficientes para que uma invensão morresse por si mesma. A ressurreição de Jesus é fato histórico e o livro que o senhor citou ontem: a paixão de Cristo segundo um cirurgião, apresenta evidências científicas disso.
Com tantos Milagres Eucarísticos e tantos homens brilhantes que foram filósofos e teólogos na Igreja, prefiro aceitar com humildade a realidade a questionar algo que só a misericórdia de Deus seria capaz de fazer…
Grande abraço e Feliz Páscoa da Ressurreição de Jesus.
Existem outras “passagens em nossa vida”, mas só Ele passou pela morte e conseguiu vencê-la!

Comment by Diego Araújo

24/03/2008 @ 04:52

A mentalidade contemporânea vigente exalta o sofrimento e relativiza o amor. É racionalismo sem amor, ou seja, está aquém da plena RAZÃO.

Vejamos o grande número de martírios do Século I: O que teria levado tantos bravos cristãos, de diferentes origens sócio-econômicas, a defenderem sua fé com tanto ardor? Que loucura é essa que teria convertido o maior Império do mundo, antes perseguidor? (Mal comparando, mas imaginem só, num futuro próximo, como seria se os EUA virassem um estado muçulmano? Impossível, não?). São tantos exemplos! Basta estudar história sem se apegar a ideologias baratas para vislumbrar os efeitos decisivos, reais, da ressurreição de Jesus na trajetória da humanidade.

Que alegria é poder afirmar, com o coração alegre e confiante, a plenos pulmões: SIM! JESUS RESSUSCITOU!

FELIZ PÁSCOA para o Prof. Felipe e todos os frequentadores do blog!

Paz de Cristo!

Comment by Daniel

24/03/2008 @ 18:07

A ressurreição de Cristo é que dá motivo para nossa fé.

Comment by André

26/03/2008 @ 18:01

O tumulo esta vazio e Ele esta na Eucaristia a nossa espera.

Comment by Samuel

30/07/2008 @ 00:14

E não somente pelo crescimento e sustentação milenar da Igreja podemos comprovar Sua veracidade sobre a Ressurreição, Professor, pois até mesmo civilizações anteriores, como a dos egípcios, não tinham a cultura de preservar os corpos como múmias à toa. Eles sabiam muito bem o quê e porquê estavam fazendo. Inclusive, estudos concretos apontam que as pirâmides eram verdadeiras construções-antenas captadoras do que eles acreditavam ser a energia cósmica, presente em todo o universo, e faziam o que podiam para tentar “facilitar para Deus” e para a natureza o processo no qual acreditavam piamente. E se acreditavam e moveram toneladas e toneladas de pedras com as próprias mãos para construirem aquelas grandiosidades arquitetônicas, é porque tinham certeza que não estavam crendo em algo absurdo, muito pelo contrário. Claro que quase tudo praticamente construído à base de trabalho escravo, mas quem mandou construir com certeza não mandou somente pra arriscar, apostar numa mera teoria. Eles inclusive utilizavam minérios radioativos para tentar mesclar todas as possibilidades - energia da própria natureza, energia radioativa, as orações e cultos que faziam, etc. E está escrito que após a morte de Jesus na cruz, enquanto o céu se fechou todo, a Terra tremeu e caiu uma horrenda tempestade, os mortos também saiam dos sepulcros e eram vistos de volta às suas casas, suas famílias, como se jamais tivessem morrido, e os túmulos estavam todos literalmente estourados, rompidos, e todos os mortos sairam e viviam. Os apócrifos obviamente servem apenas para objeto de pesquisa, mas no Apócrifo de Nicodemos, por exemplo, encontramos escrito que os governantes mandaram averiguar quando soldados chegaram atemorizados com o que viam nas cidades. E averiguando comprovaram e atestaram que realmente Jesus só podia ser o Messias e que haviam cometido a grande desgraça de tê-Lo matado, pois verificaram tudo e, realmente, todos os sepulcros estavam rompidos e, para que não restasse dúvidas, também averiguaram as casas daqueles que haviam sido enterrados, suas famílias, etc, e os encontraram todos vivos, diferentes porque permaneciam glorificando Jesus constantemente, como se tivessem tomados pelo Espírito Santo - e realmente estavam -, mas estavam vivos, gente que os próprios soldados conheciam e sabiam que realmente haviam morrido, e que então encontraram novamente vivos, ressucitados. Nicodemos mesmo, se é que o conteúdo está correto naquela parte, diz que esse fato foi algo incontestável pra ele, que se entregou derradeiramente a Deus através de Cristo após aquilo.

É fácil detratores da Verdade quererem chegar hoje, passados 2 mil anos daquilo, e dizer que confundiram ressurreição com reencarnação, mas, mesmo que reencarnação seja fato, ressurreição existe é é outra coisa. Os reencarnacionistas compreendem que não estamos aqui pela primeira vez, que equanto ainda precisamos nascemos novamente, novos pais, novo corpo, nova família, nova experiência de vida mas para a evolução do mesmo ser. Que isso seja verdade, o que tem a ver com ressurreição? Ressurreição é trazer o mesmo ser, no mesmo corpo, em vida novamente, não importa quanto tempo aquele corpo possa estar enterrado ou já cremado, enfim, Deus é Todo-Poderoso, o que Ele não pode? Suponhamos que onde Jesus explica que o Baptista era o mesmo Elias que voltou, Ele esteja falando sobre reencarnação, sobre Elias ter subido aos céus e nascido novamente, tempos depois, como o Baptista. Ok, que seja verdade, o que isso faz muda no assunto ressurreição? Nada. E outra, qual seria a vantagem de reencarnar? Que seja uma chance, como uma repetição de ano na escola, uma nova vinda em carne, que seja verdade… Quem é que quer permanecer no mundo e não ir pra Deus, eternamente junto Dele? Mesmo que haja infinitos mecanismos misericordiosos da parte Divina, o objetivo é sermos perfeitos como o Pai também é, afim de que também nos tornemos Um com Ele em Espírito. O objetivo é ascender, e Jesus deixou o exemplo perfeito de como é que se realiza isso. O resto, exista ou não, é puro meio do caminho ainda. Nós devemos buscar a meta final! “Se alguém quiser vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” (Mateus 16:24)

Somente ignorantes poderiam subestimar Deus a ponto de achar que Ele, o Criador, Todo-Poderoso, não poderia fazer algo não compreensível à luz da razão deles. Eu já vi homens em Nome de Deus levitarem diante dos meus olhos, eu vi um cara andar sobre a água, e eles nem eram Jesus, “apenas” cristãos, quanto mais o próprio Senhor, o que Ele não poderia? Jesus disse que viriam os que fariam igual ou até mesmo mais do que Ele, ou seja, TUDO QUE ELE MOSTROU, EXEMPLIFICOU EM VIDA, NÃO SOMENTE É POSSÍVEL COMO DEVE SER NOSSO OBJETIVO CONQUISTAR, REALIZAR!

Um grande abraço, Professor!

Em Jesus,

Samuel

Comment by Maria Claudia Melo Saboia de Oliveira

14/08/2008 @ 05:14

Desejo aprender mais sobre a minha Igreja maravilhosa, pois vejo que muitos irmãos se enganam com a idéia de reencarnação e que podem voltar para terminarem o que deixaram por fazer. Tenho muito medo da vida que estas pessoas estão levando em suas religiões protestantes. Louvo a DEus por ele ter me escolhido e ter me colocado em um lar Católico. Amém Jesus.

Comment by ELISANGELA BALIEIRO SILVA

1/10/2008 @ 03:37

prof FELIPE vou fazer uma pregacao que o tema sera jasus esta voltando voce esta preparado
queria que o senhor me desse alguma direcao pois nao sei por onde comecar deus abencoe o senhor a igreja precisa de mais homens como o snhor a paz de jesus

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