Batismo de nosso senhor Jesus Cristo

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 8:57 am on Friday, January 7, 2011

 

 

Meditando a festa do batismo do Senhor teremos oportunidade de recordamos quem somos neste mundo. Atualmente os cristãos convivem com o mundo desenfreado em tudo: moral, sexualidade, violência e outras coisas mais. Nós sentimos parte deste mundo que dá passos gigantes na economia, mas na educação e muitas outras coisas vemos um atraso e uma indiferença com muitos outros assuntos. Como cristão podemos fazer uma reflexão que nos leve a acomodarmos com este modo de viver no mundo, pois tudo que vemos na realidade e frutos da mãos humanas, ou criarmos um mundo totalmente adequado aos nossos desejos. Tudo isto nos faz somente esquecermos nosso batismo e a missão que nos foi confiada.

 

Jesus passou por esta terra fazendo o bem, isso para nós soa como óbvio, mas particularmente é fácil sempre dizer: Jesus é Jesus. Muitas vezes esquecemos que ele é a porta, é o caminho, a verdade e a vida. Deus assume nossa carne e diz que não existe um só caminho, uma só via, mas a possibilidade de viver diferente e fazer diferente. O episódio em que Jesus esta no banquete com as prostitutas e os cobradores de impostos nos mostram dentro do diálogo quem é Jesus: você é diferente deles e não deveria estar aqui. Eu não vim para os são mas para os doentes. Isso diz que todo aquele que assume a vida de Jesus Cristo através do batismo é alguém diferente. Este batizado deve assumir sua vida no mundo mas viver sua diferença. Isso diz que nós batizados temos o compromisso missionário de anunciar Jesus Cristo com a nossa vida.

 

Todo batizado recebeu a luz de Cristo e deve leva-la a todos os outros que vivem neste mundo. Uma vez conhecida a luz não há como negar que os olhos são guiados por Deus a uma nova vida. Todo batizado renasce para uma vida nova neste mundo. Ele não foge e nem si conforma com este mundo, mas dá testemunho de um novo rumo para sempre em sua vida. Eles estão no mundo mas não pertencem ao mundo.

 

Ser batizado é viver na própria pele a vontade de Deus: Ama teu Deus de todo coração e o próximo como a si mesmo. Viver esta festa litúrgica é comunicar ao nosso coração quem somos. Deus nos chamou a vivermos diferente, recordemos deste compromisso. Jesus Cristo é quem nos demonstra com a própria vida como viver melhor e de forma diferente neste mundo.

 

Salve Mãe Santa Clara

Filed under: Franciscanismo — gotasdeassis at 5:08 am on Sunday, August 8, 2010

 

Olhando bem para este mês cheio de santos decidi escrever algumas palavras sobre Santa Clara. Propriamente faço alguns apontamentos sobre a vida desta grande mulher. Em breves palavras desejo ajudar aumentar a curiosidade desta Santa Franciscana. Nossa família franciscana deixou muita coisa na história, e muitas delas são incríveis, gestos, palavras e ações que transformaram a Igreja. Uma figura como Santa Clara pode nos ajudar em nossa caminhada rumo a Deus.

 

Santa Clara de Assis nasce em 1193, e morre em 11 de agosto de 1253, foi uma religiosa que colaborou muito com São Francisco na criação e desdobramento da família franciscana. Fundadora do mosteiro das Clarissa foi declarada santa pelo papa Alessandro IV em 1255. Em fevereiro de 1958 veio declarado pelo papa Pio XII santa padroeira da televisão e das telecomunicações

 

Seus pais foram Favarone de Offreduccio e Ortolana, que pertenciam a alta classe social. Clara em seu caminho com Deus demonstra uma força de ânimo em sua escolha radical, que conduziu a deixar o matrimônio desejado pela família de origem, para assim seguir o desejo de dedicar a vida a Deus.

A noite de 28 de março de 1211 (domingo de ramos, Clara tinha 18 anos) foge por uma porta secundária da casa paterna, situada junto à catedral da cidade de Assis. Ligeiramente se encontra com Francisco e os primeiros companheiros. É São Francisco que com o gesto de corta os cabelos de Clara de Assis a recebe nesta nova vida, concede a esta santa mulher de Deus uma túnica e a faz entrar no monastério beneditino de São Paulo das Abadessas junto ao vilarejo de Bastia Umbra a 04 quilômetros de Assis. Depois de um tempo Clara se transfere para o mosteiro de Sant’Angelo de Panzo que si encontra no monte Subasio. Com o tempo sua irmã Inês vem ao seu encontro e decide fazer o mesmo caminho.

 

Em fim a Santa Madre filha da pobreza recebe as candidatas a damas pobres no mosteiro de São Damião. Tanto a outara irmã de Santa Clara chamada Beatriz e sua mãe Ortolana vieram a fazer parte desta nova comunidade. Neste mosteiro santa Clara viveu 42 anos tendo 29 destes anos sofrido uma grande e penosa doença.

Afaxinada pelas pregações e os exemplos de São Francisco, Clara desejou dar vida a uma família de clausura e pobreza, imersa na oração para si e para os outros. Chamada popularmente de “Damianas” e por São Francisco de “Damas Pobres”, serão conhecidas para sempre como “Clarissas”, onde surgiram diversas santas desta experiencia radical em Deus: santa Catarina de Bolonha, Camila de Varano, ou seja, beata Batista, santa Eustaquia, Santa Inês de Praga.

Santa Clara, no momento em que os sarrasenos buscavam invadir a cidade de Assis, decidiu rezar diante do Corpo mistico de Cristo posto no ciborio, com toda sua fé elevou o ciborio em direçao aos soldados invasores e libertou, graças ao poder de Deus, a cidade dos inimigos. Este milagre a fez padroeira da cidade de Assis.

 

Eterno é Seu nome

Filed under: Franciscanismo,Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 5:59 am on Thursday, July 22, 2010

 

Estive pensando muito sobre a questão do nosso nome, pois vejo que usa-lo não é simples. Já com a pessoa de Jesus o nome é eterno. Este nome esta acima de outro nome. Outros personagens na história tiveram seus nomes eternizados, basta olharmos para São Francisco e Santa Clara, cada um singularmente representa muitas virtudes juntas, caminho de fé, amor sem limites. Os dois juntos representam unidade, amor fraterno.

Assim comecei a pensar que nosso nome entra em um grande mistério, e que pela figura de São Francisco será possível entender com mais facilidade. Em Jesus encontramos o mistério forte de quem assume o próprio nome, pois ele se identifica com tudo que há de bom neste mundo. Muito fácil é dizer: mas Jesus é Jesus. Porem Francisco de Assis faz um caminho que nos pode auxiliar bem, pois o que ele fez em sua vida foi seguir os passos do Mestre.

Francisco se identificou muito com a pobreza, e foi ao encontro dos leprosos. Ele era quem falava muito da fraternidade: “O Senhor me deu irmãos”. Francisco usou de misericórdia, amou de uma forma tão doce. Assim quando falamos de pobreza associamos a São Francisco, ou quando queremos dizer algo sobre nossas relações humanas procuramos espelhar neste santo homem. O nome de Francisco pode ser associado com muitas virtudes e ações. Isso fez com que seu nome torna-se eterno.

Quando buscamos entender que Deus nos chamou a vida pelo nome, e que este nome em Deus tem um significado além do que pensamos, propõe então a nós fazermos este caminho, descobrirmos quem somos e encontrar o verdadeiro sentido de nosso nome. Hoje se falamos de Santa Rita teremos aquela que protege os endividados, Santo Expedito com as causas impossíveis, e assim temos muito homens e mulheres que eternizaram o própio nome, encontrando seu sentido.

Se olharmos para a nossa família teremos o mesmo. Quando estamos falando de nossos parentes de um modo muito agradável acabamos lembrando que o tio João era muito paciente, que a prima Lurdes tem uma disponibilidade incrível para fazer trabalhos na tela. A vovó Ana nutriu um carinho enorme pelos netos, etc. Desta forma têm que os nomes começam a revelar o verdadeiro ser da pessoa. Dizer tal nome não é dizer qualquer coisa, mas um conjunto de verdades que estão relacionados a tal pessoa.

O problema que não só as coisas boas se eternizam, mas as ruins também. Muita gente busca usar de violência com o próximo, a arrogância desenfreada, e outras maldades que se encontram neste mundo. Começam a associar nosso nome com tantos vícios, e logo desejam esquecer das pessoas que tanto mal fazem neste mundo, algumas terão o nome de perversidade neste mundo.

Porém encontramos pessoas que não si arriscam a procurar o verdadeiro sentido do próprio nome, que passam neste mundo deixando poucas marcas entre nós. Isso começa a revelar que a pessoa não entendeu muito bem a própria existência, e que as relações nos ajudam a entender melhor quem somos. No meu pensamento temos o direito de descobrir o verdadeiro significado de nosso nome buscando viver intensamente para que seja eternizado. Busque como São Francisco e outros conhecer a fundo a palavra de vida que Deus te chamou. Em Deus tudo é eterno, e você também.

Palavra de um Grande Pastor

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 12:35 pm on Monday, March 22, 2010

Carta pastoral de Bento XVI aos católicos da Irlanda
No contexto dos abusos de crianças e jovens por parte do clero
CIDADE DO VATICANO, sábado, 20 de março de 2010 (ZENIT.org).- Publicamos a carta pastoral que Bento XVI enviou aos católicos da Irlanda, em tradução não oficial ao português, difundida pela Santa Sé hoje.

* * *  1. Amados Irmãos e Irmãs da Igreja na Irlanda, é com grande preocupação que vos escrevo como Pastor da Igreja universal. Como vós, fiquei profundamente perturbado com as notícias dadas sobre o abuso de crianças e jovens vulneráveis da parte de membros da Igreja na Irlanda, sobretudo de sacerdotes e religiosos. Não posso deixar de partilhar o pavor e a sensação de traição que muitos de vós experimentastes ao tomar conhecimento destes actos pecaminosos e criminais e do modo como as autoridades da Igreja na Irlanda os enfrentaram.
Como sabeis, convidei recentemente os bispos irlandeses para um encontro aqui em Roma a fim de referir sobre o modo como trataram estas questões no passado e indicar os passos que empreenderam para responder a esta grave situação. Juntamente com alguns altos Prelados da Cúria Romana ouvi quanto tinham para dizer, quer individualmente quer em grupo, enquanto propunham uma análise dos erros cometidos e das lições aprendidads, e uma descrição dos programas e dos protocolos hoje existente. As nossas reflexões foram francas e construtivas. Alimento a confiança de que, como resultado, os bispos se encontrem agora numa posição mais forte para levar por diante a tarefa de reparar as injustiças do passado e para enfrentar as temáticas mais amplas relacionadas com o abuso dos menores segundo modalidades conformes com as exigências da justiça e com os ensinamentos do Evangelho.
2. Por meu lado, considerando a gravidade destas culpas e a resposta muitas vezes inadequada que lhes foi reservada da parte das autoridades eclesiásticas no vosso país,, decidi escrever esta Carta Pastoral para vos expressar a minha proximidade, e para vos propor um caminho de cura, de renovação e de reparação.
Na realidade, como muitos no vosso país revelaram, o problema do abuso dos menores não é específico nem da Irlanda nem da Igreja. Contudo a tarefa que agora tendes à vossa frente é enfrentar o problema dos abusos que se verificaram no âmbito da comunidade católica irlandesa e de o fazer com coragem e determinação. Ninguém pense que esta dolorosa situação se resolverá em pouco tempo. Foram dados passos em frente positivos, mas ainda resta muito para fazer. É preciso perseverança e oração, com grande confiança na força restabelecedora da graça de Deus.
Ao mesmo tempo, devo expressar também a minha convicção de que, para se recuperar desta dolorosa ferida, a Igreja na Irlanda deve em primeiro lugar reconhecer diante do Senhor e diante dos outros, os graves pecados cometidos contra jovens indefesos. Esta consciência, acompanhada de sincera dor pelo dano causado às vítimas e às suas famílias, deve levar a um esforço concentrado para garantir a protecção dos jovens em relação a semelhantes crimes no futuro.
Enquanto enfretais os desafios deste momento, peço-vos que vos recordeis da «rocha de que fostes talhados» (Is 51, 1). Reflecti sobre as contribuições generosas, com frequência heróicas, oferecidas à Igreja e à humanidade como tal pelas passadas gerações de homens e mulheres irlandeses, e deixai que isto gere impulso para um honesto auto-exame e um convicto programa de renovação eclesial e individual. A minha oração é por que, assistida pela intercessão dos seus muitos santos e purificada pela penitência, a Igreja na Irlanda supere a presente crise e volte a ser uma testemunha convincente da verdade e da bondade de Deus omnipotente, manifestadas no seu Filho Jesus Cristo.
3. Historicamente os católicos da Irlanda demonstraram-se uma grande força de bem quer na pátria quer fora. Monges célticos, como São Colombano, difundiram o Evangelho na Europa Ocidental lançando as bases da cultura monástica medieval. Os ideais de santidade, de caridade e de sabedoria transcendente que derivam da fé cristã, encontraram expressão na construção de igrejas e mosteiros e na instituição de escolas, bibliotecas e hospitais que consolidaram a identidade espiritual da Europa. Aqueles missionários irlandeses tiraram a sua força e inspiração da fé sólida, da guia forte e dos comportamentos morais rectos da Igreja na sua terra natal.
A partir do século XVI, os católicos na Irlanda sofreram um longo período de perseguição, durante o qual lutaram para manter viva a chama da fé em circunstâncias perigosas e difíceis. Santo Oliver Plunkett, o Arcebispo mártir de Armagh, é o exemplo mais famoso de uma multidão de corajosos filhos e filhas da Irlanda dispostos a dar a própria vida pela fidelidade ao Evangelho. Depois da Emancipação Católica, a Igreja teve a liberdade de crescer de novo. Famílias e inúmeras pessoas que tinham preservado a fé durante os tempos das provações tornaram-se a centelha de um grande renascimento do catolicismo irlandês no século XIX. A Igreja forneceu escolarização, sobretudo aos pobres, e isto deu uma grande contribuição à sociedade irlandesa. Um dos frutos das novas escolas católicas foi um aumento de vocações: gerações de sacerdotes, irmãs e irmãos missionários deixaram a pátria para servir em todos os continentes, sobretudo no mundo de língua inglesa. Foram admiráveis não só pela vastidão do seu número, mas também pela robustez da fé e pela solidez do seu empenho pastoral. Muitas dioceses, sobretudo em África, América e Austrália, beneficiaram da presença de clero e religiosos irlandeses que anunciaram o Evangelho e fundaram paróquias, escolas e universidades, clínicas e hospitais, que serviram tanto os católicos, como a sociedade em geral, com atenção especial às necessidades dos pobres.
Em quase todas as famílias da Irlanda houve alguém – um filho ou uma filha, uma tia ou um tio – que deu a própria vida à Igreja. Justamente as famílias irlandesas têm em grande estima e afecto os seus queridos, que ofereceram a própria vida a Cristo, partilhando o dom da fé com outros e actualizando-a num serviço amoroso a Deus e ao próximo.
4. Contudo, nos últimos decénios a Igreja no vosso país teve que se confrontar com novos e graves desafios à fé que surgiram da rápida transformação e secularização da sociedade irlandesa. Verificou-se uma mudança social muito rápida, que muitas vezes atingiu com efeitos hostis a tradicional adesão do povo ao ensinamento e aos valores católicos. Com frequência as práticas sacramentais e devocionais que sustentam a fé e a tornam capaz de crescer, como por exemplo a confissão frequente, a oração quotidiana e os ritos anuais, não foram atendidas. Determinante foi também neste período a tendência, até da parte de sacerdotes e religiosos, para adoptar modos de pensamento e de juízo das realidades seculares sem referência suficiente ao Evangelho. O programa de renovação proposto pelo Concílio Vaticano II por vezes foi mal compreendido e na realidade, à luz das profundas mudanças sociais que se estavam a verificar, não era fácil avaliar  o modo melhor de o realizar. Em particular, houve uma tendência, ditada por recta intenção mas errada, a evitar abordagens penais em relação a situações canónicas irregulares. É neste contexto geral que devemos procurar compreender o desconcertante problema do abuso sexual dos jovens, que contribuiu em grande medida para o enfraquecimento da fé e para a perda do respeito pela Igreja e pelos seus ensinamentos.
Só examinando com atenção os numerosos elementos que deram origem à crise actual é possível empreender uma diagnose clara das suas causas e encontrar remédios eficazes. Certamente, entre os factores que para ela contribuíram podemos enumerar: procedimentos inadequados para determinar a idoneidade dos candidatos ao sacerdócio e à vida religiosa; insuficiente formação humana, moral, intelectual e espiritual nos seminários e nos noviciados; uma tendência na sociedade a favorecer o clero e outras figuras com autoridade e uma preocupação inoportuna pelo bom nome da Igreja e para evitar os escândalos, que levaram como resultado à malograda aplicação das penas canónicas em vigor e à falta da tutela da dignidade de cada pessoa. É preciso agir com urgência para enfrentar estes factores, que tiveram consequências tão trágicas para as vidas das vítimas e das suas famílias e obscureceram a luz do Evangelho a tal ponto, ao qual nem sequer séculos de perseguição não tinham chegado.
5. Em diversas ocasiões desde a minha eleição para a Sé de Pedro, encontrei vítimas de abusos sexuais, assim como estou disponível a fazê-lo no futuro. Detive-me com elas, ouvi as suas vicissitudes, tomei nota do seu sofrimento, rezei com e por elas. Precedentemente no meu pontificado, na preocupação por enfrentar este tema, pedi aos Bispos da Irlanda, por ocasião da visita ad limina de 2006, que «estabelecessem a verdade de quanto aconteceu no passado, tomassem todas as medidas adequadas para evitar que se repita no futuro, garantissem que os princípios de justiça sejam plenamente respeitados e, sobretudo, curassem as vítimas e quantos são atingidos por estes crimes abnormes» (Discurso aos Bispos da Irlanda, 28 de Outubro de 2006).
     Com esta Carta, pretendo exortar todos vós, como povo de Deus na Irlanda, a reflectir sobre as feridas infligidas ao corpo de Cristo, sobre os remédios, por vezes dolorosos, necessários para as atar e curar, e sobre a necessidade de unidade, de caridade e de ajuda recíproca no longo processo de restabelecimento e de renovação eclesial. Dirijo-me agora a vós com palavras que me vêm do coração, e desejo falar a cada um de vós individualmente e a todos como irmãos e irmãs no Senhor.
6. Às vítimas de abuso e às suas famílias
Sofrestes tremendamente e por isto sinto profundo desgosto. Sei que nada pode cancelar o mal que suportastes. Foi traída a vossa confiança e violada a vossa dignidade. Muitos de vós experimentastes que, quando éreis suficientemente corajosos para falar de quanto tinha acontecido, ninguém vos ouvia. Quantos de vós sofrestes abusos nos colégios deveis ter compreendido que não havia modo de evitar os vossos sofrimentos. É comprensível que vos seja difícil perdoar ou reconciliar-vos com a Igreja. Em seu nome expresso abertamente a vergonha e o remorso que todos sentimos. Ao mesmo tempo peço-vos que não percais a esperança. É na comunhão da Igreja que encontramos a pessoa de Jesus Cristo, ele mesmo vítima de injustiça e de pecado. Como vós, ele ainda tem as feridas do seu injusto padecer. Ele compreende a profundeza dos vossos padecimentos e o persistir do seu efeito nas vossas vidas e nos relacionamentos com os outros, incluídas as vossas relações com a Igreja. Sei que alguns de vós têm dificuldade até de entrar numa igreja depois do que aconteceu. Contudo, as mesmas feridas de Cristo, transformadas pelos seus sofrimentos redentores, são os instrumentos graças aos quais o poder do mal é infrangido e nós renascemos para a vida e para a esperança. Creio firmemente no poder restabelecedor do seu amor sacrifical – também nas situações mais obscuras e sem esperança – que traz a libertação e a promessa de um novo início.
Dirigindo-me a vós como pastor, preocupado pelo bem de todos os filhos de Deus, peço-vos com humildade que reflictais sobre quanto vos disse. Rezo a fim de que, aproximando-vos de Cristo e participando na vida da sua Igreja – uma Igreja purificada pela penitência e renovada na caridade pastoral – possais redescobrir o amor infinito de Cristo por todos vós. Tenho confiança em que deste modo sereis capazes de encontrar reconciliação, profunda cura interior e paz.
7. Aos sacerdotes e aos religiosos que abusaram dos jovens
Traístes a confiança que os jovens inocentes e os seus pais tinham em vós. Por isto deveis responder diante de Deus omnipotente, assim como diante de tribunais devidamente constituídos. Perdestes a estima do povo da Irlanda e lançastes vergonha e desonra sobre os vossos irmãos. Quantos de vós sois sacerdotes violastes a santidade do sacramento da Ordem Sagrada, no qual Cristo se torna presente em nós e nas nossas acções. Juntamente com o enorme dano causado às vítimas, foi perpetrado um grande dano à Igreja e à percepção pública do sacerdócio e da vida religiosa.
Exorto-vos a examinar a vossa consciência, a assumir a vossa responsabilidade dos pecados que cometestes e a expressar com humildade o vosso pesar. O arrependimento sincero abre a porta ao perdão de Deus e à graça do verdadeiro emendamento. Oferecendo orações e penitências por quantos ofendestes, deveis procurar reparar pessoalmente as vossas acções. O sacrifício redentor de Cristo tem o poder de perdoar até o pecado mais grave e de obter o bem até do mais terrível dos males. Ao mesmo tempo, a justiça de Deus exige que prestemos contas das nossas acções sem nada esconder. Reconhecei abertamente a vossa culpa, submetei-vos às exigências da justiça, mas não desespereis da misericórdia de Deus.
8. Aos pais
Ficastes profundamente transtornados ao tomar conhecimento das coisas terríveis que tiveram lugar naquele que deveria ter sido o ambiente mais seguro para todos. No mundo de hoje não é fácil construir um lar doméstico e educar os filhos. Eles merecem crescer num ambiente seguro, amados e queridos, com um forte sentido da sua identidade e do seu valor. Têm direito a ser educados nos valores morais autênticos, radicados na dignidade da pessoa humana, a serem inspirados pela verdade da nossa fé católica e a aprender modos de comportamento e de acção que os levem a uma sadia estima de si e à felicidade duradoura. Esta tarefa nobre e exigente está confiada em primeiro lugar a vós, seus pais. Exorto-vos a fazer a vossa parte para garantir a melhor cura possível dos jovens, quer em casa quer na sociedade em geral, enquanto que a Igreja, por seu lado, continua a pôr em prática as medidas adoptadas nos últimos anos para tutelar os jovens nos ambients paroquiais e educativos. Enquanto dais continuidade às vossas importantes responsabilidades, certifico-vos de que estou próximo de vós e que vos dou o apoio da minha oração.
9. Aos meninos e aos jovens da Irlanda
Desejo oferecer-vos uma particular palavra de encorajamento. A vossa experiência de Igreja é muito diversa da que fizeram os vossos pais e avós. O mundo mudou muito desde quando eles tinham a vossa idade. Não obstante, todos, em cada geração, estão chamados a percorrer o mesmo caminho da vida, sejam quais forem as circunstâncias. Todos estamos escandalizados com os pecados e as falências de alguns membros da Igreja, sobretudo de quantos foram escolhidos de modo especial para guiar e servir os jovens. Mas é na Igreja que encontrareis Jesus Cristo que é o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13, 8). Ele ama-vos e ofereceu-se a si próprio na Cruz por vós. Procurai uma relação pessoal com ele na comunhão da sua Igreja, porque ele nunca trairá a vossa confiança! Só ele pode satisfazer as vossas expectativas mais profundas e conferir às vossas vidas o seu significado mais pleno orientando-as para o serviço ao próximo. Mantende o olhar fixo em Jesus e na sua bondade e protegei no vosso coração a chama da fé. Juntamente com os vossos irmãos católicos na Irlanda olho para vós a fim de que sejais discípulos fiéis do nosso Deus e contribuais com o vosso entusiasmo e com o vosso idealismo tão necessários para a reconstrução e para o renovamento da nossa amada Igreja.
10. Aos sacerdotes e aos religiosos da Irlanda
Todos nós estamos a sofrer como consequência dos pecados dos nossos irmãos que traíram uma ordem sagrada ou não enfrentaram de modo justo e responsável as acusações de abuso. Perante o ultraje e a indignação que isto causou, não só entre os leigos mas também entre vós e as vossas comunidades religiosas, muitos de vós sentis-vos pessoalmente desanimados e também abandonados. Além disso, estou consciente de que aos olhos de alguns sois culpados por associação, e considerados como que de certo modo responsáveis pelos delitos de outros. Neste tempo de sofrimento, desejo reconhecer-vos a dedicação da vossa vida de sacerdotes e de religiosos e dos vossos apostolados, e convido-vos a reafirmar a vossa fé em Cristo, o vosso amor à sua Igreja e a vossa confiança na promessa de redenção, de perdão e de renovação interior do Evangelho. Deste modo, demonstrareis a todos que onde abunda o pecado, superabunda a graça (cf. Rm 5, 20).
Sei que muitos de vós estais desiludidos, transtornados e encolerizados pelo modo como estas questões foram tratadas por alguns dos vossos superiores. Não obstante, é essencial que colaboreis de perto com quantos têm a autoridade e que vos comprometais para fazer com que as medidas adoptadas para responder à crise sejam verdadeiramente evangélicas, justas e eficazes. Sobretudo, exorto-vos a tornar-vos cada vez mais claramente homens e mulheres de oração, seguindo com coragem o caminho da conversão, da purificação e da reconciliação. Deste modo, a Igreja na Irlanda haurirá nova vida e vitalidade do vosso testemunho ao poder redentor do Senhor tornado visível na vossa vida.
11. Aos meus irmãos bispos
Não se pode negar que alguns de vós e dos vossos predecessores falhastes, por vezes gravemente, na aplicação das normas do direito canónico codificado há muito tempo sobre os crimes de abusos de jovens. Foram cometidos sérios erros no tratamento das acusações. Compreendo como era difícil lançar mão da extensão e da complexidade do problema, obter informações fiáveis e tomar decisões justas à luz de conselhos divergentes de peritos. Contudo, deve-se admitir que foram cometidos graves erros de juízo e que se verificaram faltas de governo. Tudo isto minou seriamente a vossa credibilidade e eficiência. Aprecio os esforços que fizestes para remediar os erros do passado e para garantir que não se repitam. Além de pôr plenamente em prática as normas do direito canónico ao enfrentar os casos de abuso de jovens, continuai a cooperar com as autoridades civis no âmbito da sua competência. Claramente, os superiores religiosos devem fazer o mesmo. Também eles participaram em recentes encontros aqui em Roma destinados a estabelecer uma abordagem clara e coerente destas questões. É obrigatório que as normas da Igreja na Irlanda para a tutela dos jovens sejam constantemente revistas e actualizadas e que sejam aplicadas de modo total e imparcial em conformidade com o direito canónico.
Só uma acção decidida levada em frente com total honestidade e transparência poderá restabelecer o respeito e a benquerença dos Irlandeses em relação à Igreja à qual consagrámos a nossa vida. Isto deve brotar, antes de tudo, do exame de vós próprios, da purificação interior e da renovação espiritual. O povo da Irlanda espera justamente que sejais homens de Deus, que sejais santos, que vivais com simplicidade, que procureis todos os dias a conversão pessoal. Para ele, segundo a expressão de Santo Agostinho, sois bispos; contudo estais chamados a ser com eles seguidores de Cristo (cf. Discurso 340, 1). Exorto-vos portanto a renovar o vosso sentido de responsabilidade diante de Deus, a crescer em solidariedade com o vosso povo e a aprofundar a vossa solicitude pastoral por todos os membros da vossa grei. Em particular, sede sensíveis à vida espiritual e moral de cada um dos vossos sacerdotes. Sede um exemplo com as vossas próprias vidas, estai-lhes próximos, ouvi as suas preocupações, oferecei-lhes encorajamento neste tempo de dificuldades e alimentai a chama do seu amor a Cristo e o seu compromisso no serviço dos seus irmãos e irmãs.
Também os leigos devem ser encorajados a fazer a sua parte na vida da Igreja. Fazei com que sejam formados de modo que possam dizer a razão, de maneira articulada e convincente, do Evangelho na sociedade moderna (cf. 1 Pd 3, 15), e cooperem mais plenamente na vida e na missão da Igreja. Isto, por sua vez, ajudar-vos-á a ser de novo guias e testemunhas credíveis da verdade redentora de Cristo.
12. A todos os fiéis da Irlanda
A experiência que um jovem faz da Igreja deveria dar sempre fruto num encontro pessoal e vivificante com Jesus Cristo numa comunidade que ama e que oferece alimento. Neste ambiente, os jovens devem ser encorajados a crescer até à sua plena estatura humana e espiritual, a aspirar por ideais nobres de santidade, de caridade e de verdade e a inspirar-se nas riquezas de uma grande tradição religiosa e cultural. Na nossa sociedade cada vez mais secularizada, na qual também nós critãos muitas vezes temos dificuldade em falar da dimensão transcendente da nossa existência, precisamos de encontrar novos caminhos para transmitir aos jovens a beleza e a riqueza da amizade com Jesus Cristo na comunhão da sua Igreja. Ao enfrentar a presente crise, as medidas para se ocupar de modo justo de cada um dos crimes são essenciais, mas sozinhas não são suficientes: há necessidade de uma nova visão para inspirar a geração actual e as futuras a fazer tesouro do dom da nossa fé comum. Caminhando pela via indicada pelo Evangelho, observando os mandamentos e conformando a nossa vida de maneira cada vez mais próxima com a pessoa de Jesus Cristo, fareis a experiência da renovação profunda da qual hoje há uma urgente necessidade. Convido-vos a todos a perseverar neste caminho.
13. Amados irmãos e irmãs em Cristo, é com profunda preocupação por todos vós neste tempo de sofrimento, no qual a fragilidade da condição humana foi tão claramente revelada, que desejei oferecer-vos estas palavras de encorajamento e de apoio. Espero que as acolhais como um sinal da minha proximidade espiritual e da minha confiança na vossa capacidade de responder aos desafios do momento actual tirando renovada inspiração e força das nobres tradições da Irlanda de fidelidade ao Evangelho, de perseverança na fé e de firmeza na consecução da santidade. Juntamente com todos vós, rezo com insistência para que, com a graça de Deus, as feridas que atingiram muitas pessoas e famílias possam ser curadas e que a Igreja na Irlanda possa conhecer uma época de renascimento e de renovação espiritual.
14. Desejo propor-vos algumas iniciativas concretas para enfrentar a situação. No final do meu encontro com os Bispos da Irlanda, pedi que a Quaresma  deste ano fosse considerada como tempo de oração para uma efusão da misericórdia de Deus e dos dons de santidade e de força do Espírito Santo sobre a Igreja no vosso país. Agora convido todos vós a dedicar as vossas penitências da sexta-feira, durante todo o ano, de agora até à Páscoa de 2011, por esta finalidade. Peço-vos que ofereçais o vosso jejum, a vossa oração, a vossa leitura da Sagrada Escritura e as vossas obras de misericórdia para obter a graça da cura e da renovação para a Igreja na Irlanda. Encorajo-vos a redescobrir o sacramento da Reconciliação e a valer-vos com mais frequência da força transformadora da sua graça.
Deve ser dedicada também particular atenção à adoração eucarística, e em cada diocese deverão haver igrejas ou capelas reservadas especificamente para esta finalidade. Peço que as paróquias, os seminários, as casas religiosas e os mosteiros organizem tempos para a adoração eucarística, de modo que todos tenham a possibilidade de participar deles. Com oração fervorosa diante da presença real do Senhor, podeis fazer a reparação pelos pecados de abuso que causaram tantos danos, e ao mesmo tempo implorar a graça de uma renovada força e de um sentido da missão mais profundo por parte de todos os bispos, sacerdotes, religiosos e fiéis.
Tenho esperança em que este programa levará a um renascimento da Igreja na Irlanda na plenitude da própria verdade de Deus, porque é a verdade que nos torna livres (cf. Jo 8, 32).
Além disso, depois de me ter consultado e rezado sobre a questão, tenciono anunciar uma Visita Apostólica a algumas dioceses da Irlanda, assim como a seminários e congregações religiosas. A Visita propõe-se ajudar a Igreja local no seu caminho de renovação e será estabelecida em cooperação com as repartições competentes da Cúria Romana e com a Conferência Episcopal Irlandesa. Os pormenores serão anunciados no devido momento.
Além disso proponho que se realize uma Missão a nível nacional para todos os bispos, sacerdotes e religiosos. Alimento a esperança de que, haurindo da competência de peritos pregadores e organizadores de retiros quer da Irlanda como de outras partes, e reexaminando os documentos conciliares, os ritos litúrgicos da ordenação e da profissão e os recentes ensinamentos pontifícios, alcanceis um apreço mais profundo das vossas respectivas vocações, de modo a redescobrir as raízes da vossa fé em Jesus Cristo e a beber abundantemente nas fontes da água viva que ele vos oferece através da sua Igreja.
Neste Ano dedicado aos Sacerdotes, recomendo-vos de modo muito particular a figura de São João Maria Vianney, que teve uma compreensão tão rica do mistério do sacerdócio. «O sacerdote, escreveu, possui a chave dos tesouros do céu: é ele quem abre a porta, é ele o dispensador do bom Deus, o administrador dos seus bens». O cura d’Ars compreendeu bem como é grandemente abençoada uma comunidade quando é servida por um sacerdote bom e santo. «Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o tesouro maior que o bom Deus pode dar a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina». Por intercessão de São João Maria Vianney possa o sacerdócio na Irlanda retomar vida e a inteira Igreja na Irlanda crescer na estima do grande dom do ministério sacerdotal.
Aproveito esta ocasião para agradecer desde já a quantos se comprometerem no empenho de organizar a Visita Apostólica e a Missão, assim como os tantos homens e mulheres que em toda a Irlanda já se comprometeram pela tutela dos jovens nos ambientes eclesiásticos. Desde quando a gravidade e a extensão do problema dos abusos sexuais dos jovens em instituições católicas começou a ser plenamente compreendido, a Igreja desempenhou uma grande quantidade de trabalho em muitas partes do mundo, a fim de o enfrentar e remediar. Enquanto não se deve poupar esforço algum para melhorar e actualizar procedimentos já existentes, encoraja-me o facto de que as práticas de tutela em vigor, adoptadas pelas Igrejas locais, são consideradas, nalgumas partes do mundo, um modelo que deve ser seguido por outras instituições.
Desejo concluir esta Carta com uma especial Oração pela Igreja na Irlanda, que vos envio com o cuidado que um pai tem pelos seus filhos e com o afecto de um cristão como vós, escandalizado e ferido por quanto aconteceu na nossa amada Igreja. Ao utilizardes esta oração nas vossas famílias, paróquias e comunidades, que a Bem-Aventurada Virgem Maria vos proteja e vos guie pelo caminho que conduz a uma união mais estreita com o seu Filho, crucificado e ressuscitado. Com grande afecto e firme confiança nas promessas de Deus, concedo de coração a todos vós a minha Bênção Apostólica em penhor de força e paz no Senhor.
Vaticano, 19 de Março de 2010, Solenidade de São José

Benedictus PP. XVI
ORAÇÃO PELA IGREJA NA IRLANDA
 
Deus dos nossos pais,
Renova-nos na fé que é para nós vida e salvação
na esperança que promete perdão e renovação interior,
na caridade que purifica e abre os nossos corações
para te amar, e em ti, amar todos os nossos irmãos e irmãs.
Senhor Jesus Cristo
possa a Igreja na Irlanda renovar o seu milenário compromisso
na formação dos nossos jovens no caminho da verdade,
da bondade, da santidade e do serviço generoso à sociedade.
Espírito Santo, consolador, advogado e guia,
inspira uma nova primavera de santidade e de zelo apostólico
para a Igreja na Irlanda.
Possa a nossa tristeza e as nossas lágrimas
o nosso esforço sincero por corrigir os erros do passado,
e o nosso firme propósito de correcção,
dar abundantes frutos de graça
para o aprofundamento da fé
nas nossas famílias, paróquias, escolas e associações,
e para o progresso espiritual da sociedade irlandesa,
e para o crescimento da caridade, da justiça, da alegria
e da paz, na inteira família humana.
A ti, Trindade,
com plena confiança na amorosa protecção de Maria,
Rainha da Irlanda, nossa Mãe,
e de São Patrício, de Santa Brígida e de todos os santos,
recomendamos a nós próprios, os nossos jovens,
e as necessidades da Igreja na Irlanda.
Amém.

Viver a espiritualidade neste tempo quaresmal

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 8:21 am on Monday, February 22, 2010

 

Estamos em pleno período de quaresma, e penso que devemos recordar da nossa caminhada espiritual, pois neste período teremos a oportunidade de reviver cada proposta de radicalização do nosso batismo como caminho em direção a uma vida mais santa.

 

Hoje nós precisamos muito de voltar os nossos olhos a espiritualidade, pois muitos nesta religião são membros de pastorais, ou estão sempre e lugares que exigem uma postura madura e concreta do verdadeiro ser cristão. Digo assim, pois com o nosso batismo nos tornamos homens e mulheres pregadores de uma nova vida, de um novo reino. Não se pode pregar algo que não seja real, e para termos firme nossa fé na verdade que Deus nos enviou devemos colocar em prova na nossa própria pele.

 

Recordar que somos cristãos todos os dias parece não ser um desafio, mas colocar em prática realmente se torna difícil. Nós cristãos temos uma ideia do que é ser cristão, e buscamos que isso seja feito em nós, o mundo também tem uma ideia de como os cristãos devem se comportar neste mundo, mas muitas vezes somos julgados de forma muito bruta pelo mundo quanto por nós mesmos.

 

Olhando para este tempo de quaresma a espiritualidade precisa ser colocada em nossa vida em um lugar de destaque. Voltar a pensar que tudo se pode resolver a partir da palavra de Deus, que nossa vida é pautada no amor. Sentir que podemos ressuscitar sempre em nosso coração o chamado de Deus através de Jesus Cristo: “Se quer me seguir, toma tua cruz e segue-me”.

 

O mistério da cruz deve ser o ponto de partida para nós cristãos no processo de espiritualidade. A espiritualidade pode transformar tudo, mas devemos reconhecer que ela somente transforma quando nos conhecemos, e decidimos com tal verdade mudar a nossa vida. Sempre faremos propostas de mudar isso ou aquilo de nós, assim temos realmente o fato que a espiritualidade nos leva a uma nova forma de viver.

 

Se escolho vencer meu egoísmo e meu orgulho, então devo saber que no meu dia a dia terei que dialogar comigo mesmo diante de diversas situações que me vem a frente. Vamos ao exemplo, pois gosto muito deste modo pedagógico de ensinar: Uma jovem que decide combater em si o próprio eu egoísta, ela então começa a ver o mundo diferente, onde ela tem que dar certas repostas para que o egoísmo não domine a situação. Ela começa a ser mais disponível quando alguém li pede para abrir a porta, ou pede para acompanhar a padaria. Ela sabe que quando esta em casa se irrita quando os familiares pedem muitas coisas, mas ela começa a usar de palavras brandas e gentias quando não deseja, ou mesmo quando já esta ocupada.

 

Esta nossa jovem sente que tudo isto se pode fazer aos poucos. É como comer um prato de mingau muito quente: se come pelas beiradas, esfriando sempre, e no fim se vê que consegui comer tudo. Assim a espiritualidade é bem trabalhada em nossa vida. Não queira fazer de uma vez só, pois queimando a língua fazemos como as crianças deixando de comer. Se cada vez que encontramos dificuldades para colocar em prova na nossa vida a espiritualidade pode nos levar a parar ali mesmo, pois a ansiedade cresce tanto dentro de nós que não suportamos errar diante das nossas propostas. Tudo se faz aos poucos sem usar força desnecessária.

Porem tem o caso daqueles que fazem o caminho de espiritualidade, mas não reconhecem a própria vida, que não encaram com a verdade, e não aceitam mudanças. Estas pessoas fazem um caminho cego, onde buscam invés de transformação a própria compensação. Pessoas que fazem tais atos esperando receber de volta o desejado. Encontramos pessoas que querem ser elogiadas e reconhecidas porque deram para alguém que precisava de roupa uma doação. Se esta pessoa não é elogiada tudo parece cair.

 

Devemos recordar então da oração de são Francisco: “Amar que ser amado. Compreender que ser compreendido”. Desta forma teremos então que a espiritualidade nos ajuda a mudar nós mesmo, e não a fazer com que as pessoas recompensem o nosso esforço. Se deseja ser melhor a cada dia não deve depender que as pessoas façam isso por ti, mas aprenda a viver o caminho de espiritualidade.

 

Não podemos esquecer que o cristão não usam jamais esta frase: “errar é humano”, porem o cristão usa um outro modo de viver neste mundo: “se eu erro terei o dever de retornar, pedir desculpas, e corrigir”. A espiritualidade nos faz crescer mais humanamente. Seja cada vez mais um cristão humanizado. “Sede santo como vosso Pai é santo”.

Homens e mulheres – sacerdotes de Cristo pelo batismo

Filed under: Franciscanismo,Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 6:35 am on Friday, December 18, 2009

 

Desta vez apresento um texto do Frei franciscano Raniero Catalamessa sobre o sacerdócio. Estamos próximo do natal, e vivendo o tempo do advento, assim vejo que esta reflexão possa nos ajudar a promover uma boa visão da nossa fé, que com toda a sua complexidade nos permite experimentar na ação mistagógica em nossa vida a vontade do Deus vivente.

 

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 4 de dezembro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos a seguir a primeira meditação do Advento que o pregador da Casa Pontifícia, padre Raniero Cantalamessa, OFM Cap., pronunciou hoje na presença de Bento XVI, na capela Redemptoris Mater, do Palácio Apostólico. O tema da meditação é: “Ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (1 Coríntios 4, 1).
* * *
1. A fonte de todo sacerdócio
Na escolha do tema a ser proposto nestas pregações à Casa Pontifícia, busco sempre me guiar pelo momento de graça especial que a Igreja está vivendo. No ano passado, era a graça do Ano Paulino, este ano é a graça do Ano Sacerdotal, por cuja proclamação, Santo Padre, estamos profundamente gratos.
O Concílio Vaticano II dedicou ao tema do sacerdócio um documento inteiro, Presbyterorum ordinis; João Paulo II, em 1992, dirigiu a toda Igreja a exortação apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis, sobre a formação dos sacerdotes nas circunstâncias atuais; o atual Sumo Pontífice, neste Ano Sacerdotal, traçou um breve mas intenso perfil do sacerdote, à luz a vida do Santo Cura d’Ars. Isso para não falar das intervenções de cada bispo sobre o tema, e também dos livros escritos sobre a figura e missão do sacerdote no século recém-terminado, alguns dos quais obras literárias de primeira grandeza.
Que se pode acrescentar a tudo isso no breve período de uma meditação? Encoraja-me o dizer com o qual um pregador iniciava sua fala: Non nova ut sciatis, sed vetera ut faciatis: “O importante não é conhecer coisas novas, mas colocar em prática o que sabe”. Renuncio então a qualquer tentativa de síntese doutrinal, de apresentação global ou perfil ideal sobre o sacerdote (não teria tempo nem capacidade) e busco, se possível, fazer vibrar o nosso coração sacerdotal, ao contato com algo da Palavra de Deus.
A palavra da Escritura que servirá como fio condutor é 1 Coríntios 4, 1, que muitos de nós recordamos na tradução latina da Vulgata: Sic nos existimet homo ut ministros Christi et dispensatores mysteriorum Dei: “Que as pessoas nos considerem como ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus”. A esta podemos ligar, em alguns aspectos, a definição da Carta aos Hebreus: “Cada sumo sacerdote, escolhido entre os homens, é constituído para o bem dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus” (Hebreus 5, 1).
Essas frases têm a vantagem de reportar à raiz comum de cada sacerdócio, que é aquele estágio da revelação em que o ministério apostólico ainda não é diversificado, dando origem aos três graus canônicos de bispo, sacerdote e diácono, que, ao no que diz respeito às respectivas funções, ficará claro apenas com Santo Inácio de Antioquia, no início do século II. Essa raiz comum é realçada pelo Catecismo da Igreja Católica, que define a Ordem como “o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja, até ao fim dos tempos: é, portanto, o sacramento do ministério apostólico” (n. 1536).
É a este estágio inicial que tentaremos nos referir o quanto possível em nossa meditação, a fim de captar a essência do ministério sacerdotal. Neste Advento, levaremos em consideração apenas a primeira frase do Apóstolo: “Servos de Cristo”. Se Deus quiser, prosseguiremos na Quaresma nossa reflexão, meditando sobre o que significa para um sacerdote ser “administradores dos mistérios de Deus” e quais são os mistérios que deve administrar.
“Servos de Cristo!” (com ponto exclamativo para indicar a grandeza, dignidade e beleza desse título): eis a palavra que deve tocar nossos corações nesta meditação e fazê-lo vibrar com santo orgulho. Não estamos falando dos serviços práticos ou ministeriais, como administrar a palavra e os sacramentos (disso, como comentei, falaremos na Quaresma); não falamos, em outras palavras, do serviço como ato, mas do serviço como estado, como vocação fundamental e como identidade do sacerdote, e falamos sobre isso  na mesma direção e com o mesmo espírito de Paulo, que ao início de suas cartas apresenta-se como: “Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo por vocação”.
No passaporte invisível do sacerdote, aquele com o qual se apresenta cada dia diante de Deus e de seu povo, no campo “profissão”, dever-se-ia poder ler: “Servo de Jesus Cristo”. Todos os cristãos são naturalmente servos de Cristo, mas o sacerdote o é a um título e modo todo particular, como todos os batizados são sacerdotes, mas o ministro ordenado o é a um título e modo diverso e superior.
2. Continuadores da obra de Cristo
O serviço essencial que o sacerdote é chamado a oferecer a Cristo e continuar sua obra no mundo: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20, 21). O Papa São Clemente, na sua famosa carta aos Coríntios, diz: “Cristo é enviado por Deus e os Apóstolos, por Cristo… Eles, pregando por toda parte nos campos e nas cidades, nomearam os seus primeiros sucessores, estando à prova do Espírito, para ser bispos e diáconos”. Cristo foi enviado pelo Pai; os apóstolos, por Cristo; os bispos, pelos apóstolos: é a primeira enunciação clara do princípio da sucessão apostólica.
Mas a palavra de Jesus não tem só um significado jurídico e formal. Não funda, em outras palavras, apenas o direito dos ministros ordenados de falar como “enviados” de Cristo; também indica o motivo e o conteúdo deste mandato, que é o mesmo pelo qual o Pai enviou o Filho ao mundo. E por que Deus enviou seu Filho ao mundo? Aqui também renunciamos a uma resposta global, completa, para o qual deveríamos ler todo o Evangelho; apenas algumas declarações programáticas de Jesus.
Diante de Pilatos, ele declarou solenemente: “Para isso vim ao mundo, para dar testemunho da verdade” (Jo 18, 37). Continuar a obra de Cristo comporta para o sacerdote dar testemunho da verdade, fazer brilhar a luz da verdade. Só temos de ter em conta o duplo sentido da palavra verdade, aletheia, em João. Oscila entre a realidade divina e o conhecimento da realidade divina, entre um significado ontológico ou objetivo e um gnosiológico ou subjetivo. A verdade é “a realidade eterna enquanto revelada aos homens, referente tanto à própria realidade como a sua revelação” [H. Dodd, L’interpretazione del Quarto Vangelo, Paideia, Brescia 1974, p. 227].
A interpretação tradicional tem assinalado a “verdade” especialmente no sentido de revelação e conhecimento da verdade, em outras palavras, como verdade dogmática. Esta tarefa é, sem dúvida, essencial. A Igreja, como um todo, a aborda através do magistério, dos concílios, dos teólogos e do sacerdote individualmente, pregando ao povo a “sã doutrina”.
Mas não devemos esquecer o outro significado joanino de verdade: o da realidade conhecida, mais que conhecimento da realidade. Nesta luz, a tarefa da Igreja e do sacerdote individual não se limita a proclamar as verdades da fé, mas deve ajudar a fazer a experiência, a entrar em contato íntimo e pessoal com a realidade de Deus, através do Espírito Santo.
“A fé, escreve São Tomas de Aquino, não termina no enunciado, mas na coisa” (Fides non terminatur ad enuntiabile sed ad rem). Da mesma forma, os mestres da fé não podem se contentar a ensinar as verdades de fé, devem ajudar as pessoas a atingir a “coisa”; não apenas ter uma ideia de Deus, mas fazer a experiência d’Ele, segundo o sentido bíblico de conhecer, que é diferente, como se sabe, do sentido grego e filosófico.
Outra declaração programática é aquela que Jesus fala em frente a Nicodemos: “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”. Essa frase deve ser lida à luz do que a precede: “De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Jesus veio revelar aos homens a vontade salvífica do amor misericordioso do Pai. Toda sua pregação se resume na palavra dirigida aos discípulos na Última Ceia: “o Pai vos ama!” (Jo 16, 27).
Ser continuador no mundo da obra de Cristo significa fazer própria essa atitude fundamental para com o povo, mesmo os mais distantes. Não julgar, mas salvar. Não deve passar despercebido o trato humano sobre o qual insiste a Carta aos Hebreus ao delinear a figura de Cristo Sumo Sacerdote e de cada sacerdote: a simpatia, o senso de solidariedade, a compaixão para com as pessoas.
De Cristo é dito: “De fato, não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, sem todavia pecar”. Do sacerdote humano se afirma que “é tomado do meio do povo e representa o povo nas suas relações com Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Ele sabe ter compaixão dos que estão na ignorância e no erro, porque ele mesmo está cercado de fraqueza. Por isso, deve oferecer, tanto em favor de si mesmo como do povo, sacrifícios pelo pecado” (Hebreus 4, 15-5, 3).
É verdade que Jesus, nos Evangelhos, também se mostra severo, julga e condena, mas com que o faz? Não com as pessoas simples, que o seguiam e vinham escutá-lo, mas com os hipócritas, os auto-suficientes, os mestres e guias do povo. Jesus não era, como se diz de certos políticos, “forte com os fracos e fraco com os fortes”. Muito pelo contrário!
3. Continuadores, não sucessores
Mas em que sentido podemos falar dos sacerdotes como continuadores da obra de Cristo? Em cada instituição humana, como era então o Império Romano e como são hoje as ordens religiosas e todas as empresas humanas, os sucessores continuam a obra, mas não a pessoa do fundador. Este, em ocasiões, é corrigido, superado e inclusive repudiado. Isso não acontece com a Igreja. Jesus não tem sucessores, pois não morreu; está vivo, “ressuscitado da morte, a morte já não tem poder sobre Ele”.
Qual é então a tarefa de seus ministros? A de representá-lo, quer dizer, fazê-lo presente, dar forma visível a sua presença invisível. Nisso consiste a dimensão profética do sacerdócio. Antes de Cristo, a profecia consistia essencialmente em anunciar uma salvação futura, “nos últimos dias”, depois d’Ele, consiste em revelar ao mundo a presença escondida de Cristo, em gritar como João Batista: “No meio de vós há alguém que não conheceis”. Um dia alguns gregos dirigiram-se ao apóstolo Felipe com esta pergunta: “Senhor, queremos ver Jesus” (João 12, 21); a mesma pergunta, mais ou menos implícita, leva no coração quem se aproxima hoje do sacerdote.
São Gregório de Nisa lançou uma famosa expressão, que normalmente se aplica à experiência dos místicos: “Sentimento de presença” (Gregorio Nisseno, Sul Cantico, XI, 5, 2 –PG 44, 1001– aisthesis parousias). O sentimento de presença é algo mais que a simples fé na presença de Cristo; é ter o sentimento vivo, a percepção quase física de sua presença como Ressuscitado. Se isso é próprio da mística, então quer dizer que todo sacerdote tem de ser um místico, ou pelo menos um “mistagogo”, aquele que introduz as pessoas no mistério de Deus e de Cristo, como levando-as pela mão.
A tarefa do sacerdote não é diferente, ainda que esteja subordinada, à que o Santo Padre apresentava como prioridade absoluta do sucessor de Pedro e de toda Igreja, na carta dirigida aos bispos, a 10 de março passado: “No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado… Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na Bíblia: tal é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo”.
4. Servos e amigos
Mas agora temos de dar um passo adiante em nossa reflexão. “Servos de Jesus Cristo”: este título nunca deveria ir sozinho; deve-se acompanhar sempre, ao menos no profundo do coração, de outro título: o de amigos!
A raiz comum de todos os ministérios ordenados que se perfilarão posteriormente é a eleição que um dia fez Jesus dos Doze; isso é o que da instituição sacerdotal se remonta até o Jesus histórico. A liturgia apresenta, é verdade, a instituição do sacerdócio na Quinta-Feira Santa, por causa da palavra que Jesus pronunciou depois da instituição da Eucaristia: “Fazei isto em memória de mim”. Mas esta frase também pressupõe a eleição dos Doze, sem contar que, se for tomada sozinha, justificaria o papel de sacrificador e de liturgo do sacerdote, mas não o de anunciador do Evangelho, que é da mesma forma fundamental.
Que disse naquela ocasião Jesus? Por que escolheu os Doze, depois de ter rezado durante toda a noite? “Instituiu Doze para que estivessem com ele, e para enviá-los a pregar” (Marcos 3, 14-15). Estar com Jesus e ir pregar: estar e ir, receber e dar: em poucas palavras, apresenta-se o essencial da tarefa dos colaboradores de Cristo. Estar “com” Jesus não significa apenas uma proximidade física; implica já toda a riqueza que Paulo encerrará na fórmula “em Cristo”, ou “com Cristo”. Significa compartilhar tudo de Jesus: sua vida itinerante, certamente, mas também seus pensamentos, seus objetivos, seu espírito. A palavra companheiro procede do latim medieval e significa quem tem em comum (con-) o pão (panis), que come o mesmo pão.
Nos discursos de adeus, Jesus dá um passo adiante, completando o título de companheiros com o de amigos: “Não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que seu amo faz; chamo-vos amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai, vos dei a conhecer” (João 15, 15).
Há algo comovedor nesta declaração de amor de Jesus. Sempre recordarei o momento em que recebi a graça, por um instante, de experimentar algo desta comoção. Em um encontro de oração, alguém abriu a Bíblia e leu esta passagem de João. A palavra “amigos” me tocou com uma profundidade nunca antes experimentada; removeu algo no profundo de meu ser, até o ponto de que durante o resto do dia repetia a mim mesmo, cheio de maravilha e incredulidade: “Chamou-me de amigo! Jesus de Nazaré, o Senhor, meu Deus! Sou seu amigo! E me parecia que com essa certeza era possível voar pelos ares e atravessar o fogo.
Quando fala do amor de Jesus Cristo, São Paulo sempre dá a impressão de que se comove: “Quem nos separará do amor de Cristo?” (Romanos 8, 35), “me amou e se entregou por mim!” (Gálatas 2, 20). Tendemos a desconfiar da comoção e inclusive nos envergonharmos dela. Não sabemos a riqueza que perdemos. Jesus “se comoveu profundamente” e chorou ante a viúva de Naim (cf Lucas 7, 13) e ante as irmãs de Lázaro (cf João 11, 33-35). Um sacerdote capaz de comover-se quando fala do amor de Deus e do sofrimento de Cristo ou quando recebe a confidência de uma grande dor, convence mais que com agudas racionalizações. Comover-se não significa necessariamente começar a chorar; é algo que se percebe nos olhos, na voz. A Bíblia está cheia do pathos de Deus.
5. A alma de todo sacerdócio
Uma relação pessoal, cheia de confiança e de amizade com a pessoa de Jesus, é a alma de todo sacerdócio. Neste Ano Sacerdotal, voltei a ler o livro do abade Jean-Baptiste Chautard, A alma de todo apostolado”, que fez tão bem e sacudiu tantas consciências nos anos anteriores ao Concílio. Em um momento em que se dava um grande entusiasmo pelas “obras paroquiais”: cinema, jogos, iniciativas sociais, círculos culturais, o autor voltava a centrar bruscamente a atenção sobre o problema, denunciando o perigo de um ativismo vazio. “Deus –escrevia– quer que Jesus seja a vida das obras”.
Não reduzia a importância das atividades pastorais, no entanto, afirmava que sem uma vida de união com Cristo, não eram mais que “muletas” ou, como as definia São Bernardo, “malditas ocupações”. Jesus disse a Pedro: “Simão, tu me amas? Apascenta minhas ovelhas”. A ação pastoral de todo ministro da Igreja, desde o Papa até o último sacerdote, não é mais que a expressão concreta do amor por Cristo. “Tu me amas? Então apascenta”. O amor por Jesus marca a diferença entre o sacerdote funcionário ou executivo e o sacerdote servo de Cristo e dispensador dos mistérios de Deus.
O livro do abade Chautard poderia ter o título “A alma de todo sacerdócio”, pois em toda a obra fala d’Ele como agente e responsável em primeira linha da pastoral da Igreja. Naquela época, o perigo ante o qual se tentava reagir era o chamado “americanismo”. O abade se remonta com frequência, de fato, à carta de Leão XIII Testem benevolentiae, que hava condenado essa “heresia”.
Hoje esta heresia, se de heresia pode-se falar, já não só é “americana”, mas uma ameaça que, inclusive por causa da diminuição da proporção de sacerdotes, afeta o clero de toda Igreja: chama-se ativismo frenético. (Por outro lado, muitas das instâncias que procediam naquele tempo dos cristãos dos Estados Unidos, e em particular do movimento criado pelo servo de Deus Isaac Hecker, fundador dos Paulist Fathers, tachadas de “americanismo”, por exemplo, a liberdade de consciência e a necessidade de um diálogo com o mundo moderno, não eram heresias, mas instâncias proféticas que o Concílio Vaticano II fará em parte suas).
O primeiro passo para fazer de Jesus a alma do próprio sacerdócio consiste em passar do personagem Jesus ao Jesus pessoa. O personagem é alguém “de” quem se pode falar com alegria, mas “a” quem ninguém pode dirigir-se e “com” quem ninguém pode falar. Pode-se falar de Alexandre Magno, de Júlio César, de Napoleão tudo o que se quiser, mas se alguém dissesse que fala com alguns deles, lhe mandariam direto para o psiquiatra. A pessoa, pelo contrário, é alguém com quem se pode falar e a quem se pode escutar. Quando Jesus não é mais que um conjunto de notícias, de dogmas ou de heresias, alguém do passado, uma memória, não uma presença, fica-se em um personagem. É necessário convencer-se de que está vivo e presente. É mais importante falar com ele que falar d’Ele.
Um dos aspectos mais bonitos da figura do Dom Camilo, de Giovanni Guareschi, tendo obviamente em conta o gênero literário, aprecia-se quando fala em voz alta com o Crucifixo sobretudo o que lhe sucede na paróquia. Se nos acostumássemos a fazer isso, com tanta espontaneidade, com nossas palavras, quanto mudaria em nossa vida sacerdotal! Nos daremos conta de que não falamos ao vazio, mas a alguém que está presente, que escuta e reponde, talvez não em voz alta como a Dom Camilo.
6. Em primeiro lugar, as “pedras grandes”
Assim como em Deus toda a obra exterior da criação emana de sua vida íntima, “do incessante fluxo de seu amor”, e assim como toda atividade de Cristo emana de seu diálogo ininterrupto com o Pai, do mesmo modo todas as obras do sacerdote devem ser prolongação de sua união com Cristo. “Como o Pai me enviou, assim vos envio”, também significa isto: “Eu vim ao mundo sem me separar do Pai, vocês vão ao mundo sem se separar de mim”.
Quando se interrompe este contato, acontece como em uma casa, quando acaba a energia e tudo pára e fica às escuras. Às vezes se escuta: como ficamos tranquilos rezando quando tantos necessitados reclamam nossa presença? Como não correr quando se está queimando a casa? É verdade, mas imaginemos o que aconteceria a uma equipe de bombeiros que fosse, com as sirenes ligadas, apagar um incêndio, e, ao chegar, se desse conta de que não tem uma gota de água. É o que acontece quando corremos a pregar ou a exercer outros ministérios vazios de oração e do Espírito Santo.
Li uma história que me parece que se aplica de maneira exemplar aos sacerdotes. Um dia, um ancião professor foi convidado como especialista para falar sobre o planejamento mais eficaz do próprio tempo aos executivos de grandes companhias norte-americanas. Decidiu fazer um experimento. De pé, tirou de sob a mesa um grande jarro de vidro vazio. Tomou depois uma dezena de pedras do tamanho de bolas de tênis, que depositou com cuidado, uma por uma, no jarro até preenchê-lo. Quando já não havia espaço para outras pedras, perguntou aos alunos: “acreditam que este jarro está cheio?”, e todos disseram que sim.
Agachou-se de novo e pegou uma caixa cheia de pequenas pedras as quais derramou no jarro. Depois, perguntou: “Agora está cheio?”. Com mais prudência, os alunos responderam: “talvez ainda não”. Então ele tomou um saco de areia, que derramou no jarro. “E agora?”, questionou. E eles, diretamente: “não”. Então o ancião pegou uma garrafa de água e derramou até encher o jarro.
“Qual é a grande verdade que nos mostra este experimento?”, perguntou. O mais atrevido respondeu: “Demonstra que, ainda nossa agenda esteja totalmente cheia, com algo de boa vontade sempre se pode acrescentar algum compromisso, algo mais por fazer”. “Não”, disse o professor. “O que demonstra o experimento é que se não se colocam no jarro em primeiro lugar as peças grandes, depois elas não podem entrar”. “Quais são as grandes peças, as prioridades de nossa vida? O importante é pôr estas grandes peças em primeiro lugar em nossa agenda”.
São Pedro indicou ode uma vez por todas quais são as grande peças, as prioridades absolutas, dos apóstolos e de seus sucessores, bispos e sacerdotes: “nós nos dedicaremos à oração e ao ministério da Palavra” (Atos 6, 4).
Nós, sacerdotes, mais que qualquer outro, estamos expostos ao perigo de sacrificar o importante pelo urgente. A oração, a preparação da homilia ou da missa, o estudo e a formação são coisas importantes, mas não urgentes; se se suspendem, aparentemente, não acaba o mundo, enquanto que há muitas coisas pequenas –um encontro, um telefonema, um trabalhinho material– que são urgentes. Deste modo, acaba-se suspendendo sistematicamente o importante para um “depois” que nunca chega.
Para um sacerdote, pôr em primeiro lugar no jarro as grandes peças pode significar concretamente começar o dia com um tempo de oração e de diálogo com Deus, de maneira que as atividades e os diferentes compromissos não acabem ocupando todo o espaço.
Concluo com uma oração do abade Chautard que se encontra no programa destas meditações: “Oh Deus, dê à Igreja muitos apóstolos, mas suscita em seu coração uma sede ardente de intimidade contigo e, ao mesmo tempo, um desejo de trabalhar pelo bem do próximo. Dê a todos uma atividade contemplativa e uma contemplação ativa”. Assim seja.
[Traduzido por Zenit]

Trabalhe mais a tua fé

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 1:37 pm on Monday, November 23, 2009

Desta vez decidi compartilhar de um texto que refleti bem a fé. A proposta nos leva a entender de uma forma bastante simples que a fé se faz na própria vida, ao ponto de confundirmos com a mesma. Assumir a fé crista ultrapassara o ato somente de crer. Nossa vida se reveste de ações que nos levam a compreender que para conhecer bem a fé somente praticando. Padre Pietro Ettorre ao transmitir esta bela reflexão nos ajuda a entender o movimento da vida a partir da fé: “Vinde e vede”.

Viver a fé

A alma da vida crista é a fé. Sem a fé é impossível agradar a Deus. Mas a fé, nós sabemos, não é uma abstração, uma palavra privada de sentido. Nem mesmo é uma simples manifestação de dados e formas de pensamentos ou de costumes ou de ritos. A fé é uma realidade divina, que si explica numa alto consciência do nosso vivo contato com Cristo, mediante a graça. A fé, portanto, é um princípio vital que confere absoluta sinceridade à profissão religiosa (…), é uma íntima nascente de bondade, de vigor e de alegria; uma exuberância interior que transborda na caridade externa, a qual damos o nome de apostolado.

Somos convencidos, com São Paulo, que não é a obra, mas a fé nos justifica e nos rende aceitos a Deus. Mas devemos corresponder também com São Tiago quando afirma que a “fé sem as obras é morta em si mesma”. Mostra a tua fé sem obras; eu, por meio das obras, ti mostrarei a minha fé.

Somente a fé não basta, porem : ocorre as obras de fé.

De outra parte, também Jesus nos manda: “Resplenda assim a vossa luz aos olhos dos homens que, vendo as vossas obras, deem gloria ao Pai vosso que esta nos céus” (Mt 5,16). Não si deve trabalhar “para ser visto e louvado”: será somente vaidade e hipocrisia; mas viver a própria vida exemplarmente e cumprindo as boas obras, segundo os ensinamentos da fé, em modo que outros, “vendo”, se sintam encorajados e estimulados a fazer o mesmo.

Ao contrário, se dizer cristão e deixar que o Evangelho seja pisado, que a imoralidade si difunda, com consequentes destruições de almas, sem fazer nada para transformar o mundo e porta-lo a Cristo, equivale a não haver fé, ou a haver uma fé um tanto irrelevante que, se não é morta, é já no fim da vida.

Este é um aspecto de como se vive a fé. Mas tem um outro menos importante, que é este: que o cedente, por coerência consigo mesmo e com aquele afirma crer, deve regularizar toda sua vida – interior e exterior – segundo os ensinamentos da fé. São Paulo nos admoesta: “Seja quem come, quem bebe ou faça qualquer coisa outra, tudo faça a glória de Deus” (ICor 10,31): isto é segundo os ensinamentos da vossa fé e estudando para que seja sempre edificação para o próximo.

Morada de Deus

Filed under: Franciscanismo,Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 9:58 am on Saturday, October 17, 2009

 

Estou ficando louco de amor por Jesus. Me deu uma crise de alegria enquanto estudava as escrituras, pois estava lendo um comentário de um pensador sobre o texto do novo testamento Mt 9,14-15. Este texto olhando de imediato fala do jejum, porem visto com profundidade eles estão discutindo outra coisa.

Os discípulos de João batista perguntam porque os discípulos de Jesus não fazem o mesmo que eles e os fariseus. Incrível a resposta de Jesus: é possível fazer jejum quando o noivo esta presente.

Estou maravilhado com isso, pois Jesus não discute o jejum, mas a tradição Os discípulos de João batista aprenderam a fazer de um modo a vontade de Deus, e agora criticam o modo de Jesus Cristo. Cristo está rompendo, está rasgando os remendos velhos. Ele está destruindo os odres velhos, pois o vinho novo não pode ser mais contido. Incrível, pois Jesus é a novidade, que está para alem do que eles podem pensar.

Batista se manteve fundamentado na antiga tradição, buscando operar uma nova tradução dos antigos profetas. Jesus traz a novidade na tradição, porque a verdade em Deus é imutável, ou melhor dizer: Deus é a única verdade “beleza tão antiga e sempre nova” (santo Agostinho).

Eu estou louco de amor por ter chegado a esta iluminação. Este texto me perturbava sempre, porque eu não havia uma resposta sobre a verdade que se passa dentro dele. Agora vejo claramente o que ele está discutindo. Jesus realmente é a nova tradição, a nova lei, o novo Adão.

Olhando para São Francisco busquei entender como se recebe esta novidade dentro de si. São Francisco foi um dos que com uma radical conversão aceitou a verdade de Deus em sua vida. O santo de Assis acolheu e se transformou a partir da novidade, a partir de Jesus Cristo. Apresentarei um texto das admoestações de São Francisco:

Do servo fiel que se torna morada de Deus

E todos aqueles e aquelas que vagam neste mundo, fim quando farão tais coisas e e perseverem nelas até o fim, repousará sobre eles o Espirito do Senhor (Is. 11,2), e Ele fará sua morada (cf. Gv. 14,23). E serão filhos do Pai celeste (cf. Mt. 5,45), dos quais fazem obras, e são esposos, irmãos, e mães do nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Mt. 12,50).

Somos esposos, quando a alma fiel si une a Jesus Cristo pela ação do Santo Espirito. E somos irmãos, quando fazemos a vontade do Pai (cf. Mt. 12,50), que está nos céus. Somos mãe (1Cor. 6,20), quando portamos no nosso coração e no nosso corpo através do amor e a pura e sincera consciência, e o geramos através do santo modo de trabalhar, que deve resplandecer em exemplos para os outros (cf. Mt. 5,16).

Oh, como é glorioso e santo e grande ter nos céus um Pai!

Oh, como é santo, consolador, belo e amável ter um santo Esposo!

Oh, como é santo, como é delicioso, agradável, humilde, pacifico, doce e amável e sobre cada coisa desejada ter um tal irmão e filho, o qual oferece a sua vida pelas suas ovelhas (cf. Gv. 10,15) e rogo ao Padre por nós, dizendo: “Pai santo, guarda no teu nome aqueles que me confiou (Gv. 17,11). Pai, todos aqueles que me confiou no mundo são teus, e que você deu a mim (Gv. 17,6). E as palavras que destes a mim, também deu a eles; e esses as acolheram e verdadeiramente reconheceram que eu saí de ti e creram que você me enviou (Gv. 17,8). Eu rogo por eles e pelo mundo (Gv. 17,9). Abençoa-lhes e santifica-os (Gv. 17,17). E para eles eu santifico a mim mesmo, afim que sejam santificados na unidade, como sejamos nós (Gv. 17,19-21) . E quero, o Pai, que onde eu estou estejam estes comigo, afim que vejam a minha glória no teu reino” (Gv. 17,24; Mt. 20,21).

A aqueles que tanto parte por nòs, que tantos bens são doados com abundancia e generosidade serão doados no futuro, a Deus, cada criatura que vive nos céus, sobre a terra, no mar e nos abismos, rendam louvor, gloria, honra e bênçãos (cf. Ap. 5,13), porque Ele é a nossa virtude é a nossa fortaleza. Ele que só é bom (cf. Lc. 18,19) só o Altíssimo, só o onipotente, amável, glorioso e só o Santo, digno de louvor e bênção pelos seculos infinitos. Amem.

Cronologia de São Francisco de Assis

Filed under: Franciscanismo,Uncategorized — gotasdeassis at 8:31 am on Friday, September 25, 2009

 

·        1182 – Na ausência do pai nasce Francisco. Batizado com o nome de João pela mãe francesa chamada Pica. Seu pai Pedro Bernadone ao regressar da viagem de negócios o chama de Francisco.

 

·        1202 – Guerra entre Perigia e Assis. O exército de Perugia ganha e Francisco com os vinte anos é feito prisioneiro, restando um ano em cárcere.

 

·        1203 – Francisco se encontra enfermo e liberto da prisão.

 

·        1204 – Francisco é curado da enfermidade, mas repousa no seu coração a inquietude da vida.

 

·        1205 – Com os vinte e quatro anos inicia sua conversão : abandona os amigos e uma juventude desenfreada. O jovem de Deus passa a uma vida intensa de oração; o encontro e o beijo no leproso; encontro com a cruz de São Damião; peregrinação a Roma onde fez a primeira experiencia com a pobreza.

 

·        1206 – Renuncia aos bens paternos. Começa a restaurar as igrejinhas de São Damião, São Pedro da Spina e a Porciúncula (Santa Maria dos Anjos). Depois da breve estadia no mosteiro de Verecundo de Vallingegno, se dirigiu para a cidade de Gubbio, onde se põe ao serviço dos leprosos.

 

·        1208 – Francisco novamente em Assis, na primavera esculta na Porciúncula o Evangelho da missa votiva dos Apóstolos, que amadurece nele a vocação evangélica e apostólica; no mesmo ano reúne-se em torno dele os primeiros companheiros, que vêm a constituir a primeira Ordem dos frades Menores.

 

·        1209 – Compõe a primeira e breve regra de vida, e com os primeiros companheiros se dirige a Roma para obter a aprovação, que foi dada oralmente. Com a volta se estabelece em um pequeno tugúrio de Rivotorto.

 

·        1210 – Forçado a deixar o tugúrio de Rivotorto a crescente fraternidade se transfere a Porciúncula.

 

·        1212 – Clara, aos dezoito anos, foge para Porciúncula onde Francisco à consagra a Deus com o corte de cabelo e a vestição; depois de um breve tempo a segue sua irmã Inês: é o início da Segunda Ordem Franciscana. Ao fim do ano Francisco tenta viajar em missão verso a Síria, mas os ventos o leva a Dalmácia, onde retorna em Ancona.

 

·        1213 – No dia 8 de maio Francisco é a S. Leo no Montefeltro, onde o nobre Orlando de Chiusi lhe faz a doação do monte Alverni. No mesmo ano tenta novamente uma viagem missionaria verso Marrocos, mas uma doença o constringe a retornar em Itália.

 

·        1216 – Em julho, a cidade de Perugia, a pedido de Francisco, o novo Papa Honório III concede ampla indulgência do “perdão de Assis” para os visitantes da Porciúncula no aniversário da sua consagração (02 de agosto).

 

·        1217 – Na data de Pentecostes o primeiro capítulo geral a Porciúncula; vem erigido 12 províncias e circunscrições franciscanas.

 

·        1219 – Na festa de Pentecostes no capítulo da Porciúncula; vem decidido o envio de franciscanos para Alemanha, França, Hungria, Espanha e Marrocos. Os cinco que chegaram a Marrocos são martirizados (protomártires franciscanos). Francisco mesmo embarca em Ancona e chega ao campo cruzado a Damiata.

 

·        1220 – Honório III, com a bula Cum secundum consilium, institui o ano de noviciado para todos os aspirantes a Ordem. A bula é conservada junto a Basílica de São Francisco.

 

·        1221 – Francisco escreve a regra “não bulada”, que vem apresentada no capítulo de Pentecostes. No mesmo ano vem a instituição oficial da Ordem dos Penitentes, dito depois Terciários Franciscanos.

 

·        1223 – Francisco, a Fonte Colombo, redige a regra definitiva, que em 29 de novembro Honório III aprova com a bula “Solet annuere”. Ao natal, com o consenso do Pontífice, Francisco apresenta o Presépio a Greggio.

 

·        1224 – No dia 17 de setembro no monte Alverne, o Santo recebe as impressões dos estigmas.

 

·        1225 – A São Damião Francisco compõe o cântico do Irmão sol, conhecido também como Cântico das Criaturas.

 

·        1226 – Ao fim da tarde de 3 de outubro aos 44 anos, o Santo morre na Porciúncula. No dia seguinte portaram o seu corpo a Assis e depositado provisoriamente na igreja de São Jorge. 

Verdade Crucifixa

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 7:07 pm on Wednesday, August 19, 2009

 

O ser humano é um eterno investigador da verdade, independente das perguntas que si extrai no ciclo histórico da humanidade se preocupa de conhecer bem este objeto chamado verdade. Isso nos coloca diante de uma realidade que não se esgota, mas se torna cada vez mais pluralista. Isto quer dizer que a verdade hoje se encontra na boca de muitos: tantas instituições e pessoas que buscam apresentarem seu próprio conceito de verdade.

Os cristãos também possuem uma verdade que se faz escatológica. Esta verdade vem de Deus que si dá a conhecer a partir de Jesus Cristo. Deus é a verdade última. Isso nos coloca diante do pluralismo que existe neste nosso tempo, mas que não anula a verdade alheia, porem propõe Deus como a máxima verdade. Isso quer dizer que tudo converge em Deus, dai o fato de chamar de verdade escatológica: todas as verdades se encontrarão no fim dos tempos com a verdade maior: Deus.

Deus se revela em Jesus Cristo, por isso nossa verdade se dá na relação. Cada vez que olhamos para a pessoa de Cristo descobrimos a verdade que esta em Deus. Cristo revela não somente a vontade de Deus, mas propriamente quem é Deus. Deus se torna um com o filho: Quem me vê também vê o Pai que esta nos céus.

A verdade crista é chamada crucifixa pelo fato que si da em Jesus Cristo. Deus manifestou toda a sua vontade ao Filho, que vindo ao encontro do mundo manifesta o que o Pai deu a conhecer. Cristo busca transmitir a nós esta verdade: “Deus de fato há amado tanto o mundo que deu o Filho unigênito, para que aquele que crer em Deus não se perca, mas tenha a vida eterna. Deus, de fato, não mandou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dEle”. (Jo 3,16-17).

Isso nos faz pensar que a nossa verdade, ou melhor, a verdade que recebemos de Jesus Cristo é redentora, salvadora, por isso temos que pregar a verdade crista ao mundo. Não é um problema se o mundo possui outras verdades, mas eu conheci esta verdade em Cristo e escolhi vive-la. Assim devemos amar e conhece-la por inteiro. Os Cristãos possuem uma verdade que salva e que liberta: “Se Eu dou testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei de onde venho e a onde vou. Vós invés não sabeis de onde vem nem para onde vão. Vós jugais segundo a carne; Eu não julgo a ninguém. E mesmo se Eu julgar, o meu julgamento é verdadeiro, porque não sou sozinho, mas Eu e o Pai que me mandou”. (Jo 8,12-16).

Deus que admirando tanto a humanidade deseja se dar a conhecer. Ele escolhe vir em forma de homem, se humilha para ser exaltado. Deus tão grande vem no meio de nós, e como nós. Assume nossa humanidade e comunica Sua verdade. Deus realmente é muito amor. Quando o mundo não vê mais possibilidade de vida, tantas guerras e destruições, tantas rivalidades e pecados, assim o mundo começa a se auto julgar condenando a vida. Se olharmos as pessoas que estão no mundo encontraremos tanto desencorajamento, porem Deus nos mostra a verdade, e Ele não vem para jugar, mas para salvar.

Os Cristãos possuem uma verdade que salva e que liberta. Todos os Cristãos são obrigados a pregar esta verdade, pois pelo nosso batismo escolhemos vive-la. Não pregamos esta verdade por medo, mas porque Cristo nos deu a conhecer, assim nós cada vez mais nos relacionamos com esta verdade de tal modo que ela passa a ser em nós. Deixe tua vida ser cristificada.

Nossa verdade cristã transmite ao mundo muita esperança. A partir da nossa fé estamos buscando fazer caridade, pois no mundo qualquer pessoa espera um milagre de Deus. Prego como testemunho dois personagens de nossa história que são modelos de santidade: Santa Maria mãe de Deus e São Maximiliano.

Maria santíssima partilhou da verdade de Deus, e com todo seu gesto de solidariedade nos ajudou a conhecer a verdade em Cristo, também nós cristãos somos chamados a fazer o mesmo. O mundo já não tinha tanta esperança, porem Maria usando a sua fé deu o sim que marcou a humanidade. Escolha dar sempre o sim do teu coração a verdade que a fé ti apresenta.

São Maximiliano estava no campo de concentração, onde o oídio reinava, o desespero era a única forma de viver, o medo assolava os corações. Este homem se fez irmão de um pai de família condenado a morte, um pai de família que ele não conhecia. São Maximiliano concedeu a própria vida quando os homens já não acreditavam na esperança. Sempre no mundo há alguém esperando alguma coisa, qualquer milagre da parte de Deus, se você puder fazer, então faça.

Tanto Maria e São Maximiliano acreditaram nesta verdade. Se olharmos para a nossa história encontraremos tantas pessoas que si santificaram nesta religião. Pessoas que encontraram o Caminho, a Verdade e a Vida, e alcançaram o Pai. Podemos fazer o mesmo, pois basta vivermos a verdade em Cristo. Se existe cristãos que não pregam e não confiam nesta verdade, isso não é um problema, pois eu acredito e vivo. Não podemos ficar dormindo diante do mundo que clama pela verdade. Cristão, acorde e levante, pois teu dia já começou.

 

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