Maria e José participam do sonho de Deus

Filed under: Mariologia, Uncategorized — gotasdeassis at 9:14 pm on Monday, December 15, 2008

Penso que é muito importante para nos sabermos que Deus sonha. Claro que estamos buscando segundo nossas categorias conhecer algumas modalidades em Deus. Porem Deus criou este mundo em perfeita harmonia, e o retorno a ela nos coloca a qualificar como sonho de Deus < <Is 11,1-9 >>.

Quando olhamos para a história de Maria e José usamos a categoria de uma profecia que ambos devem cumprir, porem esquecemos os detalhes que são importantes para pensarmos, assim o que temos é uma relação com a história dos dois que se aproximam da nossa. Devemos sentir que a caminhada de ambos em decidir pela vontade de Deus não começa do zero, mas que requer muita atenção, e não somente uma simples palavra.

Maria é quem esta no judaísmo de sua época, e aprende segundo a tradição quem é Deus. Isso nos faz crer que o mesmo movimento acontece conosco. São os nossos pais, ou alguém que tem conhecimento sobre Deus e nos passa. Assim podemos perceber que Maria desde sua infância tem um contato com as coisas de Deus, e que conhece a mediada que o tempo passa a tradição e os costumes de seu povo. José se faz no mesmo caminho. Entender a cultura da época é muito importante.

Maria e José esperam mudanças, por isso tem com eles que Deus é o único Senhor capaz de mudar as coisas. A idéia de um messias esta muito forte num povo que entre outros reconhece o poder de Deus. Maria e José têm conhecimento da vinda deste messias, mas um messias que vem para mudar o mundo. Eles esperam como qualquer um daquela época, pois não suportam o sofrimento que domina a vida de seu povo.

Maria e José são preparados para intender o mistério de Deus em suas vidas. Dedicando-se a aprender sobre a própria fé. Maria começa pela mãe que ensina a trabalhar com as coisas de casa, a entender a providência de Deus pelo seu povo, a se relacionar cada vez mais com a sua própria religião, o ponto mais alto: confiar na sua própria fé.

Maria e José aprendem a ter fé, e a ama-la. Deus que vem ao vosso encontro é Quem libertou vossos pais do Egito, Quem os nutriu por muito tempo, concedeu um reino, e agora faz questão de vos encontrar pessoalmente.

Pois bem, temos aqui algo muito importante para refletir, pois muitos cristãos deixam de render graças a Deus, e ao mesmo tempo não reconhecem o amor a própria fé. Convido a olhar nossa realidade a partir da comunidade que participamos: Tem muita gente que diz ter mandado o menino ou a menina para a Igreja, que fez com que participa-se das Santas missas todo os domingos. Porem chega o dia que reclama que eles cresceram e não participam da mesma fé.

Já ouvi de muitos pais este tipo de história, e sei que não é fácil aceitar esta realidade. Vem súbito aquela velha pergunta: O que fazer? Eu penso que o melhor é refletir os acontecimentos antes de dar uma resposta. Começamos assim a nossa jornada. Temos que ter uma coisa muito forte em nosso coração, que ensinar a amar não é fácil, porem vejamos que isto é a parte principal de todo o conteudo que podemos passar para alguem.

Se queremos ensinar alguma coisa a alguém não podemos fazer de qualquer jeito. Recordamos que se alguém quer ensinar ao outro a fazer bolo precisa de ir para a cozinha. Se buscar fazer pelo telefone a quem não conhece nem o mínimo sobre o fogão não da certo. O que temos que fazer realmente é andar com esta pessoa ate a cozinha, e passo por passo ajuda-la a realizar o que pede a receita. O mesmo se alguém quer aprender a fazer tricô: deve sentar com esta pessoa e com paciência e lentidão sentir que a pessoa aprende a desenvolver esta arte. Isto nos coloca em um ponto forte, pois se quer ensinar alguém a ser cristão deve estar do lado acompanhando passo a passo, com paciência.

Estamos caminhado bem, pois quem reflete sobre estas questões deve se esforça bem a entende-las. Quem esta aprendendo a fazer o bolo, ou o tricô começa a sentir dificuldades que se encontram na sua própria natureza, porem busca dar resposta porque quer superar a si próprio. Por um outro lado encontramos aqueles que desistem por achar muito difícil entender como se faz. Nesta hora aquele que se dispõe a ensinar precisa de incentiva-lo, e para isso deve obter bastante atenção para entender onde estao as dificuldades ou os obstáculos, para dar uma resposta que satisfaça as angustias de quem aprende. Incentivar o outro neste caminho será importante, e mais ainda devemos buscar respostas que possam auxiliar o desenvolvimento daqueles que ensinamos.

Perceber as dificuldades do outro é uma obra de caridade, e ajuda-lo a superar é parte de Deus. Por isso devemos fazer sempre que nosso movimento de ensinar seja mais que apontar para onde vai. Devemos ir com o outro ate Deus. Assim vemos nos olhos de quem aprende a fazer o bolo um contentamento incrível por ter realizado. Esta pessoa sai ao encontro de muitos para oferecer o fruto de um processo longo mas valoroso, pergunta a todos o que pensam sobre o sabor, fica feliz com a primeira criação, e depois se põe sozinha a fazer o que aprendeu. O mesmo acontece com quem se dispôs a aprender o tricô: esta pessoa se anima cada vez mais, pois o tempo passa, mas ela continua a luta. A onde ela vai mostra um pouco do que fez, comenta com muita alegria, diz os seus sonhos, deseja mais e mais a partir do que aprendeu.

Nos surpreendemos com tantas pessoas que estão na Igreja, e comunicam este gosto de ser cristãos, é porque aprenderam bem, porem não aprenderam somente a fazer, mas amar o que faz. Elas contam a tantas pessoas as maravilhas de Deus, mas mais do que isso transmitem o gosto de viver estas maravilhas. Deus é quem esta do nosso lado dia e noite. Em Jesus Cristo nos ensina a viver bem. Nós segundo a tradição conhecemos este lugar de amor que é a assembléia que Deus reúne em Seu nome. Ir a Igreja e participar deste movimento de vida é fruto de um aprendizado que se faz próximo. Não se da para fazer testemunho de uma vida em Cristo somente obrigando, apontando o endereço, mandando. Só se pode ensinar a ser cristão acompanhando.

O mais difícil não é ensinar as orações da Igreja, ou mesmo a participar da missa. Aqui me mostro muito radical porque até papagaio sabe repetir. Tem gente que deixa a responsabilidade somente sobre os catequistas, e que para estes o trabalho pode ser mais que um ensino, e sim um grande desafio, pois muitos pais nem mesmo participam ativamente da vida da Igreja, mas insistem o fato de a criança ter uma religião, mesmo que não seja fiel a ela. Quem quer ensinar tem que aprender a gastar tempo com o outro.

Penso que todo cristão deve dar testemunho do sabor de viver, ou melhor dizendo: o verdadeiro sabor de ser cristão. Cristão deve testemunhar isto: mas do que dizer que Deus ama, diz também como Ele faz. E se isto é libertador devemos transmitir também a libertação. Aprenda a dizer para o outro como é bom ser cristão. E aqui menciono Papa Paulo VI quando escreveu a encíclica “Evangelii Nuntiandi” convidando todos os cristãos a evangelizarem com a própria vida, dando testemunho do amor que esta entre nós.

Tenho comigo que Maria e José se formaram assim, olhando como seus pais viviam a fé, pois um povo que espera e confia em Deus não faz de qualquer modo, mas acompanha sempre quem esta do seu lado. Maria é acompanhada pelos pais ate o momento de ser entregue a proteção de José. José aprende com seus pais a amar o Deus libertador, e a confiar nos sinais vindos do alto. Maria e José aprendem como viver a própria fé. Chegando o momento que a fé se faz diante de Maria, e pergunta se ela quer seguir os seus planos: < < Lc 1,30-33 > >. O mesmos acontece com José, quando o anjo da testemunho da vontade de Deus em sua vida. Ambos os dois escolheram fazer segundo a fé que ha no coração. Escolheram participar do sonho de Deus. Devolver ao mundo o que foi perdido.

Convido a caminhamos um pouco na historia de São Francisco: a sua mãe buscou ensina-lo tudo sobre a fé. O pai fez o mesmo, porem não havia conhecido bem o Cristo que São Francisco conheceu. Na história de São Francisco encontramos um homem, que sendo cristão, desde a infância aprendeu como viver a fé, mas não havia encontrado com Deus. Porem o Deus da fé será Aquele que perseguira o coração de Francisco, e lhe faz a proposta de segui-lo radicalmente. O Deus da fé se apresenta pessoalmente e o chama a nova vida.

Desejo também compartilhar meu testemunho: Recordo com muito carinho do ensinamento que recebi dos meus pais. Hoje sou frei e padre, mas garanto que minhas escolhas são frutos de uma caminhada onde aprendi amar cada vez mais minha religião. Tenho dois irmãos, e na nossa infância minha mãe sempre dizia: Levanta da cama e se arruma para a missa que o vosso pai esta na porta da igreja esperando. Quase todos os domingos a preguiça de menino era natural, mas meu pai sempre nos esperava para participarmos da missa juntos. Depois da missa ele nos apresentava a cada novo amigo que fazia na Igreja. Começamos a aprender o gosto de ir para igreja e encontrar os amigos, viver naqueles pequenos instantes depois da missa a alegria de estarmos juntos. E me lembro mais que tínhamos a roupinha e o par de sapatos para ver Deus: ninguém podia usá-los em outros dias se não no domingo, pois minha mãe dizia que se estraga-se não tinha outro.

Quando começamos a participar da catequese minha mãe foi ser catequista. Minha mãe nos levava sempre para os encontros da Igreja. Quando entramos para o grupo de jovens minha mãe nos acompanhou, e nos animou a realizamos nossos passeios, visitas a orfanatos e asilos e etc. Meus pais sempre participaram da vida da Igreja e dos encontros de casais. Lembro que minha mãe sempre incentivava a rezarmos o terço em família, e meu pai fazia as leituras. Participávamos das novenas, e minha mãe juntava todos para visitar as casas marcadas para a oração. Quando chegava o advento fazíamos as novenas de natal, meu pai comprava sempre os discos com os cantos da novena, e em família escutávamos para aprender juntos comendo bolinho de chuva com chá-mate, que minha mãe fazia com muito gosto para aquela ocasião. Meus pais nos ensinaram a ser cristãos com muito gosto. Eles passaram para nos o que sabiam de uma forma tão doce. Vejo que eles aceitaram participar do sonho de Deus. E fizeram com muita confiança na própria fé.

A tua fé ti convida a viver segundo Cristo. A tua fé ti chama a fazer parte do sonho de Deus. A resposta só pode sair de um coração que aprendeu a amar a própria fé, o próprio Deus. Se ainda existe gente que não ama a própria fé, deve saber que ainda tem tempo de aprender. A Igreja não usa este ditado: “Pau que nasce torto nunca se endireita”, pois Deus dá possibilidade de todos viverem a Boa Nova de Jesus Cristo. Todos nos como a mulher adultera tem o direito de viver e a chance de mudar a vida para melhor. Ainda não é tarde para aprender, nem mesmo para ensinar. Viva sempre em tua vida o sonho de Deus.

Dogma da Imaculada

Filed under: Mariologia — gotasdeassis at 9:50 pm on Wednesday, December 3, 2008

Quando ouvimos falar do dogma da Imaculada Conceição de Maria não nos colocamos de acordo com a historia deste evento tão importante. Dispomos-nos a fazer nossas reflexões do que seria realmente este dogma a partir dos nossos conceitos atuais. Em muitos ambientes se torna difícil reconhecer este dogma quando se discute a questão do pecado original e o batismo.

A família franciscana tem na história um caminho muito profundo em relação a este dogma. Em primeiro lugar é reconhecer a figura do pai São Francisco que tinha uma devoção tão grande à Mãe de Deus. Aqui faço menção a igrejinha dedicada a Santa Maria dos Anjos, que ele com as próprias mãos reconstruiu. Este dado nos coloca no inicio de uma grande caminhada franciscana em relação à devoção a Maria mãe de Jesus Cristo.

Ao longo da historia vários santos e beatos da Ordem Franciscana foram reconhecidos pela Igreja, e entre alguns temos relatos de uma grande devoção à pessoa de Maria: São Jose de Copertino, que no quarto do convento onde morava havia uma imagem de Maria próximo ao teto, mais ou menos a distancia de 5 metros do chão. O Santo se colocava em oração diante desta imagem, e com um grande amor a Santa Mãe de Deus levitava até alcançar a imagem.

Contudo, tratarei neste momento de refletir a figura do Beato Duns Scoto que tem muito a dizer sobre o dogma da Imaculada. Na historia deste dogma muitos teólogos franciscanos buscaram discutir como provar a credibilidade deste dogma, pois, Igreja precisava de uma base sólida e positiva.

 Beato Duns Scoto propõe discutir a questão a partir de Deus, ou seja, Deus com a sua onipotência. Antes de entrar em discussão buscarei apresentar um pouco sobre este nosso beato pensador. Nasce na Escócia no ano de 1265, professor de filosofia e teologia em Paris, e morre no ano de 1308.

Beato Duns Scoto utilizou o termo de salvação preventiva para explicar o dogma da Imaculada. Com isso ele nos demonstra que Deus tem o poder de salvar o ser humano do pecado original antes e depois. O que nos transmite é o poder que Deus tem de conservar Maria imaculada. Isto nos revela um Deus sem limites. Assim Deus escolhe uma mulher para realizar o Seu plano de salvação.

Porém muito se discutiu o porquê  de Deus  escolher Maria, e conceder a liberdade de escolha para ser ou não a mãe do Salvador. Realmente Deus confia em Maria preservando-a do pecado, mas é Maria a dar seu sim a Deus. A resposta que nos é proposta é que Deus da à Mãe de seu filho gratuitamente, sem impor condição alguma à salvação preventiva. Assim nos mostra que Seu poder esta além do que podemos imaginar.

Aqui realmente teremos o ápice da historia, pois Maria imediatamente dá o seu sim a Deus. Maria quando diz sim a vontade de Deus proclamada pelo anjo se faz solidária com toda a criação. Deus tem o poder, mas respeita a liberdade; Maria se sentiu livre para acolher o dom de Deus e diz sim a vontade do Pai. Em Maria podemos ver o poder de Deus agindo e transformando a humanidade.

Maria que participa do mistério da salvação se faz solidária com a criação, isso vem confirmar os planos de Deus sobre ela. A solidariedade de Maria é muito linda, porque a Mãe do Salvado não retém para si o dom da imaculada, mas condivide com toda a criação, pois ela aceita viver o plano de Deus ate o fim. Ela permite que muitos conheçam a salvação de Deus em Jesus Cristo, a partir de si mesma. Neste caso Maria se faz instrumento nas mãos de Deus.

Bem, aqui eu não posso deixar de mencionar o povo brasileiro que tem uma devoção muito grande a Maria. Podemos usar como exemplo o filme “Auto da Compadecida”, que nos retrata bem o modo de pensar do povo brasileiro a figura de Maria: Quando começa o julgamento no céu satanás busca condenar todos, e na ultima hora o personagem João Grilo apela para Nossa Senhora. O gostoso de tudo é ver que a Mãe de Deus não fez acepção de pessoas, defendendo cada um a partir do que tinha feito de bom na terra. Uma mãe que usa de compaixão para com todos. E que sua única preocupação é a salvação do mundo.

Assim podemos nos perguntar como cristãos se o nosso caminho esta sendo de solidariedade com os outros. Para nos a salvação esta em Jesus Cristo, que nos apresenta o Deus libertador. Devemos comunicar ao mundo esta salvação. Mas é sempre freqüente encontrar cristãos que olhando para a realidade acaba afirmando um mundo que não tem mais salvação. Cristãos que não confiam mais na promessa de Deus esperando somente o dia do juízo final.

Se somos cristaos de verdade podemos ser solidários com muitos. Ajudando a cada ser humano a descobrir que ha muita bondade no coração. A descobrir que fazer a vontade de Deus é fazer o bem . E que independente quem seja, Deus sempre ama. Maria apresenta um Deus que não vem destruir o que fez, mas restituir o que foi perdido. Maria modelo de perfeição nos convida a fazer o mesmo:  sejamos solidários na salvação de todos.