SIMPLES VOZ OU PALAVRA DE DEUS?

Arquivado em: Biblia — Prof. Felipe Aquino at 2:23 pm on quarta-feira, setembro 30, 2009

 D. Estevão Bettencourt

 

O Imperador Trajano (98-117) em 107 quis oferecer ao povo de Roma “grandioso espetáculo”: homens ilustres e gladiadores seriam expostos a 11.000 feras no  Coliseu, a fim de que o público presenciasse a luta e “se divertisse”.¹ Entre os condenados, estava um cristão chamado Inácio, bispo de Antioquia (Síria). Fora preso por causa da sua fé. Durante a viagem para Roma, a escolta que o acompanhava fez escala em Esmirna (Turquia de hoje); aí Inácio resolveu  escrever uma carta aos cristãos de Roma…

 

E que lhes diria? – Queria pedir-lhes que não intercedessem em seu favor junto às autoridades imperiais, mas deixassem que fosse levado até o certame final e o martírio. ² Dessa carta merece destaque, entre outros, o seguinte trecho:

 

“Se vos calardes a meu respeito, serei Palavra (Lógos) de Deus; se, porém, amardes a minha carne, serei simples voz (phoné)” (n.º 2).

 

A distinção entre phoné – simples voz – e lógos – palavra ou discurso significativo – era usual entre os antigos. S. Inácio a aplica a si: o martírio ou o testemunho de Cristo proferido até a morte  cruenta o tornará palavra de Deus; caso contrário, perderia a grande oportunidade da sua vida e se julgaria reduzido à condição de simples sopro.

 

Os dizeres de S. Inácio têm valor perene. Lembram-nos que todo homem, por seu teor de vida, pode assumir três configurações:

 

- será simples voz, sem significado, caso ceda à futilidade, supondo um coração vazio;

 

- será palavra… de homem, caso sua vida se norteie pelas luzes  da mera razão ou pela mensagem de um filósofo sem fé;

 

- será Palavrade Deus, desde que o cristão faça da mensagem do Senhor o dínamo da sua existência. Em tal caso, o seu viver já é Palavra de Deus. Tal é a dignidade máxima que a vida humana possa assumir, qualquer que seja a sua classe social; despretensiosa, voltada para os afazeres modestos de cada dia, tal existência traduz concretamente a mensagem de  Deus. Mesmo que fale pouco, tal vida é eloqüente e persuasiva; ela levanta os ânimos e abre horizontes… O mundo procura tal tipo de existência, pois está cheio de vozes (phonai), mas carente de Logos (Palavra) de Deus.

 

Todo cristão é chamado a responder a tal anseio, fazendo de sua vida a expressão da mensagem de Deus.

 

E.B.

 

 

¹ Não sem razão se diz que o povo da antiga Roma se contentava com panes et circenses (pão e espectáculos de circo).

² “Deixai que seja presa dos animais ferozes; por eles chegarei a Deus; oxalá seja moído pelos dentes dos animais, para tornar-me o pão puro de Cristo” (n.º 4).

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”

D. Estevão Bettencourt, osb.

Nº 351 – Ano 1991 – Pág.  337.

São Jerônimo e a Palavra de Deus

Arquivado em: Biblia — Prof. Felipe Aquino at 2:19 pm on quarta-feira, setembro 30, 2009

 

 

A Igreja celebra em 30 de setembro a memória do grande santo e doutor da Igreja S. Jerônimo, que a pedido do Papa Damaso preparou a Bíblia em latim. Foi um trabalho gigantesco que demandou cerca de 30 anos nas grutas de Belém, onde ele fazia esse trabalho. São Jerônimo dizia que quem não conhece os Evangelhos não conhece Jesus.

 

Jesus conhecia profundamente a Bíblia. Mais do que isso, Jesus amava e se guiava pelas suas palavras. Isso é o suficiente para que todos nós façamos o mesmo.

 

Na tentação do deserto quando o demônio investiu contra Ele para tentar vencê -lO, Jesus o rebateu com as palavras da Escritura. Quando o tentador pediu que Ele transformasse as pedras em pães parra provar Sua filiação divina, Jesus lhe disse: “O homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Se­nhor” (Dt 8,3c).

 

Quando o tentador exigiu que Ele se jogasse do alto do templo, Jesus respondeu: “Não provocareis o Senhor; vosso Deus” (Dt 6,16a). E quando Satanás tentou fazer com que Ele o adorasse, ouviu mais uma vez a Palavra de Deus: “Temerás o Senhor, teu Deus, prestar-lhe-ás o teu culto e só jura­rás pelo seu nome” (Dt 6,13). E o demônio foi vencido… e se afastou.

 

O fato de Jesus ter-se defendido das tentações, lançando no rosto do Tentador as palavras da Escritura, mostra-nos a importância e eficácia dessa Escritura no caminhar da vida da­quele que deseja viver pela fé, a fim de ser feliz e de poder agradar a Deus. Não é sem razão que São Pedro disse: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal Porque. jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (II Pd 1,20-21).

Toda a Bíblia é a Palavra de Deus aos homens, escrita por pessoas inspiradas pelo próprio Espírito Santo; é a Sua revela­ção, ensinando-nos tudo o que devemos saber e fazer nesta vida e na outra.

 

A Bíblia não é um livro de ciência, mas, sim, de fé. Utili­zando os mais diversos gêneros literários, ela narra aconteci­mentos da vida de um povo guiado por Deus, desde quatro mil anos atrás, atravessando os mais variados contextos sociais, políticos, econômicos, etc. Por isso, a Palavra de Deus não pode sempre ser tomada ao “pé da letra”, literalmente, embora mui­tas vezes o deva ser. “Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (II Cor 3,6c), disse São Paulo.

 

Portanto, para ler a Bíblia de maneira adequada, exige-se antes de tudo o pré-requisito da fé e da inspiração do Espírito Santo na mente, sem o que a interpretação da Escritura pode ser comprometida. Para aquele que possui a fé sem a qual “é impossível agradar a Deus” (Hb 11 ,6a), a Palavra de Deus é ali­mento sólido para a vida espiritual, indispensável para aquele que deseja, pela fé, fazer a vontade de Deus e ter luz na própria vida.

 

Na carta aos hebreus, São Paulo disse que “a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).

 

Para que a Palavra de Deus seja eficaz em nossa vida, precisamos, pela fé, acreditar nela e colocá-la em prática objetivamente. Em ou­tras palavras, precisamos obedecê-la, pois estaremos obedecen­do ao próprio Senhor. Mas nem sempre a Bíblia é fácil de ser interpretada, pelas ra­zões já expostas. É por isso que Jesus confiou a interpretação dela ã Igreja Católica, que a faz através do Sagrado Magistério, dirigido pela cátedra de Pedro (o Papa), e da Sagrada Tradição Apostólica, que constitui o acervo sagrado de todo o passado da Igreja e de tudo quanto o Espírito Santo lhe revelou no passado e conti­nua fazendo no presente. (cf. Jo 14, 15.25; 16, 12-13).

 

A alma da Igreja é o Espírito Santo dado em Pentecostes; por isso a Igreja não erra na interpretação da Bíblia e isso é dogma de fe. Jesus mesmo lhe garantiu isto: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,13a).

 

Embora seja feita de homens, santos e também pecadores, a Igreja Católica tem a garantia de não errar na interpretação dos assuntos da fé. Entretanto, a Igreja não despreza a ciência; muito pelo contrário, a valoriza tremendamente para iluminar a fé.

 

O Vaticano possui a “Pontifícia Academia de Ciências”; em Jerusalém está a Escola Bíblica que se dedica a estudar exegese, hermenêutica, línguas antigas, geologia, história antiga, paleontologia, arqueologia,  e tantas outras ciências, a fim de que cada pala­vra, cada versículo e cada texto da Bíblia sejam interpretados corretamente.

 

Quando estive em Israel, eu mes­mo encontrei um sacerdote católico estudando nas escavações da sinagoga de Cafarnaum, às margens do lago de Tiberíades.

Tudo isso mostra que a Igreja, embora guiada pelo Espíri­to Santo, não dispensa a luz da ciência natural. É a fé cami­nhando junto com a ciência. Tudo isso para que possamos di­zer como o salmista, no Salmo 118:

 

“Vossos preceitos são minhas delícias.

Meus conselheiros são as vossas leis” (v. 24).

“O único consolo em minha aflição

É que vossa palavra me dá vida” (v. 50)

“Quão saborosas são para mim vossas palavras,

mais doces que o mel à minha boca” (v. 103).

“Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos. E uma luz em meu caminho” (v. 105).

“Encontro minha alegria na vossa palavra,

Como a de quem encontra um imenso tesouro” (v.162).

 

 

 

Lamarca, um terrorista assassino, mártir?

Arquivado em: Heresia — Prof. Felipe Aquino at 4:23 pm on segunda-feira, setembro 28, 2009

  

A revista veja publicou em sua edição de 30/09/2009, n. 2132, que o Bispo de Barra, na Bahia, quer construir um templo em homenagem ao terrorista Carlos Lamarca, que matou várias pessoas e o chama de mártir. A reportagem da VEJA tem o titulo:

 

 “Essa Deus não perdoa”

 

Conversa com Dom Luiz Flávio Cappio

 

E diz que o bispo da diocese de Barra, na Bahia, dom Luiz Flávio Cappio, ganhou os holofotes, em 2005,  ao fazer uma greve de fome em protesto contra a transposição do Rio São Francisco. Em 2007, repetiu a dose com o apoio de esquerdistas e artistas de TV. Agora, o bispo volta à cena: quer construir um santuário no local onde o terrorista Carlos Lamarca foi morto, no sertão baiano. VEJA entrevistou o bispo:

 

Dom Cappio em defesa de um terrorista assassino

 

Veja: O senhor vai erguer um templo para Lamarca?

 

Farei um santuário para todos os mártires da diocese. Considero mártir quem morre em defesa de uma causa justa e derrama seu sangue por valores evangélicos. O Lamarca é um mártir.

Lamarca optou pelo caminho da violência e matou gente. Isso é evangélico?

Não quero canonizar ninguém. Sei que o Lamarca teve culpas, e não podemos eximi-las, mas quero valorizar o que ele fez de bom.

 

Veja: O que ele fez de bom?

 

Lutou contra a ditadura. Estou na região há 35 anos e já ouvi histórias terríveis sobre ele. Diziam que comia gente e estrangulava crianças. Eram coisas que a ditadura colocava na cabeça do povo.

 

Veja: Como o senhor vai bancar a obra?

 

Com recursos de dois prêmios internacionais que recebi por defender o Rio São Francisco.

Quanto o senhor ganhou?

Um valor simbólico.

 

Veja: Mas quanto?

 

Só posso dizer que dá para começar.

 

Veja: O senhor não tinha nenhuma obra social com que gastar esse dinheiro?

 

Já fazemos isso. O santuário será um lugar onde gente que foi maltratada pela história poderá ter seus restos mortais depositados e descansar em paz.

 

Veja: Quem serão os outros mártires?

Trabalhadores rurais mortos em conflitos.

 

É uma entrevista lamentável; sabemos que alguém só pode ser proclamado mártir na Igreja pelo Papa, após um seríssimo processo que mostra que a pessoa morreu em defesa da fé católica, e jamais por meros motivos sociais e políticos.

Lamentavelmente há muito tempo D. Cappio tem politizado a fé e a esvaziada, desrespeitando o Magistério da Igreja.

Até quando isso vai ficar sem providênicias?

CNBB defende Objeção de Consciência

Arquivado em: Laicismo — Prof. Felipe Aquino at 4:45 pm on sexta-feira, setembro 25, 2009

CNBB divulga Declaração sobre o direito à objeção de consciência - 24/09/2009  

 

“A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem, onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa sua voz” (Gaudium et Spes 16).

Em nome dos Bispos do Conselho Episcopal de Pastoral da CNBB, reunidos em Brasília, nos dias 22 a 24 de setembro de 2009, desejamos expressamos nossa solidariedade a todas as pessoas que se empenham na defesa e promoção da vida humana em todas as fases de seu desenvolvimento, sobretudo, daqueles seres sem nenhuma possibilidade de defesa.

Em nossa sociedade, marcada por tantas e tão contrastantes concepções acerca do ser humano e de sua dignidade, todos os que se propõem a assumir o compromisso de promover a justiça e defender a vida, certamente, enfrentarão muitas resistências e objeções. Movidos pelos ideais cristãos e empenhados na nobre e grave causa da defesa da vida, não nos é permitido ceder a qualquer tipo de pressão ou arrefecer nosso ânimo frente às dificuldades que continuamente enfrentamos.

É direito de toda pessoa manifestar sua objeção de consciência frente a tudo o que contraria as exigências da ordem moral, os princípios e valores éticos e a fé professada, de modo que ninguém, por tal motivo, possa ser punido ou forçado a agir de modo contrário àquilo que a consciência o move a fazer. Em certas ocasiões, com destemida firmeza, é necessário dizer: “É preciso obedecer antes a Deus que aos homens” (At 5,29).
 
Brasília, 24 de setembro de 2009-Dom Geraldo Lyrio Rocha-Presidente da CNBB e arcebispo de Mariana (MG)

Dom Luiz Soares Vieira-Vice-presidente da CNBB e arcebispo de Manaus (AM)

Dom Dimas Lara Barbosa-Secretário-Geral da CNBB e bispo auxiliar do Rio de Janeiro (JR)

 

CNBB levará à Câmara projeto de “ficha limpa”

Arquivado em: Corrupção — Prof. Felipe Aquino at 3:21 pm on sexta-feira, setembro 25, 2009

 

A proposta que institui a “ficha limpa” para as eleições será entregue na próxima terça-feira à Câmara dos Deputados. O projeto de lei, de iniciativa popular, recebeu 1,3 milhão de assinaturas, coletadas pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O texto torna inelegível candidato condenado em primeira instância ou denunciado por crimes como improbidade administrativa, uso de mão-de-obra escrava e estupro. Precisamos agora fazer pressão sobre deputados e senadores para aprovar esse Projeto de Lei.

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