A reencarnação nunca foi uma doutrina católica; a Carta ao Hebreus (9,27) diz: “E como é fato que os homens devem morrer uma só vez depois do que vem um julgamento…” Basta esse versículo para mostrar que a doutrina católica nunca aceitou a reencarnação. “Acontece porém que no século III os monges discípulos de Orígenes, adotaram essa tese julgando que era doutrina do seu mestre. Na verdade, Orígenes propôs como hipótese a pré-existência das almas, mas como mera hipótese. Assim, professava até o século VI: Em 553 um sínodo de Constantinopla rejeitou radicalmente essa tese, que alias só era professada pelos origenistas. Assim, não se pode dizer que a reencarnação era doutrina comum que a Igreja eliminou do seu credo. Há tendências preconceituosas mesmo nos grandes estudiosos”. 

Vejamos um pouco da reencarnação na Tradição da Igreja, como explica o saudoso D. Estevão Bettencourt em artigo citado a seguir. São Clemente de Alexandria (†215) julga ser a doutrina da reencar­nação arbitrária, porque não se baseia nem nas sugestões da nossa cons­ciência nem na fé católica; lembra que a Igreja não a professa, mas, sim, os hereges, especialmente Basilides e os Marcionistas. (Cf.: Eciogae ex Scripturis Propheticis XVII PG 9, 706; Excerpta ex Scriptis Theodoti XVIII, PG 9, 674; Stromata Iii, 3; IV, 12 PG 1114s. 1290s). Todas as citações deste artigo estão na revista “Pergunte e Responderemos”, n. 442, 1999, pg.109. 

S. Irineu († 202) observa que em nossa memória não se encontra vestígio de pretensas existências anteriores (Adv. Haer II, 33, PG7,B3Os); em nome da fé, opõe o dogma da ressurreição dos corpos: nosso Deus é bastante poderoso para restituir a cada alma o seu próprio corpo (lb. II 33, PG 7, 833).  

Origenes de Alexandria (†254) propôs, apenas  como hipótese, a preexistência das almas: todos os espíritos teriam sido criados desde toda a eternidade e dotados da mes­ma perfeição inicial; muitos porém, teriam abusado da sua liberdade e pecado. Por tal pecado Deus teria criado um mun­do material, a fim de servir de lugar de castigo e purificação. Conforme à falta cometida, cada espírito teve que tomar, em punição, um corpo mais ou menos grosseiro. Os que não se purificassem devidamente nesta vida, deveriam passar, depois da morte  para “um lugar de fogo”. Mas finalmente todos seriam reintegrados na suprema felicidade com Deus; O In­ferno não seria eterno. 

Estas idéias foram propostas com reservas e a título de hipóteses (cf. Peri Archon; PG 11,224). Todavia os discípulos de Orígenes, chamados origenistas, eram monges do Egito, da Palestina e da Síria, que se beneficiavam dos escritos ascéticos e místicos do mes­tre, mas eram pouco versados em teologia; por conseguinte, não tinham critérios para distinguir entre as verdades de fé e as proposições hipoté­ticas de Orígenes. Os origenistas, portanto, nos séculos IV – VI professa­ram como artigos de fé não só a preexistência das almas e a restauração final de todos na felicidade inicial, mas também a reencarnação. Contra­riavam assim o pensamento do próprio Orígenes, que era avesso à reen­carnação, tida por ele como “fábula inepta e ímpia” (In Rom. V. PG 14, 1015). 

A tese da reencarnação, desde que começou a ser sustentada pelos origenistas, encontrou decididos oponentes entre os escritores cristãos mesmos, que a tinham como contrária à fé. Um dos testemunhos mais claros é o de Enéias de Gaza (†518) autor do “Diálogo sobre a imortali­dade da alma e a ressurreição em que se lê o seguinte raciocínio: 

“Quando castigo o meu filho ou o meu servo, antes de lhe infligir a punição, repito-lhe várias vezes o motivo pelo qual o castigo e  recomen­do-lhe que não o esqueça para que não recaia na mesma falta.  Sendo assim, Deus, que estipula… os supremos castigos, não haverá de escla­recer os culpados a respeito do motivo pelo qual Ele as castiga? Haveria de lhes subtrair a recordação de suas faltas, dando-lhes ao mesmo tempo  a experimentar muito vivamente as suas penas? Para que serviria o castigo se não fosse acompanhado da recordação da culpa? Só contri­buiria para irritar o réu e levá-lo a demência. Uma tal vítima não teria o direito de acusar a seu juiz por ser punida sem ter consciência de haver cometido alguma falta?” (ed. Migne gr:, t. LXXXV, 871). 

As doutrinas dos origenistas chamaram a atenção das autoridades da Igreja. Em 543, o Patriarca Menas de Constantinopla redigiu e promulgou quinze anátemas contra Origenes, dos quais os quatro primeiros nos interessam diretamente: 

1. “Se alguém crer na fabulosa preexistência das almas e na repudiável reabilitação  das mesmas (que é geralmente associada àquela), seja anátema. 

2. Se alguém disser que os espíritos racionais foram todos criados independentemente da matéria e alheios ao corpo, e que várias deles rejeitaram a visão de Deus, entregando-se a atos ilícitos, cada qual se­guindo suas más inclinações, de modo que foram unidos a corpos, uns mais, outros menos perfeitos, seja anátema. 

3. Se alguém disser que o sol, a lua e as estrelas pertencem ao conjunto dos seres racionais o que se tornaram a que eles hoje são por se voltarem para o mal seja anátema. 

4. Se alguém disser que os seres racionais nos quais o amor a Deus se arrefeceu, se ocultaram dentro de corpos grosseiros como são os nossos, e foram em conseqüência chamados homens, ao passo que aqueles que atingiram o último grau do mal tiveram, como partilha, corpos frios e tenebrosos, tornando-se a que chamamos demônios e espí­ritos maus, seja anátema”. 

O Papa Vigílio (537-555) e os demais Patriarcas deram a sua aprovação a esses artigos. Concluímos, pois, que a doutrina da reencarnação nunca foi professada oficialmente pela Igreja Católica (contradiz ao Credo cris­tão); todavia após Origenes (século III) foi professada por grupos particul­ares de monges Orientais, pouco iniciados em teologia; em 543 foi sole­nemente rejeitada pelas autoridades da Igreja. A mesma condenação ocorreu nos Concílios ecumênicos de Lião (1274) e Florença (1439), que ensinam a imediata passagem desta vida para a sorte definitiva no além (DS 857 [464] e 1306 [693]). O Concílio Vaticano II, por sua vez, fala do “único curso da nossa vida terrestre (Hb 9,27)”, mostrando assim opor-­se à teoria da migração das almas ( Cf. Lumen Gentium nº 48). 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

 

 

 

 

               

27 Comentários

  1. André Luiz de Souza

    Deus não repete pessoas, Ele cria um ser humano unico e irrepetivel,Ele não faz copias.

  2. Professor Felipe, em seu blog alguém falou no livro ANALISANDO AS TRADUÇÕES BÍBLICAS, citando uma passagem onde o autor busca compatiblizar. Eu também li essa obra, assim como outras que se esforçam em querer provar a suposta compatibilidade entre cristianismo e espiritismo. Nas pp. 143 e 144, está afirmado:
    “O apóstolo Paulo falava várias vezes de um corpo espiritual, imponderável, incorriptível (1Epístola aos Coríntios, 15,44) e Orígenes, discípulo de São Clemente de Alexandria, em seus comentários sobre o Novo Testamento,a firma que esse corpo, dotado de uma virtude plástica, acompanha a alma em todas as suas existências e em todas as suas peregrinações, para penetrar e enformar os corpos mais ou menos grosseiros e materiais que ela reveste e que são necessários no exercício de suas diversas vidas”.
    “Orígenes e os padres alexandrinos, que sustentavam uns, a certeza, outros, a possibilidade de novas provas após a provação terrena, propunham a si mesmos a questão de saber qual o corpo que ressuscitaria no juízo final. Resolveram-na, atribuindo a ressureição apenas ao corpo espiritual, como o fizeram Paulo e, mais tarde, o próprio Sto. Agostinho, figurando como incorruptíveis finos, tênues e soberanamente a´geis os corpos dos eleitos (Santo Agostinho, Manual, cap. XXVI). Orígenes afirmava ser a doutrina do karma e do renascimento uma doutrina cristã. Devido a esta sua crença, 299 dias após a sua morte, contra ele a igreja decretou a excomunhão. O 2º Concílio de Constantinopla, no ano 553, decretou:’Todo aquele que defender a doutrina mística da preexistência da alma e a consequente assombrosa opinião de que ela retorna, seja anátema’”.
    “Até essa época, a doutrina do renascimento e do karma era aceita pela Igreja Cristã. A história do II Concílio de Constantinopla teve marcante acontecimento com a figura do imperador Justiniano, um teólogo, que queria saber mais teologia do que o papa. Sua esposa, Teodora, teve muita influência nos assuntos do governo do marido e até no que se referiu à teologia. Por ter sido ela uma prostituta, suas ex-colegas se sentiam orgulhosas e decantavam tal honra. Mas esse fato a revoltava e constituía uma desonra, fazendo com que mandasse matar todas as 500 prostitutas de Constantinopla. Os cristãos da época passaram a chamá-la de assassina e a dizer qued everia ser assassinada, quinhentas vezes, em vidas futuras. Este seria seu karma (…). A partir daí, Teodora passou a odiar a doutrina da Reencarnação e como mandava e desmandava em meio mundo através de seu marido, resolveu partir para uma perseguição sem tréguas contra essa doutrina e contra seu maior defensor que era Orígenes”.

  3. Pingback: cancaonova

  4. givanilda p. sallum

    Concordo com o que o Andre escreveu acima. Nos somos unicos e filhos criados especialmente para louvar e adorar o nosso Deus. Nao somos xerox e muito menos fotocopias. Obrigada, Professor Felipe por mais essa explicacao tao profunda e autentica de nossa querida Ig. Catolica Apostolica Romana(nilda-pompano beach-fl.

  5. Edem de Almeida

    São os espíritas que tentam difundir a idéia de que um dia a Igreja Católica acreditou na reencarnação, mas tal idéia foi sufocada pelos “tiranos padres e papas”.

    Mas não é necessário culpar os homens e mulheres da Igreja pela não assimilação da idéia da reencarnação na doutrina católica. Basta usar a inteligência.

    O problema do Espiritismo é tentar fundir duas doutrinas inconciliáveis: Catolicismo com Hinduísmo.

    A reencarnação só tem sentido dentro da doutrina hindu, onde ela nasceu e até hoje fundamente toda aquela religião.

    Quem realmente conhece os fundamentos do Catolicism e do Hinduísmo reconhece que jamais um católico inteligente poderia tentar fazer uma tal síntese. Portanto, jamais qualquer católico esclarecido (os origenistas eram simplórios em matéria de teologia) poderia tentar introduzir a fé na reencarnação na Igreja.

    Já um Hindu, tentaria fazer tal síntese? Não, mas por outro motivo.

    Enquanto o Islamismo forma fiéis incapazes ao diálogo por que crê que não é permitido dialogar com infiéis; com o fiel hindu não é possível dialogar porque para eles o diálogo não faz o menor sentido.

    Para a “filosofia” hindu nada é falso, tudo é verdade. Para o Hinduísmo uma coisa é uma coisa e outra coisa pode ser aquela coisa anterior.

    Já para o Catolicismo, uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Para sermos mais filosóficos podemos dizer que o Catolicismo crê no princípio da não-contradição, de Parmênides e Aristóteles, já o Hinduísmo não crê nesse princípio. Sendo assim, como não há ferramentas para se dialogar com o Hinduísmo, porque rejeitam a capacidade da lógica alcançar diferenças entre idéias opostas, o diálogo é impossível.

    Voltando ao assunto. A reencarnação é apenas um dos pontos do Hinduísmo que são inconciliáveis com o Catolicismo. Se a Redenção só possível pela Encarnação de Deus em Jesus Cristo na fé dos católicos, essa salvação é conseguida sem qualquer necessidade da ação da Graça na doutrina que crê na Reencarnação.

    Aqueles que crêem na reencarnação não podem crer que é a Paixa e Morte de Cristo que salva a humanidade, senão seriam incoerentes. Por quê?

    Para o Hinduísmo existe uma verdade subjetiva universal, a saber: há quatro caminhos: satisfação interior, poder sobre si próprio, altruísmo e iluminação. O Hinduísmo ensina que se deve trilhar os quatro caminhos, confiantes de que apenas os quatro trará a plena realização. Para o Hinduísmo todos os seres humanos (e demais seres vivos como as vacas) um dia chegarão à plenitude.

    Para o Hinduísmo não há sentido em se falar em opção consciente pelo inferno. O Hinduísmo não aceita que alguém possa escolher livremente pelo inferno. Para o Hinduísmo o diabo não pode existir. Com essa negação o Hinduísmo destrói o livre arbítrio, pois crê que nenhum ser tem o direito de decidir seu futuro eterno, pois esse destino eterno já estaria predestinado. Seria apenas uma questão de reencarnações para se chegar até lá.

    Para um fiel hindu basta ter paciência que um dia os ciclo de muitas reencarnações o levará a dissolver-se no nada infinito, onde não existirá sofrimentos, mas também nenhuma felicidade, só a anulação do próprio ser.

    Portanto, quem crê na reencarnação não pode crer na salvação pela Fé em Jesus Cristo e muito menos na ação do Espírito Santo em nós. Quem crê na reencaranção não precisa do sangue de Jesus ou dos dons do Espírito Santo, só precisa viver inumeráveis vezes e, com essas muitas vidas, chegar ao Paraíso.

  6. jose wallison

    o amor de Deus é tao grande que o nosso Senhor não iria criar cópias…ele é original…Deus é amor,e não é vingativo..

  7. conceição figueiredo

    De que adiantaria a santa morte de Cristo para nos salvar se de fato existisse a reencarnação?
    Jesus, eu confio em vós!

  8. MARY CORDEIRO

    PROFESSOR: SERÁ QUE DEUS CASTIGA MESMO? PARA MIM DEUS É AMOR E ELE JAMAIS CASTIGA, COMO ESTÁ NO TEXTO ACIMA. JÁ LI EM VÁRIOS LIVROS INCLUSIVE DO PE. LÉO QUE NÓS POR NOSSA DESOBEDIENCIA ESCOLHEMOS O CAMINHO ERRADO OU SEJA O CAMINHO DO MAL. EXPLIQUE-ME E OBRIGADO.

  9. A respeito do que disse José Paulo Sneider, não foi pela imperatriz Teodora esposa do imperador Justiniano que a doutrina da reencarnação foi condenada pela Igreja, isto é o que os espíritas querem que se pense, mas sim baseados nas Sagradas Escrituras, na Sagrada Tradição da Igreja, como atestam o texto acima citando São Clemente de Alexandria e Santo Irineu, pessoas que viveram muito ante do sínodo e não concílio de Constantinopla, e na própria encarnação do Verbo, da sua paixão morte e ressurreição é que tal doutrina não tem cabimento dentro do cristianismo, pois se pelas inúmeras reencarnações fosse necessário para ser salvo, então o sacrifício de CRISTO seria sem valor, como muitos já comentaram aqui, .

  10. Padre gostaría de saber por que uns sofrem tanto e outros são tão feleizes~???

    Por que uns nascem deficientes ,outro dia ví um rapaz que nasceu sem os dois braços, porque ??? que Deus é esse que iría punir uns e outros não (que nscem lindos, pela beleza consegue estatus )porque ??? eu até hoje vivo confusa ???

  11. Prof Marcio Viana

    Queria apenas complementar o debate dizendo que a questão da reencarnação é de origem grega, visto que na Grécia Antiga existia uma religião chamada Orfismo que pregava a transmigração das almas. Ou seja é uma heresia tão antiga quanto a história da humanidade.

  12. Maria Goretti Machado

    Acredito que seria inútil todo o sofrimento de Jesus se houvesse a reencarnação. Cada vez que medito a via sacra, todo o sofrimento, toda a dor , vislumbro o amor de Deus por nós e creio mais e mais que um dia ressuscitarei para uma vida com Deus,pois através de Jesus me veio a salvação. E se me permitissem, gostaria de comentar sobre o que a Srª Maria Auxiliadora questionou, sobre as pessoas nascerem deficientes, sem braços. Na minha ignorância, penso que o que Deus permite é que a pessoa viva, com o que ela possui. Ou seja: dê o melhor dela na situação em que se encontra, pois o principal nesta terra , não é como viemos e sim para onde iremos: para Deus . Se tenho pernas e braços perfeitos, e não tenho vontade de viver, não me adianta nada os braços e pernas. Devemos acreditar que o Senhor tem um plano de amoar para todos, independente do que vemos. Ele nos ama e quer o melhor para nós. Fiquem na paz de Jesus e Professor Felipe, obrigada pelo seu desempenho de nos esclarecer e tornar a nossa vida mais sadia no conhecimento de Jesus.

  13. Se o MAIOR HOMEM DO MUNDO RESSUCITOU !!!! como os menores podem reencarnar.

    NÂO EXISTE REENCARNAÇÃO POIS DEUS NÃO TEM PREGUIÇA E REPETIR COPIAR SÓ PRA NÃO TER QUE FAZER UM NOVINHO NÃO MEUS QUERIDOS SOMOS UNICOS, E DE UM UNICO CRIADOR.

    Pra que morrer na CRUZ se vc vai voltar aqui quantas vezes forem preciso até acertar…..

  14. Como dizia o querido e saudoso Pe.Léo: “Não existe reencarnação. Deus não trabalha com lixo reciclado.”

  15. Se a reencarnação realmente existise não haveria motivo e sentido viver como DEUS quer, como ele pede “SEDE SANTOS POR QUE EU SOU SANTO”,porque poderiamos pecar mutualmente e reencarnarmos para pagar nossos pecados. O unico e grande sacrificio que nos salvou de todos os pecados foi e sempre será SEU PROPRIO FILHO JESUS CRISTO que venceu a morte para nos dar a certeza da vida eterna que devemos conquistar a cada dia!

  16. Edem de Almeida

    Reencarnação e Misericórdia.

    Irmãos, não nos enganemos achando que o pecado é um erro de criança tola ou birrenta. O pecado é uma decisão livre de pessoas adultas, se não for livre, não é pecado.

    A nós foi revelado por Jesus que Deus faz sua criaturas livres. A maior prova do amor de Deus é que Ele respeita as decisões de suas criaturas.

    Sendo a mais importante de todas as decisões de uma criatura, a que diz respeito ao próprio Deus.

    Deus não cria robôs ou marionetes. Ele cria seres livres. E o ponto mais nobre da liberdade, sua mais radical e fundamental expressão, é a alternativa que cada criatura de Deus tem de não aceitar seu próprio Criador.

    Deus nos pergunta nesta vida: Você quer me amar e obedecer? Pergunta a nós como um dia Ele perguntou a cada anjo que criou: Você quer me amar e obedecer?

    Uma das maiores provas da liberdade de uma criatura de Deus e ao mesmo tempo a uma das maiores provas do amor de Deus é justamente a existência do demônio e do inferno. A revelação de Jesus apresenta a existência de anjos que decidiram, livremente, que não amariam e que não obedeceriam a Deus.

    A revelação de Jesus nos mostra que, apesar de Deus ser Amor, ele não obriga ninguém a amá-lo. O demônio é prova do amor de Deus, porque revela um Deus que respeita as decisões tomadas por suas criaturas.

    Se Deus obrigasse os demônios a se converterem, Ele estaria deixando de ser o Deus da liberdade e portanto o Deus do amor. Deus não obriga os anjos ou os homens a adora-lo pela força.

    Lembram-se que o apóstolo fala que ter fé não é nenhuma vantagem, pois o diabo sabe que Deus existe e é por isso que o diabo treme? Essa palavra das Escrituras mostra que os diabos têm diante de si o próprio Deus e se não aceitam amar a Deus, não é porque não conhecem a Deus, mas porque acham melhor viver ser respeitarem a pessoa de Deus.

    Os espíritas pensam que a doutrina católica ensina que Deus castiga os desavisados e ignorantes. Os espíritas pensam que a Igreja ensina que Deus castiga aqueles que cometem pecados de forma inadvertida, como pobres crianças que não conhecem o bem. Não, a Igreja jamais disse isso. O inferno não é um castigo para quem não sabe o que é o bem, e erra sem querer. A Igreja diz que só vai para o inferno quem quer ir conscientemente. É uma decisão consciente e radical. É por isso (há outros motivos que não abordarei agora), que a doutrina católica não precisa da reencarnação para provar a misericórdia de Deus, pelo contrário, a reencarnação pode se configurar numa verdadeira maldade se imaginarmos que as pessoas possam viver várias vidas de sofrimento para só então alcançar o paraíso.

    Os espíritas acham que a reencarnação seria a forma de Deus mostrar seu amor às pessoas que cometeram pecados em uma vida. A reencarnação seria mais uma chance. Mas não passa na cabeça dos espíritas a idéia de que alguém possa, conscientemente, não querer amar a Deus nunca. Na doutrina Espírita não existe a idéia de que uma criatura possa rejeitar seu Deus de forma definitiva.

    O catolicismo ensina o seguinte: qualquer ser humano pode conscientemente não querer amar a Deus, ou seja, um ser humano é livre para escolher a si próprio e não a Deus. Portanto, não importaria quantas vidas Deus oferecesse para esse ser humano, não é uma questão de ter outras chances, é uma questão de não querer o amor de Deus mesmo, definitivamente. Como o diabo e seus companheiros de inferno: não adianta Deus dar novas chances ao diabo, ele não quer fazer o bem e pronto, é uma decisão livre e definitiva. E Jesus revelou que os seres humanos também podem querer tomar essa decisão.

    A Igreja acredita que Deus dará a cada ser humano, em uma única vida, todas as Graças e conhecimentos necessários para ele tomar essa decisão. A vida humana bolada por Deus é tão fantástica, e seu amor por cada criatura tão infinito, que Ele se revela e dá todas as Graças a cada um de seus filhos amados. Deus é tão amoroso que nós não precisamos ficar de recuperação. Ele nos preenche com todo seu amor em uma única vida humana. Achar que precisamos de mais vidas para conhecer a Deus é na verdade duvidar da capacidade de Deus de se revelar e atuar em nós em plenitude.

  17. Joao batista

    esse trem de rencanação quem acredita, é joga no lixo o sacrificio da cruz do Senho Jesus no lixo. pq é muito facio viver uma vida pagam sabendo q vc vai voltar pr paga novamente, esquecendo de viver a nossa propia cruz.Pq quando satanas foi espulço do ceu foi pq ele se envaideceu, tornou-se orgulhoso, quis ser rei, mair q o nosso Deus,entao Deus mestre do mestre, santo, santo,santo o contrariou pq veio a mundo homem simples,hunilde, e humilhado, totalmente alcontrari de satanas é inadimissiveu pr ele ser Deus e passa pr isso

  18. nilton de campinas

    o capitulo 22,de 1 a 21 do livro apocalipse nos da a certeza que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens.Ele redimiu os nossos pecados pelo seu sangue derramado na cruz.

  19. Professor Felipe gosto muito de seus escritos são muito esclarecedores q o Senhor ti abensoi sempre.
    Nós da Diocese de Guaxupé estamos estudando um subsídio para Formação Cristã em Comunidade, ja estamos no v módulo. É um pouco diferente do que ensina no Catecismo da Igreja, e é muito diferente do
    Credo que se reza na Igreja que diz creio na ressureição da carne pois ensina que logo apoz a morte apessoa ressucita de corpo e alma e tem o julgamento e ja é dicidido o destino da pessoa, a carne não ressucita, mas um corpo espiritual e a alma, diz que Deus não quer cadaver, não ressucita cadaver, mas corpo espiritual e alma, e Deus que é Mizericordioso perdoa os pecados, se a pessoa tiver em muitos pecados Deus da ainda oportunidade de arrepender pedir perdão a Deus e pagar no purgatorio os pecados, mas um purgatorio mais suave, não tão temivel como antigamente diziam, acho que a Teologia ta mais iluminada no nosso tempo, É Jesus quem vem encontrar o morto e Ele não apaga uma chama que ainda fumega, se alguma fé fumegando Deus não apaga Deus perdoa e da oportunidade de salvação. Muito obrigada.

  20. Gostaria de dizer para Horminda que o estudo que eles estão fazendo é totalmente contrário ao que ensina a Igreja, isso demonstra como anda os ensinamentos em nossos dias nas nossas paróquias e igrejas locais, bem distantes do que ensina a Igreja, dizer que o juízo particular que há depois da morte já é o julgamento definitivo e que não haverá o juízo final e universal é dizer uma meia verdade, é sabido, pela Sagradas Escrituras, pela Sagrada Tradição da Igreja e pelo Sagrado Magistério, que o Catecismo da Igreja Católica que o diga, que haverá dois julgamentos, um particular, após a morte aonde estará decidido em qual estado iremos desfrutar por toda eternidade, e um final e universal, aonde toda a justiça será satisfeita, e também dizer que nós já ressuscitamos após a morte em um corpo espiritualizado, isto é o que dizem o testemunhas de jeová, baseados em sua crença em que JESUS ressuscitou em um corpo espiritual enquanto aquele corpo material fora escondido por DEUS, como fizera ao corpo de Moisés, nada mais mentiroso, foi JESUS em seu próprio corpo que ressuscitou, porém em um corpo transformado, glorioso, espiritualizado, assim será com nossos corpos no último dia, seremos ressuscitados em nossos próprios corpos, porém a semelhança de CRISTO, em um corpo glorioso, transformado, espiritualizado, essa foi a revelação que os cristão sempre entenderam, por isso desde os tempos dos primeiros cristãos, sempre tiveram a preocupação de sepultar os corpos dos mártires e demais defuntos, como faziam nas catacumbas de Roma e como fazemos até hoje em nossos cemitérios, é claro que DEUS não quer cadáveres, mas não esqueçamos que nosso corpo é templo do ESPÍRITO SANTO e que portanto o nosso próprio corpo, um dia, também gozará da eternidade juntamente com a alma, e quanto dizer que não haverá condenados ao inferno, prefiro ficar com o comentário do Edem de Almeida, que em uma maneira bem sucinta já explicou porque haverá pessoas que preferiram ficar longe do SENHOR no inferno que em sua companhia no céu.

  21. Edem de Almeida

    Prezado Sidnei,

    Se nos permite o caríssimo Prof. Aquino de fazer de seu blog um Fórum de debates, gostaria de agradecer pelo incentivo a continuar colocando meus textos para todos.

    Realmente irmão Sidnei. Infelizmente nossas comunidades católicas deixam muito a desejar quanto a formação doutrinária. Em minha opinião essa situação se deve a falta de preparação de nossos sacerdotes.

    Normalmente o jovem vai para os seminário católico em uma situação cultural sofrível. Lá encontra formadores resistentes ao ensinamento de Roma, resultado de décadas sobre a influência da Teologia da Libertação. Veja que até o irmão do Leonardo Boff já se arrependeu de ter aderido a essa Teologia de baixo nível intelectual.

    O resultado dessa má formação de pastores é a má formação dos catequistas. O que nossa irmã Horminda testemunha é o caos em termos de catolicismo na América Latina. Tenho pena desses nossos pequenos irmãos que se vêem à volta uma pobreza dotrinal desoladora. O povo simploriamente acha que as novidades é que são as verdades da Fé. Que Nossa Senhora Auxiliadora nos ajude a não escandalizar o menor desses pequeninos.

  22. Isadora - RJ

    Uau!
    Tá bombando essa matéria!

    Assim que é bom, pois mostra a nossos irmãos separados que somos homens e mulheres inteligente e atentos ao que cerca e, por vezes, deturpa nossa Santa Igreja!

  23. André Luiz de Souza

    Sejam fieis a Igreja não vos deixeis arrastar por qualquer vento de doutrina. O espiritismo sempre foi condenado pela Igreja e toda Heresia diabolica. Adquiram o Catescismo da Igreja Católica que é a bussola que orienta a Igreja. Se voces lerem qualquer livro e houver coisas que o Catecismo condena, queime este livro pois o mesmo é herético. Não aguentamos mais tanta heresia e falta de Respeito com o Sagrado. Temos que ser radicais contra o Mal, pois o Mal é radical contra nós.

  24. José Correa de Melo

    Gostaria de lançar algumas perguntas sobre o tema.
    Gostaria de saber se há notícias comprovadas de santos católicos que teriam relembrado supostas vidas passadas?
    Pergundo isso, pois já vi o Espiritismo atribuir a Santo Inácio de Loyola a contemplação de uma vida passada sua. Inclusive existem casas Espíritas no Brasil com o nome de Santo Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus. Que razão teriam os espíritas para terem tanto apreço por este Santo da Igreja, teria ele algum tipo de relação com o Espiritismo? Se não, de onde vêm estes comentários, seriam uma tentativa deliberada e mentirosa de associar o Espiritismo ao Catolicismo?
    Alguma vez a Igreja Católica já autorizou religiosos católicos a estudarem e praticarem o Espiritismo?
    Tudo o que até aqui se disse nos comentários, bem como no artigo do Professor Felipe Aquino se referem à doutrina Espírita da Reencarnação e deixa claro que a Igreja Católica nunca concordou com isto.
    Mas um outro ponto precisa ser lembrado ao se falar nas Doutrinas Espíritas e se refere ao contacto com os espíritos de pessoas que já não estão entre nós.
    Até onde eu sei, a Igreja Católica não nega a possibilidade do contato com os mortos, apesar de desaconselhar e repreender severamente tais práticas.
    Assim, eu pergunto como se dá precisamente a relação, dentro da doutrina da Igreja, da negação da Reencarnação e, ao mesmo tempo, a admissão da possibilidade, do contato com os mortos, ainda que negativamente?

  25. AO SENHOR EDEM DE ALMEIDA E SR SEDNEI
    Muito obrigada pela respostas esclarecedoras!
    Mas no fundo eu nunca concordei com muitas coisas deste curso de formação, pois eu sempre estudo o catecismo da Igreja, tambem a BIBLIA,sou catolica fervorosa, praticante, gosto muito dos Papas, João 23, Paulo 6° João Paulo 2° e Bento 16°.Não sou capaz de acompanhar nenhum Bofe, mais la tem tambem coisas boas, e nós k temos poucas escolhas, as MISSAS são dentro das normas da Igreja Catolica Apostolica Romana e é muito bom. Eu creio que a CMBB deveria cuidar melhor disso,ou se estou errada os la de sima deveria observar melhor o que esta acontecendo em cada Diocese. Isso de pregarem que vamos ressucitar logo que morrer é uma coisa contra o ensinamento da Igreja, não devemos fazer, mas não é prejudicial a ninguem, mas acontesse coisas entre religiosos que prejudica e que escandalisa, as vezes um Padre erra bastante feio aí o Bispo manda ele pra outra cidade, mas precisava todo mundo ser mais santo, e prinsipalmente os religiosos consagrados, devem ser modelos de santidade.
    Termino pedindo ao Senhor Deus que ilumine todos nós de nossa Igreja, e tambem todo mundo.
    Horminda

  26. Ligar este texto a Espiritismo demonstra uma total ignorância acerca deste último.

  27. Renato Didin

    Acreditar é para os tolos.
    A verdade não depende de se acreditar ou não.
    A verdade se encontra em Deus.
    A humanidade sempre esteve em constante crescimento e aprendizado.
    O mundo evolui e tudo aquilo que não anda é esmagado bela roda do desenvolvimento moral e intelectual, até que sinta o impacto e ande também.
    Assim aconteceu várias vezes e será sempre assim.

  28. Boa Tarde a todos.
    Porque tamanha falta de compreensão ao próximo. Simplesmente julgando cada indivíduo pela religião que professa. Onde reside a caridade?
    Ficamos nos debatemos sobre ritualismos e nos perdendo da verdedeira fé. Por vezes nos esquecemos do PRINCIPAL, QUEM nos deixou o mais belo e verdadeiro dos ensinamentos… O AMOR!
    Nos esquecemos de JESUS…
    Discutimos quem está certo, quem não está…
    Discorremos sobre assuntos que buscam afastar as pessoas umas das outras…
    Não compreendo isso…
    Tanta demonstração de sabedoria, tantos argumentos, me soam frios, distantes do verdadeiro preceito que nosso SENHOR nos ensinou…
    Me parece soberba. Por isso Antônio de Pádua tanto lutava e pedia ao PAI para protegé-lo de sentimento tão vil.
    Que DEUS nos proteja deste mesmo mal…

    Rogo as bençãos de DEUS sobre nós…
    Fiquem em Paz…

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