O ANO PAULINO

Filed under: Sem Categoria — Prof. Felipe Aquino at 2:03 am on Thursday, July 24, 2008

           “Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido, que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel. Eu lhe mostrarei tudo o que terá de padecer pelo meu nome” (At 9,15-16). 

         O Papa Bento XVI abriu o Ano de São Paulo no dia 28 de junho e o encerrará no dia 29 de junho de 2009, em uma celebração na Basílica de São Paulo, fora dos muros antigos de Roma, cuja primeira construção foi do século IV. O Papa deseja celebrar os 2000 anos do nascimento de um dos maiores Apóstolos da Igreja, responsável pela evangelização do mundo greco-romano.   São Paulo  nasceu por volta do ano 8 e faleceu decapitado pelo imperador Nero no ano 67, na mesma perseguição em que São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo.  

         Tendo em vista este Ano Santo de São Paulo, desejo colocar neste blog várias matérias que possam nos ajudar a conhecer melhor a pessoa e a grande obra do Apóstolo dos Gentios, e a sua   grande importância para a Igreja. Neste artigo vamos fazer um resumo das principais viagens de São Paulo.   

Por que o Papa instituiu este Ano? Certamente para que o mundo cristão medite sobre a grandeza da obra de São Paulo, e seja animado a fazer o mesmo que o grande Apóstolo fez; isto é, levar Jesus Cristo e o Evangelho até os confins da terra. “Ai de mim se eu não evangelizar” (1 Cor 9,16). Há hoje um certo esmorecimento no “zelo apostólico”; e até dentro da Igreja há um certo acomodamento no sentido de não se levar o Evangelho a todos os povos da terra, deixando que os mesmos se salvem em suas próprias crenças, dentro de uma mentalidade perigosa de que a salvação está em todas as religiões. É o relativismo religioso que o Papa tem condenado insistentemente. Nada mais oposto ao Evangelho; aceitar isso seria trair radicalmente Jesus Cristo, que instituiu a Igreja para levar a única salvação a todos os povos. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado”. (At 16, 15-16) 

São Paulo (ou Saulo) nasceu na cidade de Tarso na Cilícia (Ásia menor) no início da era cristã, era judeu, de família fiel à tradição judaica; seu pai comprou a cidadania romana, o que era possível naquele tempo, então Saulo nasceu como cidadão romano, legalmente, e ao mesmo tempo tinha a cultura grega, pois se falava o grego em todo o Império Romano; e devia falar também o latim. Essas três características de São Paulo (judeu, romano de cidadania, cultura grega) foram fundamentais para a sua missão de grande evangelizador. Sendo culto e falando o grego pode pregar aos pagãos, discutiu com os filósofos gregos no Areópago de Atenas e lhes pregou Jesus Cristo. Ali Dionísio e Damaris se converteram. “Todavia, alguns homens aderiram a ele e creram: entre eles, Dionísio, o areopagita, e uma mulher chamada Dâmaris; e com eles ainda outros” (At 17,34).

 Sendo cidadão romano, S. Paulo tinha passaporte livre em todo o Império, e exigiu ser julgado por César, em Roma, quando sentiu-se injustiçado em Cesaréia. Sendo judeu, rabino, e falando o hebraico podia pregar nas Sinagogas. Sem dúvida foi um  homem de escol escolhido por Jesus na época.  

 Aos 15 anos de idade seu pai o enviou para a escola de rabinos em Jerusalém onde recebeu a formação do rabino Gamaliel (At 22,3; 26,4; 5,34),  e deve ter aprendido a profissão de curtidor de couro, e fabricante de tendas.          

Por volta do ano 36 era severo perseguidor dos cristãos, combatia sem tréguas a “seita” do “Caminho”, e lançava os cristãos nos cárceres. Assistiu e concordou com o apedrejamento de S. Estevão, que morreu rezando por ele. Sem dúvida esta foi a alavanca de sua conversão. O sangue de Estevão realizou o que São Paulo depois ia ensinar aos Romanos: quando se perdoa o agressor, ele se converte. “Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber. Procedendo assim, amontoarás carvões em brasa sobre a sua cabeça (Pr 25,21s)” (Rom 12, 20). 

Convertido após o encontro com o Senhor no caminho de Damasco, S. Paulo, no ano 39 se encontrou com Pedro e Tiago em Jerusalém (Gal 1,18) e depois voltou para Tarso (At 9,26-30) um tanto decepcionado com o fracasso do seu trabalho em Jerusalém.  Certamente ali Paulo repensou toda a sua vida e ouviu a voz do Senhor com mais clareza. Depois de 5 anos, por volta do ano 43, S. Barnabé, seu primo, que era discípulo de S. Pedro em Antioquia, o levou para lá. Em 44 Paulo e Barnabé são encarregados pela comunidade de Antioquia para levar a ajuda financeira aos irmãos pobres de Jerusalém. No ano 45, por inspiração do Espírito Santo, S. Paulo e S. Marcos, evangelista, foram enviados a pregar aos gentios. “Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado. Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos e os despediram. Enviados assim pelo Espírito Santo, foram a Selêucia e dali navegaram para a ilha de Chipre”. (At 13,1-3). Esta primeira viagem apostólica durou cerca de 3 anos (45-48). No ano de 49 surgiu a importantíssima questão da circuncisão em Antioquia, então Paulo e Barnabé vão a Jerusalém para o primeiro Concílio da Igreja e voltam com Cartas dos Apóstolos afirmando que não era necessária a circuncisão para os pagãos batizados. Assim o cristianismo se tornava de certa forma universal, escapando das amarras judaicas. Isto iria se completar quando S. Pedro na casa de Cornélio batizava os primeiros pagãos abrindo as portas da Igreja e da salvação para o mundo inteiro. 

 A segunda viagem de S. Paulo foi de 50 a 53, durante a qual Paulo escreveu, em Corinto, as duas Cartas aos Tessalonicenses (At 15,36-18,22). São as primeiras Cartas de Paulo. A terceira viagem foi de 53 a 58. Neste período ele escreveu “as grandes epístolas”, Gálatas e I Coríntios, em Éfeso; II Coríntios, em Filipos; e aos Romanos, em Corinto. No final desta viagem Paulo foi preso por ação dos judeus e entregue ao tribuno romano Cláudio Lísias, que o entregou ao procurador romano Felix, em Cesaréia, na Palestina.  Aí Paulo ficou preso dois anos (58-60), onde apelou para ser julgado em Roma; tinha direito a isso por ser cidadão romano. Partiu de Cesaréia no ano 60 e chegou em Roma em 61, após sério naufrágio perto da ilha de Malta. Em Roma ficou preso domiciliar até 63. Neste período ele escreveu as chamadas “cartas do cativeiro” (Filemon, Colossenses, Filipenses e Efésios). Depois deste período Paulo deve ter sido libertado e ido até  a Espanha, “os confins do mundo” (Rom 15,24), como era seu desejo. Em seguida deve ter voltado da Espanha para o oriente, quando escreveu as Cartas pastorais a Tito e a Timóteo, por volta de 64-66. Colocou Tito como bispo de Creta e Timóteo em Éfeso. 

Foi novamente preso no ano 66, no oriente,  e enviado a Roma, sendo morto em 67 na perseguição de Nero contra os cristãos desde o ano 64. Deixou-nos 13 Cartas.  

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

1 Comment »

Comment by Camila Reifonas

25/07/2008 @ 16:33

Este foi realmente um homem escolhido “a dedo” por Jesus.
Seus escritos nos revelam verdades impossíveis de serem ignoradas, que mexem com a nossa mente e nosso coração, e nos aproximam de Deus.

Gostaria de recomendar para que todos assistam o filme “Irmãos de Fé”, com o Pe. Marcelo. Neste filme,podemos aprender um pouco mais sobre a vida de São Paulo, e porque devemos seguir o seu exemplo de santidade.

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