A New Age (Nova Era) é, segundo os místicos e astrólogos, o advento da Era de Aquário. Para eles, estamos no final da Era de Peixes, dominada pelo pensamento cristão repressivo, retrógrado e preconceituoso. O próximo Eon (ou Era), será o fim da dominação cristã e o início de um tempo de luz, tecnologia e paz. As bases destas idéias mirabolantes provém da astrologia e esta, por sua vez, rouba (e não sabe como usar) conceitos da Astronomia. É preciso, portanto, compreender um pouco desta ciência milenar para poder apreciar a falta de nexo das afirmações dos astrólogos e dos adeptos da Nova Era.

 

Antes de chegar à noção de “eras” é preciso relembrar os três principais (mas não os únicos) movimentos da Terra.  O primeiro é o de rotação em torno do próprio eixo, que dura aproximadamente 24 horas e determina os dias e as noites. O segundo movimento é o de translação em torno do Sol, que dura um pouco mais que 365 dias. Ele determina quais partes do céu estão visíveis a noite pois, se no movimento da Terra o Sol fica na frente de alguma constelação, não podemos vê-la. Temos que esperar alguns meses para estarmos num outro ponto da órbita. Desta forma, falamos de “céu de inverno” e “céu de verão”, por exemplo. Quem gosta de espiar o céu sabe: as três Marias aparecem bem no verão e o Escorpião no inverno. O terceiro movimento é o de Precessão. É o mesmo movimento executado por um pião quando está próximo de parar. É uma pequena oscilação do eixo de rotação.

 

Resumindo, a Terra gira em torno do próprio eixo, que oscila levemente, e ao mesmo tempo gira em torno do Sol. Complicado? Não esqueça que o eixo de rotação terrestre é inclinado cerca de 23°. Ou seja, a Terra gira um pouco “deitada” na sua órbita em torno do Sol. Estes são os movimentos necessários para compreender o que os místicos chamam de Nova Era de Aquário. Só mais um item: as constelações. Mas isso é fácil! Para demarcar o céu e as estações do ano, os astrônomos dividiram-no em regiões. São as constelações. As estrelas de uma mesma constelação não precisam estar ligadas entre si. É apenas uma divisão aparente do céu, para facilitar a localização das estrelas. Desde tempos remotos os homens criaram essas divisões e, atualmente, a União Astronômica Internacional dividiu o céu em 88 constelações, de tamanhos diversos.

 

Muitos nunca se interrogaram sobre isso, mas não é só a noite que temos as estrelas. De dia elas também estão sobre nós, entretanto a luz espalhada do Sol nos impede de vê-las a olho nu, pois o céu azul é mais brilhante que elas. O Sol, durante o dia, está sempre na frente de alguma constelação. Durante o ano, ele passa na frente de 13 constelações. São as constelações do Zodíaco. Tenho certeza que você conhece, pelo menos, 12 delas. São os signos, Áries, Peixes, Touro, Escorpião, etc. Não há nada de especial com elas, exceto que o Sol passa pela sua frente. Os astrólogos dizem que seu signo é Peixes, por exemplo, porque o Sol estaria na frente de Peixes de fevereiro a março. Usei este tempo verbal, porque, de fato, o Sol não está na frente de Peixes durante o período que eles falam. É que eles não fazem observações, e também não sabem fazer contas, e parece que não tem vergonha disso. Alguns já foram alertados, e inventaram conceitos esdrúxulos como “constelações teóricas” (para as deles) e “constelações naturais” (para as reais). A grande verdade, porém, é que os que eles “calculam” não bate com a realidade.

 

Lembra quando falei que a Terra gira um pouco inclinada? Isso faz com que o Sol cruze, em março e setembro, o equador celeste, uma linha imaginária que divide o céu em duas calotas, uma norte e outra sul. O ponto exato em que o Sol cruza este equador em março chama-se Ponto de Áries. Hoje, este ponto está sobre a constelação de Peixes, não de Áries. Ele mudou (e continua mudando) de posição por causa do terceiro movimento que citei, da Precessão dos Equinócios. Este movimento tem um período de 25.800 anos. Neste tempo, o Ponto de Áries passa por alguns milênios sobre algumas constelações. É daí que os astrólogos tiram a estória das Eras. De Áries este ponto passou para Peixes (agora) e por volta de 2600 estará na constelação de Aquário.

 

Se os astrólogos não sabem nem quando o Sol está de verdade na frente de uma constelação, imagina calcular em que época o Ponto de Áries estará sobre a constelação de Aquário! Alguns dizem que já ocorreu na década de 60, outros que será neste ano e os mais precavidos põem a data mais além. Nenhum deles, porém, consulta uma tabela astronômica.

 

Se tantos termos novos lhe são um pouco confusos, não se importe. O que precisa ficar claro é que as constelações são apenas delimitações do céu, criadas pelo homem por vários motivos, mas todos práticos, como início e fim dos períodos de colheira, por exemplo. Por causa dos vários movimentos da Terra, o Sol passa em alguns locais do céu que nós consideramos especiais meramente porque marcam posições interessantes, como o Ponto de Áries na passagem do Hemisfério Sul para o Norte. Estes pontos não são fixos, mas se movem como a Terra. Os astrólogos e os místicos usam estes termos técnicos sem propriedade alguma e de forma errada. Apesar de não saberem nem por onde o Sol anda, dizem poder prever seu futuro e também o da humanidade!

 

Alexandre Zabot

 

alexandrezabot@gmail.com

 

www.stalbertus.wordpress.com

 

Físico, mestre e doutorando em Astrofísica pela UFSC

 

Diz o livro da Sabedoria que é por causa da inveja que o demônio levou a pecar os nossos primeiros pais no início da história da humanidade.“É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão“(Sb 2,23-24).Santo Agostinho dizia que “a inveja é o pecado diabólico por excelência”. E se referia a ela como “o caruncho da alma, que tudo rói e reduz a pó”.

 

A inveja é companheira daquele que não suporta o sucesso dos outros, e que não se conforma em ver alguém melhor do que ele mesmo. Fica torcendo pelo mal do outro; e quando este fracassa, diz no interior “bem feito!”

 

O primeiro pecado dos filhos de Adão e Eva foi cometido por inveja: Caim matou o irmão Abel(cf. Gen 4). Pior do que um homicídio (assassinato de um homem), o crime de Caim, movido pela inveja, foi um fratricídio (assassinato de um irmão). Também por causa da inveja os filhos do  patriarca Jacó venderam o seu filho caçula, José , para os mercadores Do Egito. Também por causa da inveja, vimos o rei Saul odiar a Davi e caçá-lo como se fosse um animal a ser morto.(cf. 1Sm 18,8;19,1).

 

O caso mais triste que as Escrituras nos relatam, por causa da inveja, é o da morte de Jesus.  O evangelista São Mateus deixa claro: “Pilatos dirigiu-se ao povo reunido: Qual quereis que eu vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo? Ele sabia que tinham entregue Jesus por inveja” (Mt 27, 18).

 

Diante disto temos que nos acautelar diante dela; uma vez que movidos por ela somos levados a praticar muitas injustiças.  Quantas fofocas, maledicências, intrigas, brigas, rivalidades, calúnias, ódios, etc., acontecem por causa de uma inveja. O pior de tudo para nós cristãos, é constatar que ela se entranha até mesmo nas obras e nos filhos de Deus. Podemos dizer seguramente que muitas rivalidades e disputas que surgem também no coração da Igreja, tristemente, são causadas pela inveja, ciúme e despeito.

 

Ao invés de se alegrar com o sucesso do irmão, no seu trabalho para o reino de Deus, muitas vezes se fica remoendo a inveja porque não se consegue o mesmo sucesso. O que importa afinal, é o meu sucesso, o sucesso do outro, ou o crescimento do reino de Deus e a salvação das almas? Precisamos aprender a fazer com que a felicidade do próximo seja um motivo a mais para sermos felizes, e não o contrário. A inveja é uma perversão. Santo Agostinho nos ajuda a entender a gravidade da inveja:

 

“Terrível mal da alma, vírus da mente e fulminante corrosivo do coração, é invejar os dons de Deus que o irmão possui, sentir-se desafortunado por causa da fortuna dos outros, atormentar-se com o êxito dos demais, cometer um crime no segredo do coração, entregando o espírito e os sentidos  à tortura da ansiedade; destroçar-se com a própria fúria!”

 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

 

 

 

  Gula é comer além do necessário para se alimentar. Para alguns o prazer de comer passou a ser um fim em si mesmo, esse é o erro. Se frustram quando a refeição não é “suculenta e variada”.         

 

Escrevendo aos filipenses, São Paulo se refere àqueles cujo  “deus é o ventre” (Fil 3,19); isto é o alimento. Se a Igreja nos aponta a gula como um vício capital, é porque ela gera outros males: preguiça, comodismo, paixões, doenças, etc… Podemos comer e beber com moderação e gosto, mas não podemos fazer da comida um meio só de prazer; isso desvirtua a alimentação.

 

Um corpo “pesado” debilita o espírito. Santo Agostinho dizia que temia não a impureza da comida, mas a do apetite. Ele escreve uma página sábia sobre isto: “Vós me ensinastes a ingerir os alimentos como se tratasse de remédios”. Santa Catarina de Sena dizia que o “estômago cheio prejudica a mente”. Santo Ambrosio afirmava que: “Aquele que submete o seu próprio corpo e governa sua alma, sem deixar-se submergir pelas paixões, é seu próprio senhor: pode ser chamado rei porque é capaz de reger a sua própria pessoa”. Ghandi afirmava que “a verdadeira felicidade é impossível sem verdadeira saúde, e a verdadeira saúde é impossível sem rigoroso controle da gula. Todos os demais sentidos estarão automaticamente sujeitos ao controle quando a gula estiver sob controle”.

 

  A virtude oposta à gula é a temperança; evitar todos os excessos no comer e no beber.        Para destruir as raízes da gula é preciso submeter o corpo à mortificação. E esta haverá de ser sob a ação do Espírito Santo, nosso santificador. São Paulo ensinou aos gálatas e aos romanos que somente o Espírito pode destruir em nós as paixões. “Conduzi-vos pelo Espírito Santo e não satisfareis o desejo da carne” (Gal 5,16). “Se viverdes segundo a carne, morrereis, mas, se pelo Espírito, fizerdes morrer as obras do corpo, vivereis” (Rom 8,12). A ação poderosa do Espírito Santo, aliada à nossa vontade, vem em auxílio da nossa fraqueza, e dá-nos a graça de superar os vícios.

 

Como remédio contra a gula a Igreja propõe também o jejum; não como um valor em si mesmo, mas como um instrumento para dominar a paixão. Mas Santa Catarina de Sena ensina que “a mortificação deve ser feita de acordo com a necessidade e na exata medida das forças pessoais.” Não se pode impor a todos a mesma mortificação como uma norma rígida, já que nem todos são iguais.

 

  Não é possível querer levar uma vida pura sem sacrifício. O corpo foi-nos dado para servir e não para gozar; o prazer egoísta passa, e deixa gosto de morte; o sacrifício gera a vida. Não foi à toa que Cristo jejuou quarenta dias no deserto da Judéia, antes de enfrentar  as ciladas terríveis do Tentador, que o queria afastar do caminho traçado por Deus para Ele seguir, para salvar a humanidade.

        

Algumas pessoas têm o “hábito” de comer demais, às vezes de maneira compulsiva, que revela “fuga” de outros problemas. Isto pode ser um problema emocional e psicológico que deve ser tratado.  

 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br