A Igreja é contra a teoria da evolução?

Filed under: Ciência e Fé — Prof. Felipe Aquino at 4:34 pm on Sunday, April 27, 2008

A Igreja não é contra a teoria da evolução, desde que seja entendido que esta evolução foi querida por Deus, programada e executada por Ele. A Igreja também não abre mão de que a alma humana, imortal e racional, é criada diretamente por Deus e colocada na pessoa no instante da sua concepção, quando o óvulo feminino é fecundado pelo sêmen masculino. Dentro dessa ótica, a Igreja aceita a teoria do início do mundo a partir do Big Bang, a grande explosão que teria dado inicio ao universo hoje conhecido. Mas o que é o Big Bang? 

No início do século os astrônomos começaram a mapear o Universo, e descobriram que as galáxias pareciam estar se afastando da Terra com velocidades cada vez maiores, de modo que quanto mais longe estivessem tanto maior era a sua “velocidade de fuga”. Era como se os grupos de galáxias fossem partes de uma explosão acontecida a bilhões de anos. Daí nasceu a teoria do Big-Bang (grande explosão), segundo a qual o Universo começou a partir dos fragmentos desta gigantesca explosão. 

A partir das velocidades relativas, observadas nas galáxias mais distantes, a época da explosão foi calculada em aproximadamente 15 bilhões de anos. Uma matéria ultra-comprimida teria explodido numa nuvem de energia e partículas elementares, aquecidas a uma temperatura inimaginável de bilhões de graus Celcius. Dentro desta esfera havia apenas fótons e nêutrons comprimidos de modo tal que um litro dessa matéria pesaria bilhões de toneladas e tinha a temperatura de 1015 (= 1 seguido de 15 zeros) graus C. Essa esfera teria explodido, jogando no vazio a matéria com a velocidade da luz. 

Apenas um centésimo de segundo após essa grande explosão, a temperatura descera a 300 bilhões de graus C; os fótons e os nêutrons se condensaram em elétrons e núcleos, dando origem a uma massa de hidrogênio incandescente, que aos poucos foi se condensando em galáxias de estrelas. No interior das estrelas, a cerca de 20 milhões de graus, esse hidrogênio foi se transformando em hélio, num processo de combustão que liberava enormes quantidades de energia. Em seguida, num complexo processo de evolução química, esse hélio se converteu em outros elementos (oxigênio, carbono, nitrogênio, ferro…), que se encontram nas estrelas.

 Alguns bilhões de anos após a explosão inicial, originaram-se as estrelas, os planetas, os asteróides e os satélites que constituem o nosso sistema solar e o universo inteiro. Sabe-se hoje que o espaço é perpassado por um campo de radiações, que têm a temperatura de 2,7 graus absolutos (270 graus centígrados abaixo de zero). Essas radiações são o resíduo da radiação muito mais intensa e quente que devia perpassar o universo nas suas fases iniciais de existência. Por efeito do processo de expansão devido ao big-bang inicial, a radiação eletro-magnética originária teve que diminuir a sua temperatura até chegar hoje, 15 bilhões de anos depois, a uma temperatura próxima do zero absoluto.  

A presença dessa radiação, que perpassa o universo e que é prevista pela teoria do big-bang, poderia ser a prova mais convincente desta teoria, que ainda não é aceita por todos os astrônomos e físicos. Um pequeno grupo acredita que o Universo é eterno, isto é, não teve começo e nem terá fim. É a teoria do estado constante. A fé não aceita esta teoria, pois a eternidade do Universo faria dele um Absoluto, um Deus. Só Deus é eterno; só Deus não teve começo e não terá fim. O eterno é perfeito; não evolui, como o Universo evolui, teve início e terá fim.  

Para os físicos modernos, a melhor explicação da origem do universo está na teoria do Big Bang, que tem sido estudada exaustivamente; e a Igreja não a desaprova, desde que se considere o que foi dito acima.  

Prof. Dr. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

Do livro CIÊNCIA E FÉ EM HARMONIA

8 Comments »

Comment by Edem de Almeida

27/04/2008 @ 18:08

O significado do cosmos (a existência de Deus) está para além do cosmos, para além do espaço e do tempo.

Só encontraremos Deus no espaço e no tempo, se enxergarmos neles um presente do Amor. Ter fé é olhar o universo como algo para nós, como uma dádiva que recebemos da bondade de seu Criador.

É possível perceber que o debate entre Evolucionismo e Criacionismo deixou de ser científico. Por culpa de religiosos que se sentem ameaçados por cientistas ateus, que usam mal a teoria de Darwin para destruir a fé e sua dimensão ética, que por sua vez também se tornam culpados pelo azedume do debate atual.

A teoria da Evolução, como apresentada pela mídia, se tornou mais dogmática que qualquer fé religiosa. Porque seus adeptos querem que seja universalmente proclamada um “fato”, uma verdade sem contestação. Quem questionar a fé evolucionista será imediatamente queimado na fogueira das heresias.

Fica claro que isso não ajuda a ciência.

Por outro lado só se conhecem contestadores do Evolucionismo no campo religioso. Pior, no campo dos religiosos fundamentalistas e fanáticos.

Na realidade o interesse político de um evolucionismo aplicável a tudo interessa ao pensamento revolucionário que quer destruir a força da fé religiosa na história. Para um evolucionista dogmático, um homem com fé religiosa é um homem posicionado numa escala inferior da evolução humana.

A Igreja não é contra a ciência. Portanto, não pode ser contra a teoria da Evolução se ela for científica. A propósito, vale dizer que a ciência não conseguiu achar ainda nenhuma cadeia contínua de formas intermediárias de uma mesma espécie animal que prove que a evolução é o que garante o processo de existência e permanência dos seres vivos. Ou seja, a teoria da Evolução é ainda uma teoria.

A única força dessa teoria como alguma resposta é que ainda não se colocou nenhuma outra teoria como resposta alternativa. A única força da teoria da Evolução é que não existe concorrência. Isso em ciência é muito pouco. É como dizer que se pode mentir porque não há nenhuma verdade que prove que o que se diz é uma mentira.

Como crentes não podemos nos sentir ameaçados por argumentos que navegam na superfície do mundo material. A ciência é uma tarefa humana que a dignifica, mas seu objeto é a criação e não o Criador.

O filósofo Olavo de Carvalho escreveu bonito a respeito:

“Nenhuma coleta de indícios físicos, por mais vasta e meticulosa, pode provar a existência de um “sentido” por trás do que quer que seja. Se existe um Deus criador infinitamente perfeito, bondoso e inteligente, Ele não pode ter transmitido à criação senão uma parcela ínfima das Suas perfeições: o exame do tecido do cosmos revelará sempre tantos indícios de ordem e harmonia quanto de desordem e absurdidade. O “significado” está sempre para além da estrutura material do significante. Se isso acontece na linguagem humana, não há razão para que seja diferente na linguagem divina. O significado de um livro, por exemplo, não pode ser alcançado pela análise físico-química do papel e da tinta, pela medição do seu formato ou pelo desenho geométrico das letras. Ele não está “no” livro: está na mente do autor e do leitor, unidos pela posse comum de procedimentos de codificação e decodificação. O sentido é, por definição, “transcendente”. Não pode ser apreendido pelo conhecimento anatômico, fisiológico ou físico-químico da imanência.”

http://www.olavodecarvalho.org/semana/060626dc.html

Comment by Edem de Almeida

28/04/2008 @ 18:42

Só para completar com uma ilustração o debate entre fé em Deus e fé na ciência, assistam ao filme CONTATO com Jodie Foster.

A cientista, atéia, tem uma experência pessoal e não consegue convencer ninguém dessa sua experiência e chega à conclusão de que na vida se precisa ter fé.

Comment by larissa

29/04/2008 @ 14:30

DEUS É MARAVILHOSO É O QUE PODEMOS CONSTATAR DE TUDO ISSO.

Comment by Camila M.G. Reifonas

2/05/2008 @ 13:41

Deus ama muito a todos nós, é Nele que eu confio, tudo o que Ele criou é perfeito.
Se Desus permite que a Ciência desvende alguns de seus mistérios, é para que o homem utilize seus conhecimentos para o bem da humanidade, e não para que a humanidade se torne “deus”. Não nos esqueçamos do que disse São Paulo, na carta aos Coríntios: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, sem amor, eu NADA seria”.

Comment by Silveria Melo Andrade

3/05/2008 @ 00:16

Estou lendo seu livro O Purgatório e estou fascinada com todo o contexto, Professor sou sua fã, Deus o abençoe.

Comment by Daniel

3/05/2008 @ 00:17

A única coisa que a ciência pode afirmar,é que Deus
criou o universo e o próprio homem.Como e quando isso
aconteceu,se os cientistas disserem ou inventarem,isso
mostra que os cientistas querem ser o próprio Deus,e isso
não deve acontecer,pois Deus é para ser adorado e não
compreendido.

Comment by antonio joaquim

26/05/2008 @ 02:03

porque a canção nova reluta em disponibilizar um saite da recitação do santo rosario visto que é um meio de envanlegilação muito efeciente jjoaquim de araraquara sp socio fiel pelo debito automatico
peço que me respomda o porque

Comment by Lindemberg

10/07/2008 @ 07:51

Reflexão:

“Replicou Jesus: Fiz uma só obra, e todos vós vos maravilhais!
Moisés vos deu a circuncisão (se bem que ela não é de Moisés, mas dos patriarcas), e até no sábado circuncidais um homem!
Se um homem recebe a circuncisão em dia de sábado, e isso sem violar a Lei de Moisés, por que vos indignais comigo, que tenho curado um homem em todo o seu corpo em dia de sábado?
Não julgueis pela aparência, mas julgai conforme a justiça.”
João, 7.21-24

Creio que devemos nos tornar e permanecer vigilantes na Fé em Deus, não necessariamente centrados na aparência resultante do frágil julgamento humano sobre as leis, mas na busca e na descoberta do benigno entendimento da verdade que está em comunhão e é ilustrada através de leis.
Jesus já nos dizia:
“Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo ninguém.”
João, 8.15
“Conhecereis a verdade e a verdade vos livrará.”
João, 8.32

Obrigado
Que Deus ilumine todos nós e nos dê a paz.
Amém.

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