23. maio 2009 · 19 comments · Categories: Igreja

 

 

Algumas pessoas mal informadas ou mal intencionadas, afirmam que a Igreja bloqueou o estudo e a ciência na Idade Média; e assim querem jogar os jovens contra ela e mostrar que a ciência é oposta à fé. Nada mais mentiroso. Uma  marca registrada da Igreja na Idade Média, e que foi a base da nossa Civilização Ocidental,  foi o ensino. É grave calúnia dizer que a Igreja tinha o interesse em manter o povo na ignorância para dominá-lo; os fatos da História mostram o contrário; e contra fatos não há argumentos.

 

As escolas na Idade Média eram fundadas e mantidas geralmente pela Igreja: havia as escolas das Paróquias, as das Catedrais e a dos Mosteiros. Além disto, os senhores feudais podiam fundar suas escolas, como também os habitantes de um lugarejo podiam se associar para sustentar um professor encarregado de ensinar às crianças.  Elas eram admitidas na escola com sete ou oito anos de idade: o ensino, que preparava para os estudos da Universidade, estendia-se por uma dezena de anos. 

 

No séc. VI São Cesário de Arles já expunha no Concílio de Vaison (529) na França, a necessidade de criar escolas no campo; e os bispos se dedicaram a isto. Foi a Igreja que montou para o Imperador católico Carlos Magno (†814) a sua política escolar; e retomou a tarefa educadora no séc. X após o fim do seu Império.

 

O III Concílio de Latrão (1179), em Roma, presidido pelo Papa Alexandre III (1159-1181), ordenou ao clero que abrisse escolas por toda a parte para as crianças, gratuitamente. Obrigou a todas as dioceses terem ao menos uma. Essas escolas foram as sementes das Universidades que logo surgiam: Sorbone (Paris) e Montpellier, Bolonha, La Sapienza, Salerno e Raviera (Itália), Oxford e Canterbury (Inglaterra), Toledo e Salamanca (Espanha); Coimbra em Portugal, e muitas outras.

 

Como acusar a Igreja de obscurantista se foi ela quem fundou as primeiras universidades do mundo, para estudar as línguas, a medicina, a matemática, a oratória, a física, a astronomia, as artes plásticas, a música, a teologia?… Somente quem não conhece História ou a interpreta com uma maldosa dose ideológica – e não cientifica -  pode chegar a essa conclusão.

 

Os níveis escolares criados pela Igreja eram três: primário, secundário e superior. Na base, estavam as escolas paroquiais, “as pequenas escolas”. No plano superior havia as escolas monásticas e as escolas das catedrais e capitulares, o que corresponde ao ensino secundário. Dos sete aos vinte anos as crianças e os jovens eram recebidos nessas escolas sem distinção de classes. Havia escolas só para meninas e moças. As disciplinas dividiam-se em “trivium” (gramática, dialética e retórica) e “quadrivium” (artimética, geometria, astronomia e música). Mas um grande pedagogo da época Thierry de Chartres, mostrou que o “trivium e o quadrivium” eram apenas um meio e que o fim era “formar almas na verdade e na sabedoria”.

 

No séc. XII havia só na França 70 abadias com escolas. Todos os grandes bispos também quiseram ter escolas; na França, no séc. XII havia mais de 50 escolas episcopais. O importante era o conjunto do saber humano, hoje tão desprezado.

 

A Abadia de Argenteuil, por exemplo, onde foi educada Heloísa, ensinava às alunas a S. Escritura, as letras, a medicina e mesmo a cirurgia, sem contar o grego e o hebraico, que Abelardo lá ensinou.  Em geral, as pequenas escolas davam a seus alunos até ensino de música e teologia que lhes permitiam chegar às Universidades; e muitas ministraram um ensino técnico.

 

Os estudantes mais dotados iam para a Universidade, de acordo com as suas preferências.  Paris atraía de modo especial, pois lá se aprendiam as artes liberais e a teologia por parte de estudantes provenientes da Alemanha, da Itália, da Inglaterra, da Dinamarca, da Noruega. Nunca houve tanta universalidade.

 

Em muitas escolas os alunos tinham ensino técnico de como trabalhar o ouro, prata e cobre. Aos poucos surgiam as especializações: Chartres (letras), Paris (teologia), Bolonha (direito), Salerno e Montpellier (medicina).

 

  O Concilio geral de Latrão III, aprovou  o seguinte cânon:

“A Igreja de Deus, qual mãe piedosa, tem o dever de velar pelos pobres aos quais pela indigência dos pais faltam os meios suficientes para poderem facilmente estudar e progredir nas letras e nas ciências. Ordenamos, portanto, que em todas as igrejas catedrais se proveja um benefício (rendimento) conveniente a um mestre, encarregado de ensinar gratuitamente aos clérigos dessa igreja e a todos os alunos pobres” (can. 18, Mansi XXII 227s). O IV Concílio ecumênico do Latrão (1215), renovou este decreto.

 

Teodulfo, bispo de Orléans no séc. VIII, promulgou o seguinte decreto:

“Os sacerdotes mantenham escolas nas aldeias, nos campos; se qualquer dos fiéis lhes quiser confiar os seus filhos para aprender as letras não os deixem de receber e instruir, mas ensinem-lhes com perfeita caridade. Nem por isto exijam salário ou recebam recompensa alguma a não ser por exceção, quando os pais voluntariamente a quiserem oferecer por afeto ou reconhecimento” (Sirmond, Concilia Galliae II 215).

 

Este decreto passou verbalmente para as legislações eclesiásticas da Inglaterra. Freqüentemente os concílios regionais dos séc. XIII e XIV repetiram essas normas.

É preciso entender que os homens da ciência na época, não tinham o aparato técnico para experiências e investigações precisas como temos hoje. Por causa dessa carência, a ciência medieval cometia erros. A falta de instrumentos precisos como temos hoje (cromatógrafos, espectofotometros, balanças de precisão, laser, sensores, computadores, etc.), fazia com que os cientistas medievais procediam por dedução mais do que por indução. As leis da natureza eram formuladas recorrendo-se a princípios especulativos, abstratos, dos quais julgavam poder deduzir a explicação dos fenômenos da natureza. Com boa fé, achavam que a  Bíblia Sagrada podia ser utilizada para esclarecer não somente questões teológicas, mas também temas de ciências. Isto deu margem ao caso Galileu, no séc. XVII.

 

É muito significativo um dos últimos depoimentos sobre a acusação de que a Igreja obstruiu a ciência na Idade Média, proferido em 1957 por um grupo de estudiosos que, sem intenção confessional alguma, escreveram a história da ciência antiga e medieval:

 

“Parece-nos impossível aceitar a dupla acusação de estagnação e esterilidade levantada contra a Idade Média latina. Por certo a herança (cultural) antiga não foi totalmente conhecida nem sempre judiciosamente explorada;… mas não é menos verdade que de um século para outro – mesmo de uma geração a outra dentro do mesmo grupo – há evolução e geralmente progresso. A Igreja (…) na Idade Média salvou e estimulou muito mais do que freou ou desviou. Por isto, embora só queira apelar para a Antigüidade, a Renascença é realmente a filha ingrata da Idade Média” (La science antique et médiévale, sous la direction de René Taton, Presses Universitaires de France. Paris 1957, 581s).

 

Em particular com referência ao fato de que só a partir de fins do séc. XIII se começaram a fazer dissecações e observações em cadáveres humanos, dizem os mencionados estudiosos:

“Como quer que seja, não se poderia aceitar a opinião um tanto simplista segundo a qual a Igreja teria sido a grande responsável da estagnação dos estudos de anatomia” (ibd. 580).

 

Por outro lado, a capacidade humana de especulação filosófica atingiu o auge da sua clareza nas famosas Sumas de lógica e metafísica da Idade Média, de São Tomás de Aquino, S. Alberto Magno e muitos outros filósofos e teólogos. Estas obras, continuando as dos grandes pensadores gregos (principalmente de Aristóteles), até hoje são monumentos atuais, não ultrapassados, da cultura humana. É, sem dúvida, este aspecto positivo que merece destaque na apreciação objetiva da Idade Média.

 

Resta perguntar: Como, então, algum professor mal informado, ou mal intencionado, pode afirmar que a Igreja manteve  o povo nas trevas da ignorância na Idade Média? Como é possível que a história seja tão manipulada e distorcida em favor de interesses ideológicos lastreados num laicismo anticatólico?

 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

 

 

 

 

08. maio 2009 · 10 comments · Categories: Familia

 

Quando o nosso mundo se agita neste mar de violências e de injustiças, não podemos deixar de lembrar de tua pessoa, Mãe, porque ainda és, a maior reserva de amor que Deus colocou neste mundo. Quando tudo parece estar perdido, ainda resta o coração; é de lá que a vida começa a renascer. E tu, ó mãe, tens entre os homens o primado do coração.

        

Nem os arranha-céus mais altos, nem os computadores mais possantes, nem os aviões mais velozes, podem ser comparados à beleza transcendente do teu olhar e o sentimento incomparável do teu coração. Mãe, foste criada não só para dar a vida aos homens, muito mais do que isto, para semear o amor entre eles. Sois tão diga, que até o próprio Deus quis nascer de ti, em forma humana.

 

         O mundo precisa aprender contigo mãe, antes que seja tarde, a lição do perdão sem limites, da compaixão que faz sofrer solidária, da bondade que supera toda inveja, da paciência que vence toda inquietação, do amor que vence todo ódio, e que é mais forte do que a morte.

 

         Somos gratos a Deus que te criou e te deu de presente a cada um de nós. A tua beleza é grande porque em ti é grande a intensidade do espírito que penetra a matéria. Sobretudo mãe, queremos reconhecer e agradecer pela gratuidade das tuas boas obras. Sois como a raiz da árvore, sempre escondida, mas sempre promovendo o crescimento dos ramos e dos frutos.

 

         Disse alguém que “o prazer da abelha é sugar o mel da flor, mas o prazer da flor é entregar o mel à abelha”. Sei que assim és mãe!  Olhando para ti aprendemos a dar graças a Deus todos os dias.       E, se por acaso, alguém não reconhecer o teu valor, ou não retribuir com gratidão o teu amor que nunca acaba, saiba que o Criador te vê. Lembra-te daquilo que disse alguém: todo dia o sol também dá um belo espetáculo ao nascer o dia, e, no entanto, a maioria da platéia dorme, e não pode reconhecer a sua beleza. Mas nem por isso, o sol deixa de ser belo, formoso e fundamental. Da mesma forma, mãe és o sol do lar.

 

         Que o bom Deus, que nos deu a graça de criá-la, renove tuas forças e tua graça, hoje mais do nunca, para que do teu coração surja uma nova esperança para todos.          Mãe, mais do antes, precisamos muito de ti!

 

Certa vez Michelangelo viu um bloco de pedra e disse a seus alunos: “aí dentro há um anjo, vou colocá-lo para fora!” Depois de algum tempo, com o seu gênio de escultor, fez o belo trabalho. Então os alunos lhe perguntaram como tinha conseguido aquela proeza. Ele respondeu: “o anjo já estava aí, apenas tirei os excessos que estavam sobrando”.

 

Esta é a sua bela missão Mãe, educar; e educar é isto, com paciência e perícia ir tirando os maus hábitos e descobrindo as virtudes do filho, até que o “anjo” apareça. Michel Quoist dizia “que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus.”

 

         Educar é colaborar com Deus, e é na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais. Educar é promover o crescimento e o amadurecimento da pessoa humana em todas as suas dimensões: material, intelectual, moral e religiosa. A tarefa de educar, como dizia D. Bosco, “é obra do coração”, é obra do amor, por isso tem muito a ver com a mãe. Sem o carinho e a atenção da mãe a criança certamente crescerá carente de afeto e desorientada para a vida.

 

         O povo diz que atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher, mas é preciso não esquecer que “esta mulher” mais do que a esposa, é a mãe.

 

         É no colo da mãe que a criança precisa aprender o que é a fé, aprender a rezar e a amar a Deus e as pessoas. É no colo da mãe que o homem de amanhã deve aprender o que é a retidão, o caráter, a honestidade, a bondade, a pureza de coração. É no colo da mãe que a criança aprende a respeitar as pessoas, a ser gentil com os mais velhos, a ser humilde e simples e não desprezar ninguém.

 

         É no colo da mãe que o filho aprende a caridade, a vida pura da castidade, o domínio de todas as paixões desordenadas e a rejeitar todos os vícios. É a mãe, com seu jeito doce e suave, que vai retirando da sua plantinha que cresce a erva daninha da preguiça, da desobediência, da mal-criação, dos gestos e palavras inconvenientes. É ela que vai lhe ensinando a perdoar, a superar os momentos de raiva sem revidar, a não ter inveja dos outros que têm mais bens e dinheiro.     É a mãe que nas primeiras tarefas do lar lhe ensina o caminho redentor do trabalho e da responsabilidade.

 

         Até o filho de Deus quis ter uma Mãe para cumprir a sua missão de salvar a humanidade; e Ele fez o seu primeiro milagre nas bodas de Caná exatamente porque ela lhe pediu. Por isso, cada mãe é um sinal de Maria, que ensina seu filho a viver de acordo com a vontade de Deus. 

 

Parabéns, mãe querida, que Deus te abençoe.

 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

 

 

 

 

       

08. maio 2009 · 1 comment · Categories: Orações

E Vós, grande Deus, embora haja tanta glória, doçura e proveito em servir-Vos, quase ninguém tomará o Vosso partido? Quase nenhum soldado se alistará sob Vossos estandartes? Quase nenhum São Miguel clamará no meio de seus irmãos, cheio de zelo pela Vossa glória: Quis ut Deus?

Ah!, permiti-me bradar por toda parte: fogo, fogo, fogo! Socorro, socorro, socorro! Fogo na casa de Deus, fogo nas almas, fogo até no santuário! Socorro, que assassinam nosso irmão; socorro, que degolam nossos filhos; socorro que apunhalam nosso bom Pai!

Qui Domini est jungatur mihi: que venham todos os bons sacerdotes espalhados pelo mundo cristão, quer os que estejam atualmente no combate, quer os que se tenham retirado da confusão da batalha para os desertos e ermos; que venham esses bons sacerdotes e se unam a nós, vis unita fit fortior, a fim de formarmos, sob o estandarte da Cruz, um exército em boa ordem de batalha e bem disciplina, para de concerto atacar os inimigos de Deus que já tocaram a rebate: sonuerunt, frenduerunt, fremuerunt, multiplicati sunt.

Dirumpamus vincula eorum et projiciamus a nobis jugum ipsorum. Qui habitat in caelis irridebit eos. Exsurgat Deus et dissipentur inimici eius! Exsurge, Domine, quare obdormis? Exsurge.

Erguei-Vos, Senhor! Por que pareceis dormir? Erguei-Vos em Vossa onipotência, em Vossa misericórdia e em Vossa justiça, para formar-Vos uma companhia seleta de guardas que velem a Vossa casa, defendam Vossa glória e salvem Vossas almas, a fim de que haja um só rebanho e um só pastor, e de que todos Vos rendam glória em Vosso templo: et in templo eius omnes dicent gloriam. Amém.