Por que não pode receber o matrimônio quem não pode ter vida sexual?

Arquivado em: Casamento — Prof. Felipe Aquino at 3:57 pm on segunda-feira, maio 5, 2008

Algumas pessoas nos fazem esta pergunta.O Código de Direito Canônico da Igreja impede a celebração do matrimônio no caso de um dos pretendentes não poderem ter vida sexual; de maneira permanente, definitiva e confirmada pelos médicos. Diz o Código: 

Cân. 1084 - §1. A impotência para copular, antecedente e perpétua, absoluta ou relativa, por parte do homem ou da mulher, dirime o matrimônio por sua própria natureza. 

§2. Se o impedimento de impotência for duvidoso, por dúvida quer de direito quer de fato, não se deve impedir o matrimônio nem, permanecendo a dúvida, declará-lo nulo. 

§3. A esterilidade não proíbe nem dirime o matrimônio, salva a prescrição do cânon 1098. 

Para algumas pessoas isto pode parecer falta de caridade da Igreja, mas não é; é apenas uma exigência da própria essência do matrimônio. Como diz o Cânon 1084, a falta da vida sexual “dirime (anula) o matrimônio por sua própria natureza”. O matrimônio tem como principal finalidade, sem excluir outras, a geração dos filhos; e isto só pode ser obtido pelo ato sexual do casal, no entendimento da Igreja. Segundo o Catecismo da Igreja, este é “ato fundante” da vida do filho. Sobre isso diz o Catecismo: §2376 – As técnicas que provocam uma dissociação do parentesco, pela intervenção de uma pessoa estranha ao casal (doação de esperma ou de óvulo, empréstimo de útero), são gravemente desonestas. Estas técnicas (inseminação e fecundação artificiais heterólogas) lesam o direito da criança de nascer de um pai e uma mãe conhecidos dela e ligados entre si pelo casamento. Elas traem “o direito exclusivo de se tornar pai e mãe somente um através do outro” (CDF, instr. DV, 2,1). 

§2377 – Praticadas entre o casal, essas técnicas (inseminação e fecundação artificiais homólogas) são talvez menos claras a um juízo imediato, mas continuam moralmente inaceitáveis. Dissociam o ato sexual do ato procriador. O ato fundante da existência dos filhos já não é um ato pelo qual duas pessoas se doam uma à outra, mas um ato que “remete a vida e a identidade do embrião para o poder dos médicos e biólogos, e instaura um domínio da técnica sobre a origem e a destinação da pessoa humana. Uma tal relação de dominação é por si contrária à dignidade e à igualdade que devem ser comuns aos pais e aos filhos” (CDF, instr. DV, II,741,5). “A procriação é moralmente privada de sua perfeição própria quando não é querida como o fruto do ato conjugal, isto é, do gesto específico da união dos esposos… Somente o respeito ao vínculo que existe entre os significados do ato conjugal e o respeito pela unidade do ser humano permite uma procriação de acordo com a dignidade da pessoa” (CDF, instr. DV, II,4). 

Por outro lado, o matrimônio é consumado pelo ato sexual do casal. Logo, se este não pode realizar o ato próprio dos casais, o matrimônio não seria consumado. Isto é que impede a sua celebração.  Isto mostra que a Igreja leva a sério a vida sexual e a valoriza; se de um lado não quer que haja vida sexual sem casamento, por outro lado não deseja que haja casamento sem vida sexual.

É bom notar que em caso duvidoso, o casamento deve ser celebrado e nem deve ser declarado nulo em caso de dúvida. Somente os casos comprovados pela medicina, de maneira definitiva e irreversível, impedem o matrimônio. Da mesma forma, a esterilidade não impede a celebração do matrimônio, pois esta pode ser possivelmente vencida com tratamentos.  

De forma alguma é falta de caridade da Igreja para com os que têm este impedimento; é uma questão ligada à natureza do Sacramento do matrimônio, que se não atendida poderia torná-lo nulo. Se os dois pretendem viver juntos, podem fazê-lo, vivendo  como irmãos, sem vida conjugal e matrimonial.   

A Igreja sabe que sem observar a verdade, a caridade fica prejudicada e a salvação comprometida.  

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

12 Comentários »

Comentário por mariadefatimapb

5/05/2008 @ 18:16

Caríssimo Prof.Dr.Felipe Aquino.Paz de Cristo.
Uma orientação preciosa,acabamos de receber.De fácil,entendimento.
Aprender de fato e evangelizar,é justo e necessário aos católicos.
Muitas dúvidas,falta de orientação levam,às pessoas a cometerem faltas,por ignorar o Catecismo da nossa Sta.Igreja.
Obrigada.

Comentário por Cleide Paixão

6/05/2008 @ 01:17

Obrigada pelas valiosas informações contidas neste site, temos boas fontes de informações para melhorar nosso intendimento como cristãos, basta querermos buscar isso a cada dia mais para melhorar nossa caminhada! Parabéns!

Comentário por Edem de Almeida

6/05/2008 @ 02:03

“… o aspecto definitivo da união de dois seres humanos, que a fé vê estabelecida pelo “sim” do amor, fundamento do matrimônio está enraizado aqui [no Mistério da Encarnação]. De fato, casamento indissolúvel só é compreensível e realizável pela fé na indestrutível decisão de Deus em Cristo, mediante o “matrimônio” ou as “núpcias” com a humanidade (cfr. Ef 5,22-33). O matrimônio subsiste ou cai com esta fé; fora dela, ele é tão impossível, como dentro da fé é necessário.” Joseph Ratzinger in “introdução ao cristianismo”

Deus em Cristo se torna homem, em uma união indissolúvel e para toda a eternidade. Por isso o matrimônio deve ser também indissolúvel para ser Sacramento da decisão definitiva de Deus.

Comentário por Christiane Alves Passos Nogueira

6/05/2008 @ 03:31

Prof, Felipe Aquino,

que matéria valiosa… Até mesmo para os casais que receberam ou receberão o matrimônio, pois o Catecismo ao falar sobre esse assunto nos ensina além do msexo, e sim do valor que a Igreja dá há vida humana!
Parabéns por essa matéria!

Comentário por socorro

6/05/2008 @ 03:55

amo e respeito nossa igreja é muito rica em seus documentos…Sei de pessoas que tornaram seu matrimonio
sem efeito e casaram-se novamente na igreja catolica, para quem não participa ativamente fica confuso, cabe a nós leigos buscarmos a verdade para ajudá-los a entender.
Parabéns pelas matérias, Deus o ilumine..
Paz e Bem
Socorro Leal/DF

Comentário por Alexandre Torres

6/05/2008 @ 11:28

Prof. Felipe,

Tive a grata satisfação de assistir a um de seus programas ao vivo, quando visitei a Canção Nova. Cada vez mais me encanto com o modo prático e eficaz com que o dileto professor aborda temas polêmicos. Acredito que se estas informações fossem transmitidas aos nubentes no curso preparatório de noivos nas diversas Dioceses de nosso país, talvez não tivéssemos um número tão elevado de separações ou de pedidos de reconhecimento da nulidade do casamento. Que Deus o abençõe e continue a lhe inspirar nessa caminhada de fé! Um forte abraço!

Alexandre Torres - Advogado/PE

Comentário por marileide das graças costa

6/05/2008 @ 12:39

olá professor gosto muito da sua firmeza em defender e ensinar o catecismo da igreja

Comentário por Robervânio

6/05/2008 @ 13:32

Profº Felipe

A paz do Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com o você.
É preciosa as informações aqui contidas, são informações que iluminam e guiam as vidas dos casais que talvez ainda esteja numa vida desefreiada, duvidosa,e muitas vezes inocentes diante dos ensinamentos do Senhor.Muitos casais concerteza vão salvar seus namoros e casamentos graças aos conselhos de pessoas como o você que iluminado pelo espirito de sabedoria ajuda e liberta o povo cristão.
Robervânio Heverton - Nova Cruz-RN

Comentário por Bismark Félex da Silva

6/05/2008 @ 13:58

Prof, Felipe,

que matéria valiosa,de fato, casamento indissolúvel só é compreensível e realizável pela fé na indestrutível decisão de Deus em Cristo, mediante o “matrimônio” ou as “núpcias” com a humanidade (cfr. Ef 5,22-33). O matrimônio subsiste ou cai com esta fé; fora dela, ele é tão impossível, como dentro da fé é necessário.Uma orientação preciosa,de fácil,entendimento.
Aprender de fato e evangelizar,é justo e necessário aos católicos.

Bismark Félex da Silva,

Comentário por Ana

6/05/2008 @ 14:35

Ola professor, talvez falte um pouco de firmesa e clareza em cursos de noivos Brasil a fora…

“de um lado não quer que haja vida sexual sem casamento, por outro lado não deseja que haja casamento sem vida sexual.”

Isso é muito interessante, pois já ouvi de muitas pessoas que acham que é até pecado fazer sexo.
Eu já li no catecismo sobre o matrimônio, mas o senhor poderia fazer um breve resumo como este sobre metodos anticoncepcionais!


Cara Ana veja no Busca Cléofas (www.cleofas.com.br/busca.html) e faça uma pesquisa [Suporte Blog].

Comentário por Gilmara

6/05/2008 @ 19:11

Querido Professor !!

Agradeço seus preciosos ensinamentos, nos passando a verdade contida no Catecismo da Igreja.
Qto ao assunto abordado, afinal somos HUMANOS, não somos animais irracionais pra viver a bel prazer de nossas emoções, instintos, vontades, sem a Luz da Palavra Santa de Jesus, Nosso Salvador. Somos feitos à imagem e semelhança de Deus, e não meros animais que ’se reproduzem’ ‘a si mesmos’, aprendi no livro do Pe. Léo, qdo ele interpreta o texto bíblico ‘Gênesis’, que o homem é coparticipante com Deus na reprodução de outro homem à semelhança desse mesmo Deus. Isso é riquíssimo e belíssimo.

Paz de Jesus!!
Gilmara Silva Pereira
Itaúna/MG.

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21/11/2008 @ 02:15

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