G1 entrevistou Tim Omernick, criador do game de ‘Moral Decay’.
‘Foi burrice ter lançado o título para uma plataforma fechada’, afirma.

Gustavo Petró Do G1, em São Paulo

A civilização humana está à beira de um colapso. Malfeitores da máfia Yakuza,  exército, alienígenas, todos mancomunados com o Diabo, querem destruir a Terra. Cabe a Jesus Cristo pegar uma metralhadora e usar poderes divinos para salvar a humanidade. Este seria o enredo de “Moral Decay”, game de tiro 2D com gráficos que remetem à era 16-bit dos consoles para iPhone, iPod touch e iPad caso a Apple não tivesse censurado o título.

“Tive que mudar e reenviar o jogo para aprovação da Apple por cinco vezes”, conta Tim Omernick, presidente da produtora de “Moral Decay”, a Infinite Lives, e criador do game, em entrevista ao G1. “Eu queria chocar as pessoas. Criar um game com uma ideia que ninguém havia usado antes, testando os limites de o que é apropriado ou não”. No clipe acima, é possível ver como seria o jogo original.

Na primeira tentativa, Omernick, que já trabalhou como engenheiro de software para a Apple  entre 2005 e 2008, foi barrado pela política da empresa de Steve Jobs. Para evitar problemas de processos com os milhões de usuários de suas plataformas, a companhia barra aplicativos com conteúdos eróticos e que possam ofender grupos religiosos.

Desse modo, Jesus Cristo, o personagem principal de “Moral Decay” – título que em uma tradução livre para o português significa “Decadência Moral” – teve que mudar de nome e de aparência. Sai o nome da figura central do cristianismo e entra Chris T, uma paródia de “Christ”, ou Cristo em inglês. O manto branco dá lugar a calças e botas de militar e um torso musculoso, estilo Rambo.

Omernick poderia apenas reclamar da Apple de censura, mas ele pensa de outra maneira: “Eu fui muito burro de ter tentado lançar ‘Moral Decay’ em uma plataforma tão controlada”, afirma. “Obviamente, é do melhor interesse deles manter Jesus fora de um game de tiro. Há muitos aplicativos e jogos controversos para [o sistema operacional] iOS e, por isso, me barrarem era algo esperado”.

Três meses de trabalho
O game, vendido por US$ 2 na iTunes Store, foi imaginado há cerca de 10 anos, conta Omernick. “Naquela época eu não tinha a experiência necessária para criar um jogo”, afirma. “Meu desejo era fazer um game sobre Jesus no estilo de “Contra [clássico de tiro em 2D para os consoles NES e Super Nintendo]. Se você é cristão, é legal porque você controla o Salvador. Se é de outra religião, é engraçado porque é uma paródia”.

Para desenvolver “Moral Decay”, Omernick trabalhou quatro horas por dia durante três meses quando estava morando na cidade de Busan, na Coreia do Sul.”Eu ficava em uma cafeteria à beira da praia usando internet de graça e bebendo café gelado, o que foi ótimo pois pude me concentrar sem distrações”.

O título, que apresenta um nível alto de dificuldade até para jogadores experientes, exige que o jogador controle Chris T, pulando em plataformas e atirando nos inimigos, que explodem ao receber tiros. Ele come pizza para  e, como em qualquer jogo, renasce quando morre. A diferença é que o termo bíblico “ressuscitar” é exibido quando o jogador reinicia a partida.

Além de enfrentar inimigos na Terra, o herói usa seus poderes para ir até a Lua e enfrentar o Diabo em uma batalha antológica. “Os jogos de hoje estão muito fáceis. Na época em que eu jogava NES e Super Nintendo, os games exigiam habilidade e você se sentia muito poderoso ao conseguir terminar os títulos. Por este motivo, meus favoritos eram ‘Mega Man’, ‘Contra’ e ‘Ninja Gaiden’”.

Embora após todas as mudanças o jogo esteja à venda na loja virtual iTunes Store, Tim Omernick não ficou satisfeito com a aparência final do jogo. Outras plataformas “mais liberais” como Android, do Google,  PlayStation Network, dos consoles da Sony, e Xbox Live Arcade, da Microsoft, podem receber “Moral Decay” em 2011. “A possibilidade é grande. Pensarei nisso durante este ano”, afirma.

  

A revista veja publicou em sua edição de 30/09/2009, n. 2132, que o Bispo de Barra, na Bahia, quer construir um templo em homenagem ao terrorista Carlos Lamarca, que matou várias pessoas e o chama de mártir. A reportagem da VEJA tem o titulo:

 

 “Essa Deus não perdoa”

 

Conversa com Dom Luiz Flávio Cappio

 

E diz que o bispo da diocese de Barra, na Bahia, dom Luiz Flávio Cappio, ganhou os holofotes, em 2005,  ao fazer uma greve de fome em protesto contra a transposição do Rio São Francisco. Em 2007, repetiu a dose com o apoio de esquerdistas e artistas de TV. Agora, o bispo volta à cena: quer construir um santuário no local onde o terrorista Carlos Lamarca foi morto, no sertão baiano. VEJA entrevistou o bispo:

 

Dom Cappio em defesa de um terrorista assassino

 

Veja: O senhor vai erguer um templo para Lamarca?

 

Farei um santuário para todos os mártires da diocese. Considero mártir quem morre em defesa de uma causa justa e derrama seu sangue por valores evangélicos. O Lamarca é um mártir.

Lamarca optou pelo caminho da violência e matou gente. Isso é evangélico?

Não quero canonizar ninguém. Sei que o Lamarca teve culpas, e não podemos eximi-las, mas quero valorizar o que ele fez de bom.

 

Veja: O que ele fez de bom?

 

Lutou contra a ditadura. Estou na região há 35 anos e já ouvi histórias terríveis sobre ele. Diziam que comia gente e estrangulava crianças. Eram coisas que a ditadura colocava na cabeça do povo.

 

Veja: Como o senhor vai bancar a obra?

 

Com recursos de dois prêmios internacionais que recebi por defender o Rio São Francisco.

Quanto o senhor ganhou?

Um valor simbólico.

 

Veja: Mas quanto?

 

Só posso dizer que dá para começar.

 

Veja: O senhor não tinha nenhuma obra social com que gastar esse dinheiro?

 

Já fazemos isso. O santuário será um lugar onde gente que foi maltratada pela história poderá ter seus restos mortais depositados e descansar em paz.

 

Veja: Quem serão os outros mártires?

Trabalhadores rurais mortos em conflitos.

 

É uma entrevista lamentável; sabemos que alguém só pode ser proclamado mártir na Igreja pelo Papa, após um seríssimo processo que mostra que a pessoa morreu em defesa da fé católica, e jamais por meros motivos sociais e políticos.

Lamentavelmente há muito tempo D. Cappio tem politizado a fé e a esvaziada, desrespeitando o Magistério da Igreja.

Até quando isso vai ficar sem providênicias?

  

 

Um exemplo do perigoso relativismo religioso, condenado pelos Papas João Paulo II e Bento XVI,  é visto na “Parábola” de frei Carlos Mesters, “Quando Deus andou pelo mundo, a São Pedro disse assim…”,  escrita para o 9º Encontro das Comunidades Eclesiais de Base,
em São Luís do Maranhão (julho de 1997),  destinada a mostrar as boas relações entre católicos e os adeptos das religiões afro-brasileiras.  O texto, que vai abaixo transcrito, é blasfemo; faz de Jesus em seguidor da Umbanda, guiado por um bom orixá, pulando e dançando alegre num terreiro, comendo pipoca, batata assada e cocada.  Isto é insustentável aos olhos da fé católica.  O autor da “parábola” infelizmente confunde diálogo religioso com sincretismo religioso.  

 

“Quando Deus andou no mundo, a São Pedro disse assim…”                                                                      Frei Carlos Mesters 

Certa vez Jesus reuniu os discípulos e as discípulas e disse:“Quando vocês forem anunciar o REINO, não devem levar dinheiro nem comida, mas devem confiar no povo. Chegando num lugar, se vocês foram acolhidos e o povo partilhar comida e casa com vocês, e se vocês participarem da vida deles trabalhando, tratando dos doentes e do pessoal marginalizado, sem voz e sem vez, então podem dizer ao povo com toda certeza: “Gente, olha aqui! O REINO chegou! Está chegando”.  E eles foram.  Jesus também foi. Andou, andou. Já era quase noite.  Estava começando a anoitecer quando chegou num terreiro.  O pessoal que entrava, saudava e dizia: “Boa noite, Jesus! Entre e sinta-se
em casa.  Participe com a gente”.  Jesus entrou. Viu o pessoal reunido. A maioria era pobre.  Alguns, não muitos, da classe média.  Todo mundo dançando alegre.  Havia muitas crianças no meio. Viu como todos se abraçavam entre si.  Viu como os brancos eram acolhidos pelos negros – como irmãos.  Jesus ele também foi sendo acolhido e abraçado.  Estranhou, pois conheciam o nome dele.  Eles o chamavam de Jesus, como se fosse amigo e irmão de longa data.  Gostou de ser acolhido assim.Viu também como a Mãe-de-Santo recebia o abraço de todos. Viu como invocavam os orixás e como alguns vinham distribuindo passes para ajudar os aflitos, os doentes e os necessitados.  Jesus também entrou na filha e foi até a Mãe-de-santo.  Quando chegou a vez dele, abraçou-a e ela disse: ”A paz esteja com você, Jesus”. Jesus respondeu: “Com a senhora também”.  E acrescentou: “Posso fazer uma pergunta?” E ela disse: “Pois não Jesus!” E ele disse : “Como é que a senhora me conhece? Como é que eles sabem meu nome?” E ela disse: “Mas, Jesus, todo mundo conhece você.  Você é muito amigo da gente.  Sinta-se em casa, aqui no meio de nós!”Jesus olhou para ela e disse: “Muito obrigado!” e continuou: “Mãe, estou gostando, pois o Reino de Deus está aqui no meio de vocês”!  Ela olhou para ele e disse: “Muito obrigada, Jesus! Mas isto a gente já sabia. Ou melhor, já adivinhava. Obrigada por confirmar pra gente. Você deve ter um orixá muito bom. Vamos dançar, para que ele venha nos ajudar!” E Jesus entrou na dança.  Dentro dele o coração pulava de alegria; sentia uma felicidade imensa e dizia baixinho: “Pai, eu te agradeço porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste ao povo humilde aqui do terreiro. Sim, Pai, assim foi do teu agrado”.  Dançou um tempão.  No fim, comeu pipoca, cocada e batata assada, com óleo de dendê, que o pessoal partilhava com ele. E, dentro dele o coração repetia sem cessar: “Sim, o REINO DE DEUS chegou” Pai, eu te agradeço! Assim foi do teu agrado!”.Ao comentar esta “parábola” D. Estevão Bettencourt, osb,  assim se manifestou (Revista PR, Nº 423 – Ano : 1997 – pág. 376): 

“Proporemos quatro observações à margem da “parábola”:1 – Blasfêmia – “O texto é evidentemente blasfemo.  Com efeito, apresenta Jesus como um devoto de terreiro de religião afro-brasileira: entra na fila dos que vão abraçar a Mãe-de-Santo, como se fosse a sacerdotisa que distribui bênçãos.  Ele a trata como “a senhora” e “Mãe” (“Mãe, estou gostando …”); ela trata Jesus por você; diz a Jesus que ele deve Ter um bom orixá. Jesus, convidado a dançar em honra do orixá, pula de alegria, senti imensa felicidade.  Dança “um tempão”, como pipoca, cocada, batata assada com óleo de dendê.  E exclama: “O Reino de Deus já chegou”.         “Quem lê tais textos, tem a impressão de que Jesus é menos categorizado do que a Mã-de-Santo e seus orixás, o que é insustentável à fé católica, visto que esta reconhece
em Jesus Deus feito homem, o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores, não subordinado a criatura alguma.  Não se pode conceber que tal texto tenha sido proposto à meditação de fiéis católicos, à guisa de aprofundamento da fé.  O senso crítico repudia tais enfoques.”2 – Diálogo Religioso – “A intenção do autor da “parábola” foi aproximar católicos e religiosos afro-brasileiros. A Igreja de fato deseja isto, mas através do que se chama “o diálogo religioso”.  Este ocasiona o encontro de pessoas de Credos diferentes, desejosas de manter um colóquio que dissipe mal-entendidos e favoreça a aproximação religiosa.  Condição para o êxito de tais encontros é a franqueza segundo a qual cada interlocutor professa a sua fé sem a diminuir ou esvaziar; somente em tal clima pode haver autêntica prudência humana.  O católico não deve mascarar a sua fé, nem insinuar que os outros Credos são superiores ao seu, pois na verdade não o são.  De modo especial, as religiões afro-brasileiras, com seu mundo de entidades superiores, ofendem a lógica ou a são razão, pois não pode haver semideuses.Com outras palavras: ao católico não é lícito querer conquistar a simpatia dos irmãos de outros Credos atenuando as verdades essenciais da sua fé.  O Espírito de Deus não pode fecundar tais encontros em que se utilizam critérios meramente humanos para cativar os interlocutores.3 – Secularismo – Merece especial atenção a exclamação freqüente: “O Reino de Deus já chegou!” – Pergunta-se: por que diz a parábola que o Reino de Deus já chegou?  Ela o diz por que há partilha de comida e casa, porque homens e mulheres compartilham o trabalho, porque tratam dos doentes e marginalizados… Nesse Reino de Deus, porém, não se fala uma só vez de Deus; só se trata do homem (de comida, casa, trabalho e saúde …).  Ora isto ainda não é o Reino de Deus.  Um ateu, que sinta filantropia, pode interessar-se por seus semelhantes necessitados sem que pense
em Deus.  Não há dúvida de que é importante zelar pelo bem-estar material dos que sofrem, mas isto não é suficiente para se dizer que o Reino de Deus já está acontecendo.  O Reino de Deus é, antes do mais, culto a Deus (adoração, louvor, ação de graças…); é a celebração do sacrifício redentor de Cristo.  Em função deste núcleo central, o cidadão do Reino de Deus se volta para os interesses temporais, e se volta… religiosamente ou com o afinco que nenhuma motivação secular lhe poderia comunicar.Nenhum ser humano, nem o mais pobre no plano material, foi feito para se contentar apenas com a comida, casa, trabalho e saúde; o animal irracional, sim, se acalma quando se lhe dá a ração e o abrigo; ele então dorme; ao contrário, a pessoa humana tem aspirações mais elevadas, às quais aludia S. Agostinho ao dizer: “Senhor, Tu nos fizeste para Ti, e inquieto é o nosso coração enquanto não repousa em Ti”. (Confissões  1).Assim se evita todo tipo de secularismo ou laicismo, que aliás é enfatizado pouco depois da “parábola” onde se lê:         “LEITOR(A) 2 : Toda vez que encontramos uma comunidade de fé que reúna pobres e discriminados, que lutam por justiça e por melhores condições de vida, mesmo que o faça de maneira muito diferente de nós e celebre isso de modo diferente também, encontramos parceiros na caminhada para a construção do Reino”.Este texto sugere o relativismo religioso.  O que importaria, seria construir uma sociedade igualitária; pouco peso teria a questão da crença religiosa dos respectivos construtores: católicos, protestantes, espíritas, umbandistas… todos seriam equipados entre si pelo fato de construírem o “reino do homem” independentemente desse aspecto que seria a fé religiosa.  Aliás, é esta a tese que Clodovis Boff defende no seu livro “Teologia e Prática. Teologia do Político e suas Mediações”, Ed. Vozes, Petrópolis 1978.O Pensamento da Igreja – O genuíno pensamento da Igreja tem sido formulado pelo Santo Padre João Paulo II em vários escritos seus, dos quais destacamos os seguintes trechos :         “Hoje, o apelo à conversão, que os missionários dirigem aos não-cristãos, é posto em discussão ou facilmente deixado no silêncio.  Vê-se nele um ato de proselitismo; diz-se que basta ajudar os homens a tornarem-se mais homens ou mais fiéis à própria religião, que basta construir comunidades capazes de trabalharem pela justiça, pela liberdade, pela paz e pela solidariedade.  Esquecem, porém, que toda pessoa tem o direito de ouvir a Boa Nova de Deus que se revela e se dá em Cristo, para realizar, em plenitude, sua própria vocação.  A grandeza deste evento ressoa nas palavras de Jesus à samaritana: “Se tu conhecesses o Dom de Deus”, e no desejo inconsciente, mas intenso, da mulher: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede” (Jo 4, 10-15) Enc. Redemptoris Missio nº 46).“No mundo moderno, há tendência para reduzir o homem unicamente à dimensão horizontal.  Mas o que acontece ao homem que não se abre ao Absoluto?  A resposta está na experiência de cada homem, mas está também inscrita a história da humanidade, com o sangue derramado em nome de ideologias e regimes políticos que quiseram construir uma humanidade nova, sem Deus” (ibid. nº 8).Não há, pois, como duvidar de que a parábola em foco contraria a Doutrina da Igreja.