Sete Mártires franciscanos da Lituânia e a tradição do Rosário

Filed under: Franciscanismo — gotasdeassis at 11:25 am on Wednesday, December 31, 2008

 

Morar no Sacro Convento é muito especial pelo fato que esta comunidade é internacional. Somos um número de 50 frades neste convento e cada um de nacionalidade diferente. Como convento ligado ao Santuário de São Francisco os frades vêm para trabalhar com os peregrinos em suas línguas de origem.

Aqui encontrei o frei Miroslav da Lituânia, e com o tempo fizemos uma grande amizade. Ele era responsável pelos peregrinos de língua lituana, polaca e russa. Este frade de bom coração esteve conosco por dois anos atendendo as confissões, celebrando as missas e guiando os peregrinos dentro da Basílica.

Como a nossa amizade amadureceu de uma forma tão linda decidi conhecer o país do frei Miroslav. Estando na Lituânia pude experimentar muito da cultura e conhecer a nossa historia franciscana, e ao mesmo tempo testemunhar a força do cristianismo na vida daquele povo.

Lituânia foi um dos últimos países da Europa a ser cristianizado. O Duque da Lituânia havia o desejo de estender seu território e com isso se aliou as forças da Europa aceitando a religião crista em seus domínios. Com o passar do tempo a cultura crista se tornou única em toda a Lituânia. Com a Segunda Guerra Mundial este povo sentiu forte o peso da crueldade. E com o avanço das tropas russas o território foi invadido e depois incluso na União Soviética.

Na cidade de Vilnius capital da Lituânia, os filhos de São Francisco estiveram ali com uma presença forte na evangelização. Depois dos acordos fechados com o Duque da Lituânia foi nos doados um pequeno terreno para fixar a presença Franciscana em meio ao povo. Os frades por muito tempo organizaram junto com o povo uma comunidade rica dos valores cristãos, empenhando-se a transmitir as virtudes teologais: Fé, caridade e esperança.

Porem com a invasão dos russos nossa igreja dedicada a São Francisco na capital do país se tornou depósito do Estado. Isto aconteceu com todas as igrejas dentro da Lituânia, os templos cristãos foram todos profanados e destruídos por dentro. Os templos de unidade dos cristãos foram reduzidos a salões de entulhos, e banida a Igreja Católica em todo o território.

Dentro desta história deste povo temos os relatos dos sete mártires franciscanos. Quando o povo ficou sabendo da invasão das tropas russas, sete dos nossos frades decidiram despistar as tropas para que o povo pudesse ter tempo de fugir. Assim decidiram ficar dentro da Igreja para que o outro grupo organiza-se a fuga. O povo da capital se sente muito ligado a este testemunho de vida e amor incondicional. Eles são testemunhas de que se pode amar ate o ponto de dar a vida pelo próximo.

Contudo, a igreja católica resistiu muito, e a devoção a Maria foi sustento para que em nossos dias a Igreja continua-se o caminho de evangelização. O povo me contava como foi difícil esperar a liberdade, mas o coração em Cristo a tradição dos pais que nunca esqueceram suas raízes no cristianismo garantiram a permanência da Igreja na Lituânia.

Durante período de 50 anos de comunismo sem o direito de exercer livremente a religião crista, onde as igrejas Católicas foram transformadas em depósitos do Estado, o sofrimento foi certo, mas a esperança não acabou, pois a fé estava alicerçada nos corações de muitos lituanos. As famílias neste período fugiam de madrugada pela floresta para batizar as crianças na Polônia, e ao retornar ensinavam o rosário de Maria na esperança da liberdade que confiaram nas mãos de Deus. Hoje nossa Igreja de São Francisco está sendo restaurada aos poucos. Com muito esforço o povo se reúne em uma Igreja totalmente destruída, mas reconhece a fé que seus pais transmitiram pela força do rosário de Maria.

Este é um povo que diz muito a nós, pois com a força dos mártires franciscanos que testemunharam o amor incondicional pelo próximo a partir da vida em Cristo, e a fé que os pais mantiveram com toda confiança batizando as escondidas e mantendo a oração do rosário, nos mostra como um povo que esperou 50 anos em Deus hoje vive sues 15 anos de liberdade. Deus ha de fazer alguma coisa por nos, batas esperarmos com a nossa fé. Vejo que neste convento é possível encontrar muitas histórias que testemunhe a nos cristãos como se vive a fé neste mundo. Isto é prova que a Igreja se faz a partir da família, e que deve ser testemunhada todos os dias de nossa vida. Faça como os sete mártires da Lituânia: ame incondicionalmente. Viva a tua fé em família.

Mensagem de Natal

Filed under: Informativo — gotasdeassis at 8:13 am on Tuesday, December 23, 2008

Desejo a ti um feliz natal cheio de vida em Cristo. Que o Menino Jesus faça morada eterna no teu coração. Aprenda como Maria e José a creditar em tua própria fé. A luz que vem ao nosso encontro seja distribuída em todo o mundo, para que toda a humanidade perceba que existir no amor de Deus em Cristo nos leva a alcançar a plenitude da nossa salvação. Conceda ao mundo o que lhe falta, mas esta em abundancia em teu coração: Fé, Caridade e Esperança.

Feliz Natal!

Paz e Bem!

Liturgia de Natal

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 8:10 am on Tuesday, December 23, 2008

As ações litúrgicas que temos neste tempo de Advento são ótimas, dão um sabor diferente aos nossos dias. Estar caminhando ao encontro do menino Jesus requer pensa a figura do peregrino. O peregrino é aquele que decide encontrar com a própria conversão. O primeiro passo e sair ao encontro do Santuário onde ele confia inteiramente a busca de sua existência, ali ele quer reparar a própria vida. O peregrino tem um compromisso forte consigo mesmo em busca de Deus.

O peregrino marca uma meta para seguir, e com isto ele deve discutir consigo mesmo a vontade de realizar este percurso. Não é tão fácil o começo, mas uma vez decidido ele se organiza para realiza-lo. Esta imagem que vos conto é aquela tradicional que temos na idade média ou se decide ter algo mais claro leia “O peregrino russo”. E já decidido fazer este caminho começa a distribuir responsabilidades aos que estão ao seu redor: uns irão cuidar de sua propriedade, outros de manter os serviços já estabelecidos, e em caso que não volte já prepara o seu testamento. Com isso o que ficou já não é mais obrigação do peregrino, pois ele esta pronto para seguir em viagem. Sabe que pode surgir muitos perigos pelo caminho, e que não tem a certeza do retorno, mas uma coisa esta no coração cumprir a meta estipulada, pois deseja de todo o coração encontrar com Deus.

O objetivo deste peregrino é fazer o caminho de conversão, ele quer voltar a sua natureza, ou se melhor dizermos, a sua própria santidade. O peregrino pelo caminho encontra tamanhas dificuldades: um percurso tortuoso, cheio de pedras, animais selvagens, o frio da noite, o calor e a insolação; porem este peregrino não se encontra só em todo o percurso, logo avista outros peregrinos que buscam realizar o mesmo objetivo segundo a meta traçada. O caminho se torna uma aventura para estes peregrinos unidos na mesma intenção. Isso diz muito alto ao nosso coração. Nossas boas intenções produzem uma proximidade no caminho.

Quando o peregrino chega ao seu destino dá prova que os dias que passaram e as aventuras que enfrentou se tornam fruto de uma jornada em Deus. Ele com o espírito jubiloso reconhece a força de um Deus que em Jesus Cristo mudou a sua vida, e agora cheio de vigor retorna para casa como uma outra pessoa. Uma pessoa viva cheia de coisas novas para dizer. Para o peregrino o caminho se tornou muito importante, pois cheios de encontros e desencontros, oportunidades e debilidades o fez relacionar com um mundo desconhecido lançado todas as suas capacidades para fora. Agora o peregrino retorna sabendo quem é, e o que é capaz de fazer em Deus.

Se olharmos para o tempo de advento com todos estes momentos litúrgicos teremos um convite a viver o mesmo processo do peregrino. Somos convidados a viver a dinâmica de conversão. Para isso não pode ser simples, mas devemos dialogar conosco na busca de dizermos no fundo do coração se queremos ou não a conversão. Veja que no início precisa ser tomado uma decisão.

A liturgia pode ser feita nas casas ou na própria igreja, porem nesta ocasião farei reflexão somente da casa. Gosto muito das novenas feitas nas casas, pois buscamos nos organizar bem para elas. Quem quer a novena na sua casa, e para isso tem que estar disposto a acolher aqueles que vem ao encontro, e começa a se preparar. Muitas vezes encontramos pessoas que se acham indignas de receber em sua casa a novena, mas para isso existe irmãos que buscam ser solidários que incentivam participando processo de aceitação desta pessoa.

Para início delega as responsabilidades para preparar o ambiente arrumando a casa, escolhendo onde deve colocar a mesa para acolher a Palavra de Deus e os outros objetos litúrgicos. Depois começa a imaginar os detalhes que precisam para levar as pessoas a se aproximar do tema da novena que será realizado. Uma verdadeira mistagogia (viver o mistério em si mesmo), esta pessoa foi empossada pelo espírito do momento, ou seja, esta pessoa respira religiosidade. Ela se perde no sabor de viver cada instante a preparação da casa.

Tem consigo que pessoas em nome de Deus vêm ao seu encontro. Vive com amor cada detalhe que vem na mente para que aqueles que estão para chegar se sintam bem aconchegados, que a casa se torne um espaço com Deus. Ela se dedica de corpo e alma a realizar o seu objetivo. O dia que muitas vezes era longo começa a ser curto para conter tamanhas idéias que vem no coração de quem se dedica a criar o ambiente de Deus.

Aqui lanço um pequeno exemplo de como isto se realiza: dona Maria recebe em sua casa um grupo de mulheres que propõe fazer a novena de natal em família. Dona Maria não sabe que resposta dar, pois é a primeira vez que alguém faz este convite. Porem as mulheres insistem dizendo que vai ser muito bom, pois cada um de nos precisa de oração. Dona Maria aceita e marca para o fim da tarde.

A primeira coisa que faz e arrumar a casa, pois sabe que de qualquer jeito não pode receber as pessoas. Grita o nome das crianças para buscar bancos e cadeiras na casa das vizinhas. Vai atrás de flores no jardim de alguém. Pergunta a dona Joana que é mais entendida de igreja como faz para arrumar o altar e as velas. Prepara o bolo com café e chá de capim santo com bastante açúcar para os novenários. Vai em busca do menino do violão, e os jovens para cantar, insistindo para chegarem em sua casa sem atraso. Manda as crianças tomarem banho e se arrumarem bem bonitas, porque tudo esta em clima de festa. Faltando alguns minutos ainda esta nervosa querendo saber se esqueceu de alguma coisa.

É interessante porque esta pessoa faz um trajeto longo durante o dia em busca de receber com muito amor seus convidados. E cada convidado vem em nome de Deus para este lugar. Já não é mais a sua casa, mas o lugar de encontro com Deus. A liturgia começa, e ela vê tudo aquilo que foi realizado antes se transformar em vida, pois cada detalhe que foi pensado se une e se transforma em uma coisa só para o louvor de Deus. As pessoas se sentem muito bem, e começam a ver os frutos da caminhada feita por ela. O efeito é libertador, pois esta pessoa não recebeu simplesmente um grupo de novenários, mas o Deus de Jesus Cristo que esta no coração e na vida de cada um dos participantes.

Farei um comentário somente ao momento depois da palavra de Deus: Nesta hora aqueles que se encontram na casa fazem a mesma experiência que Jesus Cristo: “Minha mãe, meus irmãos e minhas irmãs são estes que estão na casa e fazem como eu a vontade do Pai”. Logo cada participante começa a dizer seus testemunhos relacionados a leitura. Cada um busca dizer o que pensa, o que fez e o que pode fazer. Este momento foi conduzido por um clima de harmonia e fraternidade, musicas que levaram a mensagem dentro do coração, e um ambiente que cheio de amor produz ressonância. As pessoas começam a falar a partir do Deus que vive todos os dias. Contam seus desafios, suas lutas, as vitórias, e o mais alto de todos: a “fé” que ha em Deus.

Muita gente pensa que novena é coisa simples, mas não sabe o quanto ela é transformadora. Não digo somente as novenas, mas todas as ações litúrgicas que vivemos transmitem sempre a nossa união com o Deus da vida. Os símbolos nos ajudam a unirmos a Deus em nossa caminhada. Advento diz muito a um coração que tem o objetivo de alcançar a conversão. Busque decidir pelo caminho de conversão, marque a tua meta, e percorra o caminho com a sabedoria que o Deus de Jesus Cristo te concedeu. Veja que conversão não é um instante de nossa vida, mas um processo que requer muito de nós. Recorde que o mais importante não é sanar a dor, mas fazer o que prescreve a receita do médico para que sane a dor. Precisa sempre fazer um caminho que tudo leve ao encontro. Se prepare para receber Cristo neste tempo de Advento. Arrume a tua casa, arrume o teu coração.

Maria e José participam do sonho de Deus

Filed under: Mariologia, Uncategorized — gotasdeassis at 9:14 pm on Monday, December 15, 2008

Penso que é muito importante para nos sabermos que Deus sonha. Claro que estamos buscando segundo nossas categorias conhecer algumas modalidades em Deus. Porem Deus criou este mundo em perfeita harmonia, e o retorno a ela nos coloca a qualificar como sonho de Deus < <Is 11,1-9 >>.

Quando olhamos para a história de Maria e José usamos a categoria de uma profecia que ambos devem cumprir, porem esquecemos os detalhes que são importantes para pensarmos, assim o que temos é uma relação com a história dos dois que se aproximam da nossa. Devemos sentir que a caminhada de ambos em decidir pela vontade de Deus não começa do zero, mas que requer muita atenção, e não somente uma simples palavra.

Maria é quem esta no judaísmo de sua época, e aprende segundo a tradição quem é Deus. Isso nos faz crer que o mesmo movimento acontece conosco. São os nossos pais, ou alguém que tem conhecimento sobre Deus e nos passa. Assim podemos perceber que Maria desde sua infância tem um contato com as coisas de Deus, e que conhece a mediada que o tempo passa a tradição e os costumes de seu povo. José se faz no mesmo caminho. Entender a cultura da época é muito importante.

Maria e José esperam mudanças, por isso tem com eles que Deus é o único Senhor capaz de mudar as coisas. A idéia de um messias esta muito forte num povo que entre outros reconhece o poder de Deus. Maria e José têm conhecimento da vinda deste messias, mas um messias que vem para mudar o mundo. Eles esperam como qualquer um daquela época, pois não suportam o sofrimento que domina a vida de seu povo.

Maria e José são preparados para intender o mistério de Deus em suas vidas. Dedicando-se a aprender sobre a própria fé. Maria começa pela mãe que ensina a trabalhar com as coisas de casa, a entender a providência de Deus pelo seu povo, a se relacionar cada vez mais com a sua própria religião, o ponto mais alto: confiar na sua própria fé.

Maria e José aprendem a ter fé, e a ama-la. Deus que vem ao vosso encontro é Quem libertou vossos pais do Egito, Quem os nutriu por muito tempo, concedeu um reino, e agora faz questão de vos encontrar pessoalmente.

Pois bem, temos aqui algo muito importante para refletir, pois muitos cristãos deixam de render graças a Deus, e ao mesmo tempo não reconhecem o amor a própria fé. Convido a olhar nossa realidade a partir da comunidade que participamos: Tem muita gente que diz ter mandado o menino ou a menina para a Igreja, que fez com que participa-se das Santas missas todo os domingos. Porem chega o dia que reclama que eles cresceram e não participam da mesma fé.

Já ouvi de muitos pais este tipo de história, e sei que não é fácil aceitar esta realidade. Vem súbito aquela velha pergunta: O que fazer? Eu penso que o melhor é refletir os acontecimentos antes de dar uma resposta. Começamos assim a nossa jornada. Temos que ter uma coisa muito forte em nosso coração, que ensinar a amar não é fácil, porem vejamos que isto é a parte principal de todo o conteudo que podemos passar para alguem.

Se queremos ensinar alguma coisa a alguém não podemos fazer de qualquer jeito. Recordamos que se alguém quer ensinar ao outro a fazer bolo precisa de ir para a cozinha. Se buscar fazer pelo telefone a quem não conhece nem o mínimo sobre o fogão não da certo. O que temos que fazer realmente é andar com esta pessoa ate a cozinha, e passo por passo ajuda-la a realizar o que pede a receita. O mesmo se alguém quer aprender a fazer tricô: deve sentar com esta pessoa e com paciência e lentidão sentir que a pessoa aprende a desenvolver esta arte. Isto nos coloca em um ponto forte, pois se quer ensinar alguém a ser cristão deve estar do lado acompanhando passo a passo, com paciência.

Estamos caminhado bem, pois quem reflete sobre estas questões deve se esforça bem a entende-las. Quem esta aprendendo a fazer o bolo, ou o tricô começa a sentir dificuldades que se encontram na sua própria natureza, porem busca dar resposta porque quer superar a si próprio. Por um outro lado encontramos aqueles que desistem por achar muito difícil entender como se faz. Nesta hora aquele que se dispõe a ensinar precisa de incentiva-lo, e para isso deve obter bastante atenção para entender onde estao as dificuldades ou os obstáculos, para dar uma resposta que satisfaça as angustias de quem aprende. Incentivar o outro neste caminho será importante, e mais ainda devemos buscar respostas que possam auxiliar o desenvolvimento daqueles que ensinamos.

Perceber as dificuldades do outro é uma obra de caridade, e ajuda-lo a superar é parte de Deus. Por isso devemos fazer sempre que nosso movimento de ensinar seja mais que apontar para onde vai. Devemos ir com o outro ate Deus. Assim vemos nos olhos de quem aprende a fazer o bolo um contentamento incrível por ter realizado. Esta pessoa sai ao encontro de muitos para oferecer o fruto de um processo longo mas valoroso, pergunta a todos o que pensam sobre o sabor, fica feliz com a primeira criação, e depois se põe sozinha a fazer o que aprendeu. O mesmo acontece com quem se dispôs a aprender o tricô: esta pessoa se anima cada vez mais, pois o tempo passa, mas ela continua a luta. A onde ela vai mostra um pouco do que fez, comenta com muita alegria, diz os seus sonhos, deseja mais e mais a partir do que aprendeu.

Nos surpreendemos com tantas pessoas que estão na Igreja, e comunicam este gosto de ser cristãos, é porque aprenderam bem, porem não aprenderam somente a fazer, mas amar o que faz. Elas contam a tantas pessoas as maravilhas de Deus, mas mais do que isso transmitem o gosto de viver estas maravilhas. Deus é quem esta do nosso lado dia e noite. Em Jesus Cristo nos ensina a viver bem. Nós segundo a tradição conhecemos este lugar de amor que é a assembléia que Deus reúne em Seu nome. Ir a Igreja e participar deste movimento de vida é fruto de um aprendizado que se faz próximo. Não se da para fazer testemunho de uma vida em Cristo somente obrigando, apontando o endereço, mandando. Só se pode ensinar a ser cristão acompanhando.

O mais difícil não é ensinar as orações da Igreja, ou mesmo a participar da missa. Aqui me mostro muito radical porque até papagaio sabe repetir. Tem gente que deixa a responsabilidade somente sobre os catequistas, e que para estes o trabalho pode ser mais que um ensino, e sim um grande desafio, pois muitos pais nem mesmo participam ativamente da vida da Igreja, mas insistem o fato de a criança ter uma religião, mesmo que não seja fiel a ela. Quem quer ensinar tem que aprender a gastar tempo com o outro.

Penso que todo cristão deve dar testemunho do sabor de viver, ou melhor dizendo: o verdadeiro sabor de ser cristão. Cristão deve testemunhar isto: mas do que dizer que Deus ama, diz também como Ele faz. E se isto é libertador devemos transmitir também a libertação. Aprenda a dizer para o outro como é bom ser cristão. E aqui menciono Papa Paulo VI quando escreveu a encíclica “Evangelii Nuntiandi” convidando todos os cristãos a evangelizarem com a própria vida, dando testemunho do amor que esta entre nós.

Tenho comigo que Maria e José se formaram assim, olhando como seus pais viviam a fé, pois um povo que espera e confia em Deus não faz de qualquer modo, mas acompanha sempre quem esta do seu lado. Maria é acompanhada pelos pais ate o momento de ser entregue a proteção de José. José aprende com seus pais a amar o Deus libertador, e a confiar nos sinais vindos do alto. Maria e José aprendem como viver a própria fé. Chegando o momento que a fé se faz diante de Maria, e pergunta se ela quer seguir os seus planos: < < Lc 1,30-33 > >. O mesmos acontece com José, quando o anjo da testemunho da vontade de Deus em sua vida. Ambos os dois escolheram fazer segundo a fé que ha no coração. Escolheram participar do sonho de Deus. Devolver ao mundo o que foi perdido.

Convido a caminhamos um pouco na historia de São Francisco: a sua mãe buscou ensina-lo tudo sobre a fé. O pai fez o mesmo, porem não havia conhecido bem o Cristo que São Francisco conheceu. Na história de São Francisco encontramos um homem, que sendo cristão, desde a infância aprendeu como viver a fé, mas não havia encontrado com Deus. Porem o Deus da fé será Aquele que perseguira o coração de Francisco, e lhe faz a proposta de segui-lo radicalmente. O Deus da fé se apresenta pessoalmente e o chama a nova vida.

Desejo também compartilhar meu testemunho: Recordo com muito carinho do ensinamento que recebi dos meus pais. Hoje sou frei e padre, mas garanto que minhas escolhas são frutos de uma caminhada onde aprendi amar cada vez mais minha religião. Tenho dois irmãos, e na nossa infância minha mãe sempre dizia: Levanta da cama e se arruma para a missa que o vosso pai esta na porta da igreja esperando. Quase todos os domingos a preguiça de menino era natural, mas meu pai sempre nos esperava para participarmos da missa juntos. Depois da missa ele nos apresentava a cada novo amigo que fazia na Igreja. Começamos a aprender o gosto de ir para igreja e encontrar os amigos, viver naqueles pequenos instantes depois da missa a alegria de estarmos juntos. E me lembro mais que tínhamos a roupinha e o par de sapatos para ver Deus: ninguém podia usá-los em outros dias se não no domingo, pois minha mãe dizia que se estraga-se não tinha outro.

Quando começamos a participar da catequese minha mãe foi ser catequista. Minha mãe nos levava sempre para os encontros da Igreja. Quando entramos para o grupo de jovens minha mãe nos acompanhou, e nos animou a realizamos nossos passeios, visitas a orfanatos e asilos e etc. Meus pais sempre participaram da vida da Igreja e dos encontros de casais. Lembro que minha mãe sempre incentivava a rezarmos o terço em família, e meu pai fazia as leituras. Participávamos das novenas, e minha mãe juntava todos para visitar as casas marcadas para a oração. Quando chegava o advento fazíamos as novenas de natal, meu pai comprava sempre os discos com os cantos da novena, e em família escutávamos para aprender juntos comendo bolinho de chuva com chá-mate, que minha mãe fazia com muito gosto para aquela ocasião. Meus pais nos ensinaram a ser cristãos com muito gosto. Eles passaram para nos o que sabiam de uma forma tão doce. Vejo que eles aceitaram participar do sonho de Deus. E fizeram com muita confiança na própria fé.

A tua fé ti convida a viver segundo Cristo. A tua fé ti chama a fazer parte do sonho de Deus. A resposta só pode sair de um coração que aprendeu a amar a própria fé, o próprio Deus. Se ainda existe gente que não ama a própria fé, deve saber que ainda tem tempo de aprender. A Igreja não usa este ditado: “Pau que nasce torto nunca se endireita”, pois Deus dá possibilidade de todos viverem a Boa Nova de Jesus Cristo. Todos nos como a mulher adultera tem o direito de viver e a chance de mudar a vida para melhor. Ainda não é tarde para aprender, nem mesmo para ensinar. Viva sempre em tua vida o sonho de Deus.

Presépio e espiritualidade franciscana

Filed under: Franciscanismo, Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 9:04 pm on Tuesday, December 9, 2008

Esta se aproximando o tempo de natal e podemos encontrar em muitos lugares os presépios montados para esta ocasião. Natal é o tempo de criatividade quando muitos buscam construir seus presépios de diversas formas. Esta tradição é muito linda, e nos fala muito da pessoa de Jesus Cristo. Esperamos a Luz que vem de Deus.

A tradição do presépio nas igrejas teve origem com São Francisco. Na noite de natal Sao Francisco pediu que preparasse uma pequena mangedora na cidade de Grecio. Naquela noite ele proclamou o Evangelio e introduziu o menino Jesus no centro da comunidade.

Para nós franciscanos o presépio fala muito. Temos em nossa espiritualidade um lugar especial a encarnação do Verbo Divino: “Deus se fez homem e habitou no meio de nos”. A riqueza que traz o evento revelaçao de Deus atravez de Jesus Cristo é muito forte.

O nosso Deus se fez homem. Isto me lembra do retiro de ordenação que fiz. Minha turma de formação era composta de quatro frades. Tivemos como diretor espiritual um padre Jesuíta chamado Baquero, possuidor de uma espiritualidade notável. Ele nos disse assim: “Deus depois que concluiu toda a criação admirou tanto a humanidade criada, mas tanto, que com tamanha paixão se fez homem”.

Naquele retiro trabalhamos muito este mistério, e me fez relfetir mais ainda a beleza de ser humano. Temos um Deus que ama ser gente. Isso se torna muito especial para nós porque Deus escolheu nossa humanidade. Como é bom saber que Deus admira ser homem, e transmite isto a nós com muita simplicidade: Jesus Cristo é Deus.

Deus que vem a nós em Jesus tem uma profundidade que devemos escavar com muita atenção. Melhor ainda, vamos mergulhar no mistério de nossa humanidade vista a partir de Jesus Cristo. Buscarei refletir sobre este mistério na proposta de entedermos nossa essencia dentro da nossa existencia.

Deus deseja ser gente, e o faz. Para nos esta decisão de Deus deve dizer que ser gente é muito bom. Que a humanidade nao é tudo de negativo que existe neste mundo. A humanidade tem muita coisa boa. E aqui podemos lembrar as palavras do livro de Gêneses depois de cada ato de criação: Deus viu que era bom.

Deus sentiu o gosto de ser homem. Isto para nos soa muito bom em alguns momentos, mas em outros nao temos nem mesmo o desejo de acreditar nesta ideia. Olhamos com pecimismo este mundo e julgamos que a humanidade nao tem como mudar. Realmente o mundo nao é uma maravilha. Sao tantos os atos de iniquidade criados pela humanidade. O sofrimento de muitos criados pelo egoísmo e tanta maldade.

Jesus é quem nos ensina a ser humano. Ele começa realizando a vontade do Pai, que é o amor por todos. Deus que se faz homem por amor. Se olharmos mais a fundo teremos o Homem-Deus, ou seja, Jesus que nasce na simplicidade da mangedora. Sua familia é muito humilde, mas ele tem muito a oferecer a nos. Muitos reclamam da forma que nasceram, e da família que receberam. Muitos desejam riqueza, títulos, e reclamam desenfreadamente da condição de vida que nasceu.

O interessante que Deus com toda sua onipotência escolheu nascer de uma mulher. Aqui temos um Deus que reconhece a dignidade da mulher. Mulher que é capaz de acolher Deus no seu útero. A mulher tem um papel especial para Deus, e Maria é vista em sua singularidade no mistério da revelaçao. A mulher é muito mais do que podemos pensar. Digo isso porque cada uma traz consigo o mistério de Deus. Cada criança que vem a este mundo não sabemos o que será no futuro, mas uma coisa não podemos negar, que como fliho de Deus possue um potencial de santidade incrivel. Cada ser humano pode se revelar como luz neste mundo. Ajudarei a recordar de alguns nomes especiais entre nós. Pessoas que vieram ao mundo atravez se suas maes, e deixaram marcas profundas: São João Batista e sua mae Santa Isabel; Santo Agostinho e sua mae Santa Monica; Sao Francisco e sua mae Joana que havia uma fé tão forte em Deus, etc.

O nosso Deus depois de homem fez coisas incriveis como: abraçar, beijar, ouvir cada pessoa que encontrava pelo caminho, curou muitos, devolveu a vida e a diginidade a tanta gente. Nosso Deus é carinhoso, amoroso, cheio de compaixao. Basta olharmos para Jesus e teremos provas suficiente que ser gente é uma experiencia unica.

Penso que o problema está no fato que nos esquecemos de ser humanos por inteiro. Se olharmos para as nossas relações no dia-dia perceberemos que elas são muito formais. Tem gente que nao diz a muito tempo para aqueles que sao proximos e de uma especial ateçao: Ti amo, ou gosto muito de voce. Queixamo-nos que só encontramos desamor, mas nao percebemos que estas duas simples frazes dizem muito ao coração de quem diz, e de quem recebe. Jesus diz isto com muita facilidade, e aqui não busco usar citações porque temos isto muito forte em nosso coraçao. Deus ama, porém manifesta o seu amor.

Amor não é um gesto, mas de tantos gestos que fazemos podemos encontrar o amor. Jesus prova para nos que temos muito amor no coração, e que podemos nos relacionar assim. A nossa ação no mundo deveria ser assim: Ame a Deus de todo o teu coração, e o próximo como a si mesmo. E não posso deixar de recordar também de algumas personagens que deixaram a mensagem de amor tão forte neste mundo: Santa Clara, Santa Terezinha do Menino Jesus, São Pio, Madre Tereza de Calcutá, Papa Joao Paulo II e outros.

Deus nos mostra realmente o que somos e o que devemos fazer. Olhe para Ele e busque fazer o mesmo. Fazer o mesmo que Jesus é ser radical com a tua própria natureza. É possível amar como Jesus? Se perguntarmos a Sao Francisco teremos a seguinte reposta: Não tenho certeza, mas sei que busquei fazer isto em toda a minha vida de conversão. Converta o teu coraçao. Não se lamente se ainda não fez, pois Deus te dá oportunidade de começar. Cada cristão deve pensar assim, pois se hoje nao conseguiu tente amanhã. Você pode sempre amar. Tua essência é o amor, e tua existência é praticá-lo.

O presépio tem muito a nos dizer. E se com muita atenção nos encontramos com o mistério que se revela, receberemos tantas graças ao nos abrirmos a acolhê-lo. Faça como Deus em Jesus Cristo: Ame teu próximo como a si mesmo. Sinta o gosto de ser gente. Não negue a santidade que esta dentro de ti, pois em Deus você é mais do que pode imaginar.

 

Dogma da Imaculada

Filed under: Mariologia — gotasdeassis at 9:50 pm on Wednesday, December 3, 2008

Quando ouvimos falar do dogma da Imaculada Conceição de Maria não nos colocamos de acordo com a historia deste evento tão importante. Dispomos-nos a fazer nossas reflexões do que seria realmente este dogma a partir dos nossos conceitos atuais. Em muitos ambientes se torna difícil reconhecer este dogma quando se discute a questão do pecado original e o batismo.

A família franciscana tem na história um caminho muito profundo em relação a este dogma. Em primeiro lugar é reconhecer a figura do pai São Francisco que tinha uma devoção tão grande à Mãe de Deus. Aqui faço menção a igrejinha dedicada a Santa Maria dos Anjos, que ele com as próprias mãos reconstruiu. Este dado nos coloca no inicio de uma grande caminhada franciscana em relação à devoção a Maria mãe de Jesus Cristo.

Ao longo da historia vários santos e beatos da Ordem Franciscana foram reconhecidos pela Igreja, e entre alguns temos relatos de uma grande devoção à pessoa de Maria: São Jose de Copertino, que no quarto do convento onde morava havia uma imagem de Maria próximo ao teto, mais ou menos a distancia de 5 metros do chão. O Santo se colocava em oração diante desta imagem, e com um grande amor a Santa Mãe de Deus levitava até alcançar a imagem.

Contudo, tratarei neste momento de refletir a figura do Beato Duns Scoto que tem muito a dizer sobre o dogma da Imaculada. Na historia deste dogma muitos teólogos franciscanos buscaram discutir como provar a credibilidade deste dogma, pois, Igreja precisava de uma base sólida e positiva.

 Beato Duns Scoto propõe discutir a questão a partir de Deus, ou seja, Deus com a sua onipotência. Antes de entrar em discussão buscarei apresentar um pouco sobre este nosso beato pensador. Nasce na Escócia no ano de 1265, professor de filosofia e teologia em Paris, e morre no ano de 1308.

Beato Duns Scoto utilizou o termo de salvação preventiva para explicar o dogma da Imaculada. Com isso ele nos demonstra que Deus tem o poder de salvar o ser humano do pecado original antes e depois. O que nos transmite é o poder que Deus tem de conservar Maria imaculada. Isto nos revela um Deus sem limites. Assim Deus escolhe uma mulher para realizar o Seu plano de salvação.

Porém muito se discutiu o porquê  de Deus  escolher Maria, e conceder a liberdade de escolha para ser ou não a mãe do Salvador. Realmente Deus confia em Maria preservando-a do pecado, mas é Maria a dar seu sim a Deus. A resposta que nos é proposta é que Deus da à Mãe de seu filho gratuitamente, sem impor condição alguma à salvação preventiva. Assim nos mostra que Seu poder esta além do que podemos imaginar.

Aqui realmente teremos o ápice da historia, pois Maria imediatamente dá o seu sim a Deus. Maria quando diz sim a vontade de Deus proclamada pelo anjo se faz solidária com toda a criação. Deus tem o poder, mas respeita a liberdade; Maria se sentiu livre para acolher o dom de Deus e diz sim a vontade do Pai. Em Maria podemos ver o poder de Deus agindo e transformando a humanidade.

Maria que participa do mistério da salvação se faz solidária com a criação, isso vem confirmar os planos de Deus sobre ela. A solidariedade de Maria é muito linda, porque a Mãe do Salvado não retém para si o dom da imaculada, mas condivide com toda a criação, pois ela aceita viver o plano de Deus ate o fim. Ela permite que muitos conheçam a salvação de Deus em Jesus Cristo, a partir de si mesma. Neste caso Maria se faz instrumento nas mãos de Deus.

Bem, aqui eu não posso deixar de mencionar o povo brasileiro que tem uma devoção muito grande a Maria. Podemos usar como exemplo o filme “Auto da Compadecida”, que nos retrata bem o modo de pensar do povo brasileiro a figura de Maria: Quando começa o julgamento no céu satanás busca condenar todos, e na ultima hora o personagem João Grilo apela para Nossa Senhora. O gostoso de tudo é ver que a Mãe de Deus não fez acepção de pessoas, defendendo cada um a partir do que tinha feito de bom na terra. Uma mãe que usa de compaixão para com todos. E que sua única preocupação é a salvação do mundo.

Assim podemos nos perguntar como cristãos se o nosso caminho esta sendo de solidariedade com os outros. Para nos a salvação esta em Jesus Cristo, que nos apresenta o Deus libertador. Devemos comunicar ao mundo esta salvação. Mas é sempre freqüente encontrar cristãos que olhando para a realidade acaba afirmando um mundo que não tem mais salvação. Cristãos que não confiam mais na promessa de Deus esperando somente o dia do juízo final.

Se somos cristaos de verdade podemos ser solidários com muitos. Ajudando a cada ser humano a descobrir que ha muita bondade no coração. A descobrir que fazer a vontade de Deus é fazer o bem . E que independente quem seja, Deus sempre ama. Maria apresenta um Deus que não vem destruir o que fez, mas restituir o que foi perdido. Maria modelo de perfeição nos convida a fazer o mesmo:  sejamos solidários na salvação de todos.

 

Boas vindas!

Filed under: Informativo — gotasdeassis at 12:43 pm on Tuesday, December 2, 2008

Ola, caro irmao (a)!

Com muita alegria destino me apresentar. Sou frei Vogran da Ordem dos Frades Menores Conventuais, ou seja, um franciscano. Atualmente moro em Assis, e mais propriamente na Basílica dedicada a São Francisco. A parti de alguns contatos nasceu a idéia de refletir e evangelizar segundo a pessoa de São Francisco. Este Santo que viveu profundamente o Evangelho em sua vida pode nos falar muito do Deus de Jesus Cristo. Sou um amante da historia de São Francisco, e tenho comigo que este espaço  contribuirá apresentando reflexões e analises da vida deste grande homem santo. Acredito que ouvir a partir de um franciscano terá como reserva as fontes que se encontram no seio da família. A riqueza de um homem que continua a transmitir muito para o mundo de hoje. Este blog tem a sugestão de apresentar temas ligados a São Francisco e ao movimento Franciscano, entendendo em vários âmbitos a proposta de uma relação intima e profunda com Deus, a Igreja, e todas as criaturas. Semanalmente termos este encontro para conhecer e aprofundar a partir de São Francisco e os Franciscanos a riqueza da proposta de vida evangélica.