Recebo muitos email de leitores, ouvintes, internautas, etc. que me pedem alguma orientação. Este testemunho pode servir para ajudar algumas pessoas. O publico com autorização da pessoa, sem citar o seu nome.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   

 

Boa noite Dr. Felipe!


Venho através desse e-mail dirimir uma dúvida que atualmente como católica praticamente me angustia demasiadamente tendo me levado até a uma profunda depressão.

Sou filiada da Canção Nova e li um artigo à respeito de nulidade de casamento. Peço encarecidamente a sua atenção pois minha situação é muito grave e preciso muito da sua ajuda.
 
Meus pais me educaram de maneira a acreditar que a Igreja católica não tinha fundamento sagrado nenhum e que nenhum sacerdote, inclusive o papa, era somente um homem querendo ser bajulado e ter uma vida fácil e de luxo. Enfim, meus pais acreditavam que nenhum sacramento era divino e irrevogável, eles inclusive (meu pai já é falecido) eram advogados e contribuíram ativamente para a implantação do divórcio no Brasil. Estou citando isso para o senhor tomar conhecimento de toda a minha condição de pensamento e ensinamento na época. Minha mãe diz que apenas me batizou com o intuito de cumprir uma imposição social e que se arrependia pois, anos depois ela se tornou mística e dizia que por causa do batismo tínhamos o terceiro chakra fechado e me orientou a não fazer a crisma para não ter o chakra coronário fechado (francamente até hoje não entendo muito a respeito disso mas como filha segui sua orientação).

Já meu pai sempre me dizendo que missa era besteira e que se eu mastigasse a hóstia ia ver que não saía sangue nenhum, era tudo mentira, porém para cumprir um mandamento social minha mãe me fez ingressar na escola para me preparar para a primeira comunhão, que foi linda, tinha o melhor vestido e as melhores jóias me ornando,porém os piores ensinamentos em casa, tanto que durante o estudo para a primeira comunhão fui na missa somente duas vezes e depois da primeira eucaristia somente fui na missa oito vezes das quais apenas duas tomei a comunhão e ainda mastiguei a hóstia para ter certeza como meus pais me ensinavam que era tudo mentira.

Bem, foi com esses ensinamentos e com esses exemplos que fui criada, apesar das súplicas constantes de minha bisavó que sempre foi católica fervorosa e morreu em seu leito rezando o terço mariano. Aos dezenove anos tive minha primeira filha como mãe solteira. Morávamos em uma cidade pequena e sofri muitas humilhações devido à essa condição.Na época procurei e comecei a frequentar um centro kardecista o qual frequentei por cerca de mais sete anos embora fosse batizada e tivesse feito a primeira comunhão ( não fiz a crisma).

Nessa época minha mãe começou a me falar para me casar para sair dessa condição pois era muito humilhante ter uma filha mãe solteira na família. No ano seguinte ingressei na faculdade e conheci um rapaz, ele vinha de família muito religiosa e como não era muito bonito resolvi que iria seduzi-lo para poder induzir ao casamento pois eu sempre fui louca para ter o melhor vestido de noiva e sair nas colunas sociais como o casamento do ano, e principalmente para dar uma satisfação à sociedade de que não era mais mãe solteira.

Deu tudo certo, nós começamos a namorar e no ano seguinte estávamos casando, escolhi o vestido e todo tipo de ornamento mais caro e sofisticado que podia e minha mãe se certificou de que todos os colunistas sociais dos mais importantes jornais da região estariam presentes para fotografar e divulgar o “casamento do ano”.
Foi tudo muito lindo, mas francamente até hoje nem lembro o que eu disse ou o que o padre falou na cerimônia, meus padrinhos também eram espíritas e outro casal de padrinhos meus não eram casados.


Passei sete anos casada sem amar meu marido, sem frequentar a missa ou sequer acreditar nela e batizei meus filhos apenas pelo acontecimento social assim como minha mãe fez comigo. No final do sétimo ano meu pai faleceu repentinamente de infarto fulminante. Entrei em depressão e não saía da cama nem para comer, a empregada me levava tudo, cansada de estar casada com aquele homem nem ligava mais para ele e ele acabou me deixando sozinha com as crianças. A mãe dele pediu a guarda das crianças devido à minha condição, com aval do psiquiatra que consentiu afirmando que não tinha condições no momento de cuidar das crianças, conseguiu a guarda de meus filhos piorando mais ainda minha situação.


Passei dois anos sem meus filhos, vivendo de licença da escola onde lecionava e tentando suícidio. Até que um dia, por acaso assisti a Canção Nova e comecei a retomar as esperanças. Não ia ainda à missa mas voltei a rogar a Nossa Senhora que me ajudasse a reorganizar minha vida, pois não tinha mais condições de viver daquela maneira.


Em março de 2007 durante uma crise onde já estava inclusive com guia de internação ao hospital psiquiátrico, em meio aos prantos que rolavam por horas, ajoelhei em frente à imagem de Nossa Senhora que herdei de minha bisavó e roguei que ela fizesse um milagre com urgência para me livrar daquela situação, durante aquela semana voltei a rezar o Terço e exatamente uma semana depois conheci um rapaz chamado (…), que começou a gostar de mim, eu enfurecida, pois pensava que ele queria somente brincar comigo antes mesmo de aprofundar em qualquer assunto disse com raiva que era separada, mãe de três filhos, que não estavam mais comigo e que havia feito laqueadura para não ter mais filhos e nem mais sofrimento, e se ele pensava que iria brincar comigo estava enganado, pensando que ele ia sair correndo disse que se ele queria somente começar a me namorar teria que me pedir em namoro sério para casamento.

Qual foi minha surpresa maior quando ele disse que sim, que me aceitaria na condição que estava, que já nutria sentimento por mim e que iria se casar comigo tomando conta de mim e me ajudando a superar a depressão. Alguns meses depois ele me trouxe para a sua casa e nos casamos no cartório. A mãe dele muito católica começou a me levar as missas e me ensinar tudo que jamais pensei aprender um dia sobre o amor de Jesus e sobre a verdadeira e única igreja que é a católica.


Hoje faz dois anos que somos casados, minha sogra me trata como filha e jamais me destratou por não poder comungar nem ter filhos. Já conversei com o padre daqui e ele disse que procurasse alguma pessoa que pudesse me ajudar pois hoje com trinta anos ainda sou nova para continuar nessa situação de adultério e que segundo as leis canônicas, por ter me casado ignorando o sacramento do matrimônio e por motivos fúteis, poderia conseguir a nulidade ou o divórcio da primeira união conjugal.

Hoje rezo o terço todos os dias, rezo em frente ao Santíssimo pelo menos uma vez por dia, leio muito a bíblia e sempre acesso sites que ensinam sobre direito canônico, e frequento a missa com muita tristeza no coração por não poder mais tomar a Comunhão. Gostaria muito de poder evitar que outras mulheres cometessem o erro que cometi, mas não sei como. Meu maior desejo como humilde pecadora é poder voltar a receber a Hóstia e Comungar com Cristo, coisa que sempre desprezei e hoje dou tanto valor.


Estou com lágrimas escrevendo esse pedido de orientação e de ajuda ao senhor Doutor, junto à minha mãe Maria que se encontra aqui ao meu lado rogo ao senhor que mesmo sendo tão ocupado possa me orientar e me auxiliar a sair da condição de adultério que me encontro hoje pois não tenho e nem sei como fazer isso.
Agradeço sua atenção e fico com esperança de um contato do senhor.
Obrigada mais uma vez, que Jesus sempre ilumine seus caminhos e sua mente em prol da salvação de almas perdidas como a minha. 
 

 

16 Comentários

  1. Pingback: Tudo posso » Um testemunho que me comoveu

  2. Prezado Professor: Li o seu artigo sobre a mulher. tudo está muito estranho, a mídia tem optado por mostrar a mulher de forma degradante.Qdo vejo mulheres semi nuas mostrando o corpo de forma apelativa, chego só a uma conclusão:A mulher está se degradando. Tenho uma filha pequena e nós(meu marido e eu) estamos transmitindo a ela valores reais, para que ela cresça estude, tenha uma profissão e forme a sua familia, Seguindo os valores cristãos. rezo para que as pessoas se voltem para Maria e sigam seu exemplo.” Nada sem nós, nada sem vós”.

  3. Maria Cecilia

    ARRASOU!!!! Como o poder de Jesus é forte em nossas vidas. Essa mulher teve de sofrer para conhecer Jesus. Eu também passei por situação parecida. A dor me levou a conhecer meu amado Jesus, a crer no poder da oração e transformar, assim, toda minha família. Hoje sou muito feliz e me encontro com Jesus diariamente na Eucaristia material ou espiritual… JESUS SEJA LOUVADO!!!!

  4. Rosa Aparecida

    Deus te abençoe , tenha esperança pois semana passada fui a um casamento em que houve a noiva dentro da doutina e documentos catolicos consegui anular sempre pedindo a orienção de Nossa Senhora.

  5. Rosa Aparecida

    Paz e bem!

  6. A situação de adultério desta senhora foi a do primeiro casamento, porque adulterou (alterou, modificou…) o sentido do mesmo. Aí, sim, aconteceu adultério. A situação que vive hoje não configura nenhuma situação adúltera.Esta situação configura-se pura, aberta e amorosa.
    Seus pais não podem ser acusados, ainda que tenham influenciado a educação, de seus próprios limites. Conheço muitos matrimônios de não crentes perfeitamente equilibrados e que constituem um verdadeiro exemplo para os crentes.
    Por último, só está perdido(a) quem perde a sua alma, e esta senhora encontrou-a. Pare com o sentimento de culpa e recriminação; por vezes, somos os principais acusadores e carrascos de nós mesmos. Duas oportunidades tem o Homem: errar e corrigir o erro. Qualquer que seja o sentido que dê à sua vida, desde que firmado no amor e na felicidade do próximo, já é caminho de salvação.
    Que a Paz de Cristo e o Espírito do Pai a ajudem a remover os fardos que lhe restam.

  7. luiz claudio

    Deus te abençõe e com o amor de Maria consiga o que procura.

  8. Mauro Cristóvão

    Prof Felipe,

    o depoimento assima é de extrema ajuda para muitos que se encontram em situação semalhante.
    Peço antecipadamente a permissão para multiplica-lo.

    Paz e Bem

  9. Olá professor!
    Eu fiquei muito comovido com a História dessa mulher. E não é só porque a história dela em particular é triste, mas por ser um retrato das variadas famílias que se dizem católicas por esse Brasil a fora. Um caso é a minha que nunca me pregou de maneira correta a verdadeira face da Igreja. Apenas meus avós, que sempre foram muito frequentadores, me ajudaram na minha caminhada. Passei por muitos obstáculos na minha caminhada de católico. Já quase me tornei evangélico por enganos ao ler as sagradas escrituras, mas, com a graça de Deus, hoje verdadeiramente sou um católico e, acima de tudo um cristão verdadeiro com a luz de nossa amada Igreja.
    Na minha paróquia, como na maioria das paróquias da minha região, estamos enfrentando uma forte crise. Nosso padre está desmotivado. Imagine que na festa de nossa padroeira ele permite, não, obriga que a igreja venda bebidas em frente ao santuário. Também não deixa que a Igreja realize projetos sociais na comunidade. E aceita que a prefeitura ponha bandas infames em frente ao santuário. Pessoas bebem e se prostituem em frente ao nosso templo com o apoio do pároco. Sou ainda jovem. Tenho apenas 16 anos e não aceito que a pessoa que deveria me guiar espiritualmente aceite e concorde que nós, menores de idade, bebamos. Muitas vezes até em frente da sua casa. Com ele por perto olhando tudo.
    Quando chega a hora do sermão ele fala de nós jovens. Reclama de nossas atitudes, mas na hora de fazer a coisa acontecer ele fica só olhando. Entende? Melhor seria uma igreja mau cuidada do que uma igreja que perverte seus fiéis. O que o senhor acha que eu devo fazer? Conto com a sua ajuda!
    Muito Obrigado!!

  10. Ir. fabio Cr

    Parabens pela sua atitude de expor suas condiçoes, acredito fque esse é um grande passo para esse processo de coversão, de transformação de sua vida e reabilitação de sua pessoa. continue resando, participando da missa e estudando sobre a doutrina da Igreja. Quanto a sua nulidade creio não ser dificil alcansá-la pois vejo fque falta varios requisitos para que ele seja valido. Procure um padre canonista e abra o processo, alguns destes processos são bem rápidos, e acima de tudo continue resando que voce irá conseguir sua paz. Deus te abençoe e Nossa Senhora te proteja

  11. Sou mãe de gêmeas de 8 anos e menino de 9 anos, e como catequista sempre tentei chamar a familia pra participarem ativamente com seus filhos. Teu testemunho é a certeza daquilo que tenho falado sempre: “O exemplo dos pais arrasta o filho pro bom ou pro mau caminho, tornando um adulto inseguro e imaturo pra fé e futuro”.
    Acretite naquilo que seu coração grita pra ser feito, pois é Jesus quem fala e clama pra ti perceber sua presença na tua vida sempre.

  12. Zenilda Sena

    Infelismente, conheço várias pessoas que hoje estão na mesma condições que esta nossa irmã, estão em uma segunda união sem poder desfrutar da verdadeira felicidde Jesus Cristo.

  13. rosa maria

    Querida irmã em Cristo, Deus sempre completa a obra que Ele começou.Que o Espírito Santo te dê toda força e sabedoria; e que a Sagrada Família te conduz a nova vida que livremente você escolheu> Seu testemunho há de levantar muitos matrimônios considerados fracassados, mas também de orientação aos jovens que estão pensando em unir-se por meio do sacramento do matrimônio.
    Deus te abençoa.
    Manda-nos notícias através do blog do Professor Felipe, assim que tudo se resolver, pelas mãos de Nossa Senhora.

  14. Querida filha, lendo sua história de vida e onde você está hoje, só tenho que louvar e bendizer os cuidados da Virgem Santíssima na sua vida. Você está no caminho certíssimo e o que passou já está no mar da Divina Misericórdia. Como Santa Maria Madalena, seja seguidora de Jesus e com Nossa Senhora siga em frente e não tenha medo. O bondoso Jesus está e sempre estará com você e toda sua linda família. Ah! uma dica santa: Faça a Consagração ensinada por São Luiz Maria de Monfort a Nossa Senhora. É cura e salvação. Deus te abençoe! Ione

  15. Papa ressalta a “utilidade e a necessidade de uma sã discussão teológica na Igreja”.

    [H2Onews] Uma sã discussão teológica na Igreja é útil e necessária, “sobretudo quando as questões debatidas não foram definidas pelo Magistério”. Foi o que disse o Papa nesta manhã na catequese da audiência geral, dedicada ao confronto entre São Bernardo de Claraval, representante da teologia monástica, e o teólogo escolástico Abelardo. Um confronto aceso mas concluído com uma plena reconciliação, porque toda controvérsia teológica, sublinhou Bento XVI, deve também hoje visar a salvaguarda da fé da Igreja e fazer triunfar a verdade na caridade.

    O grave perigo da “teologia da razão” que tinha como paladino Abelardo, e submetia as verdades da fé ao exame crítico da razão, explicou o Papa, era intelectualismo, a relativização e a discussão das mesmas verdades da fé. Abelardo também considerava a intenção do sujeito como única fonte para analisar a bondade ou a malícia dos atos morais: uma subjetivação perigosa e semelhante, comentou Bento XVI, ao atual relativismo ético. Essas discussões, concluiu o Papa, devem, entretanto, evitar criar confusão nos fiéis simples e humildes, que correm o risco de ser desviados “por opiniões muito pessoais e por argumentações teológicas inconvenientes, que poderiam colocar em perigo a sua fé”.

    http://fratresinunum.com/2009/11/04/papa-ressalta-a-utilidade-e-a-necessidade-de-uma-sa-discussao-teologica-na-igreja/

  16. Prof Felipe,

    Eu fiquei emocionada com o testemunho de fé dessa filha de Deus. Como ela eu vivo um casamento de segunda união.Já fui ao aprofundamento sobre o assunto na CN, e lá conheci o Sr, que é exatamente como vemos na tv, sereno,inteligente, e muito abençoado. Foi muito esclarecedor. Mas a realidade nas comunidades é outra, existe o preconceito, a falta de informação até mesmo dos padres, que orientam até mesmo a comungarmos. Peço a Deus a unção da paciência, fé e sobre tudo manter-me na confiança de um dia melhor….
    Parabéns professor por fazer parte da minha vida,

  17. Oi, fui casada durante 2 anos, hj tenho um filho de 3 anos…Procurei sobre nulidade matrimonial a um ano e meio atras. E graças a Deus foi aceito eu estou muito feliz….continuo recebendo eucaristia, pois eu tento levar uma vida santa, ja tem um ano e 4meses que eu não tenho ninguem na mha vida…
    Que eu deixo é que casamento não é para ser decidido de qualquer maneira ou seja por causa de uma gravidez, ou seja um gosto de adolecencia,pois somos nós mesmo que fazemos nossos destinos, a vida é como nós pintamos….

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