Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju.

 

Ter, 09 de Fevereiro de 2010

 

Recente estudo, apresentado na PUC de São Paulo, dá conta que a cada ano, no Brasil, a Igreja católica perde 1% de seus fiéis. Há gente muitíssimo preocupada com isso. É bom mesmo! Gostaria de partilhar com você, caro Visitante, alguns pensamentos sobre esta realidade.

 

(1) É necessário, antes de tudo, compreender que parte deste fenômeno é típico de nossa época e, neste sentido, não podemos fazer nada para detê-lo. Pela primeira vez na história humana a população mundial é preponderantemente urbana, vivendo num intenso processo de massificação, desenraizamento cultural e despersonalização, pressionada por uma gama desumanizante de informação. Os meios de comunicação, com sua incrível força de penetração, e o excesso de idéias em circulação desestabilizam os valores das pessoas e das sociedades de modo nunca antes imaginado. Esse fenômeno faz com que se perca o sentido e o valor da tradição. Não faz muito tempo, cada pessoa era situada em relação à sua família à sua comunidade. O indivíduo sabia quem era, de onde vinha, quais seus valores, qual seu universo existencial… Agora, isso acabou: cada um se sente só, numa corrida louca para ser feliz a qualquer custo, iludido, pensando que os valores dos antepassados e do seu grupo só são valores se interessarem a si próprio, individualmente: é verdade o que é verdade para mim; é bom o que realiza meus desejos e expectativas; cada um é a medida do bem e do mal. É triste, mas cada pessoa acha que tem o direito e o dever de começar do zero e “redescobrir a roda”, de fabricar sua receita de felicidade, determinando de modo autônomo o que é certo e o que é errado, o que é bom e o que não é. Isto é pura loucura, mas é assim! E lá vamos nós, gritando: “Eu tenho o direito de ser feliz; a vida é minha e faço como eu quero. Eu decido o que é certo e o que é errado…”

 

(2) No tocante à religião, o homem da sociedade consumista e hedonista do Ocidente não está à procura da Verdade, mas sim do bem-estar. A sociedade ocidental já não crê que se possa atingir a Verdade e viver na Verdade. Agora há somente a vardadezinha de cada um, feita sob medida: é “verdade para mim” o que me faz sentir bem, o que resolve minhas necessidades imediatas. Religião não é mais questão de aderir à Verdade que dá sentido à existência, mas sim de entrar num grupo que resolva meus problemas afetivos, emocionais, de saúde e até materiais… Religião não é um modo de servir a Deus e nele me encontrar, mas um modo de me servir de Deus para resolver minhas coisas… Como diz o Edir Macedo, a Bíblia é uma ferramenta para se conseguir aquilo que se quer! Vivam RR Soares, Edir Macedo e companhia…

 

(3) A urbanização violenta e massificante faz com que as pessoas busquem refúgio em pequenos grupos que lhes proporcionem aconchego e segurança. Por isso as seitas atraem tanto: elas criam um diferencial entre mim e o mundo cão; dão-me a sensação de estar livre do monstro da desumanização, do anonimato, da nadificação…

Veja bem, meu Leitor, que contra esta realidade a Igreja não pode fazer muito. A multidão continuará presa das idéias desvairadas dos meios de comunicação; a busca do bem-estar egoístico continuará fazendo as pessoas buscarem a religião como um refúgio e um pronto socorro e, finalmente, a busca de se sentir alguém, fará as pessoas procurarem pequenos grupos nos quais se sintam acolhidas e valorizadas.

 

Mas, por que este fenômeno atinge sobretudo os católicos? Por vários motivos:

 

a) Somos a massa da população brasileira e não temos como dar assistência pastoral personalizada a todos os fiéis. Isso seria praticamente impossível, mesmo que tivéssemos o triplo do número de padres e agentes de pastoral…

 

 

 

b) Historicamente, nossa catequese deixou muito a desejar e nas últimas décadas piorou muito: é uma catequese de idéias vagas, mais ideológica que propositiva, ambígua, que não tem coragem de apresentar a fé com todas as letras, sua simplicidade, clareza, concisão e pureza… Ao invés, apresenta a opinião deste ou daquele teólogo… Assim, troca-se a clareza e simplicidade da fé católica (como o Catecismo a apresenta) por complicadas e inseguras explicações, fazendo a fé parecer uma questão de opinião e não uma certeza que vem de Deus; algo acessível a especialistas letrados e não aos simples mortais. Céu, inferno, anjos, diabo, purgatório, valor da missa, doutrina moral – cada padre diz uma coisa, cada um acha que pode construir sua verdade… Tudo tende a ser relativizado… Uma religião assim não segura ninguém e não atrai ninguém. Religião é espaço de experimentar a certeza que vem de Deus, não as dúvidas e vacilações dos tateamentos das opiniões humanas. É preciso que as opiniões cedam lugar à certeza da fé da Igreja!

 

c) No Brasil há, desde os anos setenta, uma verdadeira anarquia litúrgica, ferindo de morte o núcleo da fé da Igreja. Bagunçou-se de tal modo a liturgia, inventou-se tanta moda, fez-se tanta arbitrariedade, que as pessoas saem da missa mais vazias que o que entraram. A missa virou o show do padre ou o show “criativo e maravilhoso” da comunidade. A missa tornou-se auto-celebração… Mas, as pessoas não querem show, criatividade nem bom-mocismo; as pessoas querem encontrar Deus nos ritos sagrados! Hoje, infelizmente, celebra-se com mais respeito e seriedade um culto protestante ou um toque da umbanda que uma missa católica! No culto não se inventa, na umbanda não se inventa; na liturgia da Igreja do Brasil, o clero se sente no direito absurdo de inventar! Isso é um gravíssimo abuso e uma tirania sobre a fé do povo de Deus! É muita invenção, é muita criatividade fajuta. Bastaria abrir o missal e celebrar com devoção e unção, cumprindo as normas litúrgicas…

 

d) A Igreja no Brasil, em nome de uma preocupação com o social (que em si é necessária e legítima) descuidou dos valores propriamente religiosos e muitas vezes fez pouco da religiosidade popular (quantas vezes se negou uma bênção, uma oração de cura, a administração de um sacramento, uma procissão com a presença do padre, o valor de uma novena e de uma romaria…). Ora, hoje o mercado de religião é diversificado: se o padre não sabe falar de Deus, o pastor sabe; se na homilia não se prega a palavra, mas se a instrumentaliza política e ideologicamente, o pastor prega a palavra; se o padre não dá uma bênção, o pastor dá… Infelizmente, às vezes, tem-se a impressão que a Igreja é uma grande ONG, preocupada com um monte de coisas e não muito atenta a pregar Jesus Cristo e a sua salvação… Não se vê muito nossos padres e freiras apaixonados por Cristo e pelo Evangelho. Fala-se muito em valores do Reino, compromisso cristão, etc… Isso não encanta! Quem encanta, atrai, comove, converte e dá sentido a vida é uma Pessoa: Jesus Cristo!

 

e) Outra triste realidade é o processo de dessacralização. Parece que o clero e os religiosos perderam o sentido do sagrado. Adeus ao hábito religioso, adeus à batina, adeus ao ckergyman, adeus à oração fiel e obediente da Liturgia das Horas, adeus ao terço diário (“para que terço?”), adeus ao ethos, isto é, àquele conjunto de realidades, de modo de ser e de viver que fazia com que o povo reconhecesse o padre como padre, o religioso como religioso, a freira como freira. Parece que se faz questão de transgredir, de chocar, de desnortear a expectativa do povo, de negar a identidade… Hoje tudo é ideologizado: a pobreza é “espiritual” e não real, material, concreta; assim também a obediência, a vida mística, a penitência e a mortificação e, muitas vezes, os votos e compromissos… Tem-se, portanto, uma religião cerebral e não encarnada na carne da vida, da existência concreta material… E nada mais anti-cristão que um cristianismo cerebral…

 

f) Nossas comunidades são meio frias; nossos padres não têm muito tempo. Não temos leigos capacitados para uma pastoral da acolhida, que faça com que nossas igrejas estejam abertas e tenham pessoas para ouvir, aconselhar, consolar… Infelizmente, ainda que não queiramos, às vezes a Igreja parece uma grande repartição pública e impessoal… A paróquia somente terá futuro como cadeia de comunidades vivas e aconchegantes, nas quais se façam efetivamente a experiência da proximidade de Deus e dos irmãos…

 

g) As homilias em nossas missas são chatas e moralizantes: só dizem que devemos ser bonzinhos, justos, honestos… A homilia deveria ser anúncio alegre da Palavra que comunica Jesus e sua salvação, tal como a Igreja sempre creu, celebrou e anunciou. A homilia deve ainda ser fruto de uma experiência de Deus; somente assim reflete um testemunho e não um exercício de propaganda. A fé que devemos anunciar é a fé da Igreja, não nossas teorias e nossas idéias estapafúrdias… Isso desnorteia e destrói a fé do povo de Deus. Por que alguém seria católico se nem os ministros da Igreja acreditam realmente na sua doutrina e na sua moral? Os padres nisso têm uma imensa responsabilidade e uma imensa parcela de culpa!

 

Sinceramente, penso que o número de católicos diminuirá mais e drasticamente. Mas, não devemos nos assustar. Veja, caro Visitante, e pense:

 

1. O cristianismo nunca deveria ser uma religião de massa. A fé cristã deve nascer de um encontro pessoal e envolvente com Cristo Jesus. Somente aí é que eu posso abraçar o ser cristão com todas as suas exigências de fé e de moral. Nós estamos vendo o fim do cristianismo de massa, que começou com o Edito de Milão, em 313 e com o batismo de Clóvis, rei dos francos e de todo o seu povo, na Alta Idade Média. No Brasil, esse cristianismo de massa começou com a colonização e o sistema do padroado. Aí, ser brasileiro e ser católico eram a mesma coisa. Ora, será que pode mesmo haver conversão de massa no cristianismo?

 

2. A Igreja voltará a ser um pequeno rebanho, presente em todo o mundo, mas com cristãos de tal modo comprometidos com o Evangelho, de tal modo empolgados com Cristo, de tal modo formando comunidades de vida, oração, fé e amor fraterno, que serão um sinal, uma luz, uma opção de vida para todos os povos da terra. Era isso que os Padres da Igreja desejavam: não que todos fossem cristãos a qualquer custo, mas que os cristãos fossem, a qualquer custo, cristãos de verdade, sal da terra e luz do mundo, entusiasmados por Cristo e por sua Igreja católica.

 

3. O fato de sermos minoria e mais coerentes com o Evangelho, nos fará diferentes do mundo e redescobriremos a novidade e singularidade do ser cristão. Isso nos fará atraentes para aqueles que buscam com sinceridade a Luz e a Verdade. Por isso mesmo, a Igreja não deve cair em falsas soluções de um cristianismo frouxo e agradável ao mundo, de uma moral ao sabor da moda, de um ecumenismo compreendido de modo torto e de um diálogo religioso que coloque Cristo no mesmo nível das outras tradições religiosas. Ecumenismo e diálogo religioso sim, mas de acordo com a fé católica! O remédio para a crise atual e o único verdadeiro futuro da Igreja é a fidelidade total e radical a Cristo, expressa na adesão total à fé católica.

 

4. É imprescindível também melhorar e muito a formação dos nossos padres e religiosos. Como está, está ruim. Precisamos de padres com modos de padres e religiosos com modos de religiosos; precisamos de padres e religiosos bem formados humana, afetiva, teológica e moralmente. O padre e o religioso são pessoas públicas e devem honrar a imagem da Igreja e o nome de cristãos; devem saber portar-se ante o mundo, as autoridades e a sociedade. Nisso tem havido grave deficiência no clero e nos religiosos do Brasil…

 

É importante perceber que, apesar de diminuir o número de católicos, nunca as comunidades católicas foram tão vivas, nunca os leigos participaram tanto, nunca se sentiram tão Igreja, nunca houve tantas vocações. Muitas vezes, os leigos são até mais fervorosos e radicais (no bom sentido) que padres e religiosos. A Igreja está viva, a Igreja é jovem, a Igreja continua encantada por Cristo! O clero e os religiosos deveriam deixar de lado as ideologias, as teorias pouco cristãs e nada católicas defendidas em tantos cursos de teologia e livros muito doutos e pouco fiéis, e serem mais atentos ao clamor do povo de Deus e aos sinais dos tempos – sinais de verdade, que estão aí para quem quiser ver, e não os inventados por uma teologia ideologizada de esquerda! Além disso, é necessário considerar que a Igreja não é nossa: é de Cristo. Ele a está conduzindo, a está purificando, a está levando onde ele sabe ser o melhor para que seu testemunho seja mais límpido, coerente e puro. Nós temos os nossos caminhos, Deus tem os dele; temos os nossos planos e modos que, nem sempre, coincidem com os do Senhor. Pois bem, façamos a nossa parte. Deus fará o resto!

 Isso é o que eu penso, sinceramente, e com todo o meu coração.

 

www.pehenrique.com

http://www.domhenrique.com.br/index.php/analises/795-a-situacao-da-igreja-uma-ameaca-uma-chance

 

11 Comentários

  1. Socorro Reis

    Professor Felipe Aquino, também abracei a carreira de professora, e o texto do seu blog está excelente, só veio elucidar quando sou questionada. Muito obrigado.

    Socorro Reis

  2. joao duarte ribeiro

    Professor, alguns Padres da Cançao nova deveriam ler este artigo.

  3. Andrea Horto Martins

    Parabéns pela postagem ! Mais uma vez, o Professor Felipe Aquino nos brinda com assuntos de extrema relevância para os Católicos. Que Deus o abençõe !

  4. Sergio Ricardo

    Que Nossa Senhora Auxiliadora destrua todas as heresias em todo o mundo. Viva o Papa.

  5. Prof. Felipe Aquino!
    que belíssimo texto de D. Henrique, irretocável. Digno de divulgação e muita divulgação. Que bom o Sr. tenha colocado em seu BLOG tão lido e relido neste Brasil e mundo afora. D. Henrique assim com Pe. Paulo Ricardo são grandes homens da Igreja. O sr. poderia bem que levar D. Henrique na Escola da Fé, hein, segue aqui uma sugestão… o blog dele, VISÃO CRISTÃ, é excelente também, assim como o SITE dele, que, inclusive, tem disponível muitas de suas pregações. Obrigado pelo presente prof. Felipe! Afetuosamente, WAGNER – Três Rios-RJ

  6. Maravilhoso e bem discernido artigo, a respeito das debilidades e riquezas do filhos da Igreja. Que o nosso coração se converta a cada dia, para ouvir obediente e humildemente a Santa Igreja, e sejamos coerentemente apaixonados por Jesus e pela ortodoxia católica!

  7. Diego Araujo

    Boa noite professor Felipe Aquino.

    Fico impressionado com toda a sabedoria que Deus o deu para comunicar as pessoas a Boa Nova de Jesus Cristo e o que a Igreja defende. Gostaria de ter a oportunidade de sanar uma dúvida. Pesquisando na internet me deparei com um site da ordem religiosa Igreja Vétero Católica do Brasil, gostaria de saber se essa ordem é reconhecida pelo Vaticano e pela CNBB?
    Ela é uma seita que cópia as ideologias da Igreja Católica, mais não segue a doutrina da Santa Sé?

    Essa é mais uma igreja daquelas que são fundadas todos os dias em inúmeras cidades do Brasil?

    O que o senhor poder falar para orientar esse filho de Deus, sobres tais seitas que confundem os ideais católicos, fico agradecido.
    Aceito indicação de sites ou livros, que possam me ajudar na busca das verdade de fé, para não ser mais um alienado nesse mundo de Deus.

    Obrigado.

  8. Pingback: Natalia Ribeiro

  9. Alex Alves

    Muito bom o que disse o bispo…

    Agora: gostaria de convocar as pessoas a rezar toda quinta-feira um terço pedindo a Nossa Senhora de Fátima que a nossa nação seja livre do marxismo e do comunismo e daqueles que pretendem instalar um comunismo castro-chavismo no BRasil… Rezemos!!! Vamos fazer uma grande convocação aos católicos desse país…

  10. Alex Alves

    Agora: gostaria de convocar as pessoas a rezar toda quinta-feira um terço pedindo a Nossa Senhora de Fátima que a nossa nação seja livre do marxismo e do comunismo e daqueles que pretendem instalar um comunismo castro-chavismo no BRasil… Rezemos!!! Vamos fazer uma grande convocação aos católicos desse país…

  11. WELERSON O. LOPES

    Graças a Deus um padre tem a coragem de postar um artigo que mostra a omissão de parte de nosso clero e até mesmo de alguns bispos que parecem ter se esquecido do papel da Igreja de Cristo.
    Será porque que enquanto a Igreja prega sua opção preferencial pelos pobres esses mesmos pobres foram em debandada para o protestantismo? As pessoas estão indo buscar no protestantismo aquilo que só a Igreja de Cristo tem para oferecer e não o faz, afinal temos padres para fazer shows, ir a programas de televisão dar entrevistas, e etc. Mas faltam-nos padres com coragem para ensinar a verdade da doutrina católica sem se preocupar em ser politicamente corretos, faltam-nos padres para celebrar a Santa Missa. Recentemte nossos bispos receberam um puxão de orelhas do Santo Padre sobre a teologia da libertação. Basta olhar o que ocorre com a Igreja no Brasil hoje para entender o porque (Talvez alguém tenha mostrado a ele o site da cnbb.). O senhor tem razão quando diz que nós leigos estamos mais ativos. Muitos de nós estamos estudando mais a doutrina e os documentos da Santa Igreja, e isso nos permite perceber como a Igreja no Brasil está contaminada pela teologia da libertação, basta olhar sites e artigos de determinados padres e até bispos.
    Parabens, Dom Henrique. Que Deus nos ajude. Sua benção.
    Welerson.

  12. Nancy de Oliveira Strauch

    Tive a oportunidade de ler este texto maravilhoso de Dom Henrique Soares, em que ele faz a sua análise da Igreja em nosso tempo, e constato como leiga mas fervorosa orante e intercessora que tudo de mais verocímel e de autentica realidade pode conter em suas palavras expressas sob sabedoria e ótica do Espírito Santo e mantida no seio da igreja e no nosso catolicismo. É um fato o que ele expressa entre nós, um apelo. Maravilhoso o vosso empenho, Louvado seja Deus pelos seus ardorosos pastores, fieis Leigos, pelo vosso Bispado e por tudo que o Espírito Santo vos conduz. Sigamos fiéis com as verdades de Nosso Senhor, Nosso Deus. Amém.

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