Pascoa! Momento de radicalizarmos nossa fé

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 1:48 pm on Tuesday, May 12, 2009

 

Olhando este clima de pascoa que com todas estas leituras que nos recorda o modo de ser testemunhas de Cristo ressuscitado, que nos adverte dos perigos que podemos encontrar tanto internamente como exteriormente, nos ajudando a radicalizar nossa profissão de fé. Isto me levou a pensar sobre o modo de radicalizar o batismo. Realmente me levou a pensar que modo estamos vivendo nossa vocação, e que coisa implica vive-la.

Vejo que para radicalizar o batismo, ou melhor, nossa fé em Cristo, precisamos sempre ter no coração que é a parir do amor que damos passos concretos nesta vida. Não é tão fácil entender isto, mas se podemos colocar em ordem saberemos que o amor não tem motivo que possa explica-lo. Podemos dar inúmeros motivos porque somos cristãos, porque vivemos com esta pessoa ou naquele grupo, mas não poderemos esgotar ao ponto de fazer o outro entender, pois nem mesmo nós somos movidos por uma motivação tão racional quando se trata do amor pelo outro. Por isso temos que estes passos são concretos, pois a medida que amamos realizamos os nossos bons desejos para com o outro, e toda esta realização chamaremos de amor.

Porem a ideia de radicalizar vai mais ao fundo, pois começamos a entender que existem níveis diferentes de propagar o amor que há em nós. Estes níveis começam a dizer mais alto, pois fazemos proposta de estreitar os laços que nos uni, e aqui entender união tanto para quem se casa como para quem escolhe o caminho da vida consagrada (padres, religiosas, religiosos, comunidades de vida…), e isto começa a falar mais alto dentro de nós. Compartilhar com outro o nosso próprio ser nos leva a vivência bem a felicidade. Se lembramos o sermão da montanha teremos bem visível toda esta ação: Aqueles que choram um dia serão consolados; mas eu completo com estas palavras: porem não deixe de consolar somente porque você chora.

Penso que alguns exemplos podem nos ajudar nesta reflexão. E nos guiaremos através do texto do jovem rico. Talvez isto se torne estranho, pois falar de jovem rico em meio ao tempo pascoal não tenha uma relação tão substanciosa neste contexto. Explico que a ideia é termos um ponto de partida para individuar a realidade de viver em comunidade, de viver o amor por Cristo, de saber que decidimos estar sempre com Deus cumprindo Sua vontade.

Me veio em mente a ideia de um casal com poucos meses de matrimônio, e a ideia de radicalizar este amor é muito forte entre os dois. Decidir sair de casa para mora com o outro não é fácil. No mesmo caminho faço o percurso de quem escolheu ser frade, pois esta bem dentro do meu contexto.

Estes recém casados estão levando bem a vida de matrimônio no seu auge: beijos e abraços, compreensão mútua, sentimentos que se afloram cada vez mais que se encontram. O tempo vai passando e eles agora terão que encarar as diferenças que existem em cada um. Um dia se topam de forma a um dizer para o outro o que não aceita. Dias após começam a efervescer as discursões de forma que os ânimos mudam tanto.

Quando eles decidiram se casar ouviram na celebração o Evangelho que dizia: o homem deixara seu pai e sua mãe e tomara como esposa de outra casa. Esta nem sempre é a nossa realidade se olharmos um pouco ao nosso redor. Algumas pessoas moram junto com os pais, porem pegarei o contexto de quem os pais destinaram um espaço nos fundos da casa para os filhos, existem outros que destinam a parte a cima da casa, porem o que quero demonstrar aqui é esta realidade de estarem tão perto dos pais.

Este nosso casal mora atras da casa dos pais, mas a casa é deles, onde a geladeira o fogão e a televisão pertence a eles, e a família vive esta realidade de uma comunidade maior. Este nosso casal está atrás da casa dos pais do marido. E um belo dia depois de tantas discursões o marido decide sair de casa e morar com a mãe, pois com a mulher se discuti muito.

Ele sai da casa sua e entra na casa da própria mãe pela porta do fundo. A mãe se assusta porque não entende toda aquela ação. Tenta ajudar mais não da em nada. O jovem emburrado não quer mais conversa: pois esta mulher que casou comigo já não me esculta.

Vamos para o contexto da vida religiosa, assim com esta pausa poderemos trabalhar os dois exemplos ao mesmo tempo. O jovem que esta fazendo encontro vocacional se apaixonou por esta vida, esta tão fascinado que não vê a hora de entrar para esta novidade. Ele começa com tantos atos de santidade: abraça as pessoas, conversa sobre o amor de Deus, beijas os animais, cheira cada florzinha que encontra na rua, ao rezar faz com as mãos juntas e os olhos fechados, tudo se torna sinal de Deus na sua vida. Tem gente que vê auréola na cabeça do coitadinho. Ele está tão empolgado que não pode deixar de respirar todos os dias esta vocação.

Com o passar do tempo ele descobre que existe um superior que tem que manter a ordem da casa. O superior diz a ele para poder botar o pé no chão que a realidade não é só esta. O jovem já não pode beijar os animais e nem cheira as flores porque tem que lavar os pratos depois das refeições. Este mesmo jovem começa a se irritar porque as orações tem horários para serem cumpridos, e que não dá para ficar com as beatas da igreja o dia inteiro falando de amor. O jovem já se magoa no fato que para rezar não se faz de qualquer jeito, e que rezar em comunidade vai se tornando enjoativo: todos os dias eu tenho que comer, rezar e trabalhar com estas mesmas pessoas.

Logo chega o dia em que a comunidade se reúne para decidir as novas atividades e discutir se as propostas feitas atras foram bem-sucedidas. Neste dia o jovem começa a ouvir criticas sobre a sua conduta na casa. Ele não aceita nenhumas delas, e tão triste com a situação começa a pensar em desistir, pois diz que ninguém o aceita.

A crise chegou para os dois exemplos de vocação. Vamos então para o texto do jovem rico, mas aqui não colocarei nas entrelinhas: O jovem rico ao encontrar Jesus pergunta: Senhor que posso fazer para receber o reino dos céus? Jesus responde: deve cumprir os mandamentos e ser uma boa pessoa. Em seguida o jovem diz: mas eu já faço tudo isto. Então bom mestre que posso fazer para ti seguir? Jesus responde: Bom é só Deus. Se quiser seguir-me vende tudo e da aos pobres…

Este jovem já esta cumprindo o caminho de vida que é proposto nos dez mandamentos, ele é uma boa pessoa e tem uma boa conduta. O problema já não era mais receber o reino dos céus, mas radicalizar: pois é, eu já cumpro tudo isso, então vou ti seguir, como posso fazer isto? Aqui esta o ponto forte que me levou a entender o que quer dizer Jesus com: vende tudo para me seguir. Se o Jovem rico vende tudo para seguir Jesus não terá outra coisa se não o grupo que agora ele pertencerá. Se ele já não tem nenhuma herança, nada que o diga que exista um paralelo entre a sua nova vida e o seu passado, ele estará sempre livre para viver sua própria escolha. Se este jovem enfrentar qualquer dificuldade na nova comunidade de Jesus não terá motivo para abandona-la, pois a única coisa que ele tem é pertencer ao grupo de Jesus: Quem não tem mais casa fora da proposta de radicalização, não pode mais fugir e sim enfrentar.

Agora voltamos aos nossos amigos em crise, porem lembre-se que crise não é ruim em si, mas a possibilidade de darmos uma reposta às grandes questões que aparecem em nossa vida. Tanto o marido como o jovem consagrado entraram nesta nova vida deixando para trás toda a herança. Porem agora sente o direito de se proteger, pois neste caso é natural. O problema que se encontrar na proteção é deixar tudo e voltar para trás: voltar para a casa dos pais.

Como os ânimos já estão tão difíceis de se relacionar o melhor refugio e saber que deixei algo preparado para esta ocasião. Tem gente que gosta de dizer que isto é sinal de esperteza, que faz um bem manter sempre um trunfo na manga. Eu penso o contrário, não vejo por ai alguém que queira amadurecer na sua própria fé, pois quem quer ser cristão de verdade deve enfrentar: Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Então o que faço? Enfrenta.

A mãe do jovem casado diz que não pode mais ficar ali, pois deve voltar para a sua mulher. Este jovem se irrita com a mãe e desabafa no trabalho com os amigos todos os dias esta situação tão difícil: Meu amigo, minha mãe parece sogra, vive criticando minha vida, diz que estou sempre errado; pensei que era só minha mulher, agora devo aturar mais uma. O jovem consagrado também não fica atrás: começa fazendo careta para o superior quando não aceita as coisas, bate tudo com força para mostrar que não gostou, começa a fofocar sobre a vida de fulano que não presta, diz que tudo é culpa dele, que não vê mais Deus naquele lugar, que as pessoas da comunidade não vivem a vontade de Deus; e depois de tudo começa a dizer: se não mudar eu vou embora.

Estas pessoas terão sempre seus refúgios, pois vivem na casa ou na comunidade sabendo que podem sair sem compromisso algum com a própria realidade. Se temos sempre um lugar para refugiar-se das dificuldades não teremos como nos inserir na casa ou na comunidade. Entrar na radicalidade do movimento de Jesus é deixar tudo para o seguir. Não é um problema não seguir o caminho de Jesus (radicalizar o próprio batismo), mas se escolher este caminho não se pode viver alheio. Temos que ser um, tanto no casamento como na vida consagrada.

Podemos encontrar muita gente que não vendeu ainda as suas coisas e deus aos pobres. Encontramos pessoas que mantem o quarto, a bicicleta, a mochila do tempo dos estudos, tudo isto e mais no mesmo lugar. Pessoas que sabem que estão casadas ou consagradas e continuam sem compromisso com a própria vida, com a própria escolha que fez. Talvez nos estamos neste processo. O problema é que não se pode ser um com ideias divididas. A decisão deve ser uma: seguir Jesus por livre escolha ou não.

Quando olhamos a comunidade que se encontra com Jesus teremos a visão de que existe um diálogo interno muito intenso, que Jesus busca se fazer ouvir, mas também está escutando a todos. Jesus se encontra não parado, mas em movimento, diante dos conflitos que nascem internamente. Tiago pede para mostrar o Pai e a reposta de Jesus é imediata: Tanto tempo que vocês estão comigo e ainda não me conhece, quem me vê também vê o Pai. Ou mesmo quando os discípulos sentem dificuldades de entender as parábolas: A multidão é dada o direito de não entender, mais há vocês não.

Jesus esta sendo muitas vezes na comunidade desentendido, encontra muitas dificuldades de comunicar com clareza a vontade de Deus em sua vida. Ele tem que dizer deixe vir a mim as criancinhas, pois os discípulos se acham donos de Jesus, e com isso se acham no direito de impedir quem eles querem. Quando a hemorroíssa o toca os discípulos responde energicamente: estamos no meio da multidão, você tem que entender que seremos espremidos de qualquer maneira. Porem Jesus é quem ama, pois diz para andarei ao outro lago para descansar, mas súbito retorna a encontrar o povo que tanto amam.

Jesus usa de uma coisa muito grande dentro de si que é o amor. Ele experimenta viver cada minuto, pois testemunha Aquele que o envio: Ele é muito maior do que eu. Jesus vence todas as dificuldades que nascem no meio da comunidade. Busca dar respostas, enfrentando em cada momento com a sabedoria que vem do alto. Jesus nos mostra que podemos fazer o mesmo.

Por isso é bom sentir que as primeiras comunidades estão testemunhando o Cristo ressuscitado, pois tudo que diziam sobre Ele é verdade. Tudo que dizem de Jesus Cristo é real e se faz em nossa vida. Por isso penso que para testemunhar o Cristo ressuscitado nós devemos estar bem certos que deixamos tudo para segui-lo, assim teremos certamente em nosso coração que tudo que aprendemos do Evangelho é verdade em nossa vida. Tudo isto ocorrerá se conseguimos entrar no movimento de ser um, de deixarmos ser governados pelos ensinamentos de Cristo. Tudo isto acontece com quem sabe que viver a vida em Cristo é um risco cheio de benefícios.

Crescer na fé e radicaliza-la é ao mesmo tempo uma decisão de segui-lo incondicionalmente. Matrimonio ou consagração não pode ser feito com um pé atras. Se decide viver em comunidade deve levar até o fim esta decisão. A vida de comunidade santifica cada um que se deixa acolher e aprender como bem viver. Radicalizar o amor que tem dentro de nós para alcançarmos o reino dos céus. Façamos como a oração de São Francisco: Mestre faça que eu procure mais consolar que ser consolado. Amar que ser amado. Pois é dando que se recebe. Perdoando que se é perdoado. Morrendo que se vive para a vida eterna. Não esqueça que você é uma testemunha real das maravilhas do Deus de Jesus Cristo. Radicalize tua fé no amor.

 

 

 

2 Comments »

Trackback by Willieny Isaias

May 12, 2009 @ 1:36 pm

Pascoa! Momento de radicalizarmos nossa fé http://bit.ly/cQiGT

Trackback by Willieny Isaias

May 12, 2009 @ 4:36 pm

Pascoa! Momento de radicalizarmos nossa fé http://bit.ly/cQiGT

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