A CARIDADE Mt 6,1-6.16-18

Postado por: Padre Bantu Mendonça K. Sayla

June 18th, 2008

O homem que quer viver conforme a verdade, conforme Deus, há-de procurar, antes de mais, ter uma consciência reta, porque é no mais profundo do coração que o homem é o que é. Ostentação do próprio ou aplausos dos outros, se não correspondem ao ser interior que escapa aos olhares alheios, são pura vaidade e engano. A lei de Cristo não atinge o homem apenas no seu comportamento exterior, como por vezes fazem as leis humanas, mas desce ao mais íntimo do próprio coração, porque é aí, que está a raiz de tudo o que no homem nasce de bom e de mau. E o único que chega lá é o teu Pai vê o que fazes no segredo.

Jesus nos manda fazer a oração interior, sim! Mas não se trata de conceber a oração interior, livre de todas as formas tradicionais, como uma piedade simplesmente subjetiva, e de opô-la à liturgia, que seria a oração objetiva da Igreja.

Muita gente não vai a missa e diz: eu rezo na minha casa. Outra não se confessa alegando que se confessa diretamente a Deus. Quero dizer-te que quando tu vás a missa, participas do grupo de oração, te confessas é a própria Igreja quem reza, porque é o Espírito Santo que vive nela que, em cada alma única, “intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rom 8, 26). E essa é, justamente, a verdadeira oração, porque ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’ senão por influência do Espírito Santo (1Cor 12, 3).

Ir à missa, fazer uma oração no interior do quarto que é o próprio coração é um ato de caridade para contigo mesmo. É uma oferta que te fazes a ti e ao próximo.

O que seria a oração da Igreja se não fosse à oferenda daqueles que, ardendo com grande amor, se entregam ao Deus que é amor?

O dom de si a Deus, por amor e sem limites, e o dom divino que se recebe em troca, a união plena e constante, é a mais alta elevação do coração que nos é acessível, o mais alto grau da oração. As almas que o atingiram são, na verdade, o coração da Igreja; nelas vive o amor de Jesus, sumo-sacerdote. Escondidas com Cristo em Deus (Col 3, 3), não podem deixar de fazer irradiar para outros corações o amor divino de que estão cheias, concorrendo assim para o cumprimento da unidade perfeita de todos em Deus, como era e continua a ser o grande desejo de Jesus.

Todos sabemos que somos também pecadores e, a fim de recebermos o perdão pelos nossos pecados, deve alegrar-nos o facto de termos a quem perdoar. Assim, quando dissermos, seguindo o ensinamento do Senhor: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mt 6, 11), podemos estar seguros de obter a misericórdia de Deus.