Homens e mulheres - sacerdotes de Cristo pelo batismo

Filed under: Franciscanismo, Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 6:35 am on Friday, December 18, 2009

 

Desta vez apresento um texto do Frei franciscano Raniero Catalamessa sobre o sacerdócio. Estamos próximo do natal, e vivendo o tempo do advento, assim vejo que esta reflexão possa nos ajudar a promover uma boa visão da nossa fé, que com toda a sua complexidade nos permite experimentar na ação mistagógica em nossa vida a vontade do Deus vivente.

 

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 4 de dezembro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos a seguir a primeira meditação do Advento que o pregador da Casa Pontifícia, padre Raniero Cantalamessa, OFM Cap., pronunciou hoje na presença de Bento XVI, na capela Redemptoris Mater, do Palácio Apostólico. O tema da meditação é: “Ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (1 Coríntios 4, 1).
* * *
1. A fonte de todo sacerdócio
Na escolha do tema a ser proposto nestas pregações à Casa Pontifícia, busco sempre me guiar pelo momento de graça especial que a Igreja está vivendo. No ano passado, era a graça do Ano Paulino, este ano é a graça do Ano Sacerdotal, por cuja proclamação, Santo Padre, estamos profundamente gratos.
O Concílio Vaticano II dedicou ao tema do sacerdócio um documento inteiro, Presbyterorum ordinis; João Paulo II, em 1992, dirigiu a toda Igreja a exortação apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis, sobre a formação dos sacerdotes nas circunstâncias atuais; o atual Sumo Pontífice, neste Ano Sacerdotal, traçou um breve mas intenso perfil do sacerdote, à luz a vida do Santo Cura d’Ars. Isso para não falar das intervenções de cada bispo sobre o tema, e também dos livros escritos sobre a figura e missão do sacerdote no século recém-terminado, alguns dos quais obras literárias de primeira grandeza.
Que se pode acrescentar a tudo isso no breve período de uma meditação? Encoraja-me o dizer com o qual um pregador iniciava sua fala: Non nova ut sciatis, sed vetera ut faciatis: “O importante não é conhecer coisas novas, mas colocar em prática o que sabe”. Renuncio então a qualquer tentativa de síntese doutrinal, de apresentação global ou perfil ideal sobre o sacerdote (não teria tempo nem capacidade) e busco, se possível, fazer vibrar o nosso coração sacerdotal, ao contato com algo da Palavra de Deus.
A palavra da Escritura que servirá como fio condutor é 1 Coríntios 4, 1, que muitos de nós recordamos na tradução latina da Vulgata: Sic nos existimet homo ut ministros Christi et dispensatores mysteriorum Dei: “Que as pessoas nos considerem como ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus”. A esta podemos ligar, em alguns aspectos, a definição da Carta aos Hebreus: “Cada sumo sacerdote, escolhido entre os homens, é constituído para o bem dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus” (Hebreus 5, 1).
Essas frases têm a vantagem de reportar à raiz comum de cada sacerdócio, que é aquele estágio da revelação em que o ministério apostólico ainda não é diversificado, dando origem aos três graus canônicos de bispo, sacerdote e diácono, que, ao no que diz respeito às respectivas funções, ficará claro apenas com Santo Inácio de Antioquia, no início do século II. Essa raiz comum é realçada pelo Catecismo da Igreja Católica, que define a Ordem como “o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja, até ao fim dos tempos: é, portanto, o sacramento do ministério apostólico” (n. 1536).
É a este estágio inicial que tentaremos nos referir o quanto possível em nossa meditação, a fim de captar a essência do ministério sacerdotal. Neste Advento, levaremos em consideração apenas a primeira frase do Apóstolo: “Servos de Cristo”. Se Deus quiser, prosseguiremos na Quaresma nossa reflexão, meditando sobre o que significa para um sacerdote ser “administradores dos mistérios de Deus” e quais são os mistérios que deve administrar.
“Servos de Cristo!” (com ponto exclamativo para indicar a grandeza, dignidade e beleza desse título): eis a palavra que deve tocar nossos corações nesta meditação e fazê-lo vibrar com santo orgulho. Não estamos falando dos serviços práticos ou ministeriais, como administrar a palavra e os sacramentos (disso, como comentei, falaremos na Quaresma); não falamos, em outras palavras, do serviço como ato, mas do serviço como estado, como vocação fundamental e como identidade do sacerdote, e falamos sobre isso  na mesma direção e com o mesmo espírito de Paulo, que ao início de suas cartas apresenta-se como: “Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo por vocação”.
No passaporte invisível do sacerdote, aquele com o qual se apresenta cada dia diante de Deus e de seu povo, no campo “profissão”, dever-se-ia poder ler: “Servo de Jesus Cristo”. Todos os cristãos são naturalmente servos de Cristo, mas o sacerdote o é a um título e modo todo particular, como todos os batizados são sacerdotes, mas o ministro ordenado o é a um título e modo diverso e superior.
2. Continuadores da obra de Cristo
O serviço essencial que o sacerdote é chamado a oferecer a Cristo e continuar sua obra no mundo: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20, 21). O Papa São Clemente, na sua famosa carta aos Coríntios, diz: “Cristo é enviado por Deus e os Apóstolos, por Cristo… Eles, pregando por toda parte nos campos e nas cidades, nomearam os seus primeiros sucessores, estando à prova do Espírito, para ser bispos e diáconos”. Cristo foi enviado pelo Pai; os apóstolos, por Cristo; os bispos, pelos apóstolos: é a primeira enunciação clara do princípio da sucessão apostólica.
Mas a palavra de Jesus não tem só um significado jurídico e formal. Não funda, em outras palavras, apenas o direito dos ministros ordenados de falar como “enviados” de Cristo; também indica o motivo e o conteúdo deste mandato, que é o mesmo pelo qual o Pai enviou o Filho ao mundo. E por que Deus enviou seu Filho ao mundo? Aqui também renunciamos a uma resposta global, completa, para o qual deveríamos ler todo o Evangelho; apenas algumas declarações programáticas de Jesus.
Diante de Pilatos, ele declarou solenemente: “Para isso vim ao mundo, para dar testemunho da verdade” (Jo 18, 37). Continuar a obra de Cristo comporta para o sacerdote dar testemunho da verdade, fazer brilhar a luz da verdade. Só temos de ter em conta o duplo sentido da palavra verdade, aletheia, em João. Oscila entre a realidade divina e o conhecimento da realidade divina, entre um significado ontológico ou objetivo e um gnosiológico ou subjetivo. A verdade é “a realidade eterna enquanto revelada aos homens, referente tanto à própria realidade como a sua revelação” [H. Dodd, L’interpretazione del Quarto Vangelo, Paideia, Brescia 1974, p. 227].
A interpretação tradicional tem assinalado a “verdade” especialmente no sentido de revelação e conhecimento da verdade, em outras palavras, como verdade dogmática. Esta tarefa é, sem dúvida, essencial. A Igreja, como um todo, a aborda através do magistério, dos concílios, dos teólogos e do sacerdote individualmente, pregando ao povo a “sã doutrina”.
Mas não devemos esquecer o outro significado joanino de verdade: o da realidade conhecida, mais que conhecimento da realidade. Nesta luz, a tarefa da Igreja e do sacerdote individual não se limita a proclamar as verdades da fé, mas deve ajudar a fazer a experiência, a entrar em contato íntimo e pessoal com a realidade de Deus, através do Espírito Santo.
“A fé, escreve São Tomas de Aquino, não termina no enunciado, mas na coisa” (Fides non terminatur ad enuntiabile sed ad rem). Da mesma forma, os mestres da fé não podem se contentar a ensinar as verdades de fé, devem ajudar as pessoas a atingir a “coisa”; não apenas ter uma ideia de Deus, mas fazer a experiência d’Ele, segundo o sentido bíblico de conhecer, que é diferente, como se sabe, do sentido grego e filosófico.
Outra declaração programática é aquela que Jesus fala em frente a Nicodemos: “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”. Essa frase deve ser lida à luz do que a precede: “De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Jesus veio revelar aos homens a vontade salvífica do amor misericordioso do Pai. Toda sua pregação se resume na palavra dirigida aos discípulos na Última Ceia: “o Pai vos ama!” (Jo 16, 27).
Ser continuador no mundo da obra de Cristo significa fazer própria essa atitude fundamental para com o povo, mesmo os mais distantes. Não julgar, mas salvar. Não deve passar despercebido o trato humano sobre o qual insiste a Carta aos Hebreus ao delinear a figura de Cristo Sumo Sacerdote e de cada sacerdote: a simpatia, o senso de solidariedade, a compaixão para com as pessoas.
De Cristo é dito: “De fato, não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, sem todavia pecar”. Do sacerdote humano se afirma que “é tomado do meio do povo e representa o povo nas suas relações com Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Ele sabe ter compaixão dos que estão na ignorância e no erro, porque ele mesmo está cercado de fraqueza. Por isso, deve oferecer, tanto em favor de si mesmo como do povo, sacrifícios pelo pecado” (Hebreus 4, 15-5, 3).
É verdade que Jesus, nos Evangelhos, também se mostra severo, julga e condena, mas com que o faz? Não com as pessoas simples, que o seguiam e vinham escutá-lo, mas com os hipócritas, os auto-suficientes, os mestres e guias do povo. Jesus não era, como se diz de certos políticos, “forte com os fracos e fraco com os fortes”. Muito pelo contrário!
3. Continuadores, não sucessores
Mas em que sentido podemos falar dos sacerdotes como continuadores da obra de Cristo? Em cada instituição humana, como era então o Império Romano e como são hoje as ordens religiosas e todas as empresas humanas, os sucessores continuam a obra, mas não a pessoa do fundador. Este, em ocasiões, é corrigido, superado e inclusive repudiado. Isso não acontece com a Igreja. Jesus não tem sucessores, pois não morreu; está vivo, “ressuscitado da morte, a morte já não tem poder sobre Ele”.
Qual é então a tarefa de seus ministros? A de representá-lo, quer dizer, fazê-lo presente, dar forma visível a sua presença invisível. Nisso consiste a dimensão profética do sacerdócio. Antes de Cristo, a profecia consistia essencialmente em anunciar uma salvação futura, “nos últimos dias”, depois d’Ele, consiste em revelar ao mundo a presença escondida de Cristo, em gritar como João Batista: “No meio de vós há alguém que não conheceis”. Um dia alguns gregos dirigiram-se ao apóstolo Felipe com esta pergunta: “Senhor, queremos ver Jesus” (João 12, 21); a mesma pergunta, mais ou menos implícita, leva no coração quem se aproxima hoje do sacerdote.
São Gregório de Nisa lançou uma famosa expressão, que normalmente se aplica à experiência dos místicos: “Sentimento de presença” (Gregorio Nisseno, Sul Cantico, XI, 5, 2 –PG 44, 1001– aisthesis parousias). O sentimento de presença é algo mais que a simples fé na presença de Cristo; é ter o sentimento vivo, a percepção quase física de sua presença como Ressuscitado. Se isso é próprio da mística, então quer dizer que todo sacerdote tem de ser um místico, ou pelo menos um “mistagogo”, aquele que introduz as pessoas no mistério de Deus e de Cristo, como levando-as pela mão.
A tarefa do sacerdote não é diferente, ainda que esteja subordinada, à que o Santo Padre apresentava como prioridade absoluta do sucessor de Pedro e de toda Igreja, na carta dirigida aos bispos, a 10 de março passado: “No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado… Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na Bíblia: tal é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo”.
4. Servos e amigos
Mas agora temos de dar um passo adiante em nossa reflexão. “Servos de Jesus Cristo”: este título nunca deveria ir sozinho; deve-se acompanhar sempre, ao menos no profundo do coração, de outro título: o de amigos!
A raiz comum de todos os ministérios ordenados que se perfilarão posteriormente é a eleição que um dia fez Jesus dos Doze; isso é o que da instituição sacerdotal se remonta até o Jesus histórico. A liturgia apresenta, é verdade, a instituição do sacerdócio na Quinta-Feira Santa, por causa da palavra que Jesus pronunciou depois da instituição da Eucaristia: “Fazei isto em memória de mim”. Mas esta frase também pressupõe a eleição dos Doze, sem contar que, se for tomada sozinha, justificaria o papel de sacrificador e de liturgo do sacerdote, mas não o de anunciador do Evangelho, que é da mesma forma fundamental.
Que disse naquela ocasião Jesus? Por que escolheu os Doze, depois de ter rezado durante toda a noite? “Instituiu Doze para que estivessem com ele, e para enviá-los a pregar” (Marcos 3, 14-15). Estar com Jesus e ir pregar: estar e ir, receber e dar: em poucas palavras, apresenta-se o essencial da tarefa dos colaboradores de Cristo. Estar “com” Jesus não significa apenas uma proximidade física; implica já toda a riqueza que Paulo encerrará na fórmula “em Cristo”, ou “com Cristo”. Significa compartilhar tudo de Jesus: sua vida itinerante, certamente, mas também seus pensamentos, seus objetivos, seu espírito. A palavra companheiro procede do latim medieval e significa quem tem em comum (con-) o pão (panis), que come o mesmo pão.
Nos discursos de adeus, Jesus dá um passo adiante, completando o título de companheiros com o de amigos: “Não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que seu amo faz; chamo-vos amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai, vos dei a conhecer” (João 15, 15).
Há algo comovedor nesta declaração de amor de Jesus. Sempre recordarei o momento em que recebi a graça, por um instante, de experimentar algo desta comoção. Em um encontro de oração, alguém abriu a Bíblia e leu esta passagem de João. A palavra “amigos” me tocou com uma profundidade nunca antes experimentada; removeu algo no profundo de meu ser, até o ponto de que durante o resto do dia repetia a mim mesmo, cheio de maravilha e incredulidade: “Chamou-me de amigo! Jesus de Nazaré, o Senhor, meu Deus! Sou seu amigo! E me parecia que com essa certeza era possível voar pelos ares e atravessar o fogo.
Quando fala do amor de Jesus Cristo, São Paulo sempre dá a impressão de que se comove: “Quem nos separará do amor de Cristo?” (Romanos 8, 35), “me amou e se entregou por mim!” (Gálatas 2, 20). Tendemos a desconfiar da comoção e inclusive nos envergonharmos dela. Não sabemos a riqueza que perdemos. Jesus “se comoveu profundamente” e chorou ante a viúva de Naim (cf Lucas 7, 13) e ante as irmãs de Lázaro (cf João 11, 33-35). Um sacerdote capaz de comover-se quando fala do amor de Deus e do sofrimento de Cristo ou quando recebe a confidência de uma grande dor, convence mais que com agudas racionalizações. Comover-se não significa necessariamente começar a chorar; é algo que se percebe nos olhos, na voz. A Bíblia está cheia do pathos de Deus.
5. A alma de todo sacerdócio
Uma relação pessoal, cheia de confiança e de amizade com a pessoa de Jesus, é a alma de todo sacerdócio. Neste Ano Sacerdotal, voltei a ler o livro do abade Jean-Baptiste Chautard, A alma de todo apostolado”, que fez tão bem e sacudiu tantas consciências nos anos anteriores ao Concílio. Em um momento em que se dava um grande entusiasmo pelas “obras paroquiais”: cinema, jogos, iniciativas sociais, círculos culturais, o autor voltava a centrar bruscamente a atenção sobre o problema, denunciando o perigo de um ativismo vazio. “Deus –escrevia– quer que Jesus seja a vida das obras”.
Não reduzia a importância das atividades pastorais, no entanto, afirmava que sem uma vida de união com Cristo, não eram mais que “muletas” ou, como as definia São Bernardo, “malditas ocupações”. Jesus disse a Pedro: “Simão, tu me amas? Apascenta minhas ovelhas”. A ação pastoral de todo ministro da Igreja, desde o Papa até o último sacerdote, não é mais que a expressão concreta do amor por Cristo. “Tu me amas? Então apascenta”. O amor por Jesus marca a diferença entre o sacerdote funcionário ou executivo e o sacerdote servo de Cristo e dispensador dos mistérios de Deus.
O livro do abade Chautard poderia ter o título “A alma de todo sacerdócio”, pois em toda a obra fala d’Ele como agente e responsável em primeira linha da pastoral da Igreja. Naquela época, o perigo ante o qual se tentava reagir era o chamado “americanismo”. O abade se remonta com frequência, de fato, à carta de Leão XIII Testem benevolentiae, que hava condenado essa “heresia”.
Hoje esta heresia, se de heresia pode-se falar, já não só é “americana”, mas uma ameaça que, inclusive por causa da diminuição da proporção de sacerdotes, afeta o clero de toda Igreja: chama-se ativismo frenético. (Por outro lado, muitas das instâncias que procediam naquele tempo dos cristãos dos Estados Unidos, e em particular do movimento criado pelo servo de Deus Isaac Hecker, fundador dos Paulist Fathers, tachadas de “americanismo”, por exemplo, a liberdade de consciência e a necessidade de um diálogo com o mundo moderno, não eram heresias, mas instâncias proféticas que o Concílio Vaticano II fará em parte suas).
O primeiro passo para fazer de Jesus a alma do próprio sacerdócio consiste em passar do personagem Jesus ao Jesus pessoa. O personagem é alguém “de” quem se pode falar com alegria, mas “a” quem ninguém pode dirigir-se e “com” quem ninguém pode falar. Pode-se falar de Alexandre Magno, de Júlio César, de Napoleão tudo o que se quiser, mas se alguém dissesse que fala com alguns deles, lhe mandariam direto para o psiquiatra. A pessoa, pelo contrário, é alguém com quem se pode falar e a quem se pode escutar. Quando Jesus não é mais que um conjunto de notícias, de dogmas ou de heresias, alguém do passado, uma memória, não uma presença, fica-se em um personagem. É necessário convencer-se de que está vivo e presente. É mais importante falar com ele que falar d’Ele.
Um dos aspectos mais bonitos da figura do Dom Camilo, de Giovanni Guareschi, tendo obviamente em conta o gênero literário, aprecia-se quando fala em voz alta com o Crucifixo sobretudo o que lhe sucede na paróquia. Se nos acostumássemos a fazer isso, com tanta espontaneidade, com nossas palavras, quanto mudaria em nossa vida sacerdotal! Nos daremos conta de que não falamos ao vazio, mas a alguém que está presente, que escuta e reponde, talvez não em voz alta como a Dom Camilo.
6. Em primeiro lugar, as “pedras grandes”
Assim como em Deus toda a obra exterior da criação emana de sua vida íntima, “do incessante fluxo de seu amor”, e assim como toda atividade de Cristo emana de seu diálogo ininterrupto com o Pai, do mesmo modo todas as obras do sacerdote devem ser prolongação de sua união com Cristo. “Como o Pai me enviou, assim vos envio”, também significa isto: “Eu vim ao mundo sem me separar do Pai, vocês vão ao mundo sem se separar de mim”.
Quando se interrompe este contato, acontece como em uma casa, quando acaba a energia e tudo pára e fica às escuras. Às vezes se escuta: como ficamos tranquilos rezando quando tantos necessitados reclamam nossa presença? Como não correr quando se está queimando a casa? É verdade, mas imaginemos o que aconteceria a uma equipe de bombeiros que fosse, com as sirenes ligadas, apagar um incêndio, e, ao chegar, se desse conta de que não tem uma gota de água. É o que acontece quando corremos a pregar ou a exercer outros ministérios vazios de oração e do Espírito Santo.
Li uma história que me parece que se aplica de maneira exemplar aos sacerdotes. Um dia, um ancião professor foi convidado como especialista para falar sobre o planejamento mais eficaz do próprio tempo aos executivos de grandes companhias norte-americanas. Decidiu fazer um experimento. De pé, tirou de sob a mesa um grande jarro de vidro vazio. Tomou depois uma dezena de pedras do tamanho de bolas de tênis, que depositou com cuidado, uma por uma, no jarro até preenchê-lo. Quando já não havia espaço para outras pedras, perguntou aos alunos: “acreditam que este jarro está cheio?”, e todos disseram que sim.
Agachou-se de novo e pegou uma caixa cheia de pequenas pedras as quais derramou no jarro. Depois, perguntou: “Agora está cheio?”. Com mais prudência, os alunos responderam: “talvez ainda não”. Então ele tomou um saco de areia, que derramou no jarro. “E agora?”, questionou. E eles, diretamente: “não”. Então o ancião pegou uma garrafa de água e derramou até encher o jarro.
“Qual é a grande verdade que nos mostra este experimento?”, perguntou. O mais atrevido respondeu: “Demonstra que, ainda nossa agenda esteja totalmente cheia, com algo de boa vontade sempre se pode acrescentar algum compromisso, algo mais por fazer”. “Não”, disse o professor. “O que demonstra o experimento é que se não se colocam no jarro em primeiro lugar as peças grandes, depois elas não podem entrar”. “Quais são as grandes peças, as prioridades de nossa vida? O importante é pôr estas grandes peças em primeiro lugar em nossa agenda”.
São Pedro indicou ode uma vez por todas quais são as grande peças, as prioridades absolutas, dos apóstolos e de seus sucessores, bispos e sacerdotes: “nós nos dedicaremos à oração e ao ministério da Palavra” (Atos 6, 4).
Nós, sacerdotes, mais que qualquer outro, estamos expostos ao perigo de sacrificar o importante pelo urgente. A oração, a preparação da homilia ou da missa, o estudo e a formação são coisas importantes, mas não urgentes; se se suspendem, aparentemente, não acaba o mundo, enquanto que há muitas coisas pequenas –um encontro, um telefonema, um trabalhinho material– que são urgentes. Deste modo, acaba-se suspendendo sistematicamente o importante para um “depois” que nunca chega.
Para um sacerdote, pôr em primeiro lugar no jarro as grandes peças pode significar concretamente começar o dia com um tempo de oração e de diálogo com Deus, de maneira que as atividades e os diferentes compromissos não acabem ocupando todo o espaço.
Concluo com uma oração do abade Chautard que se encontra no programa destas meditações: “Oh Deus, dê à Igreja muitos apóstolos, mas suscita em seu coração uma sede ardente de intimidade contigo e, ao mesmo tempo, um desejo de trabalhar pelo bem do próximo. Dê a todos uma atividade contemplativa e uma contemplação ativa”. Assim seja.
[Traduzido por Zenit]

Trabalhe mais a tua fé

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 1:37 pm on Monday, November 23, 2009

Desta vez decidi compartilhar de um texto que refleti bem a fé. A proposta nos leva a entender de uma forma bastante simples que a fé se faz na própria vida, ao ponto de confundirmos com a mesma. Assumir a fé crista ultrapassara o ato somente de crer. Nossa vida se reveste de ações que nos levam a compreender que para conhecer bem a fé somente praticando. Padre Pietro Ettorre ao transmitir esta bela reflexão nos ajuda a entender o movimento da vida a partir da fé: “Vinde e vede”.

Viver a fé

A alma da vida crista é a fé. Sem a fé é impossível agradar a Deus. Mas a fé, nós sabemos, não é uma abstração, uma palavra privada de sentido. Nem mesmo é uma simples manifestação de dados e formas de pensamentos ou de costumes ou de ritos. A fé é uma realidade divina, que si explica numa alto consciência do nosso vivo contato com Cristo, mediante a graça. A fé, portanto, é um princípio vital que confere absoluta sinceridade à profissão religiosa (…), é uma íntima nascente de bondade, de vigor e de alegria; uma exuberância interior que transborda na caridade externa, a qual damos o nome de apostolado.

Somos convencidos, com São Paulo, que não é a obra, mas a fé nos justifica e nos rende aceitos a Deus. Mas devemos corresponder também com São Tiago quando afirma que a “fé sem as obras é morta em si mesma”. Mostra a tua fé sem obras; eu, por meio das obras, ti mostrarei a minha fé.

Somente a fé não basta, porem : ocorre as obras de fé.

De outra parte, também Jesus nos manda: “Resplenda assim a vossa luz aos olhos dos homens que, vendo as vossas obras, deem gloria ao Pai vosso que esta nos céus” (Mt 5,16). Não si deve trabalhar “para ser visto e louvado”: será somente vaidade e hipocrisia; mas viver a própria vida exemplarmente e cumprindo as boas obras, segundo os ensinamentos da fé, em modo que outros, “vendo”, se sintam encorajados e estimulados a fazer o mesmo.

Ao contrário, se dizer cristão e deixar que o Evangelho seja pisado, que a imoralidade si difunda, com consequentes destruições de almas, sem fazer nada para transformar o mundo e porta-lo a Cristo, equivale a não haver fé, ou a haver uma fé um tanto irrelevante que, se não é morta, é já no fim da vida.

Este é um aspecto de como se vive a fé. Mas tem um outro menos importante, que é este: que o cedente, por coerência consigo mesmo e com aquele afirma crer, deve regularizar toda sua vida – interior e exterior – segundo os ensinamentos da fé. São Paulo nos admoesta: “Seja quem come, quem bebe ou faça qualquer coisa outra, tudo faça a glória de Deus” (ICor 10,31): isto é segundo os ensinamentos da vossa fé e estudando para que seja sempre edificação para o próximo.

Morada de Deus

Filed under: Franciscanismo, Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 9:58 am on Saturday, October 17, 2009

 

Estou ficando louco de amor por Jesus. Me deu uma crise de alegria enquanto estudava as escrituras, pois estava lendo um comentário de um pensador sobre o texto do novo testamento Mt 9,14-15. Este texto olhando de imediato fala do jejum, porem visto com profundidade eles estão discutindo outra coisa.

Os discípulos de João batista perguntam porque os discípulos de Jesus não fazem o mesmo que eles e os fariseus. Incrível a resposta de Jesus: é possível fazer jejum quando o noivo esta presente.

Estou maravilhado com isso, pois Jesus não discute o jejum, mas a tradição Os discípulos de João batista aprenderam a fazer de um modo a vontade de Deus, e agora criticam o modo de Jesus Cristo. Cristo está rompendo, está rasgando os remendos velhos. Ele está destruindo os odres velhos, pois o vinho novo não pode ser mais contido. Incrível, pois Jesus é a novidade, que está para alem do que eles podem pensar.

Batista se manteve fundamentado na antiga tradição, buscando operar uma nova tradução dos antigos profetas. Jesus traz a novidade na tradição, porque a verdade em Deus é imutável, ou melhor dizer: Deus é a única verdade “beleza tão antiga e sempre nova” (santo Agostinho).

Eu estou louco de amor por ter chegado a esta iluminação. Este texto me perturbava sempre, porque eu não havia uma resposta sobre a verdade que se passa dentro dele. Agora vejo claramente o que ele está discutindo. Jesus realmente é a nova tradição, a nova lei, o novo Adão.

Olhando para São Francisco busquei entender como se recebe esta novidade dentro de si. São Francisco foi um dos que com uma radical conversão aceitou a verdade de Deus em sua vida. O santo de Assis acolheu e se transformou a partir da novidade, a partir de Jesus Cristo. Apresentarei um texto das admoestações de São Francisco:

Do servo fiel que se torna morada de Deus

E todos aqueles e aquelas que vagam neste mundo, fim quando farão tais coisas e e perseverem nelas até o fim, repousará sobre eles o Espirito do Senhor (Is. 11,2), e Ele fará sua morada (cf. Gv. 14,23). E serão filhos do Pai celeste (cf. Mt. 5,45), dos quais fazem obras, e são esposos, irmãos, e mães do nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Mt. 12,50).

Somos esposos, quando a alma fiel si une a Jesus Cristo pela ação do Santo Espirito. E somos irmãos, quando fazemos a vontade do Pai (cf. Mt. 12,50), que está nos céus. Somos mãe (1Cor. 6,20), quando portamos no nosso coração e no nosso corpo através do amor e a pura e sincera consciência, e o geramos através do santo modo de trabalhar, que deve resplandecer em exemplos para os outros (cf. Mt. 5,16).

Oh, como é glorioso e santo e grande ter nos céus um Pai!

Oh, como é santo, consolador, belo e amável ter um santo Esposo!

Oh, como é santo, como é delicioso, agradável, humilde, pacifico, doce e amável e sobre cada coisa desejada ter um tal irmão e filho, o qual oferece a sua vida pelas suas ovelhas (cf. Gv. 10,15) e rogo ao Padre por nós, dizendo: “Pai santo, guarda no teu nome aqueles que me confiou (Gv. 17,11). Pai, todos aqueles que me confiou no mundo são teus, e que você deu a mim (Gv. 17,6). E as palavras que destes a mim, também deu a eles; e esses as acolheram e verdadeiramente reconheceram que eu saí de ti e creram que você me enviou (Gv. 17,8). Eu rogo por eles e pelo mundo (Gv. 17,9). Abençoa-lhes e santifica-os (Gv. 17,17). E para eles eu santifico a mim mesmo, afim que sejam santificados na unidade, como sejamos nós (Gv. 17,19-21) . E quero, o Pai, que onde eu estou estejam estes comigo, afim que vejam a minha glória no teu reino” (Gv. 17,24; Mt. 20,21).

A aqueles que tanto parte por nòs, que tantos bens são doados com abundancia e generosidade serão doados no futuro, a Deus, cada criatura que vive nos céus, sobre a terra, no mar e nos abismos, rendam louvor, gloria, honra e bênçãos (cf. Ap. 5,13), porque Ele é a nossa virtude é a nossa fortaleza. Ele que só é bom (cf. Lc. 18,19) só o Altíssimo, só o onipotente, amável, glorioso e só o Santo, digno de louvor e bênção pelos seculos infinitos. Amem.

Cronologia de São Francisco de Assis

Filed under: Franciscanismo, Uncategorized — gotasdeassis at 8:31 am on Friday, September 25, 2009

 

·        1182 – Na ausência do pai nasce Francisco. Batizado com o nome de João pela mãe francesa chamada Pica. Seu pai Pedro Bernadone ao regressar da viagem de negócios o chama de Francisco.

 

·        1202 – Guerra entre Perigia e Assis. O exército de Perugia ganha e Francisco com os vinte anos é feito prisioneiro, restando um ano em cárcere.

 

·        1203 – Francisco se encontra enfermo e liberto da prisão.

 

·        1204 – Francisco é curado da enfermidade, mas repousa no seu coração a inquietude da vida.

 

·        1205 – Com os vinte e quatro anos inicia sua conversão : abandona os amigos e uma juventude desenfreada. O jovem de Deus passa a uma vida intensa de oração; o encontro e o beijo no leproso; encontro com a cruz de São Damião; peregrinação a Roma onde fez a primeira experiencia com a pobreza.

 

·        1206 – Renuncia aos bens paternos. Começa a restaurar as igrejinhas de São Damião, São Pedro da Spina e a Porciúncula (Santa Maria dos Anjos). Depois da breve estadia no mosteiro de Verecundo de Vallingegno, se dirigiu para a cidade de Gubbio, onde se põe ao serviço dos leprosos.

 

·        1208 – Francisco novamente em Assis, na primavera esculta na Porciúncula o Evangelho da missa votiva dos Apóstolos, que amadurece nele a vocação evangélica e apostólica; no mesmo ano reúne-se em torno dele os primeiros companheiros, que vêm a constituir a primeira Ordem dos frades Menores.

 

·        1209 – Compõe a primeira e breve regra de vida, e com os primeiros companheiros se dirige a Roma para obter a aprovação, que foi dada oralmente. Com a volta se estabelece em um pequeno tugúrio de Rivotorto.

 

·        1210 – Forçado a deixar o tugúrio de Rivotorto a crescente fraternidade se transfere a Porciúncula.

 

·        1212 – Clara, aos dezoito anos, foge para Porciúncula onde Francisco à consagra a Deus com o corte de cabelo e a vestição; depois de um breve tempo a segue sua irmã Inês: é o início da Segunda Ordem Franciscana. Ao fim do ano Francisco tenta viajar em missão verso a Síria, mas os ventos o leva a Dalmácia, onde retorna em Ancona.

 

·        1213 – No dia 8 de maio Francisco é a S. Leo no Montefeltro, onde o nobre Orlando de Chiusi lhe faz a doação do monte Alverni. No mesmo ano tenta novamente uma viagem missionaria verso Marrocos, mas uma doença o constringe a retornar em Itália.

 

·        1216 – Em julho, a cidade de Perugia, a pedido de Francisco, o novo Papa Honório III concede ampla indulgência do “perdão de Assis” para os visitantes da Porciúncula no aniversário da sua consagração (02 de agosto).

 

·        1217 – Na data de Pentecostes o primeiro capítulo geral a Porciúncula; vem erigido 12 províncias e circunscrições franciscanas.

 

·        1219 – Na festa de Pentecostes no capítulo da Porciúncula; vem decidido o envio de franciscanos para Alemanha, França, Hungria, Espanha e Marrocos. Os cinco que chegaram a Marrocos são martirizados (protomártires franciscanos). Francisco mesmo embarca em Ancona e chega ao campo cruzado a Damiata.

 

·        1220 – Honório III, com a bula Cum secundum consilium, institui o ano de noviciado para todos os aspirantes a Ordem. A bula é conservada junto a Basílica de São Francisco.

 

·        1221 – Francisco escreve a regra “não bulada”, que vem apresentada no capítulo de Pentecostes. No mesmo ano vem a instituição oficial da Ordem dos Penitentes, dito depois Terciários Franciscanos.

 

·        1223 – Francisco, a Fonte Colombo, redige a regra definitiva, que em 29 de novembro Honório III aprova com a bula “Solet annuere”. Ao natal, com o consenso do Pontífice, Francisco apresenta o Presépio a Greggio.

 

·        1224 – No dia 17 de setembro no monte Alverne, o Santo recebe as impressões dos estigmas.

 

·        1225 – A São Damião Francisco compõe o cântico do Irmão sol, conhecido também como Cântico das Criaturas.

 

·        1226 – Ao fim da tarde de 3 de outubro aos 44 anos, o Santo morre na Porciúncula. No dia seguinte portaram o seu corpo a Assis e depositado provisoriamente na igreja de São Jorge. 

Verdade Crucifixa

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 7:07 pm on Wednesday, August 19, 2009

 

O ser humano é um eterno investigador da verdade, independente das perguntas que si extrai no ciclo histórico da humanidade se preocupa de conhecer bem este objeto chamado verdade. Isso nos coloca diante de uma realidade que não se esgota, mas se torna cada vez mais pluralista. Isto quer dizer que a verdade hoje se encontra na boca de muitos: tantas instituições e pessoas que buscam apresentarem seu próprio conceito de verdade.

Os cristãos também possuem uma verdade que se faz escatológica. Esta verdade vem de Deus que si dá a conhecer a partir de Jesus Cristo. Deus é a verdade última. Isso nos coloca diante do pluralismo que existe neste nosso tempo, mas que não anula a verdade alheia, porem propõe Deus como a máxima verdade. Isso quer dizer que tudo converge em Deus, dai o fato de chamar de verdade escatológica: todas as verdades se encontrarão no fim dos tempos com a verdade maior: Deus.

Deus se revela em Jesus Cristo, por isso nossa verdade se dá na relação. Cada vez que olhamos para a pessoa de Cristo descobrimos a verdade que esta em Deus. Cristo revela não somente a vontade de Deus, mas propriamente quem é Deus. Deus se torna um com o filho: Quem me vê também vê o Pai que esta nos céus.

A verdade crista é chamada crucifixa pelo fato que si da em Jesus Cristo. Deus manifestou toda a sua vontade ao Filho, que vindo ao encontro do mundo manifesta o que o Pai deu a conhecer. Cristo busca transmitir a nós esta verdade: “Deus de fato há amado tanto o mundo que deu o Filho unigênito, para que aquele que crer em Deus não se perca, mas tenha a vida eterna. Deus, de fato, não mandou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dEle”. (Jo 3,16-17).

Isso nos faz pensar que a nossa verdade, ou melhor, a verdade que recebemos de Jesus Cristo é redentora, salvadora, por isso temos que pregar a verdade crista ao mundo. Não é um problema se o mundo possui outras verdades, mas eu conheci esta verdade em Cristo e escolhi vive-la. Assim devemos amar e conhece-la por inteiro. Os Cristãos possuem uma verdade que salva e que liberta: “Se Eu dou testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei de onde venho e a onde vou. Vós invés não sabeis de onde vem nem para onde vão. Vós jugais segundo a carne; Eu não julgo a ninguém. E mesmo se Eu julgar, o meu julgamento é verdadeiro, porque não sou sozinho, mas Eu e o Pai que me mandou”. (Jo 8,12-16).

Deus que admirando tanto a humanidade deseja se dar a conhecer. Ele escolhe vir em forma de homem, se humilha para ser exaltado. Deus tão grande vem no meio de nós, e como nós. Assume nossa humanidade e comunica Sua verdade. Deus realmente é muito amor. Quando o mundo não vê mais possibilidade de vida, tantas guerras e destruições, tantas rivalidades e pecados, assim o mundo começa a se auto julgar condenando a vida. Se olharmos as pessoas que estão no mundo encontraremos tanto desencorajamento, porem Deus nos mostra a verdade, e Ele não vem para jugar, mas para salvar.

Os Cristãos possuem uma verdade que salva e que liberta. Todos os Cristãos são obrigados a pregar esta verdade, pois pelo nosso batismo escolhemos vive-la. Não pregamos esta verdade por medo, mas porque Cristo nos deu a conhecer, assim nós cada vez mais nos relacionamos com esta verdade de tal modo que ela passa a ser em nós. Deixe tua vida ser cristificada.

Nossa verdade cristã transmite ao mundo muita esperança. A partir da nossa fé estamos buscando fazer caridade, pois no mundo qualquer pessoa espera um milagre de Deus. Prego como testemunho dois personagens de nossa história que são modelos de santidade: Santa Maria mãe de Deus e São Maximiliano.

Maria santíssima partilhou da verdade de Deus, e com todo seu gesto de solidariedade nos ajudou a conhecer a verdade em Cristo, também nós cristãos somos chamados a fazer o mesmo. O mundo já não tinha tanta esperança, porem Maria usando a sua fé deu o sim que marcou a humanidade. Escolha dar sempre o sim do teu coração a verdade que a fé ti apresenta.

São Maximiliano estava no campo de concentração, onde o oídio reinava, o desespero era a única forma de viver, o medo assolava os corações. Este homem se fez irmão de um pai de família condenado a morte, um pai de família que ele não conhecia. São Maximiliano concedeu a própria vida quando os homens já não acreditavam na esperança. Sempre no mundo há alguém esperando alguma coisa, qualquer milagre da parte de Deus, se você puder fazer, então faça.

Tanto Maria e São Maximiliano acreditaram nesta verdade. Se olharmos para a nossa história encontraremos tantas pessoas que si santificaram nesta religião. Pessoas que encontraram o Caminho, a Verdade e a Vida, e alcançaram o Pai. Podemos fazer o mesmo, pois basta vivermos a verdade em Cristo. Se existe cristãos que não pregam e não confiam nesta verdade, isso não é um problema, pois eu acredito e vivo. Não podemos ficar dormindo diante do mundo que clama pela verdade. Cristão, acorde e levante, pois teu dia já começou.

 

Deus é mistério e amor

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 11:29 am on Saturday, June 13, 2009

Realmente nos temos uma verdade, e somos verdade nela. Estava pensando esta manhã sobre que somos, e me coloquei na experiencia do mistério, pois se Deus é mistério nós também somos. E com isso penso que não podemos definir quem somos, mas encontrar com quem somos, assim nós somos mais do que pensamos.

Nós podemos ser tudo em quanto estamos em Deus. De bom ou de mal temos a capacidade de viver, porem se escolhemos o caminho de Deus podemos nos lançar a descobrir cada minuto nossas capacidades. Nós não somos só capacidades, mas atos. Porem não somos puros atos, pois podemos escolher o que fazer. Assim penso que nos manteremos sempre no mistério da vida. Seremos mais e mais se desejamos ser em Deus.

Tenho certeza que podemos encontrar com o que somos, mais do que nos definirmos o que somos. É interessante quando dizemos que Deus é amor. O amor é impensado, não se pode definir amor, nem mesmo limitar ao simples fato de gostar do outro. Jesus diz para amarmos nossos inimigos. Os fariseus e saduceus são os grandes inimigos de Jesus, mas quando eles vem perguntar para tentar, Jesus os recebe benevolamente, se olharmos bem isso já é um gesto de amor. Isto também faz parte da ação de amar. Por isso amor em Deus é mistério. Não se pode definir mas se pode encontrar.

Nos encontramos muitos desafios todos os dias, e desafios acompanhados de incertezas ou as vezes de grandes dúvidas. Se uma pessoa vai a padaria, e ao pagar sua compra percebe que o troco veio errado, ou seja, esta sobrando dinheiro, é certo que naquele momento ela deve ser justa e devolver, mas a duvida entra porque ela começa a pensar nas vantagens que tem em ficar com o dinheiro.

Hoje temos muitas faixas de pedestres nas ruas da cidade, porem tempos atras não havia toda esta situação. A questão das faixas entrou para garantir a vida, que muitos motoristas imprudentes acabaram desrespeitando. Se os motoristas usassem com respeito seus carros teríamos uma harmonia incrível no trânsito. Isso me lembra quando fazia aulas de volante, e um dos professores dizia que se encontrássemos na via algum motorista cometendo infração que não reagíssemos naquela situação por conta própria, pois corremos o risco de estar a mercê da intransigência daquele infrator.

Nas escolas as crianças, os adolescentes e os jovens estão diante de uma diversidade de relações que acabam trazendo novos desafios. Em especial aqueles que gostam de viver moderadamente, mas surgem colegas que buscam leva-los para caminhos que não seja a verdade. Um bom número deles gosta de tantas aventuras, mas que para isso deve passar por cima do respeito do outro. Esquecem por completo de serem pessoas transmissoras de paz, pois os bons valores se diluem nas dúvidas e incertezas de uma vida mal planejada.

Porem precisa dizer que família é o lugar onde o mistério e o amor se encontram com mais determinação, pois devemos entender que todos nós temos um bom modelo de família em nossa mente, e que também um modelo de pessoa, ou melhor dizer, de santidade que contribua para o nosso crescimento. Se colocarmos as nossas boas intenções e os nossos ideais em prática começamos a perceber um mundo diferente dentro de nós. Não precisamos fazer o mesmo que o mundo, somente sabermos que estamos no mundo.

Isso nos diz que a verdade que está em Cristo é nossa, e que Jesus pratico ate o fim da vida. Uma verdade plena de amor. Se o amor se encontra na verdade de Jesus Cristo, nós como cristãos devemos praticar. Praticar não porque Deus manda, mas porque nos convida, e cada um que aceita confia nesta verdade.

Nos podemos ser mistério se entendermos mais que o amor que esta dentro de nós não é algo determinado, um conceito acabado, ou uma regra pronta para viver. Ser criativo, e mais ainda criativo no amor, nos leva a fazer loucuras, mas chamo a atenção pelo fato de que estas loucuras comecem pelo caminho de Cristo. Deixamos o mistério de Cristo falar mais auto dentro de nós.

Olhando São Maximiliano como exemplo teremos a ideia de que ele encontra o mistério de Deus e ultrapassa a possibilidade da razão, porque a fé supera tudo. Este santo homem recebe duas coroas da mão de Maria santíssima quando tinha seus 10 anos de idade. Na sua juventude entra na Ordem Franciscana, e com o tempo decide conquistar o mundo para Cristo pela Imaculada.

Já no campo de extermínio ele decide de trocar de lugar com um pai de família, que estava sendo condenado a morte na prisão da fome. Entender que alguém dá a própria vida pelo outro que não conhece nem mesmo o nome é ir além do que podemos pensar. Para entendermos melhor precisamos imaginar que naquele momento todos estão com medo da morte, e não há como pensar no futuro num estado como aquele. Mas alguém quer morrer no lugar do outro.

Eu não tenho ideia do que se passou na cabeça de São Maximiliano naquele momento, mas tenho a plena certeza que ele encontrou com o mistério, e que a sua fé revelou a verdade que tanto procurava, realmente ele encontrou Deus. Tudo dependia de Deus, e ele fez a escolha.

Nós devemos aprender como São Maximiliano a fazer um caminho de elevação, ser mais do que pensamos, pois dentro de nós está o Espirito de Deus. O Espirito Santo não é dois, mas o mesmo que esta em Jesus Cristo, e que forma em Deus o mistério Trinitário. Deus pelo Espirito Santo dentro de nós quer fazer Sua obra. Devemos deixar ser mais cristificados no dia-a-dia.

Cada um de nós não conhece um terço do amor que podemos praticar. Lembre-se de ser amor sempre pois assim estará vivendo plenamente o mistério de Deus em tua vida. Você pode ser mais do que pensa, basta começar pelo amor que há dentro de ti.

Pascoa! Momento de radicalizarmos nossa fé

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 1:48 pm on Tuesday, May 12, 2009

 

Olhando este clima de pascoa que com todas estas leituras que nos recorda o modo de ser testemunhas de Cristo ressuscitado, que nos adverte dos perigos que podemos encontrar tanto internamente como exteriormente, nos ajudando a radicalizar nossa profissão de fé. Isto me levou a pensar sobre o modo de radicalizar o batismo. Realmente me levou a pensar que modo estamos vivendo nossa vocação, e que coisa implica vive-la.

Vejo que para radicalizar o batismo, ou melhor, nossa fé em Cristo, precisamos sempre ter no coração que é a parir do amor que damos passos concretos nesta vida. Não é tão fácil entender isto, mas se podemos colocar em ordem saberemos que o amor não tem motivo que possa explica-lo. Podemos dar inúmeros motivos porque somos cristãos, porque vivemos com esta pessoa ou naquele grupo, mas não poderemos esgotar ao ponto de fazer o outro entender, pois nem mesmo nós somos movidos por uma motivação tão racional quando se trata do amor pelo outro. Por isso temos que estes passos são concretos, pois a medida que amamos realizamos os nossos bons desejos para com o outro, e toda esta realização chamaremos de amor.

Porem a ideia de radicalizar vai mais ao fundo, pois começamos a entender que existem níveis diferentes de propagar o amor que há em nós. Estes níveis começam a dizer mais alto, pois fazemos proposta de estreitar os laços que nos uni, e aqui entender união tanto para quem se casa como para quem escolhe o caminho da vida consagrada (padres, religiosas, religiosos, comunidades de vida…), e isto começa a falar mais alto dentro de nós. Compartilhar com outro o nosso próprio ser nos leva a vivência bem a felicidade. Se lembramos o sermão da montanha teremos bem visível toda esta ação: Aqueles que choram um dia serão consolados; mas eu completo com estas palavras: porem não deixe de consolar somente porque você chora.

Penso que alguns exemplos podem nos ajudar nesta reflexão. E nos guiaremos através do texto do jovem rico. Talvez isto se torne estranho, pois falar de jovem rico em meio ao tempo pascoal não tenha uma relação tão substanciosa neste contexto. Explico que a ideia é termos um ponto de partida para individuar a realidade de viver em comunidade, de viver o amor por Cristo, de saber que decidimos estar sempre com Deus cumprindo Sua vontade.

Me veio em mente a ideia de um casal com poucos meses de matrimônio, e a ideia de radicalizar este amor é muito forte entre os dois. Decidir sair de casa para mora com o outro não é fácil. No mesmo caminho faço o percurso de quem escolheu ser frade, pois esta bem dentro do meu contexto.

Estes recém casados estão levando bem a vida de matrimônio no seu auge: beijos e abraços, compreensão mútua, sentimentos que se afloram cada vez mais que se encontram. O tempo vai passando e eles agora terão que encarar as diferenças que existem em cada um. Um dia se topam de forma a um dizer para o outro o que não aceita. Dias após começam a efervescer as discursões de forma que os ânimos mudam tanto.

Quando eles decidiram se casar ouviram na celebração o Evangelho que dizia: o homem deixara seu pai e sua mãe e tomara como esposa de outra casa. Esta nem sempre é a nossa realidade se olharmos um pouco ao nosso redor. Algumas pessoas moram junto com os pais, porem pegarei o contexto de quem os pais destinaram um espaço nos fundos da casa para os filhos, existem outros que destinam a parte a cima da casa, porem o que quero demonstrar aqui é esta realidade de estarem tão perto dos pais.

Este nosso casal mora atras da casa dos pais, mas a casa é deles, onde a geladeira o fogão e a televisão pertence a eles, e a família vive esta realidade de uma comunidade maior. Este nosso casal está atrás da casa dos pais do marido. E um belo dia depois de tantas discursões o marido decide sair de casa e morar com a mãe, pois com a mulher se discuti muito.

Ele sai da casa sua e entra na casa da própria mãe pela porta do fundo. A mãe se assusta porque não entende toda aquela ação. Tenta ajudar mais não da em nada. O jovem emburrado não quer mais conversa: pois esta mulher que casou comigo já não me esculta.

Vamos para o contexto da vida religiosa, assim com esta pausa poderemos trabalhar os dois exemplos ao mesmo tempo. O jovem que esta fazendo encontro vocacional se apaixonou por esta vida, esta tão fascinado que não vê a hora de entrar para esta novidade. Ele começa com tantos atos de santidade: abraça as pessoas, conversa sobre o amor de Deus, beijas os animais, cheira cada florzinha que encontra na rua, ao rezar faz com as mãos juntas e os olhos fechados, tudo se torna sinal de Deus na sua vida. Tem gente que vê auréola na cabeça do coitadinho. Ele está tão empolgado que não pode deixar de respirar todos os dias esta vocação.

Com o passar do tempo ele descobre que existe um superior que tem que manter a ordem da casa. O superior diz a ele para poder botar o pé no chão que a realidade não é só esta. O jovem já não pode beijar os animais e nem cheira as flores porque tem que lavar os pratos depois das refeições. Este mesmo jovem começa a se irritar porque as orações tem horários para serem cumpridos, e que não dá para ficar com as beatas da igreja o dia inteiro falando de amor. O jovem já se magoa no fato que para rezar não se faz de qualquer jeito, e que rezar em comunidade vai se tornando enjoativo: todos os dias eu tenho que comer, rezar e trabalhar com estas mesmas pessoas.

Logo chega o dia em que a comunidade se reúne para decidir as novas atividades e discutir se as propostas feitas atras foram bem-sucedidas. Neste dia o jovem começa a ouvir criticas sobre a sua conduta na casa. Ele não aceita nenhumas delas, e tão triste com a situação começa a pensar em desistir, pois diz que ninguém o aceita.

A crise chegou para os dois exemplos de vocação. Vamos então para o texto do jovem rico, mas aqui não colocarei nas entrelinhas: O jovem rico ao encontrar Jesus pergunta: Senhor que posso fazer para receber o reino dos céus? Jesus responde: deve cumprir os mandamentos e ser uma boa pessoa. Em seguida o jovem diz: mas eu já faço tudo isto. Então bom mestre que posso fazer para ti seguir? Jesus responde: Bom é só Deus. Se quiser seguir-me vende tudo e da aos pobres…

Este jovem já esta cumprindo o caminho de vida que é proposto nos dez mandamentos, ele é uma boa pessoa e tem uma boa conduta. O problema já não era mais receber o reino dos céus, mas radicalizar: pois é, eu já cumpro tudo isso, então vou ti seguir, como posso fazer isto? Aqui esta o ponto forte que me levou a entender o que quer dizer Jesus com: vende tudo para me seguir. Se o Jovem rico vende tudo para seguir Jesus não terá outra coisa se não o grupo que agora ele pertencerá. Se ele já não tem nenhuma herança, nada que o diga que exista um paralelo entre a sua nova vida e o seu passado, ele estará sempre livre para viver sua própria escolha. Se este jovem enfrentar qualquer dificuldade na nova comunidade de Jesus não terá motivo para abandona-la, pois a única coisa que ele tem é pertencer ao grupo de Jesus: Quem não tem mais casa fora da proposta de radicalização, não pode mais fugir e sim enfrentar.

Agora voltamos aos nossos amigos em crise, porem lembre-se que crise não é ruim em si, mas a possibilidade de darmos uma reposta às grandes questões que aparecem em nossa vida. Tanto o marido como o jovem consagrado entraram nesta nova vida deixando para trás toda a herança. Porem agora sente o direito de se proteger, pois neste caso é natural. O problema que se encontrar na proteção é deixar tudo e voltar para trás: voltar para a casa dos pais.

Como os ânimos já estão tão difíceis de se relacionar o melhor refugio e saber que deixei algo preparado para esta ocasião. Tem gente que gosta de dizer que isto é sinal de esperteza, que faz um bem manter sempre um trunfo na manga. Eu penso o contrário, não vejo por ai alguém que queira amadurecer na sua própria fé, pois quem quer ser cristão de verdade deve enfrentar: Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Então o que faço? Enfrenta.

A mãe do jovem casado diz que não pode mais ficar ali, pois deve voltar para a sua mulher. Este jovem se irrita com a mãe e desabafa no trabalho com os amigos todos os dias esta situação tão difícil: Meu amigo, minha mãe parece sogra, vive criticando minha vida, diz que estou sempre errado; pensei que era só minha mulher, agora devo aturar mais uma. O jovem consagrado também não fica atrás: começa fazendo careta para o superior quando não aceita as coisas, bate tudo com força para mostrar que não gostou, começa a fofocar sobre a vida de fulano que não presta, diz que tudo é culpa dele, que não vê mais Deus naquele lugar, que as pessoas da comunidade não vivem a vontade de Deus; e depois de tudo começa a dizer: se não mudar eu vou embora.

Estas pessoas terão sempre seus refúgios, pois vivem na casa ou na comunidade sabendo que podem sair sem compromisso algum com a própria realidade. Se temos sempre um lugar para refugiar-se das dificuldades não teremos como nos inserir na casa ou na comunidade. Entrar na radicalidade do movimento de Jesus é deixar tudo para o seguir. Não é um problema não seguir o caminho de Jesus (radicalizar o próprio batismo), mas se escolher este caminho não se pode viver alheio. Temos que ser um, tanto no casamento como na vida consagrada.

Podemos encontrar muita gente que não vendeu ainda as suas coisas e deus aos pobres. Encontramos pessoas que mantem o quarto, a bicicleta, a mochila do tempo dos estudos, tudo isto e mais no mesmo lugar. Pessoas que sabem que estão casadas ou consagradas e continuam sem compromisso com a própria vida, com a própria escolha que fez. Talvez nos estamos neste processo. O problema é que não se pode ser um com ideias divididas. A decisão deve ser uma: seguir Jesus por livre escolha ou não.

Quando olhamos a comunidade que se encontra com Jesus teremos a visão de que existe um diálogo interno muito intenso, que Jesus busca se fazer ouvir, mas também está escutando a todos. Jesus se encontra não parado, mas em movimento, diante dos conflitos que nascem internamente. Tiago pede para mostrar o Pai e a reposta de Jesus é imediata: Tanto tempo que vocês estão comigo e ainda não me conhece, quem me vê também vê o Pai. Ou mesmo quando os discípulos sentem dificuldades de entender as parábolas: A multidão é dada o direito de não entender, mais há vocês não.

Jesus esta sendo muitas vezes na comunidade desentendido, encontra muitas dificuldades de comunicar com clareza a vontade de Deus em sua vida. Ele tem que dizer deixe vir a mim as criancinhas, pois os discípulos se acham donos de Jesus, e com isso se acham no direito de impedir quem eles querem. Quando a hemorroíssa o toca os discípulos responde energicamente: estamos no meio da multidão, você tem que entender que seremos espremidos de qualquer maneira. Porem Jesus é quem ama, pois diz para andarei ao outro lago para descansar, mas súbito retorna a encontrar o povo que tanto amam.

Jesus usa de uma coisa muito grande dentro de si que é o amor. Ele experimenta viver cada minuto, pois testemunha Aquele que o envio: Ele é muito maior do que eu. Jesus vence todas as dificuldades que nascem no meio da comunidade. Busca dar respostas, enfrentando em cada momento com a sabedoria que vem do alto. Jesus nos mostra que podemos fazer o mesmo.

Por isso é bom sentir que as primeiras comunidades estão testemunhando o Cristo ressuscitado, pois tudo que diziam sobre Ele é verdade. Tudo que dizem de Jesus Cristo é real e se faz em nossa vida. Por isso penso que para testemunhar o Cristo ressuscitado nós devemos estar bem certos que deixamos tudo para segui-lo, assim teremos certamente em nosso coração que tudo que aprendemos do Evangelho é verdade em nossa vida. Tudo isto ocorrerá se conseguimos entrar no movimento de ser um, de deixarmos ser governados pelos ensinamentos de Cristo. Tudo isto acontece com quem sabe que viver a vida em Cristo é um risco cheio de benefícios.

Crescer na fé e radicaliza-la é ao mesmo tempo uma decisão de segui-lo incondicionalmente. Matrimonio ou consagração não pode ser feito com um pé atras. Se decide viver em comunidade deve levar até o fim esta decisão. A vida de comunidade santifica cada um que se deixa acolher e aprender como bem viver. Radicalizar o amor que tem dentro de nós para alcançarmos o reino dos céus. Façamos como a oração de São Francisco: Mestre faça que eu procure mais consolar que ser consolado. Amar que ser amado. Pois é dando que se recebe. Perdoando que se é perdoado. Morrendo que se vive para a vida eterna. Não esqueça que você é uma testemunha real das maravilhas do Deus de Jesus Cristo. Radicalize tua fé no amor.

 

 

 

Capítulo Internacional das Esteiras

Filed under: Franciscanismo, Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 2:16 pm on Wednesday, May 6, 2009

Desejo partilhar um pouco das festividades que comemoram os 800 anos de franciscanos. No Brasil e em toda América Latina as comemorações foram abertas no início de 2008 com a presença da cruz de São Daminhão preparada para aquela ocasião. A Família Franciscana do Brasil promoveu inúmeras manifestações religiosas para congregar os membros da família para celebrar este momento tão especial em nossa vida.

Na Europa as festas deram início com o Capítulo Internacional das Esteiras. Aqui se fizeram presentes no mês de abril inúmeros religiosos franciscanos dos ramos da primeira Ordem, algumas irmãs representando a segunda ordem e a oração das irmãs Clarissas, onde no momento do Capítulo foi destinado celebrar parte do capítulo na basílica de Santa Clara. Da parte da terceira Ordem estavam os frades da Tor e os irmãos e irmãs terciários. Do dia 15 a 18 Assis era repleta de irmãos e irmãs oriundos de diversos países somando um total de 2.000 pessoas presentes.

Este capítulo celebrava o primeiro que São Francisco havia celebrado diante da igrejinha de Santa Maria dos Anjos. Naquele tempo se contava na Ordem o número e cinco mil frades. Para nós essa realidade foi incrível, pois, logo apos a aprovação da regra pelo papa Honório III o capítulo já presenciava um número enorme de frades. Isso demonstra a nós que o modo de viver de São Francisco atraiu muitos, e que continua atraindo, pois o número de franciscanos ultrapassam os 30.000.

Hoje nós nos encontramos divididos em três ramos da primeira Ordem: O.F.M. Conventuais, O.F.M. Observantes e O.F.M. Capuchinhos. Com este encontro celebrativo pudemos ver que tamanhas dificuldades que si encontravam no passado foram superadas, e que nossos sonhos de mover com maior amplitude o ideal franciscano começam a se encontrar para produzir luz a partir do Espirito de Deus que nos uni.

Para este encontro internacional da família franciscana esteve presente Raniero Cantalamessa, que é um dos pregadores do Vaticano muito conhecido. Passaram os bispos dos três ramos que foram no passado ministros gerais. E pudemos ouvir as vozes dos frades que apresentaram a presença dos franciscanos no mundo.

O Capítulo ao seu fim teve o encontro com o Papa Bento XVI, recordando na história dos frades o momento em que São Francisco e os primeiros companheiros vão a Roma pedir a aprovação da regra. Os nossos três ministros gerais atuais fizeram a renovação dos votos diante do Papa em nome de toda a Ordem franciscana. Tivemos grandes momentos e espero que as fotos possam ajudar a passar um pouco mais de tudo aquilo que ocorreu no Capitulo Internacional das Esteiras. Logo abaixo se encontra o endereço eletronico com a reportagem.

http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=272760

 

Abertura do encontro

 

 

 

 

 

 

 

Santa Missa na basílica da Porciúncula

 

                                                                                                         

 

Oração e encontro com as irmãs Clarissas na basílica de Santa Clara

 

 

 

  

 

Peregrinação a basílica de São Francisco

 

 

 

 

                                                    

 

Encontro com o Papa Bento XVI

 

 

 

                                                 

 

Paz e Bem!

Votos de uma feliz Páscoa!

Filed under: Reflexoes Gerais, Uncategorized — gotasdeassis at 7:05 am on Monday, April 13, 2009

 

O Senhor ressurgiu! Veramente ressurgiu! Esta é a frase que deve nos acompanhar durante este tempo de páscoa. Viver a fé na visão que existe um reino preparado para nós. Um reino onde Deus é seu senhor, assim nos confia a ação de Quem é tão maior e se faz igual a nos para nos resgatar.

A relação humana porta a salvação. Deus doa a humanidade a verdade, e se faz em Jesus Cristo que nos mostra o caminho para alcança-la. É preciso morrer para viver. Façamos como São Francisco: se você morte não venceu a Deus, só pode ser como eu: criatura. Assim te chamo de minha irmã. Não tenha medo Cristo venceu a morte. Seja sempre cristão.

Tenha um bom tempo de Páscoa.

Ele morreu para o nosso resgate

Filed under: Reflexoes Gerais, Uncategorized — gotasdeassis at 7:35 am on Saturday, April 11, 2009

 

Para este sábado santo procuro apresentar um texto que nos fala muito bem do mistério da morte de Cristo e nos revela toda a ação libertadora dentro dos fatos. Temo que Jesus morreu e esperamos a sua ressurreição, porem não celebramos o funeral de Jesus, porque seu ato é de doação total, de fato celebramos a paixão de Cristo por nós. Este é um texto que com muita simplicidade alcança uma profundidade nos discursos da morte de Deus em Cristo, mostrando assim para nós a verdade revelada por Deus.

De uma antiga “Homilia sobre o Sábado Santo”

 

A decida do Senhor aos infernos

 

O que aconteceu? Hoje sobre a terra tem grande silêncio, grande silêncio e solidão Grande silencio porque o Rei dorme: a terra permanece aterrorizada e muda porque o Deus fato carne si é adormentado e há acordado aqueles que de seculos dormiam. Deus é morto na carne e desce para agitar o reino dos infernos.

Certo Ele vai a procura do primeiro pai, como a ovelha perdida. Ele quer descer para visitar aqueles que estão nas trevas na sombra da morte. Deus e seu Filho vão a libertar do sofrimento Adão e Eva que si encontram na prisão.

O Senhor entrou nos infernos portando as armas da vitória da Cruz. Apenas Adão, o progenitor, o viu, batendo-si no peito pela maravilha, gritou a todos e disse: “Seja com todos o meu Senhor”. E Cristo respondendo disse a Adão: “E com o teu espirito”. E pegando pela mão e o conduziu dizendo: Acorda, tu que dormes, e e ressurge da morte, e Cristo ti iluminará.

Eu sou o teu Deus, que por ti sou transformado teu filho; que por ti e por estes, que que de ti receberam a origem, agora falo e na minha potência ordeno aqueles que eram em cancerados: Saiam! Aqueles que eram nas trevas: Sejam iluminados! Aqueles que eram mortos: Ressurja! A ti comando: Acorda, tu que dormes! De fato não ti criaste porque resta-se prisioneiro nos infernos. Ressurge dos mortos. Eu sou a vida dos motos. Ressurge, obra das minhas mãos! Ressurge minha pintura, feita a minha imagem! Ressurge, saímos daqui! Tu em mim e eu em ti somos de fato um único sem dividir a natureza.

Por ti eu, teu Deus, sou fato teu filho. Por ti eu, o Senhor, tenho revestido a tua natureza de servo. Por ti, eu que estou acima dos céus, venho sobre a terra e de baixo dela. Por ti homem tenho compartilhado a fraqueza humana, mas pois sou tornado livre entre os mortos. Por ti, que saiu do jardim do paraíso terrestre, fui traído em um jardim e entregue nas mãos dos Judeus, e em um jardim estive pregado na cruz. Olha a minha face os pontos que recebi por ti, para poder ti restituir aquele primeiro sopro de vida. Olha sobre sobre a minha face os tapas de humilhação, suporte para refazer a minha imagem a tua beleza perdida.

Olha sobre o meu dorso a flagelação imediata para livrar as tuas costas do peso dos teus pecados. Olha as minhas mãos perfuradas no lenho por ti, que um tempo havia malvadamente estendido a tua mão a árvore. Morreu sobre a cruz e a lança penetrou na minha costela, por ti que adormeceste no paraíso e fiz sair Eva do teu lado. O meu sono ti livra do sono do inferno. A minha lança impeça a lança que se vira contra ti.

Surge, distancia-se daquele. O inimigo ti fez sair da terra do paraíso Eu invés não ti remeto mais ao jardim, mas ti coloco sobre o trono celeste. Ti foste proibido de tocar a planta símbolo da vida, mas eu, que sou a vida, ti comunico aquilo que sou. Tenho posto os querubins que como servos ti guardas Agora faço sim que os querubins ti adore quase como Deus, mesmo que não seja Deus.

O Trono celeste é pronto, pronto e as ordens são os portadores, a sala é pronta, a mesa é já preparada, e eterna moradia é adornada, os cofres abertos. Em outras palavras, é preparado a ti de muitos séculos eternos o reino dos céus.

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