A aprovação das pesquisas com células tronco embrionárias

Filed under: Células tronco — Prof. Felipe Aquino at 4:29 pm on Friday, May 30, 2008

Lamentávelmente ontem o STF aprovou o uso de embriões humanos – que são vidas humanas – para a realização de pesquisas, nas quais os milhares de embriões são destruídos desumanente. A CNBB, a Conferência dos Bispos do Brasil, emitiu uma nota muito clara e oportuna lamentando a decisão do STF. Vale a pena destacar que a CNBB afirma que: 1 – o embrião é uma vida humana que não pode ser destruída; 

 2 – a questão não é apenas religiosa, a embriologia e a biologia confirma que o embrião é um ser humano; 

3 - não há até hoje nenhum protocolo médico que autorize pesquisas científicas com células-tronco obtidas de embriões humanos em pessoas, por causa do alto risco de rejeição e de geração de teratomas [câncer]. 

4 - as células-tronco embrionárias não são o remédio para a cura de todos os males. As células-tronco adultas, retiradas do próprio paciente, já beneficiam mais de 20 mil pessoas com diversos tipos de tratamento de doenças degenerativas. 

Temos que lamentar profundamente que a Instância máxima de decisão judicial da Nação não tenha decidido em sintonia com a voz da Igreja que é a voz de Cristo e do Pai. Jesus disse `a Igreja: “Quem vos ouve a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou” (Lc 10,16). 

Isto nos alerta a educarmos na fé as crianças, os adolescentes e os jovens, catequisando-os segundo o Evangelho de Cristo e de Igreja, para que amanhã, quando assumirem os destinos da Nação, decidam segundo a lei de Cristo.  

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

 

 

CNBB lamenta decisão do STF sobre células-tronco 

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB lamenta a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou a validade constitucional do artigo 5º e seus parágrafos da Lei de Biossegurança, n. 11.105/2005, que permite aos pesquisadores usarem, em pesquisas científicas e terapêuticas, os embriões criados a partir da fecundação “in vitro” e que estão congelados há mais de três anos em clínicas de fertilização. 

A decisão do STF revelou uma grande divergência sobre a questão em julgamento, o que mostra que há ministros do Supremo que, nesse caso, têm posições éticas semelhantes à da CNBB. Portanto, não se trata de uma questão religiosa, mas de promoção e defesa da vida humana, desde a fecundação, em qualquer circunstância em que esta se encontra. 

Reconhecer que o embrião é um ser humano desde o início do seu ciclo vital significa também constatar a sua extrema vulnerabilidade que exige o empenho nos confrontos de quem é fraco, uma atenção que deve ser garantida pela conduta ética dos cientistas e dos médicos, e de uma oportuna legislação nacional e internacional. 

Sendo uma vida humana, segundo asseguram a embriologia e a biologia, o embrião humano tem direito à proteção do Estado. A circunstância de estar “in vitro” ou no útero materno não diminui e nem aumenta esse direito. É lamentável que o STF não tenha confirmado esse direito cristalino, permitindo que vidas humanas em estado embrionário sejam ceifadas. 

No mundo inteiro, não há até hoje nenhum protocolo médico que autorize pesquisas científicas com células-tronco obtidas de embriões humanos em pessoas, por causa do alto risco de rejeição e de geração de teratomas. 

Ao contrário do que tem sido veiculado e aceito pela opinião pública, as células-tronco embrionárias não são o remédio para a cura de todos os males. A alternativa mais viável para essas pesquisas científicas é a utilização de células-tronco adultas, retiradas do próprio paciente, que já beneficiam mais de 20 mil pessoas com diversos tipos de tratamento de doenças degenerativas. 

Reafirmamos que o simples fato de estar na presença de um ser humano exige o pleno respeito à sua integridade e dignidade: todo comportamento que possa constituir uma ameaça ou uma ofensa aos direitos fundamentais da pessoa humana, primeiro de todos o direito à vida, é considerado gravemente imoral. 

A CNBB continuará seu trabalho em favor da vida, desde a concepção até o seu declínio natural. 

Brasília, 29 de maio de 2008. 

Dom Geraldo Lyrio RochaArcebispo de MarianaPresidente da CNBB 

Dom Luiz Soares VieiraArcebispo de ManausVice-Presidente da CNBB 

Dom Dimas Lara BarbosaBispo Auxiliar do Rio de JaneiroSecretário-Geral da CNBB 

10 Comments »

Comment by Evelyn

30/05/2008 @ 18:22

Nem me fale, Professor!
A vida humana está perdendo os sentidos de valores, éticas, moral…

Enquanto lutaram (e ganharam) para a liberação das pesquisas, na Corte Européia estão pedindo para que um macaco seja considerado gente!
Hoje tem muito mais valor o sexo que a vida humana, muito mais valor o dinheiro que a vida humana, muito mais valor agradar os outros que a vida humana.

Bem falou Deus: Maldito o homem que confia em outro homem!

Comment by Sidnei

30/05/2008 @ 19:31

Espero que o sacrifício destes embriões não seja em vão

Comment by Aldrin Iglésias

30/05/2008 @ 19:35

Bom dia,

eu fiquei feliz com o STF ontem. A vida começa na concepção? Acredito q sim, mas não a vida humana. Esta última começa algumas semanas depois, com o sistema nervoso já formado.

Não gosto dos ataques contra a Igreja Católica e outras religiões, que ocorreram durante o episódio. Embora em meu blog, eu tenha feito uma piada bem cruel com o Cláudio Fonteles… Tenho plena consciência que o Cristianismo faz parte da identidade nacional.

Mas a ciência anda e precisamos ajudar quem precisa. Os cientistas falaram muito q os resultados irão demorar, por favor não se engane quanto a isso. E os mesmos cientistas falaram que as células-tronco não são a panacéia. No mais, o pouco que sei sobre a Lei de Biosegurança me convence que ela já é bastante restritiva. Bastante mesmo.

Um grande abraço!


“Aldrin,

Para nós católicos e para muitos pesquisadores da embriologia e biologia (entre eles D. Jerome Lejeune, o descobridor da Síndrome de Down) a questão é simples: o embrião é uma vida humana; você foi um embrião; por isso ele não pode ser manipulado, destruído ou usado como uma coisa.” - Prof. Felipe Aquino

Comment by André

30/05/2008 @ 21:02

O Brasil entra em uma triste fase de sua historia legalizando o assasinio de seres indefesos que não tiveram a chance de viver. Pequeninos embrioes que no dia do juizo com seus corpos perfeitos e formados irão julgar estes que foram causa de suas mortes. Caro professor o mundo corre um grande perigo por causa de leis semelhantes as estas. Observe como aumentou o numero de terremotos e catastrofes. É o pecado que faz tudo isto, por causa da legalização de leis injustas e abominaveis.

Comment by Olegario

30/05/2008 @ 22:44

Prezados, Salve Maria!

sem me etender demais no comentário, creio que o post do sr. André ( logo acima ) resume bem a questão dos fatos e suas consequências.
terremotos, catástrofes, etc..
Obviamante que esses fenõmenos sempre existiram.
Não faço apologia a escatologia.
Mas terremoto logo na China, país que limita o numero de filhos por casais…e agora tantos morrendo…
Coincidencias??

parabéns, André.
Olegário.

Comment by Eduardo Araújo

31/05/2008 @ 05:31

Caro Aldrin, dizer que há vida na concepção, mas não é humana suscita um problema que nenhum cientista sério, desprovido dessa ideologia materialista, anti-religiosa e pós-moderna considera matéria de ciência genuína. Ora, pois, então haveria uma fase humana e outra pré-humana do nascituro, mas como definir “pré-humano”?

Aí é que entram essas falácias que arrogam-se definir quando inicia a humanidade, dentre elas essa do sistema nervoso “formado”. Mas formado como? Primeiro, o dito sistema não surge de uma vez no feto já pronto e desenvolvido, carecendo de uns poucos acréscimos. Ele surge de forma bem incipiente e desencadeia um desenvolvimento lento que só completará com a criança já nascida, por volta dos três anos de idade. E mais uma vez saliente-se: esse desenvolvimento não se faz por saltos, mas é um processo contínuo, o que ensejaria, a considerar o pretenso argumento, o estabelecimento de graus de humanidade. Uma criança de dois anos seria, por esse suposto, “mais humana” que uma de apenas um ano.

Desconheço a ciência que abriga essa idéia de que o zigoto formado na concepção é uma coisa como um mero aglomerado de células que de repente passa a ser humano. Não sei de um único embriologista ou biólogo que endosse esse absurdo. Ao contrário, todos dizem que desde a concepção deflaga-se um processo ininterrupto em uma forma de vida que já tem DNA próprio e findará somente com a sua morte. Essa conversa de “pré-humano” é dita por alguns cientistas, sim, mas sob muita contestação e nenhuma comprovação dos “definidores de humanidade”.

Quanto ao fato de que “a ciência anda”, nunca é demais lembrar que em mais de 25 anos de estudo, a pesquisa com células tronco embrionárias não obtiveram um, apenas um resultado positivo que auspiciasse uma futura história de sucesso terapêutico. Nesse ínterim, chega a ser cômica a alegação de que “os resultados irão demorar”. Científica essa alegação, não é? Demorar quanto? Cem, mil, um milhão, um bilhão de anos? Quem sabe uma eternidade?

Seria bom que esses cientistas, como a Dra. Mayana Zatz, dessem uma previsão mais concreta para o público, não? Principalmente o público que eles iludiram com promessas de curas miraculosas, quando até agora o que vêm colecionando são registros de teratomas e rejeição nas experiências com animais.

Pelo que parece, a “ciência” da pesquisa com células tronco embrionárias está andando muito … Para trás.

Um grande abraço

Comment by Edem de Almeida

1/06/2008 @ 04:23

Comentário do jornalista Reinaldo Azevedo:

Sabem por que os “vitoriosos” (os que queriam as pesquisas com células embrionárias) de ontem são tão violentos com a minoria? Sabem por que é preciso tripudiar sobre os vencidos? Sabem por que querem isolar “os católicos” como a fonte dos males da humanidade? Porque os “vitoriosos” estão numa postura defensiva. Eles têm a consciência de que se entreabriu a porta do horror: ainda é uma fresta, mas está aberta. E não é só no Brasil, claro. Assim é em boa parte do mundo, embora a nossa legislação, pra variar, seja mais liberal do que a alemã, a espanhola ou a americana.

O argumento de fundo que triunfou ontem nos deu conta de que essa conversa de “vida humana” é muito relativa: cada religião tem a sua, cada cientista pensa uma coisa, cada tempo histórico tem a sua metafísica influente. Logo, dada a pluralidade de visões, então a vida humana não existe: ela é uma construção da história, um discurso socialmente definido, um pacto que se estabelece entre os grupos influentes na sociedade. Ora, o mesmo se pode dizer das liberdades fundamentais do homem, por exemplo… Afinal, o que é “fundamental”? Varia, né?

Não é diferente da essência dos pensamentos totalitários do século passado, nazismo ou comunismo. Tão logo a questão do aborto dos anencéfalos bata do Supremo, ouviremos os mesmos argumentos. Na essência, estes doutos senhores, dada a pluralidade das visões científicas e religiosas, dadas as muitas concepções de Deus, resolvem ser deuses eles mesmos, chamando para si o direito de definir quem pode e quem não pode viver. O que a estupidez militante não percebe é que a definição do que, afinal, é “vida humana” — e, portanto, inviolável — nos protege como espécie. E isso tem história.

Os “vitoriosos” precisam se manter no ataque porque a sua causa tem um segundo tempo: se o embrião é “coisa”, qualquer coisa, então pode ser arrancado a qualquer tempo, eliminado, aspirado, sei lá o quê. Também acho notável — e até engraçado — que se queiram criar salvaguardas sobre como devem se comportar os cientistas ao manipular “aquele troço”. Ora, para que tanto cuidado? Que justiça ou filosofia resguarda “aquela coisa”? Afinal, por que ela é diferente de um pedaço de unha, de um fio de cabelo ou dos produtos que o corpo humana excreta no dia-a-dia? De onde vem a sua “nobreza” senão da noção de que ali estão reunidas as informações que fazem “daquilo” um ser?

Essa gente está assim agressiva, mesmo vitoriosa, porque sua causa tem um segundo tempo e porque, é bem provável, resta-lhe também um tanto de culpa, malgrado sua disposição militante. Ontem, falou-se muito em “vida”, mas se está preparando o terreno para a vitória intelectual da morte. É questão de tempo. Aguardem e verão.

Comment by Daniel

2/06/2008 @ 19:06

O que pode ser feito agora é uma campanha de referendo
pela legalização ou não dos estudos com CE,pois o povo
não foi consultado,como foi contra o aborto e muitos nem
tem idéia sobre o que seja CE e Célula tronco adulta.A
última tentativa deve ser um referendo popular como o
de 2006 com a legalização do comércio ou não de armas
de fogo no Brasil.Sugiro um Referendo.

Comment by Eduardo Araújo

3/06/2008 @ 08:11

Daniel, acho que a idéia do referendo merece uma reflexão.

Para que essa modalidade atingisse o objetivo de uma escolha consciente, seria necessário que o povo fosse bem informado do assunto das células tronco embrionárias e células tronco adultas, a ponto de saber diferenciá-las, qual a posição verdadeira da Igreja, e o que se produziu de resultado concreto, até hoje, nas pesquisas com esses dois tipos de células.

O que existe hoje é uma desinformação enorme,até entre os católicos, fomentada por uma postura cretina, desonesta e comprometida da nossa mídia que cuida de forjar uma arenga inexistente entre a Igreja e o restante da sociedade, em que este seria o lado do progresso científico e do humanitarismo, enquanto aquela, nossa Igreja, representaria a facção retrógrada, obscurantista e malvada com os pobres doentes esperançosos de cura.

Fosse hoje, o referendo penderia para a aprovação das pesquisas com células embrionárias, com larga vantagem. Creio também que a maior parte das pessoas que as defendem e são contra o aborto sequer desconfiam de uma possível relação entre esses dois assuntos.

Comment by Demétrius

4/06/2008 @ 01:25

Prof. Felipe;
Nós , católicos, devemos ser submissos ao Papa e antes de tirar nossa própria conclusão em assuntos delicados como esse, aceitar o que a Igreja nos diz. Devemos ter fé e admitir com humildade, e graças a Deus, a inspiração divina do Papa. Mas é importante tambem estar a par de argumentos que nos esclareçam e nos conduzam a verdade. Mas estas informações estam restritas a quem acessa seu site e outros poucos sites católicos a serviço da verdade.Não sei se por falta de informação ou não cabe a eles mas jamais ouvi algum padre dizer algo a respeito.Por isso tem tantos ‘católicos’ criticando o posicionamento da Igreja.Como é bom amar a Igreja e ser confiar nela. As pessoas nos criticam por ser assim, dizem que nossa fé é cega. Mas acho que seria os padres abordassem ,com preparo, esse assunto .

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