A PROIBIÇÃO À ORDENAÇÃO DE MULHERES É DEFINITIVA?

Filed under: Sacramento da Ordem — Prof. Felipe Aquino at 3:44 pm on Friday, April 11, 2008

Algumas pessoas me perguntam se a decisão da Igreja de não ordenar mulheres, confirmada pelo Papa João Paulo II na Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis (22 maio 1994), se é definitiva e válida para sempre.  

A Congregação da Doutrina da Fé do Vaticano foi consultada sobre esta questão, e respondeu que SIM. Portanto, a discussão desse assunto deve ser encerrada na Igreja, e os católicos e católicas devem aceitar na “obediência da fé” (Rom 1,5) esse ponto de doutrina que o Papa e o magistério da Igreja definiram como verdade de fé. Sugiro que os fiéis leiam a importante Carta Apostólica do Papa João Paulo II sobre a dignidade e a vocação da mulher: “Mulieris Dignitatem”, para melhor entender o assunto. 

Em 28/10/95 esta Congregação emitiu uma Nota que confirma o caráter definitório e irrevogável do pronunciamento do S. Padre João Paulo II. O Papa afirmou que segundo a Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja, em relação ao sacramento da Ordem,  nem Jesus Cristo nem algum sucessor de Apóstolo conferiu a ordenação sacerdotal a mulheres, tanto entre os cristãos ocidentais como entre os orientais. O Papa se baseou no procedimento do próprio Cristo, que não chamou mulheres para a Última Ceia (na qual instituiu e conferiu o sacramento da Ordem). Segundo ele a Igreja não tem autorização para mudar este ponto.  Eis o que disse o Papa João Paulo II: “Para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição da Igreja divina, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc 22, 32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”. 

A decisão do Papa, por mais precisa que fosse, deixou margem a dúvidas sobre o caráter revogável ou não de tal sentença. As dúvidas foram levadas à Congregação para a Doutrina da Fé, que em Nota datada de 28/10/95, respondeu em favor da irrevogabilidade da sentença. 

Em seguida publicamos o texto em que a autoridade competente explicita o sentido da Declaração do Papa.  

Dúvida: “Se a doutrina segundo a qual a Igreja não tem faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, proposta como definitiva na Carta Apostólica “Ordinatio sacerdotalis”, deve ser considerada pertencente ao depósito da fé.” 

Resposta: Afirmativa. “Esta doutrina exige um assentimento definitivo, já que, fundada na Palavra de Deus escrita e constantemente conservada e aplicada na Tradição da Igreja desde o início, é proposta infalivelmente pelo magistério ordinário e universal (cf. Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, 25, 2). Portanto, nas presentes circunstâncias, o Sumo Pontífice, no exercício de seu ministério próprio de confirmar os irmãos (cf. Lc 22, 32), propôs a mesma doutrina, com uma declaração formal, afirmando explicitamente o que deve ser mantido sempre, em todas as partes e por todos os fiéis, enquanto pertencente ao depósito da fé.” 

O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a Audiência concedida ao abaixo-assinado Cardeal Prefeito, aprovou a presente Resposta, decidida na reunião ordinária desta Congregação, e ordenou sua publicação.  Roma, da Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, aos 28 de outubro de 1995. + JOSEPH Cardeal RATZINGER - Prefeito

+ TARCÍSIO BERTONE - Secretário

Fonte: Revista “Pergunte e Responderemos”: N. 407/1996, pp. 153-155; e N. 492/2003, p. 266.

A Nota da Congregação para a Doutrina da Fé atrás transcrita cita a Constituição Lumen Gentium  nº 25, que reza o seguinte: 

“A infalibilidade da qual quis o Divino Redentor estivesse sua Igreja dotada ao definir doutrina de fé e Moral, tem a mesma extensão do depósito da Revelação Divina, que deve ser santamente guardado e fielmente exposto. Esta é a infalibilidade de que goza o Romano Pontífice, o Chefe do Colégio dos Bispos, em virtude de seu cargo, quando, com ato definitivo, como Pastor e Mestre Supremo de todos os fiéis que confirma seus irmãos na fé (cf. Lc 22, 32), proclama uma doutrina sobre a fé e os costumes. Esta é a razão por que se diz que suas definições são irreformáveis por si mesmas e não em virtude do consentimento da Igreja, pois são proferidas com a assistência do Espírito Santo a ele prometida na pessoa do Bem-aventurado Pedro. E por isto não precisam da aprovação de ninguém nem admitem apelação a outro tribunal. Pois neste caso o Romano Pontífice não se pronuncia como pessoa particular, mas expõe ou defende a doutrina da fé católica como Mestre supremo da Igreja universal, no qual, de modo especial, reside o carisma da infalibilidade da própria Igreja”. 

“São estes conceitos que fundamentam o caráter definitório e irrevogável da Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis. Deve-se ainda enfatizar que a posição assumida pela Igreja Católica não implica depreciação da mulher, pois, na verdade, o sacerdócio é uma função de serviço muito mais do que uma honra ou promoção. O único carisma que realmente se deve almejar, é o agape ou o amor cristão (cf. 1Cor 13, 1-13). Na sua Carta Apostólica sobre a Dignidade da Mulher (15/08/1988) o S. Padre lembra que o homem e a mulher são diferentes e complementares entre si, de modo que têm suas funções específicas tanto na sociedade civil como na Igreja; os maiores no Reino dos Céus não são os ministros, mas são os Santos. De resto, observa S. Santidade que à mulher foca um papel de preeminência sobre o homem, que é o de educar o futuro cidadão, talvez chefe e dirigente de projeção na sociedade. Nunca o homem poderá retribuir à mulher que ela assim lhe presta; cf. nº 18.” (D. Estevão Bettencourt)      

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

 

12 Comments »

Comment by maria do socorro leal

11/04/2008 @ 17:30

nunca me preocupei com a ordenação de mulheres, porém, sei que existem muitos questionamentos a respeito dela….
a mulher como missionária, como leiga é melhor na minha opinião…sou feliz como leiga…até gostaria de ser uma missionária…mais a minha vocação é a do matrimonio…
quero dizer que em algumas religiões não se vêem mulheres na frente ocupando lugares que são dos homens…e não existem nenhum questionamento a respeito disto…fico triste com as críticas somente a respeito da igreja católica…
Paz e Bem
Socorro/DF

Comment by Marina

11/04/2008 @ 19:01

Professor, discordo que TUDO que a igreja fala devemos simplesmente aceitar na “obediência da fé” como o senhor escreveu… se ninguém duvidasse da igreja algum dia, hoje ainda teríamos misas em LATIM e com o padre de costas para a comunidade….

Discordo do fato de mulheres não poderem exercer o sacerdócio… Cristo veio como HOMEM por que naquela época ninguém ouvia as mulheres… ou seja, ninguém iria acreditar nele… ninguém ia ouvir oque ele tinha a dizer…

Cristo veio para dar VALOR as mulheres e simplesmente não entendo o por que a igreja que ELE criou não permite que mulheres consagrem a eucaristia…

E não é só por que o papa falou que devemos abaixar a cabeça e aceitar… concordo o que ele fala é importante, mas não devemos simplismente ouvir e obedecer, devemos questionar quando não concordamos até que nos dêem uma resposta convincente sobre o assunto!

Se todo mundo aceita-se tudo na “obediência da fé” hoje ainda teriamos missas em LATIM com o padre de costas pro povo… e JAMAIS poderiamos cantar, bater palmas na missa ou louvar a Deus como louvamos hoje. Jamos teriamos ROCK, POP, enfim musica JOVEM falando de Cristo…

acho que a igreja iand tem muito a evoluir quando se trata das MULHERES…

Bom… ta ae o que penso rs

Sem mais
Mari

Comment by Sidnei

11/04/2008 @ 22:20

Mariana, se você não aceita o que o Papa diz em matéria de fé e moral, então não podes ser considera mais como católica. JESUS engrandeceu muito a mulheres, sobre tudo por meio de sua mãe Maria, mas custa alguém como você enxergar que JESUS escolheu somente homens para o ministério apostólico, se não aceitas isto estas perdendo tempo na Igreja Católica, vai para alguma igreja evangélica que aceita pastoras ou então para o islamismo e aí sim você vai verificar quem é que falta evoluir com relação as mulheres.

Comment by Edem de Almeida

12/04/2008 @ 01:59

“QUANDO ME ATERRORIZA O QUE SOU PARA VÓS, CONSOLA-ME O QUE SOU CONVOSCO. POIS PARA VÓS SOU BISPO, CONVOSCO SOU CRISTÃO. AQUELE É O TÍTULO DE UMA FUNÇÃO RECEBIDA; ESTE É TÍTULO DE GRAÇA; AQUELE É DE PERIGO; ESTE É DE SALVAÇÃO”. SANTO AGOSTINHO.

Para os marxistas toda autoridade é necessariamente perniciosa. Curiosamente, são eles mesmos os que se têm apresentado como os mais totalitários entre todos aqueles que um dia detiveram nas mãos algum controle de qualquer Estado na história humana.

Quando no poder, não querem mais sair. Veja o caso do atual partido no poder do Brasil, já está querendo conquistar mais um mandato presidencial. Quando na oposição discursavam sobre o absurdo de se conceder dois mandatos a um só presidente, agora querem três para o seu presidente.

Quando no poder, procuram definir o que é o bem e o que é o mal para os demais cidadãos. Com a promessa de igualdade, criam uma elite no poder que se arvora no direito de dizer o que é justo e o que é injusto para todos os demais. Todo marxista se acha melhor que todos os demais homens, pois só ele sabe para onde deve ir toda a humanidade.

A lógica do Marxismo é destruir toda a autoridade, para livre, reinar absoluta.

Essa ideologia revolucionária tem influenciado também a reflexão cristã sobre as funções do masculino e do feminino no Plano de Deus. Questionar o sacerdócio como uma função a ser exercida exclusivamente pelo homem faz parte do projeto de destruição da Igreja em suas bases.

Como os marxistas são sedentos pelo exercício do poder ilimitado, vêem em todas as relações humanas indícios de opressão pelo poder. Por exercerem o poder de forma perniciosa detestam qualquer autoridade que não seja aquela exercidas por eles mesmos.

A frase de Santo Agostinho acima expressa bem o que Cristo e sua Igreja entendem pelo exercício de funções hierárquicas. Se o sacerdócio ministerial representa alguma ascendência sobre os não sacerdotes isso, pela vontade de Deus, só tem um objetivo: servir.

Deus não reservou o sacerdócio ministerial à mulher, não para inferiorizá-la ou torna-la menos digna que o homem, mas justamente para mostrar que não é a função que determina a honra de um homem ou de uma mulher, mas como o detentor da função coloca à disposição da comunidade os talentos recebidos.

Karl Marx era casado com Jenny von Westphalen, que lhe deu seis filhos. Três deles morreram na infância por causa de uma vida cheia de penúrias; os outros três se suicidaram. Teve um filho com sua empregada doméstica Helena, filho esse que jamais permitia sentar-se à mesa com os demais irmãos. Sua mulher morreu sem jamais perdoar-lhe a traição com Helena.

Comment by Edem de Almeida

12/04/2008 @ 02:17

Prezada Marina,

Em tudo na vida sempre há diferentes pontos de abordagem. Pode-se dizer que um copo está meio cheio, como se pode dizer que está meio vazio. A realidade não muda, mas muda a abordagem. Posso ficar triste porque me resta meio copo de vinho, posso, ao contrário, ficar feliz poque me resta ainda meio copo de vinho.

Dizer que o padre resava de costas para o povo é, antes de mais nada, desprezar a sabedoria dos povos que nos precederam. Na realidade o padre não resava de costas para o povo, mas de frente para Deus.

Ainda hoje os muçulmanos se voltam para Meca para rezar para Alah. Em qualquer lugar do mundo que estiverem se ajoelham em direção àquela cidade quando querem rezar.

Os sacerdotes católicos, junto com toda a Assembléia, em sinal de amor e reverência a Deus, se voltavam para o Oriente, onde nasce o sol, para, com o corpo, se apresentarem atentos ao nosso Sol.

Portanto, desprezar esse simbolismo é se achar melhor que aqueles que só queriam, à sua maneira, demonstrar de todas as formas o quanto amavam o Senhor.

Não é difícil encontrar padres que se acham estrelas de um show particular. Como vedetes parecem mais apresentadores de programa de auditório, animadores de platéias do que vocacionados a levar os homens a Deus e trazer Deus aos homens. Talvez se fossem obrigados a se voltarem para Deus, mesmo que com isso dessem as costas ao povo, se concentrariam melhor em suas próprias missões.

Comment by vanderley

12/04/2008 @ 03:51

Infelizmente tem muita gente confundindo SANTA MISSA com show.(tem que puxar a orelha de certos padres que banalizaram as missas).

Será que o católico sabe o significado da missa, o que acontece nela ??

Professor, está faltando mais catequese e doutrina para o povo, as afirmações acima mostra o alto grau de desconhecimento da fé e da liturgia.

Não me consta que as mulheres se preocupavam em ser “sacerdotisas” antigamente.

É mais uma prova de que o feminismo quer invadir a Igreja, já que a mentalidade de muitas mulheres ele já invadiu…

Como católicos nós devemos a obediência aos nossos pastores em questões de moral e fé, principalmente ao papa.

Quem não obedece já vive a mentalidade protestante.

Comment by Francisco

12/04/2008 @ 13:04

Talvez as freiras… Essa Marina poderia nos dar , a partir do esposto, uma mostra mais concreta de como seriam os seminários, a castidade, a eleição de papas homens e papas mulheres; faltam Marinas na igreja para opinar.

Comment by falando a marina

12/04/2008 @ 15:22

Marina, quanto ao padre celebrar de costas para o povo e em latim a Igreja nunca disse que isso era irrevogável, definitivo. Com o tempo poderia mudar. Mas tudo bem discutido e pensado como foi no Concílio Vaticano II.

Em relação à ordenação de mulheres, isso toca outra dimensão. A Igreja, o Papa, não fazem o que simplesmente querem, mas aquilo que Deus dá o poder para o fazer. A Igreja é de Jesus Cristo. Ouvindo o Espírito, a Escritura, a Tradição a Igreja conclui que Cristo não deu a Ela o poder de ordenar mulheres. Com um olhar claro sobre isso, nem se o Papa quisesse ele poderia, de modo justo, mudar isso.

Cabe a nós, concordando ou não, não lutar jamais para mudar uma declaração infalível do Papa. É justo e louvável que procuremos entender ao máximo o porquê desta afirmação categórica - nisso não há nada de errado ou pecado -, mas devemos já de antemão obedecer ao Papa, obedecer a Igreja, ao “Pedro” nos dias atuais.

Comment by Daniel

12/04/2008 @ 15:40

PARA A PROGRESSISTA MARINA E AOS DEMAIS
Se ordenação de mulheres fosse a vontade de Cristo
não teríamos 12 Apóstolos e sim 12 ´´Apóstolas“.O
Rock Metaleiro é puro satanismo e o pop é o cúmulo da imoralidade(Brithney Spears que o diga).Portanto
se o papa falou cumpra-se.´´Tú és Pedro e sobre esta
pedra edificarei a minha Igreja e tudo que ligares
na Terra será ligado ao Céu e tudo o que desligares
da Terra será desligado do Céu.“Mateus 16,18-19.

Comment by Daniel

13/04/2008 @ 16:03

As mulheres já podem ser religiosas se tornando
freiras,que elas se contentem com isso.

Comment by João Batista

13/04/2008 @ 21:16

Triste que ainda hoje muitos se dizem católicos sem o ser. Ninguém é obrigado a ser católico, mas quando se assume essa religião, está implícito que se acate as “normas”… entre elas está o fato de que a Igreja não é uma democracia.

Comment by Jefferson

14/04/2008 @ 14:28

As mulheres exercem um papel importante na Igreja, lembrando que importante nem sempre é aquele que aparece, qual papel mais importante que o papel de mãe, sem mãe não existe padre, bispo ou Papa, falta a mulher se descobrir melhor e não dar ouvidos ao feminismo ateu que no final não busca os interesses das mulheres e sim a destruição da ordem social…
Olhando Maria todas as mulheres tem oportunidade de ver como Deus as ama e nelas deposita sua confiança, pois somente uma mulher carregou Deus em seu seio e teve tanta intimidade com ele, pois éra e é sua mãe…

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