Batismo de nosso senhor Jesus Cristo

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 8:57 am on Friday, January 7, 2011

 

 

Meditando a festa do batismo do Senhor teremos oportunidade de recordamos quem somos neste mundo. Atualmente os cristãos convivem com o mundo desenfreado em tudo: moral, sexualidade, violência e outras coisas mais. Nós sentimos parte deste mundo que dá passos gigantes na economia, mas na educação e muitas outras coisas vemos um atraso e uma indiferença com muitos outros assuntos. Como cristão podemos fazer uma reflexão que nos leve a acomodarmos com este modo de viver no mundo, pois tudo que vemos na realidade e frutos da mãos humanas, ou criarmos um mundo totalmente adequado aos nossos desejos. Tudo isto nos faz somente esquecermos nosso batismo e a missão que nos foi confiada.

 

Jesus passou por esta terra fazendo o bem, isso para nós soa como óbvio, mas particularmente é fácil sempre dizer: Jesus é Jesus. Muitas vezes esquecemos que ele é a porta, é o caminho, a verdade e a vida. Deus assume nossa carne e diz que não existe um só caminho, uma só via, mas a possibilidade de viver diferente e fazer diferente. O episódio em que Jesus esta no banquete com as prostitutas e os cobradores de impostos nos mostram dentro do diálogo quem é Jesus: você é diferente deles e não deveria estar aqui. Eu não vim para os são mas para os doentes. Isso diz que todo aquele que assume a vida de Jesus Cristo através do batismo é alguém diferente. Este batizado deve assumir sua vida no mundo mas viver sua diferença. Isso diz que nós batizados temos o compromisso missionário de anunciar Jesus Cristo com a nossa vida.

 

Todo batizado recebeu a luz de Cristo e deve leva-la a todos os outros que vivem neste mundo. Uma vez conhecida a luz não há como negar que os olhos são guiados por Deus a uma nova vida. Todo batizado renasce para uma vida nova neste mundo. Ele não foge e nem si conforma com este mundo, mas dá testemunho de um novo rumo para sempre em sua vida. Eles estão no mundo mas não pertencem ao mundo.

 

Ser batizado é viver na própria pele a vontade de Deus: Ama teu Deus de todo coração e o próximo como a si mesmo. Viver esta festa litúrgica é comunicar ao nosso coração quem somos. Deus nos chamou a vivermos diferente, recordemos deste compromisso. Jesus Cristo é quem nos demonstra com a própria vida como viver melhor e de forma diferente neste mundo.

 

Eterno é Seu nome

Filed under: Franciscanismo,Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 5:59 am on Thursday, July 22, 2010

 

Estive pensando muito sobre a questão do nosso nome, pois vejo que usa-lo não é simples. Já com a pessoa de Jesus o nome é eterno. Este nome esta acima de outro nome. Outros personagens na história tiveram seus nomes eternizados, basta olharmos para São Francisco e Santa Clara, cada um singularmente representa muitas virtudes juntas, caminho de fé, amor sem limites. Os dois juntos representam unidade, amor fraterno.

Assim comecei a pensar que nosso nome entra em um grande mistério, e que pela figura de São Francisco será possível entender com mais facilidade. Em Jesus encontramos o mistério forte de quem assume o próprio nome, pois ele se identifica com tudo que há de bom neste mundo. Muito fácil é dizer: mas Jesus é Jesus. Porem Francisco de Assis faz um caminho que nos pode auxiliar bem, pois o que ele fez em sua vida foi seguir os passos do Mestre.

Francisco se identificou muito com a pobreza, e foi ao encontro dos leprosos. Ele era quem falava muito da fraternidade: “O Senhor me deu irmãos”. Francisco usou de misericórdia, amou de uma forma tão doce. Assim quando falamos de pobreza associamos a São Francisco, ou quando queremos dizer algo sobre nossas relações humanas procuramos espelhar neste santo homem. O nome de Francisco pode ser associado com muitas virtudes e ações. Isso fez com que seu nome torna-se eterno.

Quando buscamos entender que Deus nos chamou a vida pelo nome, e que este nome em Deus tem um significado além do que pensamos, propõe então a nós fazermos este caminho, descobrirmos quem somos e encontrar o verdadeiro sentido de nosso nome. Hoje se falamos de Santa Rita teremos aquela que protege os endividados, Santo Expedito com as causas impossíveis, e assim temos muito homens e mulheres que eternizaram o própio nome, encontrando seu sentido.

Se olharmos para a nossa família teremos o mesmo. Quando estamos falando de nossos parentes de um modo muito agradável acabamos lembrando que o tio João era muito paciente, que a prima Lurdes tem uma disponibilidade incrível para fazer trabalhos na tela. A vovó Ana nutriu um carinho enorme pelos netos, etc. Desta forma têm que os nomes começam a revelar o verdadeiro ser da pessoa. Dizer tal nome não é dizer qualquer coisa, mas um conjunto de verdades que estão relacionados a tal pessoa.

O problema que não só as coisas boas se eternizam, mas as ruins também. Muita gente busca usar de violência com o próximo, a arrogância desenfreada, e outras maldades que se encontram neste mundo. Começam a associar nosso nome com tantos vícios, e logo desejam esquecer das pessoas que tanto mal fazem neste mundo, algumas terão o nome de perversidade neste mundo.

Porém encontramos pessoas que não si arriscam a procurar o verdadeiro sentido do próprio nome, que passam neste mundo deixando poucas marcas entre nós. Isso começa a revelar que a pessoa não entendeu muito bem a própria existência, e que as relações nos ajudam a entender melhor quem somos. No meu pensamento temos o direito de descobrir o verdadeiro significado de nosso nome buscando viver intensamente para que seja eternizado. Busque como São Francisco e outros conhecer a fundo a palavra de vida que Deus te chamou. Em Deus tudo é eterno, e você também.

Palavra de um Grande Pastor

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 12:35 pm on Monday, March 22, 2010

Carta pastoral de Bento XVI aos católicos da Irlanda
No contexto dos abusos de crianças e jovens por parte do clero
CIDADE DO VATICANO, sábado, 20 de março de 2010 (ZENIT.org).- Publicamos a carta pastoral que Bento XVI enviou aos católicos da Irlanda, em tradução não oficial ao português, difundida pela Santa Sé hoje.

* * *  1. Amados Irmãos e Irmãs da Igreja na Irlanda, é com grande preocupação que vos escrevo como Pastor da Igreja universal. Como vós, fiquei profundamente perturbado com as notícias dadas sobre o abuso de crianças e jovens vulneráveis da parte de membros da Igreja na Irlanda, sobretudo de sacerdotes e religiosos. Não posso deixar de partilhar o pavor e a sensação de traição que muitos de vós experimentastes ao tomar conhecimento destes actos pecaminosos e criminais e do modo como as autoridades da Igreja na Irlanda os enfrentaram.
Como sabeis, convidei recentemente os bispos irlandeses para um encontro aqui em Roma a fim de referir sobre o modo como trataram estas questões no passado e indicar os passos que empreenderam para responder a esta grave situação. Juntamente com alguns altos Prelados da Cúria Romana ouvi quanto tinham para dizer, quer individualmente quer em grupo, enquanto propunham uma análise dos erros cometidos e das lições aprendidads, e uma descrição dos programas e dos protocolos hoje existente. As nossas reflexões foram francas e construtivas. Alimento a confiança de que, como resultado, os bispos se encontrem agora numa posição mais forte para levar por diante a tarefa de reparar as injustiças do passado e para enfrentar as temáticas mais amplas relacionadas com o abuso dos menores segundo modalidades conformes com as exigências da justiça e com os ensinamentos do Evangelho.
2. Por meu lado, considerando a gravidade destas culpas e a resposta muitas vezes inadequada que lhes foi reservada da parte das autoridades eclesiásticas no vosso país,, decidi escrever esta Carta Pastoral para vos expressar a minha proximidade, e para vos propor um caminho de cura, de renovação e de reparação.
Na realidade, como muitos no vosso país revelaram, o problema do abuso dos menores não é específico nem da Irlanda nem da Igreja. Contudo a tarefa que agora tendes à vossa frente é enfrentar o problema dos abusos que se verificaram no âmbito da comunidade católica irlandesa e de o fazer com coragem e determinação. Ninguém pense que esta dolorosa situação se resolverá em pouco tempo. Foram dados passos em frente positivos, mas ainda resta muito para fazer. É preciso perseverança e oração, com grande confiança na força restabelecedora da graça de Deus.
Ao mesmo tempo, devo expressar também a minha convicção de que, para se recuperar desta dolorosa ferida, a Igreja na Irlanda deve em primeiro lugar reconhecer diante do Senhor e diante dos outros, os graves pecados cometidos contra jovens indefesos. Esta consciência, acompanhada de sincera dor pelo dano causado às vítimas e às suas famílias, deve levar a um esforço concentrado para garantir a protecção dos jovens em relação a semelhantes crimes no futuro.
Enquanto enfretais os desafios deste momento, peço-vos que vos recordeis da «rocha de que fostes talhados» (Is 51, 1). Reflecti sobre as contribuições generosas, com frequência heróicas, oferecidas à Igreja e à humanidade como tal pelas passadas gerações de homens e mulheres irlandeses, e deixai que isto gere impulso para um honesto auto-exame e um convicto programa de renovação eclesial e individual. A minha oração é por que, assistida pela intercessão dos seus muitos santos e purificada pela penitência, a Igreja na Irlanda supere a presente crise e volte a ser uma testemunha convincente da verdade e da bondade de Deus omnipotente, manifestadas no seu Filho Jesus Cristo.
3. Historicamente os católicos da Irlanda demonstraram-se uma grande força de bem quer na pátria quer fora. Monges célticos, como São Colombano, difundiram o Evangelho na Europa Ocidental lançando as bases da cultura monástica medieval. Os ideais de santidade, de caridade e de sabedoria transcendente que derivam da fé cristã, encontraram expressão na construção de igrejas e mosteiros e na instituição de escolas, bibliotecas e hospitais que consolidaram a identidade espiritual da Europa. Aqueles missionários irlandeses tiraram a sua força e inspiração da fé sólida, da guia forte e dos comportamentos morais rectos da Igreja na sua terra natal.
A partir do século XVI, os católicos na Irlanda sofreram um longo período de perseguição, durante o qual lutaram para manter viva a chama da fé em circunstâncias perigosas e difíceis. Santo Oliver Plunkett, o Arcebispo mártir de Armagh, é o exemplo mais famoso de uma multidão de corajosos filhos e filhas da Irlanda dispostos a dar a própria vida pela fidelidade ao Evangelho. Depois da Emancipação Católica, a Igreja teve a liberdade de crescer de novo. Famílias e inúmeras pessoas que tinham preservado a fé durante os tempos das provações tornaram-se a centelha de um grande renascimento do catolicismo irlandês no século XIX. A Igreja forneceu escolarização, sobretudo aos pobres, e isto deu uma grande contribuição à sociedade irlandesa. Um dos frutos das novas escolas católicas foi um aumento de vocações: gerações de sacerdotes, irmãs e irmãos missionários deixaram a pátria para servir em todos os continentes, sobretudo no mundo de língua inglesa. Foram admiráveis não só pela vastidão do seu número, mas também pela robustez da fé e pela solidez do seu empenho pastoral. Muitas dioceses, sobretudo em África, América e Austrália, beneficiaram da presença de clero e religiosos irlandeses que anunciaram o Evangelho e fundaram paróquias, escolas e universidades, clínicas e hospitais, que serviram tanto os católicos, como a sociedade em geral, com atenção especial às necessidades dos pobres.
Em quase todas as famílias da Irlanda houve alguém – um filho ou uma filha, uma tia ou um tio – que deu a própria vida à Igreja. Justamente as famílias irlandesas têm em grande estima e afecto os seus queridos, que ofereceram a própria vida a Cristo, partilhando o dom da fé com outros e actualizando-a num serviço amoroso a Deus e ao próximo.
4. Contudo, nos últimos decénios a Igreja no vosso país teve que se confrontar com novos e graves desafios à fé que surgiram da rápida transformação e secularização da sociedade irlandesa. Verificou-se uma mudança social muito rápida, que muitas vezes atingiu com efeitos hostis a tradicional adesão do povo ao ensinamento e aos valores católicos. Com frequência as práticas sacramentais e devocionais que sustentam a fé e a tornam capaz de crescer, como por exemplo a confissão frequente, a oração quotidiana e os ritos anuais, não foram atendidas. Determinante foi também neste período a tendência, até da parte de sacerdotes e religiosos, para adoptar modos de pensamento e de juízo das realidades seculares sem referência suficiente ao Evangelho. O programa de renovação proposto pelo Concílio Vaticano II por vezes foi mal compreendido e na realidade, à luz das profundas mudanças sociais que se estavam a verificar, não era fácil avaliar  o modo melhor de o realizar. Em particular, houve uma tendência, ditada por recta intenção mas errada, a evitar abordagens penais em relação a situações canónicas irregulares. É neste contexto geral que devemos procurar compreender o desconcertante problema do abuso sexual dos jovens, que contribuiu em grande medida para o enfraquecimento da fé e para a perda do respeito pela Igreja e pelos seus ensinamentos.
Só examinando com atenção os numerosos elementos que deram origem à crise actual é possível empreender uma diagnose clara das suas causas e encontrar remédios eficazes. Certamente, entre os factores que para ela contribuíram podemos enumerar: procedimentos inadequados para determinar a idoneidade dos candidatos ao sacerdócio e à vida religiosa; insuficiente formação humana, moral, intelectual e espiritual nos seminários e nos noviciados; uma tendência na sociedade a favorecer o clero e outras figuras com autoridade e uma preocupação inoportuna pelo bom nome da Igreja e para evitar os escândalos, que levaram como resultado à malograda aplicação das penas canónicas em vigor e à falta da tutela da dignidade de cada pessoa. É preciso agir com urgência para enfrentar estes factores, que tiveram consequências tão trágicas para as vidas das vítimas e das suas famílias e obscureceram a luz do Evangelho a tal ponto, ao qual nem sequer séculos de perseguição não tinham chegado.
5. Em diversas ocasiões desde a minha eleição para a Sé de Pedro, encontrei vítimas de abusos sexuais, assim como estou disponível a fazê-lo no futuro. Detive-me com elas, ouvi as suas vicissitudes, tomei nota do seu sofrimento, rezei com e por elas. Precedentemente no meu pontificado, na preocupação por enfrentar este tema, pedi aos Bispos da Irlanda, por ocasião da visita ad limina de 2006, que «estabelecessem a verdade de quanto aconteceu no passado, tomassem todas as medidas adequadas para evitar que se repita no futuro, garantissem que os princípios de justiça sejam plenamente respeitados e, sobretudo, curassem as vítimas e quantos são atingidos por estes crimes abnormes» (Discurso aos Bispos da Irlanda, 28 de Outubro de 2006).
     Com esta Carta, pretendo exortar todos vós, como povo de Deus na Irlanda, a reflectir sobre as feridas infligidas ao corpo de Cristo, sobre os remédios, por vezes dolorosos, necessários para as atar e curar, e sobre a necessidade de unidade, de caridade e de ajuda recíproca no longo processo de restabelecimento e de renovação eclesial. Dirijo-me agora a vós com palavras que me vêm do coração, e desejo falar a cada um de vós individualmente e a todos como irmãos e irmãs no Senhor.
6. Às vítimas de abuso e às suas famílias
Sofrestes tremendamente e por isto sinto profundo desgosto. Sei que nada pode cancelar o mal que suportastes. Foi traída a vossa confiança e violada a vossa dignidade. Muitos de vós experimentastes que, quando éreis suficientemente corajosos para falar de quanto tinha acontecido, ninguém vos ouvia. Quantos de vós sofrestes abusos nos colégios deveis ter compreendido que não havia modo de evitar os vossos sofrimentos. É comprensível que vos seja difícil perdoar ou reconciliar-vos com a Igreja. Em seu nome expresso abertamente a vergonha e o remorso que todos sentimos. Ao mesmo tempo peço-vos que não percais a esperança. É na comunhão da Igreja que encontramos a pessoa de Jesus Cristo, ele mesmo vítima de injustiça e de pecado. Como vós, ele ainda tem as feridas do seu injusto padecer. Ele compreende a profundeza dos vossos padecimentos e o persistir do seu efeito nas vossas vidas e nos relacionamentos com os outros, incluídas as vossas relações com a Igreja. Sei que alguns de vós têm dificuldade até de entrar numa igreja depois do que aconteceu. Contudo, as mesmas feridas de Cristo, transformadas pelos seus sofrimentos redentores, são os instrumentos graças aos quais o poder do mal é infrangido e nós renascemos para a vida e para a esperança. Creio firmemente no poder restabelecedor do seu amor sacrifical – também nas situações mais obscuras e sem esperança – que traz a libertação e a promessa de um novo início.
Dirigindo-me a vós como pastor, preocupado pelo bem de todos os filhos de Deus, peço-vos com humildade que reflictais sobre quanto vos disse. Rezo a fim de que, aproximando-vos de Cristo e participando na vida da sua Igreja – uma Igreja purificada pela penitência e renovada na caridade pastoral – possais redescobrir o amor infinito de Cristo por todos vós. Tenho confiança em que deste modo sereis capazes de encontrar reconciliação, profunda cura interior e paz.
7. Aos sacerdotes e aos religiosos que abusaram dos jovens
Traístes a confiança que os jovens inocentes e os seus pais tinham em vós. Por isto deveis responder diante de Deus omnipotente, assim como diante de tribunais devidamente constituídos. Perdestes a estima do povo da Irlanda e lançastes vergonha e desonra sobre os vossos irmãos. Quantos de vós sois sacerdotes violastes a santidade do sacramento da Ordem Sagrada, no qual Cristo se torna presente em nós e nas nossas acções. Juntamente com o enorme dano causado às vítimas, foi perpetrado um grande dano à Igreja e à percepção pública do sacerdócio e da vida religiosa.
Exorto-vos a examinar a vossa consciência, a assumir a vossa responsabilidade dos pecados que cometestes e a expressar com humildade o vosso pesar. O arrependimento sincero abre a porta ao perdão de Deus e à graça do verdadeiro emendamento. Oferecendo orações e penitências por quantos ofendestes, deveis procurar reparar pessoalmente as vossas acções. O sacrifício redentor de Cristo tem o poder de perdoar até o pecado mais grave e de obter o bem até do mais terrível dos males. Ao mesmo tempo, a justiça de Deus exige que prestemos contas das nossas acções sem nada esconder. Reconhecei abertamente a vossa culpa, submetei-vos às exigências da justiça, mas não desespereis da misericórdia de Deus.
8. Aos pais
Ficastes profundamente transtornados ao tomar conhecimento das coisas terríveis que tiveram lugar naquele que deveria ter sido o ambiente mais seguro para todos. No mundo de hoje não é fácil construir um lar doméstico e educar os filhos. Eles merecem crescer num ambiente seguro, amados e queridos, com um forte sentido da sua identidade e do seu valor. Têm direito a ser educados nos valores morais autênticos, radicados na dignidade da pessoa humana, a serem inspirados pela verdade da nossa fé católica e a aprender modos de comportamento e de acção que os levem a uma sadia estima de si e à felicidade duradoura. Esta tarefa nobre e exigente está confiada em primeiro lugar a vós, seus pais. Exorto-vos a fazer a vossa parte para garantir a melhor cura possível dos jovens, quer em casa quer na sociedade em geral, enquanto que a Igreja, por seu lado, continua a pôr em prática as medidas adoptadas nos últimos anos para tutelar os jovens nos ambients paroquiais e educativos. Enquanto dais continuidade às vossas importantes responsabilidades, certifico-vos de que estou próximo de vós e que vos dou o apoio da minha oração.
9. Aos meninos e aos jovens da Irlanda
Desejo oferecer-vos uma particular palavra de encorajamento. A vossa experiência de Igreja é muito diversa da que fizeram os vossos pais e avós. O mundo mudou muito desde quando eles tinham a vossa idade. Não obstante, todos, em cada geração, estão chamados a percorrer o mesmo caminho da vida, sejam quais forem as circunstâncias. Todos estamos escandalizados com os pecados e as falências de alguns membros da Igreja, sobretudo de quantos foram escolhidos de modo especial para guiar e servir os jovens. Mas é na Igreja que encontrareis Jesus Cristo que é o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13, 8). Ele ama-vos e ofereceu-se a si próprio na Cruz por vós. Procurai uma relação pessoal com ele na comunhão da sua Igreja, porque ele nunca trairá a vossa confiança! Só ele pode satisfazer as vossas expectativas mais profundas e conferir às vossas vidas o seu significado mais pleno orientando-as para o serviço ao próximo. Mantende o olhar fixo em Jesus e na sua bondade e protegei no vosso coração a chama da fé. Juntamente com os vossos irmãos católicos na Irlanda olho para vós a fim de que sejais discípulos fiéis do nosso Deus e contribuais com o vosso entusiasmo e com o vosso idealismo tão necessários para a reconstrução e para o renovamento da nossa amada Igreja.
10. Aos sacerdotes e aos religiosos da Irlanda
Todos nós estamos a sofrer como consequência dos pecados dos nossos irmãos que traíram uma ordem sagrada ou não enfrentaram de modo justo e responsável as acusações de abuso. Perante o ultraje e a indignação que isto causou, não só entre os leigos mas também entre vós e as vossas comunidades religiosas, muitos de vós sentis-vos pessoalmente desanimados e também abandonados. Além disso, estou consciente de que aos olhos de alguns sois culpados por associação, e considerados como que de certo modo responsáveis pelos delitos de outros. Neste tempo de sofrimento, desejo reconhecer-vos a dedicação da vossa vida de sacerdotes e de religiosos e dos vossos apostolados, e convido-vos a reafirmar a vossa fé em Cristo, o vosso amor à sua Igreja e a vossa confiança na promessa de redenção, de perdão e de renovação interior do Evangelho. Deste modo, demonstrareis a todos que onde abunda o pecado, superabunda a graça (cf. Rm 5, 20).
Sei que muitos de vós estais desiludidos, transtornados e encolerizados pelo modo como estas questões foram tratadas por alguns dos vossos superiores. Não obstante, é essencial que colaboreis de perto com quantos têm a autoridade e que vos comprometais para fazer com que as medidas adoptadas para responder à crise sejam verdadeiramente evangélicas, justas e eficazes. Sobretudo, exorto-vos a tornar-vos cada vez mais claramente homens e mulheres de oração, seguindo com coragem o caminho da conversão, da purificação e da reconciliação. Deste modo, a Igreja na Irlanda haurirá nova vida e vitalidade do vosso testemunho ao poder redentor do Senhor tornado visível na vossa vida.
11. Aos meus irmãos bispos
Não se pode negar que alguns de vós e dos vossos predecessores falhastes, por vezes gravemente, na aplicação das normas do direito canónico codificado há muito tempo sobre os crimes de abusos de jovens. Foram cometidos sérios erros no tratamento das acusações. Compreendo como era difícil lançar mão da extensão e da complexidade do problema, obter informações fiáveis e tomar decisões justas à luz de conselhos divergentes de peritos. Contudo, deve-se admitir que foram cometidos graves erros de juízo e que se verificaram faltas de governo. Tudo isto minou seriamente a vossa credibilidade e eficiência. Aprecio os esforços que fizestes para remediar os erros do passado e para garantir que não se repitam. Além de pôr plenamente em prática as normas do direito canónico ao enfrentar os casos de abuso de jovens, continuai a cooperar com as autoridades civis no âmbito da sua competência. Claramente, os superiores religiosos devem fazer o mesmo. Também eles participaram em recentes encontros aqui em Roma destinados a estabelecer uma abordagem clara e coerente destas questões. É obrigatório que as normas da Igreja na Irlanda para a tutela dos jovens sejam constantemente revistas e actualizadas e que sejam aplicadas de modo total e imparcial em conformidade com o direito canónico.
Só uma acção decidida levada em frente com total honestidade e transparência poderá restabelecer o respeito e a benquerença dos Irlandeses em relação à Igreja à qual consagrámos a nossa vida. Isto deve brotar, antes de tudo, do exame de vós próprios, da purificação interior e da renovação espiritual. O povo da Irlanda espera justamente que sejais homens de Deus, que sejais santos, que vivais com simplicidade, que procureis todos os dias a conversão pessoal. Para ele, segundo a expressão de Santo Agostinho, sois bispos; contudo estais chamados a ser com eles seguidores de Cristo (cf. Discurso 340, 1). Exorto-vos portanto a renovar o vosso sentido de responsabilidade diante de Deus, a crescer em solidariedade com o vosso povo e a aprofundar a vossa solicitude pastoral por todos os membros da vossa grei. Em particular, sede sensíveis à vida espiritual e moral de cada um dos vossos sacerdotes. Sede um exemplo com as vossas próprias vidas, estai-lhes próximos, ouvi as suas preocupações, oferecei-lhes encorajamento neste tempo de dificuldades e alimentai a chama do seu amor a Cristo e o seu compromisso no serviço dos seus irmãos e irmãs.
Também os leigos devem ser encorajados a fazer a sua parte na vida da Igreja. Fazei com que sejam formados de modo que possam dizer a razão, de maneira articulada e convincente, do Evangelho na sociedade moderna (cf. 1 Pd 3, 15), e cooperem mais plenamente na vida e na missão da Igreja. Isto, por sua vez, ajudar-vos-á a ser de novo guias e testemunhas credíveis da verdade redentora de Cristo.
12. A todos os fiéis da Irlanda
A experiência que um jovem faz da Igreja deveria dar sempre fruto num encontro pessoal e vivificante com Jesus Cristo numa comunidade que ama e que oferece alimento. Neste ambiente, os jovens devem ser encorajados a crescer até à sua plena estatura humana e espiritual, a aspirar por ideais nobres de santidade, de caridade e de verdade e a inspirar-se nas riquezas de uma grande tradição religiosa e cultural. Na nossa sociedade cada vez mais secularizada, na qual também nós critãos muitas vezes temos dificuldade em falar da dimensão transcendente da nossa existência, precisamos de encontrar novos caminhos para transmitir aos jovens a beleza e a riqueza da amizade com Jesus Cristo na comunhão da sua Igreja. Ao enfrentar a presente crise, as medidas para se ocupar de modo justo de cada um dos crimes são essenciais, mas sozinhas não são suficientes: há necessidade de uma nova visão para inspirar a geração actual e as futuras a fazer tesouro do dom da nossa fé comum. Caminhando pela via indicada pelo Evangelho, observando os mandamentos e conformando a nossa vida de maneira cada vez mais próxima com a pessoa de Jesus Cristo, fareis a experiência da renovação profunda da qual hoje há uma urgente necessidade. Convido-vos a todos a perseverar neste caminho.
13. Amados irmãos e irmãs em Cristo, é com profunda preocupação por todos vós neste tempo de sofrimento, no qual a fragilidade da condição humana foi tão claramente revelada, que desejei oferecer-vos estas palavras de encorajamento e de apoio. Espero que as acolhais como um sinal da minha proximidade espiritual e da minha confiança na vossa capacidade de responder aos desafios do momento actual tirando renovada inspiração e força das nobres tradições da Irlanda de fidelidade ao Evangelho, de perseverança na fé e de firmeza na consecução da santidade. Juntamente com todos vós, rezo com insistência para que, com a graça de Deus, as feridas que atingiram muitas pessoas e famílias possam ser curadas e que a Igreja na Irlanda possa conhecer uma época de renascimento e de renovação espiritual.
14. Desejo propor-vos algumas iniciativas concretas para enfrentar a situação. No final do meu encontro com os Bispos da Irlanda, pedi que a Quaresma  deste ano fosse considerada como tempo de oração para uma efusão da misericórdia de Deus e dos dons de santidade e de força do Espírito Santo sobre a Igreja no vosso país. Agora convido todos vós a dedicar as vossas penitências da sexta-feira, durante todo o ano, de agora até à Páscoa de 2011, por esta finalidade. Peço-vos que ofereçais o vosso jejum, a vossa oração, a vossa leitura da Sagrada Escritura e as vossas obras de misericórdia para obter a graça da cura e da renovação para a Igreja na Irlanda. Encorajo-vos a redescobrir o sacramento da Reconciliação e a valer-vos com mais frequência da força transformadora da sua graça.
Deve ser dedicada também particular atenção à adoração eucarística, e em cada diocese deverão haver igrejas ou capelas reservadas especificamente para esta finalidade. Peço que as paróquias, os seminários, as casas religiosas e os mosteiros organizem tempos para a adoração eucarística, de modo que todos tenham a possibilidade de participar deles. Com oração fervorosa diante da presença real do Senhor, podeis fazer a reparação pelos pecados de abuso que causaram tantos danos, e ao mesmo tempo implorar a graça de uma renovada força e de um sentido da missão mais profundo por parte de todos os bispos, sacerdotes, religiosos e fiéis.
Tenho esperança em que este programa levará a um renascimento da Igreja na Irlanda na plenitude da própria verdade de Deus, porque é a verdade que nos torna livres (cf. Jo 8, 32).
Além disso, depois de me ter consultado e rezado sobre a questão, tenciono anunciar uma Visita Apostólica a algumas dioceses da Irlanda, assim como a seminários e congregações religiosas. A Visita propõe-se ajudar a Igreja local no seu caminho de renovação e será estabelecida em cooperação com as repartições competentes da Cúria Romana e com a Conferência Episcopal Irlandesa. Os pormenores serão anunciados no devido momento.
Além disso proponho que se realize uma Missão a nível nacional para todos os bispos, sacerdotes e religiosos. Alimento a esperança de que, haurindo da competência de peritos pregadores e organizadores de retiros quer da Irlanda como de outras partes, e reexaminando os documentos conciliares, os ritos litúrgicos da ordenação e da profissão e os recentes ensinamentos pontifícios, alcanceis um apreço mais profundo das vossas respectivas vocações, de modo a redescobrir as raízes da vossa fé em Jesus Cristo e a beber abundantemente nas fontes da água viva que ele vos oferece através da sua Igreja.
Neste Ano dedicado aos Sacerdotes, recomendo-vos de modo muito particular a figura de São João Maria Vianney, que teve uma compreensão tão rica do mistério do sacerdócio. «O sacerdote, escreveu, possui a chave dos tesouros do céu: é ele quem abre a porta, é ele o dispensador do bom Deus, o administrador dos seus bens». O cura d’Ars compreendeu bem como é grandemente abençoada uma comunidade quando é servida por um sacerdote bom e santo. «Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o tesouro maior que o bom Deus pode dar a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina». Por intercessão de São João Maria Vianney possa o sacerdócio na Irlanda retomar vida e a inteira Igreja na Irlanda crescer na estima do grande dom do ministério sacerdotal.
Aproveito esta ocasião para agradecer desde já a quantos se comprometerem no empenho de organizar a Visita Apostólica e a Missão, assim como os tantos homens e mulheres que em toda a Irlanda já se comprometeram pela tutela dos jovens nos ambientes eclesiásticos. Desde quando a gravidade e a extensão do problema dos abusos sexuais dos jovens em instituições católicas começou a ser plenamente compreendido, a Igreja desempenhou uma grande quantidade de trabalho em muitas partes do mundo, a fim de o enfrentar e remediar. Enquanto não se deve poupar esforço algum para melhorar e actualizar procedimentos já existentes, encoraja-me o facto de que as práticas de tutela em vigor, adoptadas pelas Igrejas locais, são consideradas, nalgumas partes do mundo, um modelo que deve ser seguido por outras instituições.
Desejo concluir esta Carta com uma especial Oração pela Igreja na Irlanda, que vos envio com o cuidado que um pai tem pelos seus filhos e com o afecto de um cristão como vós, escandalizado e ferido por quanto aconteceu na nossa amada Igreja. Ao utilizardes esta oração nas vossas famílias, paróquias e comunidades, que a Bem-Aventurada Virgem Maria vos proteja e vos guie pelo caminho que conduz a uma união mais estreita com o seu Filho, crucificado e ressuscitado. Com grande afecto e firme confiança nas promessas de Deus, concedo de coração a todos vós a minha Bênção Apostólica em penhor de força e paz no Senhor.
Vaticano, 19 de Março de 2010, Solenidade de São José

Benedictus PP. XVI
ORAÇÃO PELA IGREJA NA IRLANDA
 
Deus dos nossos pais,
Renova-nos na fé que é para nós vida e salvação
na esperança que promete perdão e renovação interior,
na caridade que purifica e abre os nossos corações
para te amar, e em ti, amar todos os nossos irmãos e irmãs.
Senhor Jesus Cristo
possa a Igreja na Irlanda renovar o seu milenário compromisso
na formação dos nossos jovens no caminho da verdade,
da bondade, da santidade e do serviço generoso à sociedade.
Espírito Santo, consolador, advogado e guia,
inspira uma nova primavera de santidade e de zelo apostólico
para a Igreja na Irlanda.
Possa a nossa tristeza e as nossas lágrimas
o nosso esforço sincero por corrigir os erros do passado,
e o nosso firme propósito de correcção,
dar abundantes frutos de graça
para o aprofundamento da fé
nas nossas famílias, paróquias, escolas e associações,
e para o progresso espiritual da sociedade irlandesa,
e para o crescimento da caridade, da justiça, da alegria
e da paz, na inteira família humana.
A ti, Trindade,
com plena confiança na amorosa protecção de Maria,
Rainha da Irlanda, nossa Mãe,
e de São Patrício, de Santa Brígida e de todos os santos,
recomendamos a nós próprios, os nossos jovens,
e as necessidades da Igreja na Irlanda.
Amém.

Viver a espiritualidade neste tempo quaresmal

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 8:21 am on Monday, February 22, 2010

 

Estamos em pleno período de quaresma, e penso que devemos recordar da nossa caminhada espiritual, pois neste período teremos a oportunidade de reviver cada proposta de radicalização do nosso batismo como caminho em direção a uma vida mais santa.

 

Hoje nós precisamos muito de voltar os nossos olhos a espiritualidade, pois muitos nesta religião são membros de pastorais, ou estão sempre e lugares que exigem uma postura madura e concreta do verdadeiro ser cristão. Digo assim, pois com o nosso batismo nos tornamos homens e mulheres pregadores de uma nova vida, de um novo reino. Não se pode pregar algo que não seja real, e para termos firme nossa fé na verdade que Deus nos enviou devemos colocar em prova na nossa própria pele.

 

Recordar que somos cristãos todos os dias parece não ser um desafio, mas colocar em prática realmente se torna difícil. Nós cristãos temos uma ideia do que é ser cristão, e buscamos que isso seja feito em nós, o mundo também tem uma ideia de como os cristãos devem se comportar neste mundo, mas muitas vezes somos julgados de forma muito bruta pelo mundo quanto por nós mesmos.

 

Olhando para este tempo de quaresma a espiritualidade precisa ser colocada em nossa vida em um lugar de destaque. Voltar a pensar que tudo se pode resolver a partir da palavra de Deus, que nossa vida é pautada no amor. Sentir que podemos ressuscitar sempre em nosso coração o chamado de Deus através de Jesus Cristo: “Se quer me seguir, toma tua cruz e segue-me”.

 

O mistério da cruz deve ser o ponto de partida para nós cristãos no processo de espiritualidade. A espiritualidade pode transformar tudo, mas devemos reconhecer que ela somente transforma quando nos conhecemos, e decidimos com tal verdade mudar a nossa vida. Sempre faremos propostas de mudar isso ou aquilo de nós, assim temos realmente o fato que a espiritualidade nos leva a uma nova forma de viver.

 

Se escolho vencer meu egoísmo e meu orgulho, então devo saber que no meu dia a dia terei que dialogar comigo mesmo diante de diversas situações que me vem a frente. Vamos ao exemplo, pois gosto muito deste modo pedagógico de ensinar: Uma jovem que decide combater em si o próprio eu egoísta, ela então começa a ver o mundo diferente, onde ela tem que dar certas repostas para que o egoísmo não domine a situação. Ela começa a ser mais disponível quando alguém li pede para abrir a porta, ou pede para acompanhar a padaria. Ela sabe que quando esta em casa se irrita quando os familiares pedem muitas coisas, mas ela começa a usar de palavras brandas e gentias quando não deseja, ou mesmo quando já esta ocupada.

 

Esta nossa jovem sente que tudo isto se pode fazer aos poucos. É como comer um prato de mingau muito quente: se come pelas beiradas, esfriando sempre, e no fim se vê que consegui comer tudo. Assim a espiritualidade é bem trabalhada em nossa vida. Não queira fazer de uma vez só, pois queimando a língua fazemos como as crianças deixando de comer. Se cada vez que encontramos dificuldades para colocar em prova na nossa vida a espiritualidade pode nos levar a parar ali mesmo, pois a ansiedade cresce tanto dentro de nós que não suportamos errar diante das nossas propostas. Tudo se faz aos poucos sem usar força desnecessária.

Porem tem o caso daqueles que fazem o caminho de espiritualidade, mas não reconhecem a própria vida, que não encaram com a verdade, e não aceitam mudanças. Estas pessoas fazem um caminho cego, onde buscam invés de transformação a própria compensação. Pessoas que fazem tais atos esperando receber de volta o desejado. Encontramos pessoas que querem ser elogiadas e reconhecidas porque deram para alguém que precisava de roupa uma doação. Se esta pessoa não é elogiada tudo parece cair.

 

Devemos recordar então da oração de são Francisco: “Amar que ser amado. Compreender que ser compreendido”. Desta forma teremos então que a espiritualidade nos ajuda a mudar nós mesmo, e não a fazer com que as pessoas recompensem o nosso esforço. Se deseja ser melhor a cada dia não deve depender que as pessoas façam isso por ti, mas aprenda a viver o caminho de espiritualidade.

 

Não podemos esquecer que o cristão não usam jamais esta frase: “errar é humano”, porem o cristão usa um outro modo de viver neste mundo: “se eu erro terei o dever de retornar, pedir desculpas, e corrigir”. A espiritualidade nos faz crescer mais humanamente. Seja cada vez mais um cristão humanizado. “Sede santo como vosso Pai é santo”.

Homens e mulheres – sacerdotes de Cristo pelo batismo

Filed under: Franciscanismo,Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 6:35 am on Friday, December 18, 2009

 

Desta vez apresento um texto do Frei franciscano Raniero Catalamessa sobre o sacerdócio. Estamos próximo do natal, e vivendo o tempo do advento, assim vejo que esta reflexão possa nos ajudar a promover uma boa visão da nossa fé, que com toda a sua complexidade nos permite experimentar na ação mistagógica em nossa vida a vontade do Deus vivente.

 

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 4 de dezembro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos a seguir a primeira meditação do Advento que o pregador da Casa Pontifícia, padre Raniero Cantalamessa, OFM Cap., pronunciou hoje na presença de Bento XVI, na capela Redemptoris Mater, do Palácio Apostólico. O tema da meditação é: “Ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (1 Coríntios 4, 1).
* * *
1. A fonte de todo sacerdócio
Na escolha do tema a ser proposto nestas pregações à Casa Pontifícia, busco sempre me guiar pelo momento de graça especial que a Igreja está vivendo. No ano passado, era a graça do Ano Paulino, este ano é a graça do Ano Sacerdotal, por cuja proclamação, Santo Padre, estamos profundamente gratos.
O Concílio Vaticano II dedicou ao tema do sacerdócio um documento inteiro, Presbyterorum ordinis; João Paulo II, em 1992, dirigiu a toda Igreja a exortação apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis, sobre a formação dos sacerdotes nas circunstâncias atuais; o atual Sumo Pontífice, neste Ano Sacerdotal, traçou um breve mas intenso perfil do sacerdote, à luz a vida do Santo Cura d’Ars. Isso para não falar das intervenções de cada bispo sobre o tema, e também dos livros escritos sobre a figura e missão do sacerdote no século recém-terminado, alguns dos quais obras literárias de primeira grandeza.
Que se pode acrescentar a tudo isso no breve período de uma meditação? Encoraja-me o dizer com o qual um pregador iniciava sua fala: Non nova ut sciatis, sed vetera ut faciatis: “O importante não é conhecer coisas novas, mas colocar em prática o que sabe”. Renuncio então a qualquer tentativa de síntese doutrinal, de apresentação global ou perfil ideal sobre o sacerdote (não teria tempo nem capacidade) e busco, se possível, fazer vibrar o nosso coração sacerdotal, ao contato com algo da Palavra de Deus.
A palavra da Escritura que servirá como fio condutor é 1 Coríntios 4, 1, que muitos de nós recordamos na tradução latina da Vulgata: Sic nos existimet homo ut ministros Christi et dispensatores mysteriorum Dei: “Que as pessoas nos considerem como ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus”. A esta podemos ligar, em alguns aspectos, a definição da Carta aos Hebreus: “Cada sumo sacerdote, escolhido entre os homens, é constituído para o bem dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus” (Hebreus 5, 1).
Essas frases têm a vantagem de reportar à raiz comum de cada sacerdócio, que é aquele estágio da revelação em que o ministério apostólico ainda não é diversificado, dando origem aos três graus canônicos de bispo, sacerdote e diácono, que, ao no que diz respeito às respectivas funções, ficará claro apenas com Santo Inácio de Antioquia, no início do século II. Essa raiz comum é realçada pelo Catecismo da Igreja Católica, que define a Ordem como “o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja, até ao fim dos tempos: é, portanto, o sacramento do ministério apostólico” (n. 1536).
É a este estágio inicial que tentaremos nos referir o quanto possível em nossa meditação, a fim de captar a essência do ministério sacerdotal. Neste Advento, levaremos em consideração apenas a primeira frase do Apóstolo: “Servos de Cristo”. Se Deus quiser, prosseguiremos na Quaresma nossa reflexão, meditando sobre o que significa para um sacerdote ser “administradores dos mistérios de Deus” e quais são os mistérios que deve administrar.
“Servos de Cristo!” (com ponto exclamativo para indicar a grandeza, dignidade e beleza desse título): eis a palavra que deve tocar nossos corações nesta meditação e fazê-lo vibrar com santo orgulho. Não estamos falando dos serviços práticos ou ministeriais, como administrar a palavra e os sacramentos (disso, como comentei, falaremos na Quaresma); não falamos, em outras palavras, do serviço como ato, mas do serviço como estado, como vocação fundamental e como identidade do sacerdote, e falamos sobre isso  na mesma direção e com o mesmo espírito de Paulo, que ao início de suas cartas apresenta-se como: “Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo por vocação”.
No passaporte invisível do sacerdote, aquele com o qual se apresenta cada dia diante de Deus e de seu povo, no campo “profissão”, dever-se-ia poder ler: “Servo de Jesus Cristo”. Todos os cristãos são naturalmente servos de Cristo, mas o sacerdote o é a um título e modo todo particular, como todos os batizados são sacerdotes, mas o ministro ordenado o é a um título e modo diverso e superior.
2. Continuadores da obra de Cristo
O serviço essencial que o sacerdote é chamado a oferecer a Cristo e continuar sua obra no mundo: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20, 21). O Papa São Clemente, na sua famosa carta aos Coríntios, diz: “Cristo é enviado por Deus e os Apóstolos, por Cristo… Eles, pregando por toda parte nos campos e nas cidades, nomearam os seus primeiros sucessores, estando à prova do Espírito, para ser bispos e diáconos”. Cristo foi enviado pelo Pai; os apóstolos, por Cristo; os bispos, pelos apóstolos: é a primeira enunciação clara do princípio da sucessão apostólica.
Mas a palavra de Jesus não tem só um significado jurídico e formal. Não funda, em outras palavras, apenas o direito dos ministros ordenados de falar como “enviados” de Cristo; também indica o motivo e o conteúdo deste mandato, que é o mesmo pelo qual o Pai enviou o Filho ao mundo. E por que Deus enviou seu Filho ao mundo? Aqui também renunciamos a uma resposta global, completa, para o qual deveríamos ler todo o Evangelho; apenas algumas declarações programáticas de Jesus.
Diante de Pilatos, ele declarou solenemente: “Para isso vim ao mundo, para dar testemunho da verdade” (Jo 18, 37). Continuar a obra de Cristo comporta para o sacerdote dar testemunho da verdade, fazer brilhar a luz da verdade. Só temos de ter em conta o duplo sentido da palavra verdade, aletheia, em João. Oscila entre a realidade divina e o conhecimento da realidade divina, entre um significado ontológico ou objetivo e um gnosiológico ou subjetivo. A verdade é “a realidade eterna enquanto revelada aos homens, referente tanto à própria realidade como a sua revelação” [H. Dodd, L’interpretazione del Quarto Vangelo, Paideia, Brescia 1974, p. 227].
A interpretação tradicional tem assinalado a “verdade” especialmente no sentido de revelação e conhecimento da verdade, em outras palavras, como verdade dogmática. Esta tarefa é, sem dúvida, essencial. A Igreja, como um todo, a aborda através do magistério, dos concílios, dos teólogos e do sacerdote individualmente, pregando ao povo a “sã doutrina”.
Mas não devemos esquecer o outro significado joanino de verdade: o da realidade conhecida, mais que conhecimento da realidade. Nesta luz, a tarefa da Igreja e do sacerdote individual não se limita a proclamar as verdades da fé, mas deve ajudar a fazer a experiência, a entrar em contato íntimo e pessoal com a realidade de Deus, através do Espírito Santo.
“A fé, escreve São Tomas de Aquino, não termina no enunciado, mas na coisa” (Fides non terminatur ad enuntiabile sed ad rem). Da mesma forma, os mestres da fé não podem se contentar a ensinar as verdades de fé, devem ajudar as pessoas a atingir a “coisa”; não apenas ter uma ideia de Deus, mas fazer a experiência d’Ele, segundo o sentido bíblico de conhecer, que é diferente, como se sabe, do sentido grego e filosófico.
Outra declaração programática é aquela que Jesus fala em frente a Nicodemos: “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”. Essa frase deve ser lida à luz do que a precede: “De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Jesus veio revelar aos homens a vontade salvífica do amor misericordioso do Pai. Toda sua pregação se resume na palavra dirigida aos discípulos na Última Ceia: “o Pai vos ama!” (Jo 16, 27).
Ser continuador no mundo da obra de Cristo significa fazer própria essa atitude fundamental para com o povo, mesmo os mais distantes. Não julgar, mas salvar. Não deve passar despercebido o trato humano sobre o qual insiste a Carta aos Hebreus ao delinear a figura de Cristo Sumo Sacerdote e de cada sacerdote: a simpatia, o senso de solidariedade, a compaixão para com as pessoas.
De Cristo é dito: “De fato, não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, sem todavia pecar”. Do sacerdote humano se afirma que “é tomado do meio do povo e representa o povo nas suas relações com Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Ele sabe ter compaixão dos que estão na ignorância e no erro, porque ele mesmo está cercado de fraqueza. Por isso, deve oferecer, tanto em favor de si mesmo como do povo, sacrifícios pelo pecado” (Hebreus 4, 15-5, 3).
É verdade que Jesus, nos Evangelhos, também se mostra severo, julga e condena, mas com que o faz? Não com as pessoas simples, que o seguiam e vinham escutá-lo, mas com os hipócritas, os auto-suficientes, os mestres e guias do povo. Jesus não era, como se diz de certos políticos, “forte com os fracos e fraco com os fortes”. Muito pelo contrário!
3. Continuadores, não sucessores
Mas em que sentido podemos falar dos sacerdotes como continuadores da obra de Cristo? Em cada instituição humana, como era então o Império Romano e como são hoje as ordens religiosas e todas as empresas humanas, os sucessores continuam a obra, mas não a pessoa do fundador. Este, em ocasiões, é corrigido, superado e inclusive repudiado. Isso não acontece com a Igreja. Jesus não tem sucessores, pois não morreu; está vivo, “ressuscitado da morte, a morte já não tem poder sobre Ele”.
Qual é então a tarefa de seus ministros? A de representá-lo, quer dizer, fazê-lo presente, dar forma visível a sua presença invisível. Nisso consiste a dimensão profética do sacerdócio. Antes de Cristo, a profecia consistia essencialmente em anunciar uma salvação futura, “nos últimos dias”, depois d’Ele, consiste em revelar ao mundo a presença escondida de Cristo, em gritar como João Batista: “No meio de vós há alguém que não conheceis”. Um dia alguns gregos dirigiram-se ao apóstolo Felipe com esta pergunta: “Senhor, queremos ver Jesus” (João 12, 21); a mesma pergunta, mais ou menos implícita, leva no coração quem se aproxima hoje do sacerdote.
São Gregório de Nisa lançou uma famosa expressão, que normalmente se aplica à experiência dos místicos: “Sentimento de presença” (Gregorio Nisseno, Sul Cantico, XI, 5, 2 –PG 44, 1001– aisthesis parousias). O sentimento de presença é algo mais que a simples fé na presença de Cristo; é ter o sentimento vivo, a percepção quase física de sua presença como Ressuscitado. Se isso é próprio da mística, então quer dizer que todo sacerdote tem de ser um místico, ou pelo menos um “mistagogo”, aquele que introduz as pessoas no mistério de Deus e de Cristo, como levando-as pela mão.
A tarefa do sacerdote não é diferente, ainda que esteja subordinada, à que o Santo Padre apresentava como prioridade absoluta do sucessor de Pedro e de toda Igreja, na carta dirigida aos bispos, a 10 de março passado: “No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado… Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na Bíblia: tal é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo”.
4. Servos e amigos
Mas agora temos de dar um passo adiante em nossa reflexão. “Servos de Jesus Cristo”: este título nunca deveria ir sozinho; deve-se acompanhar sempre, ao menos no profundo do coração, de outro título: o de amigos!
A raiz comum de todos os ministérios ordenados que se perfilarão posteriormente é a eleição que um dia fez Jesus dos Doze; isso é o que da instituição sacerdotal se remonta até o Jesus histórico. A liturgia apresenta, é verdade, a instituição do sacerdócio na Quinta-Feira Santa, por causa da palavra que Jesus pronunciou depois da instituição da Eucaristia: “Fazei isto em memória de mim”. Mas esta frase também pressupõe a eleição dos Doze, sem contar que, se for tomada sozinha, justificaria o papel de sacrificador e de liturgo do sacerdote, mas não o de anunciador do Evangelho, que é da mesma forma fundamental.
Que disse naquela ocasião Jesus? Por que escolheu os Doze, depois de ter rezado durante toda a noite? “Instituiu Doze para que estivessem com ele, e para enviá-los a pregar” (Marcos 3, 14-15). Estar com Jesus e ir pregar: estar e ir, receber e dar: em poucas palavras, apresenta-se o essencial da tarefa dos colaboradores de Cristo. Estar “com” Jesus não significa apenas uma proximidade física; implica já toda a riqueza que Paulo encerrará na fórmula “em Cristo”, ou “com Cristo”. Significa compartilhar tudo de Jesus: sua vida itinerante, certamente, mas também seus pensamentos, seus objetivos, seu espírito. A palavra companheiro procede do latim medieval e significa quem tem em comum (con-) o pão (panis), que come o mesmo pão.
Nos discursos de adeus, Jesus dá um passo adiante, completando o título de companheiros com o de amigos: “Não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que seu amo faz; chamo-vos amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai, vos dei a conhecer” (João 15, 15).
Há algo comovedor nesta declaração de amor de Jesus. Sempre recordarei o momento em que recebi a graça, por um instante, de experimentar algo desta comoção. Em um encontro de oração, alguém abriu a Bíblia e leu esta passagem de João. A palavra “amigos” me tocou com uma profundidade nunca antes experimentada; removeu algo no profundo de meu ser, até o ponto de que durante o resto do dia repetia a mim mesmo, cheio de maravilha e incredulidade: “Chamou-me de amigo! Jesus de Nazaré, o Senhor, meu Deus! Sou seu amigo! E me parecia que com essa certeza era possível voar pelos ares e atravessar o fogo.
Quando fala do amor de Jesus Cristo, São Paulo sempre dá a impressão de que se comove: “Quem nos separará do amor de Cristo?” (Romanos 8, 35), “me amou e se entregou por mim!” (Gálatas 2, 20). Tendemos a desconfiar da comoção e inclusive nos envergonharmos dela. Não sabemos a riqueza que perdemos. Jesus “se comoveu profundamente” e chorou ante a viúva de Naim (cf Lucas 7, 13) e ante as irmãs de Lázaro (cf João 11, 33-35). Um sacerdote capaz de comover-se quando fala do amor de Deus e do sofrimento de Cristo ou quando recebe a confidência de uma grande dor, convence mais que com agudas racionalizações. Comover-se não significa necessariamente começar a chorar; é algo que se percebe nos olhos, na voz. A Bíblia está cheia do pathos de Deus.
5. A alma de todo sacerdócio
Uma relação pessoal, cheia de confiança e de amizade com a pessoa de Jesus, é a alma de todo sacerdócio. Neste Ano Sacerdotal, voltei a ler o livro do abade Jean-Baptiste Chautard, A alma de todo apostolado”, que fez tão bem e sacudiu tantas consciências nos anos anteriores ao Concílio. Em um momento em que se dava um grande entusiasmo pelas “obras paroquiais”: cinema, jogos, iniciativas sociais, círculos culturais, o autor voltava a centrar bruscamente a atenção sobre o problema, denunciando o perigo de um ativismo vazio. “Deus –escrevia– quer que Jesus seja a vida das obras”.
Não reduzia a importância das atividades pastorais, no entanto, afirmava que sem uma vida de união com Cristo, não eram mais que “muletas” ou, como as definia São Bernardo, “malditas ocupações”. Jesus disse a Pedro: “Simão, tu me amas? Apascenta minhas ovelhas”. A ação pastoral de todo ministro da Igreja, desde o Papa até o último sacerdote, não é mais que a expressão concreta do amor por Cristo. “Tu me amas? Então apascenta”. O amor por Jesus marca a diferença entre o sacerdote funcionário ou executivo e o sacerdote servo de Cristo e dispensador dos mistérios de Deus.
O livro do abade Chautard poderia ter o título “A alma de todo sacerdócio”, pois em toda a obra fala d’Ele como agente e responsável em primeira linha da pastoral da Igreja. Naquela época, o perigo ante o qual se tentava reagir era o chamado “americanismo”. O abade se remonta com frequência, de fato, à carta de Leão XIII Testem benevolentiae, que hava condenado essa “heresia”.
Hoje esta heresia, se de heresia pode-se falar, já não só é “americana”, mas uma ameaça que, inclusive por causa da diminuição da proporção de sacerdotes, afeta o clero de toda Igreja: chama-se ativismo frenético. (Por outro lado, muitas das instâncias que procediam naquele tempo dos cristãos dos Estados Unidos, e em particular do movimento criado pelo servo de Deus Isaac Hecker, fundador dos Paulist Fathers, tachadas de “americanismo”, por exemplo, a liberdade de consciência e a necessidade de um diálogo com o mundo moderno, não eram heresias, mas instâncias proféticas que o Concílio Vaticano II fará em parte suas).
O primeiro passo para fazer de Jesus a alma do próprio sacerdócio consiste em passar do personagem Jesus ao Jesus pessoa. O personagem é alguém “de” quem se pode falar com alegria, mas “a” quem ninguém pode dirigir-se e “com” quem ninguém pode falar. Pode-se falar de Alexandre Magno, de Júlio César, de Napoleão tudo o que se quiser, mas se alguém dissesse que fala com alguns deles, lhe mandariam direto para o psiquiatra. A pessoa, pelo contrário, é alguém com quem se pode falar e a quem se pode escutar. Quando Jesus não é mais que um conjunto de notícias, de dogmas ou de heresias, alguém do passado, uma memória, não uma presença, fica-se em um personagem. É necessário convencer-se de que está vivo e presente. É mais importante falar com ele que falar d’Ele.
Um dos aspectos mais bonitos da figura do Dom Camilo, de Giovanni Guareschi, tendo obviamente em conta o gênero literário, aprecia-se quando fala em voz alta com o Crucifixo sobretudo o que lhe sucede na paróquia. Se nos acostumássemos a fazer isso, com tanta espontaneidade, com nossas palavras, quanto mudaria em nossa vida sacerdotal! Nos daremos conta de que não falamos ao vazio, mas a alguém que está presente, que escuta e reponde, talvez não em voz alta como a Dom Camilo.
6. Em primeiro lugar, as “pedras grandes”
Assim como em Deus toda a obra exterior da criação emana de sua vida íntima, “do incessante fluxo de seu amor”, e assim como toda atividade de Cristo emana de seu diálogo ininterrupto com o Pai, do mesmo modo todas as obras do sacerdote devem ser prolongação de sua união com Cristo. “Como o Pai me enviou, assim vos envio”, também significa isto: “Eu vim ao mundo sem me separar do Pai, vocês vão ao mundo sem se separar de mim”.
Quando se interrompe este contato, acontece como em uma casa, quando acaba a energia e tudo pára e fica às escuras. Às vezes se escuta: como ficamos tranquilos rezando quando tantos necessitados reclamam nossa presença? Como não correr quando se está queimando a casa? É verdade, mas imaginemos o que aconteceria a uma equipe de bombeiros que fosse, com as sirenes ligadas, apagar um incêndio, e, ao chegar, se desse conta de que não tem uma gota de água. É o que acontece quando corremos a pregar ou a exercer outros ministérios vazios de oração e do Espírito Santo.
Li uma história que me parece que se aplica de maneira exemplar aos sacerdotes. Um dia, um ancião professor foi convidado como especialista para falar sobre o planejamento mais eficaz do próprio tempo aos executivos de grandes companhias norte-americanas. Decidiu fazer um experimento. De pé, tirou de sob a mesa um grande jarro de vidro vazio. Tomou depois uma dezena de pedras do tamanho de bolas de tênis, que depositou com cuidado, uma por uma, no jarro até preenchê-lo. Quando já não havia espaço para outras pedras, perguntou aos alunos: “acreditam que este jarro está cheio?”, e todos disseram que sim.
Agachou-se de novo e pegou uma caixa cheia de pequenas pedras as quais derramou no jarro. Depois, perguntou: “Agora está cheio?”. Com mais prudência, os alunos responderam: “talvez ainda não”. Então ele tomou um saco de areia, que derramou no jarro. “E agora?”, questionou. E eles, diretamente: “não”. Então o ancião pegou uma garrafa de água e derramou até encher o jarro.
“Qual é a grande verdade que nos mostra este experimento?”, perguntou. O mais atrevido respondeu: “Demonstra que, ainda nossa agenda esteja totalmente cheia, com algo de boa vontade sempre se pode acrescentar algum compromisso, algo mais por fazer”. “Não”, disse o professor. “O que demonstra o experimento é que se não se colocam no jarro em primeiro lugar as peças grandes, depois elas não podem entrar”. “Quais são as grandes peças, as prioridades de nossa vida? O importante é pôr estas grandes peças em primeiro lugar em nossa agenda”.
São Pedro indicou ode uma vez por todas quais são as grande peças, as prioridades absolutas, dos apóstolos e de seus sucessores, bispos e sacerdotes: “nós nos dedicaremos à oração e ao ministério da Palavra” (Atos 6, 4).
Nós, sacerdotes, mais que qualquer outro, estamos expostos ao perigo de sacrificar o importante pelo urgente. A oração, a preparação da homilia ou da missa, o estudo e a formação são coisas importantes, mas não urgentes; se se suspendem, aparentemente, não acaba o mundo, enquanto que há muitas coisas pequenas –um encontro, um telefonema, um trabalhinho material– que são urgentes. Deste modo, acaba-se suspendendo sistematicamente o importante para um “depois” que nunca chega.
Para um sacerdote, pôr em primeiro lugar no jarro as grandes peças pode significar concretamente começar o dia com um tempo de oração e de diálogo com Deus, de maneira que as atividades e os diferentes compromissos não acabem ocupando todo o espaço.
Concluo com uma oração do abade Chautard que se encontra no programa destas meditações: “Oh Deus, dê à Igreja muitos apóstolos, mas suscita em seu coração uma sede ardente de intimidade contigo e, ao mesmo tempo, um desejo de trabalhar pelo bem do próximo. Dê a todos uma atividade contemplativa e uma contemplação ativa”. Assim seja.
[Traduzido por Zenit]

Trabalhe mais a tua fé

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 1:37 pm on Monday, November 23, 2009

Desta vez decidi compartilhar de um texto que refleti bem a fé. A proposta nos leva a entender de uma forma bastante simples que a fé se faz na própria vida, ao ponto de confundirmos com a mesma. Assumir a fé crista ultrapassara o ato somente de crer. Nossa vida se reveste de ações que nos levam a compreender que para conhecer bem a fé somente praticando. Padre Pietro Ettorre ao transmitir esta bela reflexão nos ajuda a entender o movimento da vida a partir da fé: “Vinde e vede”.

Viver a fé

A alma da vida crista é a fé. Sem a fé é impossível agradar a Deus. Mas a fé, nós sabemos, não é uma abstração, uma palavra privada de sentido. Nem mesmo é uma simples manifestação de dados e formas de pensamentos ou de costumes ou de ritos. A fé é uma realidade divina, que si explica numa alto consciência do nosso vivo contato com Cristo, mediante a graça. A fé, portanto, é um princípio vital que confere absoluta sinceridade à profissão religiosa (…), é uma íntima nascente de bondade, de vigor e de alegria; uma exuberância interior que transborda na caridade externa, a qual damos o nome de apostolado.

Somos convencidos, com São Paulo, que não é a obra, mas a fé nos justifica e nos rende aceitos a Deus. Mas devemos corresponder também com São Tiago quando afirma que a “fé sem as obras é morta em si mesma”. Mostra a tua fé sem obras; eu, por meio das obras, ti mostrarei a minha fé.

Somente a fé não basta, porem : ocorre as obras de fé.

De outra parte, também Jesus nos manda: “Resplenda assim a vossa luz aos olhos dos homens que, vendo as vossas obras, deem gloria ao Pai vosso que esta nos céus” (Mt 5,16). Não si deve trabalhar “para ser visto e louvado”: será somente vaidade e hipocrisia; mas viver a própria vida exemplarmente e cumprindo as boas obras, segundo os ensinamentos da fé, em modo que outros, “vendo”, se sintam encorajados e estimulados a fazer o mesmo.

Ao contrário, se dizer cristão e deixar que o Evangelho seja pisado, que a imoralidade si difunda, com consequentes destruições de almas, sem fazer nada para transformar o mundo e porta-lo a Cristo, equivale a não haver fé, ou a haver uma fé um tanto irrelevante que, se não é morta, é já no fim da vida.

Este é um aspecto de como se vive a fé. Mas tem um outro menos importante, que é este: que o cedente, por coerência consigo mesmo e com aquele afirma crer, deve regularizar toda sua vida – interior e exterior – segundo os ensinamentos da fé. São Paulo nos admoesta: “Seja quem come, quem bebe ou faça qualquer coisa outra, tudo faça a glória de Deus” (ICor 10,31): isto é segundo os ensinamentos da vossa fé e estudando para que seja sempre edificação para o próximo.

Morada de Deus

Filed under: Franciscanismo,Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 9:58 am on Saturday, October 17, 2009

 

Estou ficando louco de amor por Jesus. Me deu uma crise de alegria enquanto estudava as escrituras, pois estava lendo um comentário de um pensador sobre o texto do novo testamento Mt 9,14-15. Este texto olhando de imediato fala do jejum, porem visto com profundidade eles estão discutindo outra coisa.

Os discípulos de João batista perguntam porque os discípulos de Jesus não fazem o mesmo que eles e os fariseus. Incrível a resposta de Jesus: é possível fazer jejum quando o noivo esta presente.

Estou maravilhado com isso, pois Jesus não discute o jejum, mas a tradição Os discípulos de João batista aprenderam a fazer de um modo a vontade de Deus, e agora criticam o modo de Jesus Cristo. Cristo está rompendo, está rasgando os remendos velhos. Ele está destruindo os odres velhos, pois o vinho novo não pode ser mais contido. Incrível, pois Jesus é a novidade, que está para alem do que eles podem pensar.

Batista se manteve fundamentado na antiga tradição, buscando operar uma nova tradução dos antigos profetas. Jesus traz a novidade na tradição, porque a verdade em Deus é imutável, ou melhor dizer: Deus é a única verdade “beleza tão antiga e sempre nova” (santo Agostinho).

Eu estou louco de amor por ter chegado a esta iluminação. Este texto me perturbava sempre, porque eu não havia uma resposta sobre a verdade que se passa dentro dele. Agora vejo claramente o que ele está discutindo. Jesus realmente é a nova tradição, a nova lei, o novo Adão.

Olhando para São Francisco busquei entender como se recebe esta novidade dentro de si. São Francisco foi um dos que com uma radical conversão aceitou a verdade de Deus em sua vida. O santo de Assis acolheu e se transformou a partir da novidade, a partir de Jesus Cristo. Apresentarei um texto das admoestações de São Francisco:

Do servo fiel que se torna morada de Deus

E todos aqueles e aquelas que vagam neste mundo, fim quando farão tais coisas e e perseverem nelas até o fim, repousará sobre eles o Espirito do Senhor (Is. 11,2), e Ele fará sua morada (cf. Gv. 14,23). E serão filhos do Pai celeste (cf. Mt. 5,45), dos quais fazem obras, e são esposos, irmãos, e mães do nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Mt. 12,50).

Somos esposos, quando a alma fiel si une a Jesus Cristo pela ação do Santo Espirito. E somos irmãos, quando fazemos a vontade do Pai (cf. Mt. 12,50), que está nos céus. Somos mãe (1Cor. 6,20), quando portamos no nosso coração e no nosso corpo através do amor e a pura e sincera consciência, e o geramos através do santo modo de trabalhar, que deve resplandecer em exemplos para os outros (cf. Mt. 5,16).

Oh, como é glorioso e santo e grande ter nos céus um Pai!

Oh, como é santo, consolador, belo e amável ter um santo Esposo!

Oh, como é santo, como é delicioso, agradável, humilde, pacifico, doce e amável e sobre cada coisa desejada ter um tal irmão e filho, o qual oferece a sua vida pelas suas ovelhas (cf. Gv. 10,15) e rogo ao Padre por nós, dizendo: “Pai santo, guarda no teu nome aqueles que me confiou (Gv. 17,11). Pai, todos aqueles que me confiou no mundo são teus, e que você deu a mim (Gv. 17,6). E as palavras que destes a mim, também deu a eles; e esses as acolheram e verdadeiramente reconheceram que eu saí de ti e creram que você me enviou (Gv. 17,8). Eu rogo por eles e pelo mundo (Gv. 17,9). Abençoa-lhes e santifica-os (Gv. 17,17). E para eles eu santifico a mim mesmo, afim que sejam santificados na unidade, como sejamos nós (Gv. 17,19-21) . E quero, o Pai, que onde eu estou estejam estes comigo, afim que vejam a minha glória no teu reino” (Gv. 17,24; Mt. 20,21).

A aqueles que tanto parte por nòs, que tantos bens são doados com abundancia e generosidade serão doados no futuro, a Deus, cada criatura que vive nos céus, sobre a terra, no mar e nos abismos, rendam louvor, gloria, honra e bênçãos (cf. Ap. 5,13), porque Ele é a nossa virtude é a nossa fortaleza. Ele que só é bom (cf. Lc. 18,19) só o Altíssimo, só o onipotente, amável, glorioso e só o Santo, digno de louvor e bênção pelos seculos infinitos. Amem.

Verdade Crucifixa

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 7:07 pm on Wednesday, August 19, 2009

 

O ser humano é um eterno investigador da verdade, independente das perguntas que si extrai no ciclo histórico da humanidade se preocupa de conhecer bem este objeto chamado verdade. Isso nos coloca diante de uma realidade que não se esgota, mas se torna cada vez mais pluralista. Isto quer dizer que a verdade hoje se encontra na boca de muitos: tantas instituições e pessoas que buscam apresentarem seu próprio conceito de verdade.

Os cristãos também possuem uma verdade que se faz escatológica. Esta verdade vem de Deus que si dá a conhecer a partir de Jesus Cristo. Deus é a verdade última. Isso nos coloca diante do pluralismo que existe neste nosso tempo, mas que não anula a verdade alheia, porem propõe Deus como a máxima verdade. Isso quer dizer que tudo converge em Deus, dai o fato de chamar de verdade escatológica: todas as verdades se encontrarão no fim dos tempos com a verdade maior: Deus.

Deus se revela em Jesus Cristo, por isso nossa verdade se dá na relação. Cada vez que olhamos para a pessoa de Cristo descobrimos a verdade que esta em Deus. Cristo revela não somente a vontade de Deus, mas propriamente quem é Deus. Deus se torna um com o filho: Quem me vê também vê o Pai que esta nos céus.

A verdade crista é chamada crucifixa pelo fato que si da em Jesus Cristo. Deus manifestou toda a sua vontade ao Filho, que vindo ao encontro do mundo manifesta o que o Pai deu a conhecer. Cristo busca transmitir a nós esta verdade: “Deus de fato há amado tanto o mundo que deu o Filho unigênito, para que aquele que crer em Deus não se perca, mas tenha a vida eterna. Deus, de fato, não mandou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dEle”. (Jo 3,16-17).

Isso nos faz pensar que a nossa verdade, ou melhor, a verdade que recebemos de Jesus Cristo é redentora, salvadora, por isso temos que pregar a verdade crista ao mundo. Não é um problema se o mundo possui outras verdades, mas eu conheci esta verdade em Cristo e escolhi vive-la. Assim devemos amar e conhece-la por inteiro. Os Cristãos possuem uma verdade que salva e que liberta: “Se Eu dou testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei de onde venho e a onde vou. Vós invés não sabeis de onde vem nem para onde vão. Vós jugais segundo a carne; Eu não julgo a ninguém. E mesmo se Eu julgar, o meu julgamento é verdadeiro, porque não sou sozinho, mas Eu e o Pai que me mandou”. (Jo 8,12-16).

Deus que admirando tanto a humanidade deseja se dar a conhecer. Ele escolhe vir em forma de homem, se humilha para ser exaltado. Deus tão grande vem no meio de nós, e como nós. Assume nossa humanidade e comunica Sua verdade. Deus realmente é muito amor. Quando o mundo não vê mais possibilidade de vida, tantas guerras e destruições, tantas rivalidades e pecados, assim o mundo começa a se auto julgar condenando a vida. Se olharmos as pessoas que estão no mundo encontraremos tanto desencorajamento, porem Deus nos mostra a verdade, e Ele não vem para jugar, mas para salvar.

Os Cristãos possuem uma verdade que salva e que liberta. Todos os Cristãos são obrigados a pregar esta verdade, pois pelo nosso batismo escolhemos vive-la. Não pregamos esta verdade por medo, mas porque Cristo nos deu a conhecer, assim nós cada vez mais nos relacionamos com esta verdade de tal modo que ela passa a ser em nós. Deixe tua vida ser cristificada.

Nossa verdade cristã transmite ao mundo muita esperança. A partir da nossa fé estamos buscando fazer caridade, pois no mundo qualquer pessoa espera um milagre de Deus. Prego como testemunho dois personagens de nossa história que são modelos de santidade: Santa Maria mãe de Deus e São Maximiliano.

Maria santíssima partilhou da verdade de Deus, e com todo seu gesto de solidariedade nos ajudou a conhecer a verdade em Cristo, também nós cristãos somos chamados a fazer o mesmo. O mundo já não tinha tanta esperança, porem Maria usando a sua fé deu o sim que marcou a humanidade. Escolha dar sempre o sim do teu coração a verdade que a fé ti apresenta.

São Maximiliano estava no campo de concentração, onde o oídio reinava, o desespero era a única forma de viver, o medo assolava os corações. Este homem se fez irmão de um pai de família condenado a morte, um pai de família que ele não conhecia. São Maximiliano concedeu a própria vida quando os homens já não acreditavam na esperança. Sempre no mundo há alguém esperando alguma coisa, qualquer milagre da parte de Deus, se você puder fazer, então faça.

Tanto Maria e São Maximiliano acreditaram nesta verdade. Se olharmos para a nossa história encontraremos tantas pessoas que si santificaram nesta religião. Pessoas que encontraram o Caminho, a Verdade e a Vida, e alcançaram o Pai. Podemos fazer o mesmo, pois basta vivermos a verdade em Cristo. Se existe cristãos que não pregam e não confiam nesta verdade, isso não é um problema, pois eu acredito e vivo. Não podemos ficar dormindo diante do mundo que clama pela verdade. Cristão, acorde e levante, pois teu dia já começou.

 

Deus é mistério e amor

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 11:29 am on Saturday, June 13, 2009

Realmente nos temos uma verdade, e somos verdade nela. Estava pensando esta manhã sobre que somos, e me coloquei na experiencia do mistério, pois se Deus é mistério nós também somos. E com isso penso que não podemos definir quem somos, mas encontrar com quem somos, assim nós somos mais do que pensamos.

Nós podemos ser tudo em quanto estamos em Deus. De bom ou de mal temos a capacidade de viver, porem se escolhemos o caminho de Deus podemos nos lançar a descobrir cada minuto nossas capacidades. Nós não somos só capacidades, mas atos. Porem não somos puros atos, pois podemos escolher o que fazer. Assim penso que nos manteremos sempre no mistério da vida. Seremos mais e mais se desejamos ser em Deus.

Tenho certeza que podemos encontrar com o que somos, mais do que nos definirmos o que somos. É interessante quando dizemos que Deus é amor. O amor é impensado, não se pode definir amor, nem mesmo limitar ao simples fato de gostar do outro. Jesus diz para amarmos nossos inimigos. Os fariseus e saduceus são os grandes inimigos de Jesus, mas quando eles vem perguntar para tentar, Jesus os recebe benevolamente, se olharmos bem isso já é um gesto de amor. Isto também faz parte da ação de amar. Por isso amor em Deus é mistério. Não se pode definir mas se pode encontrar.

Nos encontramos muitos desafios todos os dias, e desafios acompanhados de incertezas ou as vezes de grandes dúvidas. Se uma pessoa vai a padaria, e ao pagar sua compra percebe que o troco veio errado, ou seja, esta sobrando dinheiro, é certo que naquele momento ela deve ser justa e devolver, mas a duvida entra porque ela começa a pensar nas vantagens que tem em ficar com o dinheiro.

Hoje temos muitas faixas de pedestres nas ruas da cidade, porem tempos atras não havia toda esta situação. A questão das faixas entrou para garantir a vida, que muitos motoristas imprudentes acabaram desrespeitando. Se os motoristas usassem com respeito seus carros teríamos uma harmonia incrível no trânsito. Isso me lembra quando fazia aulas de volante, e um dos professores dizia que se encontrássemos na via algum motorista cometendo infração que não reagíssemos naquela situação por conta própria, pois corremos o risco de estar a mercê da intransigência daquele infrator.

Nas escolas as crianças, os adolescentes e os jovens estão diante de uma diversidade de relações que acabam trazendo novos desafios. Em especial aqueles que gostam de viver moderadamente, mas surgem colegas que buscam leva-los para caminhos que não seja a verdade. Um bom número deles gosta de tantas aventuras, mas que para isso deve passar por cima do respeito do outro. Esquecem por completo de serem pessoas transmissoras de paz, pois os bons valores se diluem nas dúvidas e incertezas de uma vida mal planejada.

Porem precisa dizer que família é o lugar onde o mistério e o amor se encontram com mais determinação, pois devemos entender que todos nós temos um bom modelo de família em nossa mente, e que também um modelo de pessoa, ou melhor dizer, de santidade que contribua para o nosso crescimento. Se colocarmos as nossas boas intenções e os nossos ideais em prática começamos a perceber um mundo diferente dentro de nós. Não precisamos fazer o mesmo que o mundo, somente sabermos que estamos no mundo.

Isso nos diz que a verdade que está em Cristo é nossa, e que Jesus pratico ate o fim da vida. Uma verdade plena de amor. Se o amor se encontra na verdade de Jesus Cristo, nós como cristãos devemos praticar. Praticar não porque Deus manda, mas porque nos convida, e cada um que aceita confia nesta verdade.

Nos podemos ser mistério se entendermos mais que o amor que esta dentro de nós não é algo determinado, um conceito acabado, ou uma regra pronta para viver. Ser criativo, e mais ainda criativo no amor, nos leva a fazer loucuras, mas chamo a atenção pelo fato de que estas loucuras comecem pelo caminho de Cristo. Deixamos o mistério de Cristo falar mais auto dentro de nós.

Olhando São Maximiliano como exemplo teremos a ideia de que ele encontra o mistério de Deus e ultrapassa a possibilidade da razão, porque a fé supera tudo. Este santo homem recebe duas coroas da mão de Maria santíssima quando tinha seus 10 anos de idade. Na sua juventude entra na Ordem Franciscana, e com o tempo decide conquistar o mundo para Cristo pela Imaculada.

Já no campo de extermínio ele decide de trocar de lugar com um pai de família, que estava sendo condenado a morte na prisão da fome. Entender que alguém dá a própria vida pelo outro que não conhece nem mesmo o nome é ir além do que podemos pensar. Para entendermos melhor precisamos imaginar que naquele momento todos estão com medo da morte, e não há como pensar no futuro num estado como aquele. Mas alguém quer morrer no lugar do outro.

Eu não tenho ideia do que se passou na cabeça de São Maximiliano naquele momento, mas tenho a plena certeza que ele encontrou com o mistério, e que a sua fé revelou a verdade que tanto procurava, realmente ele encontrou Deus. Tudo dependia de Deus, e ele fez a escolha.

Nós devemos aprender como São Maximiliano a fazer um caminho de elevação, ser mais do que pensamos, pois dentro de nós está o Espirito de Deus. O Espirito Santo não é dois, mas o mesmo que esta em Jesus Cristo, e que forma em Deus o mistério Trinitário. Deus pelo Espirito Santo dentro de nós quer fazer Sua obra. Devemos deixar ser mais cristificados no dia-a-dia.

Cada um de nós não conhece um terço do amor que podemos praticar. Lembre-se de ser amor sempre pois assim estará vivendo plenamente o mistério de Deus em tua vida. Você pode ser mais do que pensa, basta começar pelo amor que há dentro de ti.

Pascoa! Momento de radicalizarmos nossa fé

Filed under: Reflexoes Gerais — gotasdeassis at 1:48 pm on Tuesday, May 12, 2009

 

Olhando este clima de pascoa que com todas estas leituras que nos recorda o modo de ser testemunhas de Cristo ressuscitado, que nos adverte dos perigos que podemos encontrar tanto internamente como exteriormente, nos ajudando a radicalizar nossa profissão de fé. Isto me levou a pensar sobre o modo de radicalizar o batismo. Realmente me levou a pensar que modo estamos vivendo nossa vocação, e que coisa implica vive-la.

Vejo que para radicalizar o batismo, ou melhor, nossa fé em Cristo, precisamos sempre ter no coração que é a parir do amor que damos passos concretos nesta vida. Não é tão fácil entender isto, mas se podemos colocar em ordem saberemos que o amor não tem motivo que possa explica-lo. Podemos dar inúmeros motivos porque somos cristãos, porque vivemos com esta pessoa ou naquele grupo, mas não poderemos esgotar ao ponto de fazer o outro entender, pois nem mesmo nós somos movidos por uma motivação tão racional quando se trata do amor pelo outro. Por isso temos que estes passos são concretos, pois a medida que amamos realizamos os nossos bons desejos para com o outro, e toda esta realização chamaremos de amor.

Porem a ideia de radicalizar vai mais ao fundo, pois começamos a entender que existem níveis diferentes de propagar o amor que há em nós. Estes níveis começam a dizer mais alto, pois fazemos proposta de estreitar os laços que nos uni, e aqui entender união tanto para quem se casa como para quem escolhe o caminho da vida consagrada (padres, religiosas, religiosos, comunidades de vida…), e isto começa a falar mais alto dentro de nós. Compartilhar com outro o nosso próprio ser nos leva a vivência bem a felicidade. Se lembramos o sermão da montanha teremos bem visível toda esta ação: Aqueles que choram um dia serão consolados; mas eu completo com estas palavras: porem não deixe de consolar somente porque você chora.

Penso que alguns exemplos podem nos ajudar nesta reflexão. E nos guiaremos através do texto do jovem rico. Talvez isto se torne estranho, pois falar de jovem rico em meio ao tempo pascoal não tenha uma relação tão substanciosa neste contexto. Explico que a ideia é termos um ponto de partida para individuar a realidade de viver em comunidade, de viver o amor por Cristo, de saber que decidimos estar sempre com Deus cumprindo Sua vontade.

Me veio em mente a ideia de um casal com poucos meses de matrimônio, e a ideia de radicalizar este amor é muito forte entre os dois. Decidir sair de casa para mora com o outro não é fácil. No mesmo caminho faço o percurso de quem escolheu ser frade, pois esta bem dentro do meu contexto.

Estes recém casados estão levando bem a vida de matrimônio no seu auge: beijos e abraços, compreensão mútua, sentimentos que se afloram cada vez mais que se encontram. O tempo vai passando e eles agora terão que encarar as diferenças que existem em cada um. Um dia se topam de forma a um dizer para o outro o que não aceita. Dias após começam a efervescer as discursões de forma que os ânimos mudam tanto.

Quando eles decidiram se casar ouviram na celebração o Evangelho que dizia: o homem deixara seu pai e sua mãe e tomara como esposa de outra casa. Esta nem sempre é a nossa realidade se olharmos um pouco ao nosso redor. Algumas pessoas moram junto com os pais, porem pegarei o contexto de quem os pais destinaram um espaço nos fundos da casa para os filhos, existem outros que destinam a parte a cima da casa, porem o que quero demonstrar aqui é esta realidade de estarem tão perto dos pais.

Este nosso casal mora atras da casa dos pais, mas a casa é deles, onde a geladeira o fogão e a televisão pertence a eles, e a família vive esta realidade de uma comunidade maior. Este nosso casal está atrás da casa dos pais do marido. E um belo dia depois de tantas discursões o marido decide sair de casa e morar com a mãe, pois com a mulher se discuti muito.

Ele sai da casa sua e entra na casa da própria mãe pela porta do fundo. A mãe se assusta porque não entende toda aquela ação. Tenta ajudar mais não da em nada. O jovem emburrado não quer mais conversa: pois esta mulher que casou comigo já não me esculta.

Vamos para o contexto da vida religiosa, assim com esta pausa poderemos trabalhar os dois exemplos ao mesmo tempo. O jovem que esta fazendo encontro vocacional se apaixonou por esta vida, esta tão fascinado que não vê a hora de entrar para esta novidade. Ele começa com tantos atos de santidade: abraça as pessoas, conversa sobre o amor de Deus, beijas os animais, cheira cada florzinha que encontra na rua, ao rezar faz com as mãos juntas e os olhos fechados, tudo se torna sinal de Deus na sua vida. Tem gente que vê auréola na cabeça do coitadinho. Ele está tão empolgado que não pode deixar de respirar todos os dias esta vocação.

Com o passar do tempo ele descobre que existe um superior que tem que manter a ordem da casa. O superior diz a ele para poder botar o pé no chão que a realidade não é só esta. O jovem já não pode beijar os animais e nem cheira as flores porque tem que lavar os pratos depois das refeições. Este mesmo jovem começa a se irritar porque as orações tem horários para serem cumpridos, e que não dá para ficar com as beatas da igreja o dia inteiro falando de amor. O jovem já se magoa no fato que para rezar não se faz de qualquer jeito, e que rezar em comunidade vai se tornando enjoativo: todos os dias eu tenho que comer, rezar e trabalhar com estas mesmas pessoas.

Logo chega o dia em que a comunidade se reúne para decidir as novas atividades e discutir se as propostas feitas atras foram bem-sucedidas. Neste dia o jovem começa a ouvir criticas sobre a sua conduta na casa. Ele não aceita nenhumas delas, e tão triste com a situação começa a pensar em desistir, pois diz que ninguém o aceita.

A crise chegou para os dois exemplos de vocação. Vamos então para o texto do jovem rico, mas aqui não colocarei nas entrelinhas: O jovem rico ao encontrar Jesus pergunta: Senhor que posso fazer para receber o reino dos céus? Jesus responde: deve cumprir os mandamentos e ser uma boa pessoa. Em seguida o jovem diz: mas eu já faço tudo isto. Então bom mestre que posso fazer para ti seguir? Jesus responde: Bom é só Deus. Se quiser seguir-me vende tudo e da aos pobres…

Este jovem já esta cumprindo o caminho de vida que é proposto nos dez mandamentos, ele é uma boa pessoa e tem uma boa conduta. O problema já não era mais receber o reino dos céus, mas radicalizar: pois é, eu já cumpro tudo isso, então vou ti seguir, como posso fazer isto? Aqui esta o ponto forte que me levou a entender o que quer dizer Jesus com: vende tudo para me seguir. Se o Jovem rico vende tudo para seguir Jesus não terá outra coisa se não o grupo que agora ele pertencerá. Se ele já não tem nenhuma herança, nada que o diga que exista um paralelo entre a sua nova vida e o seu passado, ele estará sempre livre para viver sua própria escolha. Se este jovem enfrentar qualquer dificuldade na nova comunidade de Jesus não terá motivo para abandona-la, pois a única coisa que ele tem é pertencer ao grupo de Jesus: Quem não tem mais casa fora da proposta de radicalização, não pode mais fugir e sim enfrentar.

Agora voltamos aos nossos amigos em crise, porem lembre-se que crise não é ruim em si, mas a possibilidade de darmos uma reposta às grandes questões que aparecem em nossa vida. Tanto o marido como o jovem consagrado entraram nesta nova vida deixando para trás toda a herança. Porem agora sente o direito de se proteger, pois neste caso é natural. O problema que se encontrar na proteção é deixar tudo e voltar para trás: voltar para a casa dos pais.

Como os ânimos já estão tão difíceis de se relacionar o melhor refugio e saber que deixei algo preparado para esta ocasião. Tem gente que gosta de dizer que isto é sinal de esperteza, que faz um bem manter sempre um trunfo na manga. Eu penso o contrário, não vejo por ai alguém que queira amadurecer na sua própria fé, pois quem quer ser cristão de verdade deve enfrentar: Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Então o que faço? Enfrenta.

A mãe do jovem casado diz que não pode mais ficar ali, pois deve voltar para a sua mulher. Este jovem se irrita com a mãe e desabafa no trabalho com os amigos todos os dias esta situação tão difícil: Meu amigo, minha mãe parece sogra, vive criticando minha vida, diz que estou sempre errado; pensei que era só minha mulher, agora devo aturar mais uma. O jovem consagrado também não fica atrás: começa fazendo careta para o superior quando não aceita as coisas, bate tudo com força para mostrar que não gostou, começa a fofocar sobre a vida de fulano que não presta, diz que tudo é culpa dele, que não vê mais Deus naquele lugar, que as pessoas da comunidade não vivem a vontade de Deus; e depois de tudo começa a dizer: se não mudar eu vou embora.

Estas pessoas terão sempre seus refúgios, pois vivem na casa ou na comunidade sabendo que podem sair sem compromisso algum com a própria realidade. Se temos sempre um lugar para refugiar-se das dificuldades não teremos como nos inserir na casa ou na comunidade. Entrar na radicalidade do movimento de Jesus é deixar tudo para o seguir. Não é um problema não seguir o caminho de Jesus (radicalizar o próprio batismo), mas se escolher este caminho não se pode viver alheio. Temos que ser um, tanto no casamento como na vida consagrada.

Podemos encontrar muita gente que não vendeu ainda as suas coisas e deus aos pobres. Encontramos pessoas que mantem o quarto, a bicicleta, a mochila do tempo dos estudos, tudo isto e mais no mesmo lugar. Pessoas que sabem que estão casadas ou consagradas e continuam sem compromisso com a própria vida, com a própria escolha que fez. Talvez nos estamos neste processo. O problema é que não se pode ser um com ideias divididas. A decisão deve ser uma: seguir Jesus por livre escolha ou não.

Quando olhamos a comunidade que se encontra com Jesus teremos a visão de que existe um diálogo interno muito intenso, que Jesus busca se fazer ouvir, mas também está escutando a todos. Jesus se encontra não parado, mas em movimento, diante dos conflitos que nascem internamente. Tiago pede para mostrar o Pai e a reposta de Jesus é imediata: Tanto tempo que vocês estão comigo e ainda não me conhece, quem me vê também vê o Pai. Ou mesmo quando os discípulos sentem dificuldades de entender as parábolas: A multidão é dada o direito de não entender, mais há vocês não.

Jesus esta sendo muitas vezes na comunidade desentendido, encontra muitas dificuldades de comunicar com clareza a vontade de Deus em sua vida. Ele tem que dizer deixe vir a mim as criancinhas, pois os discípulos se acham donos de Jesus, e com isso se acham no direito de impedir quem eles querem. Quando a hemorroíssa o toca os discípulos responde energicamente: estamos no meio da multidão, você tem que entender que seremos espremidos de qualquer maneira. Porem Jesus é quem ama, pois diz para andarei ao outro lago para descansar, mas súbito retorna a encontrar o povo que tanto amam.

Jesus usa de uma coisa muito grande dentro de si que é o amor. Ele experimenta viver cada minuto, pois testemunha Aquele que o envio: Ele é muito maior do que eu. Jesus vence todas as dificuldades que nascem no meio da comunidade. Busca dar respostas, enfrentando em cada momento com a sabedoria que vem do alto. Jesus nos mostra que podemos fazer o mesmo.

Por isso é bom sentir que as primeiras comunidades estão testemunhando o Cristo ressuscitado, pois tudo que diziam sobre Ele é verdade. Tudo que dizem de Jesus Cristo é real e se faz em nossa vida. Por isso penso que para testemunhar o Cristo ressuscitado nós devemos estar bem certos que deixamos tudo para segui-lo, assim teremos certamente em nosso coração que tudo que aprendemos do Evangelho é verdade em nossa vida. Tudo isto ocorrerá se conseguimos entrar no movimento de ser um, de deixarmos ser governados pelos ensinamentos de Cristo. Tudo isto acontece com quem sabe que viver a vida em Cristo é um risco cheio de benefícios.

Crescer na fé e radicaliza-la é ao mesmo tempo uma decisão de segui-lo incondicionalmente. Matrimonio ou consagração não pode ser feito com um pé atras. Se decide viver em comunidade deve levar até o fim esta decisão. A vida de comunidade santifica cada um que se deixa acolher e aprender como bem viver. Radicalizar o amor que tem dentro de nós para alcançarmos o reino dos céus. Façamos como a oração de São Francisco: Mestre faça que eu procure mais consolar que ser consolado. Amar que ser amado. Pois é dando que se recebe. Perdoando que se é perdoado. Morrendo que se vive para a vida eterna. Não esqueça que você é uma testemunha real das maravilhas do Deus de Jesus Cristo. Radicalize tua fé no amor.

 

 

 

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