Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

 

Alguns leitores pediram uma opinião sobre os escritos  de Paulo Freire, autor que é recordista de vendas no mundo inteiro. Cumpre, em primeiro lugar, ponderar que é  discutível a obra de Paulo Coelho, apesar de fascinar um público leitor  que se deixa encantar pelos “best sellers”. Segundo os experts,  os livros deste escritor  não são propriamente Literatura, mas sim “paraliteratura”, por não representarem a arte da linguagem, a palavra artesanal, como se tem em tantos outros como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha.

 

 Grande a polêmica que causou o seu ingresso na Academia Brasileira de Letras  por se tratar mais de um “vendedor” ou “mercador” de livros, que propriamente de um escritor. Seu texto faz sucesso, por ele ter encontrado uma fórmula que deu certo, como os autores  de policiais de bolso, ou os Og Mandino, que escrevem obras em série, mais a serviço do lucro do que da Arte.

 

Paulo Coelho é mais um contador de histórias que deu certo, pois  consegue prender o leitor, e “amarrar” o fio narrativo, utilizando-se de temas místicos, bem ao gosto de nosso povo sedento de Deus. Adite-se que, por serem obras de ficção, seus escritos,  como qualquer obra ficcional, devem ser lidos sempre a partir da consciência de que, como diz Fernando Pessoa, “O poeta é um fingidor” – tudo é  ficção e, só como simulacro da realidade, é que se tratam os temas, por mais profundos e semelhantes a valores e verdades da fé.

 

Literatura é, antes de tudo,  entretenimento e nunca se deve considerar essas obras como orientações para a conduta pessoal..Cumpre ter discernimento para analisar tudo que se lê, seja o que for. Além disto, é importante decodificar com espírito crítico a obra de Paulo Coelho considerando alguns pontos: sempre que o autor se apropria de temas místicos, inclusive, de maneira inteligente e curiosa, observa-se um ponto comum: a afinidade com esses temas sugestivos do pensamento da NOVA ERA, confundindo o leitor desavisado com temas relacionados à tradição da fé cristã, episódios, mensagens bíblicas, por aí infiltrar, em tom ficcional, idéias extremamente generalizadoras e liberalistas, sugerindo-se como um criador de fórmulas de vida espiritual, ainda que  ele negue essa sua intenção, na vida real.  

 

Seja dito que, em depoimento registrado no seu site, na internet confessa-se envolvido com uma religiosidade eclética, descomprometida com a essência de sua religião oficial:

“Sou católico, mas acho que toda e qualquer religião, se sinceramente escolhida, leva ao mesmo Deus e não transfiro para minha religião a minha religiosidade na busca espiritual”.  

 

Pergunta-se então: Pode um católico ter mais de uma postura, em seu testemunho religioso? Mesmo através do ficcional, mesmo que se apresente criticamente diante da sociedade e da própria Religião, é preciso que o seu “Sim seja Sim, e o Não seja Não” (Mt 5,37).

Paulo Coelho ainda declarou: “Acredito no conceito de “Anima Mundi”  - Alma do Mundo, onde cada pessoa, através da total dedicação  entra em contato com a inspiração do universo – e é daí que vêm as personagens, do amor pela vida e pelas coisas que vivo”.

 

Paulo Coelho, na verdade,  mostra-se confuso,  em suas abordagens de temas místicos, nas referências a Deus, e na assimilação dos valores de uma religião que diz praticar. Portanto, para o Cristão, é importante ler Paulo Coelho com olhar crítico e consciente de que suas “fantasias”, embora sejam interessantes, não retêm e nem contêm verdades da fé católica e não constituem, em sua essência, uma lição de vida espiritual para o leitor.

 

Trata-se de entretenimento e o máximo que podem suscitar no Católico é uma sugestão de autocrítica à sua conduta essencialmente cristã segundo o Evangelho e não segundo aqueles que Jesus denomina “falsos profetas” (Mt 7,15).

 

* Professor no Seminário de Mariana – MG

 

 

 

Amigos e amigas,


Vamos assinar a Petição da ONU em favor do Nascituro e pela Família.

Vários grupos pró-vida vão apresentar a lista de subscreventes às Nações Unidas em Dezembro. O objetivo é reunir 1 milhão de nomes.

O link é http://www.c-fam.org/campaigns/lid.7/default.asp


Importante descoberta da “Pave the Way Foundation”


NOVA YORK, quinta-feira, 1º de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Nada de “Papa de Hitler”. Nada de colaboradores voluntários do nazismo. Alguns documentos encontrados na Alemanha pela Pave the Way Foundation (PTWF) provam que, desde setembro de 1930, os bispos católicos haviam excomungado o Partido Nazista de Hitler. Nos documentos achados por Michael Hesemann, colaborador da PTWF, consta que, em setembro de 1930, três anos antes que Adolf Hitler subisse ao poder, a arquidiocese de Mogúncia condenou de forma pública o Partido Nazista.
Segundo as normas publicadas pelo Ordinário de Mogúncia, estava “proibido a qualquer católico inscrever-se nas filas do Partido Nacional-Socialista de Hitler”.

 

“Aos membros do partido hitleriano não era permitido participar de funerais ou de outras celebrações católicas similares.”
“Enquanto um católico estivesse inscrito no partido hitleriano, não podia ser admitido aos sacramentos.” A denúncia da arquidiocese de Mogúncia foi publicada em primeira página pelo L’Osservatore Romano, em um artigo de 11 de outubro de 1930. O título do artigo é: “Partido de Hitler condenado pela autoridade eclesiástica”. Nele se declarava a incompatibilidade da fé católica com o nacional-socialismo.


Em março de 1931, também a diocese de Colônia, Parderborn e as das províncias de Renânia denunciaram a ideologia nazista, proibindo de forma pública qualquer contato com os nazistas.
Indignados e furiosos pela excomunhão emitida pela Igreja Católica, os nazistas enviaram Hermann Göring a Roma com a petição de audiência com o secretário de Estado Eugenio Pacelli. No dia 30 de abril de 1931, o cardeal Pacelli rejeitou encontrar-se com Göring, que foi recebido pelo subsecretário, Dom Giuseppe Pizzardo, que tinha a tarefa de anotar tudo o que os nazistas pediam. Em agosto de 1932, a Igreja Católica excomungou todos os dirigentes do Partido Nazista. Entre os princípios anticristãos denunciados como hereges, a Igreja mencionava explicitamente as teorias étnicas e o racismo.


Também em agosto de 1932, a Conferência Episcopal alemã publicou um documento detalhado no qual eram dadas instruções de como relacionar-se como Partido Nazista. Nele, estava escrito que era absolutamente proibido aos católicos que fossem membros do Partido Nacional-Socialista. Quem desobedecesse, seria imediatamente excomungado. Também estava escrito que “todos os Ordinários declararam ilícito pertencer ao Partido Nazista”, porque “as manifestações de numerosos chefes e publicitários do partido têm um caráter hostil à fé” e “são contrárias às doutrinas fundamentais e às indicações da Igreja Católica”. Em janeiro de 1933, Adolf Hitler chegou ao poder e as associações católicas
alemãs difundiram um folheto intitulado: “Um convite sério em um momento grave”, no qual consideravam a vitória do Partido Nacional-Socialista como”um desastre” para o povo e para a nação.


No dia 10 de março de 1933, a Conferência Episcopal alemã, reunida em Fulda, enviou um apelo ao presidente da Alemanha, o general Paul L. von Beneckendorff und von Hindenburg, expressando “nossas preocupações mais graves, que são compartilhadas por amplos setores da população”.Os bispos alemães se dirigiram a von Hindenburg manifestando seu temor de
que os nazistas não respeitassem “o santuário da Igreja e a posição da Igreja na vida pública”. Por isso, pediram ao presidente uma “urgente proteção da Igreja e da vida eclesiástica”.

Os bispos católicos haviam previsto isso, mas não foram escutados.

 

A Igreja Católica não propõe uma teoria científica para a criação, não é o papel dela. No entanto a Igreja ensina, com base nas Sagradas Escrituras, que há propósito de Deus na Criação e ele pode ser percebido pelo homem. Também ensina a Igreja que a ciência verdadeira não se opõe à fé. A conclusão natural para qualquer católico, portanto, é que se uma teoria científica para a criação é verdadeira ela não terá conflito algum com a fé católica. É neste contexto que precisamos entender a oposição de muitas pessoas à teoria da evolução de Darwin. Elas acreditam que a teoria de Darwin elimina o propósito de Deus na criação. Mas por que pensam assim e, será que isso é mesmo verdade?

 

Geralmente o primeiro argumento contra qualquer evolução, não só a biológica mas também a do universo, é o livro do Gênesis. Sabemos, entretanto, que do ponto de vista católico não há motivos para acreditar na interpretação literal do relato da Criação. Deve ser compreendido como uma metáfora. De fato, entre os que se opõe à teoria de Darwin, poucos se baseiam numa interpretação literal da Bíblia. Até mesmo porque cientificamente a evolução biológica é um fato mais do que comprovado. A evolução do universo também já foi provada depois que Edwin Hubble verificou observacionalmente a teoria do Big Bang proposta pelo padre jesuíta Georges Lemaître. A física, hoje, não duvida desta descoberta. A expressão de conservação das massas do católico Lavoisier, “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, deve ser entendida num sentido mais amplo, cientificamente, de que o paradigma da evolução faz parte da ciência moderna.

 

A evolução é um fato, a teoria é a explicação do fato. Embora as teorias possam estar erradas e mudar, os fatos experimentais não mudam! Do ponto de vista filosófico e teológico o argumento realmente sério é se a teoria de Darwin se opõe ou não ao Propósito de Deus na criação. Esta é a pergunta que realmente importa. A teoria de Darwin, muito aprimorada depois da descoberta da genética pelo monge agostiniano Gregor Mendel, está baseada no conceito de mutações genéticas aleatórias que acontecem na reprodução. Ao longo de milhares de anos estas mudanças fariam que uma população se aprimorasse, evoluísse, através de vários mecanismos, dentre eles a sobrevivência do mais apto.

 

É justamente a idéia de aleatoriedade das mutações que gera a grande controvérsia pois significa literalmente que as mudanças acontecem ao acaso, sem propósito. Isso implica (será?) que todas as espécies surgiram ao acaso, inclusive nós. Basicamente existem três posturas frente a essa conclusão: nega-se a evolução, aceita-se a evolução mas não a “aleatoriedade” das mutações ou então aceita-se a evolução e a aleatoriedade mas nega-se a consequência de acaso devido às mutações aleatórias. Como foi visto antes, a primeira postura vai contra tudo que a ciência moderna sabe e contra o que convém chamar de “paradigma evolutivo da ciência”. Para dizer pouco, pode-se falar que não é uma posição defensável com a razão, hoje. E como há séculos a Igreja defende que a fé e a razão se complementam, ir contra o fato (não a teoria) da evolução não é uma boa posição para os católicos. O frade franciscano Roger Bacon, um dos pais do método científico, que o diga!

 

A segunda posição é conhecida com Design Inteligente”, diz que não há aleatoriedade nas mudanças que acontecem entre uma população e outra, mas que Deus controla tudo. Seus principais defensores tentam lançar mão de uma proposta científica, a complexidade irredutível, para justificar esta posição. Entretanto, argumenta-se muito nos meios científicos que esta teoria não é falsificável e que portanto não é científica. Particularmente, concordo com esta crítica. Não pode-se esquecer que também do lado teológico o Design Inteligente não é bem visto sempre. Muitos alegam, com propriedade, que ele apela a um “Deus das lacunas”, que vive remediando sua criação. Os católicos crêem que Deus cria e mantém a sua obra, porém “manter” não significa “consertar”, apesar do “ato criador” poder se estender no tempo. Mas a ação de Deus no Design Inteligente está mais para remendo do que para criação.

 

A terceira posição, que me parece mais correta, afirma que não há consequência lógica entre “aleatoriedade na mutação” e “aleatoriedade das espécies”. O propósito de Deus está em ter criado um mundo que tem leis naturais que invariavelmente conduzem ao universo como conhecemos hoje. Se as mutações genéticas são aleatórias, as leis físicas não são e conduzem a natureza para um fim específico, em última análise desejado por Deus, que é o criador destas leis. Uma analogia pode ajudar a compreender esta visão. Imagine um estádio de futebol lotado onde explode uma bomba que faz as pessoas quererem sair do estádio. Cada indivíduo é livre para correr na direção que quiser. De fato, uns correm para a saída e outros não. Ou porque estão perdidos ou porque acham que podem ser pisoteados no tumulto, não se sabe. No final a maioria das pessoas se salvaram. Foi o acaso ou foi porque as pessoas têm uma tendência natural de procurar a saída e o engenheiro pensou nos possíveis canais de fuga quando construiu o estádio?

 

Seguindo esta analogia é evidente que todos os caminhos que levam da “aleatoriedade da mutação” para o surgimento de uma nova espécie (e nós) podem ser compreendidos como o Propósito de Deus na criação. Há inúmeros agentes biológicos, físicos, geológicos e climáticos que controlam todo o processo. Deus que é onisciente certamente sabe que fim levará sua criação e não precisa interferir desnecessariamente criando olhos aqui, asas acolá. Precisamos refletir bem no significado da onipotência de Deus.

 

 

Alexandre Zabot

Físico, mestre e doutorando em Astrofísica

http://stalbertus.com