17. março 2010 · 9 comments · Categories: Seitas

“A palavra “Daime”, segundo explicam os que a professam, vem do verbo “dar” no imperativo. “Dai-me paz, saúde e felicidade”, eis a aspiração implicada por esse vocábulo. “Santo Daime” designa uma bebida (chá – ayahuasca) preparada parada mediante o cruzamento de dois vegetais da Floresta Amazônica cipó jagube e a folha chacrona.

Tal bebida é utilizada por grupos indígenas do continente americano desde a época pré-colombiana em rituais mágico-religiosos, a fim de proporcionar intuições, alívio físico e psíquico, curas… Ora, eis que no século XX habitantes negros e brancos do Brasil descobriram tal bebida e seus efeitos poderosos, e constituíram em torno dela uma corrente religiosa eclética, cujas origens passaremos a ver.

Raimundo Irineu Serra, negro, nascido em 1892 no Maranhão, foi para o Acre com 20 anos de idade, integrando o movimento migratório de nordestinos para trabalhar na extração do látex. Na Floresta Amazônica, Irineu e seus companheiros foram fundindo a sua cultura com a dos índios; aprenderam a preparar a bebida de cipó jagube e folha chacrona. O uso desse chá proporcionou a Irineu as suas “mirações”: “apareceu-lhe” uma mulher chamada Clara, que se dizia Nossa Senhora da Conceição, a Rainha da Floresta. Relatou Irineu que foi ela quem deu o nome do “Santo Daime” à bebida e ditou normas para a realização do respectivo ritual.

Teria revelado a “Senhora” que aquela bebida tinha muitos nomes, mas o verdadeiro era o próprio verbo divino “dar” – dar para os que necessitassem e pedissem -, originando assim o nome “Daime”. “Daime amor, Daime luz, Daime força” são expressões características do Santo Daime.

O Mestre Irineu passou por uma fase de iniciação no interior da floresta, incluindo jejum de alimentos e abstinência sexual, a fim de adquirir (como se dizia) poderes de mira, vidência e comunicação com os espíritos.

A doutrina revelada a Irineu se codificou nos hinos do Santo Daime, que correspondiam à Bíblia Sagrada; esses hinos, recebidos do além, são tidos como a linguagem de comunicação com o astral, onde estão todos os seres divinos. Neles se encontram expressas crenças do cristianismo, das religiões africanas e das indígenas, ou seja, de três culturas (a branca, a negra, a indígena). Evocam Jesus Cristo, Nossa Senhora da Conceição, São João Batis­ta, o patriarca São José, Tuperci, Ripi Iáiá, Currupipipiraguá, Equiôr, Tucum, Barum, Marum, Papai Paxá, B.G., Rei Titango, Rei Agarrube, Rei Tintuma, Princesa Soloína, Princesa Janaína e Marachimbé.

Os seguidores do Mestre Irineu tomaram o nome de “Povo de Juramidam”, expressão composta de Jura (= pai) e Midam (= filho). Tal é o nome que o iniciador da seita diz ter recebido das entidades divinas. Juramidam represen­ta a segunda volta de Jesus Cristo à terra, sendo assim o Povo de Juramidam o Povo de Jesus Cristo.

Mestre Irineu foi se deslocando no Estado do Acre de região em região, até que em 1945 recebeu do senador Guiomar dos Santos uma área no local denominado “Colônia Custódio Freire”, onde fundou o Centro de iluminação Cristã Luz Universal, o Alto Santo, que chegou a congregar 500 membros efetivos e receber milhares de visitantes desejosos de conhecer o Santo Daime.

A fama dessa instituição se espalhou no estrangeiro, de modo que até junho de 1980 um total de 1201 pessoas vindas do exterior haviam assinado o livro de visitantes e tomado o Santo Daime. Provinham da Argentina, da Bolívia, do Peru, da Colômbia, da Venezuela, do Chile, da Inglaterra, da França, da Itália, da Suíça, da Alemanha, de Portugal, de Israel, do Canadá e do Japão.

Outra sede do Santo Daime é a Colônia dos Cinco Mil (Acre), que no foro civil é registrada como entidade filantrópica, tendo o nome de “Centro Eclético de Fluente Luz Universal Raimundo Irineu Serra” (CEFLURIS). Em 1976 havia na Floresta Amazônica 25 Colônias unidas entre si pela utilização do Santo Daime. As festas oficiais do Santo Daime acompanham o calendário cristão. O ano religioso começa em 6 de janeiro, em homenagem aos Três Reis do Oriente. Isso, porém, não implica compromisso como cristianismo; o Santo Daime é um sincretismo religioso, que atrai por suas promessas de “cura” e “mirações” (intuições). Não se coaduna com a fé católica.

O governo brasileiro oficializou na terça-feira (26) as regras para o uso religioso do ayahuasca, chá também conhecido como santo-daime, entre outras denominações, e utilizado principalmente em cerimônias religiosas no Norte do País. A resolução, publicada no Diário Oficial da União, veta o comércio e propagandas do composto, que só poderá ser cultivado e transportado para fins religiosos e não lucrativos. Em 1985, a bebida chegou a ser proibida no País, mas liberada dois anos depois, para uso religioso. No início dos anos 90 houve nova tentativa de proibir o chá, também refutada. Em 2002, mais uma vez houve denúncias de mau uso do chá”.

Por D. Estevão Bettencourt, osb

Revista Pergunte e Responderemos, n.340; 1990; p. 422

Responder à carência doutrinal e à ignorância religiosa
para deter o proselitismo das seitas entre o povo

 

De l a 10 de setembro, João Paulo II encontrou-se com cada um dos Bispos brasileiros dos Regionais Nordeste l e 4, vindos a Roma para a qüinqüenal visita “ad limina Apostolorum”.

 

O Regional Nordeste l corresponde ao Estado do Ceará e é formado por uma Província Eclesiástica, assim subdividida: Arquidiocese de Fortaleza e 8 Dioceses sufragâneas: Crateús, Sobral, lguatu, Limoeiro do Norte, Crato, ltapipoca, Quixadá e Tianguá. O Nordeste 4, por sua vez, abrange o Estado do Piauí, e é formado por uma Província Eclesiástica, com sede metropolitana em Teresina, capital do Estado, e por 6 Dioceses sufragâneas: São Raimundo Nonato, Parnaíba, Campo Maior, Picos, Bom Jesus de Gurguéia e Oeiras-Floriano.

Na manhã de terça-feira, 5 de setembro, os Prelados brasileiros concelebraram a Eucaristia com o Papa na sua Capela particular, na residência pontifícia de Castelgandolfo, e em seguida todos foram recebidos em audiência coletiva. No início deste encontro, o Sumo Pontífice foi saudado pelo Cardeal Aloísio Lorschelder.

Publicamos o texto do discurso do Papa.

Prezados Irmãos no Episcopado

1. Aguardei com viva esperança este encontro convosco, Bispos dos Regionais Nordeste l e 4, por ocasião da vossa visita ad Limina, e vos saúdo com palavras de São Paulo: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós”(2 Cor 13, 13)! A vos dar as boas-vindas, incluo o clero, os religiosos, as religiosas e os fiéis leigos das Províncias Eclesiásticas de Fortaleza e de Teresina. Agradeço de coração as delicadas palavras do Senhor Cardeal Arcebispo D. Aloísio Lorscheider que, em vossa representação, traçou com competência o quadro sereno e cheio de esperanças da vida das vossas Dioceses.

O nosso encontro manifesta a profunda comunhão espiritual e visível que existe entre as vossas Igrejas particulares e a Igreja universal, uma comunhão que deriva do fato de termos sido “enxertados” em Cristo (cf. Rom 11, 17 ss). Nós devemos dirigir-nos constantemente para Aquele que é o Supremo Pastor (cf. l Pd 5, 4), a fim de tomarmos conhecimento da “insondável riqueza” (Ef 3, 8), com que Ele nos investiu para a edificação da Esposa Imaculada (cf. Ap 19, 7). É a ela que Ele se une mediante uma aliança inquebrantável, e é dela que Ele cuida e nutre (cf. Ef 5, 29; cf. Cons. dog. Lumen gentium, 6). A nossa segurança e esperança reside n’Ele e no poder salvífico do seu Evangelho (cf. Rm 1, 16).

Ao dardes prosseguimento às visitas ad Limina dos vossos irmãos do Episcopado Brasileiro, a vossa presença aqui traz ao vivo a lembrança não só da vastidão das vossas Dioceses, mas também os inúmeros desafios para o anúncio do Evangelho, que foram ressaltados pelas “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil”, na reunião deste ano da vossa Conferência episcopal. Precisamente, nos encontros anteriores com os representantes das Províncias Eclesiásticas do Paraná e de São Paulo, tive a oportunidade de refletir acerca de alguns aspectos do seu cuidado pastoral pela Igreja, e encorajei-os a serem sentinelas vigilantes da verdade, pastores que proclamam a verdade de Cristo e da Igreja, promotores da renovação espiritual que se faz sentir necessária em todos os âmbitos das vossas Igrejas particulares (cf. Discurso, 17 de fevereiro de 1995; 21 de março de 1995). Hoje, o nosso pensamento dirige-se para alguns dos outros aspectos do vosso ministério.

A tarefa ecumênica

2. “Que todos sejam um (…) como Nós somos um” (Jo 17, 21-22). Com estas palavras do Apóstolo e Evangelista São João, desejo reunir-me convosco com o fim principal de encorajar a fé dos nossos irmãos das Comunidades diocesanas, de que sois pastores, para que se tornem sempre mais realidade aquelas solenes palavras “que todos sejam um, assim como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que também eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu Me enviaste” (Jo 17, 21).

Em diversas ocasiões a Providência permitiu-me insistir naquela conclusão básica do Concílio Vaticano II, segundo a qual é “decisão da Igreja assumir a tarefa ecumênica em prol da unidade dos cristãos e de a propor convicta e vigorosamente” (cf. Decr. sobre o Ecumenismo Unitatis redintegratio, 1). Tem sido, por sinal, marco indelével do meu Pontificado que, como recordarão, quis deixar patente na minha última viagem ao Brasil (cf. Discurso, 18.X.199 1).

Já tive ocasião de comentar, mesmo recentemente, que “não se trata de modificar o depósito da fé, de mudar o significado dos dogmas, de banir deles palavras essenciais, de adaptar a verdade aos gostos de uma época, de eliminar certos artigos do Credo com o falso pretexto de que hoje já não se compreendem. A unidade querida por Deus só se pode realizar na adesão comum ao conteúdo integral da fé revelada” (Carta enc. Ut unum sint, 18). Falando aos representantes do mundo da cultura em Salvador na Bahia, eu lembrava que “a inculturação do Evangelho não é uma adaptação mais ou menos oportuna aos valores da cultura ambiente, mas uma verdadeira encarnação nesta cultura para purificá-la e remi-la” (Discurso, 20.X.1991, 4).

O mesmo vale no campo ecumênico. Com efeito, no campo da inculturação como do ecumenismo, nota-se uma certa facilidade com que a busca do entendimento, do acolhimento ou da simpatia com outros grupos ou confissões religiosas tem levado a sérias mutilações na expressão clara do mistério da fé católica, na oração litúrgica, ou a concessões indevidas quanto às exigências objetivas da moral católica. Ecumenismo não é irenismo (cf. UR, 4 e l 1). Não se trata de buscar a unidade a qualquer preço. O diálogo ecumênico deve ser alimentado pela oração – definida pelo Concílio Vaticano II -, como a alma de todo movimento ecumênico. Este diálogo, que somente tem sentido se for uma busca sincera da verdade, poderá nos pedir que deixemos de lado elementos secundários que poderiam constituir um obstáculo de ordem psicológica para nossos irmãos de distintas denominações religiosas. Mas nunca será verdadeiro, autêntico, se implicar na mais mínima mutilação duma verdade da fé, no abandono da legítima expressão da piedade tradicional do povo cristão ou no enfraquecimento das exigências de séculos da disciplina eclesiástica ou das veneráveis tradições litúrgicas do Oriente, da Igreja Romana e outras Igrejas do Ocidente. De resto, “hoje sabemos que a unidade pode ser realizada pelo amor de Deus, somente se as Igrejas o quiserem juntas, no pleno respeito das várias tradições e da necessária autonomia” (Carta ap. Orientale lumen, 20).

 

Em contrapartida, para um exercício fecundo de um autêntico ecumenismo, faz-se necessária uma adequada formação ecumênica e estruturas pastorais – como as comissões ecumênicas – que colaborem para a promoção da plena unidade. O “Diretório para a aplicação dos princípios e das normas sobre o ecumenismo”, publicado em 1993, dá indicações precisas aplicáveis às distintas situações.

O desafio perante as seitas

3. Na área latino-americana esta necessidade do diálogo ecumênico tem-se tornado urgente, ao deparar-nos com o grave problema das seitas que se expandem, como uma mancha de óleo, ameaçando fazer ruir a estrutura de fé de tantas nações.

Como é lógico, não me refiro neste momento àquelas outras Igrejas e Comunidades cristãs detentoras de uma base objetiva, mesmo que imperfeita, de comunhão com a Igreja católica; estas, como declarou o Concilio Vaticano II, possuem “elementos de santificação e de verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica” (Cons. dog. Lumen gentium, 8). Mais ainda: precisamente porque “a “fraternidade universal” dos cristãos tornou-se uma firme convicção ecumênica” (Carta enc. Ut unum sint, 42), devemos viver, estimular e confirmar nossa fé em busca da unidade de todos os cristãos

Certamente a expansão das seitas “constitui uma ameaça para a Igreja Católica e para todas as Comunidades eclesiais com quem ela mantém diálogo” (Carta enc. Redemptoris missio, 50).

Com toda razão o Episcopado latino-americano, reunido em Santo Domingo, apresentou em cores vivas o desafio pastoral que hoje são as seitas em toda a América Latina. O Documento Final descreveu com clareza e precisão estas seitas e movimentos, mostrou suas características e modos de atuar, deixou claro os interesses políticos e econômicos envolvidos na sua expansão em todo o Continente e apontou os desafios pastorais e os caminhos possíveis para a vossa atuação neste campo (cf. Conclusões da IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, nn. 139-152).

Não é agora minha intenção repetir o que todos conheceis tão bem. É notória a intenção, por vezes virulenta, destas seitas de minar as bases da fé do povo, de modo especial no que diz respeito ao culto do Mistério Eucarístico e da Santíssima Virgem, à estrutura hierárquica da Igreja e ao primado de Pedro, que perdura no pastoreio universal do Bispo de Roma, e às expressões da piedade popular. Está claro, também, que o êxito de seu trabalho pode ser explicado pela carência de conhecimentos religiosos do povo, devida, em boa parte, à perda da vivência religiosa que cultivava nas pequenas cidades do interior, mas que enfraqueceu quando migrou para a periferia das grandes cidades, num processo quase sempre doloroso de desenraizamento cultural.

Carências doutrinais e ignorância religiosa

4. Não se trata de uma atitude pessimista face à situação reinante: a Igreja católica, a Esposa Imaculada de Cristo, leva em si a garantia da perenidade que O próprio Senhor lhe assegurou (cf. Mt 28, 19); porém, mesmo sabendo possuir, por vontade expressa de Deus, a “plenitude dos meios de salvação”, ou seja, “todos os instrumentos da graça, os seus membros não vivem com todo aquele fervor que seria conveniente” (UR, nn. 3 e 4). Estou certo de que esta afirmação conciliar não lhes soará como um simples eufemismo à hora de se encararem com a realidade quotidiana do vosso povo, tão afeto para a transcendência e para os valores cristãos da piedade e da fraternidade. Mais que pela fria estatística levada pelo movimento pendular de um vai-e-vem de dados, muitas vezes contraditórios entre si, sobre o número dos fiéis praticantes, deveríamos apropriar-nos daquela questão feita na Redação Final do Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985: “A difusão das seitas não nos interroga se tem sido manifestado suficientemente o senso do sagrado?” (II, A.1).

Preocupa-vos, e não sem razão, o panorama de carência doutrinária e de ignorância religiosa que deixa o vosso povo à mercê das influências perniciosas de um ambiente onde reina o permissivismo moral, que o torna extremamente vulnerável à sedução das seitas e dos novos grupos religiosos, especialmente quando estes adotam normas exigentes de marcada rigidez disciplinar. O mesmo clima de relativismo moral, que com extrema facilidade é divulgado através dos meios de comunicação social, põe “o homem contemporâneo sob a ameaça de um eclipse da consciência” de graves proporções (Angelus, 14.III.1982), haja visto o clima rarefeito que o divórcio, as uniões ilícitas e outras deformações, acarretam na vida familiar (cf. Const. past. Gaudium et spes, 47). Por isso, volto a insistir que “urge recuperar e repropor o verdadeiro rosto da fé cristã, que não é simplesmente um conjunto de proposições a serem acolhidas e ratificadas com a mente. Trata-se, antes, de um conhecimento existencial de Cristo, uma memória viva dos seus mandamentos, uma verdade a ser vivida” (Carta enc. Veritatis splendor, 88). Nesta tarefa, vos cabe um empenho insubstituível: a grande responsabilidade que vos incumbe de serdes “Mestres na fé”. O ensinamento e a mesma divulgação do Catecismo da Igreja Católica, mais não pretende senão conservar cuidadosamente a unidade da fé e a fidelidade à doutrina católica.

A crendice popular

5. Porém, algumas camadas sociais são mais vulneráveis. Por um lado, existe a tendência a fazer crer em soluções fáceis aos problemas existenciais, bastando um pensamento positivo para apaziguar os conflitos gerados pela dor e pela morte, esquecendo-se que o sofrimento humano não pode ser separado do pecado original, nem do “pano de fundo pecaminoso das ações pessoais e dos processos sociais na história do homem” (Carta ap. Salvifici doloris, 15). Por outro, há os que esperam uma resposta imediata e simples às suas necessidades inclusive materiais. A busca da saúde a qualquer preço, sem uma garantia de validade dos métodos, é um incentivo à adesão a algumas denominações pseudo-religiosas.

Preocupa, neste sentido, o fácil aliciamento de novos adeptos, que mesmo submetidos à pressão psicológica de sustentar sua seita com obrigações financeiras que vão além das próprias possibilidades, aceitam-nas passivamente com a condição de conseguir um alívio para os seus males, recebendo promessas tão descabidas quanto temerárias, de cura, ou mesmo de salvação, contrárias aos planos de Deus. As seitas causam sérios prejuízos religiosos aos seus seguidores. Não se trata somente de abandonar as suas crenças. Passado o entusiasmo das curas fictícias, verifica-se que nem sempre retornam à fé e abraçam o indiferentismo. Mais ainda, o indiferentismo religioso gera a incoerência nos princípios, a ponto de fazer acreditar, falsamente, que é possível manter o nexo íntimo e vivo com a Igreja, com o seu mistério, a sua vida e missão, conservando intacta a sua própria fé – nela incluída a piedade litúrgica e sacramental, o dogma e a moral cristã – e freqüentar outros cultos e denominações religiosas. Deste modo, pretende-se receber os sacramentos mesmo participando e até contribuindo financeiramente à sustentação de “igrejas”, cultos ou instituições filantrópicas, que pregam, por exemplo, a reencarnação.

Mas donde provém, em última análise, esta cisão interior do homem? Dito de outro modo, o que falta na evangelização para assegurar a fidelidade do Povo de Deus, a caminho da Pátria definitiva?

Rever o processo evangelizador

6. Estou certo que concordareis comigo quanto à existência de algumas lacunas no processo evangelizador das vossas Igrejas, de resto enfatizadas este ano em Itaici pelo Episcopado brasileiro com a chancela de urgência, ao propor dar nova vida às diversas formas de celebração litúrgica e de comunicação da Palavra, incentivando a conservação da qualidade pastoral das celebrações dos sacramentos (cf. Diretrizes Gerais, 257).

E precisamente na esteira destas linhas de ação que convém remarcar, por um lado, a perda da visibilidade de vossas comunidades e agentes; por outro, a existência de falhas no relacionamento humano, e no acolhimento das pessoas; enfim, como não acentuar uma certa timidez e inércia no processo de evangelização do povo?

Em que poderia consistir a falta de visibilidade de vossas comunidades e ministros?

Todos sabemos que vivemos hoje num mundo onde é tão importante a comunicação pela imagem. Os sinais externos da vida cristã, sobretudo os mais tradicionais, possuem, hoje como ontem, um grande apelo para o vosso povo, gente simples cuja base cultural foi tão profundamente marcada pela fé católica nestes quatro séculos de evangelização do Brasil.

Numa das minhas Viagens Pastorais à vossa terra – dentre as quais não posso deixar de recordar o amado povo piauiense e cearense – lembro ainda que quis agradecer ao Todo-Poderoso ter enraizado tão profundamente no coração do Povo de Deus deste País, a cruz, a Eucaristia e a “Aparecida” (cf. X Congresso Eucarístico Nacional de Fortaleza, 9 de julho 1980).

Compreende-se, então como o brasileiro gosta dos sinais exteriores da fé! Ele quer ver as Igrejas com as suas características religiosas, com as expressões autênticas da arte sacra que despertam a piedade e levam à oração, ao recolhimento e à contemplação do mistério de Deus. Ele quer ouvir com alegria bater os sinos de vossas Igrejas convocando-o para as celebrações litúrgicas ou convidando-o para as orações do dia ou da tarde em louvor da Virgem Maria! Um sino que toca – e tantos o emudeceram! – leva a muitos ouvidos um sinal de vitalidade eclesial. Ele quer sentir nas músicas de vossas Igrejas o apelo ao louvor de Deus, à ação de graças, à prece humilde e confiante e se sente desconfortável quando esses cantos em sua letra envolvem uma mensagem política ou puramente terrena, e em sua expressão musical não apresentam a característica de música religiosa, mas são marcadamente profanos no ritmo, na linha melódica e nos instrumentos musicais de acompanhamento. Vosso povo se sente feliz com a beleza e a dignidade do culto litúrgico, sem pompa e ostentação, mas digno, piedoso, que esteja realmente unido à ação litúrgica, em sintonia com quanto definiu o Concílio Vaticano II: “quer como expressão delicada de oração, quer como fator de comunhão, quer como elemento de maior solenidade nas funções sagradas” (Cons. ap. Sacrosanctum concilium, 112).

Procurai dar um clima de piedade e dignidade às celebrações litúrgicas, sabendo fazê-las alegres nos momentos devidos e sempre espiritualmente confortadoras. O ministério da Palavra, que está intimamente ligado à Liturgia Eucarística (cf. SC, 56), contenha sempre, do início ao fim, uma mensagem espiritual. É certo que há tanta gente que não possui o suficiente para acalmar a própria fome, mas, ordinariamente, o povo tem mais fome de Deus que do pão material, pois entende que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4, 4). Ver a Igreja como Igreja, e não simples promotora da reforma social. Este é um dever que promana da Fé e não prévia exigência para uma posterior pregação do Evangelho. Assim, e não distintamente, pode-se entender aquelas palavras do Concílio Vaticano II: “É tão grande a força e a virtude da palavra de Deus que se toma o apoio vigoroso da Igreja, solidez da fé para os filhos da Igreja, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual” (Cons. dog. Dei Verbum, 21).

Vosso povo, caríssimos irmãos no episcopado, quer ver os padres como verdadeiros Ministros de Deus, inclusive na sua veste e no seu modo externo de proceder. Ele quer ver o homem de Deus nos ministros de sua Igreja, uma presença que lhes inspire amor, respeito, confiança. O povo tem direito e isso pode exigi-lo de seus pastores. O que os homens querem, o que esperam é que o sacerdote com o seu testemunho de vida e com sua palavra, lhes fale de Deus. O caráter conferido pelo sacramento da Ordem, permite que o sacerdote atue “em nome de Cristo cabeça” (Presbyterorum ordinis, 2), participando da autoridade com que Cristo governa a sua Igreja; por outro lado, o ministro sagrado é chamado a exercer o “poder da Ordem para oferecer o Sacrifício, perdoar os pecados e exercer publicamente o oficio sacerdotal em nome de Cristo a favor dos homens” (ibid., 3). Por isso, convém que ambas as notas do sacerdócio ministerial conservem sempre seu justo apreço, tendo em vista que “numa sociedade secularizada e de tendência materialista (…) sente-se particularmente a necessidade de que o presbítero – homem de Deus dispensador dos Seus mistérios – seja reconhecível pela comunidade, também pelo hábito que traz, como sinal inequívoco da sua dedicação e da sua identidade de detentor de um ministério público” (Diretório para o ministério e a vida dos presbíteros, 66).

O testemunho da união e da caridade

7. Cabe agora considerar um outro aspecto, de não menor importância. Trata-se do relacionamento das pessoas e do modo de acolhimento no seio de vossas comunidades. A Igreja é a casa do Pai. O vínculo maior de união dos membros da Igreja é o amor, o amor de Deus que se desdobra no amor ao próximo. Foi precisamente este amor fraterno que deu uma enorme capacidade evangelizadora às comunidades primitivas da Igreja através de seu testemunho de vida em comum.

O que vale para todos os povos, tem uma importância fundamental para vosso povo. Ele é antes de tudo cordial. Ele, na sua carência afetiva, necessita sentir-se querido e acolhido. O povo é muito sensível ao ambiente em que se encontra. Ele espera ver alegria, simplicidade e calor humano. O ser católico, por maior razão, diante do surgimento das seitas, requer uma atitude de caridade: “caridade para com o interlocutor, humildade para com a verdade que se descobre e que poderia exigir revisão de afirmações e de atitudes” (Carta enc. Ut unum sint, 36). Não se trata de recorrer a ataques pessoais, ou assumir posições contrárias ao espírito do Evangelho. Poderia servir de experiência o que foi proposto como lema pastoral numa das vossas Dioceses: “acolher para evangelizar”. Importa dar atenção pessoal a quem procura a Igreja, manter-se disponíveis, como sinal de consideração, escuta e abrigo a necessitados de amparo espiritual. Sem dúvida, vosso trabalho evangelizador teria um grande crescimento, se em vossas comunidades fosse incentivado aquilo que oportunamente definis como “ministério da acolhida” das pessoas, facilitando o atendimento, e exigindo dos padres e de seus colaboradores uma atitude serena e cordial.

Ir ao encontro do Povo

8. Finalmente, onde encontraríamos a falta de ardor e de iniciativa no anúncio evangélico?

A evangelização a que a Igreja está sendo chamada neste final de milênio deve ser, como tantas vezes tenho repetido, nova em seu ardor, seus métodos e sua expressão. Este ardor, como falei em Santo Domingo, “supõe uma fé sólida, uma intensa caridade pastoral e uma fidelidade robusta que, sob a ação do Espírito, gerem uma mística, um entusiasmo incontido no trabalho de anunciar o Evangelho. Na expressão do Novo Testamento, é a “parresia” que inflama o coração do apóstolo” (Discurso inaugural, 10).

Chama a atenção o proselitismo a qualquer custo, o entusiasmo dos agentes das seitas e de alguns movimentos pseudo-espirituais. Não estaria havendo uma certa acomodação deixando de ir em busca das ovelhas que estão afastadas? Ao contrário da parábola evangélica, não é uma e outra que está tresmalhada, mas é uma parte do rebanho.

Por isso, quis salientar no 25 aniversário do Decreto conciliar Ad gentes, que o “anúncio tem a prioridade permanente na missão (…). Na realidade complexa da missão, o primeiro anúncio tem um papel central e insubstituível, porque introduz “no mistério do amor de Deus, que, em Cristo, nos chama a uma estreita relação pessoal com Ele” e predispõe a vida para a conversão” (Carta enc. Redemptoris missio, 44). Precisamente porque “o amor de Cristo nos constrange” (2 Cor 5, 14), a “missão é um problema de fé, é a medida exata da nossa fé em Cristo e no Seu amor por nós” (RM, 11).

Isso mostra, caríssimos irmãos, que não basta chamar, convocar e esperar que as pessoas venham. Como diz outro lema da ação pastoral de uma das vossas Dioceses, deveis ser “uma Igreja que vai ao encontro do Povo”! Deveis ser uma Igreja que procure as pessoas, que as convide não somente no chamado geral dos meios de comunicação, mas no convite pessoal, de casa em casa, de rua em rua, num trabalho permanente, respeitoso mas presente em todos os lugares e ambientes.

Para isso é importante contar com a generosidade dos fiéis leigos. Refiro-me, de modo especial, àqueles que procuram viver de modo mais intenso a sua consagração batismal quer pessoalmente, quer nas tradicionais associações religiosas ou nos novos movimentos leigos que, sob a ação do Espírito Santo, vão surgindo na Igreja. Contai, respeitai o seu caminho espiritual mas não deixeis de convocá-los para o trabalho evangelizador.

A nova evangelização

9. A vossa tarefa é um desafio missionário: preparar a Igreja do terceiro milênio, retomando a iniciativa da nova evangelização mediante esforços redobrados. A luz do mandamento do amor, venerados irmãos no episcopado, sede apóstolos intrépidos da verdade e construtores de uma comunidade fraterna, permanecendo na escuta d’Aquele que vos consagrou (cf. Is 61, 1), a fim de testemunhardes com misericórdia a benevolência divina para convosco.

O Espírito do Redentor, que vos guiou até agora, não vos deixará sozinhos perante estes desafios. A vossa visita ad Limina felizmente salienta a vossa união com o Bispo de Roma e a vossa pertença ao Colégio episcopal: oxalá isto vos sirva de apoio!

Queria pedir-vos que transmitísseis os meus encorajamentos afetuosos a todos os servidores do Evangelho das vossas Dioceses: aos sacerdotes, aos religiosos e às religiosas, aos leigos que assumem responsabilidades e desempenham muitas tarefas em benefício da Comunidade, assim como a todos os fiéis.

 

Confio à Virgem Mãe, Nossa Senhora Aparecida, os projetos, as esperanças e as dificuldades da hora atual da Nação. Nesta perspectiva, invoco a Bênção do Senhor sobre vós, sobre os sacerdotes, os religiosos, as religiosas e os leigos desta Terra da Santa Cruz, que me é muito querida.

 

 

A New Age (Nova Era) é, segundo os místicos e astrólogos, o advento da Era de Aquário. Para eles, estamos no final da Era de Peixes, dominada pelo pensamento cristão repressivo, retrógrado e preconceituoso. O próximo Eon (ou Era), será o fim da dominação cristã e o início de um tempo de luz, tecnologia e paz. As bases destas idéias mirabolantes provém da astrologia e esta, por sua vez, rouba (e não sabe como usar) conceitos da Astronomia. É preciso, portanto, compreender um pouco desta ciência milenar para poder apreciar a falta de nexo das afirmações dos astrólogos e dos adeptos da Nova Era.

 

Antes de chegar à noção de “eras” é preciso relembrar os três principais (mas não os únicos) movimentos da Terra.  O primeiro é o de rotação em torno do próprio eixo, que dura aproximadamente 24 horas e determina os dias e as noites. O segundo movimento é o de translação em torno do Sol, que dura um pouco mais que 365 dias. Ele determina quais partes do céu estão visíveis a noite pois, se no movimento da Terra o Sol fica na frente de alguma constelação, não podemos vê-la. Temos que esperar alguns meses para estarmos num outro ponto da órbita. Desta forma, falamos de “céu de inverno” e “céu de verão”, por exemplo. Quem gosta de espiar o céu sabe: as três Marias aparecem bem no verão e o Escorpião no inverno. O terceiro movimento é o de Precessão. É o mesmo movimento executado por um pião quando está próximo de parar. É uma pequena oscilação do eixo de rotação.

 

Resumindo, a Terra gira em torno do próprio eixo, que oscila levemente, e ao mesmo tempo gira em torno do Sol. Complicado? Não esqueça que o eixo de rotação terrestre é inclinado cerca de 23°. Ou seja, a Terra gira um pouco “deitada” na sua órbita em torno do Sol. Estes são os movimentos necessários para compreender o que os místicos chamam de Nova Era de Aquário. Só mais um item: as constelações. Mas isso é fácil! Para demarcar o céu e as estações do ano, os astrônomos dividiram-no em regiões. São as constelações. As estrelas de uma mesma constelação não precisam estar ligadas entre si. É apenas uma divisão aparente do céu, para facilitar a localização das estrelas. Desde tempos remotos os homens criaram essas divisões e, atualmente, a União Astronômica Internacional dividiu o céu em 88 constelações, de tamanhos diversos.

 

Muitos nunca se interrogaram sobre isso, mas não é só a noite que temos as estrelas. De dia elas também estão sobre nós, entretanto a luz espalhada do Sol nos impede de vê-las a olho nu, pois o céu azul é mais brilhante que elas. O Sol, durante o dia, está sempre na frente de alguma constelação. Durante o ano, ele passa na frente de 13 constelações. São as constelações do Zodíaco. Tenho certeza que você conhece, pelo menos, 12 delas. São os signos, Áries, Peixes, Touro, Escorpião, etc. Não há nada de especial com elas, exceto que o Sol passa pela sua frente. Os astrólogos dizem que seu signo é Peixes, por exemplo, porque o Sol estaria na frente de Peixes de fevereiro a março. Usei este tempo verbal, porque, de fato, o Sol não está na frente de Peixes durante o período que eles falam. É que eles não fazem observações, e também não sabem fazer contas, e parece que não tem vergonha disso. Alguns já foram alertados, e inventaram conceitos esdrúxulos como “constelações teóricas” (para as deles) e “constelações naturais” (para as reais). A grande verdade, porém, é que os que eles “calculam” não bate com a realidade.

 

Lembra quando falei que a Terra gira um pouco inclinada? Isso faz com que o Sol cruze, em março e setembro, o equador celeste, uma linha imaginária que divide o céu em duas calotas, uma norte e outra sul. O ponto exato em que o Sol cruza este equador em março chama-se Ponto de Áries. Hoje, este ponto está sobre a constelação de Peixes, não de Áries. Ele mudou (e continua mudando) de posição por causa do terceiro movimento que citei, da Precessão dos Equinócios. Este movimento tem um período de 25.800 anos. Neste tempo, o Ponto de Áries passa por alguns milênios sobre algumas constelações. É daí que os astrólogos tiram a estória das Eras. De Áries este ponto passou para Peixes (agora) e por volta de 2600 estará na constelação de Aquário.

 

Se os astrólogos não sabem nem quando o Sol está de verdade na frente de uma constelação, imagina calcular em que época o Ponto de Áries estará sobre a constelação de Aquário! Alguns dizem que já ocorreu na década de 60, outros que será neste ano e os mais precavidos põem a data mais além. Nenhum deles, porém, consulta uma tabela astronômica.

 

Se tantos termos novos lhe são um pouco confusos, não se importe. O que precisa ficar claro é que as constelações são apenas delimitações do céu, criadas pelo homem por vários motivos, mas todos práticos, como início e fim dos períodos de colheira, por exemplo. Por causa dos vários movimentos da Terra, o Sol passa em alguns locais do céu que nós consideramos especiais meramente porque marcam posições interessantes, como o Ponto de Áries na passagem do Hemisfério Sul para o Norte. Estes pontos não são fixos, mas se movem como a Terra. Os astrólogos e os místicos usam estes termos técnicos sem propriedade alguma e de forma errada. Apesar de não saberem nem por onde o Sol anda, dizem poder prever seu futuro e também o da humanidade!

 

Alexandre Zabot

 

alexandrezabot@gmail.com

 

www.stalbertus.wordpress.com

 

Físico, mestre e doutorando em Astrofísica pela UFSC

 

O QUE É A FESTA DE HALLOWEEN? 

O Halloween é uma festa muito comum nos EUA e Europa e é celebrada no dia 31 de Outubro. A comemoração veio dos antigos povos bárbaros Celtas, que habitava a Grã-Bretanha há mais de 2000 anos.  

Os Celtas realizavam a colheita nessa época do ano, e, segundo um antigo ritual, para eles os espíritos das pessoas mortas voltariam à Terra durante a noite, e queriam, entre outras coisas, se alimentar e assustar as pessoas. Então os Celtas costumavam se vestir com máscaras assustadoras para afastar estes espíritos.  

Esse episódio era conhecido como o “Samhaim”. Com o passar do tempo, os cristãos chegaram à Grã-Bretanha, converteram os Celtas e outros povos da Ilha, especialmente através de S. Patrício no século IV e V; e com o grande S. Columbano no século VI. Com isso, a Igreja Católica transformou este ritual pagão, em uma festa religiosa. Esta estratégia religiosa foi ensinada por S. Leão Magno e S. Gregório Magno. Ela passou a ser celebrada nesta mesma época e, ao invés de honrar espíritos e forças ocultas, o povo recém catequizado, deveria honrar os santos, daí veio o “All Hallows Day”: o Dia de Todos os Santos.  

Mas, a tradição entre estes povos continuou, e além de celebrarem o Dia de Todos os Santos, os não convertidos ao Cristianismo celebravam também a noite da véspera do Dia de Todos os Santos com as máscaras assustadoras e com comida. A noite era chamada de “All Hallows Evening”, abreviando-se, veio o Halloween.  

Vemos assim que a tradição de comemorar as bruxas ou outros espíritos, não é cristã e deve ser evitada, ainda que tenha apenas uma conotação folclórica. Devemos, sim, celebrar  o dia de todos os Santos.  Esses são reais e verdadeiros, são modelos de vida para nós e, diante de Deus intercedem por nós sem cessar.

É bom lembrar a recomendação de São Paulo: “As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.  Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que ele?” (1 Cor 10,19-22)   

Do livro “Falsas Doutrinas – seitas e religiões”

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br