A Bíblia deve ser interpreta pela Igreja Católica

 

O Papa Bento XVI reiterou com firmeza, em um encontro com
estudantes e professores do Pontifício Instituto Bíblico, em 26 out 2009, que apenas a Igreja Católica pode interpretar “autenticamente” a Bíblia. “À Igreja é destinado o trabalho de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita e transmitida, exercitando a sua autoridade em nome de Jesus Cristo”, defendeu o papa, ao se reunir com cerca de 400 estudantes, funcionários e docentes em comemoração aos cem anos da fundação da entidade pontifícia.

 

É o que está na Dei Verbum do Concílio Vaticano II:

“O ofício de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita ou transmitida15 foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja,16  cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo. Tal Magistério não está acima da Palavra de Deus, mas a seu serviço, não ensinando senão o que foi transmitido, no sentido de que, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo religiosamente ausculta aquelas palavras, santamente a guarda e fielmente a expõe. E deste único depósito da fé o Magistério tira tudo aquilo que nos propõe como verdade de fé divinamente revelada.”

 

O Papa também destacou que, sem a fé e a tradição da Igreja, a Bíblia torna-se um livro “lacrado”. “Se as exegeses querem ser também teologia, é preciso reconhecer que a fé da Igreja é aquela forma de simpatia, sem a qual a Bíblia torna-se um livro selado: a tradição não fecha o acesso à Escritura, mas, sobretudo, o abre”, disse.

 

De acordo com o pontífice, “por outro lado, é da Igreja, nos seus organismos institucionais, a palavra decisiva na interpretação da Escritura”, sendo esta “uma única coisa a partir de um único povo de Deus, que tem sido seu portador através da história”. “Ler a Escritura com união significa lê-la a partir da Igreja como seu lugar vital e creditar na fé da Igreja como a verdadeira chave da interpretação”.

O papa relembrou  que o aumento do interesse pelo livro sagrado católico no decorrer deste século ocorreu graças ao Concílio Vaticano II, especificamente à Constituição dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina.

Fonte:
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,papa-reafirma-que-so-igreja-catolica-pode-interpretar-a-biblia,456614,0.htm

Dom Redovino Rizzardo, cs
Bispo de Dourados/MS

A notícia é do dia 13 de outubro de 2009 e não deixou de causar perplexidade: enquanto as Igrejas Evangélicas no Brasil recolhem entre seus fiéis R$ 1.032.081.300,00 por mês, a Igreja Católica, que tem um número maior de adeptos espalhados pelo país, consegue um pouco mais da metade desse montante: R$ 680.545.620,00. Os números foram divulgados pelo “Instituto Análise”, após pesquisa realizada em 70 cidades brasileiras.
As Igrejas Evangélicas que mais arrecadam são as Pentecostais. Dentre elas, se distinguem a Assembleia de Deus e a Universal do Reino de Deus, com doações mensais que chegam a R$ 600 milhões. Cada crente oferece, em média, R$ 31,48 por mês, ou seja, mais do dobro do que os católicos deixam em suas paróquias: R$ 14,01. Mas os mais generosos parecem ser os fiéis das confissões conhecidas como “históricas”: luteranos, presbiterianos, batistas, etc., cujo dízimo mensal chega a R$ 36,03 por pessoa.

A pesquisa mostrou também que o número de católicos continua diminuindo em todo o país. No censo de 2000, eles eram 73,77% da população, e os evangélicos, 15,44%. Nove anos depois, os católicos caíram para 59%, e os evangélicos subiram para 23%. Nesse ritmo, tudo leva a crer que, em vinte anos, o Brasil já não será um país de maioria católica, mas evangélica.

Evidentemente, os números dizem muito, mas não tudo. Para realizar suas obras, Deus precisa de pessoas humildes e simples que, reconhecendo os próprios limites e fraquezas, se lançam em seus braços e o deixam agir. A esse respeito, é sintomática a advertência de Deus a Gedeão, que se preparava para enfrentar os madianitas com 32.000 soldados: «Tens gente demais para vencer Madiã» (Jz 7,2). No final, Gedeão ficou com apenas 300 amigos, mas o suficiente para Deus vencer. Foi também a lição que o rei Davi aprendeu após se deixar dominar pela tentação do poder: «Depois de fazer o recenseamento da população, a consciência de Davi pesou e ele disse: cometi um grave pecado» (2Sm, 24,10).

Com isso, não estou justificando a nova realidade da Igreja Católica no Brasil, agora que parece perder a sua hegemonia de majoritária que sempre foi. Até vinte ou trinta anos atrás, a sociedade brasileira se caracterizava pela homogeneidade e pela tradição. Em certo sentido, bastava ser brasileiro para ser católico. Hoje, pelo contrário, todos se sentem no direito de fazer suas próprias escolhas, inclusive religiosas, que podem ser diferentes e opostas dentro da mesma família.

Mas, para não fugir do título que dei ao artigo, por que os católicos perdem dos evangélicos quando se trata de meter a mão na carteira? A meu ver, a resposta é muito simples: o dízimo é sempre fruto de uma conversão pessoal. Quanto maior a conversão, maior a generosidade. Se alguém tem dúvidas, confira as conversões de Mateus e de Zaqueu. O encontro com Jesus causou neles um impacto tão forte, que lhes foi natural colocar seus bens materiais a serviço dos bens espirituais. Pelo contrário, o jovem rico não acolheu o convite de Jesus para segui-lo simplesmente porque, para ele, a religião não passava de observância dos mandamentos.

Haveria ainda outros motivos que explicam essa diferença, como, por exemplo, este fato: enquanto não poucos católicos se sentem autorizados a contestar sistematicamente a sua Igreja, considerando-a rica e opressora, raros são os evangélicos que acusam seus pastores de malversação do dinheiro arrecadado. Até mesmo quando a imprensa teima em descobrir falcatruas em algumas denominações cristãs, eles preferem não julgar nem condenar. O que lhes importa é converter o Brasil para Cristo e libertar as pessoas do pecado, da doença e da pobreza. Para essa conversão geral do povo, nada impede que parte do dízimo seja direcionada até mesmo para a eleição de políticos comprometidos com a causa.

Se a Igreja Católica conseguisse proporcionar com mais vigor a seus fiéis um encontro vivo e diário com Deus-Amor, tenho por mim que acabaria sendo uma das instituições mais ricas do mundo. E eu não teria tantas preocupações por não conseguir levar adiante obras que há anos estão em compasso de espera por falta de verbas… Mas, já que perguntar não ofende, até que ponto as riquezas favorecem ou prejudicam as Igrejas e os cristãos em sua missão de fermento na sociedade? Não foi justamente essa uma das desilusões sofridas pelo próprio Jesus, ao reconhecer: «A minha casa é casa de oração, mas vós a transformastes num covil de ladrões» (Mt 21,13)?

FONTE: Diocese de Dourados/MS

A Igreja sempre estimou a Sagrada Escritura, juntamente com a Tradição apostólica, como fonte de fé. A leitura pública da Bíblia sempre foi usada na celebração dos Sacramentos; e, de modo especial na Eucaristia.

Aconteceu, porém, que algumas circunstâncias da história levaram algumas vezes as autoridades eclesiásticas a vigiar sobre o uso da Bíblia, especialmente na Idade Média.

A heresia dos Cátaros ou Albigenses, que, abusavam da Bíblia, obrigou os Padres dos concílios regionais de Tolosa (1229) e Tarragona (1234) a proibir provisoriamente aos cristãos leigos a leitura da Bíblia, para não serem enganados.

Por causa dos erros de J. Wicleff, o sínodo regional de Oxford (1408) proibiu as edições da S. Escritura que não tivessem aprovação eclesiástica porque os hereges deturpavam o texto sagrado.

Fica claro que a Igreja não proibiu a leitura da Bíblia, mas a leitura de edições deturpadas da Bíblia, como faz ainda hoje. Estas medidas não visavam impedir a propagação da Bíblia. Por exemplo, na Alemanha, o primeiro livro impresso por Gutenberg foi a Bíblia em dois volumes (1453-1456). Até 1477 saíram cinco edições da Escritura em alemão; de 1477 a 1522, houve nove edições novas (sete em Augsburgo, uma em Nürenberg e uma em Estrasburgo); de 1470 a 1520 apareceram cem edições de “Plenários”, isto é, livros que continham as epístolas e os evangelhos de cada domingo. Isto bem mostra como a Igreja estava longe de querer, em circunstâncias normais da vida cristã, restringir o estudo da Bíblia.

No séc. XVI, quando Lutero e os seus discípulos, fizeram da Escritura a “única fonte de fé”, donde tiravam suas inovações doutrinárias, os pastores da Igreja foram obrigados a tomar medidas necessárias para que o povo católico não fosse enganado pelas novas edições da bíblia protestante. Por exemplo, Lutero quando  traduziu a Bíblia para o alemão, acrescentou várias palavras que não se encontravam no original grego, como, p.ex., em Rm 3,28, onde ele diz que o “homem é justificado somente pela fé”: a palavra somente não se encontra no original grego. Esta palavra foi acrescentada para fundamentar a sua causa… Mas altera a Palavra de Deus.

Isto obrigou a Igreja católica a restringir o uso das versões bíblicas não autorizadas.  Por isso, o Papa Pio IV, em 24 de março de 1564, na bula “Dominici gregis” (regra 4ª), determinou que o uso de traduções vernáculas da Sagrada Escritura ficava reservado aos fiéis que, a juízo do respectivo bispo ou de algum oficial com proveito, para a sua fé e piedade. Em Portugal, os reis católicos, fieis a Igreja, já haviam antecipadamente tomado essas  medidas.

As restrições eram apenas para as traduções vernáculas, ficando o texto latino da Vulgata de uso livre para todos os fiéis. Não há dúvida, no séc. XVI, período de confusão religiosa e de inovações protestantes, mais ou menos subjetivas, a leitura da Bíblia podia constituir perigo para os fiéis não preparados.

Após esta fase os Papas voltaram a estimular a leitura da Bíblia. Pio VI (1775-1799) escreveu ao arcebispo A. Martini, editor de uma tradução italiana do texto bíblico, numa época em que os católicos ainda hesitavam sobre a oportunidade de tal obra:
“Vossa Excelência procede muito bem recomendado vivamente aos fiéis à leitura dos Livros Sagrados, pois são fontes particularmente ricas, às quais cada um deve ter acesso”.

S. Pio X (1903-1914) em carta ao cardeal Cassetta declarava:
“Nós, que tudo queremos instaurar em Cristo, desejamos com o máximo ardor que nossos filhos tomem o costume de ler os Evangelhos, não dizemos freqüentemente, mas todos os dias, pois é principalmente por este livro que se aprende como tudo pode e deve ser instaurado no Cristo… O desejo universalmente esparso de ler o Evangelho, provocado por vosso zelo, deve ser secundado por Vós, na medida em que se aumentar o número dos respectivos exemplares. E Oxalá jamais sejam propalados sem sucesso! Tudo isso será útil para dissipar a opinião de que a Igreja se opõe à leitura da Escritura Sagrada em língua vernácula ou lhe suscita alguma dificuldade” (Revista PR, Nº 11, Ano 1958, Página 452).

Os Pontífices subseqüentes, principalmente Bento XV e Pio XII, muito incentivaram o estudo científico da Bíblia como o uso da mesma na vida de piedade.

Pela História da Igreja podemos ver com clareza a sua transcendência e divindade. Nenhuma instituição humana sobreviveu a tantos golpes, perseguições, martírios e massacres durante 2000 mil anos; e nenhuma outra instituição humana teve uma seqüência ininterrupta de governantes. Já são 266 Papas desde Pedro de Cafarnaum.  Esta façanha só foi possível porque ela é verdadeiramente divina; divindade esta que provém Daquele que é a sua Cabeça, Jesus Cristo. Ele fez da Igreja o Seu próprio Corpo (cf. Cl 1,18), para salvar toda a humanidade.

Podemos dizer que, humanamente falando, a Igreja, como começou, tinha tudo para não dar certo. Ao invés de escolher os “melhores” homens do Seu tempo, generais, filósofos gregos e romanos, etc., Jesus preferiu escolher doze homens simples da Galiléia, naquela região desacreditada pelos próprios judeus. “Será que pode sair alguma coisa boa da Galiléia?” Isto, para deixar claro a todos os homens, de todos os tempos e lugares, que “todo este poder extraordinário provém de Deus e não de nós” (2Cor 4,7); para que ninguém se vanglorie do serviço de Deus.

Aqueles Doze homens simples, pescadores na maioria, “ganharam o mundo para Deus”, na força do Espírito Santo que o Senhor lhes deu no dia de Pentecostes. “Sereis minhas testemunhas… até os confins do mundo”(At 1, 8). Pedro e Paulo, depois de levarem a Boa Nova da salvação aos judeus e aos gentios da Ásia e Oriente Próximo, chegaram a Roma, a capital do mundo, e ali plantaram o Cristianismo para sempre. Pagaram com suas vidas sob a mão criminosa de Nero, no ano 67, juntamente com tantos outros mártires, que fizeram o escritor cristão Tertuliano de Cartago (†220) dizer que: “o sangue dos mártires era semente de novos cristãos”. Estimam os historiadores da Igreja em cem mil mártires nos três primeiros séculos.  Talvez isto tenha feito os Padres da Igreja dizerem que “christianus alter Christus” (o cristão é um outro Cristo), que repete o caminho do Mestre.

Mas estes homens simples venceram o maior império que até hoje o mundo já conheceu. Aquele que conquistou todo o mundo civilizado da época, não conseguiu dominar a força da fé. As perseguições se sucederam com os Césares romanos: Décio, Domiciano, Trajano, Dioclesiano, Valeriano, etc…, até que Constantino, cuja mãe se tornara cristã, Santa Helena, se converteu ao Cristianismo. No ano 313 ele assinava o edito de Milão, proibindo a perseguição aos cristãos, depois de três séculos de sangue. E nem mesmo o imperador Juliano, o apóstata, conseguiu fazer recuar o cristianismo, e no leito de morte exclava: “Tu venceste, ó galileu!”.

O grande Império se curvou diante da Cruz, disse Daniel Rops. A marca impressionante desta Igreja invencível e infalível, esteve sempre na pessoa do sucessor de Pedro, o Papa. Os Padres da Igreja cunharam aquela frase que ficou célebre: “Ubi Petrus, ibi ecclesia; ubi ecclesia ibi Christus” (Onde está Pedro, está a Igreja; onde está a Igreja está Cristo).
“Tu és Pedro; e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja… e as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).

Depois da perseguição romana, vieram as terríveis heresias. Já que o demônio não conseguiu destruir a Igreja, a partir de fora, tentava agora fazê-lo a partir de dentro. De alguns patriarcas das grandes sedes da Igreja, Constantinopla, Alexandria, Antioquia, Jerusalém, e outras partes , surgiam as falsas doutrinas, ameaçando dilacerar a Igreja por dentro. Eram o gnosticismo, o pelagianismo, o maniqueísmo, o macedonismo, nestorianismo, jansenismo, quietismo, etc.. Mas o Espírito Santo incumbiu-se de destruir todas elas,  e o barco da Igreja continuou o seu caminho até nós.

Os grandes defensores da fé e da sã doutrina, foram os “Padres” da Igreja: Inácio de Antioquia (†107), Clemente de Roma (†102), Ireneu de Lião (†202),  Cipriano de Cartago(† 258), Hilário de Poitiers (†367), Cirilo de Jerusalém (†386), Anastácio de Alexandria (†373), Basílio Magno (†379), Gregório de Nazianzo (†394), Gregório de Nissa (†394), João Crisóstomo de Constantinopla (†407), Ambrósio de Milão (†397), Agostinho de Hipona (†430), Jerônimo (420), Éfrem (†373), Paulino de Nola (†431), Cirilo de Alexandria (†444), Leão Magno (†461), e tantos outros que o Espírito Santo usou para derrotar as heresias nos diversos Concílios dos  primeiros séculos.

Cristo deixou a Sua Igreja na terra como “a coluna e o sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15). Todas as outras igrejas cristãs são derivadas da Igreja Católica; as ortodoxas romperam em 1050; as protestantes em 1517; a anglicana, em 1534, etc. E a lista  vai longe e se multiplica em nossos dias.

Depois que desabou o Império Romano do ocidente, coube à Igreja o papel de mãe destes filhos abandonados nas mãos dos bárbaros. S.Leão Magno, Papa e doutor da Igreja, enfrentou Átila, rei dos hunos, às portas de Roma, e impediu que este bárbaro, o “flagelo da História”, destruísse Roma; o mesmo fez depois com Genserico. Aos poucos a Igreja foi cristianizando os bárbaros, até que o rei e a rainha dos francos, Clovis e Clotilde, recebessem o batismo no ano 500. Era a entrada maciça dos bárbaros no cristianismo. Papel importantíssimo nesta conquista lenta e silenciosa coube aos monges e seus mosteiros espalhados em toda a Europa, especialmente os beneditinos, que preservaram a cultura do ocidente.

Mais adiante, no Natal do ano 800, na Catedral de Reims, na França, o rei franco Carlos Magno era coroado pelo Papa, e restabelecia-se o  Império Romano, mas agora Sagrado. Os bárbaros se renderam à fé de Cristo. Isto foi possível graças aos milhares de envangelizadores que percorreram toda a Europa anunciando a salvação trazida por Jesus ao mundo: S. Patrício, S. Columbano, S. Bonifácio, e tantos outros gigantes da fé. E onde a semente do Evangelho  ia sendo lançada, logo em seguida, em toda parte, era regada com o sangue dos mártires.
.
Em toda a Idade Média imperou a marca do cristianismo na Europa. Aspirava-se e respirava-se a fé. Surgiram as Catedrais como a bela expressão da fé e do louvor a Deus; as Cruzadas ao Oriente no zelo de libertar a Terra Santa profanada; as Universidades cristãs, Bolonha, Sorbonne, Oxford, Cambridge, Salamanca, Coimbra, etc, todas fundadas pela Igreja de Cristo.

Mas a fé sempre esteve ameaçada; nos tempos modernos levantaram-se contra a Igreja as forças iluminismo deista, do materialismo, do comunismo, do nazismo, e todos eles fizeram milhares de mártires cristãos, especialmente neste triste século vinte que chega ao fim marcado por tantas ofensas ao Criador.

Stalin, o ditador soviético, responsável por cerca de 30 milhões de mortos,  para desafiar a Igreja, perguntou quantas legiões de soldados tinha o Papa; é pena que não sobrevivesse para ver o que aconteceu com o comunismo e com o seu Muro de Berlim. Mas a Igreja continua como nunca, até o final da História, quando Cristo voltará para assumir a Sua Noiva. Serão as Bodas definitivas e eternas do Cordeiro com a Sua Igreja.

Nenhuma Instituição humana nesses dois mil anos cuidou tanto da humanidade, fez e faz tanta caridade, espalhou e espalha tanto amor. Nunca uma Instituição cuidou tanto das ciências, das artes, da música, da arquitetura, do direito, da economia, da medicina, da astronomia, da matemática, etc.

Então, é de se perguntar: por que, voltam-se contra ela tantas forças tenebrosas, num laicismo anti-católico indisfarçável? Penso que seja porque ela continua pregando com coragem os Mandamentos do seu Senhor: não matar, não roubar, não prostituir, não voltar aos tempos de Sodoma e Gomorra… As trevas não suportam o brilho da Luz.

No Sínodo dos Bispos, em 1980, sobre a família, os Bispos apontaram os pontos mais preocupantes: “a proliferação do divórcio e do recurso a uma nova união por parte dos mesmos fiéis; a aceitação do matrimônio meramente civil, em contradição com a vocação dos batizados “a casarem-se no Senhor” (1 Cor7, 39), a celebração do matrimônio sem uma fé viva, mas por outros motivos; a recusa das normas morais que guiam e promovem o exercício humano e cristão da sexualidade no matrimônio” (FC,7).

Na Carta ás Famílias, escrita em 1994, no Ano da Família, o Papa João Paulo II disse:
“Nos nossos dias, infelizmente, vários programas sustentados por meios muito poderosos parecem apostados na desagregação da família. Às vezes até parece que se procure, de todas as formas possíveis, apresentar como “regulares” e atraentes, conferindo-lhes externas aparências de fascínio, situações que, de fato, são “irregulares”…  Fica obscurecida a consciência moral, aparece deformado o que é verdadeiro, bom e belo, e a liberdade acaba suplantada por uma verdadeira e própria escravidão”(CF, 5).

Mostrando que a mentalidade consumista e antinatalista é uma ameaça à família, o Papa diz:
“…uma civilização, inspirada numa mentalidade consumista e antinatalista, não é uma civilização do amor e nem o poderá ser nunca. (FC 13). Mostrando os riscos que o “amor livre” e o “sexo seguro” representa hoje para a família, o Papa adverte:
“O chamado “sexo seguro”, propagandeado pela civilização técnica, na realidade é, sob o perfil das exigências globais da pessoa, ‘radicalmente não seguro’, e mais, gravemente perigoso.

“Sem dúvida, contrário à civilização do amor é o chamado “amor livre”, tanto mais perigoso por ser habitualmente proposto como fruto de um sentimento “verdadeiro”, quando, efetivamente destrói o amor. Quantas famílias foram levadas à ruína precisamente por causa do “amor livre”! … Mas não se tomam em consideração todas as conseqüências que daí derivam, especialmente, quando além do cônjuge, devem pagá-los os filhos, privados do pai ou da mãe e condenados a serem, de fato, ‘órfãos de pais vivos’ ” (CF, 14).
Quando, em 1994, justo no Ano da Família (pasmem!), o Parlamento Europeu, tristemente, reconheceu a validade jurídica dos matrimônios entre homossexuais, até admitindo a adoção de crianças por eles, o Papa João Paulo II, reagiu de maneira forte e  imediata:
“Não é moralmente admissível a aprovação jurídica da prática homossexual. Ser compreensivos para com quem peca, e para com quem não é capaz de libertar-se desta tendência, não significa abdicar das exigências da norma moral…Não há dúvida de que estamos diante de uma grande e terrível tentação” (20/02/94).

O pior problema, hoje, das famílias desestruturadas, não é de ordem financeira, mas moral. Quando os pais têm caráter, fé, ou como o povo diz, “tem vergonha na cara”, por mais pobre que seja, será capaz de impedir a destruição do seu lar. São inúmeros os casais  pobres, mas que com uma vida honesta, de trabalho e honradez, educaram muitos filhos e formaram bons cristãos e honestos cidadãos.

Não consigo aceitar a desculpa de um pai que afirma que a sua família se destruiu por causa da sua pobreza. Sempre haverá alguém com o coração aberto para ajudar a um pai trabalhador, especialmente quando este tem filhos para criar.

Na Exortação Apostólica Familiaris Consórtio (Sobre a Família), o Papa João Paulo II apontou os graves perigos que ameaçam hoje a família: “Não faltam sinais de degradação preocupante de alguns valores fundamentais: uma errada concepção teórica e prática da independência dos cônjuges entre si; as graves ambiguidades acerca da relação de autoridade entre pais e filhos … o número crescente dos divórcios; a praga do aborto; o recurso cada vez mais freqüente à esterilização; a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva” (FC, 6).

A Declaração do Rio de Janeiro sobre a Família,  que traz as conclusões do Congresso Teológico-Pastoral, realizado de 1 a 3 de outubro, denunciou:  ” A família está sob a mira de ataque em muitas nações. Uma ideologia anti-família tem sido promovida por organizações e indivíduos que, muitas vezes, não obedecem princípios democráticos” (1.1).

“Temos testemunhado uma guerra contra a família, em nível tanto nacional quanto internacional. Nesta década, em Conferências das Nações Unidas, têm sido vistas tentativas para “desconstruir” a família, de forma que o sentido de “casamento”, “família” e “maternidade” é agora contestado. Tem sido estabelecida uma falsa posição entre os direitos da família e os de seus membros individuais. Sob o nome de liberdade, têm sido promovidos “direitos sexuais” espúrios e “direitos de reprodução”. Entretanto, estes direitos estão, de fato, principalmente, a serviço do controle populacional. São inspiradas em teorias científicas em descrédito, num feminismo ultrapassado e numa mal direcionada preocupação com o meio ambiente” (1.2).

“Uma linha social-materialista, ao lado do egoísmo e da responsabilidade, contribui para a dissolução da família, deixando uma multidão de vítimas indefesas. A família está sofrendo com a desvalorização do casamento através do divórcio, da deserção e da coabitação… Tanto a violência contra as mulheres aumenta, como a violência do aborto; o infanticídio e a eutanásia calam fundo no coração da família. Na verdade, as famílias de hoje estão ameaçadas por uma sub-reptícia cultura da morte” (1.4).

“A dissolução da família é uma das maiores causas da pobreza em muitas sociedades…”(1.5). “A família é o “santuário da vida”. Seu compromisso com a proteção e a nutrição da vida, desde o momento da concepção, é preenchido verdadeiramente através da paternidade responsável” (3.3).

Estas alertas do Papa e do Congresso Teológico são seríssimos, e devem colocar cada cristão em prontidão para uma verdadeira cruzada em defesa da família, ameaçada até pela ONU!