Salve Mãe Santa Clara

Filed under: Franciscanismo — gotasdeassis at 5:08 am on Sunday, August 8, 2010

 

Olhando bem para este mês cheio de santos decidi escrever algumas palavras sobre Santa Clara. Propriamente faço alguns apontamentos sobre a vida desta grande mulher. Em breves palavras desejo ajudar aumentar a curiosidade desta Santa Franciscana. Nossa família franciscana deixou muita coisa na história, e muitas delas são incríveis, gestos, palavras e ações que transformaram a Igreja. Uma figura como Santa Clara pode nos ajudar em nossa caminhada rumo a Deus.

 

Santa Clara de Assis nasce em 1193, e morre em 11 de agosto de 1253, foi uma religiosa que colaborou muito com São Francisco na criação e desdobramento da família franciscana. Fundadora do mosteiro das Clarissa foi declarada santa pelo papa Alessandro IV em 1255. Em fevereiro de 1958 veio declarado pelo papa Pio XII santa padroeira da televisão e das telecomunicações

 

Seus pais foram Favarone de Offreduccio e Ortolana, que pertenciam a alta classe social. Clara em seu caminho com Deus demonstra uma força de ânimo em sua escolha radical, que conduziu a deixar o matrimônio desejado pela família de origem, para assim seguir o desejo de dedicar a vida a Deus.

A noite de 28 de março de 1211 (domingo de ramos, Clara tinha 18 anos) foge por uma porta secundária da casa paterna, situada junto à catedral da cidade de Assis. Ligeiramente se encontra com Francisco e os primeiros companheiros. É São Francisco que com o gesto de corta os cabelos de Clara de Assis a recebe nesta nova vida, concede a esta santa mulher de Deus uma túnica e a faz entrar no monastério beneditino de São Paulo das Abadessas junto ao vilarejo de Bastia Umbra a 04 quilômetros de Assis. Depois de um tempo Clara se transfere para o mosteiro de Sant’Angelo de Panzo que si encontra no monte Subasio. Com o tempo sua irmã Inês vem ao seu encontro e decide fazer o mesmo caminho.

 

Em fim a Santa Madre filha da pobreza recebe as candidatas a damas pobres no mosteiro de São Damião. Tanto a outara irmã de Santa Clara chamada Beatriz e sua mãe Ortolana vieram a fazer parte desta nova comunidade. Neste mosteiro santa Clara viveu 42 anos tendo 29 destes anos sofrido uma grande e penosa doença.

Afaxinada pelas pregações e os exemplos de São Francisco, Clara desejou dar vida a uma família de clausura e pobreza, imersa na oração para si e para os outros. Chamada popularmente de “Damianas” e por São Francisco de “Damas Pobres”, serão conhecidas para sempre como “Clarissas”, onde surgiram diversas santas desta experiencia radical em Deus: santa Catarina de Bolonha, Camila de Varano, ou seja, beata Batista, santa Eustaquia, Santa Inês de Praga.

Santa Clara, no momento em que os sarrasenos buscavam invadir a cidade de Assis, decidiu rezar diante do Corpo mistico de Cristo posto no ciborio, com toda sua fé elevou o ciborio em direçao aos soldados invasores e libertou, graças ao poder de Deus, a cidade dos inimigos. Este milagre a fez padroeira da cidade de Assis.

 

Eterno é Seu nome

Filed under: Franciscanismo,Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 5:59 am on Thursday, July 22, 2010

 

Estive pensando muito sobre a questão do nosso nome, pois vejo que usa-lo não é simples. Já com a pessoa de Jesus o nome é eterno. Este nome esta acima de outro nome. Outros personagens na história tiveram seus nomes eternizados, basta olharmos para São Francisco e Santa Clara, cada um singularmente representa muitas virtudes juntas, caminho de fé, amor sem limites. Os dois juntos representam unidade, amor fraterno.

Assim comecei a pensar que nosso nome entra em um grande mistério, e que pela figura de São Francisco será possível entender com mais facilidade. Em Jesus encontramos o mistério forte de quem assume o próprio nome, pois ele se identifica com tudo que há de bom neste mundo. Muito fácil é dizer: mas Jesus é Jesus. Porem Francisco de Assis faz um caminho que nos pode auxiliar bem, pois o que ele fez em sua vida foi seguir os passos do Mestre.

Francisco se identificou muito com a pobreza, e foi ao encontro dos leprosos. Ele era quem falava muito da fraternidade: “O Senhor me deu irmãos”. Francisco usou de misericórdia, amou de uma forma tão doce. Assim quando falamos de pobreza associamos a São Francisco, ou quando queremos dizer algo sobre nossas relações humanas procuramos espelhar neste santo homem. O nome de Francisco pode ser associado com muitas virtudes e ações. Isso fez com que seu nome torna-se eterno.

Quando buscamos entender que Deus nos chamou a vida pelo nome, e que este nome em Deus tem um significado além do que pensamos, propõe então a nós fazermos este caminho, descobrirmos quem somos e encontrar o verdadeiro sentido de nosso nome. Hoje se falamos de Santa Rita teremos aquela que protege os endividados, Santo Expedito com as causas impossíveis, e assim temos muito homens e mulheres que eternizaram o própio nome, encontrando seu sentido.

Se olharmos para a nossa família teremos o mesmo. Quando estamos falando de nossos parentes de um modo muito agradável acabamos lembrando que o tio João era muito paciente, que a prima Lurdes tem uma disponibilidade incrível para fazer trabalhos na tela. A vovó Ana nutriu um carinho enorme pelos netos, etc. Desta forma têm que os nomes começam a revelar o verdadeiro ser da pessoa. Dizer tal nome não é dizer qualquer coisa, mas um conjunto de verdades que estão relacionados a tal pessoa.

O problema que não só as coisas boas se eternizam, mas as ruins também. Muita gente busca usar de violência com o próximo, a arrogância desenfreada, e outras maldades que se encontram neste mundo. Começam a associar nosso nome com tantos vícios, e logo desejam esquecer das pessoas que tanto mal fazem neste mundo, algumas terão o nome de perversidade neste mundo.

Porém encontramos pessoas que não si arriscam a procurar o verdadeiro sentido do próprio nome, que passam neste mundo deixando poucas marcas entre nós. Isso começa a revelar que a pessoa não entendeu muito bem a própria existência, e que as relações nos ajudam a entender melhor quem somos. No meu pensamento temos o direito de descobrir o verdadeiro significado de nosso nome buscando viver intensamente para que seja eternizado. Busque como São Francisco e outros conhecer a fundo a palavra de vida que Deus te chamou. Em Deus tudo é eterno, e você também.

Homens e mulheres – sacerdotes de Cristo pelo batismo

Filed under: Franciscanismo,Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 6:35 am on Friday, December 18, 2009

 

Desta vez apresento um texto do Frei franciscano Raniero Catalamessa sobre o sacerdócio. Estamos próximo do natal, e vivendo o tempo do advento, assim vejo que esta reflexão possa nos ajudar a promover uma boa visão da nossa fé, que com toda a sua complexidade nos permite experimentar na ação mistagógica em nossa vida a vontade do Deus vivente.

 

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 4 de dezembro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos a seguir a primeira meditação do Advento que o pregador da Casa Pontifícia, padre Raniero Cantalamessa, OFM Cap., pronunciou hoje na presença de Bento XVI, na capela Redemptoris Mater, do Palácio Apostólico. O tema da meditação é: “Ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (1 Coríntios 4, 1).
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1. A fonte de todo sacerdócio
Na escolha do tema a ser proposto nestas pregações à Casa Pontifícia, busco sempre me guiar pelo momento de graça especial que a Igreja está vivendo. No ano passado, era a graça do Ano Paulino, este ano é a graça do Ano Sacerdotal, por cuja proclamação, Santo Padre, estamos profundamente gratos.
O Concílio Vaticano II dedicou ao tema do sacerdócio um documento inteiro, Presbyterorum ordinis; João Paulo II, em 1992, dirigiu a toda Igreja a exortação apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis, sobre a formação dos sacerdotes nas circunstâncias atuais; o atual Sumo Pontífice, neste Ano Sacerdotal, traçou um breve mas intenso perfil do sacerdote, à luz a vida do Santo Cura d’Ars. Isso para não falar das intervenções de cada bispo sobre o tema, e também dos livros escritos sobre a figura e missão do sacerdote no século recém-terminado, alguns dos quais obras literárias de primeira grandeza.
Que se pode acrescentar a tudo isso no breve período de uma meditação? Encoraja-me o dizer com o qual um pregador iniciava sua fala: Non nova ut sciatis, sed vetera ut faciatis: “O importante não é conhecer coisas novas, mas colocar em prática o que sabe”. Renuncio então a qualquer tentativa de síntese doutrinal, de apresentação global ou perfil ideal sobre o sacerdote (não teria tempo nem capacidade) e busco, se possível, fazer vibrar o nosso coração sacerdotal, ao contato com algo da Palavra de Deus.
A palavra da Escritura que servirá como fio condutor é 1 Coríntios 4, 1, que muitos de nós recordamos na tradução latina da Vulgata: Sic nos existimet homo ut ministros Christi et dispensatores mysteriorum Dei: “Que as pessoas nos considerem como ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus”. A esta podemos ligar, em alguns aspectos, a definição da Carta aos Hebreus: “Cada sumo sacerdote, escolhido entre os homens, é constituído para o bem dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus” (Hebreus 5, 1).
Essas frases têm a vantagem de reportar à raiz comum de cada sacerdócio, que é aquele estágio da revelação em que o ministério apostólico ainda não é diversificado, dando origem aos três graus canônicos de bispo, sacerdote e diácono, que, ao no que diz respeito às respectivas funções, ficará claro apenas com Santo Inácio de Antioquia, no início do século II. Essa raiz comum é realçada pelo Catecismo da Igreja Católica, que define a Ordem como “o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja, até ao fim dos tempos: é, portanto, o sacramento do ministério apostólico” (n. 1536).
É a este estágio inicial que tentaremos nos referir o quanto possível em nossa meditação, a fim de captar a essência do ministério sacerdotal. Neste Advento, levaremos em consideração apenas a primeira frase do Apóstolo: “Servos de Cristo”. Se Deus quiser, prosseguiremos na Quaresma nossa reflexão, meditando sobre o que significa para um sacerdote ser “administradores dos mistérios de Deus” e quais são os mistérios que deve administrar.
“Servos de Cristo!” (com ponto exclamativo para indicar a grandeza, dignidade e beleza desse título): eis a palavra que deve tocar nossos corações nesta meditação e fazê-lo vibrar com santo orgulho. Não estamos falando dos serviços práticos ou ministeriais, como administrar a palavra e os sacramentos (disso, como comentei, falaremos na Quaresma); não falamos, em outras palavras, do serviço como ato, mas do serviço como estado, como vocação fundamental e como identidade do sacerdote, e falamos sobre isso  na mesma direção e com o mesmo espírito de Paulo, que ao início de suas cartas apresenta-se como: “Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo por vocação”.
No passaporte invisível do sacerdote, aquele com o qual se apresenta cada dia diante de Deus e de seu povo, no campo “profissão”, dever-se-ia poder ler: “Servo de Jesus Cristo”. Todos os cristãos são naturalmente servos de Cristo, mas o sacerdote o é a um título e modo todo particular, como todos os batizados são sacerdotes, mas o ministro ordenado o é a um título e modo diverso e superior.
2. Continuadores da obra de Cristo
O serviço essencial que o sacerdote é chamado a oferecer a Cristo e continuar sua obra no mundo: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20, 21). O Papa São Clemente, na sua famosa carta aos Coríntios, diz: “Cristo é enviado por Deus e os Apóstolos, por Cristo… Eles, pregando por toda parte nos campos e nas cidades, nomearam os seus primeiros sucessores, estando à prova do Espírito, para ser bispos e diáconos”. Cristo foi enviado pelo Pai; os apóstolos, por Cristo; os bispos, pelos apóstolos: é a primeira enunciação clara do princípio da sucessão apostólica.
Mas a palavra de Jesus não tem só um significado jurídico e formal. Não funda, em outras palavras, apenas o direito dos ministros ordenados de falar como “enviados” de Cristo; também indica o motivo e o conteúdo deste mandato, que é o mesmo pelo qual o Pai enviou o Filho ao mundo. E por que Deus enviou seu Filho ao mundo? Aqui também renunciamos a uma resposta global, completa, para o qual deveríamos ler todo o Evangelho; apenas algumas declarações programáticas de Jesus.
Diante de Pilatos, ele declarou solenemente: “Para isso vim ao mundo, para dar testemunho da verdade” (Jo 18, 37). Continuar a obra de Cristo comporta para o sacerdote dar testemunho da verdade, fazer brilhar a luz da verdade. Só temos de ter em conta o duplo sentido da palavra verdade, aletheia, em João. Oscila entre a realidade divina e o conhecimento da realidade divina, entre um significado ontológico ou objetivo e um gnosiológico ou subjetivo. A verdade é “a realidade eterna enquanto revelada aos homens, referente tanto à própria realidade como a sua revelação” [H. Dodd, L’interpretazione del Quarto Vangelo, Paideia, Brescia 1974, p. 227].
A interpretação tradicional tem assinalado a “verdade” especialmente no sentido de revelação e conhecimento da verdade, em outras palavras, como verdade dogmática. Esta tarefa é, sem dúvida, essencial. A Igreja, como um todo, a aborda através do magistério, dos concílios, dos teólogos e do sacerdote individualmente, pregando ao povo a “sã doutrina”.
Mas não devemos esquecer o outro significado joanino de verdade: o da realidade conhecida, mais que conhecimento da realidade. Nesta luz, a tarefa da Igreja e do sacerdote individual não se limita a proclamar as verdades da fé, mas deve ajudar a fazer a experiência, a entrar em contato íntimo e pessoal com a realidade de Deus, através do Espírito Santo.
“A fé, escreve São Tomas de Aquino, não termina no enunciado, mas na coisa” (Fides non terminatur ad enuntiabile sed ad rem). Da mesma forma, os mestres da fé não podem se contentar a ensinar as verdades de fé, devem ajudar as pessoas a atingir a “coisa”; não apenas ter uma ideia de Deus, mas fazer a experiência d’Ele, segundo o sentido bíblico de conhecer, que é diferente, como se sabe, do sentido grego e filosófico.
Outra declaração programática é aquela que Jesus fala em frente a Nicodemos: “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”. Essa frase deve ser lida à luz do que a precede: “De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Jesus veio revelar aos homens a vontade salvífica do amor misericordioso do Pai. Toda sua pregação se resume na palavra dirigida aos discípulos na Última Ceia: “o Pai vos ama!” (Jo 16, 27).
Ser continuador no mundo da obra de Cristo significa fazer própria essa atitude fundamental para com o povo, mesmo os mais distantes. Não julgar, mas salvar. Não deve passar despercebido o trato humano sobre o qual insiste a Carta aos Hebreus ao delinear a figura de Cristo Sumo Sacerdote e de cada sacerdote: a simpatia, o senso de solidariedade, a compaixão para com as pessoas.
De Cristo é dito: “De fato, não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, sem todavia pecar”. Do sacerdote humano se afirma que “é tomado do meio do povo e representa o povo nas suas relações com Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Ele sabe ter compaixão dos que estão na ignorância e no erro, porque ele mesmo está cercado de fraqueza. Por isso, deve oferecer, tanto em favor de si mesmo como do povo, sacrifícios pelo pecado” (Hebreus 4, 15-5, 3).
É verdade que Jesus, nos Evangelhos, também se mostra severo, julga e condena, mas com que o faz? Não com as pessoas simples, que o seguiam e vinham escutá-lo, mas com os hipócritas, os auto-suficientes, os mestres e guias do povo. Jesus não era, como se diz de certos políticos, “forte com os fracos e fraco com os fortes”. Muito pelo contrário!
3. Continuadores, não sucessores
Mas em que sentido podemos falar dos sacerdotes como continuadores da obra de Cristo? Em cada instituição humana, como era então o Império Romano e como são hoje as ordens religiosas e todas as empresas humanas, os sucessores continuam a obra, mas não a pessoa do fundador. Este, em ocasiões, é corrigido, superado e inclusive repudiado. Isso não acontece com a Igreja. Jesus não tem sucessores, pois não morreu; está vivo, “ressuscitado da morte, a morte já não tem poder sobre Ele”.
Qual é então a tarefa de seus ministros? A de representá-lo, quer dizer, fazê-lo presente, dar forma visível a sua presença invisível. Nisso consiste a dimensão profética do sacerdócio. Antes de Cristo, a profecia consistia essencialmente em anunciar uma salvação futura, “nos últimos dias”, depois d’Ele, consiste em revelar ao mundo a presença escondida de Cristo, em gritar como João Batista: “No meio de vós há alguém que não conheceis”. Um dia alguns gregos dirigiram-se ao apóstolo Felipe com esta pergunta: “Senhor, queremos ver Jesus” (João 12, 21); a mesma pergunta, mais ou menos implícita, leva no coração quem se aproxima hoje do sacerdote.
São Gregório de Nisa lançou uma famosa expressão, que normalmente se aplica à experiência dos místicos: “Sentimento de presença” (Gregorio Nisseno, Sul Cantico, XI, 5, 2 –PG 44, 1001– aisthesis parousias). O sentimento de presença é algo mais que a simples fé na presença de Cristo; é ter o sentimento vivo, a percepção quase física de sua presença como Ressuscitado. Se isso é próprio da mística, então quer dizer que todo sacerdote tem de ser um místico, ou pelo menos um “mistagogo”, aquele que introduz as pessoas no mistério de Deus e de Cristo, como levando-as pela mão.
A tarefa do sacerdote não é diferente, ainda que esteja subordinada, à que o Santo Padre apresentava como prioridade absoluta do sucessor de Pedro e de toda Igreja, na carta dirigida aos bispos, a 10 de março passado: “No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado… Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na Bíblia: tal é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo”.
4. Servos e amigos
Mas agora temos de dar um passo adiante em nossa reflexão. “Servos de Jesus Cristo”: este título nunca deveria ir sozinho; deve-se acompanhar sempre, ao menos no profundo do coração, de outro título: o de amigos!
A raiz comum de todos os ministérios ordenados que se perfilarão posteriormente é a eleição que um dia fez Jesus dos Doze; isso é o que da instituição sacerdotal se remonta até o Jesus histórico. A liturgia apresenta, é verdade, a instituição do sacerdócio na Quinta-Feira Santa, por causa da palavra que Jesus pronunciou depois da instituição da Eucaristia: “Fazei isto em memória de mim”. Mas esta frase também pressupõe a eleição dos Doze, sem contar que, se for tomada sozinha, justificaria o papel de sacrificador e de liturgo do sacerdote, mas não o de anunciador do Evangelho, que é da mesma forma fundamental.
Que disse naquela ocasião Jesus? Por que escolheu os Doze, depois de ter rezado durante toda a noite? “Instituiu Doze para que estivessem com ele, e para enviá-los a pregar” (Marcos 3, 14-15). Estar com Jesus e ir pregar: estar e ir, receber e dar: em poucas palavras, apresenta-se o essencial da tarefa dos colaboradores de Cristo. Estar “com” Jesus não significa apenas uma proximidade física; implica já toda a riqueza que Paulo encerrará na fórmula “em Cristo”, ou “com Cristo”. Significa compartilhar tudo de Jesus: sua vida itinerante, certamente, mas também seus pensamentos, seus objetivos, seu espírito. A palavra companheiro procede do latim medieval e significa quem tem em comum (con-) o pão (panis), que come o mesmo pão.
Nos discursos de adeus, Jesus dá um passo adiante, completando o título de companheiros com o de amigos: “Não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que seu amo faz; chamo-vos amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai, vos dei a conhecer” (João 15, 15).
Há algo comovedor nesta declaração de amor de Jesus. Sempre recordarei o momento em que recebi a graça, por um instante, de experimentar algo desta comoção. Em um encontro de oração, alguém abriu a Bíblia e leu esta passagem de João. A palavra “amigos” me tocou com uma profundidade nunca antes experimentada; removeu algo no profundo de meu ser, até o ponto de que durante o resto do dia repetia a mim mesmo, cheio de maravilha e incredulidade: “Chamou-me de amigo! Jesus de Nazaré, o Senhor, meu Deus! Sou seu amigo! E me parecia que com essa certeza era possível voar pelos ares e atravessar o fogo.
Quando fala do amor de Jesus Cristo, São Paulo sempre dá a impressão de que se comove: “Quem nos separará do amor de Cristo?” (Romanos 8, 35), “me amou e se entregou por mim!” (Gálatas 2, 20). Tendemos a desconfiar da comoção e inclusive nos envergonharmos dela. Não sabemos a riqueza que perdemos. Jesus “se comoveu profundamente” e chorou ante a viúva de Naim (cf Lucas 7, 13) e ante as irmãs de Lázaro (cf João 11, 33-35). Um sacerdote capaz de comover-se quando fala do amor de Deus e do sofrimento de Cristo ou quando recebe a confidência de uma grande dor, convence mais que com agudas racionalizações. Comover-se não significa necessariamente começar a chorar; é algo que se percebe nos olhos, na voz. A Bíblia está cheia do pathos de Deus.
5. A alma de todo sacerdócio
Uma relação pessoal, cheia de confiança e de amizade com a pessoa de Jesus, é a alma de todo sacerdócio. Neste Ano Sacerdotal, voltei a ler o livro do abade Jean-Baptiste Chautard, A alma de todo apostolado”, que fez tão bem e sacudiu tantas consciências nos anos anteriores ao Concílio. Em um momento em que se dava um grande entusiasmo pelas “obras paroquiais”: cinema, jogos, iniciativas sociais, círculos culturais, o autor voltava a centrar bruscamente a atenção sobre o problema, denunciando o perigo de um ativismo vazio. “Deus –escrevia– quer que Jesus seja a vida das obras”.
Não reduzia a importância das atividades pastorais, no entanto, afirmava que sem uma vida de união com Cristo, não eram mais que “muletas” ou, como as definia São Bernardo, “malditas ocupações”. Jesus disse a Pedro: “Simão, tu me amas? Apascenta minhas ovelhas”. A ação pastoral de todo ministro da Igreja, desde o Papa até o último sacerdote, não é mais que a expressão concreta do amor por Cristo. “Tu me amas? Então apascenta”. O amor por Jesus marca a diferença entre o sacerdote funcionário ou executivo e o sacerdote servo de Cristo e dispensador dos mistérios de Deus.
O livro do abade Chautard poderia ter o título “A alma de todo sacerdócio”, pois em toda a obra fala d’Ele como agente e responsável em primeira linha da pastoral da Igreja. Naquela época, o perigo ante o qual se tentava reagir era o chamado “americanismo”. O abade se remonta com frequência, de fato, à carta de Leão XIII Testem benevolentiae, que hava condenado essa “heresia”.
Hoje esta heresia, se de heresia pode-se falar, já não só é “americana”, mas uma ameaça que, inclusive por causa da diminuição da proporção de sacerdotes, afeta o clero de toda Igreja: chama-se ativismo frenético. (Por outro lado, muitas das instâncias que procediam naquele tempo dos cristãos dos Estados Unidos, e em particular do movimento criado pelo servo de Deus Isaac Hecker, fundador dos Paulist Fathers, tachadas de “americanismo”, por exemplo, a liberdade de consciência e a necessidade de um diálogo com o mundo moderno, não eram heresias, mas instâncias proféticas que o Concílio Vaticano II fará em parte suas).
O primeiro passo para fazer de Jesus a alma do próprio sacerdócio consiste em passar do personagem Jesus ao Jesus pessoa. O personagem é alguém “de” quem se pode falar com alegria, mas “a” quem ninguém pode dirigir-se e “com” quem ninguém pode falar. Pode-se falar de Alexandre Magno, de Júlio César, de Napoleão tudo o que se quiser, mas se alguém dissesse que fala com alguns deles, lhe mandariam direto para o psiquiatra. A pessoa, pelo contrário, é alguém com quem se pode falar e a quem se pode escutar. Quando Jesus não é mais que um conjunto de notícias, de dogmas ou de heresias, alguém do passado, uma memória, não uma presença, fica-se em um personagem. É necessário convencer-se de que está vivo e presente. É mais importante falar com ele que falar d’Ele.
Um dos aspectos mais bonitos da figura do Dom Camilo, de Giovanni Guareschi, tendo obviamente em conta o gênero literário, aprecia-se quando fala em voz alta com o Crucifixo sobretudo o que lhe sucede na paróquia. Se nos acostumássemos a fazer isso, com tanta espontaneidade, com nossas palavras, quanto mudaria em nossa vida sacerdotal! Nos daremos conta de que não falamos ao vazio, mas a alguém que está presente, que escuta e reponde, talvez não em voz alta como a Dom Camilo.
6. Em primeiro lugar, as “pedras grandes”
Assim como em Deus toda a obra exterior da criação emana de sua vida íntima, “do incessante fluxo de seu amor”, e assim como toda atividade de Cristo emana de seu diálogo ininterrupto com o Pai, do mesmo modo todas as obras do sacerdote devem ser prolongação de sua união com Cristo. “Como o Pai me enviou, assim vos envio”, também significa isto: “Eu vim ao mundo sem me separar do Pai, vocês vão ao mundo sem se separar de mim”.
Quando se interrompe este contato, acontece como em uma casa, quando acaba a energia e tudo pára e fica às escuras. Às vezes se escuta: como ficamos tranquilos rezando quando tantos necessitados reclamam nossa presença? Como não correr quando se está queimando a casa? É verdade, mas imaginemos o que aconteceria a uma equipe de bombeiros que fosse, com as sirenes ligadas, apagar um incêndio, e, ao chegar, se desse conta de que não tem uma gota de água. É o que acontece quando corremos a pregar ou a exercer outros ministérios vazios de oração e do Espírito Santo.
Li uma história que me parece que se aplica de maneira exemplar aos sacerdotes. Um dia, um ancião professor foi convidado como especialista para falar sobre o planejamento mais eficaz do próprio tempo aos executivos de grandes companhias norte-americanas. Decidiu fazer um experimento. De pé, tirou de sob a mesa um grande jarro de vidro vazio. Tomou depois uma dezena de pedras do tamanho de bolas de tênis, que depositou com cuidado, uma por uma, no jarro até preenchê-lo. Quando já não havia espaço para outras pedras, perguntou aos alunos: “acreditam que este jarro está cheio?”, e todos disseram que sim.
Agachou-se de novo e pegou uma caixa cheia de pequenas pedras as quais derramou no jarro. Depois, perguntou: “Agora está cheio?”. Com mais prudência, os alunos responderam: “talvez ainda não”. Então ele tomou um saco de areia, que derramou no jarro. “E agora?”, questionou. E eles, diretamente: “não”. Então o ancião pegou uma garrafa de água e derramou até encher o jarro.
“Qual é a grande verdade que nos mostra este experimento?”, perguntou. O mais atrevido respondeu: “Demonstra que, ainda nossa agenda esteja totalmente cheia, com algo de boa vontade sempre se pode acrescentar algum compromisso, algo mais por fazer”. “Não”, disse o professor. “O que demonstra o experimento é que se não se colocam no jarro em primeiro lugar as peças grandes, depois elas não podem entrar”. “Quais são as grandes peças, as prioridades de nossa vida? O importante é pôr estas grandes peças em primeiro lugar em nossa agenda”.
São Pedro indicou ode uma vez por todas quais são as grande peças, as prioridades absolutas, dos apóstolos e de seus sucessores, bispos e sacerdotes: “nós nos dedicaremos à oração e ao ministério da Palavra” (Atos 6, 4).
Nós, sacerdotes, mais que qualquer outro, estamos expostos ao perigo de sacrificar o importante pelo urgente. A oração, a preparação da homilia ou da missa, o estudo e a formação são coisas importantes, mas não urgentes; se se suspendem, aparentemente, não acaba o mundo, enquanto que há muitas coisas pequenas –um encontro, um telefonema, um trabalhinho material– que são urgentes. Deste modo, acaba-se suspendendo sistematicamente o importante para um “depois” que nunca chega.
Para um sacerdote, pôr em primeiro lugar no jarro as grandes peças pode significar concretamente começar o dia com um tempo de oração e de diálogo com Deus, de maneira que as atividades e os diferentes compromissos não acabem ocupando todo o espaço.
Concluo com uma oração do abade Chautard que se encontra no programa destas meditações: “Oh Deus, dê à Igreja muitos apóstolos, mas suscita em seu coração uma sede ardente de intimidade contigo e, ao mesmo tempo, um desejo de trabalhar pelo bem do próximo. Dê a todos uma atividade contemplativa e uma contemplação ativa”. Assim seja.
[Traduzido por Zenit]

Morada de Deus

Filed under: Franciscanismo,Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 9:58 am on Saturday, October 17, 2009

 

Estou ficando louco de amor por Jesus. Me deu uma crise de alegria enquanto estudava as escrituras, pois estava lendo um comentário de um pensador sobre o texto do novo testamento Mt 9,14-15. Este texto olhando de imediato fala do jejum, porem visto com profundidade eles estão discutindo outra coisa.

Os discípulos de João batista perguntam porque os discípulos de Jesus não fazem o mesmo que eles e os fariseus. Incrível a resposta de Jesus: é possível fazer jejum quando o noivo esta presente.

Estou maravilhado com isso, pois Jesus não discute o jejum, mas a tradição Os discípulos de João batista aprenderam a fazer de um modo a vontade de Deus, e agora criticam o modo de Jesus Cristo. Cristo está rompendo, está rasgando os remendos velhos. Ele está destruindo os odres velhos, pois o vinho novo não pode ser mais contido. Incrível, pois Jesus é a novidade, que está para alem do que eles podem pensar.

Batista se manteve fundamentado na antiga tradição, buscando operar uma nova tradução dos antigos profetas. Jesus traz a novidade na tradição, porque a verdade em Deus é imutável, ou melhor dizer: Deus é a única verdade “beleza tão antiga e sempre nova” (santo Agostinho).

Eu estou louco de amor por ter chegado a esta iluminação. Este texto me perturbava sempre, porque eu não havia uma resposta sobre a verdade que se passa dentro dele. Agora vejo claramente o que ele está discutindo. Jesus realmente é a nova tradição, a nova lei, o novo Adão.

Olhando para São Francisco busquei entender como se recebe esta novidade dentro de si. São Francisco foi um dos que com uma radical conversão aceitou a verdade de Deus em sua vida. O santo de Assis acolheu e se transformou a partir da novidade, a partir de Jesus Cristo. Apresentarei um texto das admoestações de São Francisco:

Do servo fiel que se torna morada de Deus

E todos aqueles e aquelas que vagam neste mundo, fim quando farão tais coisas e e perseverem nelas até o fim, repousará sobre eles o Espirito do Senhor (Is. 11,2), e Ele fará sua morada (cf. Gv. 14,23). E serão filhos do Pai celeste (cf. Mt. 5,45), dos quais fazem obras, e são esposos, irmãos, e mães do nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Mt. 12,50).

Somos esposos, quando a alma fiel si une a Jesus Cristo pela ação do Santo Espirito. E somos irmãos, quando fazemos a vontade do Pai (cf. Mt. 12,50), que está nos céus. Somos mãe (1Cor. 6,20), quando portamos no nosso coração e no nosso corpo através do amor e a pura e sincera consciência, e o geramos através do santo modo de trabalhar, que deve resplandecer em exemplos para os outros (cf. Mt. 5,16).

Oh, como é glorioso e santo e grande ter nos céus um Pai!

Oh, como é santo, consolador, belo e amável ter um santo Esposo!

Oh, como é santo, como é delicioso, agradável, humilde, pacifico, doce e amável e sobre cada coisa desejada ter um tal irmão e filho, o qual oferece a sua vida pelas suas ovelhas (cf. Gv. 10,15) e rogo ao Padre por nós, dizendo: “Pai santo, guarda no teu nome aqueles que me confiou (Gv. 17,11). Pai, todos aqueles que me confiou no mundo são teus, e que você deu a mim (Gv. 17,6). E as palavras que destes a mim, também deu a eles; e esses as acolheram e verdadeiramente reconheceram que eu saí de ti e creram que você me enviou (Gv. 17,8). Eu rogo por eles e pelo mundo (Gv. 17,9). Abençoa-lhes e santifica-os (Gv. 17,17). E para eles eu santifico a mim mesmo, afim que sejam santificados na unidade, como sejamos nós (Gv. 17,19-21) . E quero, o Pai, que onde eu estou estejam estes comigo, afim que vejam a minha glória no teu reino” (Gv. 17,24; Mt. 20,21).

A aqueles que tanto parte por nòs, que tantos bens são doados com abundancia e generosidade serão doados no futuro, a Deus, cada criatura que vive nos céus, sobre a terra, no mar e nos abismos, rendam louvor, gloria, honra e bênçãos (cf. Ap. 5,13), porque Ele é a nossa virtude é a nossa fortaleza. Ele que só é bom (cf. Lc. 18,19) só o Altíssimo, só o onipotente, amável, glorioso e só o Santo, digno de louvor e bênção pelos seculos infinitos. Amem.

Cronologia de São Francisco de Assis

Filed under: Franciscanismo,Uncategorized — gotasdeassis at 8:31 am on Friday, September 25, 2009

 

·        1182 – Na ausência do pai nasce Francisco. Batizado com o nome de João pela mãe francesa chamada Pica. Seu pai Pedro Bernadone ao regressar da viagem de negócios o chama de Francisco.

 

·        1202 – Guerra entre Perigia e Assis. O exército de Perugia ganha e Francisco com os vinte anos é feito prisioneiro, restando um ano em cárcere.

 

·        1203 – Francisco se encontra enfermo e liberto da prisão.

 

·        1204 – Francisco é curado da enfermidade, mas repousa no seu coração a inquietude da vida.

 

·        1205 – Com os vinte e quatro anos inicia sua conversão : abandona os amigos e uma juventude desenfreada. O jovem de Deus passa a uma vida intensa de oração; o encontro e o beijo no leproso; encontro com a cruz de São Damião; peregrinação a Roma onde fez a primeira experiencia com a pobreza.

 

·        1206 – Renuncia aos bens paternos. Começa a restaurar as igrejinhas de São Damião, São Pedro da Spina e a Porciúncula (Santa Maria dos Anjos). Depois da breve estadia no mosteiro de Verecundo de Vallingegno, se dirigiu para a cidade de Gubbio, onde se põe ao serviço dos leprosos.

 

·        1208 – Francisco novamente em Assis, na primavera esculta na Porciúncula o Evangelho da missa votiva dos Apóstolos, que amadurece nele a vocação evangélica e apostólica; no mesmo ano reúne-se em torno dele os primeiros companheiros, que vêm a constituir a primeira Ordem dos frades Menores.

 

·        1209 – Compõe a primeira e breve regra de vida, e com os primeiros companheiros se dirige a Roma para obter a aprovação, que foi dada oralmente. Com a volta se estabelece em um pequeno tugúrio de Rivotorto.

 

·        1210 – Forçado a deixar o tugúrio de Rivotorto a crescente fraternidade se transfere a Porciúncula.

 

·        1212 – Clara, aos dezoito anos, foge para Porciúncula onde Francisco à consagra a Deus com o corte de cabelo e a vestição; depois de um breve tempo a segue sua irmã Inês: é o início da Segunda Ordem Franciscana. Ao fim do ano Francisco tenta viajar em missão verso a Síria, mas os ventos o leva a Dalmácia, onde retorna em Ancona.

 

·        1213 – No dia 8 de maio Francisco é a S. Leo no Montefeltro, onde o nobre Orlando de Chiusi lhe faz a doação do monte Alverni. No mesmo ano tenta novamente uma viagem missionaria verso Marrocos, mas uma doença o constringe a retornar em Itália.

 

·        1216 – Em julho, a cidade de Perugia, a pedido de Francisco, o novo Papa Honório III concede ampla indulgência do “perdão de Assis” para os visitantes da Porciúncula no aniversário da sua consagração (02 de agosto).

 

·        1217 – Na data de Pentecostes o primeiro capítulo geral a Porciúncula; vem erigido 12 províncias e circunscrições franciscanas.

 

·        1219 – Na festa de Pentecostes no capítulo da Porciúncula; vem decidido o envio de franciscanos para Alemanha, França, Hungria, Espanha e Marrocos. Os cinco que chegaram a Marrocos são martirizados (protomártires franciscanos). Francisco mesmo embarca em Ancona e chega ao campo cruzado a Damiata.

 

·        1220 – Honório III, com a bula Cum secundum consilium, institui o ano de noviciado para todos os aspirantes a Ordem. A bula é conservada junto a Basílica de São Francisco.

 

·        1221 – Francisco escreve a regra “não bulada”, que vem apresentada no capítulo de Pentecostes. No mesmo ano vem a instituição oficial da Ordem dos Penitentes, dito depois Terciários Franciscanos.

 

·        1223 – Francisco, a Fonte Colombo, redige a regra definitiva, que em 29 de novembro Honório III aprova com a bula “Solet annuere”. Ao natal, com o consenso do Pontífice, Francisco apresenta o Presépio a Greggio.

 

·        1224 – No dia 17 de setembro no monte Alverne, o Santo recebe as impressões dos estigmas.

 

·        1225 – A São Damião Francisco compõe o cântico do Irmão sol, conhecido também como Cântico das Criaturas.

 

·        1226 – Ao fim da tarde de 3 de outubro aos 44 anos, o Santo morre na Porciúncula. No dia seguinte portaram o seu corpo a Assis e depositado provisoriamente na igreja de São Jorge. 

Capítulo Internacional das Esteiras

Filed under: Franciscanismo,Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 2:16 pm on Wednesday, May 6, 2009

Desejo partilhar um pouco das festividades que comemoram os 800 anos de franciscanos. No Brasil e em toda América Latina as comemorações foram abertas no início de 2008 com a presença da cruz de São Daminhão preparada para aquela ocasião. A Família Franciscana do Brasil promoveu inúmeras manifestações religiosas para congregar os membros da família para celebrar este momento tão especial em nossa vida.

Na Europa as festas deram início com o Capítulo Internacional das Esteiras. Aqui se fizeram presentes no mês de abril inúmeros religiosos franciscanos dos ramos da primeira Ordem, algumas irmãs representando a segunda ordem e a oração das irmãs Clarissas, onde no momento do Capítulo foi destinado celebrar parte do capítulo na basílica de Santa Clara. Da parte da terceira Ordem estavam os frades da Tor e os irmãos e irmãs terciários. Do dia 15 a 18 Assis era repleta de irmãos e irmãs oriundos de diversos países somando um total de 2.000 pessoas presentes.

Este capítulo celebrava o primeiro que São Francisco havia celebrado diante da igrejinha de Santa Maria dos Anjos. Naquele tempo se contava na Ordem o número e cinco mil frades. Para nós essa realidade foi incrível, pois, logo apos a aprovação da regra pelo papa Honório III o capítulo já presenciava um número enorme de frades. Isso demonstra a nós que o modo de viver de São Francisco atraiu muitos, e que continua atraindo, pois o número de franciscanos ultrapassam os 30.000.

Hoje nós nos encontramos divididos em três ramos da primeira Ordem: O.F.M. Conventuais, O.F.M. Observantes e O.F.M. Capuchinhos. Com este encontro celebrativo pudemos ver que tamanhas dificuldades que si encontravam no passado foram superadas, e que nossos sonhos de mover com maior amplitude o ideal franciscano começam a se encontrar para produzir luz a partir do Espirito de Deus que nos uni.

Para este encontro internacional da família franciscana esteve presente Raniero Cantalamessa, que é um dos pregadores do Vaticano muito conhecido. Passaram os bispos dos três ramos que foram no passado ministros gerais. E pudemos ouvir as vozes dos frades que apresentaram a presença dos franciscanos no mundo.

O Capítulo ao seu fim teve o encontro com o Papa Bento XVI, recordando na história dos frades o momento em que São Francisco e os primeiros companheiros vão a Roma pedir a aprovação da regra. Os nossos três ministros gerais atuais fizeram a renovação dos votos diante do Papa em nome de toda a Ordem franciscana. Tivemos grandes momentos e espero que as fotos possam ajudar a passar um pouco mais de tudo aquilo que ocorreu no Capitulo Internacional das Esteiras. Logo abaixo se encontra o endereço eletronico com a reportagem.

http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=272760

 

Abertura do encontro

 

 

 

 

 

 

 

Santa Missa na basílica da Porciúncula

 

                                                                                                         

 

Oração e encontro com as irmãs Clarissas na basílica de Santa Clara

 

 

 

  

 

Peregrinação a basílica de São Francisco

 

 

 

 

                                                    

 

Encontro com o Papa Bento XVI

 

 

 

                                                 

 

Paz e Bem!

Os Franciscanos e a tradição da Via Cruz a partir de São Leonardo

Filed under: Franciscanismo,Reflexoes Gerais,Uncategorized — gotasdeassis at 7:24 pm on Thursday, February 19, 2009

 

A espiritualidade franciscana tem a sua essência no mistério da encarnação de Deus. E São Francisco como aquele que inicia o primeiro presépio vivo na história. O mesmo acontece com a Via Cruz, porem aqui é um novo personagem que nos apresenta esta prática espiritual. Busco apresentar um frade que na história da Igreja e da família franciscana contribuiu muito.

São Leonardo de Porto Maurício nasce em 1676. Completo os estudos junto ao Colégio Romano, aos vinte anos entra na Ordem dos Frades Menores. Ordenado sacerdote, si dedicou com zelo apostólico a pregação, percorrendo grande parte da Itália.

Especial importância assume sua missão com o povo, a quaresma e os exercícios espirituais. Foi o iniciador de um estilo próprio e o propagador da pia prática da Via Cruzes. Escreveu varias obras de pregação e de vida espiritual, das quais transparece a linha espiritual franciscana. Morreu a Roma em 26 de novembro de 1751 e foi canonizado por Pio IX.

Veremos um dos textos deste grande homem, São Leonardo, sobre a exortação a Via Cruz:

É devastado todo o país e nenhum se dá por pensar. A causa de todo o mal para nós é buscada no fato de que nenhum pensa na realidade que devemos constituir um objeto de contínua meditação não tem o que se maravilhar se se consegue uma completa desordem moral. São colocados no esquecimento antes de tudo a verdade escatológica; não se pensa pois os benefícios de Deus, nem aquela dolorosa Paixão que andou ao encontro por nós Jesus Cristo.

Os empenhos e as obrigações do próprio estado de vida si executam com negligência; e não se escapa com a devida cautela os perigos espirituais onde quer que existam. Sendo o mundo um estado moral assim deplorável, retornam a proposito as palavras de Jeremias: “É devastado todo o pais, e nenhum se de a pensar”. Tem qualquer remédio quando se faz maldades? Com toda humildade, de joelhos, me seja concedido de indicar a todos os prelados, párocos, aos sacerdotes e a todos os outros ministros de Deus que a desejada medicina esta a porta de todos, na maioria dos casos é a pia prática da Via Cruz.

Se pelo zelo e o interesse do Clero tal pratica de piedade será instituída em toda as paroquias e igrejas, essa se tornará uma valiosa defesa contra o alastrar-se dos vícios, e a recuperação de grandíssimos benefícios, pois todos aqueles que meditam assiduamente sobre as dores e o amor de Cristo.

A frequente meditação sobre a Paixão de Cristo dá luz saldável ao intelecto, fervoroso empenho a vontade e sincera concupiscência ao coração. Tenho constatado cotidianamente, e tocado quase com a mão, que o melhoramento dos costumes dos cristãos é condicionado da prática da pia exercitação da Via Cruz.

Tal pia prática em fato é um antidoto para os vícios, um freio às paixões, um incitamento eficaz a uma vida virtuosa e santa. Se temos vivamente presente diante dos olhos e da mente, como esculpida sobre as tabuas, a áspera Paixão de Cristo, não podemos fugir com horror, em virtude da irradiação das assim luzes, misérias, e fraquezas da nossa vida; antes nos sentiremos levados a responder com tanto amor a caridade de Cristo, e a aceitar jubilosamente as inevitáveis adversidades da vida. (Opere complete, vol. II, Venezia 1808, pp. 176-177).

Devo recordar do caso que ele é quem inicia um novo estilo de meditar a Via Cruz talhando quatro cenas da paixão de Cristo na madeira. Havia iniciado com a coroação de espinhos, Jesus carregando a cruz, a morte na cruz, e a ressurreição. Assim temos uma boa visão de como se iniciou esta tradição na Igreja e que hoje é contemplada no período da quaresma. Que possamos entrar no mistério da Paixão de Cristo sentindo o mesmo movimento em nossa própria vida.

Oração pela paz entre os israelenses e palestinenses

Filed under: Franciscanismo,Informativo,Reflexoes Gerais,Uncategorized — gotasdeassis at 8:02 am on Thursday, January 15, 2009

Neste segundo domingo de janeiro dia 11, em que comemoramos o batismo de Jesus, celebrando a renovação do nosso batismo, ocorreu aqui em Assis (cidade da paz) o encontro de oração pela paz entre Israel e Palestina.

Os bispos da Itália buscaram promover um momento de celebração, onde unido a esta intenção torna-se um sinal de que estamos juntos com o povo que sofre. Tal apelo partiu da vontade de viver plenamente os planos de Deus – o retorno a aliança ou melhor dizer a harmonia da criação de Deus.

Estiveram aqui na basílica de São Francisco um cardial e o bispo de Assis – Dom Domenico. No primeiro momento nos foi explanado o tema sobre Autoridade e serviço, este último documento lançado pelo Decastéreo. Uma irmã que veio representando Dom Gardin, nos proporcionou uma visão panorâmica do documento, traçando os caminhos para reconhecer a autoridade como carisma que se concentra na pessoa que escuta a Deus e a disponibilidade na vida como servir na obediência

No segundo momento tivemos dentro da Basílica de São Francisco coma celebração voltada a oração pela paz. O presbitério foi circundado de oito virgens com velas acesas, que representavam o símbolo da prudencia na espera do esposo. Com esta forte mensagem se laçava ao coração dos cristãos que participavam a esperança, pois o Deus de Jesus Cristo há de mudar o caminho traçado pelo mundo sem diálogo. Não só a esperança mas a fé daquelas que esperavam o retorno do noivo. Esta idéia é forte ao ponto que nos cristãos temos que devolver a esperança ao mundo.

Não sei se é tarde ou não, mas já começamos a nossa parte. Creio que temos que ser assim, pois nossas orações são canais por onde passa a nossa esperança, porque temos fé, que se traduz como ato de caridade pois temos compromisso com todos que estão neste mundo. Um compromisso feito por Deus e reestabelecido por Jesus Cristo. Nosso batismo diz que devemos fazer o mesmo que Cristo, pois dentro de nós esta o mesmo Espirito que habita em Jesus Cristo.

Isto me fez lembrar de Dietrich Bonhoeffer.  Este foi um Teólogo protestante que viveu os terrores do campo de concentração Porem um dado na sua história nos coloca uma mensagem forte no coração Estando no campo de concentração ele ouvia as pessoas reclamarem suas condições e ao mesmo tempo desencorajadas e sem esperança. Todos os dias ele ouvia as pessoas se queixando que Deus não faz nada, Ele nos esqueceu aqui ou mesmo Deus não existe. Porem Dietrich dizia que não, pois Deus existe e há de fazer alguma coisa por nós. Muitos diziam que Dietrich estava no mundo das ilusões, porem ele não sessava de dizer que Deus há de fazer alguma coisa por nós. Um certo dia eles perguntaram a Dietrich onde esta o teu Deus que não faz nada por estas crianças que estão sendo levadas a câmara de gás. Dietrich respondeu dizendo: Meu Deus são estas crianças que estão sendo levadas para a câmara de gás, e se nós fizermos alguma coisa por elas meu Deus será em nós.

Acredito que nos cristãos devemos dar testemunho deste espírito de vida. Tudo começa a partir daqueles que servem a Deus. Nós sabemos como mudar a situação, pois conhecemos a mensagem de Cristo, mas devemos ter conosco que podemos fazer alguma coisa, pois Deus fará a sua. Por isso repito: Não sei se é tarde ou não, mas já começamos a fazer a nossa parte. Nossa oração não é qualquer coisa, mas a esperança viva que faz com que nossa caridade seja um compromisso para com o próximo. Lembre-se que fé é como um grão de mostarda, deixa ela crescer dentro de ti.

Sete Mártires franciscanos da Lituânia e a tradição do Rosário

Filed under: Franciscanismo — gotasdeassis at 11:25 am on Wednesday, December 31, 2008

 

Morar no Sacro Convento é muito especial pelo fato que esta comunidade é internacional. Somos um número de 50 frades neste convento e cada um de nacionalidade diferente. Como convento ligado ao Santuário de São Francisco os frades vêm para trabalhar com os peregrinos em suas línguas de origem.

Aqui encontrei o frei Miroslav da Lituânia, e com o tempo fizemos uma grande amizade. Ele era responsável pelos peregrinos de língua lituana, polaca e russa. Este frade de bom coração esteve conosco por dois anos atendendo as confissões, celebrando as missas e guiando os peregrinos dentro da Basílica.

Como a nossa amizade amadureceu de uma forma tão linda decidi conhecer o país do frei Miroslav. Estando na Lituânia pude experimentar muito da cultura e conhecer a nossa historia franciscana, e ao mesmo tempo testemunhar a força do cristianismo na vida daquele povo.

Lituânia foi um dos últimos países da Europa a ser cristianizado. O Duque da Lituânia havia o desejo de estender seu território e com isso se aliou as forças da Europa aceitando a religião crista em seus domínios. Com o passar do tempo a cultura crista se tornou única em toda a Lituânia. Com a Segunda Guerra Mundial este povo sentiu forte o peso da crueldade. E com o avanço das tropas russas o território foi invadido e depois incluso na União Soviética.

Na cidade de Vilnius capital da Lituânia, os filhos de São Francisco estiveram ali com uma presença forte na evangelização. Depois dos acordos fechados com o Duque da Lituânia foi nos doados um pequeno terreno para fixar a presença Franciscana em meio ao povo. Os frades por muito tempo organizaram junto com o povo uma comunidade rica dos valores cristãos, empenhando-se a transmitir as virtudes teologais: Fé, caridade e esperança.

Porem com a invasão dos russos nossa igreja dedicada a São Francisco na capital do país se tornou depósito do Estado. Isto aconteceu com todas as igrejas dentro da Lituânia, os templos cristãos foram todos profanados e destruídos por dentro. Os templos de unidade dos cristãos foram reduzidos a salões de entulhos, e banida a Igreja Católica em todo o território.

Dentro desta história deste povo temos os relatos dos sete mártires franciscanos. Quando o povo ficou sabendo da invasão das tropas russas, sete dos nossos frades decidiram despistar as tropas para que o povo pudesse ter tempo de fugir. Assim decidiram ficar dentro da Igreja para que o outro grupo organiza-se a fuga. O povo da capital se sente muito ligado a este testemunho de vida e amor incondicional. Eles são testemunhas de que se pode amar ate o ponto de dar a vida pelo próximo.

Contudo, a igreja católica resistiu muito, e a devoção a Maria foi sustento para que em nossos dias a Igreja continua-se o caminho de evangelização. O povo me contava como foi difícil esperar a liberdade, mas o coração em Cristo a tradição dos pais que nunca esqueceram suas raízes no cristianismo garantiram a permanência da Igreja na Lituânia.

Durante período de 50 anos de comunismo sem o direito de exercer livremente a religião crista, onde as igrejas Católicas foram transformadas em depósitos do Estado, o sofrimento foi certo, mas a esperança não acabou, pois a fé estava alicerçada nos corações de muitos lituanos. As famílias neste período fugiam de madrugada pela floresta para batizar as crianças na Polônia, e ao retornar ensinavam o rosário de Maria na esperança da liberdade que confiaram nas mãos de Deus. Hoje nossa Igreja de São Francisco está sendo restaurada aos poucos. Com muito esforço o povo se reúne em uma Igreja totalmente destruída, mas reconhece a fé que seus pais transmitiram pela força do rosário de Maria.

Este é um povo que diz muito a nós, pois com a força dos mártires franciscanos que testemunharam o amor incondicional pelo próximo a partir da vida em Cristo, e a fé que os pais mantiveram com toda confiança batizando as escondidas e mantendo a oração do rosário, nos mostra como um povo que esperou 50 anos em Deus hoje vive sues 15 anos de liberdade. Deus ha de fazer alguma coisa por nos, batas esperarmos com a nossa fé. Vejo que neste convento é possível encontrar muitas histórias que testemunhe a nos cristãos como se vive a fé neste mundo. Isto é prova que a Igreja se faz a partir da família, e que deve ser testemunhada todos os dias de nossa vida. Faça como os sete mártires da Lituânia: ame incondicionalmente. Viva a tua fé em família.

Presépio e espiritualidade franciscana

Filed under: Franciscanismo,Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 9:04 pm on Tuesday, December 9, 2008

Esta se aproximando o tempo de natal e podemos encontrar em muitos lugares os presépios montados para esta ocasião. Natal é o tempo de criatividade quando muitos buscam construir seus presépios de diversas formas. Esta tradição é muito linda, e nos fala muito da pessoa de Jesus Cristo. Esperamos a Luz que vem de Deus.

A tradição do presépio nas igrejas teve origem com São Francisco. Na noite de natal Sao Francisco pediu que preparasse uma pequena mangedora na cidade de Grecio. Naquela noite ele proclamou o Evangelio e introduziu o menino Jesus no centro da comunidade.

Para nós franciscanos o presépio fala muito. Temos em nossa espiritualidade um lugar especial a encarnação do Verbo Divino: “Deus se fez homem e habitou no meio de nos”. A riqueza que traz o evento revelaçao de Deus atravez de Jesus Cristo é muito forte.

O nosso Deus se fez homem. Isto me lembra do retiro de ordenação que fiz. Minha turma de formação era composta de quatro frades. Tivemos como diretor espiritual um padre Jesuíta chamado Baquero, possuidor de uma espiritualidade notável. Ele nos disse assim: “Deus depois que concluiu toda a criação admirou tanto a humanidade criada, mas tanto, que com tamanha paixão se fez homem”.

Naquele retiro trabalhamos muito este mistério, e me fez relfetir mais ainda a beleza de ser humano. Temos um Deus que ama ser gente. Isso se torna muito especial para nós porque Deus escolheu nossa humanidade. Como é bom saber que Deus admira ser homem, e transmite isto a nós com muita simplicidade: Jesus Cristo é Deus.

Deus que vem a nós em Jesus tem uma profundidade que devemos escavar com muita atenção. Melhor ainda, vamos mergulhar no mistério de nossa humanidade vista a partir de Jesus Cristo. Buscarei refletir sobre este mistério na proposta de entedermos nossa essencia dentro da nossa existencia.

Deus deseja ser gente, e o faz. Para nos esta decisão de Deus deve dizer que ser gente é muito bom. Que a humanidade nao é tudo de negativo que existe neste mundo. A humanidade tem muita coisa boa. E aqui podemos lembrar as palavras do livro de Gêneses depois de cada ato de criação: Deus viu que era bom.

Deus sentiu o gosto de ser homem. Isto para nos soa muito bom em alguns momentos, mas em outros nao temos nem mesmo o desejo de acreditar nesta ideia. Olhamos com pecimismo este mundo e julgamos que a humanidade nao tem como mudar. Realmente o mundo nao é uma maravilha. Sao tantos os atos de iniquidade criados pela humanidade. O sofrimento de muitos criados pelo egoísmo e tanta maldade.

Jesus é quem nos ensina a ser humano. Ele começa realizando a vontade do Pai, que é o amor por todos. Deus que se faz homem por amor. Se olharmos mais a fundo teremos o Homem-Deus, ou seja, Jesus que nasce na simplicidade da mangedora. Sua familia é muito humilde, mas ele tem muito a oferecer a nos. Muitos reclamam da forma que nasceram, e da família que receberam. Muitos desejam riqueza, títulos, e reclamam desenfreadamente da condição de vida que nasceu.

O interessante que Deus com toda sua onipotência escolheu nascer de uma mulher. Aqui temos um Deus que reconhece a dignidade da mulher. Mulher que é capaz de acolher Deus no seu útero. A mulher tem um papel especial para Deus, e Maria é vista em sua singularidade no mistério da revelaçao. A mulher é muito mais do que podemos pensar. Digo isso porque cada uma traz consigo o mistério de Deus. Cada criança que vem a este mundo não sabemos o que será no futuro, mas uma coisa não podemos negar, que como fliho de Deus possue um potencial de santidade incrivel. Cada ser humano pode se revelar como luz neste mundo. Ajudarei a recordar de alguns nomes especiais entre nós. Pessoas que vieram ao mundo atravez se suas maes, e deixaram marcas profundas: São João Batista e sua mae Santa Isabel; Santo Agostinho e sua mae Santa Monica; Sao Francisco e sua mae Joana que havia uma fé tão forte em Deus, etc.

O nosso Deus depois de homem fez coisas incriveis como: abraçar, beijar, ouvir cada pessoa que encontrava pelo caminho, curou muitos, devolveu a vida e a diginidade a tanta gente. Nosso Deus é carinhoso, amoroso, cheio de compaixao. Basta olharmos para Jesus e teremos provas suficiente que ser gente é uma experiencia unica.

Penso que o problema está no fato que nos esquecemos de ser humanos por inteiro. Se olharmos para as nossas relações no dia-dia perceberemos que elas são muito formais. Tem gente que nao diz a muito tempo para aqueles que sao proximos e de uma especial ateçao: Ti amo, ou gosto muito de voce. Queixamo-nos que só encontramos desamor, mas nao percebemos que estas duas simples frazes dizem muito ao coração de quem diz, e de quem recebe. Jesus diz isto com muita facilidade, e aqui não busco usar citações porque temos isto muito forte em nosso coraçao. Deus ama, porém manifesta o seu amor.

Amor não é um gesto, mas de tantos gestos que fazemos podemos encontrar o amor. Jesus prova para nos que temos muito amor no coração, e que podemos nos relacionar assim. A nossa ação no mundo deveria ser assim: Ame a Deus de todo o teu coração, e o próximo como a si mesmo. E não posso deixar de recordar também de algumas personagens que deixaram a mensagem de amor tão forte neste mundo: Santa Clara, Santa Terezinha do Menino Jesus, São Pio, Madre Tereza de Calcutá, Papa Joao Paulo II e outros.

Deus nos mostra realmente o que somos e o que devemos fazer. Olhe para Ele e busque fazer o mesmo. Fazer o mesmo que Jesus é ser radical com a tua própria natureza. É possível amar como Jesus? Se perguntarmos a Sao Francisco teremos a seguinte reposta: Não tenho certeza, mas sei que busquei fazer isto em toda a minha vida de conversão. Converta o teu coraçao. Não se lamente se ainda não fez, pois Deus te dá oportunidade de começar. Cada cristão deve pensar assim, pois se hoje nao conseguiu tente amanhã. Você pode sempre amar. Tua essência é o amor, e tua existência é praticá-lo.

O presépio tem muito a nos dizer. E se com muita atenção nos encontramos com o mistério que se revela, receberemos tantas graças ao nos abrirmos a acolhê-lo. Faça como Deus em Jesus Cristo: Ame teu próximo como a si mesmo. Sinta o gosto de ser gente. Não negue a santidade que esta dentro de ti, pois em Deus você é mais do que pode imaginar.