A Igreja não tem dúvida de que Jesus voltará na Parusia, para julgar os vivos e os mortos, como ensina o Credo. “Desde a Ascensão, o desígnio de Deus entrou em sua consumação. Já estamos na “última hora”. (1 Jo 2,18; 1Pe 2,4) diz a Igreja.

O Concilio Vaticano II disse que: “A era final do mundo já chegou para nós, e a renovação do mundo está irrevogavelmente realizada e, de certo modo, já está antecipada nesta terra (LG 48) O Reino de Cristo já manifesta sua presença pelos sinais milagrosos (Mc 16,17-18) que acompanham seu anúncio pela Igreja”. (Mc 16,20)

O Catecismo ensina que o Reino de Cristo já está presente entre nós; ainda não está consumado “com poder e grande glória” (Lc 21,17; Mt 25,31) pela volta do Rei à terra. Esse Reino é ainda atacado pelos poderes maus, (2Ts 2,7) embora estes já tenham sido vencidos em sua bases pela Páscoa de Cristo. Enquanto tudo não for submetido a Ele (1Cor 15,18), “enquanto não houver novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça, a Igreja peregrina leva consigo em seus sacramentos e em suas instituições, que pertencem à idade presente, a figura deste mundo que passa e ela mesma vive entre as criaturas que gemem e sofrem como que dores de parto até o presente e aguardam a manifestação dos filhos de Deus”. (LG 48) Por este motivo os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia (1Cor 11,26) para apressar a volta de Cristo (2Pe 3,11-12) dizendo-lhe: “Vem, Senhor” (Ap 22,17.20; 1Cor 16,22). (Cat. §671)

A partir da Ascensão de Jesus ao Céu, o advento de Cristo na glória pode acontecer a qualquer momento (Ap 22,20; (Mt 24,44; 1Ts 5,2), embora não nos “caiba conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua própria autoridade”, (At 1,7; Mc 13,22) ainda que estejam “retidos” tanto ele como a provação final que há de precedê-lo, como São Paulo explica aos tessalonissenses.

O Catecismo ensina que a vinda do Messias glorioso depende a todo momento da história (Rm 11,21) do reconhecimento dele por “todo Israel” (Rm 11,26; Mt 23,39). “Então enviará ele o Cristo que vos foi destinado, Jesus, a quem o céu deve acolher até os tempos da restauração de todas as coisas.” (At 3,19-21). (cf Cat. §674) O triunfo do Reino de Cristo não se dará sem uma última investida das potências do mal contra a Igreja.

Ninguém será capaz de descrever plenamente como é o Céu, pois é algo inefável, que não há palavras para explicar. São Paulo disse que aos coríntios que: “o que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. (1Cor 2,9).         Diz o nosso Catecismo que: “Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o vêem “tal como ele é” (1Jo 3,2), face a face: (1Cor 13, 12; Ap 22, 4)”. (§1023)Jesus deixou claro: “o meu Reino não é deste mundo” (Jo 18,36), e falou muito do Céu: “De que vale o homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a vida eterna” (Mc 18,36); “ajuntai tesouros no Céu onde a traça e o ladrão não entram…” (Mt 6,20); “os justos resplandecem no Céu” ( Mt 13, 43). Ao moço rico Jesus disse: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, e dá aos pobres, terás um tesouro no Céu” (Mt 18,21).         O Papa Bento XII (1334-1342), na encíclica “Benedictus Deus” confirmou o Céu como dogma de fé e que lá já estão os santos:          “Com a nossa autoridade apostólica definimos que, segundo a disposição geral de Deus, as almas de todos os santos mortos antes da Paixão de Cristo (…) e de todos os outros fiéis mortos depois de receberem o santo Batismo de Cristo, nos quais  não houve nada a purificar, quando morreram, (…) ou  ainda, se houve ou há algo a purificar, quando, depois da sua  morte, tiverem acabado de fazê-lo, (…) antes mesmo da ressurreição nos seus corpos e de juízo geral, e isto desde a ascensão do Senhor e Salvador  Jesus  Cristo ao Céu, estiveram, estão e estarão no Céu, no Reino dos Céus e no paraíso celeste com Cristo, admitidos na sociedade dos santo anjos. Desde a paixão e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face sem a mediação de nenhuma criatura” (LG 49).         O Papa Paulo VI, em 1967, e sua Profissão de Fé, “O Credo do Povo de Deus”, ratificou a realidade do Céu e a intercessão dos santos por nós:         “Cremos que a multidão daqueles que estão reunidos em torno de Jesus e de Maria no Paraíso forma a Igreja do Céu, onde na beatitude eterna vêem a Deus como Ele é, e onde estão também, em graus diversos, associados com os Santos Anjos ao governo divino exercido pelo Cristo na glória, intercedendo por nós e ajudando nossa fraqueza por sua solicitude fraterna ” (n. 29).A grande força da Igreja nesses vinte séculos, que a fez vencer todas as formas de perseguição e tribulação, foi a certeza do Céu; a Igreja sabe que a eternidade lhe pertence; por isso não se desespera nunca com as mazelas deste mundo. Santa Maria Egípcia, após a sua maravilhosa conversão, viveu no deserto, por mais de cinqüenta anos, na mais dura penitência. Próximo da sua morte, São Zózimo lhe perguntou como ela pudera suportar, naquele lugar de horrores, uma vida tão austera. E a resposta foi essa: “Meu padre, com a esperança do Céu”!É essa “esperança do Céu” que precisa ser re-semeada sobre a terra. Para muitos o Céu já nem existe mais… Que tristeza!         Mas como é o Céu? O Catecismo nos ensina muitas coisas:         “Essa vida perfeita com a Santíssima Trindade, essa comunhão de vida e de amor com Ela, com a Virgem Maria, os Anjos e todos os Bem aventurados, é denominada “o Céu”. O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva. Viver no Céu é “viver com Cristo” (Jo 14, 3; Fl 1,23; 1Ts 4, 17). Os eleitos vivem “nele”, mas lá conservam – ou melhor, lá encontram -  sua verdadeira identidade, seu nome próprio (Ap 2, 17). Por sua morte e Ressurreição Jesus Cristo nos “abriu” o Céu. A vida dos bem-aventurados consiste na posse em plenitude dos frutos da redenção operada por Cristo, que associou à sua glorificação celeste os que creram nele e ficaram fiéis à sua vontade. O céu é a comunidade bem-aventurada de todos os que estão perfeitamente incorporados a Ele.” (§1024-1028)         A Igreja ensina que na glória do Céu os bem-aventurados continuam a cumprir com alegria a vontade de Deus em relação aos outros homens e à criação inteira. Já reinam com Cristo; “com Ele reinarão pelos séculos dos séculos. (Ap 22,5; Mt 25, 21. 23)          Na Oração Sacerdotal Jesus disse: “Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a Ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste.” (Jo 17, 3). Esta é uma excelente referência de como será o Céu: um conhecimento contínuo de Deus; e, como Deus é infinito, este conhecimento também o será, por toda a eternidade. No Céu não haverá fastio, não nos cansaremos de contemplar a cada instante a Face de Deus que sempre nos será nova. E o louvor, então, naturalmente, será incessante diante das maravilhas de Deus.          Alguns perguntam se no Céu veremos os nossos entes queridos; São Tomás de Aquino, responde: “A contemplação da Essência divina não absorve os santos de maneira a impedir-lhes a percepção das coisas sensíveis, a contemplação das criaturas e a sua própria ação. Reciprocamente, essa percepção, essa contemplação e essa ação não os podem distrair da visão beatífica de Deus. Assim era em relação a Nosso Senhor aqui na terra” (Suma Teológica 30,84).Disse Santo Agostinho, na “Cidade de Deus”, diz que os bem-aventurados “formarão uma cidade, onde terão todos uma só alma e um só coração, de tal sorte que, na perfeição dessa unidade, os pensamentos de cada um não serão ocultos aos outros”.Jesus ensina que no Céu não haverá mais casamento, e que seremos como Anjos; isto é, a realidade da vida conjugal, sexual, etc. já não haverá, é uma realidade da terra. No Céu nossa alma desposará o próprio Senhor. São Francisco Xavier, lá das Indias, escrevia a Santo Inácio de Loyola, seu pai espiritual: “Dizeis, no excesso de vossa amizade por mim, que desejareis ardentemente ver-me ainda uma vez antes de morrer. De fato, não nos tornaremos a ver na terra senão por meio de cartas. Mas no Céu, ah! se-lo-á face a face! E então como nos abraçaremos! “  (Cartas de São Francisco Xavier, 93, nº 3).